Flowers and Tales

4 Delírios em madeira


Eu só esperava uma luz ao fim do túnel, ao qual nunca veio.

Esperava as ondas do mar rebaterem-se com a tamanha violência de um furacão.

Esperava por dias melhores, dores melhores e otimistamente menos escaldantes.

Esperava por uma espera maldita, infinita, que nunca viria à acontecer.

Quando o primeiro punhado de terra recaiu sobre a madeira escura e polida a paz enfim se fez presente, diante da pouca meia duzia daqueles que um dia disseram nunca falhar em relação aquela que descansava, calma e agora eternamente serena, sob seu último leito. Que logo recebeu a devida cobertura, e tão pouco aquelas almas iam embora na medida que os grânulos de solo se acomodavam e arrumavam a falha aberta a longas horas atrás. Pouco depois do último gole do amargo veneno, que lhe queimara a garganta para em seguida cegar-lhe os olhos, as batidas caindo pouco a pouco assim como a consciência que enfim, finalmente, se esvairia. Partindo.

Não houve qualquer desespero ou muita solenidade quando encontraram-na caída na varanda, morta diante ao pôr do sol, uma das poucas coisas naquele mundo do qual amará. Não que não houvesse outros amores, houveram, muitos; e diferente do que possas pensar poucos destes referidos foram românticos, ela amava coisas grandes e fantasiosas, generosas e sofredoras, assim como ela. Agarrava-se a elas e chorava calada todas as noites ao perceber que a cada dia tanto daquele amor um dia não seria suficiente para manter-se de pé, ela lutará muito, e mesmo com tanto ainda para lutar e amar, via que a fraqueza lhe espreitava pelo caminho. A cada dia mais.

Se pudesse escolher não escolheria qualquer cerimônia, apenas repousaria em seu leito eterno sob o olhar de ninguém e viveria eternamente em sua mente. Se pudesse escolher não gostaria de sentir tanto por coisas pequenas e sofrer por poucas palavras, mas apesar de não demonstrar, ela sofria. E morria por dentro. E renascia, para então, dolorosamente, morrer de novo.

Muitos julgaram aquilo um surto de loucura, outros uma enorme precipitação. Talvez fosse, uma precipitação por muito tempo adiada, que a muitos anos deveria ter sido corrigida. Não gostaria de lágrimas porque destas não via a verdadeira dor e lamentação, não gostaria que recordassem seu nome porque dele poucos realmente lembraram durante seus suspiros. Não acreditava que havia cometido algo contra sua própria vida, como todos a sua volta comentavam durante as longas horas que passara a última exposição, antes de encontrar sua eterna casa final; para tal era necessário estar viva antes.

E ela não estava, a muito tempo. Estava de coração ferido em causa dos diversos golpes duros, que um dia veio a amargurar em um último suspiro bem antes do último seu. Mas, principalmente; havia perdido seu bem mais precioso, aquilo do qual nada no mundo nunca será capaz de reparar ou ajustar, estava de alma morta, de essência vazia.

Sem si, sem nada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.