Fogo Inalcançável

20 20º Capítulo - Voltando ao trabalho, Natsu entra em desespero.


Notas iniciais
Oii Leitores-san!!! Capítulo pra lá de especial ^^ Muitos de vocês esperavam por isso. Me perdoem possíveis erros e boa leitura?

A poeira e o cheiro de mofo não incomodava o mago que dormia profunda e desleixadamente no sofá quase que não visto na sala de tão bagunçada. Natsu não se importava com conforto, apenas o fato de estar em sua casa já era o suficiente para ficar tranquilo. Se preocupar com limpeza, organização e decoração seria uma perca de tempo.

O rosado dormia tranquilo, sem a camisa e sem o sobretudo, apenas com sua típica calça, o sofá estreito e pequeno fazia com que seu braço ficasse caído para fora, o sono era tão profundo que ele respirava forte, quase roncando.

— Natsu! – Escutou uma voz ao fundo, parecia ser a voz de Lucy.

— Natsuu!! – Agora além da voz fina da loira parecia também escutar algumas batidas. Que não foram o suficiente para ele acordar.

— NATSUU!!!

Despertou no susto, inevitavelmente caindo do sofá, a mente demorou alguns segundos para se localizar e entender de que ele estava em sua casa, olhou irritado para a janela vendo que o sol mal havia nascido. Olhou para a porta, sentindo que saia dali o cheiro da loira e de Nashi.

Levantou-se extremamente mal humorado, pouco se preocupou em ajeitar os cabelos; que na verdade sempre estão desgrenhados; tão pouco vestir alguma camiseta. Caminhou até a porta e a abriu. Vendo Lucy com Nashi nos braços, e em cada ombro da loira havia uma bolsa enorme e a banheira rosa de Nashi que estava amarrada por uma fita em uma das bolsas.

Antes que o rosado dissesse algo Lucy o atropelou entrando apressada em sua casa. Nashi estava sonolenta assim como o pai, ela estava com a cabecinha no ombro da mãe e seu corpinho todo molenga, mostrando que ela dormia, mesmo com toda a barulheira que a loira fazia.

Natsu olhou descrente para Lucy, que pouco se importou, ela olhava pela casa, chocada pela desorganização. Então olhou firmemente para o pai de sua filha, que ainda estava parado perto da porta a encarando também, e tentando entender o que ela fazia ali.

— Vou sair em missão com as meninas. E trouxe Nashi para você cuidar. – Olhou repulsiva ao seu redor. – Mas nunca que deixarei o meu bebê nessa bagunça! – Disse retorcendo os lábios em desgosto.

— Ok, então tchau! – Simples, tão simples que irritava.

— Nanii.... Simples assim? – Perguntou irritada. Olhou decida e respirou fundo, caminhou firme até o sofá e com o pé ela tirou a jaqueta de Natsu que estava amontoada e toda amassada sobre o móvel, segurou Nashi com apenas um braço e com a mão livre tirou rapidamente de uma das bolsas um cobertor felpudo na cor rosa e cobriu uma parte do sofá. Cuidadosamente colocou Nashi sobre o cobertor. A pequena dormia profundamente e Lucy agradeceu por sua filha ser tão dorminhoca quanto o pai.

— A mantenha neste sofá, não a coloque sobre a mesa, nem fogão ou qualquer outra coisa imunda e perigosa desta casa. – Falou irritada, abrindo a janela que havia sobre o sofá. – Mantenha as janelas abertas para arejar essa casa. – Se virou e na outra parte do sofá colocou as duas bolsas e a banheira de Nashi. – Tudo que Nashi precisa está nessas bolsas. Ela mama de três em três horas, a primeira mamadeira vai ser assim que ela acordar, o primeiro banho depois que ela mamar, e o segundo no final da tarde, além disso, precisa trocar a fralda dela a cada mamada.

Natsu olhava incrédulo para a loira, ele franziu as sobrancelhas e cruzou os fortes braços, parecendo não gostar do que estava escutando.

— Do que você está falando? – Perguntou irritado; se Lucy não tivesse se preparado psicologicamente teria estremecido diante do tom de voz do rosado.

— Não entendeu o quê? Você mesmo disse que se eu quisesse voltar a trabalhar você daria conta dela! – Respondeu áspera, mas em tom baixo para não acordar a pequena.

— Mas não imaginei que seria no dia seguinte! Você ainda precisa treinar e se exercitar, ficou quase um ano parada e já vai sair em missão?!

— É uma missão fácil, mais levarei o dia inteiro. Vou aproveitar para voltar ao ritmo. – Explicou, olhou para a filha que dormia serenamente e voltou a fitar Natsu. – Olha não é fácil pra mim também, mas Porlyusica saiu para as montanhas em buscas de ervas, Bisca saiu em missão com Alzack, Happy e Gray vão comigo e qualquer outra pessoas mais indicada para cuidar de Nashi não está disponível. A missão é perfeita para o meu regresso, e já que o pai dela está na minha frente, não tem porque eu não ir! – Terminou irritada, excedendo a voz.

— O que vou fazer com ela o dia inteiro!? Eu tinha meus planos pra hoje. – Perguntou exaltado.

— Fale baixo. As necessidades de um bebê não são nada complicadas, é só alimentá-la, deixá-la dormir, dar carinho e brincar com ela. E sobre seus planos para hoje... Desmarque-os. – Concluiu cinicamente.

Natsu suspirou derrotado, passou a mão no cabelo tentando assimilar o tamanho do problema que estava surgindo na sua frente. Nashi então resmungou, estava despertando. Lucy olhou para a filha, que ao perceber que estava em outro lugar já formava um biquinho choroso.

— Bom... ela acordou cedo hoje! – Falou provocativa, pegando a filha e lhe dando um beijo em sua testinha. – Mamãe já volta, vou sentir saudades. – Falou dolorida só de imaginar passar um dia inteiro longe de sua filhota. Aproximou-se de Natsu e sem que ele pudesse negar ela passou Nashi para os braços dele. – Bom... cuide bem dela, eu voltou no final do dia. E faça o favor de vestir uma camisa! – Falou, parecendo desconfortável, e saiu da casa rapidamente, deixando para trás um Natsu imensamente irritado e uma Nashi chorosa.

O rosado esticou os braços fazendo com que a pequena ficasse de frente para ele, ela o fitou, e o bico choroso foi tomado por um sorriu inocente para o pai.

... Uma hora antes, no apartamento de Lucy.

Lucy dormia profundo em sua confortável cama, o sol nem havia raiado ainda, e o friozinho da madrugada só a fazia se aconchegar mais ainda em seu edredom rosa.

Porém, dois toques suaves em sua porta e a voz de Erza lhe chamando a despertou de seu sono rapidamente, com o susto se sentou e olhou para a porta, não acreditando que sua amiga estava a lhe chamar em tal horário.

— Luxyy.. eu acho que é a Erza! – Falou o azulado, tão sonolento quanto a loira.

— Também acho Happy! – Lucy levantou sonolenta, claro que dando uma breve olhada na sua pequena, para garantir de que ela não havia despertando também. Ao abrir a porta se deparou com Erza, usando sua saia azul de pregas e sua armadura, sinal de que a ruiva estava pronta para sair em missão.

— Ohayou Lucy e Happy! – Cumprimentou alegremente. – Não acordei Nashi, acordei?!

— Ohayou Erza. – Respondeu Happy, saindo do sofá.

— Erza! – Falou surpresa e ainda sonolenta, esfregando um dos olhos. – Ohayou... não... ela ainda está dormindo! Está tudo bem? – Perguntou preocupada, dando passagem para a amiga entrar.

Erza caminhou até o centro de seu quarto, e com as mãos no quadril ela falou animada.

— Vim te buscar. Vamos sair em missão.

Lucy perdeu de vez o sono que ainda lhe restava, arregalou os olhos e ficando visivelmente assustada.

— Do...do que você esta falando Erza? Eu... eu ainda não estou pronta. Não me organizei, nem sequer comecei a treinar novamente.

— Não vim aqui escutar suas desculpas Lucy, vim te buscar. O pessoal já está te esperando.

— Como assim? E a Nashi? Não posso deixá-la! – Estava incrédula com a decisão de Erza.

— Esqueceu-se do pai dela? Se não estou enganada você já o ensinou como cuidar da filha. Então isso não será problema. – Respondeu em desdem.

— Não é fácil assim Erza. Não estou preparada para deixar Nashi com Natsu. Ele voltou há poucos dias, e ele apenas ficou com Nashi ontem à tarde. Você o conhece, ele mal sabe se cuidar, é desleixado, desorganizado e despreocupado. Nunca poderá cuidar sozinho da Nashi. – Soltou afoita. Apavorada ao pensar na possibilidade de deixar a filha com Natsu.

Erza tomou uma posição mais séria, e olhou nos olhos apavorados da amiga.

— Lucy, você conhece o Natsu, ele vai dar conta. Você tem que confiar.

— Eu sei, mas não assim, não tão rápido... – Ficou desorientada, a loira sabia que Erza não iria desistir. – Pelo menos Gray vai ficar? Assim eu me sentiria mais segura. – Perguntou esperançosa.

— Não. Ele também vai. – Nem deu tempo e já respondeu sucinta.

— Eu posso ficar com Natsu e Nashi Lucy. – Falou o Azulado, se aproximando. – Eu sei como cuidar da Nashi, então não vou deixar que o Natsu faça alguma estupidez.

Lucy abriu um sorriso de alívio, mas antes que seus olhos brilhassem Erza tratou de piorar a situação.

— Ora ora Happy, acredito que se você ainda esta morando com Lucy seja porque Natsu designou para que não saia do lado dela. – Ao falar isso Happy pareceu entender onde Erza queria chegar. – Se algo acontecer conosco, ou principalmente com Lucy você sem duvidas será o fator crucial para informar rapidamente o Natsu não é? Você ficar com Nashi seria totalmente desnecessário pelo fato dela estar aos cuidados do pai, que pode protegê-la de qualquer coisa.

— Hai. – Respondeu entristecido por não poder ajudar a amiga. Lucy também entristeceu de vez.

— Erza... Por que você esta fazendo isso? – Ficou Chorosa, quase entrando em desespero ao ser pressionada em deixar a filha e sair em missão. Não era fácil sequer pensar em ficar um dia longe de sua filha, imagina então ao saber que deixaria nas inexperientes mãos de Natsu?!

— Porque se eu não fizer isso por você, você jamais voltará a fazer missões. – Ficou séria novamente. — O instinto maternal faz com que uma mãe esqueça até que tem direito a existir. Isto é justo? – Deu uma pausa. – Talvez seja...não sei... Mas não quero que a Lucy que eu conheço deixe de existir. Não existe lugar mais seguro para Nashi do que ao lado de Natsu, você sabe disso. É uma missão simples em Hargeon e a recompensa é ótima, um comerciante precisa de magos para agilizar o trabalho no porto por causa de uma forte tempestade que se aproxima. A cidade fica ao lado de Magnólia, voltaremos ao entardecer. – Olhou carinhosa para a amiga, tentando transmitir confiança.

Lucy prestava atenção em cada palavra da ruiva, sua feição era de tristeza e duvida, mas Lucy não conseguia simplesmente ignorar o que Erza dizia, sua amiga muitas das vezes sabia o que era melhor para ela. E finalmente Lucy parecia começar a ceder, ela olhou saudosa para a filha que dormia, e suspirou derrotada.

— Mas estou um ano fora de campo, estou fora de forma. – Se preocupou novamente.

— Não se preocupe, a missão é ideal, por ser uma cidade próxima podemos ir caminhando, e caminhada já e um ótimo treino, a meta hoje não é deixá-la mais forte, com esta missão você já pode ir se adaptando novamente, pegando o ritmo e Nashi já vai se acostumando também.

Por fim Erza venceu, Lucy deu por desistir de encontrar desculpas para não ir.

— Ok. Então me ajude a arrumar as coisas de Nashi, Natsu não tem nada na casa dele para cuidar dela. – Pediu, já indo para sua cômoda. – Happy vá se aprontar também.

Erza ficou satisfeita por ver que havia conseguido convencer a amiga. Então os três começaram a se organizar, Lucy buscou no fundo de sua cômoda suas antigas roupas que usava em missão. A loira vestiu uma de suas típicas saias curtas na cor azul marinho e o fiel acessório, a cinta em que a loira armazena suas chaves e seu chicote, calçou sua bota preta de cano alto e vestiu uma blusinha justa tomara que caia na cor rosa chock, o cabelo que esta levemente mais comprido ela prendeu com uma fitinha azul claro deixando apenas a franja solta.

Happy, já estava pronto, apenas colocou três peixes em seu lencinho verde e ficou a esperar pelas meninas. Erza arrumou as bolsas que Lucy levaria para a casa de Natsu e as colocou em seu ombro e com a ajuda de uma fita ela amarrou a banheira de Nashi em uma das bolsas. E Lucy depois de se aprontar tirou Nashi do berço cuidadosamente para que ela não acordasse e por fim saíram do apartamento.

Erza e Happy acompanharam Lucy até certo ponto do caminho, sabendo que seria melhor a loira conversar a sós com Natsu. Então quando finalmente avistaram casa do rosado Erza parou e falou:

— Agora é com você, seja firme e decidida, Natsu pode mudar o que for, mas sempre continuará sendo preguiçoso e teimoso. Então não aceite um “não”, na verdade não pergunte nada, apenas o informe de tudo que ele precisa saber, se despeça de Nashi e saia... ok?! – Orientou a amiga, que parecia tomar coragem para fazer o tal feito, Erza ajudou Lucy a colocar as bolsas nos ombros. E ficou Happy e ela afastados enquanto Lucy se aproximava da casa do rosado.

Lucy sentia seu coração bater forte, olhou para a filhinha que dormia serenamente em seus braços e sorriu carinhosa. Ao se aproximar da porta a loira respirou fundo e fechou os olhos a fim de tomar coragem, e finalmente bateu na porta de Natsu e o chamou, torcendo para que sua pequena não acordasse.

Depois de três chamadas o rosado finalmente abriu a porta, e o coração da loira bateu mais forte ainda. Olhou para o mago de cabelos desgrenhados e sem camisa exibindo o físico invejável, foi inevitável não deixar os olhos caírem para o abdômen dele, agradecendo aos céus por Natsu ser desatento e não notar seu rosto envergonhado. Mas não era hora para isso. Respirou fundo mais uma vez e tratou de entrar na casa, na intenção de evitar muito contato visual. Enquanto olhava o interior da casa a loira buscava forças para não mudar de ideia e ir embora para casa com sua filha.

Responder as perguntas de Natsu lhe custou muita paciência, resistiu, insistiu, explicou, e para sua surpresa, ela conseguiu ser firme, e mesmo que dolorosamente conseguiu sair da casa deixando sua preciosidade aos cuidados de Natsu.

Ao sair da casa e dar alguns passos a loira finalmente pareceu respirar, as mãos mais uma vez ficaram tremulas e ela olhou temerosa para a casa de Natsu.

— Não direi para não se preocupar, pois sei que será em vão. Mas tente ser positiva e se foque na missão. Nashi está em boas mãos. – Falou Erza, que a esperava a poucos metros da casa.

...

O caminho para a cidade de Hargeon foi recheada de conversas animadas, conselhos, risadas e nostalgia, depois de longos meses Lucy voltara ao time de Erza, Gray, Happy, Wendy, Charle e agora Juvia. Todos caminhavam serenos, o trajeto era tranquilo, e podiam se distrair com as belas arvores pelo caminho, a estrada era de terra batida com pedregulhos cinza, e em volta havia muita grama, arvores florais e ao longe se via algumas vilas de Magnólia.

Ora e outra Lucy se calava e ficava um pouco pensativa, mas logo um de seus amigos tratava de se aproximar e distrai-la.

— Aquele cabeça de vento vai cuidar bem de Nashi. Eles vão se entender. – Falou Gray calmamente, sempre confiante. Lucy olhou para o amigo e sorriu aliviada.

— Hai. – Respondeu animada. E logo mudando de assunto, para não se afundar em pensamentos novamente. – Léo, Virgo e os demais vão ficar felizes ao retornar ao trabalho, eles não falaram nada, mas eu sei que estavam com saudades de dias assim!

— Com certeza! – Concordou Erza.

...

Enquanto isso na guilda Fairy Tail.

O clima sempre leve, descontraído e familiar pairava pelo Guilda, havia poucos membros por lá, provavelmente estariam em missão também. Mas mesmo assim Mira tinha bastante trabalho, hora auxiliando o Mestre com os pedidos de missão e relatório de missão concluída e hora cuidando do salão.

Para a sorte da albina agora ela tinha a frequente ajuda de Kinana, que além de ajudante era também uma companheira para conversar e se distrair. Mira se aproximava do balcão com uma bandeja e uns canecos vazios, e Kinana se ocupava em organizar os copos recém lavados em uma das prateleiras.

— Gomen Kinana... Encontrei mais canecos sujos. – Se desculpou, ao ver que a amiga tinha mais serviço para fazer.

— Não se preocupe Mira-San. Já estava sem ter o que fazer mesmo. – Kinana era gentil, e pró ativa, adorava ajudar nos afazeres e aliviar os serviços de Mirajane, que sempre estava fazendo tudo por lá.

Lisanna se aproximou das meninas e sentou-se em uma das banquetas, parecendo procurar por algo ou alguém.

— Algum problema Lisanna? – Perguntou Mira ao notar a inquietude da irmã caçula.

— Não estou vendo Lucy, nem seus amigos, eles costumam sempre estar por aqui neste horário. – Falou intrigada.

— Are Are... você não ficou sabendo? – Perguntou animada, colocando a bandeja sobre o balcão. E vendo a cara de interrogação da irmã ela prosseguiu. – Lucy partiu em sua primeira missão, junto com todo seu time!

— Sério?! Mas... e a Nashi? Eu acho que a Porlyusica-san não esta aqui hoje. – Se surpreendeu.

— Nashi ficou aos cuidados do pai.- Respondeu Kinana, se aproximando de Mira e Lisanna.

Lisanna sentiu uma batida mais forte ao pensar em Natsu. Mas pouco pode falar, pois Gajeel e Elfman ouviram também, e logo trataram de sair tirando sarro do rosado.

— O poderoso Salamander está dando de mama então?! – Falou Gajeel em alto e bom som, e aqueles poucos que estava ali ouviram, logo começaram os murmurinhos e as risadas. Mas no fundo estavam felizes pelo Natsu.

Mira sorriu com as gracinhas dos amigos, se Natsu ouvisse aquilo ele literalmente cuspiria fogo.

[ ]

Enquanto isso, na casa de Natsu e Happy.

Vendo que Lucy não estava de brincadeira e que ela não voltaria para cuidar de Nashi, Natsu teve mesmo é que se conformar e tratar de cuidar de sua pequena.

A pequena que aliás, acordou a todo o vapor, ela tentava a todo o momento pegar nos cabelos do pai, ou em seu nariz. Natsu olhava em sua volta e se perguntava o que faria primeiro, o que Nashi queria. Respirou fundo, o jeito seria encarar a realidade e tentar fazer o que Lucy lhe passou.

Então ele foi até o sofá e colocou Nashi sobre a coberta rosa que Lucy havia estendido ali. Mas, assim que a deitou, Nashi desfez o sorriso banguela e formou um bico choroso. Natsu se assustou, e se perguntou o que havia feito de errado. Mas antes que descobrisse o motivo ela começou a chorar, e chorar bem alto.

Felizmente o rosado se tocou e a pegou novamente, cessando de imediato o choro.

— Mas como vou fazer sua mamadeira com você no colo?!! – Perguntou irritado, mas Nashi pouco ligava e sorriu mais ainda ao ouvir a voz do pai.

Foi difícil, desconfortável e demorado, mas Natsu conseguiu preparar a mamadeira da pequena, usando, assim como Lucy lhe disse, a instrução no verso da embalagem do leite em pó. Claro que no processo lhe surgiu muitas duvidas, em razão das medidas e da temperatura, mas ele logo se resolvia, sem contar com Nashi, que não parava um minuto se quer, tudo que via queria pegar, puxava seu cabelo ou começava a babar em seu ombro.

Por fim se viu segurando uma pequena mamadeira transparente com um lindo líquido branco dentro. Mas logo outro problema lhe surgiu, qual seria a posição certa para segurar Nashi, então ele tentou dar a mamadeira com ela em seu braço, porém, a pequena choramingou e virou o rostinho. O pobre rosado não sabia que sua filha estava acostumada a mamar deitada.

Mas não demorou muito para descobrir, depois de varias tentativas ele se sentou no sofá e a deitou em seu colo, a pequena fez o resto, olhou chorosa para a mamadeira dando sinal de que agora ela queria mamar. Então assim o vez. E finalmente sentado no sofá Natsu cumpria a primeira tarefa do dia, parecendo não acreditar ele olhava para sua herdeira que mamava com avidez, mostrando que por Kami-sama ela havia gostado do leite preparado por ele.

[...]

Em Hargeon.

O grupo finalmente chegou ao destino; uma loja razoavelmente grande que era propriedade do cliente que fez a solicitação da missão. Lucy se sentia um pouco deslocada e tentava a todo o custo prestar atenção nos afazeres que o Cliente lhes passava. A lista era grande, tinham que limpar os dois barcos de pesca que ele possuía, organizar o estoque, abastece-lo e descarregar o porão de um dos barcos que estava cheios de peixes.

— Bom pessoal, agora vamos nos organizar para não perdermos muito tempo. – Falou Erza, com uma folha de papel em mãos. – Lucy, você e eu iremos limpar o barco um; Juvia e Wendy o barco dois, Gray você retira os peixes que está no barco dois, Happy e Charle cuidam do estoque.

— Juvia vai trabalhar com meu Gray-Sama!!! – Falou alegremente abraçando um dos braços fortes do moreno. Gray que por sinal já nem se incomodava mais com as manias melosas da azulada.

— Só assim para terminarmos esta lista antes do fim do dia, e lembrando que uma tempestade se aproxima. – Informou Charle, sempre séria e sucinta.

— Sem problemas. Afinal o cliente quer que terminemos antes da tempestade, pois muitos moradores passaram aqui para abastecerem a dispensa. – Completou Wendy.

No fim todos concordaram com Erza. Imediatamente se dividiram e trataram de cumprir suas tarefas.

[...]

Na casa de Natsu e Happy.

Natsu tentava dar banho em Nashi, depois de realizar o grande desafio de tirar a roupinha pequenina do corpinho da filha sem que a machucasse. Por sorte o rosado prestou atenção em boa parte do que Lucy lhe ensinou, ele colou a banheira sobre a mesa e a encheu de água, com a própria mão ele aqueceu a água numa temperatura que Nashi adorou.

Depois de tentar lembrar a diferença do shampoo infantil com o sabonete líquido infantil, decidiu por misturar os dois na água, criando uma espuminha branca na banheira. Nashi foi ao delírio com toda aquela espuma, tentando comê-la, ou jogar para fora da banheira. Natsu se dividia em segurar a pequena na banheira, evitar que a espuma atingisse os olhinhos dela ou que ela engolisse a espuma, sem contar que toda aquela água e espuma voavam em toda direção.

Porém, o poderoso Dragon Slayer do fogo mal sabia que sua maior luta estava por vir. Tirar Nashi aos berros da água quentinha, secá-la enquanto ela chorava, tentando ignorar o drama da filha ele lutava para colocar a fralda na pequena, que não parava, hora esticava as perninhas, hora as debatia em pirraça.

Atrapalhado ele se esqueceu de fechar a pastilha de pomada que vazou por todo o sofá, Nashi alcançou com a mãozinha gorducha o frasco de talco que também estava aberto e o agitou, fazendo o pó cheiroso e branco flutuar por toda a sala.

— Nashi!! — Rosnou desesperado.

[...]

Enquanto isso em Hargeon.

Lucy chamou Virgo para ajudá-la a limpar o convés do barco, que estava atracado no porto da cidade, perto de uma ilhota onde havia um lindo farol.

— Hime-san! – Chamou a rosada, fazendo com que Lucy parasse de esfregar a madeira para olha-la, — Acho que terminei. – Falou polidamente. Lucy olhou tranquila, mais seu olhar logo foi tomado pelo pavor e desespero.

Virgo havia trocado o tecido das velas do navio por panos rosa com rendas decoradas. Além dos buracos que ela fez no intuito de “facilitar” o acesso para o interior do navio.

— Virgoo!! ... – Chamou desesperada. – O cliente não vai ficar feliz com isso!! – Concluiu chorosa.

— Serei punida, Hime-San? – Perguntou, inclinando o bumbum e já com um chicote na mão, parecendo gostar da ideia.

[...]

Guilda Fairy Tail, período da tarde.

Makarov tomava um caneco de rum, sentado sobre o balcão do bar.

— Como que Natsu está lhe dando com Nashi? – Perguntou pensativo.

— Natsu é forte, decido... Já encarou tanta coisa nessa vida. Com certeza esta tirando de letra. – Respondeu Gildarts, que estava sentado na banqueta também bebericando alguma bebida alcoólica.

[ ]

— Haaa.. O que você quer?!!!! – Perguntou desesperado; vendo Nashi chorando incansavelmente. Ele estava com o rosto e o cabelo encoberto pelo talco e o corpo cheio de pomada para assadura. Perguntava-se o que estava fazendo de errado, ele já havia lhe dado a primeira mamadeira do dia, deu-lhe banho e tentou balança-la em seus braços, mas ela não se acalmava. E ao escutar a voz alterada do pai tratou de intensificar o choro, fazendo o mago puxar os cabelos.

A pequena estava apenas de fralda, pois ele não conseguiu vesti-la. O desespero estava tomando conta da casa, enquanto Nashi chorava Natsu ficava mais nervoso e perdido no meio de toda a bagunça.

O rosado olhava para a filha que espremia os olhinhos e chorava sem parar, ele reparou nos cabelinho rosa; o tom da cor era idêntico ao seu; o rosto alvo e redondo, lembrando Lucy e os olhinhos puxados iguais ao seu, mas a cor era castanho, herdada da mãe. Ele suspirou derrotado, aquela pessoinha birrenta e mimada era uma mistura perfeita sua e de Lucy.

Ele a pegou no colo, e a levou para a rede que havia em sua sala. Deitou na rede e a colocou sobre seu abdômen, virada de barriguinha para baixo onde ela pode repousar a cabecinha em seu peito. Ele pegou um fraco impulso, e começaram a balançar lentamente. Nashi foi cessando o choro aos poucos, entre soluços e resmungos ela adormeceu.

O rosado por sua vez respirou aliviado, por conseguir acalmá-la.

— Se queria dormir, era só você fechar os olhos! – Falou baixinho, tentando entender o que passa na cabeça de um bebê. Ele colocou uma mão sobre as costinhas de Nashi, sentindo a respiração dela. Tinha que admitir, era bom tê-la assim tão perto.

[...]

Um pouco mais tarde em Hargeon.

Lucy finalmente havia conseguido convencer Virgo a colocar as antigas velas e a consertar o buraco antes que Erza visse. Ela respirava exausta e derrotada, sentada sozinha em uma caixa de madeira que estava no convés, pois Virgo já havia voltado para o mundo espiritual.

Erza ficou encarregada de retirar o musgo e toda a sujeira que havia no timão e nas laterais externas do navio. E para a sorte de loira, Erza ficou tão ocupada que nem percebeu a bagunça que ela e Virgo haviam feito.

Ao ter um pouco de descanso, inevitavelmente Nashi lhe venho em mente. Seu coração ficou apertado ao lembrar-se da filhota, percebendo que estava há horas sem vê-la ou sequer saber se ela estava bem. Natsu logo surgiu em seus pensamentos também, saber que sua pequena estava com o rosado lhe acalmava e lhe deixava em parafusos ao mesmo tempo.

— Lucy. Terminei aqui, vou ver se Gray, Wendy e Juvia precisam de ajuda. Se você terminou pode voltar para a loja do nosso cliente e ajudar Happy e Charle. – Falou Erza toda suja de musgo e barro, que surgiu de repente atrás da loira, que claro, se assustou com a repentina aparição da amiga.

Depois de se recuperar do susto Lucy topou a sugestão da ruiva, pois indo ajudar Happy e Charle eles terminariam mais rápido do que o esperado e poderiam ir embora.

— Acho que a tempestade está chegando! – Falou sozinha, observando que no horizonte do mar vinham nuvens pesadas e escuras. Temos que nos apressar. – Tratou de apressar os passos, os navios ficavam um pouco mais de um quilômetro de distância da loja do dono. O caminho era repleto por lojas pequenas que vendiam produtos artesanais e comidas típicas da região, mas Lucy tinha que ignorar essas distrações e apressar os passos.

O vento começava a ficar mais forte e o dia parecia virar noite, devido as nuvens escuras que tomaram o céu. A aproximação da tempestade fez com que muitos comerciante fechassem suas lojas, Lucy ainda via alguns donos de loja pregando madeiras nas portas e janelas, na intenção de proteger os estabelecimentos da fúria da tempestade.

As ruas começavam a ficar mais desertas, deixando a loira cada vez mais apreensiva, quando faltava pouco para chegar na loja Lucy notou um figura curiosa em uns dos inúmeros becos que haviam na rua, mas a loira estava com pressa e temerosa então resolveu ignorar. Dados mais alguns passos ela escutou uma voz conhecida lhe chamando

— Lucy Heartfliia! – A voz fina e feminina lhe era familiar, e quando se virou e mesmo com a mudança drástica de visual pode confirmar seu palpite.

— Minerva?! – Ficou assustada ao identificar a mulher, que estava com uma aparência ameaçadora. Perguntou-se como e quando Minerva adquiriu chifres e garras.

Lucy ficou imóvel, o vento gélido e forte que vinha do mar vazia sua pele arrepiar, mas ao ver Minerva se aproximar o incômodo do vento se tornou um mero detalhe, seu corpo todo congelou. Era inevitável não lembrar o que passou na mão de Minerva nos grandes jogos mágicos. E agora com aquela aparência, com as tatuagens, as faixas e os sobretudo Lucy sabia que de alguma forma ela havia se tornado muito mais poderosa.

— A maga celestial de Fairy Tail! – Falou enojada.

— Minerva o que faz aqui? O que aconteceu com você? – Soltou as duas perguntas.

— Como assim, “o que aconteceu comigo?” – Pareceu não entender, então sorriu. – Haa, você está se referindo ao meu novo visual!! Confesso que estou decepcionada, achei que Natsu havia lhe contato. – Fingiu estar decepcionada, mas em seu olhar Lucy sabia que ela queria amedrontá-la.

— Natsu!? – Perguntou confusa. Natsu havia encontrado Minerva?

— Estou vendo que você não é mais a fiel e inseparável parceira do Dragon Slayer. Se não você saberia. – Concluiu, se aproximando lentamente da loira, que ao ver a aproximação perigosa começou a ficar em alerta colocando a mão sobre a bolsinha do cinto em que suas chaves estavam.

— Não precisa ficar com medo. Não estou autorizada em atacar um membro de Fairy Tail novamente. Foi apenas uma linda coincidência nos encontrarmos.

— Autorizada? Novamente? – Lucy respirava afoita, demonstrando nervosismo.

A conversa das magas era quase inaudível devido ao som do vento e das ondas do mar que se quebravam nas pedras. Mas Lucy escutava perfeitamente as palavras da poderosa maga, apenas não encontrava sentido em tudo aquilo.

— Pobrezinha... Estou ficando decepcionada de conversar com você. – Ficou entediada, torcendo os lábios em decepção.

— Por onde você andou? E do que você esta falando?

— Não importa. Se quiser mesmo saber pergunte ao Natsu. – Foi áspera, mas então mudou o tom e olhou para a loira. – Mas sou obrigada a admitir que você esta ótima. – Falou impressionada.

— Ótima?

— Claro, muitas mulheres não conseguem voltar em forma depois de uma gravidez.

— Como você sabe?! – Se surpreendeu por Minerva saber sobre sua filha.

— Como eu sei?! Pense um pouco querida, você gerou o herdeiro, ou melhor, a herdeira de Natsu Dragneel. Iria me surpreender se visse alguém que não saiba! – Revirou os olhos.

— O que você quer comigo? – Buscava explicações.

— Com você nada! – Falou em descaso. – Apenas adoro ver seu rostinho apavorado. – Sutil e maldosa.

— Minerva?! – Uma voz duvidosa e autoritária chamou a atenção de Lucy e Minerva, e para o alívio da loira viu que era Erza.

— Erza! – Foi a vez de Minerva em ficar surpresa.

A ruiva teve as mesmas duvidas que Lucy, ficou surpresa pela aparência de Minerva; apesar de Jellal ter lhe contado; mas mesmo assim se perguntou o que ela fazia ali e por onde ela esteve, mais se conteve nas perguntas. Apenas pensava em Lucy e se Minerva estava disposta em machuca-la.

— Lucy, se afaste! – Pediu cautelosa, ficando em posição de ataque e pronta para chamar alguma armadura.

— Hahahaha. – Riu. Sumindo; sem que Erza e Lucy percebessem; e aparecendo atrás da loira, que ficou imóvel, pois Minerva colou atrás de si, a ponto de Lucy sentir sua respiração. Minerva passou suavemente uma de suas garras no rosto de Lucy, e olhou para Erza. – O que aconteceria se a machucasse? Penso em como Natsu reagiria; mas acredito que isso não o afetaria; então não se preocupe, não irei perder meu tempo com ela. – Se afastou de Lucy, que correu para perto da amiga, finalmente conseguindo ficar longe de Minerva.

— O que importa a reação de Natsu?! Eu que irei puni-la se machucar Lucy. – Falou irritada, fazendo surgir sua espada.

— Aproveite seu tempo Lucy Heartfliia. Ele esta se esgotando. – Direcionou o olhar para a loira e proferiu tais palavras que arrepiou até mesmo Erza. – Natsu jamais será capaz de proteger você e sua linda bebezinha do que está por vir.

— Do quê você esta falando!! – Lucy se alterou, em só imaginar que a segurança de Nashi estava em risco.

— Bye bye! – Se despediu cinicamente, satisfeita por plantar a semente do desespero em Lucy, e desapareceu tão rápido quanto o raio que cortou o céu naquele momento.

Lucy olhava desesperada para onde Minerva estava, e ficou arrasada por ficar na agonia de uma pergunta sem resposta. Erza ficou surpresa pela agilidade de Minerva. A loira olhou chorosa para Erza.

— Erza, o que ela quer? O que ela quis dizer?

— Não se deixe amedrontar Lucy, era isso que ela queria. Fique calma, e algo me diz que Natsu tem a respostas para suas perguntas. – Falou, já ligando os poucos do que sabia e com o que acabara de acontecer.

— Ele jamais irá me falar. – Falou decepcionada.

— Se envolve Nashi envolve você, faça ele entender isso Lucy. Eu buscarei por respostas também. Enquanto isso mantenha a calma e não comente com ninguém. Juvia, Wendy e Gray estão voltando, logo podemos ir embora. – Falou sabiamente, em tom baixo e sereno para acalmar a amiga.

[...]

Um pouco mais tarde, na casa de Natsu e Happy.

Depois de acordar da soneca na rede, Nashi ficou de bom humor, acordou manhosa, mas logo mostrou estar enérgica e pronta para roubar toda a atenção do papai que não descansou nada desde a hora que acordou com Lucy lhe chamando.

Seguindo cada palavra que Lucy lhe disse, ele preparou uma mamadeira a cada três horas, ficou atento para Nashi não engasgar, trocou quatro vezes a fralda de filha e descobriu que ela adora ver sua magia e ficar perto do fogo. O rosado estava distraído no sofá, com Nashi mamando mais uma vez em seu colo quando ele se tocou que não havia comido nada o dia inteiro, nem se quer vestido uma camisa.

E ao perceber isso sentiu logo um vazio em seu estômago; a fome já estava gritando, ele tinha que se alimentar também. Mas Natsu tinha um problema. Como prepararia uma refeição? Além de não ter um mínimo de habilidade na cozinha, Nashi queria ficar em seu colo a todo o momento.

Engenhoso e criativo Natsu criou uma caminha improvisada sobre a mesa para Nashi, usou a banheira e o cobertor rosa, e para sua surpresa a pequena adorou o aposento, para distrai-la o rosado encontrou em uma das bolsas o dragãozinho roxo de pelúcia e o sol amarelo emborrachado, onde Nashi logo tratou de abocanhar o solzinho e segurar o dragãozinho pela calda.

Para não deixá-la sozinha Natsu levou seu almoço até a mesa. Comeria o que achou na casa; dois pães que ele havia comprado no dia anterior, um copo de leite e um peixe assado. O mago estava salivando de tanta fome, mas a todo o segundo olhava para a filha para verificar se ela estava bem.

Só que mesmo com toda sua cautela o pobre mago não notou que a filha tentava sair da caminha improvisada. A pequena mesmo com apenas três meses de idade era muito ativa e forte, de repente ela começou a se agitar, deixando de lado seus brinquedos e olhando para o copo de leite na mesa. Natsu logo viu a filha agitada, chacoalhando as perninhas e esticando os bracinhos para o copo.

Mas antes que ele pudesse fazer algo Nashi conseguiu virar a banheira, o rosado se levantou com o pão na boca e conseguiu pegar a filha antes que ela caísse de vez sobre a mesa de madeira. Mas na tentativa de salvar a filha Natsu bateu a mão no prato onde estava o peixe, fazendo o alimento cair no chão sujo, Nashi agitada chutou o copo de leite que se virou e molhou toda a mesa e o chão.

Frustração não seria a palavra ideal para o que o rosado sentia, mais uma vez naquele dia ele se viu segurando a filha no meio de uma enorme bagunça. Ele apenas engoliu o pão que estava em sua boca e olhou em volta; pouco se importava com os chiliques de Lucy; mas se ela chegasse e visse toda aquela sujeira com certeza ficaria lhe enchendo a paciência. Nashi, por sua vez dava risada, satisfeita por ter saído da caminha e ter ido para os braços do pai novamente.

Para evitar transtornos Natsu decidiu dar uma organizada naquela sujeira. Mas, para fazer isso precisaria que Nashi dormisse, então sentou no sofá com Nashi no colo e passou minutos a fio a distraindo e brincando com ela. Era difícil distrair um bebê, ela apenas queria pegar seja lá qual fosse o brinquedo que ele estivesse segurando e em seguida mordia e babava em todo o brinquedo, quando cansava ela tentava morder o nariz de Natsu ou sua mão, no qual ele deixava, contando com que ela ficasse distraída e tranquila. Depois de um tempo a pequena finalmente começou a demonstrar cansaço e a ficar mais calma.

Vendo que ela estava ficando sonolenta Natsu colocou a banheira com o cobertor no chão e a depositou vagarosamente. Para seu alívio ela pareceu adormecer. Natsu levantou e esticou as costas, aliviando o corpo que passou o dia inteiro segurando um bebê agitado. Olhou para a vista lá fora, e viu que o sol começava a se pôr e o tempo parecia estar se fechando.

Ele teria que ser ágil e silencioso para limpar aquela casa. Foi a procura de alguns panos e baldes, não fazendo ideia se haveria algo assim em sua casa, pois a única vez que aquela casa foi limpa foi quando Lucy passou por lá. Na frustrada tentativa de encontrar alguma coisa que o ajudasse a limpar a sujeira Natsu olhou para Nashi e para seu total desespero viu a banheira virada e vazia.

— Nashi?!! – Arregalou os olhos e olhou para os lados. Ficou em alerta e se perguntou se alguém havia entrado em sua casa sem que ele notasse. A janela estava aberta, mas ninguém passaria despercebido pelo seu olfato. – Nashi?!!– Começava a ficar nervoso e a vasculhar a todo o canto, ficando convicto de que alguém havia entrado em sua casa, pois não era possível um bebê de três meses sumir.

Foi quando ouviu a risada sapeca da filha, ficou mais atento e olhou para onde veio o som, para seu alívio viu Nashi debaixo da mesa, de alguma forma, seja rastejando ou engatinhando ela conseguiu ir até aquele lugar. Mas o alívio de Natsu foi sucumbindo quando viu que Nashi estava deitada sobre o leite derramado e tentava morder o peixe que também havia caído, ao olhar pelo chão concluiu que ela se arrastou lentamente até a comida, pois havia um rastro em meio a todo o pó do chão. Perguntou-se como não notou os rastros chamativos que a filha deixou.

O rosado correu e a tirou do piso sujo e frio, vendo que ela estava imunda, havia pó, leite, farelo de pão por todo seu corpinho, fora o cheiro de peixe.

— Lucy vai me matar! – Concluiu decepcionado e cansado. Nashi sorriu, parecendo achar graça da desgraça do pai.

[...]

O caminho para casa foi mais rápido do que pensou, Lucy tentava não pensar no infortúnio de encontrar Minerva; era muito azar se deparar com tal pessoa logo no primeiro dia de serviço. As palavras da morena rebatiam em sua mente, e uma angustia a corroía por dentro.

Erza notava a preocupação da amiga, então tratava de acalmá-la, sem que os demais percebessem, mas logo Lucy se afundava em pensamento novamente.

— Não se preocupe Lucy. Sempre nos protegemos, cuidamos um do outro, nada vai acontecer com Nashi. Ainda mais com Natsu por perto. – Falou baixinho para a amiga.

— Vocês duas! Apressem os passos ou a tempestade nos alcançará. – Avisou Gray que caminhava na frente, junto com Juvia, Wendy e os exceeds.

Assim que chegaram frente a porta da guilda Lucy sentiu um imediato alívio e satisfação por ter concluído seu primeiro dia de missão.

— Minna... – Chamou os amigos. – Vou ir na casa de Natsu buscar a Nashi. – Falou ansiosa. O pessoal sorriu, entendendo muito bem a pressa da amiga.

— Ok, mas leve Happy com você. – Falou Gray sempre cauteloso.

— Arigatou! – Falou a maga agradecida, e logo saindo apressada junto de Happy.

[ ]

A loira mal pode acreditar quando se viu frente à porta da casa de Natsu, ela olhou sorridente para Happy que estava ao seu lado e então olhou para o céu nublado, agradecendo mentalmente por terem chegado antes da temida tempestade. Lucy então notou o silêncio, logo deduzindo que Nashi estaria dormindo, achou melhor abrir a porta e fez sinal de silêncio para Happy.

Lucy entrou cuidadosa, pisando levemente, olhando pela casa, e ficando boquiaberta. A bagunça que viu na manhã daquele dia não era nada comparada com o que via agora. Havia brinquedos da Nashi espalhados pelo chão e pelos móveis, a mesa estava melecada com algum líquido e o chão também, a banheira sobre a mesa ainda estava cheia de água, Lucy viu fraldas limpas jogadas por todo canto, certamente eram as tentativas frustradas de Natsu ao vestir Nashi.

O ambiente estava um pouco escuro, então Lucy e Happy faziam manobras para não pisar em nada. A loira ainda se perguntava se Nashi estava por ali, até que olhou para o sofá no canto da parede direita, e viu Natsu deitado, ela se aproximou lentamente, ele estava dormindo, dormia profundamente e ainda sem camisa, e ao chegar mais perto Lucy conseguiu enxergar Nashi dormindo sobre o corpo do pai mas um pouco caída para o lado do encosto do sofá. O sofá que por sinal estava todo branco pelo pó do talco e em algumas partes ela viu pomada, até mesmo no cabelo de Natsu.

Lucy respirou aliviada. Nashi estava confortável e a vontade, parecia finalmente estar no lugar perfeito para ela. Sentiu um conforto aconchegante no peito, seus olhos lacrimejaram ao ver o temido Natsu cuidando da filha. Lucy se sentiu vitoriosa, depois de tanto sofrimento, tanto medo, agora ela tinha certeza que podia contar com Natsu.

— O que vamos fazer Luxy?! Acordamos o Natsu? – Perguntou o azulado.

Lucy pensou, olhou em sua volta e então respondeu o pequeno amigo.

— Os deixe dormir, vamos limpar essa bagunça!

[...]

“Algumas horas antes da tempestade em Hargeon”

— O que você esta tentando fazer? – A voz grossa chamou a atenção de Minerva que caminhava no extremo da cidade de Hargeon. Ela olhou para trás, e viu duas pessoas encapuzadas, sorriu cansada ao saber de quem se tratavam.

— Jellal... e sua fiel parceira... hã!? Me desculpe querida esqueci seu nome! – Falou provocativa.

— Não se preocupe com isso. – Meredy retrucou suavemente.

— Não tente disfarçar. O que pretende conseguir perturbando Lucy? – Foi direto, mostrando que estava de olho em todos os movimentos que Minerva fazia.

— Anda me seguindo Jellal? ... – Perguntou despreocupada, e vendo que não teria resposta ela respondeu a pergunta. — Nada de mais, só queria matar a saudade das minhas amiguinhas. – Pareceu ficar triste, mas deixando óbvio de que era encenação.

— Não confie cegamente no poder de ataque de Tartaros. Você esta abrindo muitas brechas que culminarão em sua derrota. Colocar medo em Lucy e provocar Erza com certeza não foi uma boa ideia. – Falou firme, mostrando que não estava blefando.

— Não pense que você sabe de tudo Jellal querido. Tudo tem seu propósito. – Falou convicta. Se virando e seguindo seu caminho.

— Vamos segui-la? – Perguntou Meredy.

— Por enquanto não! Ela não vai para a sede de Tartaros, vai ficar perambulando por ai nos fazendo perder tempo. Vamos procurar um abrigo que nos proteja da tempestade. – Se virou e seguiu o caminho oposto sendo seguido pela amiga.

...

Notas finais
E ai?? Gostaram? Finalmente um momento pai e filha ^^ ... Teremos mais momentos legais de agora em diante... Porém, como vimos no capítulo de hoje, o suspense e tensão permanecem firme e forte.... Minerva mais uma vez surgiu na vida das fadas, ai ai... isso vai dar ruim..