Fogo Inalcançável
34 34º Capítulo - E é o fim.... Ou um novo começo?
Notas iniciais
Acordou atordoada, um vazio dentro do peito a angustiava a tal ponto que pôs uma das mãos sobre o coração, apertando o tecido do pijama. Arfava e sentada no colchão o olhar vago pairava sobre o lençol que cobria suas pernas. Entre todas as sensações ruins que a tomava naquele momento, o que mais lhe incomodava era o frio, a ausência de calor, aquele quarto estava gelado demais para o seu gosto.
Finalmente seus olhos pareceram tomar vida, logo vasculhando o quarto a procura de algum integrante de sua pequena família.
— Lucy? Está tudo bem? — Erza surgiu na porta do quarto, em uma das mão ela segurava um pequeno pano azulado e na outra uma colher, talvez estivesse preparando o café da manhã quando notou que Lucy havia acordado. E assim que Lucy avistou sua bela amiga com uma expressão gentil e preocupada em sua face pareceu finalmente sair de algum pesadelo.
— Acho que estava tendo algum pesadelo, mas não consigo me lembrar. — A respondeu enquanto se ajeitava na cama, ficando sentada na mesma e ponto os delicados pés no piso frio. — E Nashi?
— Está com Gray e Juvia. — Sentou-se com dificuldade ao lado da amiga, automaticamente usando uma das mãos para firmar a coluna dolorida. Lucy deixou seus olhos brilharem ao ver Erza sentada ao seu lado.
— E vocês? Como estão hoje? — Perguntou amorosa tirando de Erza um sorriso doce e um suspiro cansado.
— Sem muito espaço para se mexer. — Falou apaixonada, acariciando e olhando para sua barriga. — Mas, estamos muito bem. — Concluiu num belo sorriso.
A ruiva estava na reta final da gravidez, a barriga redonda e saliente parecia estar no auge de sua protuberância. Estava linda. Talvez fosse impressão, mas parecia que as madeixas sempre tão vermelhas estivessem ainda mais intensas durante a gestação, os belos fios caiam soltos por seus ombros e costas alcançando até a curva de sua cintura, a franja levemente maior se deslizava por sua face tão serena. E naquele fase da gestação somente o que lhe servia e o que era mais confortável eram os vestidos que ganhou de presente de Lucy.
Ahh sim. Lucy fora de grande ajuda durante esses noves meses de muita descobertas e mudanças. Sempre cheia de informações e dicas para ajudar a amiga que no começo estranhou muito em se ver com um serzinho crescendo dentro de seu ventre. Uma das primeiras coisas que a maga celestial fez ao saber da gravidez foi lhe dar de presente cinco belos vestidos.
Flash back On
— O que é isso?
— Só um presente para a nova mamãe. — Falou levemente ruborizada.
Erza largou a xícara de chá sobre o balcão e tratou de abrir o belo embrulho com fitas de cetim. Os olhos brilharam de agrado ao ver que eram cinco belos vestidos, com cores delicadas e vibrantes, o tecido parecia ter sido feito pelas mãos mais amáveis do mundo, pois a macies era indescritível.
— São lindos Lucy!! — Falou impressionada, esticando os braços e estendendo um deles bem em sua frente para melhor apreciar.
— São para o final da sua gestação, quando você chegar no oitavo mês ficara um pouco inchada e as roupas que lhe serviam há duas semanas atrás não lhe servirão mais, ou ficarão muito apertadas e incomodas. Sem contar que não são confortáveis e nem práticas em vesti-las. Então esses vestidos iram te ajudar, eles tem um ótimo caimento e são delicados, assim como você gosta. Espero que sejam úteis. — Falou singela, sem notar o quanto havia aprendido durante sua própria gravidez.
— Arigatou Lucy.. — Os olhos se marejaram, mas antes que alguém notasse ela abraçou Lucy. — Eu amei. Com certeza os usarei muito!
Levy e Juvia sorriram, foi o primeiro presente que Erza ganhou assim que anunciou a gravidez, estava apenas com algumas poucas semanas e sequer tinha alguma volume em sua barriga. Mas já andava bastante sentimental e chorona.
Flahs Back Off
E naquela manhã Erza usava o seu predileto, era azul marinho, soltinho e chegava até o meio de suas coxas, o tecido era leve e fresquinho, tinha mangas duplas um par era estilo cigana que caiam de seus ombros e para seu maior conforto o outro par de manguinhas eram alcinhas finas e firmes que mantinham tudo no lugar. Levy havia lhe presenteado com uma linda cinta de tecido dourado e era ela que Erza usava bem abaixo dos seios, dando assim para ressaltar ainda mais a bela barriga.
— Arigatou! — A voz baixa a fez sair de seu belo mundo.
— Pelo quê? — Se mantinham sentadas, lado a lado.
— Por ficar aqui comigo enquanto Natsu está fora.
— Não tem que me agradecer Lucy. — Falou em seu tom sereno e maternal.
— Tenho sim. Você está para ganhar seu bebê, não deveria continuar se preocupando comigo. Eu adoro quando você dorme aqui, mas nas condições que você se encontra Porlyusica, Juvia ou Levy poderiam fazer isso.
— Eu também adoro passar algumas noites aqui. Jellal anda muito atarefado com as obrigações administrativas que o mestre passou para ele e ele acaba ficando preocupado por me deixar sozinha até tarde da noite. Então uma está ajudando a outra. Não se preocupe. — Sorriu e olhou para Lucy que sorriu de volta e suspirou aliviada. — E como você está?
Lucy sabia sobre o que Erza se referia. Natsu partiu há alguns dias em uma missão com Gildarts e Happy, foi algo repentino e a pegou de surpresa, vê-lo partir novamente ao lado do mago mais velho lhe trouxe sensações que não gostaria de reviver.
— É uma sensação nostálgica e nada agradável. As vezes me vejo perguntando se ele vai voltar... eu sei que isso é ridículo. Mas, sempre que Natsu sai em missão com Gildarts ou com Gray eu fico assim. Talvez por isso eu tenha acordado tão aflita. — Ajeitou a franja atrás da orelha e mantinha o olhar perdido no chão, parecendo tentar entender os sentimentos que estavam a tormentando naquela manhã.
— Se pararmos para pensar não faz tanto tempo que tudo isso aconteceu. Levará tempo até que você se reconcilie completamente com esse sentimento de abandono e tristeza. Mas tente não se apegar com esses sentimentos, Natsu voltou por você e por Nashi, e mesmo sendo tão atormentado por seu passado obscuro ele jamais abrirá mão dessa família. — Sorriu e depositou sua mão sobre a de Lucy que estava repousada sobre o colchão que sobrava no vão entre as duas.
Lucy apreciou o toque meigo e reconfortante da amiga.
— Hai hai.. não vou mais me perder nesses medos. — Prometeu.
— Certo! — Seu tom de voz sereno ficou mais enérgico e animado. — Então me ajude a me levantar e vamos tomar nosso café da manhã. — Pediu manhosa ao notar que não conseguiria cumprir a simples tarefa se levantar-se sozinha daquela cama.
Lucy prontamente a ajudou, pegando em suas mãos e com um impulso a trazendo para frente. Não tirando de seu rosto um sorriso amável ao ver sua amiga naquelas condições tão graciosas.
…
Aquela solidão já tão comum o abraçava enquanto ele caminhava pelo pequeno corredor daquela casa. Olhou para dentro do quarto vendo a bela loira adormecida em meio aos lençóis brancos. Na face alva da maga parecia que alguma angustia a atormentava, por mais que ele estivesse usando sua poderosa magia para congelar o tempo, ela parecia querer despertar. "Será que estava pressentindo sua presença?"
Não se importou, voltou para o corredor a passos mansos e despreocupados, passou pela pequena cozinha onde viu uma maga de longos cabelos escarlates e com uma enorme e bela barriga de gravidez, ela parecia feliz enquanto enxia a delicada xícara de porcelana com algum chá preto, que agora estava estático numa pequena cascata entre o bico da chaleira e a xícara branca. Passou as mãos pálidas sobre os móveis numa inútil tentativa de se sentir familiarizado com aquele lugar. Mas nada sentiu.
Uma casa tão pequena, porém parecia tão completa, tão plena... Nunca teve um lar assim, e isso de certa forma o deixava com sentimentos invejosos por seu irmão. Não sabia muito bem o motivo de ter ido ali, mas soube da ausência do mago do fogo e “por quê não?” por que não brincar de pique esconde com seu amado otouto-san?
Caminhou até o aparador de madeira que ficava abaixo da janela da sala, lá haviam várias fotos por onde seus olhos caminharam e a cada imagem seu coração batia mais invejoso e apertado. Até que sua atenção se voltou numa caixa de madeira com decoupagem de flocos de neves e outros desenhos de inverno, ela tinha o tamanho de uma caixa de sapato e parecia prestes a explodir de tão empanturrada que estava. E isso por alguma razão lhe chamou a atenção, fazendo com que suas mãos alvas e enganosamente fracas apanhassem aquele objeto, tirando a tampa e descobrindo que ali estavam guardadas centenas de fotos. Não percebeu quando nem como, mas começou a analisar imagem por imagem, algumas caiam ao chão outras permaneciam no aparador.
Haviam tantas. Da maga celestial gravida, dos amigos, eles sorrindo despreocupados na beira da piscina, da herdeira de cabelinhos rebeldes e roseados. Notou a ausência de Natsu nessa remessa de fotos, porém nas que pareciam ser as mais atuais Natsu aparecia em quase todas, sempre com um sorriso de canto e uma feição um pouco fechada, mas sempre com a filha nos braços e com os amigos em volta, e nos olhos puxados Zeref via um certo brilho, algo que os olhos dele não tinha há séculos. E entre tantas fotos teve uma que mais lhe chamou atenção. Natsu com a filha, parecia recente pois a criança já estava grande, com um sorriso inocente e travesso composto por vários dentinhos de leite. Ela estava sentada no ombro do mago, mais precisamente em sua nuca, com as perninhas para cada ombro de Natsu, as mãozinhas agarradas nos fios rosas do pai. Natsu trazia no rosto um sorriso mais contido se comparado com o da filha, as mãos fortes seguravam os pezinhos dela num intuito protetor de impedir que ela viesse a cair, pois mesmo a foto ter eternizado eles naquele momento parecia de fato que a menina estava bastante agitada e feliz. Ao fundo era possível ver um belo jardim e alguns membros da guilda, pareciam comemorar, alias, parando para pensar, aquela guilda parece estar numa eterna comemoração não importa o tempo.
Seus lábios se puxaram para o canto, não fora para isso que fizera o que fez por seu irmão. Não fora para ele ter uma família, criar laços de sangue e se comportar como um mago qualquer. Aquela guilda tola e cheia de princípios familiares, aquela maga celestial e a filha estavam desviando Natsu de seu real caminho, e parecia que a cada dia ele estava ficando cada vez mais distante de seu rumo.
Olhou para fora, sorriu sereno ao se dar conta que seu maior problema estava logo ali, tão perto de si. Olhou em direção ao quarto onde a maga celestial descansava e pareceu concluir sobre algo, quando como um relâmpago negro ele desapareceu.
…
Lucy se sentia aliviada ao ver que nada passou de um pesadelo que pouco se lembrava, pegou a pequena xícara com as duas mãos e conversava com Erza. Caminhou até a janela da sala, queria ver como sua pequena estava, ela sabia que Nashi amava brincar no enorme quintal que aquela montanha oferecia para ela, queria poder ver dali o sorriso sapeca que sua filha estaria esbanjando, mas sua atenção se voltou para algo de superfície lisa e escorregadia no qual pisou, olhou e sentiu como se o tempo congelasse ao constatar que haviam algumas fotos caídas pelo chão, e que a caixinha, guardiã de suas jóias estava descuidadosamente aberta. Não seria nada de mais não é? Apenas uma pequena bagunça numa casa onde habita uma criança enérgica e curiosa. Mas não fora isso que Lucy se apegou, ver suas preciosas fotos espalhadas pelo chão fora como uma sirene de perigo, e toda aquela aflição que a dominava quando acordou voltou como um baque violento contra seu peito novamente.
Colocou de qualquer jeito a xícara sobre o móvel a ponto que o líquido dentro respingasse para fora. Inclinou-se na janela e olhou aflita para fora, e para sua angustia não encontrou Nashi, olhou para Erza e qual foi seu desespero ao se dar conta que a sensação de que tudo havia congelado não era uma mera “sensação” mas de fato tudo parecia ter parado no tempo, Erza estava imóvel segurando sua xícara de chá em uma postura dando a entender que estava prestes a se sentar na poltrona da sala.
Lucy sentia o suor frio invadir sua pele enquanto tentava assimilar aquilo tudo. O desespero já crescente a impedia de respirar corretamente.
— Isso é um pesadelo? — Questionou num sussurro sofrido. E com uma força que não sabe qual correu entre tropeços para fora de casa, o céu antes azul parecia tomar um tom acinzentado e o ar sempre leve e aconchegante daquela montanha parecia tomar um peso amedrontador. Caminhou mais um pouco vendo Gray e Juvia sentados sobre uma manta estirada no gramado, pareciam sorridentes e entretidos com algo que estaria entre ele, mas que naquele momento estava apenas um vazio.
Lucy respirava fundo, e sentia suas mãos tremerem, porém procurava forças para não se perder em seu próprio desespero. Correu para os fundos da casa, arfava descompassadamente e tentava preparar seu corpo e sua mente caso viesse a encontrar algum inimigo.
— Nashiii.. — Gritava desesperada olhando para todos os cantos. — Nashiiiii – Estava prestes a chorar, porém não parava de correr, se afastava de sua casa e seguia para as colinas ao fundo, parecia sentir onde sua filha estava.
Chegou enfim no pé de uma colina que ficava logo atrás da pequena floresta que cobria sua casa. Uma colina coberta por flores que balançavam suaves com o vento que passava ali. Conhecia aquele lugar, como não percebeu antes? Aquele angustiante pesadelo que a atormentava desde antes de Nashi nascer. Colocou a mão no peito, não deixando de procurar por sua filha. Até vê-la entre as flores, ela estava sentada e brincava distraída com as belas flores que tocavam sua pele macia.
Não pensou nem vacilou os pés, correu firme e apressada para onde a pequena herdeira estava, em sua mente vinha a lembrança daquele pesadelo que a atormentava, a imagem de alguém surgindo e pegando sua filha nos braços a levando para longe, correu mais rápido.
No início, quando os pesadelos começaram ela achava que poderia ser Natsu, tola, ele jamais faria isso – agora ela sabe – sofreu tanto, contudo até hoje não era capaz de reconhecer aquele ser, que as vezes parecia ser tão semelhante com Natsu, que tirava sua filha e a roubava. Enfim alcançou Nashi a pegando em seus braços e quebrando o presságio apavorante de seu pesadelo.
— Eu poderia ter levado ela para longe que você se quer teria chance de tentar resgatá-la das minhas garras. — A voz mansa a fez olhar para frente, ao topo da colina. E mais uma vez um flash de seu pesadelo se formou em sua mente, aquela silhueta escura, olhando para si, tudo ali era tão vívido quanto seu pesadelo. Olhava para ele, inexplicavelmente notava que a postura e alguns traços eram tão parecido com os de Natsu.
— Zeref... — Quase cuspiu ao pronunciar esse nome. Os olhos amendoados se fincaram nele e por ter sua filha ali, em sua proteção já não mais sentia o medo e desespero que sentia segundos atrás.
— É assim que quer viver? — Perguntou casualmente, sempre manso e tranquilo.
— Do que está falando? — Apertou Nashi ainda mais em seus braços.
— Viver ao lado dele, é isso que quer? Formar uma família, tê-lo como seu parceiro. Tem certeza? — Parecia de fato curioso.
Lucy se mantinha em alerta diante de qualquer possível ataque dele. Seu corpo estava rígido e preparado para o que fosse para proteger sua cria. Porém ainda assim analisava cada palavra que ele dizia.
— É isso que ele quer.
— Está me dizendo que foi uma escolha dele? — Pareceu surpreso e sarcástico ao mesmo tempo, mas logo voltando para sua inexpressão de sempre. Lucy não se deu ao trabalho de responde-lo novamente. — Vocês podem achar que o conhecem, que sabem o que ele quer... Mas só eu o conheço de verdade... só eu sei o que é melhor pra ele. — Não falava de forma ameaçadora, parecia querer apenas avisá-la.
— Estamos cansados de você Zeref. Nos deixa em paz, deixe Natsu em paz. — Suplicou irritada.
— Eu poderia ter levado sua filha... não percebe?
— Sim... eu sei.. Mas sei também que eu e Natsu iriamos ao inferno para resgata-la. — O olhar forte contra o mago o fez, mesmo que contra a vontade, se surpreender. Aquela maga parecia não estar blefando em suas palavras.
— Hm … — Lançou um pequeno sorriso. — Até consigo compreender do por que Natsu a escolher como parceira.
Lucy não compreendeu muito bem o que Zeref quis dizer com aquelas palavras, e pouco se esforçou para isso, o que mais queria naquele momento era que ele sumisse de sua vista e as deixassem em paz.
— Se sabe o que é melhor para Natsu por que não nos diz? Por que você sempre aparece e desaparece como uma sombra? O que está esperando?
— Vejo que você é muito astuta. De fato estou esperando algo. — Respondeu pensativo, parecia até se sentir familiarizado com aquela garota, pois não estava se importando de conversar com ela. — Natsu está vivendo uma vida que não pertence a ele e ele sabe disso... no fundo ele sabe. — Ele próprio pareceu se entristecer com aquela resposta, já Lucy sentiu os braços brevemente fraquejarem, mas logo atando o nó em volta do corpinho da filha, que parecia querer chorar por talvez sentir o nevrosismo da mãe que hora a abraçava forte e hora tremia enfraquecida.
— Se está tão preocupado com Natsu, por que não o ajuda? Tirar Nashi dos nossos braços, ou nos ferir não irá ajudá-lo. — De fato a loira é astuta e observadora, notou a tristeza no olhar dele, Zeref parecia eternamente preocupado com Natsu.
— Ajudá-lo?
— Claro..
— Eu espero que ele me ajude? Mas para isso eu preciso que ele fique mais forte.
Zeref começou a caminhar entre as flores, as mesmas iam se encolhendo sob seus pés e outras se balançavam com os movimentos sutis das pernas do mago.
— É isso que está esperando? — Perguntou atenta.
— Sim... e sinto que não terei que esperar muito. — Parecia ansioso, não perdendo a mansidão tranquila em sua voz. — Mas para isso o futuro de vocês será destruído. — Pela tranquilidade em sua fala parecia não notar o ardor pesado daquelas palavras.
Seu coração bateu forte contra o peito, arfou assustada estreitando os olhos que se arregalaram ao ouvir tal coisa. — Por quê? Por quê o Natsu? — Quase suplicou por uma explicação, tentando manter-se firme ao ver ele se aproximar sorrateiramente.
— Nashi não é o único laço que Natsu tem neste mundo. Há laços muito mais poderosos e incorruptíveis que o liga a um futuro onde vocês não se fazem presente. — Lucy estremeceu mais uma vez, dando inconscientemente um passo para trás. Os olhos se marejaram. Zeref parecia certo do que falava e isso a deixava ainda mais apavorada. — Sei que você sabe que no fundo Natsu é mais parecido comigo do que com vocês. Viver como um mago de uma guilda, ser pai, companheiro, amigo... Sei que no fundo você sabe que ele está se esforçando para isso.
Aquelas palavras incomodavam Lucy de uma maneira quase que sufocante, e um nó em sua garganta se formou ao notar que mesmo que contra sua vontade, talvez, no ínfimo mais obscuro de seu acelerado coração, concordava com Zeref. Nunca em toda sua vida se sentiu tão frustrada dessa maneira. E isso não passou despercebido pelo poderoso inimigo e a cada passo estava mais próximo e mais próximo.
Lucy engoliu o desespero, ficar daquela maneira não adiantaria de nada. As palavras de Zeref eram duras e assustadoras, mas Lucy precisava se manter firme.
— Talvez eu concorde com você. Sei que algo o perturba. — Olhou para baixo quando em sua mente veio as inúmeras situações onde Natsu parecia completamente perdido dentro de si próprio. — Mas... ele poderia se afastar se quisesse... Ele poderia nos deixar e seguir o caminho que fosse. E teve e tem essa oportunidade. — Falou com mais firmeza. Olhou para ele e pareceu que seus olhos chocolates invadiram seu corpo e sua mente o fazendo brevemente cessar seus passos. — Você parece viver num passado que se foi há muito tempo. — Zeref a olhou surpreso. — Não importa o que planejou para Natsu, ou o que sabe sobre ele e seu passado, ou até mesmo do seu futuro. É o Natsu que vai escolher o caminho dele. — enviesou o olhar.
— Acredita mesmo nessas palavras que acabou de me dizer?
A loira lhe respondeu com um olhar forte, seus lábios formaram uma linha tênue e sua postura era tão firme quanto uma armadura. E nesse mesmo instante surgiu uma Luz quase que ofuscante mais a frente de Lucy, Léo então ficou entre eles, Pois Zeref já estava perigosamente perto de Lucy.
— Lucy! Você está bem? — Perguntou preocupado, já de costas para Lucy frente a frente com Zeref, pronto para atacar caso fosse preciso.
— Léo. — A sensação de alivio foi quase que imediata. — Hai... estamos bem.
— hmm... você me surpreende a cada instante Lucy Heartfilia.. — Falou de forma pausada. — Usar seus poderes enquanto minha magia paira em Magnólia. Isso é de se aplaudir. Mas creio que não havia necessidade para tanto. — Continuava sereno, mesmo com Léo o encarando seriamente. — Já estou de partida.
Desapareceu dos olhos de Léo e Lucy como um relâmpago, e surgiu, desta vez colado com Lucy, a ponto de colocar sua mão na face da maga que com a surpresa nada pode fazer senão encará-lo com os olhos em torpor devido a enorme agilidade do mago. — O futuro de vocês... não me culpe quando tudo desmoronar. — Desapareceu tão serenamente quanto sua voz.
Foi tão rápido que Léo sequer teve tempo de se virar. Manipular o tempo para cada indivíduo, já é uma magia assustadora, sendo usado por um ser como Zeref era imensuravelmente apavorante.
E assim que ele desapareceu o céu foi tomando seu tom azul celeste, os pássaros voltaram a voar e cantarolar e o vento antes pesado começou a dançar entre eles como uma brisa suave e carinhosa.
— O quê?!! Cadê aquele maldito??! — O espirito celeste ficou incrédulo.
— Ele se foi... — Falava com um olhar vago e amedrontado. Léo se entristeceu ao ver aquele olhar.
— Me dê ela.. — Falou, já pegando Nashi dos braços de Lucy, a loira estava tremula e fraca demais para segurar a filha.- Venha, vou acompanha-las até em casa.
…
Lucy sorveu um gole de água já sentada no sofá de sua casa, Erza e Juvia estavam ao seu lado, Gray distraia Nashi no tapete, a entretendo com seus brinquedinhos, não deixando de olhar preocupado para sua amiga. Léo se mantinha de pé frente a elas.
A loira tratava de contar sobre o ocorrido para seus amigos, sem entrar em detalhes sobre a conversa que teve com Zeref. Ao mesmo tempo lutava contra seus nervos que ainda pareciam alterados demais para não tremer as mãos.
— Só quero pedir uma coisa. — Estava com a voz um pouco fraca e desanimada. — Não contem nada para Natsu.. — Olhou para todos, ficando seu olhar suplente principalmente em Gray.
— Que estupidez é essa Lucy?! É claro que Natsu ficará sabendo sobre isso. — Logo ele se manisfestou contra, como ela imaginou. — Ele e Makarov precisam ficar sabendo.
— Não irá adiantar Gray. Zeref provou que pode aparecer e desaparecer onde e quando quiser, falar para Natsu sobre isso não irá ajudar em nada, ao contrário... só o deixará nervoso e ansioso para encontra-lo. — Erza prontamente compreendeu a preocupação de Lucy em não revelar nada para Natsu, e sem ponderar mais ela logo a apoiou.
— Creio que Lucy está com toda a razão. Natsu anda sobre-carregado, informa-lo sobre isso só traria mais preocupações, vendo que nada grave aconteceu. — Léo votou a favor.
— Gray-sama... — Juvia olhou para seu mago. — Onegai, não diga nada a Natsu. Juvia também concorda que isso só será mais estressante com Natsu sabendo.
Gray perdeu, diante dos olhares das meninas e do voto de confiança de Léo, nada pode fazer senão concordar.
— Não direi nada. — Virou o rosto tirando os olhos dos amigos, pelo desgosto por perder aquela votação. — Mas não podemos baixar a guarda. E Lucy... – Olhou para a loira e a mesma o encarou. — Sei que Zeref lhe disse algo que você não quer nos contar. — Lucy se envergonhou, por achar que conseguiria enganar seu amigo. — Mas não deixe que ele mexa com sua cabeça, não importa o que ele tenha lhe dito.
Lucy acenou em positivo, com um sorriso dolorido e um olhar enfraquecido só comprovando para Gray que de fato Zeref havia tocado em alguma ferida de Lucy que ela não queria revelar.
…
— O que foi? — A voz grossa a fez sobressaltar-se no colchão de sua cama, quase despertando Nashi que acabava de se entregar ao sono em seus braços. Olhou para o dono da voz e suspirou.
— Não é nada... apenas cansada. — Sorriu docemente.
Ele a observou e então suspirou, parecendo acreditar naquelas palavras. E vendo a filha dormir no colo da loira ele se aproximou da cama e cuidadosamente apanhou Nashi nos braços, a pequena resmungou dengosa, mas logo se aninhou no peito do pai e continuou no seu soninho.
— Boa noite meu amor. — Se despediu de sua filha, passando a mão na testinha dela, afastando a franja rosada e dando um beijo amoroso. Natsu então saiu do quarto a levando consigo.
— Venha Happy, hora de dormir. — Chamou seu amigo, fazendo o gatinho sonolento despertar.
— Hai hai... konbanwa Luxyy. — Se despediu, enquanto seguia Natsu.
— Durma com os anjos. — Seus olhos brilhavam enquanto admirava sua pequena família.
Dado alguns instante Natsu voltou, agora sozinho.
— Arigatou. — Agradeceu o vendo apenas formar um sorriso minimo nos lábios e tão logo desaparecer. Lucy o observava, sem notar que parecia estar hipnotizada. Ele então tirou o colete o jogando desleixadamente sobre a poltrona e seguiu para fora do quarto, rumo ao banheiro, parecendo não notar o olhar perdido e preocupado da maga.
— Tenta descansar. — Apenas disse, antes de sair.
Lucy suspirou exausta, de fato estava cansada, o coração ainda batia apertado. Natsu havia regressado naquela tarde, e ao seu ver até que conseguiu disfarçar a angustia que a tomava. Na verdade, o ocorrido com Zeref nem era o que de fato a atormentava, mas sim as palavras proféticas do mesmo. Respirou fundo, sabia que o melhor a se fazer seria espairecer a mente, pegou no criado mudo ao lado de sua cama um livro grosso de capa rosa, tentaria ler um de seus romances para se distrair.
Já havia lido dois capítulos de seu livro quando Natsu voltou, o cheiro amadeirado misturado com anis tomou o quarto e como um ato inconsciente ela olhou para ele, observou algumas gotinhas de aguá despencar dos fios róseos do mago e percorrer sua costas, os músculos rígidos, as cicatrizes... marcas das lutas que travou no passado.
— O que foi Lucy? — Perguntou sério, como sempre, porém, com um leve tom sutil ao final.
— hmm...??? — Se assustou, mais uma vez. — Na-nada, por quê? — Fechou o livro sem notar e o abraçou contra o peito, um ato involuntário devido ao susto de ser flagrada o observando.
— Você anda suspirando a tarde toda, está distraída e não para de me encarar. — Denotou de forma calma. — Aconteceu alguma coisa que eu deva saber? — A indagou, a encarando seriamente, e fazendo um suor frio percorrer a face da maga por se ver encarada por aquele olhos ônix.
— A-algo que deva saber? — O respondeu com outra pergunta, no intuito de tomar tempo e pensar numa resposta no minimo convincente. E Enquanto isso ele a encava seriamente, tentando descobrir através das reações dela o que estava por vir.
Lucy se sentia um tola, implorou tanto para seus amigos para que a “visita” de Zeref não fosse revelada, e estava ela ali, prestes a confessar tudo como uma criança chorona. Suspirou cansada, olhando para o lençol que cobria suas tremulas pernas.
— Só estou pensativa. Vê-lo partir com Gildarts e passar alguns dias longe me fez lembrar de certos sentimentos que eu não gosto muito. — Se surpreendeu consigo própria, mas procurou não encara-lo com medo que ele enxergasse a verdade em seus olhos.
— Acha que me engana Lucy?!
Ela o encarou assustada, os olhos firme do mago pairavam sobre ela e isso a deixava ainda mais vulnerável e propensa a dizer a verdade, mesmo que isso só service para tirar a pouca tranquilidade que o mago tinha.
— Se não quer me contar o que aconteceu tudo bem. Mas me diga pelo menos algo que está passando na sua cabeça agora. — Foi se ajeitando na cama, ao lado da loira, que ficou surpresa ao ouvir aquilo.
— Estou com medo Natsu. — Falou o que de fato a atormentava. A voz saiu fraca e o olhar cabisbaixo não foi capaz de esconder o temor que a corroía por dentro. Natsu a encarou preocupado.
— Do quê? — Usou o braço para contornar a cintura da maga e a trazer para mais perto de si, ela se ajeitou em seu tórax recostando o rosto suave em seu peito.
— Do nosso futuro. Sinto que há tanta coisa por vir... estou com medo. — Relutou, mas foi quase impossível não deixar a voz embargada. Contudo ainda permanecia com o olhar baixo e perdido, sentindo-se protegida e aquecida nos braços de seu mago.
— Eu vou proteger você e Nashi... já lhe disse isso. — Falou calmo, encostando o nariz no topo da cabeça da loira, inalando seu cheiro viciante.
— Mas... — Balbuciou. — E se algo acontecer com você?! — Finalmente levantou o rosto para ele e o encarou. — O conselho está te seguindo a espera de um tropeço para te pegar.. e Zeref.. — Respirou fundo. — Zeref sempre está por perto, tem algo que o liga a ele Natsu... algo que não sabemos e que pode tirar você de mim. — Os olhos se marejaram em pura angustia.
— Se um dia eu sair do seu lado... eu sei que você vai ir me buscar. — Sorriu pra maga. — Seja a Lucy de hoje ou daqui sete, quatorze anos.. você ou a Lucy do futuro sempre vai lutar por nós. — Falou confiante.
— Lucy do futuro? Da onde tirou isso? — Arqueou uma sobrancelha.
— Eu acredito que de alguma maneira existe uma passagem tempo por ai, e lá tem uma Lucy do futuro, assim como existe uma Lucy do passado e do presente. Não acha? — Sorriu travesso, um dos raros sorrisos que ele formava.
— Talvez. — Sorriu também, conseguindo enfim relaxar, principalmente por vê-lo sorrir e por sentir seu calor, seu viciante calor.
— Eu te amo Lucy, se eu existo é por sua causa. Se estou aqui é por você e por Nashi. Seja o que está por vir, no fim eu sempre vou pegar na sua mão e te chamar para me seguir. Ok? — Apertou-a mais contra seu corpo.
— Ok. — Confirmou anestesiada, finalmente se aninhando no corpo dele. O abraçou e o puxou para mais perto, se é que era possível. A noite seria longa para aqueles dois.
…
— Lucyyy... Lucyyyy – A voz apressada e as batidas na porta fez a maga vagamente despertar.
Lucy estava confortavelmente aninhada em sua cama, com Natsu colado em suas costas a envolvendo com seu braço pesado. Sentia a respiração quente dele em sua nuca e ficou chateada por se ver obrigada a sair dali para ver quem a chamava, já que pela voz abafada pela porta ela não pode identificar. Mesmo relutante se levantou, devagar e cautelosamente para não acordar seu mago.
— Hai hai.. já vou. — Falou, caminhando para a porta da sala enquanto vestia seu roupão felpudo rosa, escondendo a pequena camisola que vestia.
— Levy? Está tudo bem? — Perguntou preocupada ao ver a maga azulada, tentando manter um tom de voz baixo para não despertar sua família.
— Erza... — Apenas disse, seus olhos brilhavam de ansiedade. — É hoje... — Avisou animada contagiando Lucy com a mesma alegria.
[…]
Dentre poucos minutos Levy e Lucy estavam naquele inesquecível ambulatório de Fairy Tail. Erza fizera questão de dar a luz ali, em sua casa, junto de suas amigas e de sua família. Jellal prontamente apoiou a ideia da esposa.
No quarto estava a trupe mais experiente da guilda. Por mais que já fizesse mais de um ano desde o ultimo parto naquele quarto elas estavam bem preparadas para ajudar a amiga.
Diferente de Lucy, que quando entrou em trabalho de parto estava abatida, e em grande sofrimento. Erza parecia plena e pronta para a chegada de seu pequeno ou pequena. Ela inspirava calmamente e soltava o ar pela boca, numa manobra de conter as dores das contrações e se manter calma. Ao ver a loira entrar no quarto ela sorriu e esticou uma das mãos no intuito que fosse apanhada pela amiga que assim o fez, acalantou a mão de Erza e se sentou ao seu lado.
A ruiva vestia uma camisola branca de manga curta. Lençóis brancos cobriam suas pernas, e seus enorme cabelos na cor do mais lindo crepúsculo entravam em contraste com as cores tão claras que a envolvia.
— Um dos dias mais felizes da minha vida foi o dia em que vi o rostinho Nashi pela primeira vez. Não pude participar do parto, foi uma noite difícil né? — Lembrou nostálgica, tirando de Lucy um embargado “hai” — Estávamos tão preocupados... — Seus olhos se perderam diante das lembranças que surgiram em sua mente. — Estava com tanto medo de perder você e nunca ter a chance de conhecer sua filha. — Ambas se encaravam emocionadas. — Mas deu tudo certo.. — Sorriu amorosa. — Nashi nasceu forte e saudável pois ela tem uma mãe forte e guerreira que lutou por ela a cada segundo. — Porlyusica que se preparava para o parto não deixava de apreciar o momento das amigas, assim como Levy, Juvia e Wendy que estavam prestes a chorar. — Espero ser um pouco da mãe que você é Lucy. — Seus olhos transbordavam amor.
— Você já é uma mãe perfeita. Sempre cuidou de nós e nos protegeu... Tenho certeza que vamos aprender muito juntas, enquanto criamos nossos filhos. — Apertou carinhosamente a mão de Erza que mantinha um sorriso sereno.
— Bom... creio que cada uma já saiba o que fazer. — Porlyusica disse, colocando seu jaléco branco. — Vamos meninas.
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— Como se sente sabendo que seu filho está chegando? — Gildarts perguntou, os magos aguardavam o nascimento do novo membro da guilda, ansiosos para que o pequeno ou pequena viesse ao mundo com muita saúde. Em uma das grandes mesas de madeira estavam os amigos de jornada, Jellal porém não conseguia se manter parado então caminhava em volta da mesa, hora parava e tentava conversar com seus amigos, hora ia e voltava pelo mesmo caminho.
— Parece que meu coração vai explodir. — Respondeu nervosamente feliz, parando ao lado de Meredy que também estava de pé.
— Se controle. Ser pai é coisa de homem, então logo esse nervosismo vai passar. — Elfman tentou orientar o companheiro.
— Não sei se conseguirei me controlar. — Informou o azulado.
— Isso tudo faz parte... — Outro mago comentou.
Enquanto isso Natsu se mantinha sentado no para-peito da enorme vidraça da guilda. Olhava para fora e parecia alheio a conversa dos amigos. Aquela situação o incomodava, ver Jellal preocupado e nervoso por ter a mulher em trabalho de parto, ansioso para ter o filho recém-nascido nos braços.
Ele não teve essa oportunidade. Estava longe quando sua filha veio ao mundo, não compartilhou desse momento tão único, não esteve ao lado de Lucy quando ela mais precisou. Só conheceu a filha quando ela já tinha três meses.
— Eii... Natsu? — Alguém o fez sair de seus devaneios.
— Hm? — Olhou de soslaio, pouco interessado no que estavam querendo lhe dizer.
— Estávamos falando como é essa coisa de ser pai. Gildarts e o mestre são muito melosos e acabaram chorando ao se lembrarem dos filhos. — Gajeel comentou, sentado sobre a mesa e segurando um caneco de alumínio.
Ambos, junto com Wakaba e Macao — que obviamente sorveram alguns litros de saque — choravam ruborizados pelo álcool, lamuriando sobre os tempos já passados, sobre a juventude e a paternidade e a nova geração, se perdiam em suas palavras e soluçavam sonolentos e não mais contribuiriam para a conversa. Canna, abraçada ao seu barril tentava controlar seu pai que lhe abraçava pela cintura, Romeo por outro lado tentava se desvencilhar do abraço amoroso de seu pai alcoolizado, porém ambos, sem sucesso.
— O único pai sóbrio o bastante aqui é você, já que Alzack está em missão com Bisca. — Max ressaltou, curioso em compreender como é tornar-se pai.
— Eu não sei... não estava aqui quando Nashi nasceu. — Respondeu com amargura e remorso, voltando a fitar a paisagem da janela.
Seus amigos se entristeceram, haviam tocado numa ferida ainda aberta para Natsu.
— Mas... — Jellal quis saber... — E quando a viu pela primeira vez? O que sentiu?
Natsu voltou seus olhos para o mago azulado. Pareceu refletir um pouco e seus olhos sempre tão frios e irritadiços tomou um brilho aconchegante.
— Senti como que se ela tivesse tirado algo de mim. — Seus amigos se surpreenderam sem muito compreender o que Natsu queria expressar com aquelas palavras. — Quando a vi pela primeira vez eu senti meu coração e meus pensamentos serem tomados de mim.
Gray que a todo o momento observava um pouco mais afastado da mesa, assim como Natsu, sorriu ao ouvir o amigo.
— Acho que você não poderia ter descrito melhor Natsu!! — Exaltou Gildarts ainda abraçado na cintura de sua filha, que dê alguma maneira estava sim atendo na conversa.
[ ]
— Ótimo Erza... Só mais um pouco. — Incentivou Porlyusica. Erza então segurou o ar, ela suava e os fios avermelhados grudavam em sua face. Um gemido de dor soou pela sua garganta. Lucy se manteve ao seu lado, apoiava suas costas quando a mesma se levantava diante da força que fazia e secava as gotas de suor que escoriam pelo seu rosto.
E como quando Nashi nasceu, um breve silêncio tomou aquele quarto, um silêncio aconchegante e caloroso, pois foi quebrado por um choro manhoso que tirou das meninas e de Porlyusica sorrisos de alívio e amor.
Porlyusica o teve um suas mãos, era tão pequeno e carequinha com o cordão umbilical ainda ligado a mãe.
— Venha Levy, me ajude. — A mais nova logo se aprontou em auxilia-la no corte do umbigo e em embrulhar o pequenino em uma pequena manta branca.
— É um menino. — Avisou uma Levy extasiada assim que passou o pequeno para os braços de Erza.
Erza o aninhou em seus braços, juntinho ao seu peito, cheirou sua cabecinha e ali depositou um beijo.
— Ele é lindo Erza-san. — Juvia admirava o pequeno.
— Ele parece um príncipe.. kawaiii – Wendy já estava apaixonada só de ver o rostinho delicado do recém- nascido.
— Juvia, preciso de mais água limpa. E Wendy preciso que pegue mais lençóis, onegai. — Pediu Porlyusica que ainda cuidava de Erza, mesmo com o nascimento do bebê ainda tinha o pós operatório para concluir.
— Hai. — Logo foram atender aos pedidos da mais velha.
Lucy, que se mantinha ao lado da amiga a admirava com um olhar meigo e maternal. Procurava guardar em sua mente cada detalhe daquele momento, o sorriso de Erza ao ver seu filho pela primeira vez, o primeiro beijo, o primeiro cheirinho. Colocou delicadamente a mão sobre o pequeno embrulho que a ruiva segurava e soltou um sorriu abobalhada ao ver seu dedo ser apanhado por aquela minuscula mãozinha ainda enrugada do pequeno mago.
— Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida. — Falou extasiada, fazendo Erza a fitar. — Ele é perfeito Erza. — Os olhos brilharam diante do amor que crescia em seu peito. Lucy se ajeitou melhor na cama, ficando bem coladinha com Erza, sem que a incomodasse ela inclinou-se mais sobre o pequeno herdeiro olhando bem pertinho de seu rosto. — Você será muito amado, tem muitas titias que iram te mimar e muitos titios briguentos, e uma melhor amiga que te espera ansiosa para te conhecer.
— Arigatou Lucy... — Erza estava suada, visivelmente exausta, mas o olhar apaixonado e o sorriso amoroso não saia de sua face. — Porlyusica-san, Wendy, Levy e Juvia... Arigatou por fazerem parte desse momento. — Era uma explosão de emoções, tanta alegria, tanto amor inundando seu coração que seus olhos transbordaram.
…
A guilda comemorava o nascimento de mais um herdeiro. Mais um mago na família, mais um a se proteger e amar. Mira acompanhou Jellal até o quarto, e os demais trataram de brindar.
— Kampaiiii.. — Um gritou, e os demais acompanharam animados.
[…]
— papaa.. — A voz inocente e carinhosa fez Natsu olhar para sua filha, ela caminhou com seus passos ainda sem muita coordenação e ficou entre suas pernas, Natsu estava recostado na cerejeira que ficava aos fundos da guilda perto da piscina, ela esticou o bracinho e entregou para ele um pacotinho transparente contento uma bolacha de arroz dentro.
Natsu apanhou o pacote com cuidado para não esfarelar a bolachinha delicada, ela um dos quitutes que Lucy separava para a pequena lanchar quando sentisse fome. Ele abriu o mesmo e o retirou do embrulho entregando o aperitivo para sua filha que abocanhou a bolacha assim que a teve em suas mãozinhas gorduchas.
— Algum momento da sua vida você imaginou que estaria assim? — Gray perguntou, ele estava sentado ao lado do amigo, usando uma parte livre do grande tronco da árvore para se recostar também, ambos postos no gramado verde de primavera aproveitando a refrescante brisa que vinha do mar, cuidavam de Nashi enquanto Lucy e as meninas se mantinham ocupadas com Erza e seu bebê.
— Assim como? — Perguntou desinteressado vendo Nashi sentada mais a frente, ela ainda abocanhava a bolachinha, mas sem morder, apenas a mantinha em sua boca apreciando o sabor enquanto Happy a distraia com alguns brinquedinhos dela, virava e mexia um brigava com o outro, Happy parecia entender o que Nashi tentava dizer e assim arrastavam uma longa discussão, tirando o peixe de um e puxando o dragãozinho de pelúcia do outro.
— Aqui descansando na sombra de uma árvore enquanto cuida da sua filha... Você sempre pensou somente em ficar mais forte, concluir missões, derrotar Gildarts, Laxus e Erza em uma batalha e descobrir onde Igneel estava. Mas ai, encontrou uma garota numa cidade portuária, a trouxe pra guilda, se apaixonou por ela. E agora está aqui, abrindo o pacote de bolacha da filha de vocês, a levantando quando cai, limpando suas mãozinhas sujas de terra para Lucy não ver. E ultimamente as únicas brigas em que se envolver é entre ela e Happy.
Natsu encostou a cabeça no tronco não tirando os olhos da filha, parecia ponderar no que Gray lhe perguntava. "Igneel" pensou saudoso.
— Acho que ninguém como eu imaginaria algo assim.
— Como você? O que quer dizer?
— Não sei o que é ter uma família tradicional, onde tem a esposa, os filhos e onde sou o pai. — Seus olhos subiram para o alto vendo a linda folhagem da cerejeira se misturando como o céu. — Meu pai foi um dragão, não tinha mãe nem irmãos, fui criado em uma caverna onde meu quintal era uma floresta.
— Mas você está se saindo bem. Confesso que em alguns momentos tive medo que você não soubesse cuidar delas. — Se referia a Lucy e Nashi. — Mas Nashi te amou no primeiro olhar e Lucy está disposta a enfrentar o mundo por você.
Natsu se agradou ao ouvir aquilo, uma puxada sutil nos cantos dos lábios se formou, nascendo ali um pequeno sorriso. Nunca imaginou tendo uma família só sua.
— Isso me assusta... Ser pai.
— Juvia está gravida? — Olhou de canto para o moreno, brevemente se surpreendendo, mas sem alterar o tom de voz.
— Não... — Respondeu rápido, durante toda a conversa Gray também olhava para o alto, vezes e outra abria os olhos quando escutava Nashi se aproximar, mas logo os fechava novamente. — Não que eu saiba... Mas sei que cedo ou tarde isso vai acontecer. — Sorriu amoroso, talvez ansiando por esse momento.
— O medo sempre vai estar ai, ainda mais pra magos como nós que fomos criados por uma guilda. — Natsu olhou para o grande prédio ao lado deles. — O jeito é enfrentar.
— Foi o que vocês fez?
Natsu se levantou, pois naquele momento Nashi insistia em tentar pegar o peixe cru de Happy para poder abocanhar já que sua bolacha provavelmente já havia virado uma massa grudenta cheia de baba. A pegou por trás colocando as mãos por baixo de seus bracinhos, e assim que Nashi sentiu ser elevada pelos braços fortes do pai ela sorriu alegremente.
— É o que estou fazendo. — O respondeu e finalmente olhando para o mago do gelo que ainda se mantinha sentado. — Você protegeu e cuidou de Lucy enquanto eu não estava aqui. Cuidou da minha filha e deu a elas o que faltava. Sei que pretende ir atrás do seu pai... talvez o seu futuro Gray não seja muito diferendo do meu... — Nashi abraçava seu pescoço, feliz por estar tão coladinha ao pai. — Então... pode contar comigo para o que precisar. — Os olhos ônix expressavam a determinação e sinceridade em sua palavras.
A postura relaxada, sentado na sombra daquela árvore enquanto a brisa balançava seus cabelos, Gray olhava para os olhos firmes do amigo que segurava a filha, o amigo que nos últimos meses enfrentou tantos medos. Ouvir aquilo de Natsu foi como ser abraçado e protegido.
— Eu sei... — Falou preguiçoso, mas com toda a sinceridade que sua voz poderia ter.
[…]
O verão não chegou tímido naquele ano, as últimas cigarras cantavam escondidas nas árvores espalhadas pelo jardim, e a piscina parecia nunca estar tão azul e límpida como naquele dia.
Makarov observava a linda vista do alto da janela, os braços postos atrás de seu corpo onde suas mãos se encontravam e seus dedos se entrelaçavam. O olhar paternal cuidando de longe de seus filhos que aproveitavam o primeiro dia de verão.
— Vamos logo... me diga o que te perturba. — A rosada com poderes paranormais de ler os pensamentos dele surgiu pela porta do ambulatório, um dos poucos cômodos que tinha como vista os fundos da guilda e o mar logo atrás.
Makarov sorriu pela astucia da amiga, há tempo desistiu em tentar esconder algo dela.
— O Conselho não está nada feliz com nossas últimas manobras, como em nos envolvermos num briga com uma guilda das trevas sem antes uma autorização prévia deles, ou em termos mantido Natsu sem nenhuma punição depois de suas ultimas atitudes.
— Desde quando tem tanto medo do Conselho. — Se aproximou do amigo, ficando lado a lado dele e apreciando a mesma vista.
Houve um breve silêncio, e por um breve momento Porlyusica podia jurar que sentiu a angustia do pequeno grande mago, a ponto que ela olhou receosa para ele.
— Querem dissolver Fairy Tail... Estão atrás de Natsu a procura de um mínimo detalhe para poder prendê-lo, estão interessados em seu poder. — De repente seus olhos ficaram sensíveis, precisou semicerra-los para que lágrimas não fugissem deles. Não queria se permitir entrar em tanto desespero assim.
Porlyusica não gostou de ouvir aquilo, e depois de um baque fortes que seu coração deu ela logo sentiu sua calmaria a tomar novamente.
— Não é o Conselho que mantem Fairy Tail unida ou não. Podemos até deixarmos de ser uma guilda, mas nunca deixaremos de ser uma família. — Já se incluía nessa família, não lembrava exatamente quando nem como, talvez no dia em que Lucy lhe disse que a considerava como uma mãe, enfim, agora se via amando aquele lugar e aqueles humanos barulhentos.
— Eu sei minha amiga, mas vendo eles aqui, tão seguros em minha sombra... Como será o futuro de cada um deles? Como será quando eu não puder mais protege-los?
Porlyusica o observou, torceu os lábios e logo soube o que deveria fazer.
— Venha... vamos descer.
Ao chegarem no jardim o sons das risadas e dos pulos nas águas da piscina, que do alto do prédio e protegidos pelo vidro da janela não se dava para ouvir, foi como um remédio instantâneo.
— Acho que melhor do que falar é você mesmo ver, seu velho teimoso. Veja... seus filhos. Um pai nunca deixa de ser pai e um filho nunca deixa de ser filho, mesmo que um dia eles saiam debaixo da sua asa.
Makarov não conteve mais, algumas lágrimas teimosas escorreram e com o ante-braço ele secou-as.
— Haii... — Disse emocionado.
E o dia foi assim, todos juntos aproveitando o sol quente e a brisa fresca do primeiro dia do verão. E quando o crepúsculo começou a se pintar no céu muitos finalmente se assentaram pelas beiradas da piscinas, bancos de madeiras e no próprio gramado para apreciarem o espetáculo que a grande estrela fazia em sua partida.
— Ela está exausta.. nunca a vi brincar tanto como hoje. — Lucy falou amorosamente aos amigos e para Natsu, que estava sentado ao seu lado, ambos dividindo a mesma cadeira de jardim pois a mesma era grande o suficiente para acomodar o casal e a filha, que estava desmaiada no colo da mãe. Sua perninhas estavam sobre Natsu e a cabecinha descansava no seio de Lucy, a boquinha aberta buscava ar na respiração inocente de uma criança que se esbaldou na piscina com Happy, Gray e Juvia.
Natsu colocou o braço por trás do pescoço de Lucy, para que ela se acomodasse mais pertinho dele e com a mão livre acariciou a bochechinha rosada da filha.
— Ela ama brincar com o titio. Com certeza se divertiu muito mais com minhas esculturas de gelo do que com esse calor incômodo do verão. — Provocou Gray, ele estava dentro da piscina junto com Juvia, de todos os magos eles sempre eram os últimos a se afastarem da água tão cristalina.
— Vai sonhando gelinho... ela só te usa como um playground, o que ela gosta mesmo é do calor... — Retrucou Natsu, tirando das meninas sorrisos descontraídos, não pelas provocações que estavam cada vez mais constante entre os dois, mas sim pelo momento aconchegante e familiar que estavam se proporcionando.
Erza surgiu pela porta de acesso da guilda, com seu pequeno embrulho nos braços e Jellal ao seu lado.
— Erza!! — Lucy se animou ao ver que sua amiga havia chegado.
— Olá minaa.. — Cumprimentou carinhosamente, estava radiante com seu pequeno presente em seus braços e seu amor ao seu lado.
— Como vai nosso Haru? — Levy se aproximou, ficando nas pontas dos pés para ver o rostinho redondo do pequeno príncipe de cabelo avermelhados.
— Mamando muito – Falou num sorriso divertido – Mas está muito bem sim...
— Venham sentem-se aqui. — Pediu Lucy, apontando com o rosto para uma poltrona de madeira, própria para jardins, que estava bem ao seu lado. Prontamente Jellal ajudou sua ruiva a se acomodar e sentou-se ao seu lado.
— Hoje foi um belo dia né. — Comentou Jellal olhando para os amigos espalhados por cada canto daquele jardim.
— Sim... e muito bem aproveitado. — Gajeel veio por trás de Levy, a abraçando e lhe dando um afago no pescoço.
— Gajeel... — Apenas disse envergonhada, mas logo eles também se acomodaram próximos a piscina, no chão mesmo, a pequena azulado usou Gajeel como seu encosto se acomodando no peitoral do mago.
O céu, a cada minuto ficava mais e mais escuro, cobrindo a todos com um belo manto repleto com as mais lindas constelações, e com a luz do sol se esvaindo as luzes do quintal foram acessas, eram como varais com pequenas lampadas espalhados por todo o jardim, e tochas de bambu fincadas no gramado que agora assumiam a responsabilidade de trazer luz para aqueles magos, que pareciam nada dispostos a saírem dali.
O vento vinha do mar e balançava os cabelos mais compridos, as folhas das cerejeiras e um breve e aconchegante silêncio entrou no meio deles. Todos olhavam apaixonados para o alto e se perdiam em seus próprios sentimentos.
— Que energia boa vindo daqui. — A voz mansa e amorosa de Mira ressoou baixinho. — Podemos ficar por aqui? — Perguntou.
— É claro. — Lucy respondeu tão mansa quanto, extasiada pelo momento de paz que apreciavam.
Mira, Lissana, Elfman com Evergreen, Laxus e seu time com Meredy como nova integrante, Bisca e Alzack com a pequena Asuka sonolenta no ombro do pai, Canna e Gildarts, todos se aconchegaram ali, naquele cantinho do jardim, como que se não tivesse mais espaço por toda aquele enorme lote que Fairy Tail ocupava.
— Isso que eu chamo de celebrar a chegada de uma nova estação. — Makarov comentou ao se aproximar, junto com Porlyusica e obter a atenção de todos.
— Haii.. nos despedimos de uma bela primavera não é? — Comentou Levy, quase sonolenta.
Makarov olhou para cada um, Gray e Juvia abraçados dentro da água, Levy acomodada em seu porto seguro, Gajeel, Erza ao lado daquele que ela sempre amou, ambos protegendo em seus braços o pequeno Haru, Natsu com suas meninas ao seu lado. O pequeno velho sorriu ao ver o rostinho sereno da herdeira do fogo. Asuka, a pequena senpai dos mais novos dormia no braço do pai. A nova geração estava bem ali, materializada diante de seus olhos. Pequenos magos que iram crescer e lutar por um bem maior, assim como seus pais.
— Está tudo bem mestre? — Mira perguntou, notando um tristeza no olhar do mais velho, e fazendo todos prestarem ainda mais atenção em Makarov.
— Está tudo muito bem... Só acho que as trocas de estações se assemelham muito conosco, não acham? ... — Falou pensativo.
— Como assim ojii-san? — Perguntou Laxus que já estava sentado ao lado de Mira.
— O outono é como o medo e a angustia que chega devagar e tomado por ventos fortes que as vezes nos derruba. A saudade e a descrença de que tudo vai melhorar é tão gélida quanto o inverno que congela as mais belas flores. O medo de um futuro incerto e das dores do passado que são levadas com a chuva serena que nos purifica como a primavera. E a sensação que podemos começar tudo de novo, mais forte e mais preparados, como o Verão, que trás o sol quente e a brisa fresca do mar anunciando corajosamente mais um ciclo que está por começar.
Lucy sabia bem como era viver as quatro estações, olhava amorosa para seu mestre e sorriu ao ouvir tal ponderação, mas sua atenção se voltou para Nashi que acordou toda dengosa, a loira a trouxe para mais perto do seu rosto e lhe deu um beijo ao ver que ela novamente voltou a dormir, olhou para o lado e viu Natsu a observando.
— Quer ir para casa? — Perguntou preocupada, estavam o dia inteiro na guilda, talvez ele quisesse ficar um pouco sozinho.
Ele pegou em seu queixo delicadamente, puxando seu rosto para perto do dele, e lhe depositou um beijo apaixonado, nem muito rápido nem muito demorado, apenas o suficiente para conter o desejo louco de mantê-la para sempre ao seu lado.
— Já estamos em casa. — Respondeu.
E é o fim...
para que um novo começo possa chegar.
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