Flores Secas

5 Capítulo 5 - A casa West -


Notas iniciais
Oi, como passei tempo sem postar e observei que o capítulo anterior fora extremamente curto, decidi postar mais um. Queria deixar um breve aviso para quem ficar perdido. Esse será a mesma manhã, mas com o ponto de vista da família West. Para entenderem mais sobre esses três personagens e seus segredos. Eu espero que apreciem e Boa leitura.

Naquela mesma manhã há várias horas atrás localizado em um plano afastado das redondezas da cidade perto da floresta em uma estrada sinuosa sem pavimentação. Uma casa se erguia majestosa diante dos galhos e árvores secas, naquele bosque. As árvores projetavam as sombras protetoras nas paredes da casa que tornavam obsoleta a varanda larga que contornava o primeiro andar. A casa dos West era graciosa aparentava ter mais de cem anos com uma leve pigmentação de cinza desbotado, a varanda era de uma madeira trabalhada, dando o ar rústico no lugar. As janelas e portas faziam parte daquela estrutura original.

O interior daquele covil provinciano era ainda mais surpreendente, banhado em puro luxo, bastante iluminado, aberto e grande. A casa passou por restaurações com a derrubada de várias paredes para ampliar o espaço. Do lado direito se via um arco que levava a sala de estar, o escritório — de Richard e Victória — e dependências menos importantes, enquanto do lado esquerdo ficava a sala de jantar, a cozinha e lavanderia. Algumas luminárias davam o tom psicodélico no local.

Uma enorme escada sinuosa metálica de cor preta dominava a ala leste da sala, o teto possuía enormes vigas altas, soalho rudimentar e algumas tapeçarias que variavam de tons. No canto da sala de estar ficava um lindo piano de calda e sobre o console da lareira havia um enorme quadro que retratava cinco pessoas, três delas eram: Armand, Stephan e Elizabeth que estavam sentados e atrás deles duas pessoas alvas e de olhos azuis-esverdeados como os outros, um deles era um homem e a outra uma mulher. O primeiro era um homem de meia idade de rosto anguloso e olhar penetrante com leves fios grisalhos, dono de uma beleza perfeita e graciosa, seu braço enlaçava a cintura de uma mulher ainda mais bela. Seus cabelos caramelos macios desciam retos até o cair dos ombros, ela era erguia e mais baixa que o homem ao seu lado. Eram os pais adotivos dos garotos e os mais respeitados médicos das redondezas.

No pavimento de cima a maior parte das paredes eram preenchidas por enormes estantes de livros que dariam inveja a qualquer biblioteca, em outras paredes a diversidade de quadros monocromáticos, opacos, cores vibrantes e pinturas dos mais famosos artistas encontravam-se ali. Naquele mesmo andar se localizava os quartos de cada um deles com seus respectivos gostos. Em uma poltrona atrás de uma mesa de mogno, Elizabeth lia um grosso livro, seus irmãos estavam ainda dormindo era cedo demais, mas o sol já brilhava naquela região. A mesma se espreguiçou e terminou mais um dos seus inúmeros livros devolvendo-o para aquela estante. Stephan foi o segundo a se levantar, com seu cabelo âmbar alinhado, ele estava com um semblante enfadonho ainda.

– Que horas são? — ele disse perguntando para a irmã que já se encontrara de pé.

– São 05:00 horas em ponto.

– Sabia que nossa aula é daqui a três horas? Poderia está descansando. — ele disse preocupado com a irmã que sempre acordava cedo e às vezes não dormia.

– Dormir é...

– Perda de tempo, eu sei Liz. — disse interrompendo-a com um sorriso brincalhão no rosto.

– Bom dia. — uma voz feminina surgiu atrás deles, Elizabeth se virou e viu a professora Clarissa com seu cabelo ruivo como brasa desgrenhados, seus olhos de um adorável verde-acinzentado estavam menores e sonolentos. Trajava uma camisola de seda branca até o meio das coxas cujo uma das alças desciam pelo braço. Sua silhueta era escultural, possuía as mais belas curvas que desenhavam aquele corpo, seios maiores que os da própria Elizabeth, destacavam-se naquele decote em formato de v. — Que horas são?

– São cinco horas Clarissa, vocês dormiram juntas de novo? — Stephan encarava com reprovação a irmã. Todos naquele vão sabiam que o que as duas estavam fazendo era errado, não para os Wests em si, mas para a sociedade e para o emprego da professora que correria um forte risco de ser demitida. Clarissa era jovem e bela demais, sim, ela era. Caminhava nos seus vinte e oito anos irlandeses e morava naquela cidadezinha a dois anos. A um ano e nove meses estava tendo um caso com a sua aluna que sempre atrasava-se para aula de biologia e que despertava-lhe fortes emoções entre quatro paredes.

– Stephan não seja tão melodramático. — disse a professora, enquanto aproximava-se de Elizabeth depositando um tênue beijo nos lábios carnudos da gótica que de imediato conduziu suas mãos para tocar o suave fogo irlandês dos cabelos de Clarissa.

– O que estou perdendo aqui? — Armand acordou mais vivaz do que todos ali naquele cômodo. — Oi Clarissa achei que você já tinha comido muito ontem à noite. Ainda está com fome assim? — debochou o rapaz ao ver o serpentear das línguas das garotas que logo pararam com o seu comentário.

– Só estou aquecendo. — disse com um sorriso malicioso no rosto — Tenho que ir para casa, Armand e Stephan vocês dois tem o primeiro horário comigo, não se atrasem. Já basta uma West se atrasando. — piscou para Liz que a encarou enigmaticamente. Ela juntou suas roupas e saiu para arrumar-se em casa.

– Liz... Eu achei que vocês tinham acabado com esse relacionamento. — Stephan era como um pai no momento que o Doutor Richard se ausentava.

– E terminamos.

– E porque ainda a vejo noites e noites aqui em casa?

– Por que estamos apenas suprindo necessidades fisiológicas. Como sentir sede, fome e sono são para algumas pessoas, Clarissa sente uma carência exacerbada no teor sexual. — Elizabeth dizia descendo as escadas com seus irmãos logo atrás.

– Então vocês só estão se divertindo agora? Qual é a diferença de antes? — Armand inquiriu curioso.

– Antes ela queria casar e ter algo mais sério comigo e eu não quis. — Liz dirigiu-se para aquele entorno na cozinha que era composto por vários armários escovados e uma grande ilha de tampo negro com bancos ao redor de madeira que os irmãos sentaram. Armand pegou uma maçã que ali havia e começou a depositar algumas mordidas. Liz abriu um pacote de café novinho e o aroma do mesmo torrado inundou todo o local com sua essência natural.

– Que cheiro é esse? — Armand inquiriu.

– Café torrado que Richard ganhou dos africanos. — ela dizia ao se referir ao pai pelo nome enquanto preparava aquela bebida amarga. Ela vaporizou bem e misturou o líquido naquele pó amarronzado servindo em uma xícara de porcelana para os dois irmãos.

– Acho que você deve tomar providências em relação a sua situação nada educacional com a senhorita Clarissa. — o irmão mais velho por alguns meses, Stephan, tentava por nos eixos a morena.

– Stephan deixa a Liz se divertir. Ninguém nesse fim de mundo iria suspeitar de um caso desses, eles já sabem sobre dois dos Wests e a maioria acredita que Liz é antissocial. — o mais musculoso depositou um selinho nos lábios do rapaz maior, porém menos musculoso que ele ao seu lado.

– Obrigada Armand, fico feliz em saber que sou vista como antissocial. — Liz falou de forma sarcástica para o irmão.

– Mentirosa, você não gosta de ser feliz. — ambos riram e Stephan falou:

– Ok! Tudo bem, mas tome cuidado com esse relacionamento. — eles terminaram de tomar seu café e os irmãos voltaram para seus quartos arrumando-se respectivamente.

No interior daquela enorme casa havia um local reservado somente para os experimentos de Liz, a mesma retornou para seu laboratório e ali encontrava-se animais em conservação, seu mais novo experimento seria a dissecação de um rato. O laboratório consistia em um espaço amplo, porém carente de pouca iluminação, talvez devesse o fato de Liz não ser uma amante da estrela maior. Estantes negras que pendiam do teto até o chão eram ocupadas por mais livros e potes de animais mortos, era o local mais bizarro de toda a casa. Ela havia afogado três cobaias em diluições distintas e executou diferentes maneiras de mortes e analisava como os órgãos reagiram a cada uma delas e como haviam ficado seus corpos. Várias anotações estavam espalhadas pela mesa de mogno daquele local, ela procurava uma lista de pacientes com distúrbios mentais que copiou dos clientes do seu pai no hospital do centro da cidade. Diferente de todos daquela cidadezinha, Liz mantinha uma admiração, talvez, obsessiva por cadáveres em decomposições, mortes estranhas e bizarras como também possuía um ar sinistro.

– Liz você vem conosco? — Armand falava de trás da porta para a irmã.

– Não, irei mais tarde. Nos vemos no intervalo. — Armand e Stephan saíram em sua pick-up preta para o colégio, enquanto Liz procurava incessante por sua lista. — Droga! — praguejou.

Irritada por não encontrar o que procurava seu olhar a conduziu para uma das estantes a sua frente e parou em uma velha boneca de porcelana puída, os olhos azuis de feições tristes, o material do rosto desgastado e um pouco rachado com suas bochechas não mais rosadas como antigamente despertava-lhe arrepios involuntários. Os cachos louros daquela boneca seguiam parafusando até as coxas, o vestido royal aristocrata de Era Vitoriana com barras pretas estava desbotado, não mais aparentava ser vivo como um dia fora. Ela caminhou até aquela boneca e a segurou com os dedos finos e brancos, ainda tinha o mesmo cheiro, hortelã e alecrim. Aquele aroma nunca foi esquecido, sua mente a transportou para tempos excruciantes, ninguém aproximava-se da morena, crianças sempre debocharam da sua esquisitice e alegavam que ela era louca por ver espíritos, ninguém além dos cachos loiros com cheiro de hortelã e alecrim ousavam dirigir a palavra para ela. Naquele velho orfanato ela cansou de olhar pelas vidraças as crianças sendo adotadas e dirigindo-se para seus novos lares felizes. "Quando será a minha vez?" questionava-se.

Um barulho a despertou de seus devaneios, Klaus fazia barulhos irritantes na sua gaiola.

– Eu sei, eu sei já estou atrasada. — Liz saiu de casa em direção ao seu rabecão preto observando o céu com uma pigmentação de um azul forte, embora ele estivesse no início do dia. No ponto em que o mar e o céu se encontra, ela conseguia ver a linha do horizonte ligeiramente curvada. West dirigiu até o colégio Canaill para sua primeira aula.

Liz só conseguia ouvir murmúrios referente a estudante nova, além de não ter encontrado suas anotações era obrigada a ouvir assuntos das quais não estava interessada. Quando enfim o sinal para o intervalo tocou ela sentou na habitual mesa no canto longe do emaranhado de pessoas que se encontravam no meio daquele salão. Armand e Stephan aproximaram-se, sentando juntos com a gótica.

– Porque essa cara de ódio? — Armand perguntava a garota.

– Estou cansada de ouvir sobre a garota nova, não aguento ouvir mais um " Ela é vizinha dos Jacksons, Ela é bonita, meu Deus ela veio do Texas e está naquela casa sendo vizinha do Avan" isso me da ânsias de vomito! — falseteava ao revirar os olhos, imitando as garotas histéricas de sua sala.

– Não seja tão ranzinza. — dizia Stephan com sua voz acolhedora. — Você teve alguma aula com ela?

– Não diga isso nem por brincadeira, isso pode ocorrer ainda! Se eu estivesse em um mesmo ambiente que ela ouviria ainda mais assuntos como esse.

– A mesma e velha Liz de sempre, sendo sempre mal-humorada. — Armand brincava ao sorrir para sua irmã caçula.

– Não sou mal-humorada, apenas me irrito fácil com assuntos banais e sem nenhuma informação útil para meu cérebro. Não preciso mais de idiotices além dessas ao nosso redor. — ela cruzava os braços aderindo feições pueris.

Quando o sinal tocou todos os alunos incluindo os Wests seguiram para suas salas, Armand e Stephan possuíam os próximos horários juntos no prédio oito, enquanto Liz seguiria para o prédio de biologia II para aula de Clarissa. Ela resolveu passar na antiga biblioteca para devolver o último livro que havia lido e seguiu vagarosamente para sua aula chegando atrasada como de costume. Ao observar aqueles olhos safira sentada na única mesa vazia pensou:

"Eu mato você Stephan West! Meu dia está completo agora... Mas... que cheiro é esse? Só pode ser brincadeira, hortelã e alecrim?" pressionou forte o maxilar ao sentar-se do lado da garota nova.

Notas finais
Breve aviso... posso demorar um pouco a postar devido as provas. Porém, tentarei aparecer de vez em quando. Desde já, agradeço por acompanhar e aguardem novos capítulos... a história está apenas começando. Au revoir.