Floresta Vermelha
9 Desolação Vermelha
POV Daphne
Foco,garota! Eu tento me concentrar,pensar em um plano,mas tudo que me lembro são os momentos finais de Jessica,nós somos a Mistério S/A,nós ajudamos as pessoas,nós nunca fomos responsáveis por uma morte antes. Mas era Jessica,é preciso eliminar o que nos ameaça.
A voz de Velma me tira do meu devaneio.
– O que faremos agora? — diz Velma,limpando os óculos na blusa e piscando quando os coloca de volta.
– Sair daqui,quem sabe? — diz Salsicha afagando a cabeça de Scooby
– Salsicha,por favor...- eu começo a dizer
– Na verdade,Salsicha está certo — Fred me interrompe
– O quê?! — eu e Velma exclamamos
– Ficou perigoso demais,e além de tudo,a caverna está estável — Fred diz em um tom sombrio
– A-HA!!! — Salsicha e Scooby exclamam apontando para mim e para Velma
– Mas e Bill? Não podemos deixá-lo impune!
Verdade,de que serviria tudo o que fizemos se não alcançar-mos nosso objetivo? Bill tem que pagar,meu sequestro,o acidente de Velma,e todos os perigos que corremos por sua causa! Jamais poderíamos deixá-lo livre
– Awnt! Que bonitinho! Sempre pensando em mim,não? — Ouvimos de repente uma voz no túnel.
– Bill! Seu maldito,onde está? Covarde! — Fred grita.
– Blah Blah Blah,vocês mocinhos da história são sempre os mesmos hein? Se dignam em gritar,amaldiçoar e salvar os inocentes...ah! vocês acabam de matar uma garota adolescentes! Desculpem,eu devo cumprimentá-los? — Bill diz.
– Onde você está? — dessa vez é Velma que grita.
– Olhem só! Nossa boa mocinha está de volta! Receio que falhei com você,e você falhou com si mesma. Não sabe que os postos subterrâneos do governo sempre tem um sistema de comunicação impecável? — Bill diz.
– Você não passa de um crianção cara! — Salsicha diz surpreendendo a todos — Quase matou nossa amiga,e todos nós,se alguém morreu foi culpa da sua infantilidade,desde o começo afinal,tentou prejudicar o Eric por inveja,apesar dele ser seu amigo! — quando diz isso ele se ajoelha e abraça Scooby. — Os amigos são o único prêmio.
De repente uma coisa terrível passa pela minha cabeça.
– E Eric? O que fez a ele?! — Eu pergunto
Os outros têm expressões chocadas quando percebem minha linha de raciocínio.
– Ha! Finalmente alguém decidiu terminar o discurso emocionante e clichê e fazer uma pergunta decente,fico surpreso por ser logo a patricinha da turma,a vida é cheia de surpresas! — Bill zomba
– Desgraçado! — Fred berra,mas eu levanto minha mão sinalizando para que ele se cale por um momento
– Não é pra ter graça mesmo,acha que sou idiota como você? Para pegar primeiro o paspalho puxa-saco do Eric e dar a vocês algo a que investigar? Muitas coisas são minha praia,burrice e lencinhos não! — ele escarnece de novo
Velma tem no rosto uma expressão concentrada e satisfeita,ela analisa os lados do túnel,os caminhos que sobraram,olha para o alto-falante pequeno e sorri De repente,eu percebo: ela não falou por falar,Velma não faz isso,sempre tem um propósito,conheço a minha melhor amiga. Sorrio também,esse era o plano. Ganhar tempo,distrair Bill,enquanto ela tentava localizar um caminho para a toca do lobo. Onde podemos finalmente fazer a justiça acontecer e principalmente,saber como sair daqui.
POV Velma
Depois de um dos caminhos bloqueados pela explosão,o jeito era achar outro meio chegarmos a Bill,sua central de comando,a toca do lobo. Os túneis parecem todos iguais,a não ser por pequenos detalhes que fazem toda a diferença na nossa situação. Parece que Daphne percebe o meu esquema,e distrai Bill,dando a ele,o quer qualquer pessoa presunçosa daquele jeito poderia desejar: ATENÇÃO. O jeito era corrermos ao leste até a primeira entrada a direita,que com certeza acharíamos um outro acesso a toca,Bill não seria ignorante a ponto de se encurralar num cubo subterrâneo.
Lembro do meu tablet,que trouxe de última hora para cá.Talvez se eu pudesse conectá-lo diretamente aos cabos da câmera discretamente,conseguiria ter acesso limitado a central de comando do Bill.Então vou me afastando lentamente do foco de uma das câmeras até uma parte que elas não pudessem ter uma imagem minha. Então destaco cuidadosamente o fio de conexão e conecto-o ao meu tablet.Tinha muitas chances de Bill conseguir detectar meu hack,mas demoraria alguns segundos até ele achar o local da conexão,o que pra nós era uma vantagem e tanto.Então tudo o que tinha de fazer era cortar o vínculo audio-visual,e foi o que eu fiz!
Depois de feito,corremos o mais rápido possível por aqueles túneis escuros,mesmo Fred com a perna machucada deu o maior de si para acompanhar.Depois de percorrermos uma boa parte do caminho,o uivo nefasto da besta chega novamente a nossos ouvidos.Isso não me engana,percebi que na verdade eram os alto-falantes surround do túnel,Bill tentando nos assustar.Seu lobisomem robô deve ter virado poeira naquela explosão.Logo,a imagem da entrada da toca fica nítida a nossa frente.
POV Salsicha
Chegamos e abrimos a porta com tudo,Bill recua pro canto da sala enquanto é encurralado por mim,Fred e Scooby,que estava rosnando corajosamente pra ele. Velma e Daphne se põem a frente do computador para tentar desativar tudo e acabar com todo o plano de Bill.
– Velma,acho que isso não é nada bom! — diz Daphne aflita,apontando para um dos muitos monitores instalados na sala.
Velma analisa e diz atônita:
– Você tem razão! É uma contagem regressiva! Restam apenas três minutos para as bombas do túneis serem ativadas!.
– Velma você consegue desativar? — eu pergunto.
– Não! Eu preciso da senha dessa partição!
– Bill,a senha,vamos lá,qual a senha?” Fred diz calmo.Sem respostas,ele repete,mas agora num tom assustadoramente agressivo.
Quando me dou conta,Bill levanta uma arma taser de curta distância e aponta pra Fred e o ameaça.Quando Fred se aproxima para detê-lo,Bill ligeramente o eletrocuta,o que o deruba no chão. Logo em seguida,ele empurra Scooby e eu com tudo e vai em direção das garotas.
– Acho melhor as garotinhas enxeridas tiraram essas mãos do meu computador se não quiserem uma experiência eletrizante,digamos assim! — diz ele,brincando com sua arminha de choque.
Eu,sem pensar,agarro uma chave-inglesa jogada no canto e dou com tudo na cabeça dele,que cai no chão como um tronco de árvore.Nisso,Daphne corre e se agacha onde está Fred desmaiado e tenta acordá-lo,tem uma expressão de desespero em seu rosto.
– Será que eu fui longe demais,Scoob? Será que eu o matei? — digo triste olhando pra Scooby.
– Você quis nos proteger,Salsicha!Só isso! — diz tentando me confortar, enquanto ele me acaricia com seu pescoço.
Fred,felizmente, começa a abrir seus olhos e Daphne o abraça com força e um sorriso em sua cara.
– Gente,acho que devíamos nos apressar! — Velma interrompe o clima e,então,também é interrompida pelo som da primeira explosão.
– Corram! — diz Fred,já de pé.
Eu corro,mas logo paro.
– Mas turma,O Bill,vamos deixá-lo lá? — falo me sentindo culpado.
– Salsicha,eu te entendo.Você só seguiu seus instintos,nunca faria mal a alguém sem uma causa nobre.Mas temos que ir agora,não podemos fazer mais nada! — Velma me diz,dá um sorriso e pega minha mão,eu vou no seu impulso.Aquilo totalmente melhorou meu astral,ela tinha razão,tinhamos que seguir em frente.
A segunda explosão ganha vida poucos metros atrás de nós e então,as saídas vão se fechando num efeito dominó,nos deixando quase encurralados.Mesmo assim não paramos e saímos em disparada a uma das últimas alternativas intactas até o momento. Chegamos ao fim do túnel e achamos um alçapão no teto.Eu,o mais alto, vou primeiro,depois puxo o Scooby que me ajuda a puxar o resto da turma.
Quando todos nós já estamos do lado de fora, quase ficamos aliviados, até que vislumbramos alguém que chegou correndo lá embaixo, olhando hesitante para cima. É Bill. Nesse momento, nós nos olhamos, lembramos do que aconteceu a Jessica mais cedo, nós nos conhecemos, aquilo não fez bem a nenhum de nós, não de verdade, não é a nossa natureza. Então, eu respiro fundo, me agacho e estendo a mão em direção ao túnel que está para desabar, enquanto a turma se afasta da área.
– Pegue minha mão cara, vamos! – eu digo.
Bill dá uma risada amarga e me olha com um desprezo terrível apesar de não estarmos perto.
– Outro clichê de mocinhos, vocês são sempre os mesmos, é por isso que eu escolhi ser diferente, eu escolhi a glória e a originalidade! – ele grita
Olho confuso para ele e depois para mais adiante, as áreas próximas claramente já desabaram , em breve ele será soterrado vivo.
– Vamos logo! – digo agitando minha mão.
– Desista, heroizinho, sair ou não daqui não vai me fazer bem algum – ele diz e se afasta para a parte mais perigosa do túnel, de onde tínhamos acabado de nos salvar.
Olho abismado para ele, enquanto meus amigos me puxam dizendo que não adianta. Nos afastamos da área perigosa o máximo que podemos. Ligamos para a polícia e depois ficamos quietos. Depois de alguns momentos, todos nos abraçamos com força e ficamos assim por um tempo, sabendo que o túnel há muito já desabou.
POV Fred
– Foi tudo por vingança – Velma diz e relata ao xerife tudo por o que passamos agora e por algum tempo por causa de Bill, o garoto prodígio que traiu o mestre e o amigo, em nome da inveja e do orgulho, e depois se safou inúmeras vezes da justiça com o incentivo que traz o desejo de vingança.
– Ele também se aliou a um patife e a Jessica Moose – diz Daphne.
Geralmente, o relato do caso seria um negócio meu, mas algo mudou em mim hoje, em todos nós, acredito. Então, estou aqui parado ao lado de Velma e Daphne como um peso morto e Salsicha e Scooby estão comendo rosquinhas na viatura. Uma equipe de policiais está fazendo uma busca nos escombros acessíveis do túnel. Um deles finalmente volta.
– Não há sinal de Bill ou Jessica? – Velma pergunta.
O policial parece surpreso com nossa preocupação, mas responde:
– Sinto muito, creio que não há fim pior que...
– Certo, certo, Mirthrand. Não sejamos hipócritas, eram criminosos, era exatamente o que mereciam, e essas crianças aqui são vítimas, lembra? Estão mais é aliviados, não? – o Xerife diz, e nos olha, vendo nossas expressões revira os olhos e se afasta.
Vamos para Coolsville, Salsicha, Scooby e Velma vão em uma viatura policial. Eu vou com Daphne no carro do Sr. Dinkley que trouxemos.
É nesse momento que percebo que nem todos os mistérios foram solucionados ainda, ela está caminhando até o carro comigo hesitante, como se caminhasse para um armadilha. Quem melhor do que eu para saber disso? Exato! Quem melhor do que eu para saber? Eu odeio deixar um mistério sem solução. Mas como eu vou fazer isso? Com meus pensamentos desviados eu tropeço e caio. Daphne vem até mim e põe uma mão no meu ombro, mesmo depois de tudo o que houve esta noite, ela está tão linda que não posso deixar de sorrir feito um palhaço. Ela sorri também, confusa.
– Você está bem? – ela pergunta.
– Minha perna está latejando um pouco... – digo fazendo uma expressão de dor. Na verdade, não sei porque fiz isso, sempre fui bom com ferimentos, nunca me queixei, tenho medo de que ela lembre disso. E além de tudo, os policiais já haviam enfaixado e nem havia sido grande coisa, mas era uma boa desculpa.
– Quer descansar um pouco? — ela pergunta e eu assinto com a cabeça.
Ela senta na grama ao meu lado e começa a afagar minha perna.
– O que você está fazendo?! — pergunto espantado. Seu rosto fica quase tão vermelho quando seu cabelo e ela responde apressadamente:
– Desculpe, Fred, você disse que estava doendo, eu só pensei...
– Pelo amor de Deus, cale-se... – eu digo e a tomo em meus braços, antes que ela possa me chamar de algo como pervertido, aproveitador, papa-enfermeiras ou coisas que uma dama supostamente (apenas supostamente) não seria apta a dizer, a beijo intensamente, ela fica rígida a princípio, mas a medida que se acostuma enlaça meu pescoço e responde ao meu beijo.
Quando nos afastamos, eu sorrio satisfeito, ela sorri também, e então me dá um tapa.
– Mas o quê... – eu começo a dizer...
– Se quer mesmo que isso dê certo Jones, tenha consciência das regras – ela diz sedutora – Nunca diga para eu me calar, pode ser o líder nos mistérios, mas aqui será eu. –ela sorri brincalhona e nos beijamos de novo.
– Agora, vamos para casa – eu me levanto e a puxo comigo.
– Ah, então, sua perna estava boa? – ela pergunta irônica.Eu sorrio e ela diz – Dane-se você Jones! Minutos de namoro e já me enganou e mandou eu me calar! Imagine a longo prazo, será que eu aguento?!
– Aguenta sim, é teimosa e orgulhosa demais. – eu digo brincando – e sabe como eu sou, farei o que for para tê-la sempre ao meu lado.
Então fazemos nosso rumo a Coolsville, até nossos amigos, mais do que satisfeitos e sabendo que finalmente resolvemos tudo o que tínhamos para resolver.
POV de... (?)
Eu os vi. Primeiro a garota de óculos, o magrelo e o cachorro com os policiais. Então aqueles dois ficaram por mais um tempo e começaram a se agarrar. Eu sorri friamente nesse momento. Ah... se eles sequer tivessem ideia do que eu poderia ter feito, se sequer tivessem ideia de como eu poderia fazer com que a dor realmente fosse real... mas não. Crescemos ouvindo nossos pais dizendo para sermos pacientes, mesmo que de forma hipócrita e para propósitos diferentes. Mas é uma lição válida. E há um momento certo, sempre há. Eles estão alertas, apesar de tudo. Deixe-os se iludirem, deixe as crianças pensarem que estão a salvo , deixe as crianças se divertirem nas saias de suas namoradinhas. Mas no meu momento, o show continuará.
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