Fobias

18 Encurralado


Notas iniciais
A idéia para esse capítulo veio da minha parceirinha feliz, Vicky779. Modifiquei bastante a idéia, mas agradeço do mesmo jeito.
Valeu Vicky! :*

E mais uma tediosa terça-feira raiava. O dia estava escuro e chovia bastante antes da aula começar, vários alunos do turno da manhã preferiram esperar no colégio, pelo menos até a chuva abaixar. Muitos alunos e professores faltaram, o que movimentou bastante as turmas nos primeiros tempos de aula. Mas, graças à coragem e paciência dos inspetores dos corredores, todos se acalmaram no terceiro tempo.

Quando o recreio começou, Alec, Naehe, Sarae e Idan desceram e ficaram perto do portão, vendo a chuva cair.

-Daren faltou hoje. –Idan disse, com o queixo afundado na palma das mãos- Se já não bastasse o dia estar tão feio...

-Que droga, não dá nem pra ficar animada num dia desses. –Naehe suspirou.

-Hm, eu gosto de chuva. –Alec disse, olhando as gotas caírem na grama dos canteiros.

-Uhn... Chuva me dá sono. –Sarae bocejou e deitou na escada.

-Ok, agora está me dando vontade de ir ao banheiro. –Idan riu e se levantou- Já volto.

Ele saiu e foi correndo pelos quase vazios corredores, até o banheiro masculino. Depois de se aliviar, saiu mais calmo pelo colégio, sem nenhuma pressa. Viu algo branco se mexer e se aproximou, sorrindo.

-Olá Blanc, se perdeu? –ele se agachou perto do filhote.

Blanc olhou Idan, virou e saiu correndo, querendo brincar. Idan olhou o gato e seguiu-o.

Acabaram por correr por um longo percurso, chegando ao outro lado do colégio. Blanc entrou correndo em uma sala e se escondeu ali. Idan entrou junto e mal percebeu onde fora parar.

-Olha, esse é o laboratório quatro que está em reforma... –ele olhou em volta- Nossa, isso daqui tá bem desorganizado. Vem Blanc, vamos ir embor... Blanc!

Nem deu tempo de segurar o gato. Blanc estava brincando com uma corda presa a várias cosias. Quando Idan foi pegá-lo, o gato já havia roído a corda que segurava uma escada. Um estrondo da pesada escada caindo sobre a porta e fazendo-a fechar e então, silêncio.

-O... O que foi isso? –Idan disse, abraçando o filhote e dirigindo-se à porta.

Ele a empurrou, puxou, chutou e xingou, mas nada daquilo se mexer. Quando desistiu, sentou-se no chão no centro da sala, o único lugar do pequeno laboratório que não tinha caixas de tinta, escadas ou pilhas de jornal.

-O que faremos Blanc? –Idan disse, centralizando-se abaixo da única lâmpada da sala.

O filhote miou, pulando no colo do garoto.

-Não precisa ficar com medo Blanc, afinal...

Um trovão interrompeu a fala de Idan. A caixa de força da energia do colégio deu um pequeno curto circuito e fez a lâmpada daquela sala desligar.

-M-M-Mas... O quê acontec... –ele estremeceu e olhou para todos os lados. Blanc miava assustado em seu colo.

A sala ficara totalmente escura. O dia já estava cinzento, e a única luz era a fraca vinda da alta janela meio aberta, da onde se via a chuva cair rapidamente, e da onde podia se ouvir os gritos de alunos que foram pegos de surpresa pela chuva correndo e tentando achar um lugar seco.

Idan levantou trêmulo e se dirigiu à luz da pequena janela. Tropeçou das tintas, escorregou nos jornais, mas chegou até o outro lado da sala e encostou o rosto na parede seca, com lágrimas nos olhos. Aquela escuridão lhe dava uma tremenda insegurança e ele sentia que seria devorado pela mesma a qualquer momento.

A chuva piorou. Idan choramingava ao pé da janela, chamando fracamente por alguém.

-Ninguém vai me ouvir daqui... Todos devem ter ido para a sala... –ele olhou para a janela- Daren...

Em sua mente veio a imagem do garoto, mas logo se corrompeu por outro trovão do lado de fora. Blanc estava a pouco longe de Idan e miava. Virou-se e foi até uma bolsa que aprecia ser de um dos pedreiros. Fuçou por ali até achar algo que lhe fez miar, chamando Idan.

-Uhn... O que foi, Blanc?

-Não acham que Idan está demorando um pouco? –Sarae olhou o relógio de pulso.

-É... –Naehe disse indiferente- Vai ver só tá por aí, em momentos de depressão com saudade do namorado. Isso me lembrou que Daren não vem à aula faz uns dias já.

Alec concordou com Naehe e olhou para um canto da escada. Lá viu uma bolinha de pelos preta se aproximar.

-Ei, aquele dali não é o Noir?

-É mesmo. –Sarae viu o gato parar ao lado dos três- O que ele fez aqui?

-Será que se perdeu? –Alec acariciou a cabeça dele.

-Acho meio improvável. –Naehe- Ele mora aqui, já deve conhecer cada cantinho.

-E o Blanc, onde está? –Sarae olhou Alec e Naehe, que também não sabiam- Devia estar junto do irmão, sempre está.

Noir miou e se virou. Andou uns passos e olhou para os três de novo, miando.

-Será que ele quer que nós o sigamos? –Alec se levantou.

-Provavelmente. –Sarae se levantou e Naehe a seguiu- Vamos ver, só por precaução.

Noir miou e voltou a olhar para frente. Correu alternando entre passos e saltou pelo colégio, com os três atrás de si. Chegou até a porta de uma sala e se sentou.

-Uh? O laboratório quatro? – Naehe olhou a porta- O que quer aqui, Noir? Está em reforma.

-Será que ele quer entrar?

Noir miou, arranhando a patinha na porta de madeira.

-Estranho, mas tudo bem. –Alec se aproximou e tentou abrir a porta- Uhn tem algo pesando a porta do outro lado.

Idan havia ascendido uma vela que Blanc achara com um isqueiro que um pedreiro havia deixado sobre a mesa. Ele deixou a vela derreter a cera para colá-la no chão. Mesmo pequena, a chama da vela iluminava um pouco mais a sala.

O loiro estava com seu rosto corado molhado, pelas lágrimas que caíram. Quando ele ouviu as vozes do outro lado e o mio de Noir, levantou-se em alegria. Blanc foi até a porta e miou, tocando com a patinha nela, como se respondesse ao irmão do outro lado.

-Alec...! –Idan grudou-se na porta ao ouvir a voz do outro- Sou eu, Idan!

-Idan? –Naehe olhou para a porta.

-O que está fazendo aí? –Sarae completou.

-Fiquei preso...

-Disso já sabemos gênio. –Alec reclamou- Agora, por que a porta não abre?

-Uma escada daqui caiu sobre a porta e eu não consigo tirá-la. –Idan choramingou.

-Calma Idan, vamos te ajudar a sair daí.

Blanc e Noir miavam um para o outro feliz.

-Idan, puxa a escada e nós empurramos a porta. –Alec instruiu- Pode ser pesada, mas quatro juntos são melhores do que um.

-Está bem...

E assim fizeram, cada um empurrou e puxou no seu lado. A escada era muito pesada, então demoraram um pouco para conseguir movê-la. No final a porta foi escancarada e Os três que estavam do lado de fora caíram para dentro da sala.

-Uhn, sujei meu cabelo de tinta! –Naehe olhou uma das mexas de seu cabelo- Eca.

-Haha, pra ver o que fazemos por você, Idan! –Alec riu, ajudando Sarae a se levantar.

O loiro já estava com os olhos cheios de lágrimas novamente. Ele pulou e abraçou os três, choramingando um ‘obrigado’.

-Nossa Idan, que drama, calma. –Naehe bagunçou o cabelo dele.

-E que vela é essa, anda fazendo macumba que nem a Sara? –Alec sorriu.

-Eu não faço macumba! –Sarae empurrou Alec, rindo.

-Ah, o Blanc achou uma vela e eu ascendi, já que a lâmpada queimou.

-Você ficou aqui no escuro? – Naehe olhou surpresa para ele.

-Só um pouco. –ele viu que todos estavam meio surpresos- Unh é, eu chorei.

-Ah, tá explicado. –Alec brincou.

-Vamos, vamos sair daqui. O sinal logo vai bater. –Sarae mostrou o relógio- E esse lugar me dá arrepios.

Os quatro saíram da sala e foram na direção das escadas. Idan olhou para trás, mas não via mais Blanc nem Noir.


Notas finais
Olá leitores felizes, me desculpem pela demora do capítulo! Fiquei tão sem criatividade esses dias.......

x_x/