Fogo Inalcançável

27 27º Capítulo - Um breve momento de paz


Notas iniciais
Oi leitores-san!! ^^ Primeiramente, me perdoem pelo atraso T,T Gomem!! E não se preocupem, posso levar uns sete/oito dias para postar mas nunca vou abandonar a fic ok? ^^ Segundamente, confesso que tive um bloqueio criativo nesse capítulo T,T Eu tinha todo o enredo, porém, não me vinha a inspiração para trazer em palavras.. Omg >< Foi tenso... Mas consegui ^^ E gostei do resultado...espero que vocês gostem também. Sem mais delongas... segue mais um capítulo fresquinho para nós ^^ Espero que gostem e boa leitura!!

— Isso tudo é culpa sua... — Soltou ríspida, fazendo Lucy sobressaltar-se diante da repentina acusação. Lisanna se aproximou mais de Lucy, ficando à um passo da maga. — Se não tem capacidade para lidar com um Dragon Slayer do nível do Natsu, saia do caminho. — Ralhou furiosa, fazendo Lucy tomar um susto com a repentina alteração que tomou aquela conversa.

— Do quê está falando Lisanna?! — Juntou as sobrancelhas, formando um vinco em dúvida.

— Não se faça de sonsa Lucy... — Lisanna estava possessa, assim que chegou na guilda notou o clima tenso pairar sobre todos. Ao perguntar para a irmã ficou sabendo sobre o confronto entre Sting e Natsu, apavorou-se quando Mira lhe disse que o rosado tornou-se cruel e sádico quase matando Sting com apenas uma mão. Mas o limite de sua paciência se foi quando soube o motivo do confronto... Disfarçou bem perante a irmã, disse que gostaria de ver como Lucy estava e lhe oferecer ajuda. Mas marchou escada acima decidida em expor algumas verdades para a maga celestial. — Não faça Natsu achar que você pertence a ele se está disposta a ficar se envolvendo com outros. Olha o que aconteceu!! — A julgou com prepotência.

— Não estou entendendo essa sua atitude Lisanna. — Falou perplexa, tão logo se recompondo. — Mas de qualquer forma eu não te devo nenhuma explicação... — Olhou seriamente para Lisanna, fechando sua expressão e demostrando irritação com o comportamento dela.

Lisanna não gostou do ar de superioridade que Lucy mantinha sobre ela, seu coração bateu enciumado diante do olhar da maga celestial... arfou irritada se colocando na defensiva. Não era justo sofrer tanto por ciúmes como sofria, faria então a loira tomar do próprio veneno.

— Ele te contou que nos encontramos em Hargeon? Quando ainda estava em missão com Gildarts? — Mandava um olhar desafiador e usava um tom provocativo na voz.

— Se encontraram? — Um nó incomodo se formou em seu estômago.

— Sim... jantamos juntos e ficamos no mesmo hotel. E sem ter você por perto ele finalmente me tratou como me tratava antes de Edolas.

— Como assim? — Pareceu desacreditar nas palavras da garota.

— Ele me desejou... me puxou para perto dele e inalou meu cheiro... Ele me quis... Você não é exclusiva Lucy. Pare de ficar só trazendo problemas para a vida dele e o deixe em paz... Eu posso cuidar dele da maneira que ele realmente precisa. — O coração batia forte só de lembrar dos momentos vividos com Natsu naquela noite.

Lucy não estava acompanhando o que de fato estava acontecendo ali. Fora pega de surpresa por uma Lisanna irritadiça e petulante, mas o que soube de imediato é que não deixaria ela se meter na sua vida, e muito menos culpa-la de alguma coisa. Poderia ser a irmãzinha de Mira e Elfman, e uma grande amiga de Natsu, mas Lucy estava exausta e estressada demais para ficar aturando tal ousadia. Ignorou o rebuliço estranho que a incomodava por dentro e manteve o olhar severo e indiferente sobre a albina.

— Se tem algo que te incomoda fale com Natsu... se resolva com ele. Não quero nunca mais que meta o dedo na minha cara e me confronte, muito menos quando estiver com minha filha por perto. E mais uma coisa... — Tomou um ar de arrogância, um brilho convencido passou por seus belos olhos chocolates. — Lidar com um Dragon Slayer não é questão de capacidade ou não... vai Muito além... — Sorriu desdenhosa, lançando um olhar sínico sobre Lisanna que arfou incomodada por Lucy a retrucar com tanta audácia.

— Que seja... — Apenas foi capaz de dizer sem gaguejar. Virando-se irritada e saindo do quarto.

Lucy apenas revirou os olhos, mas no fundo sentiu uma fisgada de decepção a incomodar. Não esperava que Lisanna a confrontasse. Já estava com tantos problemas, tantas angustia e ter mais um problema chamado Lisanna em suas mãos a deixou com uma sensação sufocante de desespero. Suspirou calmamente, olhou para Nashi que se agitava no berço e sorriu ao ver a pequena. Caminhou até o berço e a pegou, abraçando-a com amor e desespero.

— Ainda bem que tenho você meu amor... — Buscou refugiu no corpinho da filha, aninhando-a em seus braços e inalando os cheirinho gostoso que seu chaveirinho tinha.

— Não vai pegar nenhuma missão? — Lucy perguntou sutilmente, sentando ao lado de Gray que parecia perdido em seus pensamentos. O moreno não notou a aproximação da amiga, mas mesmo assim não se surpreendeu ao vê-la do seu lado, apenas lançando um sorriso charmoso para ela.

— Por enquanto não. — Respondeu, levando até sua boca um caneco grande e cheio de líquido, o sorvendo tranquilamente.

Lucy olhava para Gray com profundidade, sabia que ele, nem Erza e muitos outros não pegariam uma missão tão cedo. Motivo? Ela e Nashi. Sorriu amorosa, na verdade estava grata por essa atitude deles, não queria ficar sozinha e tê-los por perto além de lhe trazer uma sensação de segurança também a deixava mais calma.

— Arigatou.. — Falou em seu tom doce. Gray a olhou de soslaio, pois estavam sentados lado a lado em uma das mesas do salão, ele sorriu de canto e nada disse. Ficaram então os dois ali, em um silêncio reconfortante e amistoso. Por mais que Lucy fosse tagarela e as vezes animada demais em suas palavras o que mais precisava por hora é só ficar ali, ao lado do seu amigo, sempre tão sereno e tranquilo... torcia para conseguir sugar um pouco daquela calmaria refrescante que Gray exalava, e tornar-se um pouco mais firme e resistente diante de tudo que vinha acontecendo.

— Como Natsu está? — Gray ficou receoso de ver Lucy entrar correndo na guilda atrás de Natsu logo após a luta contra Sting, ela ficou uns bons minutos lá dentro antes que Makarov entrasse também, sua vontade era de impedi-la, temeu que Natsu dissesse algo que a machucasse. Mas segurou seu instinto o impelindo a ir protegê-la e a deixou ir, pois no seu ínfimo ele sabia que os dois precisavam daquela conversa. Mas agora estava preocupado com o amigo, não o viu depois de tudo aquilo e sequer pode falar com ele.

Lucy respirou pesarosa ao ser arremetida à tal assunto, baixou ainda mais o olhar e ajeitou os braços sobre a mesa, entrelaçando os dedos.

— Eu não sei bem... — Falou confusa, tentando mais uma vez compreender o que de fato aconteceu naquela conversa com Natsu. Ele se apoiando em si, das palavras ditas...Do modo como ele ficou quando estavam somente os dois naquele enorme salão. — Só sei que Natsu está com problemas. — Concluiu.

— E o que você vai fazer?

— Vou ajuda-lo. — Soltou sem pestanejar, fazendo Gray se surpreender com sua firmeza ao respondê-lo.

— Já sabe sobre Zeref e Tartaros?

— Você também sabe? — Se surpreendeu, olhando com os olhos levemente arregalados para o amigo.

— Todos nós... Makarov nos contou. Apesar que eu e Erza já desconfiássemos de algo há muito tempo e Gajeel também já havia aberto o jogo pra nós há uns dias.

— Natsu não me disse muita coisa... tentei conversar com ele noite retrasada, mas parece pouco pôde me dizer.

— Uma hora vamos descobrir tudo. O que importa é nos mantermos unidos. — Olhou para Lucy e sorriu. — Fico feliz que esteja disposta em ajuda-lo, imaginei que tivesse ficado com medo ou com raiva ao vê-lo atacar Sting daquela maneira... Apesar que foi a única que conseguiu impedi-lo de fazer algo pior. — Lembrou-se de ver a amiga segurando o braço de Natsu, conseguindo apenas com poucas palavras e um olhar penetrante impedir que ele fizesse o que de fato almejava.

Lucy apenas suspirou pensativa.

— Há um tempo eu poderia dizer que tinha medo dele, mas agora eu sei que Natsu pode ter mudado por completo sua maneira de ser, mas que jamais será capaz de machucar a mim, Nashi ou alguém da guilda. Quanto mais me afastar sei que será pior.

— É muito bom ouvir isso de você. — Falou satisfeito, olhando sereno para a amiga que lhe retribuiu o olhar.

— Sim... Também acho. — Falou, se sentindo mais forte.

Gray observou Lucy por alguns segundos, ela parecia mais confiante mesmo diante dos problemas que insistiam e aparecer em sua vida. Algo estaria acontecendo para ela estar assim? Por que tanta confiança e firmeza, sendo que há poucas semanas Lucy era uma garota temerosa e angustiada? Seria o fato de estar se aproximando aos poucos do pai de sua filha? Bom... eram perguntas que matutavam em sua mente naquele momento e que não tinham respostas. Mas, sendo ele um amigo íntimo da loira não ficaria a deriva por muito mais tempo.

— Mas e ai? Rolou alguma coisa entre vocês dois? — Olhou travesso para ela, deixando escapar um sorriso de canto.

— Como assim? — Se assustou, não espera pela súbita mudança de assunto.

— Oras.. estão morando debaixo do mesmo teto e sem contar que estão treinando juntos. Vai me dizer que não pintou um clima?!

— Gray... Claro que não. — Respondeu incomodada. Mas logo sua mente traiçoeira a fez lembrar-se do mago do fogo apoiado em si, com os rostos tão próximos que ela sentia a respiração dele bater contra a sua. O olhar vagou para outro canto que não fosse os de Gray, arfou inconscientemente sentindo as bochechas arderem em rubor.

Gray sorriu ao ver a reação da amiga, mas Lucy logo conseguiu se recompor e olhou enviesada para o moreno.

— E como ousa me perguntar sobre Natsu sem ao menos me contar o que realmente aconteceu nas termas entre você e Juvia?!

O moreno congelou, fazendo seu sorriso travesso desaparecer e olhando desconfiado para a amiga.

— Nem se atreva a mentir para mim Gray Fullbuster. Trate de me contar tudo que aconteceu nessa missão.

Gray que estava agora com uma expressão séria sorriu de canto... A loira era realmente ardilosa, pois conseguiu em questão de segundos virar o jogo, sair da defensiva e o colocar contra a parede.

— É melhor não saber. São assuntos somente para adultos. — Falou em meio sorriso.

Lucy enlargueceu o sorriso e ficou empolgada com a resposta dada pelo amigo.

— Eu sabia.... me contaaa.. quero saber de tudo. — Agarrou em seu braço e o chacoalhou em empolgação. Ficou animada, realmente animada. Somente Gray e Nashi estavam tendo esse poder com ela, de a tirar daquele posso escuro e frio em que estava a trazendo para momentos sinceros de alegria e contentamento.

A dupla de amigos passou os minutos seguintes naquele mesa, conversando animadamente. Aliás, Lucy era a mais animada, saltitava no banco e sorria a com cada resposta de Gray, que parecia sem jeito ao ser indagado pela amiga com perguntas tão explicitas e maliciosas.



— Lucy parece estar lidando bem com tudo isso. — Olhava para a loira, que mantinha um sorriso aberto e animado direcionado para Gray, ambos conversavam. Ela, claro que mais empolgada que o moreno.

— Gray cuida bem dela. — Makarov sorriu, olhando para o casal de amigos. Sabia que o moreno estava se esforçando para manter a amiga de pé e animada. — E Natsu? — Olhou para Gildarts, que estava encostado no balcão, bem ao seu lado. Já ele, estava sentado sobre o balcão com um caneco grande de saquê em mãos.

— Não o vi depois de ontem. Acredito que esteja com Happy em algum lugar.

Natsu passou algum tempo na sala de Makarov depois da sua luta com Sting, Gildarts logo apareceu também. Porém, não tiveram muito o que conversar, Natsu se calou, ficou sentado na cadeira, parecia confuso e cansado e nada disposto a conversar com os mais velhos, que o encaravam preocupados. Makarov, vendo que Lucy já havia feito o que ele precisava; acalmar o rosado. Então o dispensou, o mandando para casa e não o vendo desde então.

— Tem certeza que devemos apenas esperar? — Perguntou ao mestre algo que estava lhe deixando bastante ansioso e preocupado. Porém, esses sentimentos eram escondidos pelo olhar preguiçoso e pelo jeito despretensioso em que ele observava os magos da guilda.

— Sim, é a melhor solução. — Sorveu certa quantidade do Saquê.

— Isso me deixa aflito. Vamos estar colocando toda a guilda e a cidade em perigo.

— Eu sei... — Confirmou fadigado.

No decorrer do dia Lucy não pisou o pé fora da guilda, passou o dia intercalando sua atenção com Nashi e seus amigos. Sting conseguiu recuperar-se parcialmente dos golpes sofridos por Natsu, Porlyusica lhe deu alguns medicamentos próprios para queimaduras de magia e alguns analgésicos naturais feitos por suas próprias mãos, conseguindo enfim partir para Sabertooth junto com seu irmão, sem que muitos notassem sua partida.

Já os magos de Fairy Tail tentavam a todo custo apaziguarem os sentimentos turbulentos dentro de si, como sempre, sabiam que de nada adiantaria ficarem cabisbaixos e desanimados. Precisavam manter o animo e vigor, só assim conseguiriam de alguma forma ajudar Natsu. E para isso resolveram terminar a tarde aproveitando a linda piscina que tinham na guilda, levaram as bebidas e petiscos para as mesas externas, alguns colocaram suas roupas de banho e se jogaram na piscina, outros foram se bronzear, e outros tantos apenas se acomodaram nas sombras das árvores para apreciarem o céu e conversar.

Lucy que com muito custo tentava aproveitar o entardecer junto dos amigos, não pode evitar de se angustiar ao notar que o sol começava a se pôr. Não viu Natsu desde a conversa que tiveram no dia anterior e mesmo que tentasse não se importar muito, estava ficando preocupada com ele novamente.

Logo teria que ir embora para casa e só assim olharia nos olhos dele e talvez pudessem conversar, mas não era isso que queria. Nashi e Happy estariam juntos e tomando toda sua atenção, queria poder conversar com Natsu a sós, ontem ele pareceu se desarmar diante dela e finalmente começava a compreender melhor o que o pai de sua filha vinha passando, mas, infelizmente o mestre os interrompeu. Seu coração estava apertado e começava a ansiar em poder ver se ele estava bem, ver se conseguiriam conversar melhor e sem interrupções.

Sem contar que a conversa com Lisanna ainda fazia sua cabeça doer. Será que ela foi conversar com Natsu? Se perguntou. Passou o dia refletindo sobre a atitude da albina, e não a culpava por isso. Sabia que Lisanna amava Natsu e se colocou no lugar dela. Também ficaria enfurecida. Mas, e aquela história de ter o encontrado em Hargeon? Seria verdade? Sentiu seu estômago se revirar. A maga estava sentada em uma das cadeiras que ficavam em torno da piscina, com Nashi no colo apenas de fralda e com lindo chapéuzinho infantil, era de tecido e rosa com flores praianas o estampando, e com o narizinho branco, devido ao protetor solar que sua mãe lhe passou, a deixando ainda mais fofa.

Lucy se levantou ajeitando a filha em seus braços e olhou para Gajeel que estava de pé bem ao seu lado, junto com Levy, ambos com trajes de banho.

— Gajeel... por acaso viu Natsu? — Peguntou em tom baixo e incerta se deveria mesmo o procurar.

— Não... Mas ele deve estar no farol. — Respondeu despreocupado.

— Farol?

— Sim... já trombei com ele por lá algumas vezes. É um bom lugar para esfriar a cabeça.

Lucy pareceu refletir sobre algo, suspirou e por fim se aproximou mais de Levy passando Nashi para os braços da maga.

— Levy.. Onegai, pode cuidar de Nashi? — A pequena esticou os bracinhos para Levy que prontamente a pegou.

— Claro Lu-chan... Mas, onde vai?

Lucy não queria admitir em voz alta que estava indo a procura de Natsu, os olhos vacilaram e espremeu os lábios pensando nas palavras que usaria para responder a amiga sem se sentir uma garotinha boba apaixonada.

— Tudo bem... cuidamos dessa pequena, não se preocupe. — Gajeel se interpôs entre as duas, vendo claramente que Lucy estaria indo a procura de Natsu. Levy entortou o olhar para Gajeel, mas sempre sagaz logo notou o motivo, sorrindo para Lucy como sinal de que não precisava lhe responder.

— Arigatou. — Disse gentilmente, dando um beijo amoroso no rostinho da filha e saindo apressada.

— E o que vamos fazer com ela? — Encarou Nashi, se incomodando por notar que agora a atenção da azulada seria totalmente direcionada para aquele pingo de gente gorducho e de sorriso banguela.

— Como assim? Vamos cuidar para que ela se divirta muito na piscina. — Falou animada dando em Nashi um cheiro carinhoso com seu rostinho. — Né Nashi, vamos nos divertirrr... — Cantarolou, indo em direção a piscina e sendo prontamente seguida pelo seu dragão.

[ ]

Passou o dia procurando Natsu, foi em sua casa, nas margens do rio, no parque e até mesmo na Catedral e nada. Já não sabia mais onde procurar quando olhou cansada para o horizonte, avistando não muito longe dali onde estava o belo farol de Magnólia. Lembrou-se das inúmeras tardes que passou lá junto com Natsu quando eram crianças, ficavam brincando ou admirando o pôr do sol, ou muitas das vezes apenas escutando Natsu falar animado e orgulhoso sobre Igneel.

Sorriu satisfeita, mas ainda sim se sentindo uma tola por não ter lembrado de procura-lo naquele lugar.

[ ... ]

Natsu passou o dia ali, deitado no pé daquela enorme árvore com cheiro tão floral e refrescante. Estava exausto, irritado e frustrado, sua vontade era; assim como disse para Lucy, de ir para longe de todos e de tudo. Procurar Zeref e dizimar aquela maldita guilda de demônios... por todo o dia era isso que passava em sua mente, porém, como um raio cortando o céu logo seus pensamentos eram tomados por Nashi. O rostinho delicado e risonho, o cheirinho dela, aninha-la em seus braços e saber que não existe lugar mais seguro para ela do que ali. E como muito fez durante todo o dia ele arfou mais uma vez, pois, mais uma vez constatava que não conseguiria ficar longe da filha, não mais.

— Natsuu.. você está bem mesmo? — Happy, que a todo o momento se manteve ao seu lado logo tratou de terminar de devorar seu enorme peixe de escamas cinzas para assim poder verificar se seu amigo realmente estava bem.

O gatinho alado não presenciou o confronto entre Natsu e Sting, estava no parque da cidade com Wandy, Charle e Lily. Haviam aproveitado aquela tarde tranquila e ensolarada para fazerem um piquenique com direito a muito peixe. Seu coraçãozinho batia decepcionado por não ter tido oportunidade de ajudar seu amigo... E assim como Natsu que passou o dia perdido em seus pensamentos conturbados e indecisos, Happy também se perdia em seus próprios devaneios. Achava quê, se ele estivesse com Natsu poderia ter impedido aquele ataque descontrolado... como um parceiro, um fiel amigo ele se punia por estar se divertindo inocentemente enquanto seu melhor amigo quase se entregava à completa escuridão.

— O que mais quer que eu diga... — Respondeu, sem tirar o braço que cobria os olhos. Não era a primeira, nem a quinta, nem a décima vez que Happy perguntava isso. — Só vou ficar realmente bem quando der um fim nesse bando que me procura. — As palavras saíram contidas, mas não escondendo o ar de irritação.

— Agora com toda a guilda ciente sobre os interesses de Zeref e Tartaros vai ficar mais fácil Natsu, pois todos estão dispostos a te ajudar. — Tentou ser positivo e animar o amigo.

— É... — Apenas disse, mas não crendo que tendo o apoio da guilda algo viesse a mudar sobre sua atual condição.

Mesmo estando de olhos fechados percebeu que o anoitecer já se iniciava, pois o vento estava um pouco mais insistente e os sons de grilos e corujas já começavam a ressonar. A contragosto e sentindo os ossos do corpo resmungarem por estarem sendo obrigados a se mexerem ele se levantou, estralou o pescoço e esticou as costas, deu uma olhada para a vista a sua frente, o sol já quase completamente escondido por detrás do mar que banhava Magnólia, um certo conforto lhe tomou ao ver tal espetáculo, mas logo de desfez desse sentimento e se virou, seguiria para a guilda e logo mais para sua casa. Porém não deu nenhum passo, pois algo lhe chamou sua atenção, sentiu o cheiro de Lucy tomar seu olfato, arfou incomodado, o que ela fazia ali?

— O que foi Natsu? — Perguntou curioso olhando para cima, afim de ver o rosto do rosado e notando que o mesmo franziu o cenho e parecia mais atento.

Natsu não precisou responder, logo Lucy surgiu pela trilha que levava até ao topo daquela colina. Ela respirava descompassada e o rosto demostrava total cansaço diante da caminhada que se obrigou a fazer. Natsu arfou desgostoso ao notar que ela não mudara nada quanto sua total indisposição em fazer esforço físico, entretanto não conseguindo deixar de notar a aparência exuberante da garota, que mesmo cansada e com os cabeços bagunçados parecia exalar algo que o deixava hipnotizado.

Quando finalmente chegou no farol se surpreendeu por realmente ver Natsu ali. E se agradeceu por ter acelerado os passos para chegar logo ao topo, estava com medo de se desencontrarem já que ele estava Happy poderiam muito bem saírem dali voando.

— Luxyy.. — Happy disse animado. A maga caminhou até eles, ficando bem de frente para Natsu. Ela arfava cansada, colocou as mãos na cintura e puxou ar com força na esperança de acalmar seus pulmões exasperados, daquela maneira exagerada e dramática de sempre. Foi uma bela caminhada até chegar ali. Finalmente conseguindo sorrir para o amiguinho azulado.

— Oi Happy.. — Disse enfim, logo deixando seus olhos subirem para o mago que permaneceu do mesmo jeito que estava quando ela chegou.

— Você veio caminhando até aqui?? — Happy perguntou incrédulo.

— Claro! … Por que a surpresa? — Voltou os olhos para o neko, sentindo certo orgulho ao lhe responder.

— Duvido.. Aposto que usou o Horologium para te trazer até aqui... você é muito preguiçosa, jamais andaria tudo isso. — Falou desconfiado e com um olhar petulante, já tentando conter o riso ao constatar o quanto a amiga era indisposta quando o assunto é longas caminhadas e esforço físico.

— Oras seu Neko folgado... claro que andei até aqui, e sozinha.. — O retrucou irritada. Porém, logo deixou essa irritação diante da petulância de Happy se esvair, se esforçando para não formar um sorriso amoroso ao olhar para o neko. O gatinho parecia um irmãozinho caçula, petulante e mimado, que gostava de provocá-la a todo o momento, mas era algo que ela gostava em Happy, ou já estava acostumada... não importa. Conviver com aquele exceed lhe trazia momentos únicos de risadas e brigas cômicas.

Deixando tais pensamentos calorosos de lado a loira subiu novamente os olhos para onde Natsu estava, ele a fitava com um olhar sério e quase impaciente, mas não se importou... Respirou fundo e mais uma vez olhou para o neko.

— Happy.. — O chamou. — Deixei Nashi com Gajeel e Levy, gostaria que você fosse os ajudar. Ela fica muito manhosa nesse horário e só você sabe como distrai-la. — Sorriu docilmente vendo o gatinho se encher de orgulho ao escutar tais palavras.

— Aye... pode deixar Luxy que eu cuido da Nashi. — Falou animado, fazendo surgir suas asas grandes e brancas, então olhando para o casal. — Mas e vocês?

— Não se preocupe, logo iremos embora também.

— Aye. — Concordou em um sorriso, alçando voo e partindo em direção a cidade. Sabia claramente que Lucy buscava ficar a sós com Natsu para poderem conversar, e não se importou com isso.

Enfim a sós, Lucy então olhou para Natsu, o vendo agora um pouco mais afastado e olhando para o horizonte. Ela se aproximou ficando ao seu lado e também admirando a vista. Estavam no topo da colina, agora a lua já começa a assumir o cargo de iluminar aquelas terras e o mar, e as estrelas já começavam a ser pintadas naquele imenso tapete. Ficaram em silêncio por alguns instantes, um silêncio necessário... Lucy olhou de canto para o mago, estava se sentindo aliviada por tê-lo encontrado, passou o dia sem se verem, sem saber como ele estava. Natsu sequer foi ver Nashi e isso a deixou bastante angustiada, sem contar a conversa nada agradável e bem sugestionável que teve com Lisanna, que só serviu para deixar seu coração mais inquieto ainda.

Natsu notou o olhar da maga sobre si, mas ainda assim não a devolveu o mesmo olhar. No fundo sabia que não queria enfrentar aqueles olhos castanhos, mesmo estando com uma expressão serena no belo rosto e parecendo estar a vontade ao seu lado o olhar dela não escondia o brilho angustiado e preocupado.

— E Sting? — Perguntou, lembrando-se do mago que deixou desfalecido na meio da rua.

Lucy sobressaltou-se levemente ao receber tal pergunta, não esperava que o rosado se interessasse pela situação de Sting.

— Quer saber como ele está? — Perguntou um tanto desconfiada, tentando verificar se fora isso mesmo que Natsu havia lhe perguntado, porém o rosado apenas lhe respondeu com um suspiro impaciente. — Ele já partiu para Sabertooth, não se recuperou ainda mas esta conseguindo respirar e andar. — Respondeu resumidamente.

Natsu não demostrou nenhuma reação diante da resposta de Lucy, pois, de fato pouco se importava com Sting ou com qualquer outra pessoa. Mas, ainda assim o ar pareceu entrar com mais leveza dentro de si. A notícia de que ele estava respirando e longe de Magnólia lhe agradou seus ouvidos. Olhou de canto para Lucy e a analisou.

— Por que veio aqui? — Mudou o assunto.

Lucy mantinha os olhos sobre ele, o analisando também, observando atentamente cada detalhe, cada mínima expressão.

— Queria ver como você estava. — Respondeu séria.

— Moramos na mesma casa Lucy.. cedo ou tarde me veria. — Já começava a se incomodar por estar sob aquele olhar tão analítico.

— Eu sei.. se não me quer aqui posso ir embora. — Sugestionou sincera, já dando menção em se virar e partir. De fato não insistiria em ficar ali, foi o que planejou enquanto subia a colina, que não forçaria uma conversa caso o mago não estivesse disposto. Queria conseguir abardá-lo como abordou no dia anterior, onde conseguiram conversar sem estranhamentos, sem asperezas e sem a inabalável fortaleza que Natsu havia construído em volta de si.

— Pode ficar. — Pediu, finalmente olhando com mais afinco pra loira.

Lucy gostou de ouvi-lo pedindo para ficar, não contendo um sorriso e dando um passo para mais perto do rapaz, e ao invés de ficar ao seu lado ela tratou de ficar de frente para ele. Sabia que Natsu estava lutando contra seus próprios demônios para trata-la bem, no ultimo ano o mago se distanciou de todos, ficou frio, arrogante e tomou uma aura que a assustava só de lembrar. Porém, apesar de testemunhar na noite passada um Natsu assustador disposto a matar outro mago, ela sabia que o rosado estava se desarmando em sua presença. Talvez fosse a ligação que tiveram um dia como amigos, ou pelo fato de terem uma filha juntos, não sabia bem o por quê, só sentia dentro de seu coração que ele estava baixando a guarda e que ela poderia o ajudar.

Havia muitos assuntos a tratar com ele. Muitas dúvidas quanto o interesse de Zeref, Tartaros e a estranha ameaça do Conselho. Tinham muitas conversas inacabadas. Passaram quase um ano afastados, e mesmo após seu regresso pouco pode de fato conversar com ele. E não o culpava por isso, Nashi dominou todo o seu tempo e atenção, e estava grata por isso, fazia poucos dias que ele estava de volta e já parecia completamente apaixonado pela pequena. Entretanto, mesmo diante de tantas pendências a se tratar com o Dragon Slayer havia em sua mente algo a parte, um assunto que surgira recentemente e que conseguiu a deixar bastante intrigada... intrigada só isso.

— Por que deixou Lisanna se aproximar tanto? — Escapou por seus lábios uma pergunta que martelou insistentemente em sua cabeça no decorrer daquele dia.

— Como assim? — Estreitou os olhos pela repentina indagação de Lucy.

— Ela me contou do encontro que tiveram em Hargeon.

— Aquilo não foi um encontro... — A voz tomou um tom em desinteresse, e piscou os olhos fadigado só de lembrar na insistência da albina.

— Mas ela acha que foi...

— Espera ai... — Olhou para Lucy estreitando os olhos em dúvida e irritação. — Como você sabe sobre isso?

— Isso não importa. — Não falaria sobre a maneira rude e ameaçadora que Lisanna a contou, não era sua intenção manchar a imagem da albina.

— Esta claro que foi ela que te contou. — Era óbvio, já ficando irritado só de imaginar se Lisanna teria feito isso no intuito de deixar Lucy ainda mais distante dele.

— Como eu disse isso não importa.. — Olhava nos olhos do mago. — Só que, ela me culpou pelo que aconteceu ontem. — Pareceu um pouco insegura, tanto nas palavras quanto no olhar. Não admitiria a ninguém, mas aquelas palavras de Lisanna a feriu, pois ela sentia certa coerência em tal afirmação, na verdade sabia que ela poderia ter evitado aquilo, porém não precisava de mais ninguém lhe atirando foices e pedras, pois ela própria já se punia o suficiente.

Natsu nada disse por alguns segundos, até suspirar fadigado.

— Não dê atenção ao que ela diz. Lisanna é mais sentimental e dramática que você, deve ter ficado ressentida com tudo que vem acontecendo.. — Resolveu não dar importância ao ataque da albina.

— Hmm...Mais sentimental do que eu?! Então me acha sentimental e estérica? — Resmungou, não sendo capaz de refutar já que ele estava com toda a razão quanto a isso. — Mas você não me respondeu. Por que deixou ela se aproximar tanto? Ou ela mentiu pra mim? — Insistiu na pergunta.

Natsu sentiu-se estranhamente em um interrogatório, franziu as sobrancelhas sem entender do por quê Lucy o especular sobre algo tão insignificante para ele.

— Só me deixei envolver pelo momento... nada de mais. — Falou sério, Lucy mantinha o rosto levemente levantado afim de manter os olhos nos dele. E diante do assunto pouco notou que estava perigosamente perto do mago.

— E por que não foi nada demais? — Não soube bem o motivo de lhe perguntar isso, tão pouco o por quê de estar falando sobre Lisanna e não outros tantos assuntos muito mais urgentes e importantes. Mas perguntou. E agora queria ouvir sua resposta. Pois saber que o mago havia se interessado em ter alguma coisa com a maga Strauss a deixou incomodada. Não era ciúmes, apenas um incomodo de imaginar que enquanto ela passava por momentos tão difíceis ele estava por ai se envolvendo com Lisanna.

— Porque não era você. — Falou sério e sem hesitar, lembrando-se perfeitamente do incomodo que sentiu ao inalar o cheiro de Lisanna e constatar que não era Lucy ali em suas mãos.

Lucy estatelou os olhos chocolates com a resposta tão firme e inesperada que recebeu.

— Não era eu?! — Tentou compreender aquelas palavras.

Natsu agora conseguia manter os olhos fincados nos de Lucy, notou a loira se desconcertar ao ouvir sua resposta e adorou aquela visão. Os olhos dela tremeluziam e seus lábios ficaram entreabertos, pois a mesma parecia querer balbuciar algo. Deu um passo para mais perto dela e se agradou por ela não ter se afastado, fez então o que seu corpo clamava desde o dia que a viu pela primeira vez após seu regresso, a segurou pela cintura e sutilmente a puxou para mais perto, envolveu suas mãos quentes e forte na cintura delicada dela, ao toca-la sentiu-se imerso em sensações que já não sentia há muito tempo.

— Eu só quero você Lucy. — Falou inebriado, aproximando o seu rosto no dela.

— Natsu... — Colocou as delicadas mãos no tórax do rapaz, no intuito de afasta-lo, mas Natsu sequer se mexeu. Ou ela sequer fez força para o manter longe.

Seu coração batia tão forte que o sentia pulsar em sua garganta, as pernas já tremulas e a mente atordoada por se ver envolvida pelas mãos dele. Por quanto tempo relutou? Quanto tempo passou enterrando esses sentimentos? Por quantas vezes conversou com Gray e as meninas deixando claro que não mais cairia nas garras dele... e agora estava ali, apreciando aquele calor que só ele tinha e estremecendo ao sentir a mão firme dele apertando sua cintura a trazendo para mais perto dele.

Saiu de seus turbulentos sentimentos quando sentiu uma mão de Natsu largar sua cintura e subir por seu dorso até sua nuca, a sensação que teve foi que pelo caminho feito pela mão do mago ficara um rastro de fogo em seu corpo, sentiu os dedos dele se perderem em seus cabelos e no mesmo momento a boca dele tocar a sua, as mãos tremulas e geladas que estavam no tórax do rapaz foram inconscientemente subindo e se envolvendo em torno do pescoço dele, juntando seu corpo ao dele.

E, quando menos esperou se viu entregue nos braços do mago, os corpos colados tanto quanto os lábios, era um beijo sem pressa, mas com nítido desejo. Lucy permitiu se esquecer de todo o mundo e se entregou aos braços dele, se envolviam mais e mais naquele beijo, um apreciando o sabor do outro, explorando e se perdendo na boca do outro, e mesmo quando afastavam os lábios em busca de fôlego logo se uniam novamente. E como um entorpecedor viciante, a sensação era que ficaram tempo demais em abstinência e agora saciavam o vício que um tinha pelo outro. .

As lágrimas escorriam pela face alva sem ela perceber, a pequena mão se fechava em punho sobre o coração, sentia-se num pesadelo... num terrível pesadelo. Viu o exato momento em que Natsu puxou Lucy para mais perto e a beijou, e diante de seus olhos testemunhava um momento só deles, um momento que nenhuma outra pessoa já tivesse visto.

Lisanna estava posta atrás da grande e bela árvore, a mesma onde Natsu buscou refugio do sol naquele dia. E mesmo que sua mente implorasse para que ela saísse dali seus olhos não eram capazes de lhe obedecer, era como uma ação involuntária olhar para o casal, numa tentativa de descobrir se era uma miragem, um pesadelo ou de fato a realidade. "Vai muito além disso" As palavras de Lucy chocaram-se forte em sua mente a fazendo se sentir humilhada e abandonada, pois conseguia agora compreender o que ela quis dizer. O Dragon Slayer do fogo, tão prepotente e poderoso, estava completamente enfeitiçado pela loira... pelo menos foi isso que relutantemente constatou ao ver a postura de Natsu perante a maga celestial.

Confirmando que não era uma miragem nem um pesadelo, finalmente teve forças para se virar e correr para longe, se esquivando dos galhos de árvores e arbustos mas ainda assim não conseguindo evitar que muitos desses lhe atingissem os braços e o rosto. Mas pouco se importava, só queria correr para o mais longe dali, as lágrimas brotavam com abundancia de seus olhos azuis tão tristes e escorriam pela face. Vendo que já estava afastada o suficiente ela parou de correr, não deixando de se afastar mas agora em passos mais lentos, fungava e tentava secar as lágrima insistentes. Lágrimas de raiva, dor e frustração.

Não poderiam ficar ali para sempre, e só por esse motivo Natsu largou os lábios já inchados e avermelhados de Lucy, não tirando suas mãos do corpo dela nem afastando seus rostos, já a loira deixou seus braços, que estavam envolvidos em seu pescoço, caírem até pousar suas mãos em seu tórax novamente. Ambos tentavam tomar ar e saírem daquele torpor que os tomavam.

Lucy sentia a respiração dele, suas mãos se moviam conforme o peito de Natsu se inflava e se contraia com a respiração, sentia o vento batendo em sua pele mas, o intenso calor do mago não permitia que ela sentisse frio. Suspirou buscando controlar seus sentimentos e seu próprio corpo, pois pouco se lembrava como foi parar ali, nos braços dele.

— Vamos voltar pra guilda.. — Falou baixinho, estava com medo de continuar ali com ele... Mas não era medo dele, e sim de si própria. Porém, Natsu pareceu não escutá-la, ele não a soltou e sim desceu seu rosto até a curva de seu pescoço e a apertou ainda mais em seus braços, sentiu quando o mago puxou o ar lhe cheirando, e se arrepiou quando ele depositou um beijo quente na pele de seu pobre pescoço.

— Senti sua falta. — Admitiu, a abraçando com mais força.

Lucy fechou as mãos que ainda permaneciam apoiadas no tórax de Natsu, agarrando o tecido do sobretudo dele.

— Sentiu? — Droga, não era para perguntar isso. Deveria pouco se importar com o que ele sentiu ou deixou de sentir, e manda-lo para a zona de arquivo morto. — Como sabe que sentiu minha falta? — Droga de novo...

— Nada faz sentido pra mim sem você. — Tirou seu rosto do pescoço dela e a olhou nos olhos. — Você e Nashi são tudo pra mim.

Seu coração deu um salto dentro de peito, olhava aturdida para os olhos de Natsu, tentando encontrar algum vestígio de dúvida ou incerteza, mas só o que enxergava era um brilho intenso de pura convicção. Jamais imaginou que depois de tudo, ouviria ele lhe dizer isso. Passou tantos meses tentando compreende-lo, tentando aceitar que não passou de uma mera distração para ele, mas agora tudo isso começava a se destoar de sua mente.

Apertou ainda mais as mãos no tecido da roupa do mago, e fechou os olhos escondendo seu rosto no peito dele.

— Então vamos pra casa... — Falou num ato de insanidade, com seu corpo e seu coração ansiosos demais para ela conseguir dizer algo mais.

Ah não, não a levaria para casa agora... Natsu a soltou de seus braços e pegou em sua mão a levando até o farol, Lucy o seguiu sem pestanejar, olhando enfeitiçada para as costas largas do mago. Sem esforço algum Natsu quebrou a tranca e abriu a velha porta de madeira do farol, a umidade chocou-se com a face dos dois quando entraram na torre, o lugar que um dia serviu de lar para o faroleiro de Magnólia. Lucy entrou no estranho cômodo observando cada detalhe, era curioso se ver dentro de algo cilíndrico como aquele lugar, diferente do que imaginou não era apenas uma torre oca, havia teto sobre eles e na outra extremidade do cômodo se via a escada em caracol, onde ela sumia pelo vão do teto acima.

O resto do espaço seria então a casa do antigo faroleiro, num canto havia uma velha pia e um velho fogão, eram antigos e diferentes do que estava acostumada, havia também um sofá posto em um outro canto próximo a pequena janela. Apenas isso fora o que restou daquele lugar, as paredes eram rochosas assim como o chão. Ficou tentada em curiar aquele lugar, talvez se aventurar naquela imensa escada e poder admirar a linda vista que teria ao topo daquele farol.

Mas seu instinto de jornalista curiosa se foi quando sentiu Natsu a abraçar por trás, afundando novamente seu rosto em seu pescoço, porém desta vez na região de sua nuca. Não deveria estar ali, não queria se entregar para ele...Não tão facilmente. Mas não era isso que seu corpo demostrava, seu coração ansioso batia forte ao toque do mago, e sua pele se arrepiava só de sentir o braço forte dele em torno de sua cintura.

Se virou para ele não saindo de seu enlace e o beijou, mesclaram novamente suas línguas e se afastou da boca dele apenas para tirar seu sobretudo e sua camisa preta, um olhar felino caiu sobre o mago e não conseguiu evitar o ímpeto de morder os próprios lábios ao fitá-lo, o corpo continuava tão bem trabalhado como antes, mas para seus olhos famintos ela notou que Natsu estava mais forte, na verdade havia notado isso há tempos, mas agora ela finalmente poderia desfrutar-se dele. E mais uma vez envolveu seus braços em seu pescoço e não evitou o desejo sedento de morder os lábios dele, tirando do mago um sorriso travesso. Quando ele pegou na barra de sua blusinha ela não hesitou em levantar o braços e permitir que ele a tirasse ficando apenas de sutiã, estava incerta sobre aquilo, mas ver o mago a devorando com os olhos e saber que ele poderia fazer muito mais a deixou ansiosa.

Natsu lhe buscou para mais um beijo desejoso, mas ainda sim calmo pois apreciava cada toque, cada sensação que aquela loira lhe causava. Sua mão percorria o corpo dela, desde o quadril, passando pela cintura, seios chegando em seu pescoço, estava redescobrindo aquele corpo que um dia já lhe pertenceu, o toque era suave, mas sem perder o peso que aquelas mãos fortes tinham. Lucy também se aproveitava do corpo colado com o seu, os músculos enrijecidos e o suor que já começava a surgir na pele do mago a deixava com um agrado prazeroso. Mas então ela afastou seus lábios dos dele e o olhou nos olhos.

— E como vai ser depois? — Mesmo em torpor diante do desejo em se entregar para ele Lucy encontrou um ponto de sanidade em sua mente para o colocar contra a parede. Não seria tola de se jogar em mais uma aventura desvairada com Natsu, precisava de certezas, agora tinha uma filha na historia. Natsu continuava a segurar seu delicado rosto, e não se desgrudou dela.

Como vai ser depois? — Ele repetiu a pergunta em tom pensativo, parecendo embriagado demais pelo desejo para poder raciocinar.

— Sim. — Falou decida, afastando o mago de si, mas não conseguindo fugir de suas mãos.

— Vai ser do jeito que você quiser... — Falou em um rompante, não deixando aquele clima sedutor que pairava entre eles se esvair. Se aproximou dela novamente e colou seus corpos mais uma vez. — Vou ser seu dragão, e nunca mais vou me afastar de você. — Sorriu, um sorriso que fez seu coração saltar, há quanto tempo não via esse sorriso?!

— Do jeito que eu quiser? — Perguntou em meio sorriso travesso, e tomando um olhar semi-serrado sobre o mago.

— Sim. — Neste momento já estavam roçando os lábios um no outro, voltando a se entorpecerem.

— Então podemos ficar mais um pouquinho. — Falou estasiada.

E sem perder tempo Natsu a tomou em seus braços e a levou até o velho e empoeirado sofá. A deitou sobre aquele móvel, e antes de ficar sobre ela tratou de degustar toda sua pele. Iniciou uma sessão de beijos e mordidas desde os lábios avermelhados da loira, passando pelo pescoço, pelos seios ainda cobertos pelo sutiã, barriga, quadril... se deslizou pelas pernas da magas chegando em seus pés. Ele segurou a perna da loira e beijou seu delicado e alvo pé, como um servo apaixonado por sua rainha. Lucy se arrepiou com cada toque carinhoso em seu corpo e sorriu com o gesto, gostando da sensação envaidecida que tomou seu ego ao vê-lo tão entregue.

Natsu voltou para cima e com a ajuda dela retirou o sutiã, apreciou a bela visão por um instante ante de ir retirar aquela saia azul e minuscula junto com a calcinha que ela usava. Não perdeu tempo e logo se livrou das peças que ainda restava em seu corpo também, caindo nu sobre a loira que o esperava ansiosa. O sofá era velho, porém grande e confortável o suficiente para acomodar os dois. Lucy sentiu o peso do mago sobre o seu corpo, peito contra peito... a pele dele tocando a sua e a aquecendo ainda mais. Sabia que havia sentido a falta dele, mas não imaginou que fosse tanto assim, o abraçou e o beijou tentando conter aquela saudade que a abatia naquele momento, se dando conta que necessitava tanto dele quando ele necessitava dela.

E durante o beijo apaixonado Natsu se ajeitou entre as pernas dela, já pronto para sacia-la. Mesmo durante o beijo Lucy arfou e sorriu em excitação ao sentir o toque lá embaixo, se preparando ansiosa para o receber. Enfim a invadiu, com calma e arfando entre os lábios dela a cada avanço daquela invasão. Lucy espremeu os olhos tentando conter o prazer, e ao mesmo tempo tentava corresponder o beijo que seu mago lhe dava. Quando Natsu se viu por completo dentro dela ele a olhou nos olhos, arfavam extasiados... Começou então a se movimentar, entrando e saindo da loira, chocando seus corpos que começavam a ficar cada vez mais suados. Lucy inconscientemente fincou as unhas em suas costas, como um pedido para não parar... mordia os lábios na tentativa de conter os gemidos.

Natsu colou sua testa na dela, os olhos ônix fincados nos castanhos, um braço ele usava como apoio para não deixar todo seu peso sobre ela e a outra mão ele acariciava seu rosto. Não era um momento louco de prazer desenfreado, estavam apreciando cada contato, cada movimento e cada explosão de prazeres que seus corpos criavam. Se encaravam entorpecidos e apaixonados, os olhos exalavam um brilho de puro prazer, hora e outra Natsu selava seus lábios nos dela no intuito de se unirem ainda mais.

Mas, dado algum tempo naquele ritmo de flexões luxuosas seus corpos começaram a ansiar pelo clímax, não poderiam ficar ali para sempre. Por mais que desejassem isso. Então, pela necessidade os movimentos foram ficando cada vez mais intensos e acelerados. O suor escorria e o calor era fora do comum. Natsu sentiu a loira estremecer abaixo de si, ela fincou ainda mais as unhas em suas costas e fechou os olhos, soube então que ela chegava em seu limite, e só com mais algumas investidas ele também alcançava seu êxtase, serrou os dentes e deu uma ultima investida, forte e profunda, se derreteram então em sincronia e no mesmo instante. Desmoronou satisfeito sobre a maga.

Os suores se misturaram, ambos buscavam controlar a respiração descompassada. E depois de mais alguns instante o mago finalmente se retirou pondo-se a se deitar entre o encosto do sofá e Lucy, para ela ficar mais confortável e não ter o risco de cair ele a puxou para si, Lucy jogou quase todo seu corpo sobre Natsu, entrelaçou uma das perna nas dele e depositou sua cabeça sobre seu tórax, tendo o privilégio de escutar o coração do mago bater forte contra a caixa do peito.

[ ]

Nashi agora roubava a atenção de Gray, Juvia, Wandy e Erza... a pequena já estava de banho tomado e barriguinha cheia, titia Erza, Levy e Juvia se dispuseram da árdua tarefa. O trio não ficava tão longe do sufoco que Natsu passou na primeira vez que cuidou da herdeira. Também tiveram que lidar com manha insistente, talco anuviando por todo o quarto e inúmeras investidas da pequena em fugir da cama, banheira e berço onde era posta. Mas enfim estavam ali, missão comprida e bebezinha cheirosinha, agora Gray fora incumbido de acalma-la e fazê-la dormir. Mas Nashi parecia estar ligada em alta voltagem, pois roubava a atenção do moreno com seu bico dengoso para ele lhe fazer cócegas e caretas.

Estavam animados, como sempre a guilda cheia... magos indo e vindo, compartilhando conversas e sorrisos.

— Acho que estão demorando demais. — Gray falou, tirando das mãos de Nashi um pão enorme no qual ela já tratava de levar a boca. “quando foi que ela pegou isso?”

— Não se preocupe, ela está com Natsu. Então está tudo bem. — Erza o tranquilizou, Happy já estava entre eles há algum tempo tratando de informa-los que Natsu e Lucy ficaram para trás para poderem conversar sobre algo.

Juvia estava ao seu lado, o auxiliando nos cuidados com Nashi, sempre apanhando os brinquedos que a pequena lançava ao chão ou evitando que a mesma os pusessem na boca.

— Juvia também concorda. Não fique preocupado.. não há necessidade... Pelo menos podemos ficar mais com Nashi.

— Ok... — Se convenceu, olhando para Nashi e sorrindo ao vê-la tão risonha e serelepe.

— Não sei como Lucy dá conta de cuidar dela... Nashi não para um minuto sequer. — Falou Levy, lembrando do sufoco que passou junto de Gajeel antes que Happy chegasse para os ajudar.

— Cuidar de uma criança não é fácil... — Concluiu Gray.

— Mas é bom nos acostumarmos.. Juvia vai dar muitos filhos para meu Gray-sama. — Falou apaixonada, dando um jeito de se grudar no pescoço do mago, mesmo com Nashi em seus braços.

A azulada era sempre espontânea em suas demostrações amorosas para seu Gray, não foi difícil para todos notarem que finalmente eles formavam um casal, pois o moreno não mais fugia de seus afagos e declarações.

Eles riam, não só o grupo, mas todos... havia sons de risadas, conversas e canecos sendo postos desleixadamente sobre as mesas. Quem olhava de fora via apenas as luzes da guilda acessas, iluminando lindamente a faixada da guilda, mas conseguiam sentir a energia contagiante que aquele lugar emitia.

— O que sente ao imaginar que essa alegria está prestes a acabar?

— Hm.. — Apenas sorriu, estreitando os olhos fundos e escuros em direção a guilda.

Os dois vultos que espreitavam Fairy Tail do outro lado da rua apenas observavam os últimos minutos de paz das fadas... uma atitude tão sádica quanto prazerosa.

Notas finais
Finalmente Brasil... depois de mais de 20 episódios finalmente tivemos o prazer de ver esse casalzinho junto. Acho que vai ser difícil agradar a todos, e sei que tem muitos que ainda não compreenderam a posição do rosado T,T mas espero que tenham gostado ^^ Nota I: Mores, eu leio cada comentário quase que "ao vivo" (assim que vocês comentam) mas peguei uma péssima mania de responder só quando vou postar, é bom, porque releio cada comentário e fico ainda mais animada :D, mas é chato pois demoro para respondê-los. Peço desculpas por isso ^^ Espero que não se incomodem com essa autora-san atrapalhada :} Nota II: Próximo capítulo já está em andamento, será postado no sábado ok? ok... :}