Fogo Inalcançável
10 9º Capítulo – Zeref encontra Natsu, cuidado para não despertar o monstro.
Notas iniciais
9º CAPÍTULO – ZEREF ENCONTRA NATSU, CUIDADO PARA NÃO DESPERTAR O MONSTRO.
O humor não poderia estar pior, a noite mal dormida e a notícia sobre a situação de Lucy o deixou mais abalado do que gostaria. Caminhava ao lado de seu mentor, entre árvores e mais árvores, faziam uma trilha em meio a uma densa floresta na intenção de cortar caminho, o destino seria uma aldeia afastadas das demais onde supostamente Zeref foi visto. O rosado olhou para o mais velho que caminhava atento a qualquer surpresa, mas que parecia estar perdido em seus próprios pensamentos.
— O que acha que eu deveria ter feito? – Perguntou Natsu sem desviar o olhar da trilha a frente.
Gildarts não esperava se quer ouvir a voz do discípulo, tão pouco receber tal pergunta, demonstrou surpresa, o olhou rapidamente, mas logo voltou a fitar a paisagem, parecendo agora estar um pouco mais sereno e calmo.
— O que eu acho não importa. O quê você acha que deveria ter feito?! – Perguntou, porém, antes de obter a resposta ele prosseguiu. – ...mas pensando bem... Você sempre agiu conforme sua intuição e seus princípios. Se você por algum momento tivesse cogitado em voltar para Magnólia nós não estaríamos aqui. Se estamos aqui, caminhando nesta floresta, é porque é isso que você acha certo. – Mostrou seu ponto de vista.
— Hum... — Pareceu pensativo. — Não me arrependo de ter prosseguido com a missão, mas sinto que estou sendo constantemente julgado por não estar fazendo o que todos querem!
— Você está mudando Natsu... Por isso que estamos nessa missão, não se esqueça disso, não se acostume a se sentir assim. Agora você vive em constantes incertezas e dúvidas, pois sua personalidade está instável. Não sabe quais decisões deve realmente tomar, pois existe duas personalidades ai dentro de você. Você se sente julgado pois aqueles que te conhecem esperavam que você voltasse, pois se isso acontecesse há uns meses atrás você voltaria sem sombras de dúvidas. – Falou tranquilamente, enfiando suas mãos nos bolsos do casado e olhando cansado para o céu que exibia o espetáculo do nascer do sol.
— Pessoas mudam... Não consigo enxergar nada de errado nas minhas decisões tão pouco nas minhas atitudes. Sei que algo está despertando aqui dentro, mais isso faz parte de mim, de quem eu realmente sou. – Natsu já não via mais sentido em temer sobre seus poderes, ou sobre seu futuro. Sentia que finalmente estava encontrando uma parte que lhe faltava.
— Mas porque o interesse em saber da minha opinião sobre o que você deveria ter feito? Para mim isso mostra que você está indeciso sobre suas próprias decisões.
Durante toda a conversa eles seguiam o caminho, num ritmo tranquilo, sem muita pressa.
— Você está certo... A todo o momento sinto ser persuadido por duas vozes, minhas decisões e o que estamos fazendo agora é o que eu realmente quero, não sinto arrependimentos, mas, uma sensação impulsiva de voltar para a guilda está me deixando inquieto... Isso me irrita!! – A voz rouca saia entre dentes, e o olhar tomou um vazio. Gildarts olhou para o rosado, mediante ao olhar e tom ele pensou em se calar, mas estava preocupado, a cada dia que passava seu discípulo ficava mais irreconhecível.
— Você tem que entender que não temos realmente certeza do que está lhe causando tantas mudanças, é algo que você mesmo desconhece... e não deve de forma alguma aceitá-lo, por isso o motivo desta missão! Está sensação impulsiva que lhe incomoda tanto é o verdadeiro Natsu, que está gritando para ser ouvido, o Natsu impulsivo e fiel aos seus companheiros de guilda. – Disse de uma forma que o rosado pudesse compreender. — Mas essa sua decisão de permanecemos em missão não foi de tão ruim assim, continuarmos atrás de Zeref e darmos um fim nele cortará a raiz de todos nossos problemas, até mesmo será algo primordial para trazer segurança para Lucy e seu bebê.
— De fato, dar um fim em Zeref me tirará um mundo das costas. Mas se tem algo ou não despertando aqui dentro, isso não me incomoda, ao contrário, sinto que estou me tornando quem eu deveria realmente ser. E derrotando Zeref não fará eu ser esse Natsu que você diz que eu era.
Gildarts se entristeceu, ouvir aquelas palavras o fez sentir profundas saudades do Natsu que sempre admirou. E além da tristeza lhe veio a preocupação de realmente não conseguir trazer de volta o antigo Natsu.
No fim da conversa eles já haviam saído da floresta e caminhavam numa trilha entre tanques de plantação de arroz, e no fim do horizonte era possível ver a almejada aldeia.
Vamos nos apressar! Finalmente estamos chegando. – Disse Natsu ansioso.
...
A aldeia era próspera, tinha muitas casas, ruas e até alguns comércios, adentrando mais eles viam mais aldeões caminhando tranquilamente pelas ruas e outros trabalhando na lavoura ao lado, crianças brincando e outras na companhia de suas mães. Era uma comunidade tranquila, estavam aproveitando o iniciar de um dia tranquilo, passava longe a sensação da presença de Zeref naquele Lugar.
— Acho que foi mais uma informação furada que recebemos. – Disse Gildarts desanimado, puxando para os lábios mais um cigarro.
— Não podemos ter certeza ainda, essa aldeia é maior do que imaginei. E Zeref não costuma trazer caos e confusão por onde passa, é por isso que temos tanta dificuldade de encontrá-lo. – Dizia para o mais velho, enquanto ele percorria com seus olhos cada centímetro que sua visão alcançava.
— Mas você está sentindo o cheiro dele?
— Não, o que não me é novidade, todas as vezes que ele surgiu em minha frente eu nunca fui capaz de sentir sua presença.
— Então, já que estamos aqui vamos procurá-lo. – Disse tentando juntar esperança de encontrar pelo menos vestígios de que Zeref passou por ali.
A dupla passou a caminhar pela aldeia, quando encontravam algum grupo de senhores eles buscavam informações, batiam de porta em porta, questionavam incessantemente os cidadãos, em busca de qualquer lembrança que pudessem os ajudar. O dia foi passando, no entardecer Natsu estava frustrado, passaram o dia todo procurando sinais se Zeref poderia estar naquela aldeia, ou que pelo menos tivesse passado por ali.
A dupla estava novamente no ponto de partida, mostrando que haviam circulado cada centímetro da aldeia. Gildarts observou Natsu, que parecia estar prestes a explodir, por mais uma vez ter seguido pistas frias.
— Sinto em dizer Natsu, mas... — Se calou.
O silêncio e a interrupção fez com que Natsu olhasse para Gildarts, e franziu o cenho quando o viu imóvel, soltou ar de surpresa e rapidamente olhou a sua volta, vendo que todos da aldeia estavam estáticos, e tão logo uma sensação arrepiante percorreu seu corpo, o ar ficou pesado, e o entardecer desapareceu; tudo ficou sem cor, sem vida, parecia estar num pesadelo. Mas os sentimentos apreensivos que estavam pairando sobre si não foram suficientes para suprimir a euforia de saber que Zeref estava por perto.
Quando voltou seu olhar para frente viu Zeref já ao lado de Gildarts. Natsu fixou os olhos naquele que caçou por meses... uma ira o consumiu, era ele, aquele ser parado cinicamente a sua frente.
— Maldito.. finalmente resolveu aparecer!! – Rosnou.
— Você está mudado Natsu Dragneel... Seu cheiro mudou e sua presença é tão forte, impossível de não notar... mas já era de se esperar. – Sua voz serena combinava perfeitamente com sua face tranquila, quem não o conhecesse teria empatia pelo jovem e pálido rapaz.
Natsu riu displicente, o olhar frio caiu cansado sobre Zeref que relutante admitiu ficar surpreso por tamanha frieza.
— Não me venha com conversinhas fiadas Zeref... Estamos há meses lhe caçando, você é um fardo em minha vida seu miserável... não quero e não permitirei perder tempo... então me diga de uma vez o que você está tramando e porque meu nome aparece tantas vezes eu seus planos?
Zeref sorriu, ver que estava perturbando tanto assim seu querido Natsu era grandiosamente satisfatório.
— Sei que o conselho andou vasculhando-me, mas eu permiti tomarem conhecimento apenas daquilo que eu queria que vocês soubessem!
Natsu soltou um sorriso de canto. — Me diga algo que eu não saiba.
Zeref mostrou certa surpresa ao ver a sagacidade do mago.
— Não há chances de qualquer mago ou guilda interferir nos meus planos... sinto em dizer, mas seu tempo em minha caçada foi em vão.
— Não me venha com essa.... Se as respostas não saírem da sua boca imunda eu arrancarei dos seus servos de Tartaros. – Estava descido em conseguir alguma informação, não iria permitir ser em vão toda sua jornada.
Ver Natsu louco em saber mais sobre seus segredos era de um esplendor inigualável, era isso que ele queria, vê-lo tão confuso, desesperado por respostas, sendo que é praticamente, ou melhor, literalmente palpável a resposta que o rosado tanto buscava.
— END ... – Não se conteve, por anos sonhou falar sobre END com Natsu. – END é o mestre de Tartaros, e seus membros o querem de volta.
— END?!! O demônio que Igneel não conseguiu matar? – Falou surpreso.
— “Que não pôde matar!”, seria mais preciso. END, o demônio mais forte que eu já criei, sei que você também se verá diante dessa escolha... de matá-lo ou deixá-lo viver. Você que irá escolher Natsu. Quem será que chegará até mim, você ou END?
Natsu o olhava firme, atento ao que Zeref dizia. Mas custava juntar os pontos e tirar alguma conclusão sobre tudo que já sabia e sobre o que Zeref estava lhe dizendo.
— Eu ou END? … — Seu coração bateu forte, parecia compreender o que Zeref queria lhe dizer, algo nostálgico tomou seus sentimentos, mas afastou tais pensamentos.
— O demônio é a verdadeira face das pessoas meu querido Natsu, o inferno é a verdadeira face deste mundo!! É isto que eu busco, é isso que Tartaros almeja!
— Irei transformar você e Tartaros em fumaça!! – Mais uma vez saiu em rosnado sua ameaça.
— Há coisas neste mundo que você não pode se opor nem enfrentar, não importa o quanto você tente. O que me surpreende é que você se quer tenta se opor contra isto. – E apontou para o próprio Natsu, que ficou confuso. – Não perca seu tempo comigo, aconselho que volte para Fairy Tail e aproveite o tempo que lhe resta com seus queridos companheiros.
Antes que Natsu pudesse falar qualquer coisa Zeref desapareceu e consequentemente o tempo descongelou aos poucos, trazendo de volta Gildarts e todos da aldeia. Natsu olhou para o parceiro, mas não o enxergava, pois estava imerso em um temor agoniante. — “Tempo que me resta?”.
Encontrar Zeref de longe foi o que imaginou que seria, pois seus problemas pareciam apenas ter tomado proporções maiores e mais dúvidas começavam a ecoar em sua mente.
Gildarts estranhou ao ver a face perturbada de Natsu, há um segundo ele parecia estar apenas frustrado por não ter encontrado Zeref e no seguinte parecia ter ficado cara a cara com o próprio. Então num estalo ele arregalou os olhos e finalmente percebeu. — Natsu... o Zeref?
— Hai... Temos que encontrar a cede de Tartaros, é lá que todos os planos de Zeref estão sendo executados.
[ ]
Ainda sentia muito sono quando foi retomando sua consciência, mas uma vez se perguntava como e quando havia decidido se deitar. Tinha a sensação de ter tirado um curto cochilo, porém, mal dormido e perturbado por pesadelos. Abriu lentamente os olhos; sentia sensibilidade pela claridade que tomava o cômodo; tentou se sentar na cama mas logo sentindo dores por todo corpo e uma fraqueza que lhe impediu de mover os braços.
— Lucy! – A voz de puro alívio veio de Erza, que estava recostada na janela, imóvel, pois não acreditava que estava vendo sua amiga finalmente despertar depois de três longos dias.
Lucy a olhou, vendo na amiga ruiva um semblante decepcionado, desviou seu olhar para a poltrona onde tinha um Gray se levantando também abatido que a olhava suplente. Não precisou de explicações para adivinhar o que havia acontecido, ela se lembrou, o desespero tomou sua feição e num choque colocou uma das mãos sobre a barriga, esquecendo da fraqueza que lhe impedia de se mover.
— Ele esta bem, e você também... Graças a Léo e Aquarius. – Disse Gray se aproximando.
Erza mal conseguia olhar para Lucy, a culpa era avassaladora e humilhante, o desconforto em se sentir incapaz de protegê-la já era o maior dos castigos.
— Arigatou! – A voz sempre doce da loira soou mais suave do que jamais ouviram, e seus olhares tristes fixaram na face aliviada e sorridente de Lucy. – Vocês... vocês me protegeram!! Se não fosse por vocês eu e meu bebê não estaríamos aqui! Não tenho palavras o suficiente que seja capaz de demonstrar o tamanho da gratidão e amor que tenho por vocês. – Terminou em lágrimas, finalmente conseguindo forças em se apoiar no colchão e com a ajuda de Gray conseguiu sentar-se recostada na cabeceira, então segurou a mão gélida do amigo e levantou o outro braço num pedido silencioso para Erza se aproximar, que logo foi atendido, Erza e Gray desabaram nos braços aconchegantes da amiga. Aquelas palavras, o sorriso, a voz dela, era tudo que eles precisavam.
— Irei informar ao mestre e a Porlyusica-san que você acordou! – Disse Gray se levantando e ajeitando o sobretudo. Tentando inutilmente conter o choro, pois algumas lágrimas teimosas se formavam nos cantos de seus olhos. Erza permaneceu sentada na cama, segurando as mãos de Lucy e a observando, tentando diagnosticar se ela realmente estava bem.
— Me sinto bem Erza, não se preocupe. – Tranquilizava a amiga. – Apenas um pouco mais fraca que dê costume. – Então Erza sorriu, Lucy mostrava a cada dia o quão forte era.
— Luxxyyy .... – O grito choroso e desesperado veio de Happy, que entrava no quarto acompanhado de Juvia, Mira, Makarov e Porlyusica. Lucy o olhou e sorriu ao ver a face chorosa do neko.
— Não chore Happy eu estou bem... – Dizia Lucy, enquanto o azulado se jogava em seus braços e o restante do pessoal observava a cena.
— Gomen Luxy!! Não estava aqui para te ajudar... Tive tanto medo Luxy... medo de nunca mais ouvir sua voz... medo de não conhecer seu bebezinho...– Lucy o olhou, era incômodo saber que preocupou sua família. Então Happy se afastou um pouco de Lucy, a olhou e abaixou o olhar, dando um longo suspiro ao mesmo tempo que aliviado mas também entristecido. Lucy o encarava aflita, sabia que ele queria dizer algo.
— Natsu jamais me perdoaria se algo acontecesse com você e o bebê... – Disse em temor só de imaginar. Lucy se surpreendeu, pensar em Natsu não era fácil, tão pouco pensar que ele ficaria preocupado com ela e seu bebê.
— Não se torture, estou bem, e aqui junto de quem realmente se importa comigo, e estou viva graças a vocês e não a … ele – Deixou a feição aflita para olhar para todos com um sorriso perfeitamente desenhado.
— Mas Happy está certo Lucy... — Falou Makarov, se aproximando de sua cama. — Natsu ficou transtornado ao saber do ataque e que não conseguimos evitar que você se machucasse. – Decidiu pela primeira vez falar sobre Natsu para Lucy, depois de tudo ele sentiu que ela precisava saber que sim, Natsu de uma forma estranha e confusa se preocupava com ela e o bebê. — Natsu pode não ser mais o mesmo, mas no ínfimo do seu ser ele ainda se preocupa com todos nós, principalmente com você Lucy, ele não voltou, tão pouco está aqui para protegê-la, mas isso é porque no fim ele confia em nós, e se quebrarmos esse último sentimento que resta em Natsu, se deixarmos que você e seu bebê se machuquem novamente, nós não seremos capazes de enfrentar sua fúria... ele deixou isso bem claro em nossa última conversa, e... eu sei que ele não estava exagerando. — Falou aflito.
O que o mestre disse veio como um golpe no estômago para todos, saber que Natsu se preocupou com Lucy afinal foi uma boa notícia, mas também temeram as palavras ditas por Makarov “nós não seremos capazes de enfrentar sua fúria”.
Logo olharam para Lucy que estava com um olhar entristecido e assustado, desviou o mesmo para um canto perdido do quarto e pareceu não acreditar nas palavras de seu mestre, ela melhor do que ninguém provou o quanto Natsu estava frio e desinteressado por todos da guilda, principalmente por ela. Não poderia ele, tão arrogando e prepotente estar preocupado com ela... Mas, não queria pensar em Natsu naquele momento.
— Posso ir pra casa? Não é por nada, mas não consigo descansar neste ambulatório. – Disse docemente, fugindo drasticamente do assunto, que claro, não passou despercebido pelos demais.
Makarov entristeceu, Lucy não poderia desistir de Natsu, ela era sua última esperança de um dia, salvar Natsu do poço profundo e escuro que ele estava se afundando.
— Você ficou três dias aqui, acho que realmente já está na hora de te levarmos para casa. – Disse Porlyusica deixando Lucy surpresa ao saber que passou tantos dias adormecida. – Só irei fazer uns exames, e em seguida Gray poderá te levar para casa ok? – Porlyusica não disfarçava o sorriso satisfeito em ver Lucy acordada e conversando, então se aproximou da loira colocando a palma da mão na testa dela. – Assim que terminar de examiná-la vocês poderão voltar, mas no momento peço que se retirem. – Pediu a rosada.
O pessoal prontamente obedeceu as ordens da médica, enquanto isso iriam passar a ótima notícia de que Lucy estava bem e lúcida para o restante da guilda.
Apenas Gray permaneceu na porta, recostado na parede com a perna esquerda apoiada na mesma, de braços cruzados e olhos fechados ele suspirou em alívio e soltou um belo e sempre charmoso sorriso, se algo tivesse acontecido com Lucy ele jamais se perdoaria. Mas o sorriso se desfez ao lembrar das palavras do Makarov.
— Natsu ficou transtornado é??! — Falou para si próprio, em tom descrente e irritado. Saber que Natsu expressou algum sentimento sobre tudo isso o deixou brevemente satisfeito, mas também incomodado, como Natsu ousava em ameaçar seus próprios companheiros?! — Maldito baka de olhos puxados!
— Porlyusica-san, como consegui me recuperar?.... Aquela maga... ela sugou toda minha magia. – Perguntou Lucy curiosa, relembrando os detalhes daquele covarde ataque.
— Dei-lhe um medicamento com Eternano, mas quem lhe salvou foram seus espíritos, o rapaz de óculos e a sereia. – Explicou sucinta enquanto apertava os pulsos da jovem, a fim de calcular seus batimentos.
Lucy então olhou para as chaves que estavam no criado mudo ao lado, seu coração bateu forte, estava certa, no fundo sabia que seus espíritos haviam intervindo em sua recuperação, sentia fluindo em suas veias uma magia mais pura, mais forte. Não existiam palavras para dizer o quanto amava seus amigos do mundo espiritual.
— Você está liberada para voltar para casa, mas não quero que vá andando, Gray ou Gajeel iram te levar. – E antes que Lucy protestasse ela prosseguiu firme. – Não quero resmungos, sou sua médica e vai me obedecer. Você ainda está fraca, e daqui pra frente teremos que administrar mais medicamentos e você terá de se cuidar mais ainda. — Disse se levantando e abrindo a porta, dando sinal para que Gray entrasse.
— Você escutou meu jovem?
— Hai, não se preocupe eu a levarei. – Disse Gray, mais disposto do que nunca em cuidar de Lucy e provar para si mesmo que era capaz de protegê-la. Lucy fez um bico de desgosto, não queria sair da guilda sendo carregada, parecendo uma enferma. Então, esperta como sempre decidiu fazer uma negociação, sabia que resmungos não adiantaria.
— Onegai, apenas me deixe sair da guilda caminhando, o restante do caminho eu aceitarei a ajuda de bom grado. – Pediu suplente, olhando manhosa para Porlyusica e Gray, que se entre olharam duvidosos.
No saguão da guilda só se ouvia falar sobre a recuperação milagrosa de Lucy, estavam todos alegres pela notícia, os três dias em que ela esteve desacordada foram com certeza os mais angustiantes para todos.
— Gajeel! Já sabe, você ficará em guarda, agora que Levy descobriu uma poção que quebra qualquer magia ou ritual que lhe tire o olfato tenho certeza que não tomaremos mais sustos. – Makarov estava comemorando a recuperação de Lucy com um enorme barril de vinho, mas não descuidava em deixar claro as regras para seus filhos.
Gajeel assentiu para o mestre, disposto em servir fielmente as ordens do mesmo, daria seu melhor para evitar que algo semelhante acontecesse novamente.
Então ouviram alguns murmurinhos, e comprimentos, ao olharem para a escadaria viram que era Lucy descendo vagarosamente as escadas, com Gray ao seu lado a apoiando pela cintura, Lucy era cumprimentada por cada um. O olhar amoroso e suspiros de alívios de seus amigos era incrivelmente poderoso, pois ela se sentia reconfortada e segura.
Pararam brevemente no balcão, Mira olhava chorosa para Lucy, e na alegria em vê-la não se conteve em largar o que fazia e ir abraçá-la.
— Quero que descanse. Não se preocupe com nada, levarei a refeição de vocês e alguns docinhos. – Disse com sua voz doce e suave, recebendo de Lucy um “Hai” desconcertado e tímido.
Quando saíram pela porta, sendo ela fechada por Porlyusica, Lucy então olhou para Gray e assentiu; realmente a descida das escadas já lhe deixou exausta; Gray cuidadosamente a pegou nos braços e Lucy apoiou sua cabeça no ombro do amigo. E finalmente seguiram para casa. Happy claro, acompanhando-os.
[…]
— Tem certeza disso – Perguntou descrédulo, mas ainda sim sem perder a calmaria em sua face.
— Hai... — Respondeu o homem prostrado em sua frente, era mais um informante, apenas mais um dos muitos membros de guildas das trevas que espalhou pelas cidades de Fiore. De cabeça baixa em reverência, ele não ousaria olhar para seu amado mestre, não era digno de tal.
— Ao voltar da minha última viagem de reconhecimento de campo passei por Magnólia, as pessoas só falavam sobre isso, em todo lugar que eu passava esse assunto dominava então fui investigar.
Flashback ON
Ele caminhava cansado e despreocupado pelas ruas da bela cidade, com um sobre-tudo marrom, coturno e mochila de viajante não temia ser reconhecido como integrante de uma guilda das trevas, pois sempre agira pelas sombras, sempre responsável pelos reconhecimentos de campo e espionagem, ninguém sabia sobre sua existência, para todos aqueles olhos ele era apenas um viajante qualquer.
Cansado da longa viagem que fazia entre Hargeon e Clover Town resolveu passar por ali, que era caminho entre essas duas cidades, não faria mau dar uma verificada na região, afinal aquela cidade era sediada por nada mais nada menos que a guilda mais visada de Fiore, Fairy Tail.
Caminhando pelas ruas de Magnólia não via nada de anormal, as pessoas caminhavam alegres e distraídas, outros muitos ocupados com seus afazeres e as crianças corriam alegres pelas calçadas.
— Kuso. — Resmungou cansado, não tinha nada de novo naquela cidade, definitivamente pareciam passar por tempos de calmaria.
—Hai hai... parece que nem Gray-san e Erza-sas conseguiram impedir o ataque.
Os nomes ditos pela jovem moça andando a sua frente com uma amiga lhe chamara atenção, a ponto de apressar seus passos para se aproximar sutilmente das mesmas, sem que elas notassem sua presença.
— Pobrezinha, já não está sendo um momento fácil para ela sem Natsu por aqui, e ainda acontece isso, espero que Lucy-chan esteja bem. — Comentou a outra jovem, visivelmente entristecida.
Enfim elas entraram em um prédio qualquer, impedindo que o misterioso viajante continuasse a escutar. Por um breve momento pensou de deixar de lado, mas no mesmo instante notou dois senhores frente a um comércio de legumes e vegetais ali próximo, proseando algo que logo lhe chamou a atenção.
— Não sei se esse bebê tem muita sorte por ser filho de tais magos, ou muito azar. — Falou um senhorzinho de avental e com um fruto qualquer em sua mão, ajeitando as mercadorias na gondola que ficava na parte externa de sua loja.
Notou então que algo interessante estava agitando sim aquela cidade, e isso partia de Fairy Tail, mesmo não estando escalado para seguir os membros daquela guilda ele sabia que seria interessante descobrir o que teria acontecido.
Após alguns passos achou uma taverna, mesmo que ainda fosse dia a mesma já estava aberta, e pelo visto movimentada, decidiu então entrar na mesma, com certeza descobriria algo por lá. Sentando em uma banqueta frente ao bar da taverna logo fitou um grupo ao seu lado.
Para sua surpresa, eles também estavam no mesmo assunto.
— Estou começando a ficar preocupado com Fairy Tail, Natsu desapareceu junto com aquele mago mais velho. E parece que eles estão em constante conflito com pessoas perigosas e muito poderosas. — Falou um rapaz magro de cabelos negros e compridos, não aparentava ser um mago, assim como muitos por ali, ele bebericava alguma bebida alcoólica em um grande caneco.
— Isso acontece por serem igualmente poderosos, Fairy Tail reúne os magos mais fortes dessa geração. — Prosseguiu seu amigo, sentado ao seu lado e lhe acompanhando na bebedeira.
— Pois é, e tem mais uma geração a caminho e pelo que vejo tão poderosa quanto esta. — O viajante nem pode ver da onde veio, eram muitos participando da conversa.
— Sumanai. — Falou o viajante misterioso, com sua feição curiosa e aparentemente preocupado. Chamando a atenção do barman do outro lado do balcão. Vendo que o homem gordo de barba mal feita lhe olhara ele perguntou.
— Parece que algo aconteceu em Fairy Tail... Eu prezo muito essa guilda, eles salvaram minha aldeia uns anos atras.. — Mentiu descaradamente. — Está tudo bem?
O barman parou de secar os copos e se aproximou do desconhecido homem. Gostava de conversar, não importava quem fosse, coisa de barman.
— Parece que as coisas estão sobre controle agora, mas há uns dias atrás eles foram atacados. — Respondeu calmamente, mas parecendo aflito por falar sobre tal assunto.
— Uma guilda como Fairy Tail deve ser constantemente atacada, eles são muitos visados afinal.
— Sim, porém atacaram uma maga grávida covardemente, estavam tão sedentos que nem a Titânia e o Mago do Gelo conseguiram evitar o ataque.
— Maga grávida? Por que fariam isso? — O assunto estava começando a ficar interessante.
— É a Maga celestial, dizem que ela é muito poderosa, mas parece que anda bem debilitada por conta da gravidez.
— Lucy Heartefilia? Ela que está grávida? — Perguntou pasmo, realmente surpreso pela descoberta, obtendo um sim do barman ele prosseguiu. — Mas, a atacaram por que exatamente?
— Oras, não consegue imaginar o motivo? Afinal eles não se desgrudavam, essa criança é filho de Natsu Dragneel.
Não pode esconder a surpresa ao ouvir tal notícia.
— Naniii.. Natsu terá um herdeiro com Lucy Heartfilia??
Com certeza essa informação seria de ótimo agrado para seu querido mestre.
Flashback OFF
— Natsu Dragnell tem um herdeiro então?! Que falta de consideração da parte dele em não me avisar que serei titio. — Falou falsadamente triste, pois seus olhos negros brilharam e um sorriso malicioso surgiu em seus lábios, era perceptível que pensamentos obscuros dominavam seus pensamentos.
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