Flores Murchas e Queimadas
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Japhde não conseguia olhar para cima.
Ainda caído, abraçava o próprio corpo na esperança de que isso lhe trouxesse algum conforto — não trazia. Seus ombros curvavam-se para o chão como se ele não aguentasse o peso de tudo o que acabara de dizer. Flores brancas como alabrasto cresciam e morriam a todo instante ao seu redor. Sozinhas.
Não tinha coragem de olhar para Zahse. Poderia apenas imaginar o ódio que ele estaria sentindo. Japhde ouvia o som de seus passos sobre as folhas e se perguntava se ele realmente iria embora. Talvez fosse melhor assim, e ele não tivesse que assistí-lo partir.
Quando deixou de ouvir os passos, Japhde pensou que estivesse sozinho de novo. Condenado à eternidade de novo.
Até que foi envolvido num abraço.
Não soube como agir. Seu único movimento foi abrir os olhos e deparar-se com o corpo e o calor de Zahse.
O dragão não disse nada por vários segundos. Parecia escolher as palavras. Zahse, por fim, suspirou algo que Japhde não compreendeu e beijou-lhe os cabelos no gesto mais terno.
— Você é a pessoa mais valente que eu já conheci.
Japhde não hesitou em abraçá-lo de volta.
E Zahse não partiu.
Ele não partiu.
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