Fogo Inalcançável
14 Capítulo - Diferentes caminhos sem fim.
Notas iniciais
No enorme saguão da guilda um incomum silêncio pairava sobre o lugar, os membros de Fairy Tail estavam sentados pelas mesas espalhadas do salão, calados, com semblante sério e preocupados. Já não tinham mais disposição para comemorar, pois estavam preocupados demais pela demora do parto.
Gray observava por uma das grandes vidraças a tempestade lá fora, que aliás parecia estar se acalmando, mas seus sentimentos não seguiam o mesmo ritmo. Parecia que dentro de si havia outra tempestade causando um turbilhão de sentimentos, preocupações, e medo. Condenava Natsu com todas suas forças por ele não estar ali, doía admitir, mas o rosado estava fazendo um rombo muito grande no coração de todos. Voltou seu foco para Lucy e sua inquietude e preocupação aumentaram, já era madrugada e ninguém sairá daquele bendito quarto.
— É comum um parto demorar tanto? – Perguntou Canna com semblante aflito, estava sentada próxima de Gray, de tão ansiosa que estava nem conseguia beber sua sagrada bebida alcoólica.
— Na verdade sim, muitos partos podem perdurar por horas a fio, desde a primeira contração até o nascimento em si. Lucy está bem, se algo tivesse acontecido Porlyusica teria descido para nos avisar. – Respondeu Charle que estava ao lado de uma Erza e um Makarov bastantes aflitos.
— Nasceu! – A palavra que assustou todos os distraídos veio de Mira que estava descendo as escadas. – É uma linda e perfeita maguinha! – Terminou emocionada, carregava em sua face um ar de cansaço porém seu sorriso e seu olhar brilhoso indicavam pura felicidade.
Gray, Erza e Makarov imediatamente olharam para as escadas, e se levantaram indo afoitos em direção da albina.
— Ela é perfeita! – Falou mais uma vez com um sorriso imenso em seu rosto.
Um sentimento de extasia tomou a todos, trazendo um breve silêncio, mas logo começaram a vibrar diante da notícia, a alegria e o alívio tomou a guilda, que enfim puderam respirar aliviados, outros e outras não evitaram as lágrimas de alegria. Finalmente a missão estava cumprida, Lucy e sua bebê estavam bem e protegidas.
— É uma menina?! — Perguntou Gray, parecendo não acreditar no que ouvira.
— Sim Gray.. Lucy deu á luz uma menina. E ela é linda. — Respondeu Mira, olhando amorosa para seu amigo, sabia que de todos ali ele era o que mais estava aliviado.
Enfim o mago do gelo respirou, a felicidade pairou em seu coração e transbordou em seus olhos, não pode conter, Makarov e Erza vendo o companheiro liberto daquela prisão de temores e aflição também se entregaram as lágrimas.
Mira sorria pela reação dos amigos e chorava em companhia, sendo eles observados por todos da guilda.
— Como Lucy está? — Perguntou Erza, tentando se recompor.
— Não foi um parto fácil, Lucy ficou bastante debilitada e perdeu muita magia. – O tom melancólico da voz só de lembrar os momentos de agonia foi inevitável. – Mas como sempre ela nos surpreendeu, está acordada e bem, com a filhinha ao seu lado.
— Ainda bem... ainda bem... – Dizia aliviado, ele poderia ser o mestre da guilda mais forte de Fiore, poderia ser um dos dez magos santos, mas não fazia questão de esconder seu lado paternal, amoroso... e sensível. Estava tão aliviado, feliz e emocionado... Eram tantas emoções que a única parte do seu corpo que reagia, eram seus olhos, que derramavam lágrimas e mais lágrimas.
Erza não estava longe, até tentou se recompor, mas os sentimentos bateram forte em seu peito, era tantos medos e preocupações esvaindo de seu coração que sentiu-se mais leve, a ponto de suas pernas fraquejarem, precisando se apoiar no corrimão da escada.
— Bem eu sei que todos querem conhecer a nova integrante da família, mas sei que também compreendem que não será possível. — Disse Mira, em alto tom, não perdendo a gentileza de sempre. — Logo Lucy estará mais disposta e trará a princesinha para vocês conhecerem.
Claro que os magos compreenderam, a neném era muito frágil, não poderia ficar tão exposta assim e certamente Lucy estaria exausta.
— Compreendemos Mira-chan, o impor...hiick — Soluçou. — ...tante é que elas estejam bem!! — Respondeu Canna, já ruborizada pelo álcool. A maga das cartas já comemorava com seu companheiros.
A albina sorriu ao ver a animação da guilda, eles não perderam tempo em dar início a comemoração ao nascimento de mais um membro de Fairy Tail. Desviou então seu olhar para Erza , Gray e Makarov, e falou apenas para os três. — Claro que vocês estão liberados! – Disse sapeca, sabendo que de todos da guilda eram os quatro mais afobados e ansiosos.
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Juvia estava sentada na cama com Levy de pé ao seu lado, as duas admirando a cena, Lucy permanecia deitada de lado, com sua pequena colada ao seu corpo. Wendy estava sentada na poltrona, levemente ruborizada.
— Hunn.. Dói... — Fez careta, estranhando aquele contato.
— É normal, não se preocupe. No começo a amamentação não é muito fácil. – Explicou Porlyusica, que estava atenta na prancheta em suas mãos, ela preenchia um formulário com informações da neném, como peso, tamanho, data e hora do nascimento.
Apesar do coração tomado por pura felicidade, e do amor incomum que sentia crescer dentro de si, Lucy estava um pouco assustada, olhou para a pequeninha grudada em seu corpo e sorriu apaixonada, durante toda a gestação não parou para pensar sobre todos os cuidados que um bebê necessitaria, a amamentação, as incontáveis trocas de fraldas, as horas de noites acordada a fio. Ela olhava preocupada para sua filha, era tão pequena e frágil... Será que conseguiria sozinha?
— Não se preocupe querida. — A voz da maga mais velha a despertou. — É assustador no começo, você tem em seus braços um ser humano completamente dependente de ti, frágil, chorão e esfomeado. É normal sentir medo. — Ela já havia largado a prancheta sobre a cômoda e se aproximava de Lucy, se encurvou sobre ela e olhou carinhosa para a pequena, para ver se estava tudo bem. — E você não está sozinha. — Parecia ter lido a mente da loira. — Vamos te ajudar em tudo que precisar. — Terminou amorosa.
Lucy enfim deixou um pouco daquela insegurança ir embora e sorriu para Porlyusica.
— Venha, deixe-me pega-la. — Vendo que a pequena já estava satisfeita ela pediu licença para pega-la. — Nunca esqueça de faze-la arrotar. — Já procurava passar as informações para Lucy, que se ajeitou na cama e observava Porlyusica aconchegar sua filha cuidadosamente em seu peito, com uma mão em seu bumbunzinho e a outra em suas pequenas costinhas, dando leves, quase mínimos tapinhas.
— Sumimasen... — Pediu Mira, abrindo suavemente a porta, dando passagem para os três magos passarem.
Lucy sorriu ao vê-los. Erza tratou de ir em sua direção, com um olhar amoroso e preocupado, Makarov a seguiu.
— Como você se sente Lucy? — Perguntou Erza já posta ao lado da cama, olhando amorosa para sua amiga, que ainda estava um pouco pálida e cansada.
— Me sinto bem Erza... nunca me senti tão bem! — Sorriu serenamente, demostrando total sinceridade nas palavras ditas.
Gray entrou por último, em passos sutis e desconfiados, vendo Lucy sentada na cama, recostada na enorme cabeceira de madeira ele sorriu em alivio, era bom ver aquele rosto.
— Gray... — Chamou Lucy, com o tom de voz ainda cansado. — O moreno foi se aproximando, e viu quando Lucy olhou para Porlyusica que estava no lado contrário da cama, próxima a janela.
O olhar do moreno pairou sobre a rosada, sentiu então seu coração bater mais forte, e uma ansiedade incomum começou a lhe tomar. Nem notou quando começou a direcionar seus passos em direção a maga mais velha, parando curioso à sua frente tentando visualizar melhor aquele pacotinho em seus braços.
— Pegue-a. — Pediu Lucy.
Gray olhou surpreso para a amiga, vendo na face dela um meigo sorriso, percebendo ali que ela não estava brincando.
— Acho melhor não. — Respondeu inseguro, voltando seu olhar para a nenenzinha... era muito pequena.
Erza, Makarov e as demais assistiam a cena, todos com olhares bobos sobre o moreno assustado e inseguro.
— Não se preocupe, venha te ajudo. — Disse Porlyusica. — Sempre deixe a cabecinha dela apoiada em seu braço, e com o outro sustente o corpinho. — Explicou, passando a bebezinha com cuidado para os braços de Gray, que parecia apavorado. — Pronto, só mantê-la assim. — Finalizou, olhando satisfeita para a bebezinha nos braços do mago.
Lucy, e as meninas sorriram apaixonadas com a cena, o mago do gelo segurava a pequena com todo seu cuidado, que aliás, parecia ainda menor nos braços dele.
O moreno permaneceu estático no lugar, tinha medo de que em qualquer movimento deixa-la cair, era tão pequeninha e leve, parecia que iria escorregar de seus braços. Perdido, fitando o rostinho gorducho da sobrinha, não notou que a atenção estava toda voltada para ele.
— Estou vendo que você tem jeito. Será um ótimo pai algum dia. — Elogiou Porlyusica observando Gray, ele apenas sorriu distraído não tirando os olhos da pequenina.
— Talvez – Respondeu apenas, levantando rapidamente seu olhar sempre charmoso para Juvia, que estava sentada na cama ao lado de Lucy. Claro, não passando despercebido por ninguém, Levy e Wendy suspiraram admiradas, Gray era puro charme.
A azulada, sentiu seu coração sair disparar e seu rosto esquentar, sabendo que a vermelhidão tomara sua face alva. — Gray-sama... — Disse apenas, completamente ruborizada e já sonhando com os dez filhos que teriam num futuro próximo.
Quebrando aquele sutil momento, ele contornou a cama de Lucy e sentou-se do outro lado.
— Ótimo trabalho Lucy, ela é linda. — Disse. Mesmo com a bebê nos braços, conseguiu levemente se inclinar e depositar um beijo carinhoso na testa da amiga.
— Hai. — Apenas pode responder, pois seus olhos começaram a se marejarem novamente.
— Wow... dá onde está vindo esse calor?! — Quebrou o momento, perguntando exasperado, pois ficara surpreso pelo repentino calor que sentiu.
Lucy achou graça da reação do amigo, e secando as lágrimas respondeu.
— Oras, da sua sobrinha Gray. — Disse orgulhosa.
Gray se surpreendeu, olhou para a pequena e sorriu saudoso. Enfim percebeu que em seus braços estava a filha de Natsu. Quando se conheceram ainda pequenos garotos, logo não foram com a cara um do outro, talvez por compartilharem magias tão opostas. Gray que detestava aquele calor emanado por Natsu, nunca imaginou que chegaria em um dia como esse, em não se incomodar com essa alta temperatura, tudo para poder ficar assim, com aquela menininha em seus braços.
— Ela é linda Lucy... tão bochechudinha... – Erza se aproximou de Gray, estava encantada pela pequena.
Makarov que a todo o momento observava os jovens, se perdia em seus pensamentos, vislumbrava ali a nova geração de Fairy Tail, e que geração.. Herdeira de um Dragon Slayer e de uma Maga Celestial. Ao pensar nisso seu coração se espremeu novamente, uma aflição o fez respirar fundo e piscar desanimado. O semblante do amigo não passou despercebido por Porlyusica, a rosada se aproximou sorrateira, os mais novos não notaram, pois todos estavam em volta da cama de Lucy.
— Não é hora para isso, seu velho bobo. Vá conhecer sua neta. — Repreendeu seu amigo, o conhecia tão bem que sabia o que passava em sua mente.
Dito isso o mestre despertou de seus devaneios, mais uma vez teria que agradecer Porlyusica por resgata-lo daquele abismo de temores. Enfim respirou mais tranquilo e teve forças para se aproximar de Lucy. Erza, Levy e Wendy que estavam por perto deram espaço para o mais velho. Lucy olhou para seu mestre, sorriu chorosa, a loira era perspicaz e conhecia seu mestre bem o suficiente para saber que ele estava sofrendo por Natsu não estar ali com eles, naquele momento tão único e especial.
— Estou orgulhoso de você Lucy. — Falou embargado, tentando segurar as lágrimas.
— Venha conhecer sua neta mestre. — Pediu amorosa. Não estava querendo agradá-lo ao lhe dar a ocupação de Avô, pois era simplesmente assim que ela o via. Na falta de tantos em sua vida, sua filhinha ainda tinha a chance de ser agraciada por uma avó de cabelos róseos, um avô baixinho, um tio forte e protetor e várias tias poderosas e corujas.
Gray encurvou-se um pouco para que seu pequeno grande mestre pudesse contemplar aquele presentinho.
— Ela é linda Lucy. — Falou apaixonado... Notou o calor que pairava ali, e a magia precoce que a pequena já possuía, magia essa, semelhante ao do pai. — Já pensou no nome? — Questionou enfim, fazendo todos ali presentes ficarem curiosos também.
Lucy se surpreendeu com a pergunta de seu mestre, estava em um turbilhão de sentimentos e emoções que não havia parado para pensar nisso ainda, claro que nos meses que se passaram ela estudou alguns nomes, mas nunca chegara em alguma decisão de fato.
— Hum.. eu estava em dúvida sobre alguns nomes.. não havia me decidido ainda. Mas agora, olhando pra ela, acho que nenhum deles iria combinar mesmo. — Falou pensativa. Olhou para a pequena enquanto ela dormia tranquila nos braços de Gray, e a observou, viu cada detalhe, os olhinhos puxados, os cabelinhos bagunçados, o calor aconchegante que ela emanava, tudo herdado de Natsu, mas a boquinha pequena, o rostinho redondo, e o narizinho arrebitado era tudo dela. Sorriu com tal constatação, era a mistura mais perfeita que ela já viu em toda sua vida.
E com todo amor que jamais sentiu, um amor único, tão grande e poderoso que parecia que iria rasgar seu peito ela falou suavemente.
— Na...shi... — Falou com um sorriso meigo em seu rosto. — Esse será o nome dela, Nashi Dragneel.
[…]
O amanhecer veio rápido, mal pareceu fechar os olhos e já sentiu a claridade invadir seu quarto. Suspirou preguiçoso, se levantando devagar rumo ao banheiro. Provavelmente Natsu já estaria acordado, mas pouco se importava, iria tomar um banho quente para despertar.
Com a água quente caindo em seu corpo, o veterano de Fairy Tail suspirava derrotado. Estava cansado, que ironia já que acabara de acordar. Mas de fato estava cansado. Cansado da sensação enfadonha de que não está ajudando Natsu, cansado de sentir medo em falhar. Cansado de a cada dia ter que encarar uma Natsu cada vez mais estranho.
Respirou fundo ao sair do hotel, a brisa fresca e os primeiros raios de sol lhe era sua melhor vitamina, olhou ao seu redor e sorriu satisfeito, depois da noite tempestuosa, contemplar aquele céu azul e tudo ser banhado pelos raios do sol lhe trouxe uma ótima sensação. Depois do seu breve momento de paz olhou mais a frente e viu Natsu do outro lado da rua, o mesmo estava encostado na parede de um comércio ainda fechado.
— Pra onde vamos? – Perguntou antes mesmo de se aproximar. Já não sabia mais o que fazer nem por onde ir, estavam ali há dias e nada de Zeref aparecer.
— Não sei. — A resposta vazia e desanimada fez Gildarts olhar para Natsu com mais atenção, viu que não só ele estava cansado de tudo aquilo, Natsu parecia derrotado e ainda mais perdido.
— Talvez seja hora de seguirmos viagem então. Está tudo bem por aqui, e Fairy Tail não teve a visita de Zeref. Parece que se ele esteve por aqui, já partiu há algum tempo.
— Talvez. — Concordou com o mais velho. Se desencostando da parede e apanhando sua mochila, que estava jogada ao seu lado.
— Poderíamos esperar Elfman e Lissana, apenas para nos despedirmos. — Sugestionou, não queria sair da cidade daquela maneira tão deselegante.
— Pode ficar. Depois você me alcança. — Começou a caminhar, indicando que não estava disposto a esperar nada, nem ninguém.
Mais uma vez, Gildarts soltara um suspiro pesado, porque insistia em esperar alguma atitude gentil vinda de Natsu? Como havia pensado assim que acordou, Natsu estava a cada dia mais distante do rapaz amigável e enérgico que foi um dia.
Começou enfim, a caminhar junto de seu discípulo, rumo a saída da cidade. — Está com uma cara péssima. Noite ruim? — Perguntou, ao olhando de soslaio para o rosado.
— Não consegui dormir. – Olhava para o chão, parecendo realmente cansado e perdido em seus pensamentos.
— Já disse! Ainda temos alguns meses... sem dúvidas estamos mais perto de encontrá-los. – Presumiu que toda aquela negatividade partia do fato de ainda não terem descoberto nada conclusivo naquela missão.
— Não é isso que me tirou o sono... — Gildarts o fitou surpreso.
— E o que mais seria de tão importante para lhe tirar o sono? — Perguntou.
— Me sentia inquieto e ansioso... Parecia que meu instinto tentava me avisar sobre algo. – Por incrível que pareca, teve paciência de explicar o que lhe atormentava, na esperança que seu mentor entendesse o que ele tentava lhe dizer.
Mas, antes que Gildarts começasse a dizer algo ele viu um feixe de luz sair da mochila de Natsu. — Espere Natsu, o mestre tem algo a dizer. — Pediu, fazendo Natsu parar de caminhar, retirou a Lácrima e a colocou sobre umas caixas de madeira, que estavam postas uma sobre a outra, frente a uma loja de bugigangas, que ainda estava fechada.
— Mestre? Que surpresa. – Falou Gildarts em seu tom preguiçoso, como sempre.
— O hayou! – Cumprimentou o pequeno velho, aparentando estar de bom humor.
Mas o único que lhe retribuiu a gentileza foi Gildarts, Natsu nem olhava para a lácrima, se afastou da dupla mostrando total desinteresse no que viria a ser tratado naquela conversa. Makarov podia ver claramente o rosado atrás de Gildarts, ele estava de costas olhando para o chão e com uma mão na nuca, parecendo estar um pouco inquieto.
— Natsu? – Chamou com firmeza, mas também atencioso, o rosado se virou e Makarov viu um típico rapaz delinquente, com semblante irritado e um olhar frio e desinteressado pairar sobre si. O mestre respirou fundo mantendo o olhar sobre o de Natsu e falou. – Sua filha nasceu!
Gildarts engoliu um seco e olhou para Natsu, os olhos puxados e vazios, foram se tornando levemente vidrados e arregalados deixando claro que a notícia o pegou de surpresa. Ficou um tempo olhando para o mestre, tentando descobrir se não estava vacilando, até que o olhar perdido e surpreso foi se desviando para o outro lado.
Makarov mantinha uma expressão suave, olhava para Natsu, atento ao semblante apavorado do jovem pai, esperava pacientemente o rapaz assimilar a informação.
— Filha!? – A voz rouca quebrou o breve silêncio.
— Sim, uma linda garotinha! – Confirmou mais uma vez.
Gildarts olhava para Natsu, seu coração palpitava forte... Ele sabia bem como era a sensação ao descobrir ser pai de uma garota.
— Uma menina?! — Perguntou mais uma vez, porém ainda mais distante em seus pensamentos, foi uma pergunta mais para si próprio do que para outro qualquer, apenas tentava digerir que agora tinha uma filha, uma menininha. Foi pego de surpresa, agora de fato ele tinha uma herdeira... não muito distante dele, tinha um pequeno ser humano com seu sangue correndo em suas pequenas veias. Respirou exasperado, se incomodando com uma sensação desconhecida tomando seu peito.
— Mas... não seria pra daqui um mês? — Questionou, finalmente voltando em si e encarando seu mestre. Gildarts sorriu de canto, a pergunta o fez ver que Natsu não estava tão alheio assim a gravidez de Lucy.
— É uma garotinha apressada. — Falou sorrindo. — Pegou todos de surpresa, principalmente Lucy. Foi uma madrugada difícil, mas deu tudo certo.
— Essa madrugada? — Não escondeu a surpresa.
— Sim. Durante a tempestade.
— Seria este o motivo de estar tão inquieto na noite passada. Natsu? — Perguntou Gildarts, sorrindo convencido para o rosado, que tratou de ignora-lo.
— Não quer conhecê-la? — Perguntou esperançoso.
A pergunta o pegou de surpresa, e o deixou incomodado.
— Conhece-la? — Pareceu não acreditar no que acabara de escutar.
— Sim, já que estão tão perto de Magnólia, não custaria nada vir conhecer sua filha. — Makarov acreditava que seria muito bom para Natsu conhecer sua filha.
Natsu manteve um olhar vago e distante, sendo impossível para os dois mais velhos decifrarem o que se passava na cabeça dele.
— Não tem porque eu voltar. – Falou sucinto. — Você sabe que não posso.
— Você pode Natsu, basta você querer. Dois dias a menos não faram diferença. — Desejava ansioso que Natsu considerasse a ideia.
— Nosso tempo está se esgotando. Antes termos dois dias a mais nessa missão, do que dois a menos. — Estava friamente sério.
Makarov olhou entristecido para Natsu, ele melhor do que ninguém sabia sobre o prazo apertado que tinham. Mas, desejava que Natsu se esforçasse para conhecer sua filha. Soltou um suspiro melancólico, fitando Natsu, que o encarava sem titubear. Como poderia convencê-lo?
— Nashi Dragneel. — Falou o nome da pequena, talvez isso o tocasse de alguma maneira.
— Hum? — Mesmo com a audição de um Dragon Slayer, não foi capaz de realmente compreender o que acabara de escutar.
— É o nome que Lucy deu para a filha de vocês, Nashi Dragneel. — Disse orgulhoso, era um lindo nome.
O rosado se perdeu mais uma vez em seus pensamentos, que se embaralhavam a ponto de fazer sua cabeça latejar. Voltou o olhar para Makarov, que parecia esperar mais alguma reação dele, será que deveria falar algo?! Que mais poderia falar? Ao mesmo tempo que sentia seu coração bater forte ele também sentia aflição, algo sufocante no peito.
— E o poder mágico dela? — Ignorou as palavras do mestre.
Makarov não estava conseguindo decifrar os sentimentos de Natsu, tão pouco saber o que se passava em sua cabeça, ficou entristecido e ainda mais preocupado ao ver que estava conversando com um Natsu que ele não reconhecia mais.
— Hurun.. — Pigarreou, tentando não se abalar com o comportamento frio de Natsu. — É nítido que herdou o seu poder, mas ainda não sabemos como classificar o nível, afinal você é o primeiro Dragon Slayer legítimo a ter um herdeiro, o poder hereditário ainda é desconhecido. – Explicou olhando para Natsu, que de longe parecia ser um jovem pai feliz pelo nascimento de uma filha. — Eu entendo sua preocupação sobre este assunto, mas isso será acompanhado e estudado conforme sua filha for crescendo Natsu, não se preocupe. – Tentou acalmar o jovem mago.
— E o que pretende fazer de agora em diante? – Perguntou um tanto ríspido, e vendo o mestre franzir o cenho, ele prosseguiu. — Agora Fairy Tail tem em mãos a segunda geração do Dragon Slayer do fogo. Sei que estão felizes pelo nascimento da minha filha, mas você sabe que não será tão simples assim, principalmente quando o Conselho ficar sabendo .
— "... minha filha..." — Essas palavras ecoaram na cabeça de Gildarts, que sorriu um pouco satisfeito, gostou do que ouviu.
— Não vou permitir que eles metam o dedo na minha guilda. — Makarov se incomodou profundamente, sentindo um grande ódio crescer dentro de si, abaixando as sobrancelhas a ponto de escurecer seu olhar.
— Por isso não posso voltar...Temos que aproveitar cada dia, desses doze meses que nos deram — Concluiu em fim.
Makarov respirou fundo, piscou demoradamente, afim de se acalmar. Assentiu brevemente para Natsu, ele tinha razão.
— Quer que eu passe algum recado para Lucy? — Perguntou inocente, mas só pelo olhar que Natsu lhe lançou, já soube qual seria a resposta.
Vendo que não tinha mais nada para tratar como velho mestre Natsu logo se afastou, dando a entender que encerrava por ali.
Mesmo sabendo sobre os problemas que Natsu estava enfrentando, Makarov não podia evitar de sentir uma tristeza latente em seu coração, ao ver o mago do fogo tão indiferente.
— Bom, essa foi uma ótima notícia mestre.. começamos muito bem o dia! — Gildarts coçava a nuca e sorria bobo ao imaginar a filhinha de Natsu. — Dentro de pouco meses voltaremos, até lá cuide de todos. — Falou ao mestre que brevemente lhe acenou, desativando a Lácrima.
A imagem do mestre desapareceu da esfera mágica, após guarda-la Gildarts pegou a mochila e entregou para Natsu, que a colocou rapidamente nos ombros, começaram então uma caminhada silenciosa rumo a saída da cidade.
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— Pode entrar. — Liberou a médica de Fairy Tail, vendo Makarov na porta. Logo notando que algo não estava bem.
O baixinho entrou em passos lentos, já avistando Lucy sentada na cama, com os pés apoiados no chão, mesmo de costas para si, pode ver que a loira estava radiante, vestia um lindo vestido rosa claro, de alcinha branca toda trabalhada em renda, pelo horário os raios sol se adentravam pela grande janela e se colidiam com os fios dourados da maga, ela sentiu sua presença e se virou para ele, sorrindo graciosamente.
Porlyusica sentiu que era hora de deixa-los a sós, e sutilmente se retirou. Makarov notou a saída da velha amiga ao ouvir a porta atrás de si se fechar. Respirou fundo, tentando encontrar no ar um pouco de força e coragem.
— E Nashi? Como nossa maguinha está? — Perguntou enquanto se aproximava do berço.
— Está ótima. — Respondeu plenamente, olhando então para o bercinho que estava bem a sua frente. — Ela dorme bastante. — Falou, achando graça da boquinha entre aberta que a pequerrucha deixava ao cair no sono.
Nesse momento Makarov se aproximou mais, e pode também observar aquela princesinha linda descansando inocentemente em seu berço.
— Não precisa se preocupar com o que vai me dizer mestre... Em nenhum momento acreditei que ele voltaria para conhecer sua filha. — O mesmo a fitou um pouco assustado. — Sei que o senhor estava falando com Natsu.. — Olhou para seu mestre, lhe entregando um sorriso sutil e frágil.
— Sabe? — Perguntou surpreso por Lucy saber que estava falando com Natsu.
— Hai... Toda vez que conversa com ele, o senhor fica com esse olhar triste e preocupado. Só Natsu o deixa assim. — Em seu olhar Makarov viu a exaustão, percebendo que Lucy o observou por todos esses meses.
— Você é muito observadora Lucy. — A maga sorriu, apenas para confortá-lo.
— Não é um simples treinamento né?!... O senhor está preocupado com o poder de Natsu. — Olhava para seu mestre, surpreendentemente calma. — Sei que tudo isso é devido ao seu enorme poder, Natsu mau sabe sobre seu passado, sobre sua descendência... Sei que esse foi o motivo de sua partida, está atrás de Zeref, único que parece realmente conhecer Natsu. — Era incômodo falar tudo isso em voz alta.
— Não me surpreendo, você melhor do que ninguém, conhece Natsu e sua força, e o quão isso pode ser problemático. — Sabia que cedo ou tarde teria essa conversa com Lucy, mas temia que ela o questionasse sobre algo mais.
— Tenho certeza que Erza e Gray também sabem, mas eles sempre me pouparam sobre esse assunto. — Sorriu agradecida, durante a gravidez realmente lhe era tortuoso, só de pensar em Natsu e Zeref.
— Depois de muito pensar decidimos manter tudo somente entre eu, Gildarts e Natsu, pela segurança de Fairy Tail. Mas eu sempre soube que vocês logo notariam que não era um treinamento. — De fato sabia que essa desculpa não ia durar por muito tempo.
— Também sei que tem algo mais nisso tudo... Não é só o Zeref. — Falou cansada, há meses havia chegado nessa conclusão. Makarov não pode conter o olhar surpreso. — Eu lembro das reuniões infindáveis que o senhor tinha com Natsu e Gildarts, ele sempre saía de sua sala raivoso e revoltado. — Falava em tom baixo, e com o olhar distante, como que se estivesse olhando para o passado. — Natsu mudou, desde os Jogos Mágicos ele não é mais o mesmo. Talvez o poder dele esteja incomodando mais alguém.. — Deixou o olhar distante de lado para olhar com firmeza para seu mestre, demostrando que tinha certeza no que falava.
— Lucy... — Falar com a loira sobre tal assunto o deixava vulnerável, a todos eles sempre conseguiu se esquivar e tirar de foco os verdadeiros motivos da partida de Natsu e Gildarts, mas, sob aquele olhar forte e ao mesmo tempo entristecido de Lucy, ele ficava totalmente exposto. Não imaginou que Lucy fosse tão longe assim em suas deduções. — Será melhor para você não se envolv...
— Eu sei.. não precisa dizer. — Colocou seu olhar sobre Nashi. — É uma jornada somente dele, e do Gildarts-san... não preciso saber de mais nada. — Terminou entristecida, tudo que sabia sobre Natsu era apenas a ponta do iceberg.
— Esse Natsu de agora, tão distante e indiferente vai desaparecer Lucy, assim que ele conseguir descobrir mais sobre si mesmo tudo vai melhorar. — Tentava ter fé no que ele mesmo dizia.
— Mas Mestre...- O chamou em tom mais baixo ainda, voltou seu olhar para o mais velho, um olhar tomado pelo medo. — E se esse Natsu de agora for o Natsu verdadeiro?
Makarov estremeceu... não soube o que responder. Lucy viu então que esse também era o medo de seu mestre.
— Luxyy? Está tudo bem? — Era Happy, os tirando daquele momento melancólico e até mesmo sombrio.
— Hai... Está tudo bem sim, Happy. — Disse, tentando disfarçar a dor que sentia naquele momento. Mas Happy sentiu, viu o olhar entristecido de Makarov, e sabia que Lucy estava tentando ser forte... abaixou as orelhinhas e logo se entristeceu também.
— Mestre? — O azulado o chamou. — Natsu não vai vir né?
— Não, Happy. — Se entristeceu mais ainda ao ver o semblante decepcionado do gatinho alado.
— Não tem problema né Luxy?!... Não tem problema Natsu não voltar né?!.. — Perguntou angustiado, temendo que Lucy desistisse de Natsu... O azulado como seu fiel companheiro sabia de tudo, mas como dito Happy era fiel, mesmo amando Lucy e vendo sua dor ele não poderia quebrar o elo de confiança entre o Dragon Slayer e o Exceeld.
— Vai ficar tudo bem Happy... — Dessa vez não conseguiu disfarçar bem, as voz saiu triste e desanimada, ver Happy naquelas condições a enfraqueceu.
Nashi resmungou, fazendo Lucy a olhar e ver que a pequena despertava de seu sono. A maga se levantou devagar, apenas o suficiente para alcançar o berço, e cuidadosamente pegar seu bebê, ainda se sentia insegura com tais movimentos, mas vendo a pequena formar um bico dengoso e não tendo o auxilio de Porlyusica, ela não teve outra opção. Mas ficou satisfeita, ao ver que não era tão difícil assim pegar a pequena. Sentou-se novamente com a filha nos braços...sentiu aquele calor aconchegante lhe abraçar, fazendo seu coração bater mais calmo. Olhou para Happy novamente, com um olhar carinhoso cheio de brilho.
— Vai ficar tudo bem! — Falou mais firme. — Agora venha, que Nashi está sentindo sua falta. — Happy levantou as orelhinhas e sorriu mais confortado, voando para a cama, pousando ao lado da loira e fitando Nashi.... Era mais um que se perdia apaixonado ao olhar para a pequena.
— Mestre? — Chamou o mais velho, que os observava.
— Sim Happy. – Respondeu amoroso.
— Avisa o Natsu que eu estou cuidando muito bem da Luxy e da Naxxy. — Sorriu vitorioso, fazendo Makarov sorrir também.
Talvez fosse pelos raios do sol que atravessavam a janela, talvez fosse sua imaginação, mas parecia que aquela dupla de amigos reluziam aos seus olhos. Mas uma vez seus sentidos lhe avisavam que ali, na sua frente estavam a salvação de Natsu.
— Ok, eu aviso. — Respondeu enfim.
[...]
— E como está se sentindo? — Perguntou gentilmente olhando de soslaio para o mais novo pai. Enquanto caminhavam em um trilha deserta na última colina pertencente a Hargeon, os campos de mata baixa em sua volta lhe dava ampla visão sobre a região. Respirava calmamente tentando tragar aquele cheiro agradável que as ameixeiras exalavam.
— Com o quê? — Estava distraído, olhando desinteressado para a vegetação que o rodeava.
— Saber que longe daqui, tem uma pessoinha de sorriso banguela e olhar inocente nos braços de Lucy, e que ela existe graças a você e a loirinha. Ela saiu de vocês dois, uma perfeita mistura... dos dois. Isso não mexe com você? — Saiu em tom nostálgico, sem perceber se recordava de quando Canna nasceu.
— Não sei, parece não ser real. — Evitava olhar para Gildarts, sabia que o mais velho esperava algo mais dele.
— Mas é real Natsu, e quando olhar pra ela pela primeira vez o seu mundo vai girar de cabeça para baixo, você vai ver. — Sorriu, afinal, já passará por isso.
Natsu não disse mais nada, bufou e revirou os olhos desacreditando no que ouvia. Gildarts não se importou com as poucas palavras de Natsu, estava feliz pela notícia do nascimento da bebê e nada lhe tiraria seu bom humor.
Após caminharem mais um pouco, passando pela fronteira entre Hargeon e Oníbus Town avistaram duas pessoas encapuzadas vindo rumo a eles. Gildarts ficou em alerta estreitando os olhos para tentar descobrir de quem se tratavam, mas Natsu sorriu de canto soltando o ar, conhecia bem o cheiro deles.
— É Jellal e Meredy. – Avisou antecipadamente.
Gildarts se surpreendeu, mas logo soltou um sorriso irônico, estavam próximo de Magnólia, não deveria se surpreender com tais encontros, considerando que já haviam se encontrado com os irmão Elfman e Lissana. Mas, conhecendo o mago azulado, sabia que não seria um encontro casual e que muito provavelmente Jellal já estava os procurando.
— Natsu... Gildarts, há quanto tempo! – Jellal cumprimentou calmo e cortês como sempre.
— O hayou! – Meredy se curvou sutilmente, sendo rapidamente e descaradamente recebida com um beijo ousado de Gildarts nas costas de uma de suas mãos, deixando-a sem jeito e ruborizada.
— Por que me parece que isso não é uma coincidência? – Natsu dispensou os cumprimentos, a voz rouca saiu em tom sério. O irritava imaginar que Jellal pudesse estar se intrometendo em seus assuntos, pois coincidência em encontrá-los logo ali não era.
Jellal olhou firme para Natsu, conseguiu disfarçar uma tristeza ao vê-lo tão distante e frio.
— Realmente não foi uma coincidência.. estávamos indo passar algumas informações para Makarov. Mas, a tempestade de ontem atrasou nossa viagem, nos abrigamos em uma pousada pequena na entrada de Oníbus Town e lá ficamos sabendo que o Salamander estaria em Hargeon.
— Não saímos dessa região nos últimos meses, a gravidez de Lucy deixou Fairy Tail em alerta, decidimos ficar por perto para dar apoio. Mas demos uma pequena ia a cidade vizinha para verificarmos uma informação. — Completou Meredy, vendo que Natsu parecia bastante incomodado com aquela conversa.
— Agradecemos o apoio, certamente Lucy ficará muito grata também. — Agradeceu Gildarts, sabendo que de Natsu nada viria, Meredy assentiu em positivo, aceitando o agradecimento.
— E por que o interesse em saber minha localização? — Parecia ainda mais irritado e impaciente. Mas Jellal não se afetou pelo tom usado por seu amigo, o olhou com firmeza.
— Makarov até tentou manter tudo o mais discreto possível. Mas muitos já desconfiam que vocês estão atrás de Zeref. — Falou calmamente, ignorando inicialmente a pergunta de Natsu. — Quando encontramos Minerva nos restos do que um dia foi uma guilda das trevas, ela olhou nos meus olhos e disse que Zeref tem grande interesse por você, Natsu. Logo tive certeza que vocês estão envolvidos em algo muito maior, e muito mais perigoso.
— Makarov que quis manter todo em sigilo, não me importo se vocês sabem ou não, desde que não se metam. Isso é assunto meu. E você não me respondeu, porque veio até mim? — Falou ríspido, impaciente por Jellal ser tão calmo em suas palavras.
— Mas eu sei sobre as ameaças do Conselho. — Olhou firme para Natsu, vendo o rosado finalmente expressar algum sentimento naqueles olhos puxados.
Gildarts soltou um ar irônico. Estava de braços cruzados e com um semblante sereno, disfarçava muito bem a surpresa que teve ao ouvir as palavras de Jellal. Por essa, nem mesmo ele espera.
— Quero te ajudar Natsu. Descobrimos o paradeiro de Minerva, estávamos indo passar a informação para Makarov, mas já que vocês estavam por aqui resolvemos te informar em primeira mão. — Deu uma pausa, Natsu parecia finalmente interessado naquela conversa.
— Minerva?! — Pareceu decepcionado ao ouvir esse nome, não era exatamente ela que eles pretendiam procurar.
— Sei que você procura por Zeref, pois ele sabe mais sobre você, do que você próprio. Mas encontrando Minerva você poderá descobrir muito mais. E Zeref não espera que vocês encontrem Tartaros, ele aparece quando quer Natsu, e te desvia da rota certa. Seguindo Minerva e encontrando Tartaros será muito provável que vocês o peguem com a guarda baixa. As respostas que procura está em Tartaros. — Concluiu convicto, sabia que essa seria a melhor abordagem.
— Jellal tem toda razão Natsu. — Gildarts estava surpreso, não esperava se animar tanto nessa conversa.
— Mas porquê Zeref estaria em Tartaros? Pelo que sei ele nunca se envolveu diretamente com as guildas das trevas. — Questionou pensativo, tentando descobrir se o plano de Jellal realmente lhe seria viável.
— Por conta do demônio que eles estão tentando despertar... END. Pesquisamos nos livros de magia banida do Conselho, tal ritual só é possível ser realizado tendo o “criador” por perto, pois somente ele conhece por completo o ritual, no qual leva meses para se completar.
— As vezes em que ele perambulou por Fiore, foram os raros momentos em que ele pode deixar o ritual aos cuidados de Tartaros. — Completou Meredy.
— Então onde encontramos Minerva? — Jellal conseguiu o convencer. Zeref havia mencionado para ele sobre os planos de Tartaros em tentar despertar tal demônio, mas não imaginou, tão pouco desconfiou, que ele estivesse diretamente envolvido nisso.
— Corre uns boatos quase confiáveis de que uma maga semelhante a Minerva sempre é vista pela cidade de Oshibana em busca de capangas, os recrutados desaparecem com ela, e nunca mais são vistos. – Jellal estava satisfeito, pois de alguma forma estava ajudando a dupla.
— Interessante, estivemos nas redondezas de Oshibana há uns meses, mas tomamos conhecimento sobre o possível paradeiro de Zeref em Freezia, então seguimos para lá, o que foi uma grande perca de tempo. – Gildarts comentou, descobrindo ali, que realmente Zeref os tirava do caminho correto .
— De fato era tudo manobras de Zeref para os tirarem da trilha que os levaria até Tartaros. – Completou Meredy.
— Agradecemos imensamente pelo apoio Jellal, e Meredy. — Agradeceu Gildarst, brevemente se reverenciando. — Sentiu-se animado por finalmente estarem com uma informação quente em mãos.
— Sobre o Conselho...— Saberem sobre Zeref, e sobre o falso treinamento não o incomodava, era óbvio que cedo ou tarde todos descobririam, mas Jellal estar a par sobre os planos do Conselho, o deixou perturbado, quanto menos pessoas soubessem, melhor seria.
— Não se preocupe. Seus amigos desconfiam sobre Zeref, mas não sabem sobre isso. E se depender de mim e de Meredy, não ficaram sabendo. — Olhou nos olhos de Natsu, lhe passando confiança em suas palavras. Meredy assentiu em concordância.
Natsu aceitou as palavras do mago, assentindo a cabeça levemente, como um ato silencioso de agradecimento.
— Bom, agora andaremos com mais energia, já que sabemos para onde devemos ir. — Gildarts estava visivelmente mais animado, retirou um mapa do bolso de seu sobre-tudo o abrindo, para calcular a distância que teriam que percorrer.
Jellal observou a dupla, sua decisão de encontrá-los e passar a informação em primeira mão deixaria o mestre bastante irritado. Mas sorriu satisfeito, fez o que deveria ter feito. Gostaria de acompanhar-los e dar reforço mas ele sabia que o rosado não permitiria de forma alguma que ele e Meredy os acompanhassem. Era uma missão dos dois. Assim como a missão dele e de Meredy em se redimirem por seus pecados.
Saindo de seus devaneios e vendo Natsu na sua frente, lembrou-se de certo alguém.
— E Lucy? – Perguntou calmamente, roubando a atenção da dupla, principalmente de Natsu que olhou surpreso para ele. – Acredito que seu filho esteja prestes a nascer.
— Filha... — Jellal se surpreendeu e pareceu não entender. — Nasceu nessa madrugada. – Natsu respondeu, ainda lhe restava pequenos vestígios de educação dentro de si, estava grato pela ajuda de Jellal, nada mais justo seria em respondê-lo.
Jellal se alegrou, receber a notícia da chegada de uma nova vida sempre seria motivo de alegria. — Que bela surpresa Natsu. Você é pai de uma garotinha! — Falou emocionado. Desejava um dia também ser contemplado com tal dádiva. Mas, o brilho em seu olhar se esvaiu ao notar a frieza de Natsu.
— Volte para casa Natsu-san, fique com Lucy e seu neném. – Meredy era tão observadora quanto Jellal, ela também notou a atitude fria de Natsu e isso a incomodou profundamente. – Não importa o quanto o Conselho se envolva, nem o que Zeref e Tartaros estejam planejando, eu sei que vocês e Fairy Tail enfrentarão e saíram vitoriosos, agora o seu melhor remédio é sua filha. — Saiu em tom de conselho.
Jellal ficou surpreso, Meredy nunca foi de falar muito, e se ela falou é porque realmente ficou incomodada. Natsu ouviu as palavras da rosada, pareceu por algum momento refletir sobre, mas logo voltou ao olhar indiferente e frio.
— Agradeço a ajuda, Jellal e Meredy... Se não tem mais informações vamos seguir. – Se despediu passando por eles seguindo seu caminho, pondo fim naquele assunto.
— Arigatou!! Vocês foram de grande ajuda, sem dúvidas conseguiremos rastrear Minerva com o olfato de Natsu. Então tenham uma boa jornada. – Gildarts agradeceu aos amigos, recebendo de voltar olhares amistosos e leves acenos de despedida.
Assim ambas as duplas seguiram seus caminhos, em rumos opostos.
— De fato Erza estava com razão, algo muito maior está acontecendo, e envolve Natsu e Zeref. Quanto antes eles se encontrarem, melhor. – Comentou preocupado. Meredy olhou para o amigo e com um semblante triste concordou com ele.
— Estou com mau pressentimento! – Falou angustiada.
...
No silêncio da caminhada, um nome ecoou em sua mente.
— “Nashi... Dragneel.” — Sorriu de canto. Tão logo chacoalhando a cabeça e dispersando esse nome.
Quanto mais você se importa, mais você tem a perder.
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