Flores Murchas e Queimadas
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Havia uma energia ruim no ar. Como se algo ou alguém lhes desejasse o mal.
A floresta sentia também. Japhde conseguia ver na maneira em que as fadas se entreolhavam, na fuga dos animais para suas tocas e no voo inquieto das aves. Conseguia ouvir a tensão no farfalhar das árvores, e ele próprio se pegou fazendo preces de paz aos deuses antigos.
Zahse tentava acalmá-lo e, em grande parte, conseguia. Distraía-o com palavras doces e olhares brilhantes, e Japhde queria que fossem aquelas as únicas verdades do mundo.
No fim do dia, as aves fugiram para o sul. Mas Zahse insistiu para que dormisse. Descansasse. E esse foi seu maior erro.
Eles vieram à noite. Escondidos sob o manto da lua nova, silhuetas monstruosas cobrindo as estrelas. O trovão da tempestade não se comparava ao bater de suas asas; a fúria em suas faces era impiedosa como a crueldade fria do mar.
Suas respirações brilhavam quentes como o sol, mas ardiam como ácido. As nuvens que subiram para cobrir o céu não eram senão a fumaça negra das árvores. Violavam a terra com feixes ardosos de luz, como na mais sádica trepanação.
Japhde acordou com gritos em sua garganta.
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