Flower of science

11 A Marise e o bebê


Notas iniciais
Hiiii people!! finalmente final de semana! vou tentar postar no sabádo e no domingo,(não prometo nada uhauhauha), enfim,mais um novo capitulo para vocês,espero que gostem,beijo na bunda!

POV´S MÔNICA:

Ando pelo corredor de paredes escuras,.Adrian estava bem atrás de mim com passos seguros e firmes,seus olhos estavam mais calmos depois de toda aquela agitação.

Alice e Mark tinham ficado na sala assistindo TV:

–Está cansada?-pergunta Adrian com preocupação.

–Um pouco.-minha voz sai ofegante.

A minha vontade era de dizer”é claro que estou cansada! estou grávida,ferida e ainda fui jogada de um lado para o outro da vã” mas me contive.Alguma coisa em Adrian era familiar e boa demais para mim,eu simplesmente não conseguia ser grossa com ele:

–Obrigada por ter me resgatado!-agradeço sem parar de andar.

Ele dá um sorriso contido e não fala nada.Eu não sabia que lugar era esse exatamente,só sei que a entrada era de frente para um deposito de carros.Era uma casa feita em um antigo apartamento de três andares,que agora havia virado uma só residência.O que fazia do espaço ser consideravelmente grande.Não havia elevadores,apenas escadas caracóis,típico de prédios antigos.

O corredor tinha uma pintura escura e clássica,bastante bonita,mas estava desarrumado com várias coisas espelhadas aqui e ali,continuo andando até pisar em uma...cueca??:

–Ah,é minha!-Adrian abaixa na maior cara de pau e pega a cueca.Ele dá de ombros e a joga novamente no chão.-Depois eu guardo,não sou muito adepto a limpeza.

–É,eu percebi.-digo fazendo uma cara de nojo.

Ele dá um risinho e para no final do corredor,na frente de uma porta absolutamente normal e branca:

–Pode entrar garotinha,ela esta ai dentro.

Faço uma cara feia para ele:

–Meu nome é Mônica e não garotinha.

–Para mim você parece uma garotinha.

Reviro os olhos impaciente,porque esse garoto consegue me irritar tão fácil?

Faço um gesto para abrir a porta esquecendo de bater antes.

Entro no cômodo que mais parecia um laboratório de ultima geração,quase absolutamente branco.Tremo na mesmo hora e dou um paço para trás.Eu odeio laboratórios,eu tenho horror a qualquer coisa predominantemente branca.Só de ver todos aqueles aparelhos horrivelmente familiares dou outro passo para trás esbarrando em Adrian:

Marise?-ele chama com cautela vendo que eu não pretendia avançar.

Ouço um ruído de cadeira sendo arrastada lá de dentro,há um breve silêncio.Recuo ainda mais para perto de Adrian e para minha surpresa ele coloca as mãos nos meus ombros de uma forma protetora,aquele toque era tão...familiar,por um momento me sinto em casa como não me sentia a meses.

De repente uma mulher surge na porta,ela vestia um jaleco branco.Era pálida e loira,seus olhos eram de um azul espetacular.Seu rosto era bastante novo e conservado,sem nenhuma falha sequer.Mas parecia muito abatida como se algo tivesse sido arrancado de seu interior,seus olhos com um brilho perdido me examinaram,e logo um sorriso surge em seu rosto triste:

–Seja bem vinda Mônica!-fala de um jeito caloroso me estendo a mão,essa sem dúvida...era a mãe da Angel.

Sinto na mesma hora algo bom percorrer meu corpo:

–Obrigada.-retribuo o comprimento.

–Vamos,entrem!-ela faz um gesto para que entrássemos,Adrian a obedece,mas na mesma hora fico estática,meus pés parecem travar no chão e um nó se forma na minha garganta.

Era um laboratório,eu...não quero entrar em mais nenhum laboratório.O sorriso de Marise vai desaparecendo aos poucos e seu rosto assume uma expressão preocupada:

–Não tenho nada que possa machucar você aqui dentro.-ela diz me passando segurança.-Você confia em nos?

Os olhos de Marise me lembravam os da Angel,tão transparentes como água pura,era tão fácil de ver o que tinham por dentro...

Noto na mesmo hora que estava falando a verdade,seus olhos eram tão bons e seguros como os da filha.

Entro na sala predominantemente branca,apesar de sentir os arrepios das lembranças percorrerem meu corpo:

–Confio.-digo com um sorriso fraco.

Adrian parece me olhar com certo orgulho.Marise fecha a porta logo atrás de mim e me olha um pouco mais séria:

–Bem Mônica,acho que lhe devo muitas explicações.-ela olha para Adrian claramente se divertindo.-E você também me deve explicações mocinho,depois vai ter que me explicar o que sua cueca esta fazendo no meio da casa.

Adrian cora como um pimentão e coça a cabeça um pouco nervoso:

–Err...eu...-tenta se justificar mas é interrompido.

–Não agora,nesse momento quero ter uma conversa a sós com a Mônica.

Marise faz questão de destacar o “a sós” para ele que faz uma cara de pura indignação,ele abre a boca como se fosse dizer algo mas fecha logo em seguida e vai a passos pesados até a porta a fechando atrás de si.

Olho para ela com uma certa curiosidade,o que será que ela queria falar comigo?

Marise me analisa com cuidado e arqueia uma sobrancelha:

–Você está cheia de arranhões e tem um ferida profunda no braço.-sua voz soa como de uma mãe preocupada.-Venha Mônica,vou cuidar das suas feridas enquanto conto tudo a você.

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Estou sentada em uma cadeira macia e reclinada como aquelas de hospital.Marise mexia em um monte de instrumentos enquanto mergulhava o algodão em alguma coisa e passava nos meus ferimentos,a principio ardia um pouco,mas depois passava.Ela era tão calorosa quanto a filha,o que me fazia me sentir a vontade,como se ela fosse uma amiga de muitos anos.

Mas Marise não parecia nada feliz por dentro,pelo contrario,parecia uma pessoa cujo seu coração havia sido arrancado e agora pulsava fora do peito, uma pessoa triste:

–Então Mônica...-ela fala passando o algodão no meu braço,me fazendo fechar os olhos com força.-Ninguém aqui vai te fazer mal algum,eu sei pelo o que você passou,eu...fui casada com o Samuel.

Engulo em seco,tudo bem que eu tinha uma ideia disso,mas...era tão difícil imaginar alguém como ela casada com um monstro daqueles,ainda mais difícil saber que a Angel era filha do Samuel também.Faço um sinal para que prossiga:

–Erámos muito jovens,eu conheci o Samuel ainda no colégio,nos dois éramos apaixonados pela ciência,fazíamos trabalhos em grupo toda vez.-ela dá um pequeno sorriso ao se lembrar,parecia épocas boas para a Marise.-Depois nos formamos, Samuel e eu compartilhávamos o mesmo sonho...ter um laboratório reconhecido pelo mundo todo,e criar nossas próprias experiências Esse sonho não demorou muito para se realizar,eu e ele estávamos perdidamente apaixonados.-Ela fala com uma pontada de tristeza na voz.-Eu sei que não é fácil acreditar que ele pode amar,mas o Samuel por quem me apaixonei era muito diferente.Ele queria poder ajudar as pessoas com os experimentos,e eu achava aquilo lindo.Para mim a ciência sempre foi como estudar em uma escola de bruxos,dava para fazer “mágica” com as substancias,brincar de poções e etc.Nos casamos bastante jovens,e daí criamos o laboratório.Nos tornamos reconhecidos pela grande quantidade de experiências inovadoras,e claro...cada vez mais ricos.-A tristeza no rosto de Marise parece se intensificar.-Samuel virou um homem de negócios,aquela paixão pela ciência parecia ter virado paixão pelo dinheiro,ele comoçou a mudar muito.Um dia eu cheguei no laboratório e o vi fazendo testes em animais,nunca usávamos animais,eu sempre fui totalmente contra em qualquer testes em seres vivos.Eu tentei convence-lo a desistir de trazer bichos para os testes,mas ele falou que de nada adiantava as experiências se não fossem testadas em alguém.O tempo ia se passando e cada vez mais eu insistia para que parasse,e cada vez mais ele não me dava ouvidos.Chegou a um ponto em que as experiências precisavam ter uma base mais “concreta” para serem aceitas e reconhecidas mundialmente,foi ai que o Samuel começou a eleger pessoas que queriam ser submetidas a testes,no começo foi tudo absolutamente normal,respeitando todos os limites da lei.Mas...com esses “limites” as experiências não traziam resultados satisfatórios.Samuel então começou a pagar aos cobaias para que deixassem que ele fizesse todos os seus testes sem regras,eles concordaram porque precisavam do dinheiro.Eu ficava cada vez mais decepcionada com o meu marido,ele não era a pessoa de antes,era frio e amargo. Depois de poucos meses a policia descobriu o esquema do Samuel e mandaram prende-lo.Ele,claro,conseguiu fugir e eu fui junto,com alguma esperança de que ele se arrependesse e voltasse a ser o homem com quem me casei.Tinhamos perdido tudo.-Marise diz enquanto passava mais algodão no meu braço,ouço atentamente sua historia.-O laboratório,os cobaias e as experiências,para mim foi um alivio,tudo que eu queria era que ele esquecesse do dinheiro e tentasse criar uma vida melhor.Mas Samuel recriou outro laboratório com o dinheiro que tinha conseguido tirar do banco a tempo da conta ser trancada,mas ele não tinha cobaias...nem dinheiro para contratar nenhum.Samuel me usou como uma cobaia.-Marise fala com uma voz rouca me fazendo ficar pasma e boquiaberta,que tipo de marido faria isso?-Passei semanas sendo testada por ele,passei por muita dor,e tentei fugir diversas vezes,todas fracassadas.A essa altura não existia mais amor no nosso relacionamento,só dor.Descobri que estava grávida da Angel.-A voz de Marise falha mais uma vez,como se estivesse sentindo muita dor.-E fiz de tudo para fugir,eu não queria que minha filha nascesse em um lugar daqueles,mas Samuel me trancou durante todos os nove meses,ele não queria me perder como cobaia,eu era a única fonte de renda dele.Eu tive a Angel no laboratório,assim que eu vi aquela carinha...aqueles olhinhos...-Marise fecha os olhos por um instante tentando não chorar. –Eu sabia que meu mundo tinha se resumido a ela,a Angel era a única luz que eu tinha naquele lugar.-resisto a vontade de sorrir,era exatamente assim que eu me sentia com ela, meus olhos ardem enquanto meu coração se aperta fortemente.-Finalmente o Samuel saiu para contratar alguns caras clandestinamente,vi a oportunidade para fugir e finalmente sai daquele lugar junto da minha filha com apenas algumas semanas de vida.Passei meses livre,voltei a trabalhar normalmente,a policia apenas pediu alguns depoimentos,já que eu não tinha nada a ver com tudo que meu marido tinha feito.A Angel já estava com um aninho e engatinhando pela casa,eu tinha certeza que minha vida seria diferente,só eu e ela.Sai para trabalhar e deixei a Angel com minha irmã,quando eu voltei...-Marise respira fundo e uma lágrima escorre por sua face.-Minha irmã estava morta e minha bebê não estava mais lá,na mesa tinha um bilhete escrito “isso é por ter fugido do seu casamento,garanto que a sua ratinha será uma cobaia tão resistente quanto você”,levaram a Angel para fazerem o mesmo que querem com você Mônica.-ela olha seriamente para mim.-Eu era resistente e a Angel também,garanto que ele quer você e seu filho de volta.-Marise continua.-Daí eu procurei minha filha por todos os lugares possíveis,chamei a policia,liguei para antigos amigos nossos e nada.Eu entrei em depressão e nada na minha vida parecia ter objetivo,até que eu me agarrei a um objetivo,um objetivo que vem sendo a minha vida inteira durante esses anos,achar a minha filha e fazer justiça.Por causa do Samuel eu perdi anos da vida da minha filha,não pude ensinar ela a andar,nem mostrar para ela o mundo,a única lembrança que tenho foi quando falou “mamãe” pela primeira vez,tudo que veio depois foi simplesmente arrancado de mim.-ela passa a mão pelo rosto como se estivesse ficando com ódio.-E para que serviu esses anos todos? Para que? Encontrei minha filha morta a quase um mês atrás na frente de minha antiga casa e logo se mudei para cá.-Marise deixa as lágrimas caírem.-Tudo que eu vi foi que ela virou uma garotinha linda.O Samuel está muito enganado se acha que vou me intimidar com isso,pelo contrario...ele me deu motivos para lutar e fazer justiça,vou bota-lo atrás da grade nem se tiver que morrer tentando.

Sem perceber as lágrimas caem em minha face deixando-a quente e minha mente lembra do dia em que o próprio Samuel a matou.Ele era pior do que eu imaginava,era um monstro que prendeu a própria filha para fazer experiências quando crescesse,e até a própria esposa:

–E porque me resgatou?-pergunto ainda em duvida.

Marise limpa as lágrimas e olha para mim com uma olhar de pura tristeza:

–Estava rastreando a Angel através de alguns experimentos que tinha descoberto a alguns meses,parece que o Samuel percebeu...e daí você sabe.-ela suspira dolorosamente.-Nesses meses sai procurando as mínimas informações possíveis,antes não fazia ideia da onde ficava o laboratório do Samuel, daí no meio das pistas achei a sua ficha de cobaia,fiquei surpresa...você foi a única que sobreviveu tantos meses.Depois que encontrei minha filha morta,vi o seu colar no pescoço dela.-Marise pega meu colar de coelhinho que eu tinha dado para a Angel.-Atrás tem seu nome,vocês deveriam ter sido excelentes amigas e sei que cuidou muito bem da minha filha,então por isso resgatei você Mônica,sou muito grata a você.

Ouço tudo e um sorriso fraco surge em meu rosto:

–Sua filha foi um anjo Marise,acho que ela foi quem me ajudou.

Marise sorri radiante enquanto faz um curativo em meu braço.Lembro de como tudo aconteceu,eu ainda tinha perguntas para ela:

–E quem são Alice,Adrian e Mark? Eles trabalham para você?

Ela olha para mim:

–Não exatamente.-diz um pouco pensativa.-Alice não tem família por causa do Samuel,a mãe e o pai foram cobaias e não resistiram.O Adrian era adotado e sua irmã mais nova foi cobaia,depois disso largou os pais adotivos para colocar o Samuel atrás das grades.Encontrei os dois na minha procura pelo meu ex-marido,eles cruzaram meu caminho e não tinham onde morar.O Mark é meu sobrinho,ficou órfã depois que minha irmã morreu e não tinha pai então assumi a sua guarda.Desde então somos um grupo com um mesmo objetivo...colocar o Samuel atras das grades.

Arregalo os olhos,pensar em todos aqueles louquinhos passando por isso...era de partir o coração,famílias arruinadas por causa de um homem doentio.Um fio de esperança surge em meu peito:

–Marise...eu tenho meus motivos para fazer justiça e quero ajudar vocês o Maximo que puder,você me permite?

Marise dá um largo sorriso e seus olhos se iluminam como diamantes:

–Claro Mônica,todos nos temos direito de fazer justiça,você sabe o que é ser cobaia na pele.-ela fica um pouco mais séria de repente.-Mas lembre-se do seu filho,nada de se meter em riscos,e por enquanto é melhor que fique conosco,ir para junto de sua família pode ser muito arriscado não só para você mas para eles também.

Uma onda de medo se espalha pelo meu corpo só de pensar em algo de ruim acontecendo com minha mãe,meu pai e aos meus amigos.Eu não iria deixar que nada de ruim acontecesse com eles,eu estava oficialmente nessa luta,e esse seria meu objetivo,por o Samuel atrás das grades:

–Estou com vocês Marise!-sorrio.-Podem contar comigo!

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POV´S AUTORA:

–Pelo visto ela esta viva mesmo.-a pessoa fala com um tom perverso e se dirige a um de seus companheiros.-Lembre-se de apagar todas as pistas que provem que ela esta viva.-a pessoa faz uma voz melancólica.-Coitados da família da garota...a pobre Mônica está com os dias contados.

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Samuel passava um remédio em seu rosto queimado,as queimaduras estavam horriveis,o que lhe dava uma aparência assustadora e grotesca.O clima estava irritantemente agradável,mas atmosfera dentro do ambiente era pesada e difícil de se respirar,como ar venenoso.

Alguém abre a porta que abre com um rangido longo e macabro,Samuel não precisa virar para saber quem era:

–Alic.-diz sombriamente sem se virar enquanto se encarava no espelho.-Noticias da Marise?

–Não senhor,ela saiu da antiga casa.-Alic diz e o chefe cerra os dentes irritado.-Pelo visto não vai ser tão fácil acha-la dessa vez.

Samuel o encara através do espelho fazendo com que tremesse,o olhar do chefe sempre lhe dava a sensação de tocar em gelo:

–A Marise sempre foi cheia de artimanhas Alic,uma hora ou outra achamos ela.E nessa hora...-ele faz uma pequena pausa e um sorrisinho debochado surge em seu rosto.-Matamos todos,quero a cobaia,e quero pistas logo Alic.-Samuel vira para o homem e sua roupa preta parecia balançar com assombro.-Não vai querer me decepcionar não é Alic? Tenho certeza que não quer me provar que não serve mais para nada.

Alic engole em seco e um clima pesado de tensão desce sobre sua cabeça:

–Não senhor,pode ter certeza que vou conseguir provas logo logo.

–Otimo.-sua voz soa como a de uma cobra avisando o ataque.-Agora saia daqui,já me irritou o bastante.

Ele sai sem pestanejar deixando o chefe olhando para si próprio.Uma imagem perigosa no espelho,seus olhos estavam distantes e frios como o gelo.Seus pensamentos brilhando bem ao fundo como uma pequena chama contida:

–Ah Marise...Marise...-ri com deboche da própria imagem,uma risada sombria e cheia de intenções.-Você sempre se queima mas não cansa de pular a fogueira,mas dessa vez a brincadeira irá ser fatal.

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Bairro do Limoeiro

Era uma tarde agradável,embora não fosse assim que Cebola se sentia.Ele estava sentado no campinho olhando em volta,tudo lhe trazia lembranças.Ele logo se lembra que quando eram pequenos a meninas fizeram uma partida de vôlei contra os meninos,desde aquela época ele e a Mônica brigavam mas sempre se entendiam no final.

Na sua cabeça só se passava uma coisa: “será que ela está viva? E se estiver,como será que está? O que estão fazendo com ela?” Essas duvidas eram torturantes,não só para ele mas para a familia da Mônica.

Cebola não via dona Luisa e Seu Souza a dias.Essas duvidas cegavam a ser tão sufocantes que Cebola as vezes preferia saber que Mônica estava morta.Ao menos saberia que ela não estaria viva e sofrendo,pelo menos iria ficar em paz.

Mas ele não tinha essa certeza,tudo que queria era achar a Mônica e seja lá pelo o que ela tivesse passado...dizer que ficaria tudo bem.Abraça-la e sentir seu cheiro,há meses sentia uma falta disso junto com um buraco imenso em seu peito.

Ele jamais imaginaria que ela faria tanta falta um dia.

Cascão se aproxima depois de ter feito um gol e vem todo suado,as garotas estavam do outro lado do campinho conversando sobre alguma série nova:

–Ta sabendo da novidade Careca?-Cascão senta ao seu lado afobado depois do jogo.

Antes que Cebola responda Denise parece surgir do além:

–A Irene saiu do colégio !-ela diz como se fosse a noticia do ano.

E na verdade para Cebola essa realmente era a noticia do ano.Ele sorri e uma pontada de alivio surge pelo seu corpo como um liquido dormente de êxtase:

–Otimo!-diz simplesmente sem tirar aquele sorriso.

Já tinha ficado cansado de encontrar a Irene pelos corredores depois de saber quem ela realmente era e o que tinha feito.Ele tinha que se segurar muito para não dizer poucas e boas e agora não precisava mais.A verdadeira Irene tinha saído de sua vida:

–É,ótimo.-Cascão concorda achando graça.

–Eiiii!!! Vocês dois!-Titi faz um gesto para que venham.

Os dois levantam em direção ao campinho para mais uma partida de fim da tarde enquanto as meninas fofocavam sobre garotos.

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POV´S MÔNICA.

Adrian estava limpando o laboratório que tinha bagunçado enquanto cantava com a vassoura.Era uma cena hilária,se a Denise estivesse aqui com certeza estaria filmando para postar no blog.

Eu estava deitada na cadeira reclinável que mais parecia a cadeira de dentista.Marise estava preparando algumas coisas para meu ultrassom,e eu estava muito ansiosa para ver meu bebê pela primeira vez,minha mãos suavam e eu mordia meu lábio sem parar:

–AHHHHHHHHH LE LEK LEK LEK LEK!!!-Adrian canta dançando com a vassoura me fazendo gargalhar.

Alice olha para a cena enquanto limpava as estantes com livros de medicina que também havia bagunçado,o único que não estava presente era o Mark que tinha descido para telefonar para pizzaria,o fato deles serem quase que da minha idade me deixava mais confortável.Adrian e Mark tinham 18,e Alice tinha 17:

–What the fuck?-brinca Alice vendo Adrian rebolar enquanto varria.

–PRE-PARA QUE AGORA....

–NÃO!!! PARA!! ESSA MUSICA NÃO POR FAVOR!!!-Alice bota as mãos nos ouvidos fazendo cara de dor.

–É HORA DO SHOW DAS PODEROSAS...-canto junto a Adrian que ri ao me ouvir cantar.

–Vocês deveriam formar uma banda!-diz Marise entrando no laboratório com os materiais.-Deu para ouvir os dois lá de baixo.

–É claro que deu.-disse Alice falando com uma cara de obvio.-Se os dois formassem uma banda seria um ES-TOU-RO,literalmente falando.

Adrian aperta os olhos para ela fazendo uma cara de indignado:

–Decepcionei com você Lice,sabe o que é isso? Sabe?? IN-VE-JÁ!-no minuto seguinte Adrian tem que se abaixar do espanador jogado pela Alice,e dá uma longa gargalhada.

Marise revira os olhos claramente irritada:

–Isso aqui é um laboratório!!-ela os repreende.-Respeitem o espaço de pesquisas.

Alice suspira como se essa fosse uma bronca repetida inúmeras vezes e logo começa a limpar juntamente com Adrian varrendo o cômodo com a vassoura como fosse seu par em algum tipo de arroxa.

Marise sorri fazendo um negativo com a cabeça para os dois e vem em minha direção.Ela senta em uma cadeira ao lado da minha e parece curtir algum tipo de piada interna:

–Não sei o que faço com esses dois!-ela diz enquanto levanta um pouco minha blusa e passa alguma espécie de gel quente sobre minha barriga.

Rio sentindo cosquinha e o sorriso da Marise diminui para uma expressão triste e um pouco abatida,percebo depois de um tempo, o que será que aconteceu de errado?:

–Sua risada é a mesma de uma garotinha.-ela diz com um olha distante.-Uma criança grávida de outra criança,e tudo culpa do Samuel.-Marise diz só para mim enquanto Adrian e Alice limpavam distraídos.

Dou um sorriso fraco imaginando como estaria a cabeça de Marise ao ver uma garota tão jovem como eu grávida:

–Sabe...no começo eu odiei a ideia,mas pensando melhor...é meu filho!,e nada vai mudar isso,ele não tem culpa de nada.-meu sorriso aumenta e tenho certeza que meus olhos brilham como duas joias preciosas.

Marise parece surpresa quando volta a me olhar,ela me fita um bom tempo como se sentisse admiração por minhas palavras,e finalmente sorri refletindo o meu olhar:

–Você tem razão,não pensei por esse lado.-Marise passa o aparelho de ultrassom em cima do gel,me fazendo sentir mais cosquinha.-Mamãe.-ela ri ao pronunciar a palavra como se fosse um nome curioso.

Vejo um monitor do ultrassom,ainda estava sem imagem nenhuma.Minha mãos suam de ansiedade e nervosismo,ai meu Deus e se nada aparecer?? Minhas mãos ficam tremulas de repente e sinto o ar preso na minha garganta.Vamos! apareça filhote!:

–Ah olhe!-Marise finalmente fala apontando com a cabeça para a tela.-Olhe ele aqui.

Viro minha cabeça rápidamente para o monitor e sem controlar um largo orriso surge em meu rosto,meus olhos brilham como nunca antes,era difícil indentifica-lo porque ainda esta muito pequeno,mas eu podia sentir o pequena coisinha na tela:

–Oi filhote!-digo tão baixo que nem a Marise é capaz de ouvir.

Não sei descrever essa sensação,só sei que nunca meu coração havia ficado tão quente e mole como hoje em meu peito.Era tão...mágico,não sei explicar,só sabia que era um sentimento tão forte como uma luz ofuscante e bonita atraindo as mariposas:

–Hum,muito bom.-Marise vai passando o ultrassom pela minha barriga com fascínio enquanto olhava bobamente para tela assim como eu.-Aparentemente saudável,vou precisar de alguns exames só por garantia,mas não vejo problema nenhum aqui.

Marise mexe em algum botão ainda passando o ultrassom e posso ouvir umas batidas rápidas e bastantes delicadas de algo pequenininho.Meu coração se aperta de uma forma que resisto de dizer um longo “ounnnnnnnnnn”:

–Não to vendo nada.-Adrian aparece do nada me fazendo tomar um susto,como ele veio parar aqui??

Sorrio e aponto para o pontinho da tela preta e branca:

–Ele está aqui!-digo sem tirar os olhos daquela coisinha.

Adrian aperta os olhos ainda confuso:

–Ele é tão pequeno assim??-ele arregala os olhos surpreso ao indentifica-lo na tela.-Eu era assim??

Marise revira os olhos:

–Claro que era Adrian,todos nos já fomos assim!

–E dá para saber se é menino ou menina?-pergunto curiosa.

–Não,ainda não dá.-Marise responde passando o ultrassom enquanto eu ouvia as batidinhas do meu bebê.-Ainda é muito cedo.

Adrian olha bobo para o monitor como se estivesse vendo algum ser de outro planeta:

–Quer que eu imprima a imagem do ultrassom?-Marise sorri.

Faço a maior cara de boba e concordo,Adrian olha para minha barriga por um instante como se tudo aquilo fosse estranho para ele:

–Será que ele esta dormindo ai dentro?-pergunta fazendo uma careta curiosa.

Faço o mesmo,era uma boa pergunta.Aquela sensação familiar que Adrian me provocava surge novamente me fazendo ficar confusa,porque acho que o já vi antes??

Marise imprime e me entrega a imagem me fazendo sorri de orelha a orelha:

–Esse é o seu filho Mônica Souza.

Notas finais
E ai pessoal? ficou bom?ruim?pessimo?mediano??huahauahauha deixem comentários sobre o que acharam do capitulo! quem será o novo suspeito? quem será Adrian? beijos na bunda! ;D