Fogo Inalcançável

19 19º Capítulo - Aproximação, o contraste perfeito.


Notas iniciais
Oii migles!! Não falei que não demoraria para postar o próximos capítulo? ^^ Estou feliz por estar postando sem atraso! Capítulo especial e delicioso de ler... (minha opinião ^^) Espero que gostem e boa leitura! Me perdoem os possíveis erros, onegai T,T

O dia passou rápido, o sol já começava a se esconder graciosamente atrás do mar, Lucy caminhava tranquila pelo corredor de Fairy Tail, corredor que a levaria até sua joia mais preciosa. Pegou a tarde daquele agradável dia para ajudar Levy em uma árdua missão, organizar os livros da enorme biblioteca de Fairy Tail. Deixou sou pequena aos cuidados da avó, quem melhor do que a sábia e dedicada Porlyusica para cuidar de sua cria?

Por mais que tenha passado algumas horinhas longe da filha, foi uma tarde agradável, ela se distraiu com a tarefa de separar e organizar os livros e aproveitou também para conversar diversos assuntos com sua amiga Levy, entre tantos assuntos obviamente “Sting” entrou em pauta.

Lucy sorriu sem jeito enquanto caminhava no corredor, lembrando da conversa que teve com Levy, assim como Gray, Levy também acredita veemente que Sting está interessando por ela, e não escondeu seu desagrado com isso. De acordo com a azulada Sting não é a pessoa ideal para a loira, ela tem uma filha com um Dragon Slayer, se envolver com outro seria uma tolice... Sorriu, quem disse que tinha intenção de se envolver com outro Dragon Slayer? Apesar quê, mesmo sendo um caçador de Dragão assim como Natsu, Sting era diferente, tranquilo, suave e carinhoso...

Chacoalhou a cabeça tentando esfumaçar tais pensamentos, poderiam falar o que fosse, ela não se importava com a aproximação do loiro, ele era gentil e uma ótima companhia, gostava de conversar com ele e nada a faria mudar seu comportamento quanto a isso, e pronto.

E pensando no loiro, espontaneamente sua mente a arremeteu para a estranha cena que presenciou na noite passada: Sting e Natsu na frente da guilda, com seus amigos em volta parecendo bastantes tensos.

O que havia acontecido ali? Parecia que uma aura esmagadora pairava sobre eles, diante dos olhares raivosos que um lançava sobre o outro. A loira até cogitou a ínfima possibilidade de Natsu ter se incomodado com a presença de Sting, por ele ter ido até Fairy Tail para vê-la. Será? … Não não não... claro que não.

Chacoalhou sua cabeça mais uma vez, fazendo seus cabelos dançarem loucamente. Natsu havia acabado de chegar, não teria como ele desenvolver a mesma teoria de Gray e Levy de que Sting está interessado nela. E mesmo se ele notasse algo, obviamente ele não se incomodaria. Suspirou cansada, como podia continuar sendo essa garotinha inocente?

Parecia até que não havia amadurecido em nada nesses últimos meses, ainda romântica, inocente e sonhadora. Já ele, mudou tanto... ficou mais forte, mais sério e fechado, se afastou de seus amigos e agora parecia um dragão solitário. Seu olhar caiu para o chão e tomou aquele brilho nostálgico, lembrou de como seu coração batia quando Natsu surgia em sua frente, sempre forte e decidido em salva-la e protege-la de tudo e todos, animado, brincalhão e as vezes, bastante distraído e despreocupado, esfomeado e encrenqueiro. Sorriu sem notar, ao lembrar dos tempos já passados.

Suspirou mais uma vez, agora ao ver Natsu em sua frente seu coração dispara, mas não naquele velocidade prazerosa e quente, e sim dolorosamente aflito, ficar sobre aquele olhar não está sendo fácil, aquela postura que Natsu tomou para si a deixa desconfiada e amedrontada, por mais que não queria admitir. E para deixar tudo mais atordoante, ele é pai da sua filha, pai de Nashi... Como faria agora? Como incluir Nashi na vida atormentada e conturbada de Natsu? … Ele sequer demostrou qualquer interesse em se aproximar da filha.

Voltou seu olhar para o corredor a frente, que já chegava ao fim. Mesmo sentindo o remorso a corroer, não poderia negar que seu coração batia aliviado por não ter o visto hoje, não ter que ficar sob aquele olhar compenetrado dele, não ter que lhe dar com sua presença forte e ameaçadora, era um alívio.

Finalmente chegou no berçário não demorando para pegar na maçaneta e abrir a porta de madeira. Seu olhar já logo mirou para rumo da janela, onde sabia que o berço de sua pequena ficava, a janela era enorme por ela vinha uma brisa maravilhosa do mar, sem contar o sol da tarde que banhava todo o quarto, a alegria era imediata e uma calmaria a tomava quando chegava perto de sua bebê. Mas, seu coração bateu aflito e disparou em tal velocidade que o sentiu pulsar em sua garganta, a mente se atordoou a ponto de deixa-la zonza e pálida... qual foi sua surpresa ao ver que Nashi não estava no berço e sim nos braços de Natsu.

... Alguns minutos antes

Porlyusica estava em sua mesa repassando algumas anotações em uma de suas inúmeras cadernetas, hora e outra olhava para o bercinho branco ao lado da janela, Nashi estava agitada, ela remexia os pezinhos e dava risada dos brinquedinhos coloridos do móbili acoplado ao berço, que balançavam conforme o vento que entrava pela janela. A pequena não parava, era enérgica e curiosa, queria ficar mordendo tudo que alcançava e fazia de tudo para chamar a atenção de qualquer um que estivesse por perto.

Era final de tarde, Lucy provavelmente já estaria voltando para apanhar Nashi, a loira havia pedido para que Porlyusica cuidasse da pequena enquanto ela ajudava Levy a organizar a biblioteca da Guilda.

A mais velha largou sua caderneta e se levantou, se aproximando do berço. A carranca de velha ranzinza se desfez, ao olhar para aquela bebezinha gorducha de cabelos róseos. A pequena que já estava bem familiarizada com Porlyusica sorriu banguela ao ver a avó de coração.

— Já passou da hora do seu soninho, se sua mãe chegar e ver que você ainda não dormiu ela vai pensar que fiquei te mimando. – Falou carinhosa, se inclinando sobre o berço para poder acariciar a pequena.

Porlyusica estava distraída tentando acalmar Nashi para que ela dormisse, quando escutou a porta sendo aberta. A rosada mais velha olhou crente de que seria Lucy ou uma das magas que estaria vindo para mimar e brincar com Nashi, mas se surpreendeu ao ver Natsu.

— Enfim... O famoso Natsu voltou! – Falou Porlyusica, se virando para a porta e olhando para o rosado que a encarava com uma feição inexpressiva. Ela olhou para o mago, ela pouco o havia visto antes, mas mesmo assim notou as nítidas mudanças. Se ela se descuidasse sentiria medo por estar sob aquele olhar desafiador, a postura imponente e arrogante e principalmente a energia que ele transmitia. “- Então é ele?!! O pai de Nashi." — Pensou admirada, por finalmente olhar para a pessoa que tanto fez falta na vida de tantos daquela guilda.

Natsu olhou para Porlyusica, mas logo seu olhar ficou fixado no berço. Ele havia acabado de chegar na guilda, iria pegar mais alguma missão quando sentiu o cheiro de sua filha, e um sentimento estranho o impeliu a andar até aquele quarto. Porlyusica percebeu que Natsu estava inquieto, e que estava ali por Nashi, provavelmente seguiu seus instintos e veio até sua filha, sem saber ao certo o que faria.

Porlyusica acompanhou todo o processo de adaptação de Lucy, desde o começo da gravidez até o dia em que aprendeu a trocar fraldas e dar de mama, tudo ensinado por ela, e sendo a rosada uma mulher vivida e sábia, entendia perfeitamente o que passava na cabeça daquele rapaz. Então se afastou lentamente do berço, dando espaço para Natsu.

— A primeira coisa que tem que fazer é pegá-la no colo, ela precisa conhecer o seu cheiro e o seu calor, você já sabe que ela é sua filha, mas ela não sabe que você é o pai dela.

Natsu olhou para Porlyusica, e pareceu compreender o que ela lhe dissera. Tudo aquilo era novo para ele, e apesar de todas as dúvidas e de todos os seus planos ele queria estabelecer uma laço com aquela pessoinha. Ele se aproximou do berço, não demonstrava receio, duvidas nem medo. Parecia confiante. Afinal era apenas um bebê.

Olhou para dentro do berço, a pequena usava um macacãozinho verde claro estampado por bolinhas coloridas e uma blusinha branca de manguinha comprida por baixo, segurava um brinquedinho arredondado na cor amarela, parecia ser um sol com rosto sorridente, provavelmente de algum material emborrachado, pois ela mordia aquele brinquedo e ao ver seu pai ela tirou-o da boca e soltou o pobre brinquedinho todo babado, que caiu ao seu lado.

Natsu sorriu de canto ao ver aquilo, e logo se repreendeu. Foi um sorriso involuntário? Se perguntou o que exatamente o fez sorrir. Nashi sorriu também, e agitou as perninhas, demonstrando alegria, esticando os bracinhos em direção ao Natsu.

— Pegue-a. – Falou a rosada, de braços cruzados apenas observando a cena.

Natsu olhou para Porlyusica, mostrando-se duvidoso.

— Ela está pedindo colo. Pegue-a ou ela começará a chorar. – Falou calmamente, já dando dicas da personalidade birrenta de Nashi. – E acredite em mim, não vai querer que ela chore.

O rosado não sabia se deveria ou não acatar a ordem da mais velha. Mas já estava ali, e Nashi já o tinha visto, apesar de tudo não queria ser o motivo do choro da pequena. Então ele olhou novamente para sua filha, e foi quando percebeu que nunca havia pegado um bebê no colo. Ele olhava para Nashi, e imaginava que ela era molenga e frágil demais para suas mãos fortes e pesadas.

— Ela já está crescida, não precisa ter medo, apenas a pegue com as duas mãos e devagar.

Natsu respirava fundo, parecia que iria tocar na mais delicada flor. Se aproximou, colocou cada mão abaixo dos bracinhos de Nashi e a levantou. Ela era leve e pequenininha, ele ficou olhando para ela, com os braços esticados, e tentando entender como uma pessoa podia ser tão pequena assim. Nashi sorria sapeca, se agitava com as mãozinhas gorduchas tentando alcançar o rosto do rosado, encolhia as perninhas para em seguida chutar o ar... era tanta alegria que não cabia em um só bebê.

— Vamos... o que esta esperando? A coloque perto de seu peito. – Não seria o ar ameaçador de Natsu que mudaria o jeito mandão e autoritário de Porlyusica. Aliás, quem não os conhecessem diriam que eram mãe e filho, não apenas pelos cabelos rosas, mas pela personalidade dura e rabugenta de ambos.

Natsu olhou rapidamente para Porlyusica e voltou seu olhar para Nashi. Então trouxe sua filha para mais perto, não sabia como posicionar os braços nem como segura-la confortavelmente. Era tão pequena e agitada.

Escutaram então a porta sendo aberta, Natsu se virou com Nashi nos braços e viu uma Lucy assustada e pálida, a loira ficou parada na porta com a mão na maçaneta olhando para a filha e para Natsu. Porlyusica se manteve em seu canto com os braços cruzados achando essa cena bastante interessante.

Não sabia que ele estava na guilda, não imaginou que ele estaria por ali. Mais uma vez Natsu a pegara de surpresa, não esperava encontra-lo assim, com Nashi nos braços.

O coração começou a bater forte contra a caixa do peito, ele a estava segurando em seus braços, assim como eu seu pesadelo. O olhos tremeluziram e ficaram opacos diante do pavor, o ar parecia ter ganhado mais peso, pois custava para respirar e já estava difícil sustentar o corpo nas pernas tremulas e vacilantes... mas seus pensamentos foram quebrados quando escutou a linda risada de sua filha.

Seus olhos enfim se focaram corretamente sobre eles, Nashi estava confortável nos braços dele, ou melhor, no braço, ele a segurava somente com um dos braços fortes, mantendo o pequeno dorso de Nashi apoiado em seu peito e ombro. Estava mais serelepe e eufórica que o comum. Com o rostinho perto do dele, sorrindo e insistentemente tentando pegar o nariz do rosado.

Natsu a olhou rapidamente para logo voltar sua atenção para a pequena, ele pegou sua mãozinha pequena e gorducha com a maior calma que ele pode e a segurou suavemente, para ver se assim ela parava de tentar roupar seu nariz. Ele pareceu não se importar muito com sua aparição, uma sensação estranha o tomava.

— Espero que não se incomode. — Falou Porlyusica vendo a expressão de surpresa na face da loira.

A mesma saltou de seus pensamentos olhando aturdida para a maga mais velha. Assentiu negativamente, sem saber ao certo o que estava realmente respondendo, mal ouvira o que Porlyusica havia falado, estava longe e atordoada demais para trabalhar o raciocínio e compreender as palavras.

— Não esperava encontro-lo por aqui... – Finalmente achou forças para entrar, fechando de vez a porta, não tirando seus olhos de Natsu e Nashi.

O mesmo a fitou.

— Quer que eu me aproxime dela, não quer?

— H-hai.. — Respondeu incerta.

— Então pare de fazer essa cara de pavor toda vez que me vê perto dela. — Estava calmo, sentia uma tranquilidade incomum segurando aquele pessoinha.

— Não é fácil... — Pareceu exitar por alguns segundos. — Parece que não te conheço.

— E se assustou ao ver um estranho perto da sua filha. Sei. — Ralhou enfaticamente, voltando a olhar para Nashi que não parava um minuto sequer.

A loira se aproximou, pegou o brinquedo emborrachado que Nashi abocanhava no berço e entregou para a filhinha que prontamente o agarrou, ficando enfim um pouco mais calma.

— Mas parece que ela te conhece desde sempre. — Estava enebriada pela alegria da filha no braço do pai.

Por incrível que pareça, até que Natsu tinha jeito em segurar a bebê. Ver a filha sorrir eufórica nos braços do pai, fez seu coração se acalmar um pouco, ela parecia segura e protegida no braço dele, era uma cena reconfortante. Natsu tão bruto com seus braços musculosos e ar de arrogância segurando uma bebezinha tão delicada e frágil. Pai e filha. Era o mais perfeito contraste.

— Ela não para de se mexer! – Reclamou Natsu, ficando aflito ao ver que poderia derrubá-la, Nashi deixou cair o brinquedinho e tentava se jogar ao chão para pegá-lo.

— Tão forte e não consegue segurar uma bebezinha?! – Falou para o rosado – Quer que eu a pegue? – Perguntou, tendo de Natsu um rápido aceno positivo, logo se aproximando da loira e entregando desajeitadamente a pequena enfim para os braços da mãe.

Natsu estava se sentindo estranho, eram sentimentos controversos e diferentes que fruíam turbulentos dentro de si. Não imaginou que se sentiria tão curioso sobre Nashi, nem em tamanha necessidade de se aproximar dela. Necessidade que ele não conseguia controlar.

Lucy apreciou aquele calorzinho aconchegante de sua pequena, cheirou seu pescocinho como um beijo carinhoso e a colou em seu corpo, seu coração se acalmou mais ainda, e não pode deixar de sentir a forte presença do pai de sua filha ao seu lado, o calor dele mesmo que idêntico ao de Nashi era mais intenso, e claro, mais poderoso. Sentiu uma leve fisgada incômoda ao ver que se sentia infinitamente protegida ali, perto dele. Suspirou tentando despistar essas sensações e sentimentos e olhou para Porlyusica, que parecia perdida em seus próprios pensamentos.

— Ela se comportou Porlyusica-san? – Perguntou Lucy com um sorriso gracioso nos lábios. Porlyusica olhava para Lucy com Nashi nos braços, e para Natsu que ficou ao lado delas, a rosada sorriu discreta, sentindo seu coração se aquecer, definitivamente eles formavam uma bela família.

— Hai, só não dormiu, ela estava bastante agitada. Tomou a mamadeira que você deixou preparada e não precisei trocá-la.

— Arigatou Porlyusica-san, vou leva-la para tomar um banho. Nos vemos amanhã. – Se despediu da mais velha, totalmente agradecida pela apoio que ela lhe dava com os cuidados de Nashi. Realmente Porlyusica era a avó ideal.

Natsu observava a cena, atento na conversa e percebendo que Porlyusica certamente tomava conta de Nashi quando Lucy precisava. Depois de se despedir a loira pegou a bolsa amarela estampada por bichinhos coloridos que estava sobre a cômoda e a colocou em seu ombro. Olhou por cima do ombro levemente incerta no que falaria.

— Vou para casa dar banho e colocar a Nashi para dormir, se quiser vir, fique a vontade. – Falou sem jeito, suavemente ruborizada.

Natsu apenas respondeu com um resmungo “- Hum.” e ficou olhando Lucy sair do quarto com Nashi, tentando se lembrar de como tudo isso foi acontecer, agora ao invés de sair em missões e procurar por Zeref ele teria que ficar no apartamento de Lucy aprendendo como se trocar fralda suja. Mas, mesmo com esses pensamentos ele a seguiu. O casal enfim saiu do quarto deixando Porlyusica finalmente sozinha, sorrindo para o que acabara de ter presenciado, com certeza Makarov adoraria ter apreciado tal momento, soltou ar e olhou para o quarto, finalmente teria privacidade para se concentrar eu seus afazeres.

Lucy descia as escadas com Natsu logo atrás, alguns membros da guilda que estavam por ali olharam para o casal, Lucy caminhava atenta em não tropeçar nos degraus, já que estava com Nashi nos braços e Natsu como sempre; de cara fechada, alheio a tudo que acontecia em sua volta. Pela primeira vez viam a família reunida, ele descia atrás das duas e ninguém pode deixar de sentir um alívio com isso, finalmente ele estava perto delas.

Chegando no salão, Lucy foi abordada por Levy e Erza.

— Estão indo para casa? — Perguntou Erza, olhando de relance para Natsu. Estava feliz por vê-lo com Lucy e Nashi.

— Hai... Essa pessoinha está precisando de um banho. — Respondeu a amiga, fazendo cócegas na barriguinha de Nashi, que sorriu com o toque divertido da mãe.

— Ahh... não me diga que já vai levar Nashi embora? – Perguntou Levy, fazendo gestos para Nashi com as mãos, na pergunta silenciosa se ela gostaria de ir para seu colo, o que foi prontamente atendido, pois a pequenina logo se agitou demonstrando que queria muito ir para os braços da titia.

Levy pegou Nashi, e tratou de leva-la para perto de alguns amigos, que se animaram com a chegada da princesinha.

Natsu puxou ar impaciente ao ver que Lucy não conseguiria se despistar tão cedo das amigas, olhou para o fundo do salão e avistou Gildarts. Resolveu se afastar.

Erza olhou o amigo seguir para onde estava Gidlarts e voltou seu olhar para a loira.

— E como esta sendo com Natsu? – Perguntou preocupada. Sabia que não estava sendo fácil para a amiga, tinha que admitir que ela própria sentia um pequeno receio em se aproximar de Natsu.

Lucy torceu os lábios e olhou de canto para onde estava o rosado. Vendo que ele conversava algo com Gildarts e Gajeel ela respondeu.

— Ele estava no berçário com Nashi nos braços quando fui busca-la. — Um brilho se satisfação e surpresa tomou os olhos da ruiva. — Eu… não esperava, realmente estava certa de que ele não se aproximaria da Nashi assim. Por enquanto nos entendemos, ele parece interessado em querer cuidar dela. – Seu tom duvidoso e seu olhar vago não passaram despercebidos pela ruiva.

— ...Mas?... – Perguntou, já sabendo que algo viria.

— É.. é estranho, eu passei esse um ano pedindo aos céus para que Natsu aceitasse a filha e que a amasse como eu a amo, mas acho que nunca parei para pensar em como faríamos isso. Em como eu me sentiria com ele de volta em nossas vidas. – Falou incomodada.

— Você estava sobrecarregada Lucy, não tinha condições de pensar em cada detalhe.

— Mas era óbvio Erza, eu deveria ter tentado planejar melhor o nosso convívio. É difícil ficar perto dele, imagina agora que terei que passar tudo que sei sobre minha filha?! – Falou aflita, abaixando o olhar e demonstrando incomodo pelos pensamentos embaralhados.

— Huum... entendi! — Lucy olhou para a amiga. — Como qualquer mãe solteira você tem medo do que a aproximação de Natsu possa causar no seu relacionamento com Nashi, mas isso é aceitável e até mesmo comum Lucy. Mas o que também te incomoda é que Natsu voltará a ficar muito próximo de você, voltará a fazer parte de sua vida, e isso por acaso tem lhe causado muito medo, estou certa?

— Si...sim. – Respondeu relutante e envergonhada, não deixando de se admirar por ter uma amiga tão perspicaz quanto Erza.

— Isso são riscos que você vai ter que enfrentar Lucy. É nessas falhas da vida que aprendemos a ser fortes. E não queira proteger Nashi do inevitável, isso só a deixaria fraca e despreparada. Natsu voltou, e parece disposto em assumir o papel de pai de Nashi. Então o deixe fazer a parte dele nessa historia. – Falou aliviada, dando uma breve olhada para o amigo que ainda conversava com Gildarts e Gajeel. – Deixe que o tempo lhe mostre.

Lucy se incomodou ao escutar de Erza o que Natsu havia lhe dito, sobre Nashi crescer fraca e despreparada por causa de sua proteção. Mas a loira sempre levou muito em consideração os conselhos da amiga Titânia. Então, por mais difícil que fosse ela levaria as palavras da amiga como um aprendizado e se esforçaria para colocar em prática.

Do outro lado do salão Natsu ficou incomodado ao descobrir que Gajeel sabia de toda a história, e que aparentemente sabia mais do que ele próprio.

Gildarts decidiu lhe contar, assim Gajeel teria passe livre para ajudar; quando necessário.

— Então você sabe sobre o Conselho e Zeref? – Perguntou ríspido.

— Hai. – Respondeu também ríspido.

— Precisávamos de um informante, de alguém que pudesse se infiltrar no prédio do Conselho, para nos orientar. Afinal estávamos andando as cegas, sabíamos pouco sobre tudo isso e estávamos agindo mais pela intuição do mestre. O envolvimento de Gajeel foi de grande ajuda.

— Que seja. Nunca pedi para manter em segredo mesmo. – Fez pouco caso. Deixando Gildarts aliviado por não ter que ficar dando explicações.

Acreditando que não tinha mais assunto para tratar com eles, Gildarts se afastou dos rapazes e tratou de sair a procura de alguma bebida. E Natsu, aproveitando a deixa tratou logo de perguntar para Gajeel.

— E o que mais você sabe? – Usou um tom de voz um pouco mais baixo. Demonstrando que não queria que Gildarts ou qualquer outra pessoa escutasse.

Gajeel se perguntou se o respondia ou não, mas logo pensou que se fosse ele na situação de Natsu ele gostaria de saber tudo o que fosse possível. Afinal Gajeel entrou nessa historia não apenas pelo pedido de Makarov, mas especialmente para poder ajudar o amigo.

— Só sei que Tartaros tem algo muito perigoso em mãos, eles estão tramando algo grande, e que isso envolve você. Seu poder, sua vida, eles tem controle sobre você Natsu, e quem está por trás de tudo isso é Zeref. Com a invasão realizada por você e Gildarts na sede de Tartaros apenas conseguimos atrasá-los... — Soltou ar cansado, olhando firmemente para o amigo. — E o Conselho também está de olho em Nashi.

— Kêssa... aqueles dois velhos ficam escondendo os detalhes de mim. – Se irritou, mas não ficou surpreso, desde sempre ele esteve ciente sobre o que a existência de Nashi causaria no Conselho.

— Seja o que for você precisa estar preparado, e toda a guilda também! – Concluiu Gajeel, mostrando que também estava bastante preocupado com todo esse mistério envolvendo Natsu e Zeref.

Mas Natsu perdeu a concentração na conversa com Gajeel ao escutar um choro. Olhou para onde estava Nashi, e viu que era sua filha que chorava incessantemente nos braços de Lucy.

Ele olhou para Gajeel que sorriu seco, entendendo que Natsu estava de saída. O rosado tratou de ir ver o que acontecia com Nashi, mas antes que se aproximasse Lucy passou a pequena para os braços de Gray que a pegou com carinho a balançando suavemente na intenção de tentar acalma-la. Mas não adiantou.

O choro da pequena estava chamando a atenção de muitos, que se preocuparam, pois Nashi parecia bastante incomodada com algo. Enfim Natsu se aproximou do grupo, onde todos ficaram a olhar para ele, o que o deixou levemente incomodado, mas não deu atenção, estava intrigado pelo choro da filha, que não parava em momento algum. Ele se aproximou de Gray e Nashi. Lucy, Erza, Juvia, Levy e outros amigos observavam.

— Ela ficou irritada há uns minutos atrás, e agora começou a chorar assim. Eu não sei o que pode ser, ela nunca chorou desse jeito! – Lucy estava ficando desesperada ao ver a filha tão aflita. A pequena chorava sem folego, parecia incomodada ou com dor.

— Quer tentar acalma-la? – Perguntou o moreno, que estava disposto a ver o mago do fogo com a filha nos braços.

Natsu observou a pequena nos braços de Gray, ela estava realmente sentindo algo, os olhinhos aguados e o choro sofrido eram sinceros. Soltou ar, parecia saber o que ela queria, seria possível? Deu sinal ao moreno de que iria pega-la, e Gray cuidadosamente passou a pequena para o rosado.

— A apoie no seu corpo, e deixe o rostinho dela perto do seu pescoço. – Falou Gray, vendo que incrivelmente Natsu não o ignorou e seguiu seu conselho.

Lucy se aproximou de Natsu e colocou a mão nas costinhas da filha, percebendo que ela estava ficando sem ar e com a respiração descompassada de tanto chorar. Gray e os demais observavam admirados, não esperavam ver tão cedo Natsu com Nashi nos braços, e assim como Lucy, também notaram que ele parecia tranquilo com ela nos braços, parecia ter jeito com a pequena... Seria algum tipo de ligação especial entre pai e filha?. Talvez. Sorriam abobados.

— Ela sempre se acalma quando mostramos alguma magia, ou quando a balançamos. – Falou aflita. – Não é fome, pois ela acabou de mamar.. acho que vou chamar Porlyusica...

— Espere um pouco. – Avisou Natsu.

Com o dedo indicador da mão livre Natsu criou uma pequena chama e aproximou de Nashi, que pareceu ficar atraída pelo calor do fogo, de tão intrigada que ficou ela imediatamente parou de chorar e com os olhinho caídos e molhados ela olhava atenta para a chama. O rosado parecendo saber o que fazia aproximou mais ainda a chama no rostinho da filha, que com as duas mãozinhas puxou a mão do pai para mais perto, Lucy olhava para a cena tão intrigada quanto a filha, mas a surpresa veio quando Nashi aproximou a boquinha a ponto dela poder colocar o dedo do pai na boca e engolir a chama.

— Haaaaãm?!!.... – Foi a reação de todos, que ficaram chocados ao ver a pequena comendo fogo.

— Não a queimou?? Ela está bem? – Perguntou Lucy, olhando para a boquinha da filha.

— Ela já estava sentindo necessidade de comer fogo?! – Erza se perguntou. Admirada em ver um bebê tão pequeno já sentindo necessidade de mais poder mágico em seu corpo.

— Nada de anormal, vendo de quem ela é filha. – Comentou Gajeel, que também havia se aproximado, curioso diante do escândalo que a pequena estava fazendo.

Lucy ficou surpresa, esta foi a primeira vez que a filha ficara com fome de fogo. Na verdade, nem havia parado para pensar que algum dia ela sentiria tal necessidade.

— Como você sabia? – Perguntou perplexa.

— Não sei, se ela gosta de ver as magias de vocês, provavelmente gostaria de ver a minha também. – Respondeu sucinto e calmamente, vendo que a pequena se acalmou a devolveu para a mãe dela.

Lucy olhou para a filha, se perguntando o que faria se Natsu não estivesse ali ou se aquilo foi causado justamente pela presença dele. Pois era coincidência demais essa inusitada fome da filha.

...

Por fim Lucy conseguiu sair da guilda, com Nashi ainda nos braços e com Natsu logo atrás. O caminho para seu apartamento foi silencioso, a loira estava tentando se manter firme e calma, e Natsu parecia tranquilo e desinteressado em puxar qualquer tipo de assunto. Mas o que não passava despercebido por Lucy eram os olhares curiosos das pessoas, certamente admirados ou surpresos por verem Natsu junto delas, e não Gray.

Apesar da cidade ser razoavelmente grande todos conheciam os membros de Fairy Tail, Natsu sem duvidas era um dos mais conhecidos, e não só em Magnólia, pois desde os Grandes jogos mágicos, a fama de Natsu assim como de Fairy Tail alcançou milhares de cidades. Natsu mostrou a todos o quão poderoso é, adquiriu fãs e admiradores. A gravidez de Lucy inevitavelmente se espalhou como fumaça, e consequentemente a paternidade de Natsu.

Agora depois de meses, as pessoas podiam ver com seus próprios olhos o Dragon Slayer acompanhando sua filha. E muitos extinguirem a duvida de que Natsu seria realmente o pai da filha de Lucy. Mas a loira não se incomodava com os olhares, tão pouco com o boates que percorriam pelas ruas de Magnólia, estava preocupada demais em como ensinar Natsu a cuidar direitinho de Nashi.

Entrando em seu apartamento Lucy deu passagem para o rosado que não se surpreendeu ao ver Happy sentado na cama, certamente o azulado levantou voou de onde quer que estivesse, assim que soube que Natsu e Lucy estariam ali.

— Happy.– Apenas falou em cumprimento.

O azulado levantou o olhar e com a expressão totalmente desconfiado, mas não perdendo a expressão esperançosa ao ver que realmente Natsu acompanhara Lucy e Nashi até ali. Vendo que não era uma miragem nem um sonho ele se alegrou. Finalmente Natsu estava juntos deles.

Happy não demorou para mandar para longe toda a estranheza por ter o rosado de novo no apartamento de Lucy. Se empolgou e logo ficou todo a vontade diante de seu companheiro, e não contendo mais a curiosidade e vendo que Natsu parecia impressionantemente mais calma ele logo quis saber se ele havia desenvolvidos golpes novos, ou se derrotou muitos grandalhões fortes e outras curiosidades deste tipo, na qual Natsu mesmo que um pouco impaciente respondeu. Deixando o amiguinho cada vez mais animado e eufórico.

Entre essas conversas Happy então deixou escapar.

— Mas o melhor foi você que perdeu Natsu.

O rosado o olhou curioso, se perguntando o que de tão bom superaria as desventuras dele e de Gildarts neste último um ano.

— Ver Nashi recém nascida, e ver Lucy toda perdida, não sabendo como cuidar dela. Nem saber colocar uma fralda ela sabia... – Falou, tentando abafar a risada, pois Lucy que mexia na gaveta da cômoda de Nashi o olhou fuzilante a ponto de soltar fumaça.

E aquele comentário de Happy conseguiu deixar Natsu pensativo, ele olhou para Nashi que estava no berço, e depois para Lucy que estava disposta a ensiná-lo a cuidar de Nashi, e se tocou que Lucy também teve que passar por tudo isso, e teve que aprender da forma mais difícil.

— Happy, agora vá comer seu peixe, o Natsu ficará ocupado nas próximas horas.

— Por que? – Perguntou curioso e decepcionado, pois queria continuar conversando com Natsu. Apesar do rosado estar apenas lhe respondendo sucintamente todas as perguntas que ele fazia.

— Irei ensina-lo a cuidar de Nashi.

Happy ficou olhando seriamente para Lucy, e alguns segundos se passaram até o azulado cair na gargalhada a ponto de rolar da cama e cair no chão.

— O quê? Isso eu não posso perder, eu prometo que não vou atrapalhar Luxy. – Falou sapeca, louco para ver o poderoso Salamander trocando a fralda da filha.

O que sem duvidas deixou Natsu cuspindo fogo.

[...]

Makarov por fim terminou os processos diários da administração da guilda, e pôde descer no saguão para apreciar um belo e enorme caneco de saquê. Mas pouco pode relaxar sob o balcão de Mira, pois Gildarts se aproximou, parecendo preocupado.

— Mestre, até quando fingiremos que está tudo bem? – Falou assim que se sentou em uma banqueta.

— Precisamos ter calma Gildarts. Um passo de cada vez. – Falou calmamente. Já ruborizado pelo álcool que corria por suas veias.

— Como consegue transparecer tanta paciência? A qualquer momento Tartaros pode virar nossas vidas de cabeça para baixo, sem contar Zeref que perambula por ai com tudo aquele poder.

— Gildarts meu filho, já está se parecendo com Natsu. Paciência é uma forma menor de desespero, mascarada de virtude. – Filosofou cansado, não omitindo que também estava desesperado. Olhou de canto para ver se Mira não estava por perto, logo vendo que a albina estava distraída com Elfman e Evergreen um pouco distante dali. — Aquele que tiver paciência terá o que deseja, Tartaros e Zeref não iram fazer nada por enquanto, eles são metódicos, pacientes e confiantes. E qualquer movimento em falso o Conselho não nos deixará em paz.

Gildarts entendeu as meias palavras do mestre, e franziu o rosto.

— Mas... e Natsu?

— Por enquanto podemos dar conta dele. E não se esqueça que agora existe algo que pode nos ajudar muito. – Tirou de dentro de seu colete uma foto que Lucy havia lhe dado, e mostrou para Gildarts. Era Nashi, quando acabara de completar um mês de vida, estava dormindo com os bracinhos encolhidos, a face gorducha e rosada estava tão serena quanto um anjo. Gildarts sorriu. Também acreditava fielmente de que Nashi seria a salvação de Natsu.

— Ficou sabendo que ele foi para o apartamento de Lucy para começar a aprender a tomar conta de Nashi? – Comentou orgulhoso, aliviado por ver seu discípulo disposto a cuidar de sua cria.

— Hai... Porlyusica me contou. Isso será uma terapia para ele. – Respondeu Makarov, também orgulho por Natsu assumir suas responsabilidades e finalmente demostrar algum interesse em conhecer a filha.

...

A água espirrou em seu rosto e em sua roupa. Nashi era agitada e brincalhona, enquanto Lucy lhe dava banho ela não parava de brincar com a água, batendo suas perninhas e agitando os bracinhos, e assim como Lucy, Natsu estava ficando encharcado.

A banheira de Nashi era rosa e pequena, ela tinha uma mesinha própria de suporte, que a deixava na altura de um adulto. Lucy a montava perto de sua cama, toda vez que dava banha nela.

— Pronto. Agora pegue a toalha dela que esta em cima da cama e a seque. – Pediu Lucy, ou melhor, mandou.

— O quê? – Perguntou, arqueando uma sobrancelha, se mostrando incrédulo com a ordem da loira.

— Isso que você ouviu. Acha que vai aprender se só ficar olhando? Só não deixei você dar banho nela porque temi que a matasse afogada. – Lucy tirou Nashi da água e ficou esperando por Natsu, que pareceu não gostar da ordem. A loira suspirou cansada e revirou os olhos em impaciência.

— Desta vez você apenas olha. Mas não irá aprender se não colocar a mão na massa. – Repreendeu. Mas Natsu pareceu pouco se importar.

Lucy colocou Nashi sobre a toalha que estava esticada na cama e a secou. E enquanto passava uma pomadinha na pequena ela foi logo dando as dicas para Natsu.

— Se quer mesmo cuidar de Nashi você terá que trocar as fraldas e lhe dar banho, e nesse processo você precisa passar esta pomada e em seguida o talco.

— E pra quê tanta frescura? – Observava a filha tentando colocar o frasco de talco na boca enquanto Lucy espalhava uma pomada branca em seu bumbum.

— Para ela não ficar assada. – Respondeu, tirando o frasco da boquinha da filha e passando um pouquinho de talco em quase todo o corpinho dela, em seguida pegou a fralda e voltou a explicar. – Eu uso apenas esta fralda na Nashi, de outras marcas ela tem alergia, então se um dia você precisar comprar, a única loja que vende é a da segunda esquina após o porto. Observe bem como colocar a fralda para não deixá-la desconfortável e para não vazar.

— Vazar o quê? — Estava de pé, de braços cruzados olhando Lucy cuidar da pequena.

— O que você acha que pode vazar em uma fralda de bebê? – Natsu estava conseguindo fazer perguntas mais estúpidas do que Happy.

Happy observava toda a aula, quase morrendo de rir de todas as perguntas de Natsu, que por si, parecia impaciente e desconfortável com toda aquela situação. Natsu fez cara de nojo ao imaginar o que poderia acontecer ao colocar incorretamente a fralda e fazendo Lucy mais uma vez revirar os olhos.

— Não adianta ter nojinho. Se vai me ajudar a criá-la terá que limpá-la e trocar a fralda também. Isso tudo faz parte da criação dela.

Natsu olhava para a filha, que não parava um minuto sequer, Lucy a todo o momento tinha que reposiciona-la e segurara para poder colocar a fralda direito.

— As roupas da Nashi ficam naquela cômoda. – Olhou rapidamente para o móvel na intenção de mostrar ao rosado. – Coloque roupas que combinem por favor, e como se pode imaginar ela não se incomoda muito com o frio, mas não deixe de agasalha-la quando a temperatura baixar muito.

Lucy vestiu em Nashi uma calça de pezinho fechado, no tom azul claro e uma blusinha na cor branca estampada por coraçãozinhos rosa e azul.

— Por enquanto ela só precisa de leite materno, quando não posso amamentá-la tenho na cozinha uma lata de leite especial para bebês de até cinco meses. É fácil preparar, tem todas as instruções no verso da embalagem. Apenas se atente na temperatura, para não queimar a boquinha dela.

Enquanto explicava Lucy pegou Nashi no colo e se acomodou na poltrona marrom que ficava ao canto do quarto, Happy que a todo o momento estava na cama saiu e vendo que já não tinha tanta graça rir de Natsu ele foi para a cozinha a procura de seu delicioso peixe.

A loira vestia uma de suas típicas blusinhas de alcinhas, e mesmo constrangida com a presença de Natsu ela tinha que amamentar sua pequena, que já havia passado o dia inteiro a base do leite especial. O rosado que sempre tão lento não percebeu, e se surpreendeu ao ver Lucy baixar a alcinha da blusa.

— O que pensa que vai fazer? – Perguntou apavorado, olhando incrédulo para a loira.

Lucy estava um pouco desconfortável com a situação, mas não havia nada de se envergonhar, estava apenas prestes a alimentar sua filha.

— Vou dar lhe de mama! Não é óbvio? – Respondeu.

— Ma.. mas assim?! – Não ficou constrangido, mas sim desconfortável também.

— Claro. – Respondeu tentando manter a normalidade. Ajeitou-se e colocou sua pequena mais perto de si, a pequena que por sinal estava ficando mais calminha, sabendo que estava na hora de mamar. Lucy pegou uma mantinha rosa de Nashi e cobriu o rostinho da pequena e seu seio.

— Isso pode demorar. – Avisou. Tirando os olhos da filha e fitando Natsu que mantinha os olhos sobre elas.

— Não tem problema. – Natsu respirou fundo, ver Lucy alimentando sua filha fez algo esmorecer dentro de si. A pequena, mesmo mamando não parava de agitar os bracinhos, hora e outra Lucy tinha que a posicionar melhor ou segurar suas mãozinhas agitadas.

Enfim conseguiu tirar os olhos das meninas e tratou e observar todo o quarto, era a segunda vez que entrava ali desde sua volta, mas era a primeira vez que realmente podia se atentar nos detalhes. Parecia tudo como antes, mas com sutis mudanças, a começar pelo cheiro de perfume de bebê e a flagrância natural de Nashi que agora se misturavam com a de Lucy, achou interessante o dragãozinho de pelúcia roxo sobre o berço, nem notou que se aproximou e o apanhou para melhor vê-lo.

Mesmo atenta em Nashi ela não podia impedir de lançar olhares sobre o rosado. Não se acostumaria tão fácil com a presença dele, e todo vez que caia a ficha de que era ele que estava ali, de que era Natsu a quem ela estava ensinando em como cuidar da filha seu coração batia mais forte. Vendo ele pegar o brinquedo de Nashi e olhar curioso para o objeto ela resolveu sanar aquela curiosidade.

— Ela é novinha para se interessar em brinquedos, mas por alguma razão ela não o larga e sente a falta dele quando o esqueço na guilda... Foi Gray quem deu assim que ela nasceu. — Terminou em um sorriso, só de mencionar o carinho que seu amigo tem por Nashi.

Tinha que admitir que Gray se saiu muito bem ao cuidar de Lucy e Nashi, era nítido que o laço de amizade entre eles estavam bem mais forte e verdadeiro.

Depois de amamentar Nashi, Lucy deu as últimas explicações em como proceder para não deixa-la engasgar e em seguida colocou Nashi em sua cama, com um travesseiro ao lado para ela não cair. A pequena estava longe de sentir sono então a loira deixou que Happy a distraísse com alguns brinquedinhos, próprios para bebês de até três meses.

Lucy enfim havia conseguido uma pausa, mas seu coração bateu forte ao se tocar que agora não tinha muito o que falar com Natsu, pois o único assunto entre eles e a única ligação que tinham era Nashi, com isso, a estranheza de tê-lo ali em seu quarto só aumentou.

— A-acho que vou tomar banho, enquanto Nashi está com vocês.

Natsu que se jogou na poltrona não parecia nada desconfortável com a situação e apenas assentiu, vendo a loira apanhar algumas coisas e ir para o banheiro. Ele olhou para Nashi que mordia o rabo de Happy, e mesmo a observando a tarde toda ainda era difícil acreditar que aquela miniatura de Lucy ali na cama de edredom rosa era sua filha. Nunca sentiu tanta responsabilidade assim em toda sua vida, suspirou cansado se afundando ainda mais na poltrona confortável. Então seu olhar caiu sobre uma caixinha razoavelmente grande sobre a mesa de centro.

Mesmo sendo devorado por Nashi, Happy viu que o amigo olhava desinteressado para a caixinha.

— São fotos de quando Lucy estava grávida, e de Nashi. – Falou farceiro.

O rosado estava entediado, e queira ou não ficou curioso em ver as fotos, então sem hesitar pegou a caixinha e voltou para a poltrona, quando a abriu viu que a pobre caixa estava a ponto de explodir, nela continha centenas de fotos, todas bem organizadas.

Pegou um punhado e começou a vê-las, uma por uma.

Eram tantas fotos, mas a primeira que se atentou foi em uma que tinha Lucy ao lado de Erza, Levy, Wendy e Mira, todas em algum canto da guilda sorrindo, Erza tinha a mão sobre a barriga de Lucy e possuía um sorriso choroso, como que se estivesse bastante emocionada. Deveria ser bem no começo da gravidez, pois a barriga da loira ainda estava lisa como sempre.

As fotos seguintes Natsu poder ver a evolução da gravidez de Lucy, atrás de cada foto continha a data, ele se surpreendeu ao finalmente ver Lucy com uma barriguinha mais saliente e redondinha, não pode definir o que sentiu ao perceber que ali dentro da loira crescia aquela bebezinha agitada sobre a cama, que agora parecia finalmente se acalmar. Então viu uma foto com Lucy e Gray, o moreno estava com a mão sobre a barriga já um pouco saliente da loira, ele sorria bobo e Lucy estava com um olhar alegre e choroso. Atrás da foto estava escrito “Primeiro chute...”

O rosado olhava sério para a foto, e não notou quando Happy se aproximou por cima, repousando sobre o encosto da poltrona.

— Haa... essa foto, foi eu que tirei!! Era de manhã e Lucy ficou muito feliz quando sentiu Nashi se mexer pela primeira vez... – Falou nostálgico.

Natsu fixou os olhos na expressão chorosa da loira e depois em Gray, então tão logo passou a foto para trás, mas as imagens seguintes não foram diferentes, Gray sempre estava na maioria delas, Lucy ficando cada vez com um barrigão maior e o moreno sempre ao lado dela. Viu então uma foto em que estavam na piscina, tinha que admitir; mesmo que para si próprio; que Lucy ficou muito bonita grávida, a loira usava um biquíni branco, a barriga grande e redonda exposta, ela estava sentada na beira da piscina com Levy ao seu lado, e Bisca dentro da água. As três sorriam para a foto. Na imagem seguinte, ainda era do dia da piscina, na foto estava Lucy agora dentro da água com Gray segurando suas duas mãos, ambos sorriam, no fundo da imagem, podia-se ver Erza com expressão preocupada, parecia falar alguma coisa.

Happy deu risada e falou:

— Erza estava com medo de Lucy escorregar, ela falava para Gray não solta-la. – Happy estava fazendo aquilo de propósito.

Por fim Natsu chegou nas fotos mais recentes, viu uma que tinha apenas a Nashi, ela estava bem diferente, mais pequena, com a pele rosada e os cabelos tão clarinhos que nem pareciam rosas, ela estava envolvida num manto branco e estava chorando.

— Foi a primeira foto de Nashi, no dia em que Nasceu. – Informou o azulado.

E Natsu passou para a foto seguinte, onde viu Lucy segurando Nashi nos braços, a loira estava deitada com o rosto pálido e suado, parecia abatida e exausta, era do dia do parto, Happy nem precisou lhe falar. As fotos seguintes eram de Nashi nos braços de Makarov, de Erza e das outras amigas de Lucy, tinha até mesmo uma foto de Laxus com Nashi, a pequena estava toda confortável deitava em apenas um braço do grandalhão, que sorria bobo para a rosada,

Arqueou uma sobrancelha ou ver uma foto que por alguma razão o incomodou. Sting ao lado de Lucy, ele envolvia seu braço em torno da cintura da loira, sentiu sua chama arder ao observar que estavam colados, só notou Yukino do outro lado de Lucy pois a albina segurava Nashi nos braços, toda envolvida num cobertor felpudo. Jogou a foto para o fundo da caixa e passou a ver as seguintes, e a irritação de ver Sting em mais algumas fotos aumentou.

As passou para trás sem ter muito interesse em ver a imagem retratada. Outra coisa que não tinha como não notar era que em muitas das fotos Gray sempre estava presente, em muitos lugares, na guilda, na casa de Lucy, no parque. Mas diferente do que sentiu ao ver o membro de Sabertooth, ele não se incomodou, de algum modo apenas reforçava em sua mente que tinha um débito muito grande com o moreno.

O rosado estava ficando cada vez mais distante assim que olhava cada foto, ele se sentia afundar na poltrona, ele apenas olhava para a filha, notava cada diferença em cada foto, todos os centímetros que sua filha ganhava conforme os dias. E todo carinho que ela e Lucy receberam da guilda inteira. Algo mais esmoreceu dentro de si, e pela primeira vez em meses se sentiu menos irritado.

A última foto era de Nashi na cama de Lucy, na anotação do verso Natsu pode ver que era do dia em que a pequena completou três meses de vida, ela sorria para a câmera e segurava com uma de suas mãozinhas o pescoço do pobre dragãozinho de pelúcia roxo. Essa foto provavelmente fora tirada a poucos dias atrás.

Lucy saiu do banheiro e logo viu a foto na mão de Natsu, que não a notou.

— Se quiser poder pegar para você. – Falou, enquanto secava suas madeixas com a toalha, indo para a penteadeira. Não sabia exatamente qual seria a foto, mas tinha tantas que certamente não faria falta.

Natsu não esperava pela repentina aparição da loira, mas pareceu ignorar o que ela dissera, levantou-se com a caixa em mãos e nada disse, apenas a colocando onde estava.

Olhou para Nashi que começava a ficar sonolenta, e olhou para Lucy que estava distraída frente ao espelho da penteadeira. Apenas parecia distraída, pois observava a Natsu pelo reflexo do espelho.

— Parece que finalmente dormiu. Vai deixa-la aqui? – Perguntou.

— Não, pode coloca-la no berço, de mansinho para que não desperte. – Respondeu baixinho, vendo o rosado olhar duvidoso para a pequena, possivelmente pensando se a pegaria ou não. Soltou ar e com cuidado a tirou da cama, ajeitando suas mãos fortes por baixo do corpinho dela a levantando sem que mesma percebesse o movimento.

Lucy foi até o berço e o ajeitou para receber a dorminhoca, e cuidadosamente ele a depositou ali, vendo a pequena resmungar sonolenta ao sentir a falta do calor do pai, mas de tão sonolenta ela logo apagou de vez.

— Ela tem sua personalidade. É agitada, teimosa e mimada. — Falou baixinho. — Me dá muito trabalho! — Terminou com uma expressão de cansaço, porém, com um olhar meigo e feliz pairando sobre a herdeira.

Ele ficou por alguns instantes olhando para sua filha, sempre com seu olhar firme e expressão séria. Impossível para qualquer um decifrar o que passava em sua mente.

— Você fez um bom trabalho Lucy. – Falou em tom baixo e sério. Lucy deixou seus olhos expressarem a surpresa e olhou estonteada para o mago.

Natsu olhou para ela, que estava do outro lado do berço, a fazendo sentir-se desarmada diante daquele olhar, ele ainda causava reações fortes em seu corpo, talvez fosse medo, ou ansiedade, ela não conseguia entender, apenas sabia que tinha que se acostumar com a presença dele e com aquele olhar.

— Acho que por hoje chega. – Falou enfim, tirando Lucy daquele transe. Olhou para Happy, que tirava da cama de Lucy os brinquedos de Nashi. – Happy, você continuará aqui com Lucy. – O azulado parou o que fazia e olhou duvidoso para o amigo. – Se algo acontecer você é o único que poderá me avisar rapidamente.

— Hai. – Concordou rapidamente, feliz por Natsu continuar contando com a ajuda dele. — Aragatou Natsuu...por me deixar aqui! Não consigo mais ficar longe de Nashi. E foi muito legal você passar o resto da tarde aqui conosco. – Falou sincero, em tom carinhoso e expressão de pura felicidade.

Natsu revirou os olhos, a convivência com Lucy havia deixado Happy muito sensível. Mas ele sabia que havia sido difícil para o pequeno amigo passar todos esses meses longe dele. Alias ele próprio tinha que admitir que sentiu falta do gatinho alado. De todos, Happy sempre foi o único que nunca o irritou ou o encheu de perguntas, sempre esteve ao seu lado, e o acompanhou, onde quer que fosse.

Natsu foi até a cama, ficando frente ao Happy que de baixo admirou o amigo, que parecia mais forte, maior e mais confiante.

— Você também Happy... Fez um bom trabalho! – Agradeceu o amigo, por ele ficar todo esse tempo ao lado de Nashi. Ao ouvir aquilo Happy foi se inflando de surpresa, orgulho e alegria.

— Haii.. – Falou choroso, tentando segurar a emoção.

Lucy observava tudo, também se segurando para não se emocionar. Ver Happy todo esse tempo sentindo falta de Natsu a machucava também, um dos seus tanto temores era Natsu também menosprezar seu fiel companheiro, pois Lucy melhor do que ninguém sabia da união e ligação que aquela dubla tinha e temia que até mesmo esse forte elo fosse quebrado por Natsu. Mas, vê-los finalmente juntos pareceu de alguma forma um bom sinal.

Natsu então surpreendeu Happy esfregando rapidamente a mão em sua cabecinha felpuda. Happy finalmente abriu um sorriso, e Lucy percebeu que mesmo que tudo mude, mesmo se o mundo virar ponta de cabeça, provavelmente o respeito e apego que um tem pelo outro jamais será afetado. Talvez a explicação para esta forte ligação fosse o curioso fato de todos os Dragon Slayer terem consigo a companhia de um fiel exceed.

Então o rosado se posicionou na janela, e pronto para saltar ele olhou para Lucy.

— Acho que dou conta de cuidar dela, então, se quiser pode voltar a pegar missões. Aliás, acho bom você fazer algum treinamento, precisa voltar nas condições de antes da gravidez, você está há quase um ano fora de campo. Isso não é bom para o corpo de um mago. – Avisou a loira e saltou. Lucy concordou com o que ouviu, infelizmente ele estava certo, mas mesmo assim ela se sentia receosa, seria difícil deixar a filha para sair em missões.

Natsu rapidamente chegou em casa, e ao entrar deu uma olhada em cada canto, parecia procurar algo, viu então o abandonado quadro de recordações, quis dar-lhe um soco ao se lembrar que foi ideia dele aquela tolice de guardar objetos de lembranças das missões que cumpria com Happy e Lucy. Mas mesmo assim se aproximou do quadro, prendendo em sua superfície com a ajuda de um alfinete a foto de sua pequena Nashi, sorrindo sapeca para a câmera.

Lembrou-se das palavras de Gray na noite passara.

Realmente ela é uma garota incrível.

Notas finais
Tá ai leitores-san. Capítulo leve e gostoso de ler não foi? Finalmente a tão esperada aproximação de Natsu e Nashi. E teremos mais, o capítulo de hoje foi só a aproximação mesmo, ele tem que conhecer a pequena e aprender como cuidar dela. Mas vemos que a pequena rosada já mexeu com a estrutura do grandão rosado ^^ Espero que tenham gostado ^^ Quero comentáriosssssss... Cadê os fantasminhas O.O .. mores, não adianta não comentar eu sei que vocês estão ai fofos.. comentem migles, nos ajude a levar essa historia adiante. :} Pronto já mendiguei o suficiente por hoje ^^ Enfim.. Beijinhos ^,^