Fogo Inalcançável

29 29º Capítulo - Seu sorriso, um incentivo para ser mais forte.


Notas iniciais
Oi leitores-san... Me perdoem!!! Atrasei horrorosamente na postagem... Não gosto de lamurias, e de nada vai me adiantar ficar aqui choramingando né?! ^^ Só peço mil desculpas pelo atraso... de coração T,T *** Nota: Título extraído de uma frase de autoria da leitora-san AnnyeYt ^^ Obrigada migles, essa frase se encaixou perfeitamente no capítulo de hoje *** Já peço desculpas também pelos prováveis erros... E boa leitura!!

A porta foi derrubada violentamente, uma parte do madeiro pesado voou para a direita e a outra se estilhaçou a esquerda. E por aquela moldura, agora estava um dragão perigosamente irritado, a respiração forte e o olhar severo pairava sobre aquela guilda, tão altivo e rígido que parecia emanar uma aura de respeito solene.

O saguão.... O mesmo fúnebre e desabitado saguão que Natsu e Gildarts invadiram a meses atrás. Natsu chutara a imensa porta da guilda de Tartaros... Não foi nada difícil para o Dragon Slayer do fogo farejar o cheiro de sua herdeira, e tão obvio que foi a nada surpresa deles ao saberem que aqueles demônios ousaram levar sua pequena Nashi para aquele ninho de bichos asquerosos e medonhos.

Lucy e Happy surgiram atrás de Natsu, o olhar da loira atento observando cada milimetro daquele lugar, a procura de sua filha. Ela respirava descompassadamente, mas mantinha a postura firme, os punhos fechados e parecendo tomar um pouco do poder de seu mago, pois sentia seu sangue ferver. Levaram dois dias para chegarem naquele lugar, dois dias a fio correndo entre as montanhas e atravessando vastos desertos para buscarem sua amada filha.

Sequer se deram ao trabalho de esperarem seus amigos, ou ordens dos mestre... Não era uma missão de Fairy Tail, não era ali o Time Natsu... Se tratava agora do poderoso Salamander e sua Maga Celestial entrando naquele lugar para pegarem sua herdeira. Naquele instante Tartaros não havia mexido com a guilda, não provocaram os magos mais poderosos da guilda mais poderosa... E sim ousaram colocar a mão no ninho de um Dragão, cometeram o mortal erro de tirar uma chave preciosa da Maga Celestial mais poderosa. Agora teriam que arcar com as consequências.

— Você vai ficar bem sozinha? — Perguntou sério, sabendo que agora o melhor a fazerem era se separar... Mandaria Lucy para o exato lugar onde estava Nashi e ele... acertaria as contas com Mard Gree.

— Não estou sozinha... tenho meus amigos do Mundo Celestial. — Respondeu igualmente séria. Tirando de Natsu um sorriso satisfeito.

— Ok... Pegue aquele corredor no fim do salão, ele é extenso, tenha atenção e siga até o final é lá que esta nossa filha... Happy, vá com a Lucy!

— Aye... — Acatou a ordem de seu amigo, tão focado e obstinado quanto o casal.

Só então finalmente pararam de vasculhar aquele lugar com os olhos e se encararam, uma breve troca de olhares antes de correram para cantos opostos sem nada mais a dizer. O único e crucial objetivo naquele momento era salvar Nashi.

[…]



— Aquele cabeça de fosforo.... Vai ser suicídio ele e Lucy sozinhos naquele lugar. — Gajeel resmungava, tão preocupado quanto irritado.

— Não o culpe Gajeel.. como você reagiria se lhe tirassem seu filho? — Questionou Erza, enquanto caminhavam atentos numa trilha densa e traiçoeira da floresta que contornava Tartaros.

— Natsu na realidade me surpreendeu. — Jellal comentou logo atrás, caminhavam em fila indiana pois a trilha era estreita e enrosqueada por galhos espinhosos e cipós envelhecidos das arvores mais velhas ainda. Erza sentiu seu coração palpitar só de ouvir a voz de Jellal, mas conteve os sentimentos para manter-se atenta.

— Como assim? — O questionou.

— A forma com que ele se comportou, não o via daquela forma há tempos... Me pareceu que finalmente ele está conseguindo conter aquilo que existe dentro dele. Mas... se algo acontecer a Nashi ou Lucy... — Falou pensativo, lembando-se da batalha que compartilhou com Natsu há duas noites.

— “Aquilo”? Do que está se referindo Jellal? — Questionou Erza.

— Não se preocupe com isso agora Erza, só temos que chegar em Tartaros o quanto antes e torcer para que o plano de Mard Gree não se conclua.

— E qual plano seria esse? — Gajeel perguntou, mesmo caminhando um pouco mais a frente ainda assim se atentava na conversa.

— Usar Nashi como estopim, afim de fazer Natsu se perder de vez diante do seu próprio poder.

— Melhor pararmos de papiar e apressarmos os passos. — Gray deu um jeito de ultrapassar o casal a frente, alcançando Gajeel. — Tem certeza que é por aqui? — Não estava no clima de conversar, mesmo que o assunto fosse sobre Natsu e Nashi, a única coisa que queria naquele momento era chegar naquela maldita guilda logo e ajudar seus amigos.

— Tenho que admitir que o faro do rosadinho é bem mais potente que o meu.. mas está nítido que ele e a loirinha passaram por aqui. — O respondeu seriamente, mantendo-se atendo ao caminho a frente, pisoteando os galhos espinhosos e se desvencilhando do mato molhado pelo sereno da madrugada.

— Não se esqueçam que conheço bem esse lugar crianças. — Gildarts falou, o mago mais velho caminhava bem mais a frente do grupo, tão revolto em suas angustias quanto Gray.

O grupo, composto por Erza, Gray, Jellal, Gajeel e Gildarts foram escalados por Makarov para irem ao encontro de Natsu e Lucy e lhes darem apoio no resgate de Nashi. Caminhavam pela ultima floresta e finalmente estavam a poucos passos de alcançarem a tão renegada guilda das trevas.



[…] Dois dias atrás.



Uma dor aguda dilacerava seu peito, os braços vazios sem sentir o peso e o calor da sua pequena era a pura tortura, as pernas fracas dobradas desleixadamente conforme caiu ao chão diante do desespero ao se ver sem sua filha. Não tinha forças para sequer falar... mas com muito custo conseguiu soltar umas poucas palavras diante do convite inesperado do mago do fogo.

— O-onde? Onde vamos? — Perguntou engasgada, deixando a voz sair entre falhas e soluços.

— Vamos pegar nossa filha de volta. — Falou destemido.

Lucy olhou com intensidade para os olhos já tão intensos do mago, o castanho de seus belos olhos estavam opacos e tomados por lágrimas... Encarava aturdida Natsu lhe estendendo a mão, vez e outra tudo se embaçava e custava para sua mente compreender se aquilo era um sonho, miragem... ou se era tudo real.

Não sentia o calor tão reconfortante de sua filha, mas sentia o calor dele... Olhando para Natsu ela viu que não estava sozinha, que não sofria sozinha... Nashi era sua filha, mas também era filha dele... Ambos falharam naquela noite e ambos não a protegeram, mas Natsu, diferente dela já estava de pé e disposto a buscar sua pequena.

A guilda circundava o casal e pasmos observavam a maga arrasada sem forças ao chão e Natsu a sua frente. Era nítido que Lucy mal tinha forças para manter os olhos voltado para o mago, ela tremia e estava em choque. Mas, qual foi a surpresa de todos quando está levantou seu braço colocando sua delicada e alva mão sobre a mão estendida de Natsu.

Assim que sentiu o toque da loira ele a apertou, com pouco custo a puxou para cima fazendo ela se levantar, cambaleante e fraca, sentia a maga tremer, e mesmo com seu calor a mão pequena e leve dela estava fria. Com a outra mão ela tentava secar as lágrimas grossas e insistentes que caiam... Natsu esperou, esperou ela se recompor. Enquanto isso não ousou soltar sua mão, dados alguns segundos ela finalmente conseguiu secar o rosto e conter as lagrimas, levantando seu belo rosto e o encarando.

— Pronta? — Perguntou sério.

— Hm.. — Respondeu com um fraco som saído de sua garganta.

— Happy!! — Chamou o pequeno azulado, que assim como Lucy, também tentava se recompor. — Vamos!!

— Aye. — Se armou com suas belas e enormes asas brancas.

E antes que qualquer um ali presente pudesse perceber, antes que qualquer um pudesse evitar Natsu pegou Lucy nos braços, o calor aumentou insuportavelmente e de seus pés nasceram chamas tão intensas quanto vermelhas os lançando para cima, deixando para trás apenas um rastro de fogo no céu escuro. Happy os acompanhou tão ágil quanto.

Lucy agarrou-se no pescoço de Natsu e escondeu seu rosto, sentia um incomodo frio na barriga por saber que estavam “voando” em tal altitude. O mago fizera tal manobra para fugir das ordens do mestre, não tinham tempo para tal... menos ainda para esperar formar um grupo de resgate.

Quando o impulso já se esgotava e começavam a perder altitude Happy enlaçou suas patinhas no colarinho do mago, fazendo assim eles pousarem suavemente numa montanha já fora das terras de Magnólia, e assim que puseram os pés no chão eles correram, correram por dois dias... Paravam apenas para tomar fôlego e recompor a energia. Porém, em uma dessas paradas, próximos a um córrego translucido e belo que cortava aquela floresta Lucy não conteve o desespero, chorou angustiada, envolvendo seus braços em torno de si própria tentando conter toda aquela aflição.

Natsu se aproximou, os olhos puxados transbordavam preocupação e tristeza. Além da fúria e angustia por ter sua filha em posse daqueles malditos demônios, tinha que lidar com o sentimento de impossibilidade que lhe abatia ao ver o sofrimento da sua maga. Happy também observava angustiado a dor de sua amiga.

— E se ela estiver com fome?! — Fungou.. — Com medo??.. Já faz mais de um dia e uma noite que estão com ela Natsu...eles não vão alimentá-la... ele a queria morta... — A voz saia embargada e o ar faltava em seu corpo, pois a dor e o desespero ocupavam todo espaço. Natsu se aproximou mais, cuidadosamente aproximou sua mão na face dela e secou suas lágrimas.

— É da nossa filha que você está falando... ela está nos esperando. Ela vai aguentar firme Lucy. — A loira se apoiou no toque quente da mão do mago em seu rosto, respirou fundo e assentiu brevemente, deixando escapar de seus lábios um sorriso curto, não escondendo a dor, mas também revelando a força que começava a brotar dentro de si.

Enfim voltaram a peregrinar por aquelas montanhas, vez e outra Natsu segurava sua mão e a ajudava a passar por algum obstaculo. Happy os carregava quando o caminho era cortado por violentos rios ou valas com enormes ribanceiras. E quando viram, finalmente haviam chegado naquele inóspito lugar, para Natsu nada era novidade, mas Lucy não conteve o olhar desgostoso ao imaginar que sua preciosidade estava naquele lugar.

Enquanto se aproximavam da entrada da guilda, atentos para qualquer surpresa Lucy se enchia de fúria. O medo e angustia que a domou naqueles dois dias deram lugar para a revolta e coragem, sentindo-se agora como uma leoa que teve seu filhote tirado de si.

[…]



— Faça essa criança se calar!!! — Vociferou Jackal, irritado com aquele choro insistente e incomodo que tomava o local.

— Quer que eu faça o quê?! Acha que sei o que fazer só porque sou mulher? — Kyôka se mantinha ao lado do demônio loiro, de braços cruzados e olhando com certo nojo para a criança a frente.

— Não sei... só estou falando para fazer ela se calar...

— Merda!! faça você. — Disse impaciente, pouco se importando com o sofrimento daquele pequeno ser inocente e indefeso.

Estavam em um dos muitos cômodos sombrios e úmidos daquela guilda, parecia como um enorme quarto de um castelo medieval, porém sem adornos, sem uma enorme e confortável cama...sem nada. Era apenas um comodo grande com janelas com grades de ferro. Nashi foi posta no chão frio e duro, alguém; sabe-se lá quem, arrumara um pano velho e sujo para acomodá-la sobre.

A pequena chorava incansavelmente, se esgoelava com saudades de sua mãe... querendo sentir o abraço quente de seu pai protetor ou os braços gelados do seu tio coruja. A pequena não via os rostos com traços delicados de suas titias babonas, nem o enrugado de sua avó Porlyusica ou do seu vovô baixinho...Happy não aparecia para brincar consigo, sentia fome e seu corpinho doía.... chorava pois chamava por sua mamãe, não entendia o que estava acontecendo ou onde estava. Só sabia que enquanto não estivesse nos braços de sua mãe ela não pararia de chorar.

Os dois demônios estavam impaciente, sob ordens do mestre tinham que ficar de olho nela, mas, se tivessem que ficar mais um minuto aturando aquele choro seriam capazes de dar um fim no sofrimento dela. Minerva então entrou no comodo, com seu semblante arrogante e desinteressado, aproximou-se de seus colegas e observou a pequena. Suspirou cansada e se prontificou a ajudar seus companheiros.

— Eu fico de olho nela.. podem ir. — Disse séria.

— Boa sorte!! — Jackal nem pestanejou, de imediato saiu porta a fora, sentindo-se pleno por ser liberto daquela tarefa.

— Você quem sabe... — Kyôka saiu logo atrás.

A enorme porta de madeira envelhecida fechou-se atrás de si, finalmente ficando a sós com Nashi. Minerva parecia olhar com indiferença para a pequena, como que se aquela pessoinha sofrida a sua frente fosse um nada... Mas era apenas uma mascara.

— Calma calma... — Se aproximou, ajoelhando-se ao lado dela. Tirou escondido em suas vestes uma frasquinho transparente com um líquido branco, tirou a tampa e molhou o dedo indicador logo em seguida o colocando na boquinha da pequena que sugou exasperada, tirando de Minerva um sorriso satisfeito, tratou então de molhar seu dedo por diversas vezes até conseguir saciar um pouco a necessidade daquela bebezinha.

Fora ela que arranjou um pano sujo e velho, porém confortável e quentinho para colocar a pequena. Conseguiu com algum custo cuidar dela naqueles dois dias. Era má, havia se transformado em um demônio, mas quem na face dessa vasta terra teria coragem de jogar um bebê inofensivo ao chão puro de uma jaula e deixa-la a própria sorte?

Foi Sailah que chegou na guilda; junto de seus companheiros, com Nashi em um dos braços, a segurava de mal jeito e a pequena parecia sofrer. A levaram para aquele comodo e acatando as ordens de Mard Gree a deixaram jogada no chão, não a alimentariam, pois era fruto de uma mistura indigna de uma sangue puro com uma humana. Ordenou apenas para que ficassem de olho nela para que nenhum desavisado ousasse invadir a guilda e resgatá-la. O que afinal era questão de tempo, pois sabiam que logo mais Natsu chegaria em uma visita. Mas enquanto isso o choro sofrido de Nashi foi invadindo a mente de Minerva e fazendo seu coração tão duro e frio bater angustiado, olhava para aquele bebê e sua angustia só aumentava; o rostinho vermelho e sujo, o desespero... Quando viu estava correndo desesperada para a vila mais próxima a procura de leite. Algo dentro de si, talvez um instinto que restara de sua parte humana a impeliu em manter aquele pequeno ser humano vivo. Era a herdeira de Natsu? ... sim... Mard Gree dera ordens expressas para deixa-la a própria sorte? Sim...

Mas quem sabe Minerva então, fosse a “sorte” daquela bebê.

A porta foi aberta bruscamente, fazendo Minerva levantar-se rapidamente e esconder o frasquinho de leite.

— Vá para a retaguarda, eles chegaram. — Seilah avisou, entrando apressada e se aproximando de Nashi.

— E o que vão fazer com ela? — Tentou não demonstrar preocupação.

— Já que ainda está viva vamos usa-la a nosso favor... — Sorriu maléfica.

Minerva se angustiou em deixar a pequena sozinha com Seilah, mas teria que acatar suas ordens ou as consequências poderiam sobrar até mesmo para a bebê. Então passou pela veterana e seguiu porta a fora, não antes de lançar um ultimo olhar para Nashi, afligindo-se por deixa-la para trás.

Seilah pegou Nashi nos braços, de mal jeito e pouco se preocupando em proteger o corpinho frágil da pequena.



[ ]



Natsu enfim surgiu por uma das muitas entradas daquele saguão imenso, era o saguão secundário, onde havia uma espécie de mezanino no centro... O mesmo saguão onde Natsu encontrou Silver pela primeira vez. E parecendo viver um deja'vu, não foi surpresa ao se deparar com o estranho mago novamente.

— Onde está aquele lixo que chamam de mestre? — A voz ríspida e ameaçadora ressoou por todo o saguão.

— Calma meu caro Natsu? Porque tanta presa? — Perguntou despreocupado.

— Não brinque comigo Silver.. hoje não estou tão controlado assim... — Falou entre dentes, sedento para punir aqueles que ousaram tocar em sua cria.

— E isso me deixa radiante.. — Sorriu convencido, estavam distantes um do outro, mas ainda assim conseguia visualizar perfeitamente os olhos enfurecidos de Natsu. — Mas me surpreende procurar por Mard Gree e não por sua filha.

— Lucy foi busca-la.

— Hmm... — Formou um olhar falsamente impressionado. — Me impressiona a confiança que tem por aquele loirinha.

Natsu sorriu de canto. — É melhor não subestima-la.

— Pois bem... não cometerei esse erro. Mas me diga o que posso te ajudar? — Era cínico e arrogante, Natsu trincou os dentes diante dele...

— Em nada... — Falou, antes de levantar o braço com o punho fechado em direção ao homem, que ficou observando em confusão. — Dessa vez não vou perder meu tempo com você!!

— E como pretende fazer isso? Já que não estou disposto a deixa-lo passar daqui?! — Foi se aproximando vagarosamente de Natsu... — Vai me dizer que ficou mais forte nesses últimos dois dias?

— Mais forte não... — Sorriu em desdem... Natsu cerrou os punhos e os uniu num soco forte, gerando naquele contato de sua mãos uma onda de calor. — Mais irritado!!! — Injetou um olhar escuro para Silver, que não conteve um arrepio na espinha por ser posto diante daqueles olhos.



[ ]



Lucy corria pelo extenso corredor, o salto de sua bota preta ressoava a cada passo apressado, ela olhava para cada porta que surgia por aquele corredor escuro e Happy a acompanhava logo atrás, atento para qualquer surpresa que pudesse surgir.

Chegando ao fim daquele corredor, Lucy calculou que haviam chegado no centro daquela estranha construção. Ela diminuiu os passos ao notou que o ar começava a ficar mais gélido e denso e a iluminação cada vez mais escassa. Observou atentamente e de fato estavam bem no núcleo da guilda, pois ali era uma espécie de jardim de inverno, imenso e esquecido, pois as plantas estavam secas e mortas, as árvores ornamentais completamente tomadas por pragas e cipós... Havia uma fonte enorme ao centro, desativa e tomado por lodo e sujeira. O enorme jardim era circundado pela guilda, havia sacadas e janelas voltados para aquele lugar.

Lucy e Happy foram avançando cuidadosamente.

— Tome cuidado Happy... podemos ser vistos facilmente daqui. — Alertou seu amiguinho, olhando atenta para as inúmeras sacadas que haviam sobre si.

— Aye... — Respondeu baixinho, sentindo-se acoado por estarem passando por um local tão aberto e escuro.

Pisavam com cuidado no piso úmido e cheio de mato, atravessariam aquele mórbido jardim e continuariam a explorar aquela guilda em busca de Nashi. Mas, quando estavam bem no centro daquele lugar Lucy sentiu uma presença e escutou algo que a fez se virar para trás.

Arfou e seus olhos se arregalaram ao ver Nashi nos braços de uma mulher pálida e com chifres.

— Nashii.. — Falou angustiada, sentindo seu coração saltar dentro de si. Sua filha estava suja, com o rostinho molhado e vermelho. Os olhos atentos daquela jovem mãe logo notou que sua pequena aparentava estar febril e cansada.

Seilah bufou impaciente, não era para se trombar com aquela maga logo ali, seu dever era levar Nashi até Mard Gree o quanto antes.

— Devolve a minha filha!! — Gritou enfurecida, correndo em direção aquela estranha mulher, pegaria sua filha não importa o que custasse. Mas foi impedida, quando Kyôka surgiu bem na sua frente.

— Calma loirinha, onde pensa que vai? — Perguntou cinicamente.

Lucy olhou para aquela mulher, sentindo repulsa por ter que fitá-la.

— Vocês tiraram minha filha de mim... Vou pega-la de volta. — Falou convicta, injetando um olhar raivoso sobre Kyôka, que vacilou por um instante. — Taurus. — Apenas chamou, fazendo o enorme espírito surgir ao lado da mulher, que mal teve tempo de se desviar do potente golpe de machado que o estranho humanoide lhe desferiu, a fazendo voar para longe de Lucy. Seilah, que segurava Nashi com apenas um braço fez menção em dar algum golpe, mas a mão de um homem a impediu.

— Onegai. Devolva a filha da minha dona. Ou irá se arrepender.

— Quem é você? — Perguntou irritada e aturdida diante da Luz que aquele homem emanava.

— Sou o Líder do Zodíaco, prazer. — Sorriu charmoso, antes de formar uma expressão de desgosto e levantar um punho tomado por uma luz ofuscante e lhe desferindo um golpe certeiro na face, no mesmo instante que acertou o punho na face da mulher ele tirou Nashi habilmente dos braços dela, antes que a mesma voasse para longe.

A injúria de Lucy era a injúria deles, Leo e seus companheiros estavam irritados e inconformados por não terem sidos capazes de proteger Lucy e sua herdeira. Aquarius ficara furiosa ao saber do sequestro de Nashi, peitou Leo e se esquecendo da posição de líder do leão ela o ordenou que recuperasse Nashi ou todos sentiriam sua fúria. Mas, não precisava da ameaça de sua amiga sereia para tal, a revolta se tornou força e ansiou por dois dias até poder mostrar para aqueles demônios o verdadeiro poder de uma invocadora.

— Como assim? Dois espíritos de uma vez?! — Seilah indagou para si própria, ainda tentando se recompor do golpe certeiro que levou.

Leo levou Nashi até Lucy, a pequenina resmungava e choramingava cansada por finalmente ver sua mãe, esticou os bracinhos e formou um bico querendo ir logo para os braços da loira, que prontamente a pegou, os olhos se marejaram e Lucy tentava conter o choro de alívio por sentir o calor de sua filha novamente.

— Arigatou Leo.. Taurus... — Disse emocionada, aninhando Nashi em seu peito e acariciando o cabelinho bagunçado da pequena.

— Não precisa nos agradecer Lucy, se não fosse sua força não conseguiríamos recupera-la. — Falou sereno, admirando o reencontro das duas.

Happy voou por sobre os ombros de Lucy só para poder ver Nashi e suprir um pouco da saudade avassaladora que sentiu dela. Sorrindo choroso ao ver ela se aconchegar nos braços de Lucy.

— Acho melhor saírem daqui. — Taurus sugeriu, vendo que Kyoka começava a despertar.

— Hai... Vamos Happy. Leo, Taurus... Arigatou. — Sorriu para os amigos.

— Estamos a disposição. — O líder falou, antes de sumirem da vista de Lucy e Happy, que logo trataram de correr para longe dali, buscariam Natsu e tratariam de sair daquele lugar.

[ ]

O grupo de apoio de Fairy Tail finalmente se viram frente aquela estranha e enorme construção. Estavam na parte dos fundos da guilda, e analisavam como poderiam invadir sem serem vistos.

— Provavelmente Natsu, Lucy e Happy já tenham invadido. Por que precisamos ser tão cautelosos? Eles já esperam por um ataque, isso é óbvio. — Gajeel estava impaciente, se dependesse dele usaria o "Estilo Natsu" e entraria pela porta da frente derrubando tudo e todos. Mas Gildarts e Jellal foram contra, e insistiram em formar um plano de ataque.

— Por mais que esperem por uma invasão de nossa parte ainda assim é conveniente aproveitarmos uma brecha de descuido da parte deles Gajeel. Nada melhor do que um ataque surpresa. — Erza mostrou também ser a favor do plano de Jellal e Gildarts.

— E o que pretendem fazer? — Gray observava cada ponto daquele enorme muro de pedra e espinhos, procurando uma abertura, um lugar por onde pudessem passar.

Posso ajudá-los. — Uma voz não tão desconhecida chamou a atenção de todos, fazendo Erza fincar um olhar enfurecido sobre tal pessoa.

— Minerva?!!... — Falou raivosa, já invocando sua espada e pronta para atacar a mulher-demônio.

— Calma... Não estou aqui para lutar. — Falou desconcertada e incerta se era mesmo isso que deveria fazer. — Posso mostrar a vocês uma entrada secreta, poderão invadir sem serem notados.

— E por qual motivo deveríamos acreditar em você?! — Gildarts se aproximou, estufando o peito impacientemente, lembrando-se das diversas vezes em que Minerva atrapalhou seus planos.

A mulher olhou para os magos, os cincos a encaravam com repulsa e raiva, prontos para ataca-la. Mas ela apenas abaixou a cabeça e deixou os braços caírem ao lado de seu corpo, demostrando rendição e cansaço.

— Eles tiraram uma criança dos braços de uma mãe. A largaram num quarto sujo e frio esperando que ela morresse ou algo do tipo... Isso não se faz. — Se encolheu, sentindo a dor que carregava no coração, o sofrimento que passou nas mãos de seu pai ainda existiam dentro de si, e ver Nashi tão desprotegida fez tudo voltar à tona.

Erza e seus amigos baixaram a guarda, os olhares, antes raivosos e desconfiados foram trocados por um brilho de tristeza e compaixão. Pois assim eram os magos de Fairy Tail, repletos de perdão.



[ ]



O incomodo em estar caído sobre escombros daquilo que um dia foi o chão do saguão e o ardor na pele o fez despertar. Ao abrir os olhos enxergou com dificuldade o enorme teto da guilda.

— Merda!! — Falou, se levantando com dificuldade e colocando a mão no maxilar, afim de encaixar a mandíbula no lugar correto.

Se pondo de pé tratou de esticar o corpo e tentar se recompor, sentindo seu sangue sempre tão gelado ferver diante da humilhação de ser derrubado pelo Dragon Slayer do fogo tão facilmente.

— Não me diga que não foi capaz de segurar o mago do fogo?! — Perguntou em tom de sacarmos, se aproximando do mago das trevas e observando o estrago que Natsu havia causado.

— Não enche Tempester... Quem saiu desacordado de Magnólia foi você... e o cara parece estar três vezes mais forte. — Disse, antes de secar com as costas da mão o sangue que fazia um caminho por seu rígido rosto, desde sua testa ferida até seu queixo. — Estou começando a entender essa fixação de Mard Gree por ele.

— Ele não é pouca coisa meu caro. E mechemos com a filha dele... Ele deve estar bastante irritado. Muito mais do que no dia do ataque.

— Chega de papo furado seus inúteis... vamos atrás deles. — Kyôka surgiu apressada atravessando o saguão, com Seilah logo atrás. Ambas, não se dando ao trabalho de parar ou sequer de olharem para seus companheiros. A única coisa que queriam; principalmente Kyôka, era encontrar Lucy e Nashi e matá-las na frente do mago do fogo. Só assim sua fúria por ter levado um golpe imundo de machado poderia ser suprido.



[ ]



Com Nashi nos braços Lucy não poderia andar mais rápido do que já estava, mas ainda assim conseguiram avançar bastante e despistar Seilah e Kyôka. A intenção da loira era encontrar Natsu e saírem dali, levarem Nashi para algum lugar seguro, porém o lugar parecia um labirinto mórbido e sombrio, subiram e desceram grandes escadarias, percorreram longos corredores, as paredes grosas não lhe permitiam ouvir nada senão seus próprios passos. Mas Lucy se mantinha atenta, ter a filha nos braços era seu fôlego para procurar uma saída.

— Happy... — Avisou o amigo, parando de andar e olhando para trás. O gatinho se assustou, não com o chamado da amiga, mas também porque ouviu o barulho. Era alguém se aproximando.

— Venha Luxy... A puxou pela mão para um cômodo qualquer, para a sorte deles o lugar estava vazio. Happy fechou a porta e se encostou nela, Lucy olhou em sua volta, vendo que aquele lugar se tratava de uma biblioteca, seria um paraíso para a loira explorar se não fosse as circunstancias de estarem ali.

— Vem Happy, se afaste da porta. — Pediu em seu tom mais baixo, escondendo-se atrás de uma estante repleta por livros grossos e velhos, ficariam ali até seja lá quem fosse se afastasse. Porém, para o desalento deles a porta da biblioteca foi aberta vagarosamente, e os passos foram se aproximando cada vez mais.

Lucy se abaixou e apertou Nashi nos braços, estavam encurralados. Viajar por dois dias sem trégua e manter dois portões abertos sugou toda sua magia, estava fraca e não sabia se conseguiria proteger Happy e Nashi. Happy, por sua vez, se pôs frente a elas, disposto a protegê-las. Mas não escondendo o olhar apavorado só de imaginar quem poderia ser.

— Lucy.. Hapyy!!

— Natsu!! — Ambos falaram em uníssono, ao levantarem a cabeça e verem quê quem se aproximava era o Natsu.

— Vocês estão bem? — Perguntou, ajudando Lucy a se levantar.

— Sim... — Respondeu aliviada. Vendo Natsu pairar o olhar no pacotinho frágil que tinha em seus braços.

— Machucaram ela? — Indagou seriamente, não tirando os olhos da pequena e passando o dedo na face delicada dela.

— Está febril e cansada, deve ter passado horas chorando. Mas está bem. — O tranquilizou. — Mas precisamos sair daqui, por algum milagre a mantiveram viva, porém a intenção é se livrarem dela...

— Já andamos por toda parte, mas parece que a única saída é aquela por onde entramos. — Informou Happy...

— Isso não é bom... Não encontrei o lider deles e como recuperamos Nashi eles sabem que o nosso próximo passo será tentarmos sair daqui...

— Vão estar nos esperando... — Concluiu Lucy





Passavam pelo ultimo corredor que os levariam até o saguão principal, Natsu na frente e mantendo Lucy e Nashi coladas em suas costas, Happy na retaguarda, atento para qualquer abordagem.

— Está pronta? — Parou de andar quando viu que estava a um passo de entrar no saguão.

— Hai... — Respondeu decidida.

Entraram, vendo Mard Gree e os nove demônios postos frente a saída.

— Achou que deixaríamos você sair assim, tão facilmente... Natsu Dragneel?

Natsu não se deu ao trabalho de responder, apenas se manteve na frente de suas meninas e pronto para defende-las a qualquer custo.

— Você pode ser poderoso, Natsu... Mas não será páreo contra todos nós. — Seilah falou serenamente, olhando ameaçadoramente para Lucy e Nashi.

Porém, runas brilhantes foram magicamente desenhadas na frente dos demônios, todos olharam para aquelas escritas estranhando o surgimentos de tal coisa...

— Merda... se protejam.. — Gritou Kyôka, lembrou-se perfeitamente daquela magia, pois foi a mesma que destruiu o ritual para despertar E.N.D meses atrás. E ela não estava equivocada, assim que falou uma grande explosão fez o chão ceder e concretos serem lançados violentamente contra eles.

Ainda em fuga da explosão tiveram de lidar com espadas surgindo do nada e sendo arremessadas contra eles, alguns outros demônios tiveram de desviar de um gigantesco martelo de gelo. Mard Gree por pouco não fora atingido pelo Guran Shario de Jellal, vendo que o mago de madeixas azuladas era realmente poderoso, pois a magia destruiu por completo a parte oeste do saguão, fazendo o enorme teto ceder.

— Erza.. Gray!!! — Lucy sentiu seu coração saltar... o grupo surgiu frente a Natsu e Lucy...

— Vocês estão bem? — O moreno se aproximou correndo, aliviado por ver Nashi encolhida nos braços de Lucy.

— Estamos, mas precisamos sair daqui... — Respondeu angustiada.

— Certo... qual o plano agora Gildarts? — Perguntou o moreno, fazendo todos fitarem o homem mais velho, que estava bem ao lado de Natsu e ambos por sua vez olhavam atentos para os demônios que começavam a se recompor do ataque sofrido.

— Bom... basicamente, proteger Nashi e sairmos daqui vivos.

— Gostei desse plano... — Gajeel sorriu convencido, animado para entrar numa boa briga. O que por sinal não demorou. Jackal avançou enlouquecido para cima de Natsu, porém o Dragão do Ferro interveio com seu enorme braço metalúrgico, atingindo o demônio ensandecido fortemente. — Pode deixar esse comigo. — Olhou para Natsu — Vai atrás daquele miserável que ousou tocar nas suas garotas, e mostre o verdadeiro poder de um dragão. — Concluiu seriamente.

Natsu sorriu de canto para o parceiro, sentindo algo nostálgico tomar seu peito por dentro. Ver aqueles magos de Fairy Tail se pondo frente a ele para protege-lo e proteger Lucy e Nashi... Há quanto tempo se privou disso? Aliás, por quê se privou disso?

— Happy, fique com Lucy e Nashi... — Falou, antes de lançar um seu Karyu no Hogo contra Mard Gree que os observava do outro lado do saguão. O rugido de fogo percorreu toda a extensão, chocando-se forte contra a parede atrás de Mard Gree que por sua vez usou sua maldição para reter o ataque e se proteger.

Os magos avançaram, Erza contra Seilah, Gildarts contra Tempester e Jackal, Jellal enfrentava os outros demônios, enquanto Gray se mantinha frente a Lucy, procurando uma brecha junto com Happy para leva-las para longe daquele lugar.

Foi impressão minha, ou fomos atingidos por um Ice-Maker?? — A voz grossa fez Gray estremecer, seu coração por um instante parou de bater e com o olhar enrijecido ele se virou, o torpor do inacreditável tomou seus olhos.... Happy e Lucy ficaram assustados diante da reação de Gray ao olhar para aquele homem que de fato se parecia tanto com ele.

— É você garoto? O mago do gelo? — Sorria convencido... demostrando que não conhecia o moreno, o que parecia ser diferente para Gray, já que aquele homem era nitidamente o seu pai. — Acho que posso me divertir um pouco com você.

— Se se afaste... — Falou vacilante, sabendo que fora aquele homem que participou do sequestro de Nashi. — Ice Maker!!! — Estendeu os braços para frente pondo o punho fechado sobre a palma da outra mão. — LANCER!

Atingiu o homem com suas lanças de gelo, conseguindo assim o afastar de Lucy e Nashi. Porém o mesmo revidou com um rugido semelhante a uma nevasca roxa de ar gélido, parecendo um Dragon Slayer. Gray, mesmo completamente atordoado por ter que encarar o seu pai teve que o enfrentar, ou fazia isso ou colocaria Lucy e Nashi em risco.

Lucy, vendo que seus amigos ocupavam todos os demônios achou por bem sair dali, chamou Happy e correram, tentariam sair da guilda, porém esqueceu-se de uma pessoa... Kyôka, ela se escondeu e ficou no aguardo para poder atacar Lucy, e a vendo completamente desprotegida a mulher avançou, enlaçando Lucy e Happy com suas garras elásticas e diante do ódio que sentia pela loira desferiu sua maldição de ampliar a dor, fazendo Lucy gritar em agonia.

— Pareee.. Onegai...vai machuca-las... — Happy implorou desesperado, também preso por uma das garras de Kyôka. Por sorte a maldição não atingiu Nashi, que estava bem segura nos braços firmes de Lucy, mas ainda assim a pequena começou a chorar assustada.

— Lucyy!! — Natsu se apavorou, indo em direção a elas porém sendo impedido por Mard Gree, que puxou as pernas de Natsu com sua maldição de criar videiras espinhosas, o fazendo se chocar fortemente contra o chão.

— Acabe com elas Kyoka... AGORA!! — Ordenou severamente.... essa era a chance, eliminar aquela mulher e aquela criança, dois transtornos que estavam fazendo Natsu regredir e conter todo seu poder. Mata-las na frente dele seria a conclusão do ritual...

Kyôka sorriu, tendo Lucy presa em suas garras, ela foi se aproximando... Levantou a outra mão e olhou para seu dedo que mais se assemelhava com uma adaga pontiaguda do que com um dedo em si, usaria sua própria garra como arma, teria o prazer de sentir a carne da maga ser rasgada.

— Lucyy!!! — Erza gritou... tentou correr e socorrer a amiga e sua filha, mas Seilah aproveitou seu momento de deslize para controlar o corpo da maga, a deixando imóvel e sem o controle algum sobre seu próprio corpo.... — Malditaa... — Vociferou desesperada...

Gray lançou seu ice-maker Kanyon, porém Silver frustou seu ataque, impedindo que atingisse Kyoka. Jellal, Gajeel e Gildarts estavam igualmente impedidos de se aproximarem, os demônios estavam dispostos unicamente em mantê-los longe para que assim conseguissem eliminar Lucy e Nashi.

Natsu queimou as videiras que se enroscavam em suas pernas e correu... Mas, o mestre da guilda não lhe deu trégua, conseguindo mais uma vez derrubar o mago com suas videiras espinhosas.

— Natsu Natsu... devo-lhe agradecer por facilitar meu trabalho. — Olhou para Lucy. — Além de dar fim a essa criança, poderei tirar do seu caminho essa mulher.

— Não ouse tocar nelas!! — Berrou ensandecido... tentando se desviar dos ataques de Mard Gree...

Kyôka estava prestes a atingir Lucy e Nashi com sua garra pontiaguda, quando parou para observar algo que lhe chamou sua atenção. Lucy havia parado de gritar, a cabeça estava baixa e os olhos escondidos pela franja bagunçada...

— Gemini... — Lucy chamou em baixo tom, surgindo ao seu lado uma replica perfeita sua.

— O que pensa que vai fazer loirinha??

O clone da loira se manteve ao seu lado, colocou uma mão no ombro de Lucy e fechou os olhos.

Clame ao céus, Abra os Céus … — Gemini e Lucy começaram a conjurar o encantamento em uníssono, e em tom baixo, porém, inexplicavelmente o som de suas vozes ecoavam pela mente de todos. — Todas as estrelas e imensidão, mostra-me a tua aparência...

— O que ela está fazendo? — Jackal indagou curioso, vendo que Kyôak ficara paralisada diante das loiras.

— Urano Metria? — Mard Gree se perguntou, tentou não acreditar.

Com todo o seu brilho. Oh Tetrabiblos, eu sou a governante das estrelas. — O tom da voz foi aumentando.

— A impeçam... AGORA!! — Mard Gree ordenou.

Porém Natsu e Gray conseguiram atacar Jackal e Silver, impedindo que eles atingissem Lucy. Enquanto isso Kyoka parecia congelada diante da magia, ela olhava atônica para a maga celestial e não se movia, como que seus movimentos fossem impedidos por Lucy.

Meu aspecto é a perfeição... — A aura de Lucy tomava o lugar, a magia fazia o ar vibrar, Luzes estreladas reluziam em torno de Lucy com Nashi nos braços e Gemini ao seu lado. Parecia que a constelação mais bela e extraordinária nascia ali, naquela baixa terra em torno das duas loiras. O resto do ambiente foi ficando escuro...lembando perfeitamente o céu escuro – Abra-te portão selvagem. 88 estrelas dos céus... Punam aqueles que me feriram... E Brilhem!!!

Todas as luzes em torno de Lucy se expandiram trazendo consigo uma densidade de outro mundo, atingindo a todos em sua volta... kyôka e Sailah foram lançadas violentamente para longe... Até mesmo Mard Gree seria atingido, se este não tivesse usado sua maldição para se proteger.

Lucy reluzia, seus cabelos dançavam conforme o poder que seu corpo emanava, e seus olhos pareciam conter a mais poderosa estrela, pois brilhavam intensamente, parecia julgar cada um por qual seus olhos pousavam.... Gemini havia desaparecido e Nashi se escondia no conforto do braço de sua mãe, sentindo-se protegida.

Lucy caminhou até onde Kyôka fora lançada, fazendo a mulher olhar para Lucy de onde estava, do chão... Kyôka deixou seus olhos brilharem admirados diante de tal figura, a maga de cabelos dourados exalando uma magia que nunca vira em toda sua vasta vida, o olhos punidores veemente a julgando.

— Ousaram pegar a minha filha... Agora vão pagar. — Levantou a mão livre em direção a Kyôka, e uma magia desceu dos céus cortando aquele enorme telhado e a atingiu violentamente, como que se Lucy ordenasse para que a gravidade fosse toda contra aquela mulher.

Jackal e Tempester avançaram contra ela, mas Lucy nem precisou se dar ao trabalho de olhar para eles, o mesmo ataque os atingiu, esmagando-os contra o chão, em tamanha força que o próprio piso duro afundou junto com eles.

Natsu e os demais magos olhavam atônicos, Lucy derrotou os três demônios de uma só vez, e assim que ela derrubou os três demônios, seu poder começou a dissipar, Lucy sentiu suas pernas fraquejarem e se deixou cair ao chão, de joelhos dobrados, mas mantendo o abraço firma na filha.

— Lucy... — Erza se aproximou, abaixando-se e dando apoio com seu corpo para que a loira não desabasse... — Usou toda sua magia... — Falou mais para si mesma do que para a maga celestial.

— Tirem elas daqui!! — Natsu ordenou de longe, alto o suficiente para que Erza e Gray escutassem.

O moreno pegou Happy, que estava desacordado devido ao enlace de Kyoka, e correu com o neko até Erza, passou Happy para os braços da ruiva e pegou Lucy nos braços.

— Vamos... — Disse para a amiga, aproveitando o desfalque de inimigos para correrem para fora.

Gajeel, Jellal e Gildarts ficaram para lidar com os demais. Mas, antes que passassem pela porta Gray deu uma ultima olhada para aquele mago de cabeços tão negros quanto o seu, seu coração se apertou, tinha muito o que perguntar... mas, o mais importante naquele momento era manter Lucy e Nashi seguras. Então correu de vez para fora, as levando consigo.

Natsu sentiu um peso esmagante sair de cima de si quando viu Gray tirar Lucy e Nashi. Olhou enviesado para Mard Gree quando escutou esse lhe dirigir a palavra.

— Confesso que fiquei impressionado com sua maga celestial, Natsu. Derrotar quatro dos meus mais poderosos demônios não é para qualquer um. — Olhou provocativo para Natsu. — Talvez... eu estivesse enganado, uma herdeira sua com uma maga de tal nível talvez nos seja vantajoso no futuro. — Viu o olhar reprovador de Natsu. — Você pode conseguir salva-las agora Natsu Dragneel... pode tira-las das nossas garras... Mas quem disse que estarão mais seguras ao seu lado? Pare de se enganar Natsu... você sabe quem você realmente é...

— O que quer dizer?

— Quero dizer que você tem que nos agradecer por termos te procurando antes de Zeref. Ainda estamos te dando a chance de mante-las vivas... Mas... se Zeref resolver intervir, não posso nem assegurar que Fairy Tail saia com vida. Olhe para sua filha... para a maga celestial.. veja como estão feridas. Tudo isso porque você ainda insiste em fingir ser uma Dragon Slayer Natsu... — Seu tom foi ficando irritadiço... — Você não é um mero Dragon Slayer, muito menos um mago qualquer de uma guilda qualquer... aceite o seu verdadeiro poder, ou nunca, jamais Lucy Heartfilia e Nashi Dragneel terão paz!!!

Gildarts, assim como Gajeel e Jellal ouviram a ameaça de Mard Gree, mesmo eles enfrentando Silver e os demais demônios que ainda insistiam em se manterem de pé.

— Não dê ouvidos a ele Natsu!! — Gildarts gritou, vendo que o rosado ficara parado frente ao mestre de Tartaros não tomando nenhuma atitude em ataca-lo. — NATSU?!!

— Você sabe o que tem ai dentro de você Natsu... vem relutando, teimando em aceitar... Mas isso, que ecoa em sua mente, sedento por poder é o seu verdadeiro eu. Você merece o mundo... você pode ter o mundo em suas mãos se me seguir... Sei que está cansado de constantemente ter que conter esse poder obscuro que vaga dentro de ti, isso cansa, não cansa? Sempre se controlando, se segurando para não incinerar tudo e todos... Venha Natsu, aceite quem você é, e como um brinde, deixaremos sua mulher e sua filha viverem em paz...

Até mesmo Silver sessou os ataques para ver aquela sombria conversa. Natsu respirava fundo, sua cabeça estava baixa e uma sombra se formou em seus olhos... Ele parecia começar a compreender o que Mard Gree lhe falava. E isso tirou um sorriso satisfeito do Rei do Submundo.

Natsu sorriu também, um sorriso sádico onde ele mostrava suas presas, cerrou os punhos com força.

— Meu verdadeiro poder, é? — Gildarts tremeu... Jellal e Gajeel arregalaram os olhos. — O meu verdadeiro eu? …. Eu sei quem eu sou... — Levantou o olhar, uma aura pesada começou a tomar aquele lugar. Mard Gree aumentou seu sorriso em satisfação. — Nesse momento eu realmente não sou um mago qualquer de uma guilda qualquer, nem um Dragon Slayer... Sou sim um demônio... — Sorriu em puro ódio. — Um demônio cujo está puto por VOCÊ tocar na mulher e na filha dele...

O sorriso convencido de Mard Gree se desfez.

— Quer ver meu verdadeiro poder Mard Gree?! Roubou minha herdeira dos braços da mãe para despertar meu verdadeiro eu não foi? ….. Então vou te mostrar.

O calor aumentou e chamas descontroladas começaram a brotar dos pés da Natsu, chamas essas que foram se espalhando para todos os cantos.

— Jellal... Gajeel... Vamos sair daqui.. Agora!! — Alertou Gildarts, correndo para a saída com os magos logo atrás.

— O que pensa que vai fazer Natsu? — O indagou, dando alguns passos para trás.

As chamas foram aumentando, atrás de Natsu não existia mais guilda, nem paredes, apenas a chama densa e ardida do seu poder, nesse ponto até mesmo Silver havia saído daquele escaldante lugar, que mais parecia o próprio inferno na terra.

— Mostrar para você e para Zeref que sim... eu sei quem eu realmente sou. E que não é por isso que vocês irão conseguir me controlar. Como você falou... não sou um mago qualquer de uma guilda qualquer, eu sou Natsu Dragneel... mago de Fairy Tail.

— Não seja tolo garoto... está escolhendo um caminho mortal e passageiro ao invés do verdadeiro poder que tem dentro de si.... — Falou irritado... vendo que tudo que planejou começava a ruir assim como sua guilda... Gritou enlouquecido. — Pode me matar.. acabar com todos os demônios do livro de Zeref... isso afinal é ótimo... pois você é Etherious o mais poderoso... o nosso mestre... — Gargalhou, os olhos vidrados e completamente perdidos diante da loucura que o tomava.



[ ]



Do lado de fora da guilda Lucy e os demais magos observavam a enorme construção ser tomada pelo fogo.

— Natsu... cadê ele?? — Lucy perguntava aflita.. olhando desesperada para a guilda que começava a ruir.

Erza segurava Nashi e também se preocupava com o que poderia estar acontecendo lá dentro.

— Eu vou voltar lá.. posso resgatar o Natsu e trazê-lo a salvo. — Happy tentou voar, mesmo estando atordoado e ferido, porém foi impedido por Gray, que o segurou com as duas mãos.

— Onde pensa que vai desse jeito?! … Não se preocupe...

Antes que Gray terminasse de falar, um som ensurdecedor os assustou... parecia como um rugido, mas antes que pudessem compreender que som era aquele uma chama gigante explodiu de dentro da guilda, a mesma alcançou metros acima, se descuidassem diriam que era um dragão destruindo aquele castelo tão imponente. A onda de calor chegou até eles, e o rugido permanecia ecoando por cada canto daquela vasta terra.

— Natsu!! — Lucy olhava aflita, angustiada em imaginar se Natsu havia perdido o controle de seu poder.

Pó, fuligem, fumaça e fogo se misturaram quando as enormes paredes de pedra da guilda ruíram... Todos buscavam com os olhos qualquer sinal do rosado, um mais aflito que o outro, porém nos olhos de Lucy o desespero era ainda mais aparente. Não ouviam mais estrondo nem rugido, e talvez isso fosse pior.. o silêncio foi tomando todo aquele lugar e os deixando ainda mais angustiados.

Porém, um risinho inocente de Nashi chamou atenção, Lucy olhou para a filha que estava nos braços de Erza, e viu que ela esticava os bracinhos e fechava as mãozinhas no intuito de pegar algo, ou ser pega; como era o caso. Lucy então olhou para onde sua filha olhava, vendo da fumaça densa e escura surgir o mago do fogo.

Lucy correu até ele, enquanto Gray, Gajeel e Gildarts observavam atentos, desconfiados e receosos de como o mago estaria. Lucy cessou os passos quando estava a poucos metros dele, o mago parecia atordoado, a cabeça estava baixa e ela não conseguia ver os olhos dele.

— Natsu?

O mago escutou a voz doce da loira, e seu coração doeu. Natsu, esse é seu nome, certo? Ou seria.. Ethe... Não tinha forças para olhar nos olhos de sua maga... Mard Gree estaria certo? Sobre tudo o que lhe foi tido?

"Não sou um mago, nem um Dragon Slayer..." Veio em sua mente o que disse para Sting, se impôs frente ao mago de Sabertooth como um demônio, por algum tempo acreditou que soltou tais palavras no calor do momento, estava tomado por fúria e ciúmes... Mas agora, essa palavra que muitos evitam de até mesmo falar ou sequer pensar parecia se encaixar perfeitamente em si... "Demônio".

Cambaleou para frente, Lucy correu e se aproximou... hesitante e tentando analisar como Natsu estava.

— Lucy... o que sou pra você? — Olhou nos olhos da loira.

Lucy entre abriu os lábios, surpresa pela pergunta, porém, seus olhos reluziram um brilho amoroso e então ela sorriu.

— Pra mim você é o Natsu, mago de Fairy Tail... e pai da minha filha. — Respondeu serenamente, sua voz mansa e doce invadiu seus ouvidos, tomou seus pensamentos e acalmou seu coração.

O mago cambaleou e Lucy o acolheu em seus braços, deixando que ele apoiasse sua cabeça em seu peito. E mais uma vez ela sentiu o calor dele... sentiu seu peso. Ele estava exausto e Lucy sentia que ele estava prestes a desmoronar, então se abaixou e o trouxe junto, dobrou os joelhos ajudando o mago a se ajeitar em suas pernas, colocando a cabeça dele sobre sua coxas.

Erza levou Nashi até eles, e a colocou cuidadosamente ao lado do mago, a pequena se ajeitou no braço de seu pai colocando seu corpinho gorducho sobre o peito dele. Happy também se juntou na pequena família, recebendo de Lucy um afago carinhoso..

Gildarts observava de longe a pequena e mais bela família. Natsu envolto por suas meninas e por seu companheiro fiel. Sendo apoiado por elas, buscando refugio nos braços da maga celestial. Tão forte, tão temido...

— Ele está bem? — Gajeel se aproximou do mais velho e o indagou preocupado.

— Não... — Respondeu em um suspiro... — Mas vai ficar.

Notas finais
Aiin migles... de longe esse capítulo ficou do jeito que eu queria. Muito chateada, mas realmente dei uma travada essa semana. Ainda assim espero de coração que tenham apreciado :} Trarei o próximo capítulo cheio de momentos especiais e kawais... Ok?