Fogo Inalcançável

15 15º Capítulo - Os dias passam rápido, Natsu está de volta - Parte I


Notas iniciais
Olá^^ Capítulo ficou tão grande que achei por bem dividi-lo. Me perdoem possíveis erros ^^ Boa leitura!

O plano deu mais que certo, quatro horas depois do ataque de Minerva, Natsu e Gildarts encontraram a tão almejada sede de Tartaros, que se localizava nos confins de terras não habitadas, encontraram-na após atravessarem duas das maiores e mais mortais florestas de Fiore. Natsu olhava para uma construção antiga, parecia um castelo, de tijolos negros e arquitetura sombria, a áurea exalada do lugar era perturbador a ponto de deixar o ar denso, o céu escuro e as plantas no raio de 1 km mortas.

Era um grande edifício fixado sobre uma terra árida. A estrutura em si era muito grande, contendo pelo menos três enormes andares. Tudo ostentado por enormes torres que eram todas rodeadas por ornamentos extravagantes e janelas medievais, sendo as torres e o telhado do castelo mais curvados, infringindo qualquer lei da gravidade e da arquitetura, tudo contornado por balaustradas e lanças afiadas, no portão do castelo havia duas grandes estátuas de algum animal demônio desconhecido. Cercando a sede de Tártaro havia uma série de espinhos gigantes, e pontiagudos. Se eles fazem parte da paisagem natural ou foram colocados lá exclusivamente para decorar, isso até mesmo Natsu seria obrigado a repudiar.

Mas, diante de tamanha amplitude Natsu sorria, ainda estavam um pouco afastados da guilda para não serem localizados, ele visualizava aquele espetacular monumento como um dragão faminto, mal conseguia se segurar, se conteve por ter Gildarts do seu lado, lhe policiando.

Quando Gildarts deu sinal de ataque eles avançaram com violência, o portão de madeira maciça não foi páreo para o chute de Natsu, que como sempre chegou com estilo, escancarando o enorme obstáculo.

Mas para surpresa da dupla nada se deparam senão com um salão imenso e vazio, olharam atentos pelo saguão e nenhum sinal dos membros da guilda, apenas viram uma escadaria ao fim, uma bela obra-prima, com incontáveis degraus que chegando em certa altura era dividida para três rumos diferentes, mas nada de móveis nem decoração, muito menos pessoas ou demônios. O que não foi motivo para baixarem a guarda, o rosado permaneceu alguns segundos observando, tendo o mais velho em sua retaguarda.

— Vamos nos separar! – Falou. Seu único propósito era encontrar Zeref.

Gildarts nem se desgastou em tentar convencê-lo do contrário, já estava exaurido de segurá-lo. E também tinha outros assuntos para resolver naquela guilda, e sem Natsu em seu encalço seria com certeza menos desgastante. Com um breve aceno a dubla de separou, como dois raios eles sumiram.

Gildarts optou por seguir por um imenso corredor que estava a sua direita, não demorou para o lugar ficar escuro e sombrio, nada que amedrontasse do grande mago. Diminuiu a velocidade dos passos e passou a caminhar, pois as pegadas pesadas estavam fazendo um eco incomodo o arriscando em ser descoberto antecipadamente, andava atento pela passagem tênue e mantinha-se em alerta, sabia que provavelmente os membros da guilda já estavam cientes da invasão, só não queria que eles soubessem onde exatamente ele estava, e o fato deles não os atacarem assim que invadiram a guilda era sinal de grande perigo. Observava cada detalhe, olhando atento para as poucas tochas acessas fixadas na parede de pedra.

A cada passo sentia uma áurea mais tenebrosa o abraçar, o clima gélido e denso fazia-o sentir que estava em outra dimensão. O corredor era extenso, parecia não ter fim, o silêncio chegava a ser perturbador, mas sua intuição lhe dizia que pegou o caminho certo. Dados mais alguns passos viu que o corredor tomava uma direção para a esquerda e outra para a direita, ficou alguns segundos entre essas duas direções, sentindo que uma magia negativa vinha de um dos lados ele então decidiu segui-lo, pegando o caminho da direita.

Não sabia o que poderia encontrar ao seguir por aquele caminho. Mas nos dias que estavam na cidade em procura de Minerva ele e Makarov; através da lácrima; decidiram secretamente que ao encontrarem a sede da guilda a missão de Gildarts seria destruir o local que estariam supostamente realizando o ritual para despertar E.N.D. Sim, Gildarts e Makarov já desconfiavam do ritual muito antes de Jellal descobrir, conheciam um pouco das histórias dos demônios de Zeref e a obsessão deles por um tal demônio nomeado de E.N.D, souberam através das investigações de Gajeel no Conselho, que esses demônios não utilizam de magia, mas sim de rituais e maldições.

Makarov não ficou esse um ano apenas observando a jornada da dupla, usou sua influência, insistência e os dotes de detetives de Gajeel, para tentar descobrir mais segredos de Zeref e seu livro de demônios. O que conseguiu coletar foi algum tipo de Ligação entre Zeref, Natsu e END. Makarov sempre soube de um poder adormecido dentro de Natsu, talvez fosse apenas sua intuição, mas ele sempre teve essa certeza, Gildarts ainda lembra do dia em que o velho mestre lhe disse quando teve a prova de que Natsu era poderoso, fora o dia em que o rosado destruiu o canhão júpiter e derrotou Gajeel, um Dragon Slayer assim como ele, afim de proteger seus amigos e a guilda do ataque fulminante de Phantom Lord. Naquele momento Makarov constatou que um grande poder estava adormecido dentro de Natsu.

Diante dessa certeza o velho passou a pesquisar sobre o passado de Natsu, pois nada sabia sobre o paradeiro dos pais do rosado tão pouco sua descendência, aliás, pouco sabia sobre os Dragon Slayer, e naquele momento sentia que como mestre era seu dever saber mais sobre aquele mago que sempre tão espontâneo, forte e barulhento, poderia sim um dia ser o maior inimigo de Fiore. Infelizmente não fora somente Makarov que percebeu esse risco... Agora corriam contra o tempo.

O sinal de que Zeref de alguma forma fazia parte do passado de Natsu veio quando o próprio rosado lhe contou do encontro que ele havia tido com o Zeref durante a missão do Mago Classe S. Tendo um ponto de partida o mestre conseguiu descobrir alguns assuntos misteriosos de Zeref envolvendo Natsu.

Mas, graças a investigação de Jellal e Meredy descobriram que circulava pelos cantos do Conselho que Tartaros estava tentando despertar o mais poderoso demônio criado por Zeref, através do ritual mais demorado de todos, por exigir enorme quantidade de poder, e muito tempo para decodificar as escrituras de Zeref. No mesmo dia em que Gildarts e Natsu encontraram Jellal e Meredy nos limites de Hargeon, Gildarts dera um jeito de entrar em contato com Makarov, vendo que assim como ele o mestre também intuitivamente deduziu que esse ritual de alguma forma estava afetando Natsu.

Por fim estava decidido, Gildarts iria destruir o possível lugar onde estariam realizando o ritual, essa era por enquanto, a única forma de momentaneamente ajudar Natsu e evitar que o Conselho intervisse. Por mais que Natsu estivesse muito mais poderoso e ele ser um mago classe S, Gildarts sabia que essa era uma missão suicida, os dois não dariam conta de Zeref e companhia, então, o mais crucial nesse momento seria encontrar esse maldito ritual e destruí-lo

Voltou de seus pensamentos quando viu que o corredor chegara ao fim, a poucos metros de si havia uma porta larga e dela vinha uma grande quantidade de poder maligno, se aproximou silencioso e sorrateiramente, havia uma escadaria, não muito grande nem muito pequena que dava acesso a um enorme porão, pelas paredes rochosas e a umidade deduziu que era o subsolo, se perguntou como não percebeu que estava descendo, parecia sempre seguir em linha reta.

Mas logo deixou essa questão de lado ao ver aquilo que o deixaria incrédulo. Lá em baixo no centro do enorme porão, que só não estava escuro, pois luzes de castiçais iluminavam com pobreza o lugar; Gildarts conseguia ver tudo o que precisava, via com clareza possivelmente os membros de Tartaros, postos de pé formando um círculo, estavam todos de olhos fechados, eram seis membros, todos longe de parecerem humanos, com vestimentas estranhas, chifres, tentáculos e mascaras. Estavam realmente concentrados.

Observou que no centro do círculo havia um pedestal em forma de algum demônio, e nesse pedestal estava depositado um grande livro, grosso de folhas duras e amareladas, no chão haviam círculos ritualísticos desenhados metodicamente, que unidos davam forma a um desenho intrigante, cheio de traços e detalhes que jamais entenderia, apenas notou que ironicamente eram semelhantes aos círculos mágicos formados quando o mago chama sua magia, e nos traços que ele não podia entender a única sigla que guardou em sua mente foi E.N.D.

Ainda estava no topo da escadaria, escondido pela parede com parte do corpo exposto para poder ver o que acontecia, se assustou quando os membros começaram a cochichar palavras incompreensíveis. O som que se formou era horripilante, capaz de fazer Gildarts arrepiar até o último pelo de seu corpo. Mas, para seu alívio logo os múrmuros cessaram, enfim eles pareciam sair daquele transe e abriram os olhos, todos visivelmente cansados.

Uma deles caminhou para o centro do círculo, era uma mulher, se é que se poderia rotulá-la assim, tinha uma postura imponente, vestida num traje pequeno semelhante a um maiô, pois deixava suas pernas nuas, o que evidenciava seus pés que na verdade mais pareciam com garras escamosas e afiadas, assim como suas mãos que mesmo quase totalmente encobertas pela longa manga dava para vê-las, usava um capacete lhe cobrindo o rosto e em cada lado de sua cabeça sobressaia pequenas asas, sua aparência lembrava um pássaro.

— Mais alguns rituais e E.N.D finalmente estará de volta. – Falou convencida, sorrindo diabolicamente.

Era o momento perfeito para atacar, mas antes que Gildarts pudesse dar seu ataque surpresa Minerva, que entrou por outra porta, surgiu totalmente perturbada. Deixando a estranha mulher irada pela interrupção.

— Ele está aqui! – Falou parecendo estar apavorada.

— Como assim... ele quem? – Questionou outro demônio, de aparência misteriosa, pois vestia um manto com uma gola alta de estampa semelhante ao padrão xadrez, de baixo do manto podia se ver uma camisa de colarinho e gravata. Em torno de seu rosto e na cabeça havia um capacete ornamentado, revelando a marca de aliança Tártaro, esse capacete lhe cobria toda a mandíbula e desdobrando-se sobre a cabeça quase como uma coroa. O que chamou a atenção de Gildarts era que aquele demônio não possuía rosto humano, seu corpo parece ser a de um esqueleto, não possuindo nariz, olhos ou sequer pele.

— Natsu... – Respondeu temerosa.

— Que merda! Como ele nos encontrou? – Perguntou Kyoka, a mulher das garras de pássaro.

Minerva ficou visivelmente consternada, revelando que ela seria a culpada. Não foi capaz de olhar nos olhos da mulher demônio, apenas se reverenciou em desespero.

— Eu não tinha a intenção, gomena... – Não pode se desculpar, pois a mulher lhe acertou com um chicote grande e grosso, que Gildarts não foi capaz de vê-la sacando, até perceber que era uma das garras dela, que simplesmente se esticou semelhante a um chicote. Minerva foi atingida com força no rosto, cambaleando para trás já com uma mão sobre o profundo corte causado pela chicotada, com sangue escorrendo pela sua mão e pescoço.

— Maldita... – Vociferou Kyoka enfurecida. – Silver! Cuide desse problema. – Mandou autoritária, e sendo rapidamente obedecida.

Agora era a hora, apesar deles não estarem mais com a guarda baixa pelo menos um dos membros já não mais estava ali, aproveitaria a deixa para concluir o que fora fazer. E digno de um dos magos mais poderosos ele atacou sem excitação, mesmo sabendo que não sairia dali impune. Sabendo que apenas perderia tempo e oportunidade se atacasse os demônios ele logo mirou naquele circulo ritualístico, cheio de castiçais e adornos macabros, naquele momento o importante era destruir aquilo tudo, e tentar salvar o que ainda sobrou de Natsu.

Gildarts com um único salto surgiu no centro daquele estranho e maligno círculo, ninguém o esperava, talvez estivessem preocupados demais com a invasão de Natsu, ou simplesmente não sentiram o cheiro e a presença daquele estranho mago. Os demônios olharam abismados para aquele homem enorme que surgiu ali entre eles, e antes que tivessem um milésimo de segundo para contra-atacar ele deu um murro no chão, criando uma onda de choque jogando todos para trás diante daquela força, ele sorriu levemente satisfeito, olhou para o chão e linhas mágicas se formaram, criando uma espécie de rede naquele rochoso chão, a linhas brilhavam forte e no segundo seguinte a poeira se levantou, ele destruiu tudo.

Kyoka avançou em puro ódio, sua face transformada na injuria, mas antes que ela lançasse alguma maldição ou o atingisse com algum golpe Gildarts a acertou com um soco no estômago.

Gildarts era rápido e amedrontador quando queria. Logo viram que era um mago poderoso.

— Jackal!! – Ordenou Kyoka.

O rapaz não precisou de mais palavras para perceber que era sua deixa, de cabelos amarelos e curiosas orelhas e calda de gato ele surgiu frente a Gildarts, com um sorriso cínico no rosto correu para a direção do mago, que ficou esperando pelo golpe, que não venho, foi quando viu que o rapaz estava parado a sua frente com o braço esticado para o chão e o outro para cima, foi quando Gildarts notou estranhas tatuagens nos antebraços e mãos dele.

— Não se preocupe, depois recolho seus pedaços com uma pá! – Se atreveu a falar.

A tatuagem do braço que estava apoiado no chão começou a brilhar, Gildarts previu que nada de bom viria daquilo e saltou para trás exatamente no mesmo segundo em que onde o rapaz tocava explodiu violentamente, fazendo o piso se levantar e pedaços de pedra voarem com força para todo lado.

— Ele é rápido. – Falou Jackal, parecendo querer se divertir mais um pouco.

Sayla que parecia ser a única mais tranquila passou por Jackal, que ficou frustrado ao ver que era a vez dela de se divertir, comparado com a outra mulher, essa se aproximava mais da aparência de uma pessoa normal, claro que ignorando os notáveis dois chifres. Mas galanteador como sempre Gildarts tinha que admitir que a mulher era muito bonita; pele clara, olhos roxos, cabelos negros, além disso notou que seu corpo era repleto de símbolos, vestia um quimono curto e decotado com estampa de leopardo e um par de botas preta que vinha até o meio de suas coxas, exibindo somente os dedos dos pés e calcanhares.

Ela caminhou graciosamente até se aproximar de Gildarts, chamando sua atenção, com o olhar despreocupado ela o encarou, Gildarts sabia que sozinho contra os seis mais poderosos demônios do livro de Zeref era algo que ele próprio não estava pronto para enfrentar, e para não se desgastar em vão, ele se renderia, afinal já havia feito o que queria e sabia que eles não iriam matá-lo, não por enquanto. Sayla usou a maldição Makuro, que é um poder que domina por completo o oponente, Gildarts gemeu e contorceu o rosto, as veias de seus braços e pescoço saltaram, demonstrando que fazia força contra algo, era Sayla dominando o controle de seu corpo.

— Maldito mago o que pensa que está fazendo?! – Rosnou Kyoka se aproximando do mago e esticando as garras da mão esquerda que se enrolaram nos membros e no pescoço de Gildarts, apertando-o sem piedade.

Os outros três demônios apenas observavam, sabiam que não era necessário intervirem.

— Mate-o... desgraçado destruiu nosso árduo trabalho. – Jackal queria vingança.

— Não... Mard Geer não está aqui, acredito que esse miserável seja do interesse do mestre. – Opinou Sayla, vendo que Kyoka concordara com suas palavras.

Gildarts agradeceu mentalmente por não estar errado no palpite de que eles não o matariam, pois na situação que se encontrava ele já estava duvidando.

...

Natsu optou por subir pela escadaria, mas assim como Gildarts ele se deparou em um largo e extenso corredor, porém, diferente do mentor ele não tinha saco para caminhar com cautela e cuidado, percorria todo o corredor correndo e arrombando violentamente as grandes portas alinhadas pelo túnel sem fim, vendo que nada se tratava além de quartos e cômodos vazios. Também usava seu olfato afim de encontrar algum vestígio de Zeref, mas apenas sentia cheiros estranhos e nada mais.

Continuou avançando mais alguns metros, o corredor parecia não ter fim, o que o deixava mais nervoso ainda, seu rosto estava franzido em raiva, a pele bronzeada brilhava devido ao suor, estava em chamas, louco para incendiar algo ou alguém.

Quando finalmente chegou em um saguão tão grande quanto o primeiro em que se depararam ao arrombarem a porta de entrada, este também tinha outras portas e uma escada em caracol que dava acesso a uma espécie de cúpula, era suspenso e arredondado, parecendo ser uma sala de controle ou algo do tipo. Ficou atento quando um cheiro familiar chegou em suas narinas, sabia que alguém estava lá em cima.

— Não esperava menos do poderoso Dragon Slayer, Natsu Dragneel. – uma voz grossa e audaciosa ecoou pelo ambiente, um homem surgiu no alto daquela sala, Natsu franziu as sobrancelhas, o cheiro daquele homem lhe era familiar, mas nunca tinha visto aquela pessoa antes.

O homem então saltou lá de cima, caindo com força e equilíbrio no piso rochoso, era um homem alto e musculoso, o rosto marcado por uma cicatriz que se estendia em diagonal marcando a testa até o olho esquerdo, os cabelos negros e espetados e principalmente o cheiro daquele misterioso e inconveniente homem fazia o rosado se lembrar de alguém.

— Esse cheiro... você me lembra alguém! – Apesar de estrategista, forte, inteligente e do poderoso olfato, as vezes a memória do rosado deixava a desejar, sentir aquele cheiro nitidamente conhecido e familiar o fez ficar martelando em sua mente de quem se tratava, pouco se importou com o provável inimigo e passou a buscar em sua mente de quem aquele cheiro pertencia, fazendo o homem mais velho revirar os olhos.

— Está sendo rude em não perguntar meu nome! – Chamou a atenção do rosado, que deixou de lado a tentativa de lembrar-se de quem aquele cheiro se assemelhava e o encarou. – Meu nome é Silver.

— Não quero lutar contra você apenas procuro por Zeref. – Tão bipolar quanto impaciente, ele logo mudou sua feição de descaso para seriedade.

— Todos nós procuramos. Por isso todo esse trabalho. — Silver comentou, erguendo os braços musculosos em direção ao Natsu, na intenção de indicar que “todo esse trabalho” se referia a ele.

— Como assim? – Não entendeu o comentário, por todo tempo acreditou que Zeref era o mestre por trás de Tartaros.

— Ele não nos agracia com sua nobre presença neste momento.

— Sei que vocês precisam dele para realizar um ritual qualquer.... Sei que ele está por aqui. — Falou irritado, e já perdendo a paciência.

O homem sorrio em descaso. — Esse ritual qualquer já está em um nível em que Zeref-sama não precisa mais ficar aqui, infelizmente. — Falou calmamente e entristecido, por não serem digno da presença constante de Zeref.

Natsu não pode acreditar, mais uma vez perdeu o rastro de Zeref. Não acreditaria cegamente nas palavras daquele homem se não fosse pelo fato de que não estava sentindo o cheiro de Zeref em canto algum. Mas, não deixaria toda aquela missão de invadir Tartaros fosse em vão.

— Então me diga apenas uma coisa. O que eu tenho a ver com Zeref, ele vive me infernizando e nunca fala coisa com coisa, o que eu tenho a ver com vocês? – Parecia que aquele homem gostava de conversar, então aproveitaria para tirar duas dúvidas que o corroeu por meses. Makarov e Gildarts nunca foram claros com ele.

— Descobrimos alguns mistérios que rondava nosso “mestre”... um deles era você Natsu... Infelizmente não poderei te matar por enquanto e nem te falar mais do que isso. Zeref me mataria.

Silver avançou velozmente, pronto para dar um golpe, mas Natsu se defendeu com a mesma velocidade, e imediatamente laçando um sopro de chamas poderosas sobre o estranho homem, que por sua vez se esquivou fazendo Natsu notar que além de forte era ágil, Silver sumiu da visão de Natsu e surgiu atrás do mago, que ao sentir a presença se virou, mas nada pode fazer, Silver lançou uma maldição, congelando instantaneamente o mago do fogo.

[…]

O sorrisinho banguela, os olhos puxados e pequenos e as mãozinhas gorduchas que não paravam de se agitar eram o motivo de três magos ficarem risonhos feitos bobos. Nashi esbanjava fofura, o um mês de vida lhe rendeu 1,5. Kg a mais, as dobrinhas dos bracinhos e perninhas já se formavam, a pele branquinha entrava em contrastes com os fios rosas que cresciam espetadinhos para cima, mas que Lucy continha com um delicado lacinho azul, que combinava graciosamente com o macacãozinho azul claro que Nashi vestia.

— Lucy-chan... ela é realmente linda! – Yukino estava com Nashi nos braços, ela Sting e Rogue foram visitar Lucy, se dependesse de Yukino e Sting teriam ido antes, mas Rogue não permitiu dizendo que visitar uma moça logo após o parto não seria educado, pois Lucy estaria muito cansada e se adaptando com a nova rotina.

Eles estavam acomodados próximo ao balcão de Mira, com Makarov, Erza, Levy e mais alguns amigos por perto, Sting estava ao lado de Yukino admirando a bebê, era impressionante os traços da pequena que lembrava tanto Lucy quanto Natsu.

— É sim Yukino-chan, arigato! – Agradeceu mais uma vez, a loira estava pertinho da albina, não podia negar a insegurança que sentia quando outros pegavam sua pequena, o medo de algo inesperado acontecer era constate, e isso a mantinha sempre em alerta, seu instinto materno já estava completamente aflorado.

— E como está sendo a adaptação? – Perguntou Rogue, que estava do outro lado de Yukino achando graça por Nashi segurar seu dedo indicador, toda a mãozinha não era suficiente para dar uma volta no dedo de tão pequenina.

— Os primeiros dias foram os mais difíceis, eu ainda estava me recuperando, e não sabia como cuidar dela. – Falou sem jeito, mas com um sorriso gracioso no rosto. – Eu fazia tudo errado, não sabia trocar fralda, nem colocar as roupinhas... e quando ela chorava sem parar eu também chorava! – Pausou para poder dar risada da própria história, tirando risadas dos amigos também. – Mas graças a Porlyusica-san que me ajudou muito eu consegui sobreviver ao primeiro mês.

— Que bom Lucy-chan, fico tão feliz em ver que vocês duas estão bem. – Yukino falou e logo em seguida depositou um beijo na testinha cheirosa de Nashi, que começava a bocejar. Vendo que a pequena estava começando a pegar no sono ela a devolveu com delicadeza para os braços da mãe.

Erza pegou um cobertorzinho felpudo na cor lilás de dentro da bolsa que estava sobre o balcão, e se aproximou de Yukino.

— Finalmente ela dormiu! Você tem jeito Yukino-san, é um verdadeiro desafio fazer Nashi dormir nesse horário. – Sempre educada e receptiva Erza fez questão de agradar a albina que ficou contente com o elogio.

— É tão difícil assim fazê-la dormir? – Perguntou olhando admirada para o rostinho gorducho e angelical daquela pequena.

— Sim, ela é agitada igual ao pai. – Respondeu Levy que estava sentada em uma das mesas próxima ao grupo, tirando risada dos demais, que foram obrigados a concordar. Realmente Nashi lembrava muito Natsu, e mesmo com apenas um mês de vida já se mostrava ter uma personalidade forte, birrenta e bagunceira.

Erza ajudou Lucy a embrulhar Nashi no cobertor, já estava entardecendo e o frio ficando mais persistente.

— Pode deixar, eu a levo para a Porlyusica. – Falou Erza pegando Nashi dos braços de Lucy, diferente de outras pessoas Lucy não relutava em deixar Nashi aos cuidados de Erza e Porlyusica, ambas eram mães por natureza, duronas e protetoras, Gray também tinha muito jeito com Nashi.

— Porlyusica-san foi e pelo que vejo ainda é de grande ajuda. – Comentou Sting vendo Erza levar Nashi.

— Hai, é como que se ela fosse a avó que Nashi não tem. – Disse meiga, lembrando da confiança e admiração que ela tem por Porlyusica, foi inevitável não incluir a rosada em sua nova vida, quando viu ela já era integrante importante da família.

Sting se admirava com a meiguice de Lucy. Sorrio sem perceber ao fitar a bela face da loira, que aliás estava linda, nem parecia ter dado à luz, seu corpo curvilíneo era coberto por uma linda mini-saia jeans e uma blusinha justa de alcinha na cor rosa. Vestia as mesma roupas de quando a conheceu, até mesmo as tipicas botas. De fato ela tinha o corpo tão belo e atraente quanto antes, mas algo estava diferente. Era o olhar? O sorriso? Será que porque agora era mãe?!

Enfim conseguiu tirar os olhos de Lucy e olhou de relance para Mira que com uma máquina tirava fotos de Nashi nos braços de Erza, que tentava levá-la para o andar de cima.

— Vejo que pegaram gosto pelas fotos.. – Comentou orgulhoso, cruzando os braços musculosos, fazendo algumas magas do outro lado do salão suspirarem, pois muitos ali não tiravam os olhos dos Dragons Slayer de Sabertooth.

— Hai! Foi uma ótima ideia Sting, tenho tantas fotos lindas da gravidez, e de todos os momentos importantes da Nashi, acho que vou ter que comprar um baú para guarda-las. – Comentou brincalhona.

— Fico feliz em saber. – Falou galante. Então olhou para os lados procurando por alguém – Achei que encontraria Gray por aqui!! — Estava era satisfeito por não vê-lo, Gray ficava de olho nele e isso o incomodava.

— Ele saiu em sua primeira missão. — Falou orgulhosa. — Foi difícil convencê-lo de que ficaria tudo bem comigo e com Nashi, mas por fim o mestre conseguiu fazê-lo ir.

Nesse momento Rogue havia se aproximado de Makarov que a todo o momento estava sentado sobre o balcão bebendo, engataram uma conversa qualquer sobre guildas e alianças, Yukino fora puxada para conversar com Levy, Bisca e Canna que se mantinham sentadas descontraidamentes em uma mesa próxima.

— Deve ser difícil para ele deixa-las sozinhas. — Falou compreensivo.

— Sim, foi difícil para mim também. — Sorriu envergonhada. — Gray faz falta, mas é importante que ele volte a fazer missões, logo também poderei ir junto.

— E Nashi? Como você irá fazer? — Perguntou preocupado, não achou que a loira estivesse realmente disposta em voltar para as missões.

— Nashi estará segura aqui em Fairy Tail com Porlyusica e o mestre. Também procuraremos sempre deixa alguém como reforço. — Era difícil imaginar em deixar Nashi e sair em missões. Vendo Sting a fitar com um semblante assustado ela concluiu. — Afinal, além do aluguel para pagar agora tenho uma filha. — Sorriu contagiante.

O loiro não compreendia, parecia que Lucy não estava incluindo Natsu nesse cálculo.

A guilda estava um tanto cheia, como dito era fim de tarde e muitos chegavam de suas missões, e muitos dali observavam as visitas, era sempre curioso ver membros da Sabertooth por lá, principalmente os membros mais poderosos... e bonitos. Rogue e Sting eram incrivelmente atraentes, mas o loiro chamava mais atenção devido o sorriso largo, a vestimenta que deixava visível seu físico bem cuidado e seus cabelos loiros rebeldes e bagunçados. Mas havia ali um par de olhos bem mais atentos em Sting e Lucy, mesmo parecendo entretido com Lily, Lector e Frosch Happy sentia um leve incomodo em ver Sting tão próximo de Lucy.

Gray comentou com o azulado sobre a visita que Sting fez no apartamento da loira. O azulado era atento, notava o olhar de Sting e o jeito que ele falava com Lucy... se fosse em outras ocasiões até diria com seu sotaque puxando e estreitando os olhos “Ele goxxxta de você” mas, não achava graça nisso, não queria Sting tão perto assim.

Mas Lucy não notava os meio olhares que recebiam, conversava tranquilamente com o loiro a sua frente.

— Mas.. e Natsu? — Finalmente perguntou. — Ele vai voltar em breve não vai? Daria para vocês intercalarem as missões para poderem cuida da Nashi.

O olhar de Lucy perdeu seu lindo brilho e seu sorriso murchou. — Natsu é uma longa história Sting... — Falou apenas.

Sting olhava perdido para Lucy, como assim uma longa história? O que estaria acontecendo afinal?. Mas foi desperto de seus devaneios ao sentir a presença de seu irmão e ouvi-lo falar.

— Está muito bom, mas temos que ir, a noite já esta chegando. – Rogue se aproximava, falou em um tom alto o suficiente para Yukino ouvir mesmo estando sentada um uma mesa um pouco distante dali, a fazendo formar um bico em desgosto.

— Mas já Rogue-san?? – Perguntou decepcionada. Formando um bico maior ainda ao ver Rogue lhe acenar que “sim” já estava na hora de irem.

— Ficamos muito felizes pela visita. – Falou Makarov.

— Agora esperamos a visita de vocês. – Rogue se despediu.

— Lector, Frosch... vamos!! – Yukino chamou os gatos que estavam afastados dos demais junto com Lily e Happy.

— Lucy, se cuide, e cuide bem daquela princesinha...– Sting sorriu gentil para Lucy. – E tire muitas fotos! Ok!

—H-hai... pode deixar, e na próxima visita farei questão de mostra-las para você novamente. — Respondeu meio desconsertada, por um instante o olhar e o sorriso de Sting a deixou sem jeito.

— Lucy, mais uma vez... Meus Parabéns! Sua filhinha é linda!! – Disse Yukino se aproximando de Lucy lhe dando um forte abraço, que foi retribuído carinhosamente.

— Obrigada por nos receber! Tenham uma boa noite. – Rogue se despediu educadamente indo rumo a saída e sendo seguido pelos demais.

Lucy acompanhou o trio até a porta, agradeceu mais uma vez a visita e assim que saíram ela fechou a mesma. Voltou para onde estava, iria aproveitar que Nashi estava dormindo para poder ficar um pouco ali com suas amigas, quando finalmente chegou na mesa onde agora estava Levy, Canna e Bisca viu que as magas estavam pasmas, com os semblantes desconfiadas.

— O que foi aquilo Lucy Heartfilia? – Perguntou Bisca, parecendo desaprovar algo.

Lucy por um momento ficou confusa, não entendeu o que causou tamanho alvoroço nas amigas... mas logo percebeu qual seria o motivo, Sting e a atenção que ele lhe dava realmente a deixava sem jeito, mas não compreendia o porquê de tanto drama. Se sentou ao lado de Levy e olhou preocupada para as magas, tentando entender o que passava naquelas cabecinhas férteis.

— Como assim? – Perguntou confusa.

— Daquela intimidade toda com Sting... Vou te mostrar as fotos novamente. – Completou Levy, imitando o que Lucy havia falado para Sting. — Como assim novamente? — Perguntou incrédula.

— Ele me visitou quando estava no quinto mês de gestação, logo após o ataque de Lorenna, foi ao meu apartamento e passou algumas horas por lá, então mostrei as fotos que tinha. — Explicou com inocente e calmamente, não achando ser grande coisa.

— Eu lembro, encontrei com ele na porta da Guilda, eu que mostrei o caminho da sua casa. — Recordou-se Bisca.

— Como assim? Ele foi no seu apartamento? — Perguntou ainda mais incrédula. — Bisca!! Porque não nos falou?!!

— Gomem Levy, estávamos tão agitados depois do ataque de Lorenna que isso meio que passou despercebido. — Sorriu sem graça, decepcionada por não ter mantido as amigas informadas.

Lucy deu um sorriso e fez cara de pouco caso. – Ele é atencioso e charmoso, não fiquem criando caso onde não tem meninas. – Explicou pacientemente.

— Não seja tola loirinha! – Avisou Canna que segurava um caneco de madeira com alguma bebida alcoólica dentro. — Ele é um Dragon Slayer poderoso, deve ter o mesmo gosto que Natsu. Ele tá conhecendo o terreno pra poder atacar. — Das quatro Canna parecia ser a mais experiente no assunto.

Lucy enrubesceu e olhou sem jeito para as meninas. — Não diga bobagens Canna. — Repreendeu a amiga, achando a atitude das meninas um grande exagero. — Bom... Não se preocupem, isso tudo é coisa da cabeça de vocês... E eu estou com fome, será que Mira fez aquele ensopado que eu adoro? – Mudou de assunto cinicamente, o estardalhaço que as meninas estavam fazendo era uma perca de tempo, ela tinha que aproveitar a soneca de Nashi para comer e poder se distrair.

Bisca sorriu ao ver o pouco caso que Lucy fez, entendeu rapidamente que a loira não estava fugindo do assunto, mas simplesmente não estava interessada.

— E então Lucy... quando vai voltar a ir em missões? – Bisca resolveu respeitar a amiga e mudou de assunto. Fazendo Canna a fuzilar com os olhos, pois o assunto que a morena mais gostava de prosear era sobre homens, romances, casos amorosos e afins.

— Nem me pergunte... só de imaginar ficar longe da Nashi eu sinto um aperto... mas também sinto falta das missões. – Falou tristonha só de pensar no assunto.

— É só questão de costume, no início não será fácil, mas com o tempo vocês duas iram se adaptar. E não se preocupe, Nashi estará sempre protegida e segura aqui em Fairy Tail. – Disse por experiência própria, na verdade até hoje era um pouco difícil deixar Asuka para ir em missões.

Haviam desenrolado um assunto atrás do outro, alguns amigos se juntavam para conversar e outros saiam, Mira fez uma panelada do ensopado que Lucy tanto adorava e todos degustaram da deliciosa iguaria da albina. Mas antes que Lucy pudesse terminar sua refeição ela ouviu um chorinho manhoso vir lá de cima, um chorinho que seria inaudível para os demais, mas ela estava sempre atenta e sabia que era sua filha acordando.

— Meu dever me chama. – Falou se levantando.

— Irei guardar uma porção para você levar embora, passe aqui antes de ir ok?! E eu comprei um vestidinho que vai ficar lindo em Nashi, ai você aproveita e já o leva também. – Avisou Mira. Lucy sorriu, era sempre assim, Nashi estava sendo mimada e constantemente presenteada pelas tias corujas.

— Hai hai. Não se preocupe ainda vou esperar Gray chegar para irmos embora – Respondeu subindo as escadas.

Chegando ao quarto que agora era o berçário da guilda Lucy entrou sorrateira, no cômodo tinha o bercinho estilo moises da Nashi com uma poltrona branca ao lado, abaixo da janela havia um grande sofá na cor laranja com almofadas coloridas e ursinhos de pelúcia em cima, no centro do quarto um tapete felpudo com brinquedos frente à uma enorme estante de livros infantis, onde Asuka passava horas brincando, e no outro cantinho havia uma mesa com uma banheira rosa, toalhas e produtos de higiene infantil sobre ela. Porlyusica ultimamente passava metade do dia ali e a outra no cômodo ao lado que agora era seu escritório, onde desenvolvia seus remédios e exponencialmente atendia magos e magas feridos ou acometidos de alguma doença mágica, mas naquele momento aninhava Nashi, quando viu Lucy fechando a porta.

— Chegou na hora certa, esta na hora do banho dela... Por acaso se esqueceu? – Parecia repreender Lucy, a loira ainda tinha suas falhas com os horários dos banhos, soneca e amamentação, a rosada tinha que sempre ficar a supervisionando.

Lucy sorriu sapeca indo em direção a uma grande bolsa rosa com lacinhos verdes e coraçõezinhos amarelos desenhados por todo o tecido, que estava sobre uma cômoda perto da porta.

— Não sei o que seriamos de nós sem a senhora. – Falou carinhosa enquanto tirava da bolsa uma muda de roupinhas da pequena, uma fralda e um frasquinho de shampoo infantil.

— Nem eu... – Respondeu em tom descontraído, na verdade não se importava em ficar cuidando de Nashi, a confiança e certa dependência que Lucy tinha por ela era algo que a completava, se sentia necessária e realizada cuidando daquelas duas jovenzinhas.

E com a assistência de Porlyusica Lucy deu banho na pequenina, que resmungava por estar naquela situação, fazendo bico pronta para chorar, ela odiava tomar banho.

— Nãoo não querida... não chore, já esta acabando. – Lucy tentava distrair a pequerrucha.

Quando finalmente a tirou da banheira Porlyusica já a espera com a pequena e macia toalha, e como duas babás treinadas elas trabalhavam com sincronia, Porlyusica embrulhou a pequena com a toalha a pegando e colocando no trocador, Lucy veio com a pomada, talco e fralda. Enquanto isso Nashi as observava, ora querendo chorar por não estar no colo da mãe e ora ria pelas cóceguinhas que as magas lhe faziam.

Para finalizar Lucy a vestiu com uma meia calça branca com pequenos detalhes de coração e um vestidinho de camadas na cor amarelo e rosa, Porlyusica completou o look com uma faixa amarela na cabecinha a deixando perfeita como uma princesa, aliás, Lucy sempre a deixava como tal, com as roupinhas delicadas que comprou e que ganhou do pessoal da guilda.

— Você está finalmente pegando o jeito, logo não precisará mais da minha ajuda. – Orgulhosa a rosado elogiou a loira que ajeitava o vestidinho de Nashi. — Sem contar que sua recuperação foi surpreendente, está quase cem por cento recuperada.

Lucy pareceu não ficar contente com o elogio, a feição tranquila foi tomada pelo desconforto, pegou a pequena no colo e olhou para a rosada.

— Fico feliz em estar me tornando uma mãe melhor, mas eu quero continuar precisando da senhora, e eu sei que a Nashi também. – Disse carente.

— Não seja tola, uma hora você iria aprender tudo, e já está saudável e forte o suficiente para cuidar dela sozinha – Gostou em ouvir que Lucy e Nashi ainda precisavam dela, mas ela é realista e apesar de ter se acostumado com aquela rotina e com a presença de Lucy e Nashi ela sabia que já estava na hora de voltar para sua árvore-casa e retomar sua antiga vida, longe dos humanos.

— Mas estou tomando vitamina, e não posso nem ir em missões ainda. – Tentava desesperadamente arranjar desculpas para manter Porlyusica por perto.

— Só está tomando as vitaminas por causa da amamentação, e são vitaminas comuns que todas as mães tem que tomar, e só não está indo em missões pois Nashi ainda é muito pequena para ser desmamada. – Sorriu com a insistência de Lucy.

— Eu só acho que a avó sempre tem que estar presente, precisando ou não... – Falou de uma vez, inconscientemente se balançando levemente por ter a pequena no colo, o rosto ficou levemente avermelhado, mas os olhos grandes e castanhos da loira permaneceram firmes sobre os de Porlyusica que se surpreendeu ao ouvir aquilo. – Nashi precisa de uma família, e cada um assumiu um papel: Gray e Gajeel são os tios, Mira, Erza, Levy, Juvia, Wendy, Canna e Bisca são as tias, Makarov o vô e a senhora... a vovó, eu quero muito que a senhora permaneça aqui, quero que fique sempre por perto cuidando de nós duas, o negai! – Pediu, e mesmo com Nashi no colo Lucy se reverenciou.

Porlyusica ficou emocionada, os olhos avermelhados que antes eram sempre tão frios e indiferentes ficaram lacrimosos, sorriu levemente, sentia um calor aquecer seu coração – Tem certeza disso? – Perguntou, admitindo que o que mais queria era permanecer ali, perto delas.

— Sim, quero muito que a senhora permaneça presente em nossas vidas, quero que continue cuidando de mim e da minha filha. – Falou sorridente, vendo que finalmente a rosada havia baixado a guarda.

— Se é isso que vocês querem! — Disse durona, virando o rosto para o lado e cruzando os braços, tentando disfarçar o olhar choroso, tirando de Lucy um sorriso vitorioso. A loira então se aproximou passando Nashi para os braços da mais velha que amorosamente a envolveu num abraço aconchegante pertinho de si.

...

Gray abriu a porta da guilda, com aparência de cansado e ansioso ao mesmo tempo, havia partido em sua primeira missão após o nascimento de Nashi, junto de Juvia, Wendy e Charle. Ainda seguiam um esquema de proteção, se ele ou Gajeel se ausentassem, Laxus e Erza deveriam permanecer na Guilda, e pela primeira vez Gray foi praticamente obrigado a se ausentar, tinha que voltar a trabalhar em missões. Ao entrar na guilda finalmente pode respirar aliviado, passar quatro dias fora foi uma tortura e não só por Juvia ter ido junto, que aliás foi um fato bem agradável, mas por ter ficado longe de sua sobrinha e sabendo que não estaria por perto caso Lucy precisasse.

— Olá pessoal, finalmente chegaram! – Recebeu Mira, contente por ver mais um grupo de amigos chegarem de uma missão.

Lucy havia descido para o salão novamente junto com Nashi e Porlyusica, ela estava acomodada numa poltrona na área de descanso do salão, com Nashi no colo, o moreno logo seguiu em direção das duas.

— Como passaram esses dias? Tudo bem? — Perguntou preocupado, mas logo vendo que ambas estavam ótimas.

— Tudo em ordem Gray, falei que não precisava se preocupar. — Respondeu carinhosa, vendo Gray se inclinar em direção a Nashi que sem pedir permissão pegou a pequena nos braços, a aninhando e acariciando o narizinho arrebitado dela.

Juvia sorria meiga para a cena, se aproximou também, estava ansiosa para ver o rostinho perfeito de Nashi.

— Parece que ela está mais linda ainda. – Comentou a azulada dando um breve cheirinho na testinha da pequena.

— Senti a falta de vocês. – Respondeu emocionada, pois ver o carinho que seus amigos tinham com Nashi era incansável. Agradecia aos céus por serem tão bons com ela, pois seu maior medo era não poder dar uma família para seu bebê, mas estava testemunhando todo o amor que Nashi recebia dessa família enorme e diversificada que também a adotou um dia.

— Também sentimos, principalmente Gray... ele não parava de falar da Nashi, e do quanto ela gosta quando ele faz floquinhos de neve caírem do outro lado da janela quando ela está manhosa. – Disse achando graça ao se lembrar.

Lucy sorriu, realmente a magia de Gray era ótima para distrair a pequena, principalmente quando ela fazia manha para dormir.

— Bom... acho que podemos ir então. – Falou Gray, já começando a caminhar para a saída, com Nashi nos braços. – Juvia, nos acompanhe, te deixo na Fairy Hills.

— Não se preocupe Gray-sama, eu vou com uma das meninas. – Agradeceu a gentileza, levemente ruborizada.

— Então tá bom. – Olhou para a azulada que ficou incrivelmente alegre com suas poucas palavras, o fazendo dar um sorriso de canto. — E Happy? – Perguntou, percebendo que não havia o visto ainda.

— Estou aqui Gray. — Se apresentou, voando em direção a dupla.

— Ok.. então, vamos?! — Chamou Lucy, colocando em seu ombro a bolsa rosa e grande de Nashi, e as sacolas de papel que continham o presente de Mira e o ensopado.

Por fim, se despediram dos amigos que estavam por perto e seguiram para a saída.

— Esperem... – Chamou Porlyusica, que estava do outro lado da guilda conversando com Makarov, Macao e Wakaba. – Lucy sua vitamina, não se esqueça de tomar antes do café da manhã ok? E Gray cubra Nashi com mais uma manta, o sereno gélido já paira lá fora, não a deixe tomar friagem. – Vinha apressada rumo ao casal de amigos com o frasco de vitamina e mais um cobertor.

— A senhora vai passar a noite aqui? – Perguntou a loira pegando o frasco de vitamina e o guardando na bolsa.

— Sim, estou trabalhando em alguns remédios, só dei uma pausa para poder descansar. Vão com cuidado! – Disse preocupada e carinhosa.

— Pode deixar. – Gray tranquilizou a mais velha, pegando o coberto e o envolvendo em Nashi.

A dupla se despediu de Porlyusica e seguiram pela saída. Ao abrir a grande porta Lucy se deparou com Lisanna e Elfman que chegavam de uma missão.

— Lucy-san... Gray-san... Boa noite! – A albina cumprimentou, levemente surpresa por se deparar subitamente com os amigos.

— Já vão embora? – Perguntou Elfman, obtendo um “sim” de Lucy. – Gray e Happy, protejam Lucy e Nashi, proteger uma jovem e bela mamãe e sua recém-nascida é coisa de homem. – Falou com seu timbre grosso, totalmente controverso com seu semblante relaxado e atencioso.

Gray sorriu de canto dando um breve aceno, Lisanna observava o moreno com a pequena acalentada em seus braços, já quase se entregando ao sono, parecia uma linda família. Tão logo lembrou-se de Natsu, veio em sua mente aquele olhar feroz, a expressão vazia... não conseguiu encaixar o rosado no lugar de Gray.

— Boa noite, e descansem, fiquei sabendo que estão indo em muitas missões, não exagerem ok! – Se despediu Lucy saindo e dando passagem para os irmãos entrarem.

Lisanna aproveitou quando Gray estava saindo para procurar o rostinho alvo da pequenina, o encontrando entre o tecido quentinho e macio.

— Boa noite Nashi... – Disse meiga, era impossível não apreciar a fofura da pequena.

...

— Chegamos! – Disse aliviado, já entrando pelo apartamento e colocando vagarosamente Nashi no berço, que graças a Kami-sama não acordou. – Precisa de alguma coisa? – Perguntou Gray, olhando pelo quarto, vendo se estava tudo em ordem.

— Não se preocupe, qualquer coisa Happy te chama, vá para casa... estamos bem! – Falou agradecida, vendo que o amigo estava cansado e provavelmente louco para tomar um banho e dormir.

Gray havia voltado para sua casa, Lucy já estava recuperada, disposta e sua magia estava ficando cada vez mais forte como antes, ela poderia se defender e defender Nashi caso precisasse, Happy continuava morando com elas e Porlyusica sempre estava por lá, Erza e as meninas de Fairy Hills também. Claro que ele também era presença constante lá no apartamento, fazia questão de permanecer o mais presente e útil possível.

— Aye... eu cuida das meninas Gray, não se preocupe. Você não faz falta – Falou em desdem nem se dando ao trabalho de olhar para Gray, pois já estava sobre a cama de Lucy comendo seu lanchinho da noite. Só para constar, era um peixe.

Gray lhe lançou um olhar seco e raivoso, almejando um dia poder congelar aquele neko folgado e lança-lo ao mar. Mas logo se recompôs, nunca faria nada disso com Happy.. era assim que eles se relacionavam e na verdade estava aliviado por tê-lo ali, apesar de tudo o gato azulado era muito competente com suas asas forte e grandes, Gray sabia que qualquer coisa Happy conseguiria o avisar com muita agilidade.

— Tá certo, se cuidem. Tenham uma boa noite! – Se despediu, dando uma ultima olhada em Nashi que dormia feito um anjinho e depois saindo do apartamento.

Lucy ficou olhando pela janela o amigo ir para casa, ainda não tinha se acostumado com a ausência dele, era gostoso e aconchegante ter seu amigo por perto, para ajudar, conversar e ficar comendo besteiras no meio da madrugada. Mas estava satisfeita, tinha Happy e Nashi ali com ela.

— Happy!!! Já falei para não ficar comendo seus peixes na minha cama!! — Falou estérica, com cuidado para não acordar a pequena.

— Hayy.. — Falou dengoso. — Natsu sempre deixou..

A loira revirou os olhos, sabia que era manha do neko... E sua noite terminou assim, tentando adivinhar quem era mais manhoso, Happy ou Nashi.

[…]

Quando despertou sentiu seus ossos estalarem, a angustia de não se lembrar de nada o fez em um pulo se por de pé, e ver que estava em uma cela, de grades de ferro puro, a raiva foi instantânea, quando viu estava quase se entalando entre as frestas em urros de ódio, gritando, ordenando explicações. Socou e chutou as grades com toda sua força.

— Não há muito o que fazer Natsu, estamos sem magia e sem opções neste momento.

Foi quando percebeu que Gildarts estava ali também. Sentando no chão encostado na parede, parecendo cansado e irritado.

— Kêssa... como isso foi acontecer?! Nos separamos para minimizar a possibilidade de sermos os dois capturados. – Falou chocado ao ver que foram vergonhosa e rapidamente encarcerados.

Silver apareceu, fazendo Natsu avançar entre as grades na inútil intenção de arrancar a cabeça daquele homem, que apenas sorriu com a atitude estúpida do rosado.

— Espero que aproveitem a estadia. – Falou sarcástico.

— Maldito, o que vão conseguir nos mantendo aqui?!

Silver o encarou, parecia querer dizer algo, mas apenas manteve a boca fechada e prosseguiu seu caminho.

— Somos preciosos para eles, magos de Fairy Tail, com certeza pretendem arrancar segredos da guilda ou algo parecido. – Gildarts respondeu, tentando parecer tranquilo, mas estava nervoso tanto quanto Natsu.

Demorou algumas horas até Natsu se convencer de que a cela era imune aos seus poderes. Irritou-se até mesmo com Gildarts por ele nem sequer tentar usar alguma magia. Mas foi vencido pelo cansaço, vendo que nada adiantava, o que acabou lhe deixando mais nervoso ainda. Como iriam sair dali? Logo Makarov buscaria contato e não iria conseguir!

...

Cinco dias havia se passado, talvez dez ou mais, eles não tinham noção, pois nem janela havia naquela cela, estavam jogados pelo chão, transtornados e humilhados quando Sayla surgiu do outro lado da grade. Natsu estava cansado então apenas direcionou um olhar raivoso sobre ela.

Sayla era tranquila, culta e serena, sem demonstrar qualquer receio abriu a cela esticou um dos braços e com a maldição Makuro ela controlou Natsu e Gildarts facilmente, se aproximou deles e colocou em ambos uma algema que também os impediam de usar magia. Os arrastou da carceragem até o saguão principal. Chegando no saguão ela jogou Natsu no centro.

— Maldita!! – Rosnou Natsu.

— Natsu Dragneel... o poderoso salamander, o Dragon Slayer do fogo e um dos magos mais poderosos de Fiore. E Gildarts Clive, o orgulho de Magnólia, o mentor de Natsu, o poderoso mago de Fairy Tail! – Mostrou conhecer bem a dupla, que pouco se importaram.

— Acho que vocês foram superestimados. – Kyoka concluiu categoricamente.

Natsu percebeu que estava sobre o controle de seu corpo e que de alguma forma foi liberto das algemas que o impediam de usar sua magia. Gildarts ainda estava algemado e sobre o controle de Sayla , foi posto em um canto e estranhou tudo aquilo, observou que os mesmos demônios que estavam no ritual que ele destruiu se encontravam ali, porém haviam mais três além daqueles.

Um homem que Gildarts nunca tinha visto se aproximou de Natsu, o homem tinha pele escura e cabelo liso amarelado, escorridos quase chegando em seus ombros, o rapaz era calmo e parecia ser de uma natureza fria.

— Natsu Dragneel, devo revelar que é uma honra te conhecer. – Falou educadamente olhando para o rosado que soltou o ar em descaso.

Natsu estava de pé, tentando parecer firme, mas estava fraco, não se alimentava há dias e ficar impossibilitado de usar magia por tanto tempo de alguma forma o afetou. Mas estava mais irritado do que nunca, ficar enjaulado por aqueles bichos infernais era a maior de suas humilhações. Natsu levantou o olhar e encarou o homem que estava a sua frente que se surpreendeu com a força daquele olhar.

E sem que os demônios que observavam percebessem ele chamou sua magia em um grito rouco e raivoso e avançou com o punho em chamas, dando um soco certeiro no rapaz de pele bronzeada. Os outros demônios que estavam afastados se surpreenderam, mas antes que Natsu avançasse para cima deles ele foi impedido por Kyoka que lhe enlaçou com suas garras e o jogou de volta para o centro do salão. Natsu se levantou rapidamente, estava furioso, queria sair daquele lugar de qualquer maneira.

— Seus miseráveis!! – Rosnou. – Acham que podem me segurar?

Soprou com toda sua força, lançando um jato de chamas ardentes. Kyoka conseguiu dar uma chicotada em suas costas, mas Natsu apenas se virou e sorriu com o golpe que rasgou sua jaqueta e lhe abriu a pele; aquilo era apenas um arranhão. Endireitou-se e ficou de frente para Kyoka.

— Acha que será apenas isto? – Perguntou Kyoka, além da habilidade de usar as garras como chicote ela também tinha o poder de ampliar a dor de seu oponente o quanto quisesse, e foi isso que fez, apenas olhou para Natsu e jogou a maldição. O rosado trincou os dentes e caiu ajoelhado devido a dor.

— Malditaa!! – Berrou

Gildarts estava agitado, suava e seu coração palpitava em ver seu discípulo enfrentando os membros de Tartaros sozinho, nunca se sentiu tão inútil. Mas não importava o quanto tentasse, puxasse e batesse contra a parede, aquelas porcarias de algemas não quebravam.

Kyoka cessou a tortura, e olhou satisfeita para o rosado. Mas Natsu estava perdido em ódio, raiva e frustração, não seria isso que o pararia, assim que sentiu o alivio ele se levantou.

— Você se cansa fácil...- Falou irônico. Kyoka o encarou e ele chamou mais uma magia. – Karyu no Saiga!

Uma garra em chamas surgiu em seu braço, agarrou Kyoka e a arremessou fortemente contra a parede.

Então Jackal interveio, tão ágil quanto Natsu ele o agarrou antes que o mesmo percebesse, a mão tatuada estava apertando o pescoço de Natsu, iria explodir a cabeça do Dragon Slayer, mas assim que a bola de fogo surgiu Natsu simplesmente engoliu tudo, dando um sorriso convencido, deixando Jackal boquiaberto, então foi a vez de Natsu agarrar em seu pescoço e o lançar contra outro demônio que observava a luta.

Natsu fraquejou e caiu de joelhos no chão, se encurvou e abaixou a cabeça, estava sem forças e cansado, mais usaria até a última célula de seu corpo para lutar.

O plano era simplesmente torturar o rosado e ver o nível de seu poder, e para isso ficou em acordo que apenas um demônio atacaria de cada vez, mas era nítido que apenas um não seria páreo para Natsu, teriam que atacar todos de uma vez. Mas antes que Kyoka ordenasse o ataque em grupo mais um demônio surgiu.

— O que pensão que estão fazendo! – A voz masculina em tom de impaciência ecoou pelo salão deixando Kyoka e seus companheiros assustados.

— Mestre! – Sayla se reverenciou para o jovem homem que caminhava elegantemente entre eles.

O homem tinha longos cabelos negros, pele pálida e olhar convencido e tedioso, trazia em sua feição um ar de realeza, parecendo um príncipe. Era o mestre de Tartaros, aqueles demônios eram seus submissos, mas todos com o mesmo propósito, renascer E.N.D e serem dignos de Zeref o mestre de todos, para assim finalmente iniciarem a era dos demônios.

— Mard Geer-Sama! .... Natsu... Natsu Dragneel encontrou a guilda e... – Kyoka tentou explicar.

— Silver. – O chamou, ignorando Kyoka e os demais, o homem que fora chamado surgiu de algum lugar que ninguém reparou, surpreendendo a todos. Ele era o único que sabia o que fazer, se aproximou de Natsu que estava quase desfalecendo e mais uma vez o congelou. Gildarts em algum momento também já havia sido congelado. – Deixe-os em algum lugar, longe daqui, e trate de não deixar rastros.

Silver acatou as ordens, sem muitas dificuldades pegou os dois magos congelados e saiu do salão.

— Mestre! Eles destruíram o ritual, não temos mais recursos para conseguir tudo que é necessário para o processo. Ter Natsu Dragneel nos dará mais tempo. O deixamos na cela por dias, só queríamos ver o quão forte ele é.

— O que mais temos é tempo. Só não tenho paciência com a incompetência de vocês – O tom sério e impaciente deixou Kyoka de pelos arrepiados.

— O que faremos agora? Faltava poucas sessões para consagrarmos o rito. – Comentou Keith, que se aproximou de seu mestre.

— Vocês não viram? Já despertamos E.N.D. O mal já está o corroendo, não tardará o dia em que Natsu Dragneel será apenas um passado. Deixe-o voltar para sua casa e aproveitar o tempo que lhe resta. Não quero estar por perto quando ele despertar de vez! — Sorriu satisfeito. Mesmo não tendo concluído o ritual ele sabia que E.N.D já estava retornando.

...

Gildarts foi o primeiro a despertar, estava apoiado em um tronco caído, se levantou confuso e dolorido, vendo que estava em alguma floresta. Olhou para o lado e viu Natsu que estava despertando também.

— Vamos, levante-se! – Mandou Gildarts, que estava transtornado e cansado.

— Kêssa! O que aqueles malditos fizeram?! – Perguntou irritado, enquanto se levantava com dificuldade.

— Não tinha pra quê ele nos manter lá. Vamos procurar a saída desta floresta e traçar rumo a Magnólia. – Falou seriamente já começando a caminhar.

— O que pensa que esta falando?! Agora que conseguimos encontrar aquela guilda... podemos muito bem traçar um novo plano e voltar para lá!!

— Não seja tolo. – Parou os passos e olhou para Natsu, seus olhos estavam envoltos por olheiras. – Que dificuldade você acha que eles teriam em deslocar aquela construção para outro lugar? Conseguimos algumas informações e por ora isso é o suficiente, preciso olhar o calendário, mas acredito que ainda temos um pouco mais de dois meses de prazo. Vamos focar no seu treinamento e controlar esse seu temperamento enquanto regressamos. Não quero escutar sua voz, não quero aturar seus chiliques, só quero que você me obedeça... não permitirei que você volte desse jeito para Fairy Tail, será uma humilhação para mim. – Gildarts chegou ao seu limite, invadir Tartaros num ataque suicida, ficar encarcerado por dias e ser descartado no meio de uma floresta, era demais para o pobre e velho mago. Natsu já não corria risco eminente, tinham agora mais tempo, teria que focar em treiná-lo, deixá-lo forte tanto por dentro quanto por fora.

— Kêssa!! – Resmungou. Mas não disse mais nada, apenas começou a caminhar junto de Gildarts, mesmo contra gosto Natsu sabia que o mais velho estava com a razão.

[…] Alguns dias depois.

— Ohayou Gray! – Cumprimentou Mira ao ver o moreno chegando.

— Ohayou Mira. – Respondeu, procurando pelas garotas e ao avistar Erza, Juvia, Wendy e Lucy com Nashi nos braços ele logo tratou de ir ao encontro delas. Assim que chegou no grupo e cumprimentou as meninas, foi imediatamente pegando Nashi no colo, sem mesmo pedir permissão para Lucy, que pouco se importava, na verdade ver toda a liberdade que ele tinha com sua filha era adorável.

Erza sorriu com a ousadia de Gray, mesmo ele fazendo isso todo dia ainda era admirável aquela atitude.

— Terei que ir em alguma missão hoje Erza? – Perguntou irritado, estava bravo por Makarov o forçar a fazer de duas a três missões por semanas. Sabia que tinha que voltar a ativa, mas estava sendo difícil manter-se afastados de Nashi e Lucy.

— Gray-sama... Ohayou!! – Nitidamente Juvia se alegrou ao ver seu amado, que retribuiu o comprimento com um breve aceno.

— Sim. São casos isolados de estranhas criaturas perturbando as aldeias divisas com Magnólia, vai ser trabalhoso mais a recompensa valerá a pena e se partirmos agora voltaremos de noite. – Respondeu a pergunta do amigo.

— Haa... e Lucy, Happy me pediu para ver se tem problema ele ir conosco. – Perguntou Wendy, se recordando que Happy ficou ansioso em sair em missão com o pessoal e principalmente com Charle.

— Ficarei sem meu colega de quarto, mas não tem problema, contarei com a ajuda de Porlyusica-san e Virgo. Fico triste só de imaginar que ficarei o dia todo sem ver todos vocês. – choramingou a loira, que mesmo completamente apaixonada pela vida materna também sentia falta das missões e em viajar com os amigos.

— Se pudesse levaria vocês duas!! – Falou Gray totalmente entretido com Nashi. Juvia e Wendy deram risada do moreno, que havia se tornado um ótimo titio babão.

— Não se preocupe Lucy, mais alguns meses e você poderá ir conosco, enquanto isso curta sua filha. – Erza falou carinhosamente. — Laxus e Gajeel vão ficar na guilda, qualquer coisa conte com eles ok? Vamos pessoal. Nos vemos ao anoitecer. – Se despediu da loira, se aproximou de Gray e procurou a pequerrucha que estava aninhada nos braços do mago. – Tchau meu amor!! – Falou toda melosa dando um toquinho leve no nariz da pequena.

— Tenha um bom dia Lucy... bay bay Nashi! – Juvia se despediu, juntamente com Wendy e seguiram Erza.

Gray passou Nashi para os braços de Lucy.

— Não dê trabalho pequena, sem manha, sem chorinho... Ok?! – Falou para Nashi, que mesmo tão novinha parecia entender o que ele pedia.

O grupo então partiu em missão, Lucy suspirou saudosa ao vê-los partir. Por fim tratou de subir para o berçário e deixar Nashi aos cuidados de Porlyusica. Estava aproveitando esses dias de licença a maternidade, e o fato de estar se sentindo bem mais disposta para ler na companhia de Levy e para ajudar Mira no balcão, claro, quando Nashi permitia, pois seu dia era praticamente todo consumido em pró aos cuidados com a pequena. Hoje ela iria começar seu dia lendo mais um livro interessante que encontrou na biblioteca da guilda.

[ ... ]

Pov’s Lucy

Já era noite e Gray e Happy ainda não haviam voltado, Lucy estava sozinha com Nashi, respirou aliviada ao ver que a pequena dormia profundamente em seu berço. Já ela estava sentada em sua escrivania, passou a ultima hora escrevendo em seu diário, dividindo com sua mãe todos seus pensamentos. Suspirou fazendo um bico, os dois estavam fazendo falta ali, amava a presença deles. Sorriu ao lembrar que Happy fora nessa missão dizendo que usaria sua parte da recompensa para comprar um presente para Nashi. Olhou o relógio e imaginou que logo os meninos chegariam.

Suspirou mais uma vez, olhou para sua filha, Porlyusica tinha razão, os dias estavam passando rápido. Nashi estava completando dois meses já, os cabelinhos estavam grandinhos e o rosa acabou ficando mais vibrante ainda, ela estava crescendo rápido o corpinho já estava mais firme e gordinho. Suspirou mais uma vez, cruzou os braços se aproximando da janela, olhou para o céu estrelado de Magnólia e pareceu mergulhar em pensamentos, mas então chacoalhou a cabeça levemente, parecendo querer tirar algum pensamento da cabeça.

Foi tomar seu banho, deixando a porta do banheiro aberta, e como fazia antigamente se afundou em sua banheira, o que estava se tornando um momento cada vez mais raro, mergulhou seu corpo curvilíneo na água quente e espumosa, mas estava difícil permanecer relaxada, aquele silêncio a fazia ficar pensando em seus temores, e no seu passado. O que para ela, não era nada bom, pois seus pensamentos eram dominados por Natsu. Andava evitando pensar nele, sabia que a chegada dele estava cada vez mais próxima, e isso a assustava, por mais que pensasse e ensaiasse nas melhores palavras que poderia dizer a ele, ela ainda se sentia despreparada em encarar aqueles olhos puxados do mago.

Desistiu de ficar na banheira, se levantou e puxou a toalha a envolvendo em seu corpo. Ficou de frente para o espelho embaçado, vendo a imagem turva do seu reflexo, os cabelos molhados deixavam gotas caírem por todo o chão. Porque era tão difícil assim? Pensou em todas as conversas que teve com suas amigas, em todos os conselhos de Aquarius, Porlyusica e Gray, aprendizados e opiniões. Ela mesma acreditou por um tempo que estava preparada para enfrentar o pai de sua filha, mas agora, vendo que os dias corriam e que a chegada dele se aproximava ela se sentia um ratinho encurralado.

Suspirou mais uma vez, sua cabeça estava começando a doer. Pegou o pente e desembaçou o espelho com a outra mão, queria pentear logo o cabelo e ir dormir, estranhamente não estava conseguindo acalmar seu coração. Enquanto penteava as madeixas douradas Lucy sentiu calor.

“- Que estranho, estava tão frio quando viemos da guilda.” – Pensou no trajeto que fizeram com a filha, Laxus e Gajeel em sua escolta.

O calor desembaçou por completo seu espelho, e incrivelmente estava fazendo a pele alva da loira se umedecer em suor. Lucy então parou de pentear os cabelos, seu coração começou a palpitar freneticamente e seus olhos foram se arregalando ao perceber que o calor estava ficando mais intenso, era um calor que abraçava todo seu corpo e parecia entrar em sua corrente sanguínea, e sabia da onde estava vindo.

Pareceu que o mundo ficou em um silêncio completo, pois escutou seu coração bater forte contra a caixa do peito, esqueceu de respirar, não viu a hora que largou o pente nem mesmo quando deu os curtos passos até a porta do banheiro que lhe dava total acesso ao quarto. Só lembra de sentir uma dor forte no peito, uma dor que se alastrava até sua garganta fazendo seus maxilares doerem, foi lentamente fixando o olhar em direção ao berço de Nashi, seu corpo todo enrijeceu, quis chorar, quis gritar, quis correr.. Sentia as gotas de suor escorrerem por suas costas e entre seus seios, a barriga estava com um nó, doía cada centímetro do seu corpo, e depois de tudo com certeza se perguntaria da onde tirou forças para se manter de pé e pronunciar tais palavras.

— Natsu!? ... O o que faz aqui?! – Soltou quase que inaudível.

— Vim conhecer minha filha.

Notas finais
Migos, capítulo ficou tão grande que achei melhor dividir (como mencionei nas notas iniciais). Fiquei com medo de ficar muito cansativo sabe >. Um dos capítulos mais esperados né ^^ Espero que estejam gostando, amanhã teremos mais!!