Fogo E Sol

4 Daenerys E Dorne


Era mais quente e mais seco do que ela pensava.

Mas não é como se o calor incomodasse um dragão.

Daenerys era forte e resistente e não seria Dorne a derrotar sua força Targaryen.

—Aqui estamos.

Aliviada ao ver o castelo Martell, a princesa desmontou se seu cavalo, e do lado de Maron, foi apresentada a comitiva que os esperava.

Todos os líderes das famílias dornesas vieram ao seu encontro, para conhecer a nova princesa de Dorne.

Os olhares não eram lá muito amigáveis, mas Daenerys esperava por isso. A conquista Targaryen era uma memória ainda recente e bem amarga para todos. O casamento de Myriah com Daeron não sarou todas as feridas entre os dorneses e o resto dos reinos, em vez disso ambos os lados se viam com desconfiança.

Assim como Myriah um dia saiu de sua terra e teve que construir uma vida longe de casa num lugar hostil a ela, Daenerys também precisaria construir a sua. E ela ainda tinha uma vantagem, Maron era irmão de Myriah e Daeron era ao menos bem visto por tratar a esposa com amor.

A Targaryen se perguntou como deve ter sido para ela ter que ser forte e enfrentar tanto preconceito, sem ninguém a quem recorrer. Ela admirava a esposa do irmão, Myriah se tornou uma figura materna para ela quando perdeu sua mãe e a força e autoconfiança da Martell era uma coisa invejável.

Ela queria ser assim, dar orgulho aos nomes Targaryen e Martell para compensar a quase vergonha que jogou em todos por causa de sentimentos idiotas por Daemon, que nunca mereceu sua devoção.

—Essa é Daenerys Targaryen Martell, a sua princesa. -declarou Maron, e todos diante dela fizeram uma curvatura, mas com os olhos demonstrando que isso não era de seu agrado.

—Eu prometo que vocês terão orgulho de me chamar de sua princesa. -declarou ela.

Embora eles fizessem caretas que deixavam a dúvida óbvia, não disseram nada contra.

Maron a levou para dentro, mostrando cada lugar de seu novo lar.

Até que de repente uma criança trombou nele.

—Papai!

Daenerys se espantou. Maron levantou a criança no colo.

—Mors, eu já falei para tomar cuidado ao correr assim pelos corredores!

—Desculpa papai, eu estava com saudades do senhor.

—Papai está de volta agora. Onde está a sua ama? Vá brincar.

O menino rapidamente saiu do campo de visão de ambos.

Moran olhou para Daenerys, esperando a sua reação. Ele sabia que para muitas mulheres era um insulto ter um bastardo do marido morando no mesmo lugar que ela, mas não estava disposto a ficar longe do filho.

Mors Sand era filho da mulher que amou, a única lembrança que restou de Alessa Dayne, já falecida.

—Você vai criar ele aqui?

—Sim.

—Espero que sim. Você é o pai dele. Ele não pediu para nascer. Se você o gerou, é seu dever cuidar dele.

Daenerys cresceu acostumada a presença dos bastardos de seu pai, muito por causa de seu irmão, que ajudou a cada um deles.

Daemon, Aegor e Brynden só tiveram suas vidas privilegiadas por causa de suas mães nobres. E Shiera graças a bondade de Daeron, que não permitiu que o pai expulsasse a menina do castelo por que se cansou de Serenei de Lys.

Já outros gerados por seu pai eram ignorados e esquecidos, só por não terem nascido da mãe certa.

Ela aprendeu com o irmão que família é família e é seu dever cuidar dela.

Seu pai a vida inteira se esquivou de seu dever como pai, marido e rei, e de quebra foi também péssimo filho e irmão. Viveu uma vida de prazeres infames e morreu da forma mais suja possível, pegando uma doença de uma prostituta e morrendo como viveu, sujo e com mau cheiro.

Ele era o exemplo de tudo o que não se devia ser, seja como homem ou monarca, e ela estava feliz por ver que Moran era diferente e assumia sua responsabilidade.

—Venha comigo, eu construí algo para você.

—O que é?

—Me siga.

Quando Moran lhe mostrou a surpresa, ela ficou simplesmente encantada.

—É tão lindo! Parece um jardim de águas!

—Eu o criei para você.

Daenerys não resistiu e se jogou com roupa e tudo na água tão fresca e límpida.

Era tão refrescante!

—Vem Maron!

Maron retirou as botas e também pulou.

—Eu simplesmente amei!

—Eu quero que seja feliz aqui, Daenerys.

—Eu serei! -ela disse, decidida.

—Que possamos fazer de nossa união uma benção para Dorne e os Sete Reinos.

Daenerys sorriu.

Nadou até Maron e agarrou seu pescoço, lhe dando um beijo sem que ele esperasse.