Fobias
13 Blanc&Noir
Na aula de química, o professor George mostrava a matéria no quadro branco e testava tudo com os alunos. Todos estavam em duplas e faziam os experimentos com os líquidos dos potes que estavam na mesa e os tubos de ensaio.
Alec fazia dupla com Sarae, mas só ficava olhando enquanto a garota misturava o que o professor mandava. O líquido do tubo de ensaio estava numa cor de roxo escuro. Alec não resistiu e ficou cutucando o vidro.
-O que está fazendo, Alec? –Sarae olhou-o com uma sobrancelha levantada.
-Quero ver se muda de cor de mexer. –ele parecia um retardado olhando para o líquido fixamente.
Antes que Sarae pudesse dizer qualquer coisa, uma aluna do outro lado da sala deu um grito.
-O que houve Liana? –o professor olhou a garota.
Liana tinha cabelos castanhos lisos que chegavam até seus ombros. Prendia a franja com dois prendedores rosa. Ela olhava assustada para a mesa, junto de sua dupla. Algo havia caído e espatifado no tubo de ensaio, agora só sobravam cacos de vidro e o líquido roxo espalhado pela mesa que pingava na saia dela discretamente. Por sorte nenhuma da dupla havia se cortado com o vidro.
-Alguém jogou um pote aqui, professor! –Liana disse, apontando a sujeira que estava a mesa.
-Quem fez isso? –George encarou todos seriamente- Não tem graça, poderia ter cortado alguém.
Os alunos ficaram quietos. Alec apontou a prateleira um pouco acima da mesa de Liana.
-Não tem como um aluno ter jogado, caiu dali. –ele disse- Só se caiu sozinho mesmo.
-Ou foi um fantasma! –alguém lá atrás disse.
-Nossa turma tem obsessão por fantasmas ou é impressão minha. – Naehe brincou.
O professor olhou a prateleira e suspirou. Pegou um fio de lá e chamou Alec, mostrando-o o fio.
-Oh, vejo que Kyori já se acostumou com o laboratório, né? –Alec disse, olhando o fio do pelo do gato.
-Sim, até demais. –o professor disse, coçando a nuca- Tenho que achá-lo antes que...
Um grito de outro aluno soou pela sala. No fundo, outro pote havia caído, só que bem na frente de uma mesa.
-Deixa comigo, professor. –Alec sorriu- Eu acho o gato e você continua essa aula, e inventa uma desculpa aí para os potes vivos.
-Obrigado, Alec.
O professor voltou para o quadro e continuou com a matéria. Alec pegou um pano de dentro da gaveta da escrivaninha do professor e foi limpar a poça roxa que se formou na frente da mesa ameaçada pelo gato.
Enquanto limpava, olhava para cima, para a prateleira. Viu um vulto branco pular rapidamente para a outra prateleira. Levantou-se e, com a desculpa de que tinha que pegar uma cosia ali de cima, ficou mexendo nos potes da prateleira. Avistou uma cauda branca e delicadamente pegou o gato que se escondia atrás dos vidros.
Distante dos olhares curiosos saiu da sala abraçando o gato. Do lado de fora, deixou Kyori no chão e tocou-lhe o focinho.
-Kyori, você não pode derrubar as coisas e... Espera aí, você não é o Kyori. –Alec olhou bem o gato e percebeu que não era o gatinho branco e preto que conhecera uns dias atrás.
O sinal tocou e Alec pegou o gato nos braços. As pessoas saíam da sala já entediadas então ninguém percebeu quando o gato miou baixo. Logo Alec entra e vê o professor explicando o ocorrido a Sarae, Idan, Daren e Naehe.
-Professor, esquece, não era o Kyori. –Alec mostrou o gato nos braços- Viu? Esse aqui tem as orelhas e a ponta da cauda preta, é diferente do Kyori.
-Não é? –Naehe olhou bem o gato- Então que gato é esse e onde está meu gatinho?
-Não é gato, é gata. –Sarae disse, após examinar a gata.
-Ok, agora estou bem confuso. –George disse.
A gata pulou do colo de Alec e foi até um canto da sala e entrou no armário onde os professores normalmente guardavam as provas.
-Tinha uma gata morando no seu armário e você não percebeu professor? –Daren olhou-o.
-Só uso esse armário para provas, então fica empoeirando o resto do ano.
Idan abriu o armário, curioso. Levantou as sobrancelhas e sorriu.
-Gente, olha só.
Todos foram até ele e soltaram um “Owwn”. Ali estava Kyori sentado num canto, a gata deitada do lado e dois pequenos filhotes –um preto e outro branco- miavam baixo.
-Que coisa linda. –Naehe se continha para não abraçar o gato- Kyori virou pai!
-Vão se chamar Blanc¹ e Noir², que tal? –Idan se agachou e sorriu para os filhotes.
-Por quê? –Sarae perguntou, examinando os gatinhos.
-Porque é francês e conhecemos o Kyori na aula de francês.
-Faz sentido. –Daren disse pensativo.
-Nem acho. –Alec riu.
-Ah, tanto faz. Blanc e Noir são nomes bons. –o professor disse, acariciando Kyori.
O sinal do término do recreio tocou.
-Logo vai chegar a próxima turma, acho melhor irem. –George disse, apontando a porta.
Os cinco assentiram e saíram, já vendo a multidão de alunos que passava pelos corredores até a sala.
¹: branco em francês
²: preto em francês.
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