Fogo Inalcançável
31 31º Capítulo - É bom rir, é bom chorar. Viva! Agarre o seu Futuro.
Notas iniciais
— Ele colocou toda a guilda pra baixo, acha mesmo que nosso exército será páreo? — Comentou um dos membros do Conselho, tão velho e rabugento quanto os demais.
— Esqueça essa loucura presidente. — Concordou outro companheiro.
— Também acho. Pelos dados que conseguimos recolher a mulher dele matou três demônios sozinha.
— Sim, e resgataram a filha em poucas horas.
— E eles podem ir nas profundezas do inferno que aqueles amigos sempre iram juntos. — Mencionou a única mulher do grupo, não menos rabugenta e carrancuda.
— É melhor os termos do nosso lado, do quê contra nós.
— Maldição... Uma criança filha de Natsu com aquela maga celestial, sendo criada naquela guilda de encrenqueiros... Essa menina vai nos dar mais dor de cabeça que o seu pai. — Previu outro membro.
O lugar misterioso do novo Conselho parecia ser ainda mais imponente, a sala de reunião mais se assemelhava com um lugar interdimensional do que com uma sala em si. Esta, sendo a sala oficial de reunião, diferente da sala que Gajeel um dia conseguiu invadir. O grupo, formado com velhos magos poderosos se mantinham num grande circulo, cada um ocupando uma espécie de púlpito elevado, o ambiente era escuro, porém com luzes cintilantes ao fundo.
— Pelo menos nos livramos de Tartaros, temos um problema a menos. O tempo quase se esgotou, mas queira ou não Makarov cumpriu o acordo.
— Não se esqueçam de Zeref. O acordo era para que eles dessem um fim em Tartaros e Zeref. — Lembrou outro membro, não muito satisfeito ao ver que muitos de seus companheiros começavam a desconsiderar o plano inicial.
— De fato Zeref é a maior ameaça de todos. Mas convenhamos... o único que pode lidar com ele é Natsu e Fairy Tail. Mesmo que o tempo se esgote; e falta pouco para isso, não creio que a melhor opção seja intervirmos. — Outro velho mago ponderou.
— Não é fácil para meu ego eu admitir isso. Mas, sem Natsu e Fairy Tail os nossos problemas serão ainda maiores. — O rosto enrugado se contorceu ao admitir tal fato.
— Acham mesmo que nossa solução é deixarmos aqueles magos fazerem o que bem entendem?!!! — Falou irritado, com sua voz solene e grave. O presidente, este que ocupava o púlpito mais elevado apenas observava os magos abaixo. Se irritando cada vez mais com os comentários infortúnios daqueles covardes. — Se acham que Zeref é um problema, não sabem o que Natsu Dragneel pode nos causar. Temos que manipula-lo e usarmos o seu poder enquanto ele ainda é manipulável.
— Mas Presidente-Sama... Como faremos isso?! — Indagou a velha maga, em tom de respeito e com os olhos receosos diante ao líder.
— Depois do que passaram com o sequestro da filha não creio que alguém mais consiga a mesma proeza... com certeza eles estarão bem mais preparados para um ataque. — Destacou outro velho mago qualquer.
— E a mulher dele parece ser bem poderosa e inconveniente... Se aproximar dela não deve ser fácil também.
O velho presidente apenas os observava, o olhar sério e a expressão arrogante se retorcia a cada palavra que ouvia... 'Bando de covardes" pensou. Mas, logo sorriu maldoso, um sorriso enviesado e convencido.
— Vocês estão menosprezando demais nosso poder caros colegas... E isso me deixa profundamente irritado! — Disse calmo, porém em tom ameaçador. — Sou capaz de tudo pela sagrada ordem do Conselho de magia... Não é atoa que sou o Presidente... Já vocês... ou passem a compactuar com meus interesses, ou sumam daqui!! — Concluiu irritado.
…
— Eles chegaram!!! — Alguém gritou animadamente, deixando os demais magos de Fairy Tail agitados.
— Lucyyyy... — Levy saltou nos braços da amiga assim que ela apareceu.
— Levy... Konbanwa!! — Cumprimentou a amiga, que lhe abraçava pelo pescoço de forma saudosa e enérgica.
— E Nashi?? Cadê?! — Perguntou angustiada pela saudades, olhando para os lados e vendo que Erza e Gray não estavam com ela. Mas, logo a encontrou nos braços de Natsu que se aproximava naquele momento.
— Hm... posso pegar? — Pediu hesitante, há tempos não conversava com Natsu e mesmo torcendo para que sua amiga-chan ficasse em ele ela não podia negar que aquele olhar do mago lhe causava certos arrepios.
— Vá em frente. — Liberou, deixando que sua pequena fosse para as mãos de Levy que a agarrou animadamente abraçando-a em seu corpo e tentando suprir a falta que sentiu daquele bebezinho gorducho de cabelos rosas.
Estavam todos no jardim dos fundos, era final de tarde e os serviços de reconstrução já haviam se encerrado, as luzes externas já começavam a serem acessas e a animação tomou a todos ao verem o grupo chegar. Elfman, Max e os demais logo se aproximaram do grupo para os recepcionarem, levando Gildarts, Gajeel e Gray para a farra de sempre.
— Okaeri.. — A voz serena e gentil fez Jellal e Erza olharem para trás, vendo que Meredy os cumprimentava. A rosada não mais vestia aquele enorme sobre-tudo, agora trajava um belo kimono vermelho e curto, composto por uma delicada faixa amarela amarrada na cintura, os enormes cabelos róseos caiam perfeitamente por sobre os ombros, e um sorriso meigo enfeitava sua face alva.
— Tadaima! ... Como foi a experiencia de ficar numa guilda como essas por uns dias?! — Perguntou Jellal, se virando para a amiga e sorrindo docemente para ela.
— É uma energia sem igual... porém nada comparada com a energia que estão emitindo agora. — Respondeu extasiada diante do amor e alegria que aquela guilda exala constantemente.
— Esse lugar é mágico... e não é pelo fato de ser recheado por magos. Mas sim pelo amor pleno que paira aqui. — Erza lhes disse orgulhosa, com um olhar coberto pelo brilho fraterno e caloroso. — A sensação prazerosa de voltar para "casa" depois de uma missão bem sucedida já é inexplicável por si só... — Olhou por sua volta. — Porém, nada se compara com esse sentimento... — Pôs a mão sobre o peito de forma serena. — Voltar e ver o rosto de cada um deles e sentir esse calor...essa energia... esse amor que nos atinge de tal maneira que chego a cambalear... — Sorriu... — Fiquem aqui, e comprovem pessoalmente o que estou tentando lhes explicar... — Sorriu ainda mais, os olhos tomados por um brilho intenso e apaixonado.
Jellal e Meredy sorriram e olharam admirados em torno daquele jardim extenso com vista para o lindo mar e um esplendido céu estrelado, mais uma festa se iniciava. Comemoravam o regresso do grupo de amigos e o retorno de Nashi sã e segura. Todos sorriam, brincavam e bebiam... alguns arriscavam tocar alguns instrumentos típicos da região, animando ainda mais o ambiente. As estrelas do céu estavam lindas... mas, aos olhos de Jellal e Meredy parecia que os sorrisos daqueles magos reluziam ainda mais.
...
— Ela está realmente bem Porlyusica? — Perguntou preocupada.
— Não se preocupe... melhor, impossível!
— Que bom!!! ... — Suspirou aliviada. — Vendo sua filha deitada na maca do ambulatório, sendo examinada cautelosamente pela avó amorosa e carrancuda.
— De fato nem parece que ela passou dois dias em um lugar tão inóspito quanto aquela guilda. — Erza comentou, observando o corpinho rechonchudo de Nashi, ela vestia apenas a fralda e teimava em colocar a mãozinha gorducha na boa, não deixando de agitar as perninhas e resmungar em pura fofura. — Está cada dia mais fofa... — Falou, tentando conter a vontade louca de morder aquele pãozinho fofo na sua frente.
— Ela é uma criança bastante resistente. Pelo que me contaram a Maga de Sabertooth conseguiu alimenta-la, mas tenho certeza que não na quantidade que ela realmente necessitava... Mesmo assim nem parece que ela passou por tal necessidade. — Porlyusica começou a vestir Nashi com um de seus graciosos macacões rosas com estampas coloridas. E ao terminar de vesti-la, a mais velha a levantou e a trouxe para seus braços. — Mas não deveria me impressionar, levando em consideração de quem ela é filha. — Sorriu minimamente.
— Ariagatou Porlyusica... — Agradeceu a loira. Se reverenciando, e pegando a mais velha de surpresa.
— Não precisa me agradecer. Afinal esse é o meu trabalho. — De alguma forma, não sabe exatamente quando, havia se tornado a média particular de Fairy Tail. Então, já era comum no seu dia-a-dia ter de examinar, medicar e tratar os membros daquela guilda.
— Não digo por isso.. Na verdade também sou grata por cuida da saúde de Nashi... Mas lhe agradeço pelo que fez naquela noite... Protegeu minha filha.. — Disse em dificuldade, ainda era doloroso se recordar daquela noite.
— Mas ainda assim ela foi levada por eles... — Completou dolorosamente.
— Foi sim... Mas isso não muda o fato que você a protegeu com todas suas forças.. Esteve ao nosso lado e não a soltou por nada. — Olhou para sua mãe de coração e uma lágrima calorosa caiu por sua face. — Você é a avó que falta na vida da minha filha. Lhe agradeço em meu nome, em nome do Natsu e em nome da minha mãe. — A imagem da bela Layla e de seu doce sorriso tomou a mente de Lucy. — Arigatou, por ficar ao nosso lado.
Porlyusica sentiu seu coração dar uma batida forte, tão forte que seu peito chegou a doer, e um estranho sentimento, quente e elétrico percorreu desde seu pequeno e rígido órgão bombeador de sangue até seus olhos... Oh céus como odeia os humanos. Tão chorões e sentimentais... Mas veja só... uma lágrima teimosa passou pelo rosto enrugado da rosada mais velha e um sorriso nunca tomado por aqueles lábios sempre tênues se formou.
— Já falei... Não precisa me agradecer. Afinal... essa é a obrigação de uma avó não é?! — Foi o que conseguiu dizer, de forma embargada, porém se esforçando para manter sua pose altiva e séria na frente das meninas.
Lucy sorriu em meio as lágrimas, dando em seu rosto um lindo contraste.
— Hai.... — Disse com a voz mansa e doce.
Erza agradecia o céus pela linda oportunidade de apreciar aquele caloroso momento.
[…]
Gray aproveitou que Juvia fora chamada pro Levy e Bisca para ajudarem Mira para se afastar um pouco da multidão de magos. Encontrou uma bela árvore na extremidade do jardim e ali se recostou, colocando as mãos nos bolsos e suspirando pesadamente.
"Otou-san?!"
Não se deu ao direito de pensar sobre ele enquanto resgatavam Nashi... Sua pequena era prioridade. Mas agora, tendo ela segura nos braços de Lucy, a imagem daquele homem começava a pesar em sua mente. Seu coração batia angustiado e forte... Como assim? Seu pai estava morto.. Não estava?
— O que vai fazer? — A pergunta fez o moreno olhar um tanto que surpreso para o lado, onde tinha a mureta feita de pedra que contornava toda a guilda. Sentado sobre ela estava o mago do fogo... Tão distraído que estava não notou a presença do rosado.
— Sobre o quê? — Voltou para sua expressão fria e desinteressada, recostando-se novamente na árvore.
— Aquele homem... É seu pai.. não é?
Novamente se surpreendeu.. olhou para Natsu... "Como ele sabia?"
— O cheiro... — Parecia que Natsu tivesse invadido sua mente e visto a pergunta que ele formulava ali dentro. — É semelhante ao seu. Na primeira vez que o vi, quando invadi Tartaros com Gildarts eu não consegui assimilar aquele cheiro... mas naquela noite, com você e ele no mesmo lugar eu finalmente percebi.
— Sim... é meu pai. — Respondeu enfim, vendo que de nada adiantaria negar.
— Ele não havia sido morto por Deliora? — Conversavam em tom ameno, ambos com os olhos voltados para baixo ou para o horizonte.
— Era o que eu achava... Mas de qualquer forma agora ele definitivamente está mort....
— Não. — O interrompeu. — Ele saiu da guilda antes que eu queimasse tudo...
— Tem certeza?! — Olhou para Natsu, vendo o mago assentir brevemente, confirmando o que havia acabado de lhe falar.
— Por isso te pergunto, o que vai fazer?
— Não sei... — Respondeu em um suspiro, já parecia cansado apenas de pensar sobre. — Terei que procura-lo para início de conversa. — Um arrepio na espinha o tomou só de imaginar isso... "Procurar meu pai". Nunca pensou em pronunciar tais palavras. Suspirou mais uma vez... — Tenho impressão que mais problemas pairam sobre nossas cabeças. — Concluiu.
— Ahh.. Natsu? Gomem por interrompê-los. — A voz gentil e delicada fez os magos olharem para a maga que surgia atrás deles.
— Olá Lisanna! — Gray a cumprimentou educadamente.
— Olá Gray... — Olhou para o moreno. — Fico feliz que tenham voltado em segurança. — O cumprimentou de forma gentil, lançando um sorriso doce para ele. Mostrando sinceridade em suas palavras.
Gray sorriu, observando atentamente a albina e logo notando quê, claramente a intenção dela era em conversar apenas com Natsu, já que os olhos hesitante da maga não paravam de fitar o mago sério e inexpressivo sobre aquele muro. – Bom.... vou indo, irei deixa-los a sós... — Sorriu de canto, se afastando da árvore e caminhando em direção a festa.
— A-arigatou... — Agradeceu envergonhada. Não queria interromper a conversa dos dois, mas enxergou naquele momento a rara oportunidade de conversar com Natsu.
Gray já havia se afastado, e Lisanna olhava receosa para Natsu, o mago continuava sentado sobre o muro, recostado sobre o pilar com os braços cruzados, e seu olhar sério permanecia voltado para o horizonte... Essa postura do mago só a deixava ainda mais insegura e duvidosa se seria essa, a melhor coisa a se fazer naquele momento.
— Gomenasaiii!!! — Se reverenciou totalmente, na forma mais suplicante possível, fazendo seus alvos cabelos caírem para frente. Ela espremia os olhos e rezava para que seu velho amigo aceitasse suas mais sinceras desculpas.
— Pelo quê? — Olhou cansadamente para a maga abaixo.
— Me comportei de forma inadequada com você naquela noite no hotel e provoquei Lucy há uns dias.... eu.. eu....
— Não perca seu tempo com essas desculpas. Eu não me importo com isso... — A voz em tom sério e um tanto que rude fez Lisanna tremer, e com certa dificuldade levantou seu dorso e olhou para ele.
— Onegai Natsu... Deixe-me falar. — Não soube da onde, mas encontrou forças para olhar nos olhos dele.
Natsu a fitou, suspirou cansado e parecia ponderar sobre o que ela lhe pedia. Enfim colocou as duas pernas voltadas para o gramado do jardim e saltou facilmente do muro ficando bem de frente com a albina, que estremeceu ao sentir o vento causado pelo movimento brusco do mago balançar seus cabelos e tocar sua pele, porém nada comparado com aquele calor. Respirou fundo, tentando controlar aquelas sensações e olhou para os olhos ônix do mago, olhos esses que se direcionavam para ela. Sabia que Natsu havia lhe dado a oportunidade de falar. Mas ficar diante dele, tão próximos, sentindo aquele calor... sentindo a presença forte dele.. deixou tudo mais difícil, a fazendo se esquecer de tudo que ensaiou por inúmeras vezes em seu quarto.
Os olhos caíram para seus pés, entrelaçou os dedos das mãos frente ao corpo... se pudesse ficaria ali para sempre, na frente dele... Mas não podia.
— Eu... — Respirou, os olhos permaneciam caídos, não tinha coragem de fita-lo. — Eu... sempre … — Fechou os olhos e os espremeu com força. — Sempre te amei Natsu. — Olhou para o mago. Precisava olhar para ele, ou aquelas palavras seriam em vão. — Você era o meu Natsu... Fiquei perdida e desolada quando descobri que Lucy esperava um filho seu, e esses sentimentos foram ficando cada vez mais escuros conforme vocês se aproximavam. Dei ouvido para esses sentimentos ruins que tomavam meu coração e me comportei daquela maneira... Sei que nunca me corresponderá com o mesmo sentimento, mas não quero que você me odeie.. Onegai!! — Se reverenciou mais uma vez, ouvindo apenas o silêncio ocupar aquela conversar. O ar que já entrava com dificuldade em seus pulmões devido ao nervosismo, começou a ficar mais escasso e suas pernas já trêmulas pareciam perder completamente as forças.
— Tudo bem... — No fundo, pouco se importava com os problemas daquela garota albina. Mas se esforçou para ouvi-la, e viu que não foi tão deplorável assim. Aquela garota sofria com seus próprios sentimentos, e enfrentava seus monstros. Ela tremia e parecia se esforçar em cada palavra. — Não se preocupe mais... isso tudo já é passado. Deixe-os lá. — Falou sério, olhando nos olhos da menina. Lucy se agradaria de sua resposta, então por isso se esforçou em tal, só por isso.
— Arigatou... Natsu!! — Sorriu aliviada. Parecendo tomar uma leveza instantânea.
“...Dei ouvidos para seus sentimentos ruins...” Essas palavras de Lisanna tilintavam em sua mente... Então será que todos tem uma voz dentro de si? Uma voz sombria e gananciosa, sempre querendo mais? …
Lisanna o agradeceu mais algumas vezes, sorriu e se afastou do mago, o deixando sozinho. Saiu com o coração quebrantado pelo amor rejeitado, mas não sentia a dor que imaginou sentir. Estava pronta para pegar cada pedacinho do seu sofrido coração e viver. Mal sabendo que ajudou Natsu a compreender algo de estrema importância.
"Então, todos tem um lado sombrio? ... Realmente não estou sozinho?!"
…
Gildarts era mais um que procurava um canto para se isolar. Bebeu, gargalhou, jogou com seus amigos... Mas agora, o que queria era tirar aquela máscara falsa de alegria e descansar. Sentou-se em um dos bancos de madeira que estavam vazio. Arfou cansado, apoiando os cotovelos nos joelhos. Subiu o olhar ao escutar uma risada infantil ao longe.
— Para papai... — Asuka gargalhava inocentemente nos braços de Alzack. — Onegaiii... — Sorria ainda mais quando seu pai lhe abraçava cada vez mais forte, dando lhe beijos travessos em todo seu rostinho..
— Oras... só estou mimando minha bebezinha... Estava com saudades.
— hai hai.. mas hoje você e a mamãe nem sairão em missão... Ficamos o dia todo juntinhos.. — Disse em meio a risadas doces, e ainda recebendo mais e mais beijos de seu otousan.
— Então tá bom... se minha filhinha não me quer mais.. — começou a se inclinar para pô-la no chão. — O que posso fazer?! — Disse em um bico decepcionado, não passando de um fingimento descarado para coagir a pequena.
— Tá bom papai... — Agarrou-se ainda mais no pescoço do mago, mostrando que não queria sair de seus braços. — Podemos ficar juntinhos mais um pouquinho. — Alzack sorriu vitorioso, fortalecendo ainda mais aquele abraço.
Gildarts sorriu involuntariamente, sentindo uma sensação saudosa tomar seu coração. Voltou a baixar o olhar e fitar o gramado abaixo de seus pés. Nunca recebeu um abraço de sua filha... pois nunca a abraçou.
— Como posso sentir saudades de algo que nunca tive?! - Se perguntou.
— Por que essa depressão?
Olhou surpreso, vendo uma bela maga sentada ao seu lado.
— Canna-chan?!... — Se alegrou ao vê-la, mas logo notando que a expressão dela também havia se tornado tão triste quanto a dele. — O que a fez se sentar ao meu lado? Achei que não queria conversar comigo? — Perguntou angustiado, mas sentindo uma pontada de felicidade e esperança por tê-la ali.
— Como posso sentir falta de algo que nunca tive? — Falou de maneira vaga e melancólica. Gildarts olhou assustado para ela, se perguntando se Canna havia lido seus pensamentos.
— Do que sente falta?
— Não seja bobo... — Olhou repreensiva para ele... Não era obvio?!— De um pai.
— Eu falhei com você Canna-chan... Só o que posso te pedir agora é perdão... — Concluiu decepcionado.
— Não fale como que se estivéssemos no fim da vida... — Revirou os olhos e torceu os lábios... Um breve silêncio tomou a conversa até Canna encontrar forças para continuar a falar. — Ainda dá tempo...
— Tempo do quê? — Perguntou incerto, olhando inseguro para sua menina.
— De nos tornarmos pai e filha. — Gildarts tirou os braços dos joelhos e encostou as costas no banco, olhando para Canna com olhos cobertos pela esperança e surpresa.
— Por que está me dando essa chance?
— Não se iluda. Estou ME dando essa chance... Quero saber como é ter um pai, se sentir amada incondicionalmente e ser protegida por alguém que daria a vida por mim. — Falou de certa forma inocente, deixando um rubor tomar sua face, e tirando de Gildarts um sorriso apaixonado.
— Não precisa se aproximar de mim para ser amada incondicionalmente e ser protegida... Eu daria minha vida por você, mesmo se me odiasse com todas suas forças. — Falou simplista, como que se isso lhe fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Canna arfou ao escutar aquelas palavras. Na verdade havia decidido se aproximar de Gildarts quando descobriu que o motivo dele de se ausentar por tanto tempo com Natsu não foi por um simples treinamento. Saber que o mago se pôs a ajudar Natsu de forma tão fiel, diante dos problemas imensos que o mago do fogo enfrentava, fez seu coração endurecido e ressentido pela mágoa amolecesse.
— Você faria isso por todos.. seu baka. — Afinal esse era um dos lemas dos magos de Fairy Tail.
— Nessa você me pegou... — Sorriu sem jeito. Sentindo o clima ficar mais descontraído. — Então.. como faremos isso?
— Isso o quê?
— Como nos tornaremos pai e filha?
— Também não sei.... — Respondeu derrotada, se dando conta que era tão ou mais leiga que ele sobre esse assunto de “pai e filha” — Mas.... acho que só de nos darmos essa oportunidade nós já somos... Pai e filha. — Sorriu para o mais velho.
— Ohhh Canna-channnn... — Falou choroso. Abraçando a filha fortemente. Fazendo a maga se assustar com o repentino abraços..
— O-o que você está fazendo?! — Perguntou aturdida, tentando escapar daqueles braços fortes.
— Oras... estou abraçando minha filha... Não posso?! — Falou tomado pela alegria. Alegria essa que só aumentou quando sentiu a maga se aquietar, e afundar o rosto em seu tórax.
— Hai hai.. — Fechou os olhos e envolveu seus braços carentes em torno dele. — Então posso ficar aqui mais um pouquinho... — Disse inebriada, apreciando o afago de seu pai. — Só mais um pouquinho. — Mentiu... Ficaria ali para sempre, se pudesse.
…
— Natsu. — Makarov o chamou. — Está tudo bem? — Perguntou se aproximando calmamente, com as mãos postas atrás de seu pequeno corpo e com olhar preocupado e aflito.
O mago do fogo ainda estava sentado sobre a mureta de contenção do jardim, a mesma que limitava o terreno da guilda com a praia, olhou para o mestre. Os braços estavam cruzados apoiava as costas em um pilar. Ele parecia distraído observando o mar quando direcionou seus olhos puxados para o mais velho.
— Sim... resgatamos Nashi, porque não estaria. — Respondeu friamente.
— Parece distraído... — Saltou sobre o muro e sentou-se próximo ao filho. Virado para a praia, passando a vislumbrar a mesma paisagem que o rapaz.
Natsu suspirou.
— Distraído não... Apenas cansado. — Respondeu, parecendo de fato, cansado.
— E desde quando Natsu Dragneel se cansa? — Sorriu, tentando trazer uma conversa descontraída, porém sem sucesso. Pois a feição séria e distante do mago permaneceu. — Você está se saindo bem meu filho... — De alguma forma, ao olhar nos olhos distantes do rapaz ele logo soube o que estava o deixando tão angustiado e cansado.
— Ela tem apenas quatro meses e já passou por isso. O que a aguarda pela frente?! Que futuro vou conseguir dar para minha filha? — Parecia frustrado e irritado só de fazer tais perguntas.
— O futuro de Nashi terá muito Choro, dor, medo... — O respondeu, fazendo Natsu o fitar de forma tensa. — Mas também, muito amor, alegria e sorrisos. Como qualquer pessoa, Nashi passará por todos os sentimentos e experiências que nós passamos... E sendo filha de alguém como você ela terá de aprender a ser uma maga poderosa e resistente, será teimosa e bagunceira... e sendo filha de Lucy – Olhou para a bela loira que sorria docemente para as amigas que estavam em sua volta. — Ela terá uma plenitude de outro mundo, conseguirá forças inexistentes nesse plano para se superar a cada dia, será doce, amorosa e gentil... — Formou um sorriso perdido ao imaginar. — Com certeza se tornará uma maga muito bonita aos olhos de todos. Terá orgulho de ser filha do Salamander e da poderosa Maga Celestial, exibirá com orgulho a marca da nossa guilda e sem dúvidas nos trará muita dor de cabeça... assim como os pais.
Olhou para seu pupilo, e sorriu verdadeiramente... Seus olhos tomavam um brilho de orgulho e esperança.
— Apenas Viva meu filho, e agarre com todas as forças esse futuro a sua frente.
Próximo Capítulo: O tempo parou, e depois voltou a correr. 1 ano depois
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