POV: Leo

Na manhã do dia 31 de dezembro, o dia dos fogos, Melanny já tinha quase vinte pontos e eu estava com sete.

Á noite, encontrei Melanny em frente à Casa Grande. Ela estava com uma blusa branca longa que deixava uma parte pequena de seu short jeans preto aparecer. Ela usava uma sapatilha preta e seus cabelos estavam soltos, balançando no vento suave. Quando o vento soprou mais forte, jogou seus cabelos para frente. Ela olhou para mim e sorriu, enquanto afastava os cabelos do seu rosto de porcelana. Fomos para a praia, onde muitos campistas já estavam sentados em pedras, no cais ou em toalhas sobre a areia branca. Melanny sentou-se no cais de madeira, cruzando as pernas e olhando para mim. Eu ri, pois ela parecia uma criança ansiosa para ganhar um presente, e sentei ao lado dela. Melanny arranjou cinco pedras e me ensinou uma brincadeira que aprendeu com sua avó na sua cidade natal. Melanny vinha da cidade de Hoboken, em Nova Jersey. Depois se mudara para Manhattan, morando em Midtown. Segundo ela, depois que se mudara para Manhattan, não conseguiu se enturmar muito bem com a vizinhança depois de um “acidente” que aconteceu logo que chegou de Hoboken.

* * * * * * *

A mãe de Melanny mandara a criança de 10 anos brincar com as vizinhas enquanto ela arrumava a casa nova. Melanny pulava corda com outras três garotas quando gritou assustada. As mães das garotas correram para ver o que estava acontecendo. Quando chegaram, viram Melanny tentando se manter o mais longe possível de um pombo que a encarava. A garotinha gritou para a mãe pedindo socorro e as vizinhas riram. A mãe de Melanny, envergonhada, aproximou-se da filha e a tomou pelo braço.

– O que está fazendo, garota? – a mãe ralhou.

– Aquela coisa... – Melanny apontou para o “pombo” – Quer me matar! Mãe, me ajuda!

– Do que está falando? – A mãe da menina se enfurecia enquanto as vizinhas riam cada vez mais – É só um pombo!

– Um Pombo? Mãe, aquilo é um monstro!

– Monstro? Chega de inventar, mocinha! Vá já para dentro!

Enquanto Melanny tentava chegar a casa sem correr, o “pombo” avançou e começou a bicá-la. Ela gritava e tentava afastar o animal. Ela correu até o outro lado da rua numa velocidade admirável, pegou uma garrafa de refrigerante de vidro que estava na calçada e lançou contra o que na verdade era uma Benevolente. O monstro não parou. Continuou indo em direção a garota que se abaixou no momento certo, fazendo com que a Benevolente batesse numa vidraça. A Benevolente a deixou em paz, pelo menos por enquanto. As vizinhas observavam o que, aos seus olhos, era uma garotinha louca que fugia, gritava e lançava garrafas em um simples pombo, dizendo que o animal queria matá-la.

A partir desse dia, as vizinhas não deixaram suas filhas brincarem com Melanny, nem falaram mais com a mãe de Melanny.

* * * * * *

A brincadeira era simples e se podia brincar sozinho. Foi por esse motivo que a avó de Melanny a ensinara a brincar disso. Para ela poder se divertir, mesmo sem amigos. Jogava-se uma das pedras para cima e tentava pegar outra do chão, antes que a primeira caísse. Se conseguisse, jogava as duas pedras para cima e tentava pegar uma terceira do chão, antes que as outras caíssem, e assim por diante. Quando os fogos começaram, nós nos levantamos, assim como os outros campistas e assistimos aos fogos.

Ao fim dos fogos, houve uma contagem regressiva para a meia-noite a partir de dez. Melanny sorria enquanto fazia a contagem.

8...

7...

Ela estava tão bonita.

6...

5...

4...

Não pensei antes de segurar a mão dela.

3...

Ela parou de fazer a contagem e olhou para mim, surpresa, mas ainda sorrindo.

2...

1...

– Feliz Ano Novo – falei.

Todos gritaram “Zero!”, aplaudiram e se abraçaram, os casais se beijaram.

– Feliz Ano Novo – Melanny respondeu.

E nós nos beijamos. Dez pontos para mim. E temos um vencedor! Leo Valdez, pessoal!