Flores Murchas e Queimadas
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Japhde debatia-se contra o nada, retorcendo-se sobre si mesmo com gritos estrangulados. Enormes queimaduras formavam-se em sua pele, subindo do ombro esquerdo pelo pescoço até o rosto. Por minutos tormentosos, não foi capaz de pensar em nada que não a dor, a dor, a dor, a dor, e sua pele queimava e ardia e rasgava, borbulhando sangue quente.
Zahse não sabia como agir. Assistia a tudo com olhos angustiados e, quando tentou tocá-lo, Japhde gritou com ainda mais agonia.
— Norte! — conseguiu dizer, quando a dor pareceu ter arrefecido, ainda que pouco, implorando enquanto engasgava-se com as próprias palavras. — Norte! Rápido!
Quando Zahse tentou contestá-lo, o desespero na voz de Japhde era tamanho que ele não teve escolha senão obedecê-lo.
— Vá!
E ele foi. Hesitou antes de sair, com um último olhar por sobre o ombro. O sofrimento era claro em sua face quando abriu as asas e levantou voo.
Então Japhde encontrou-se sozinho em sua aflição, sentindo o calor estender-se até quase atingir os olhos. Como se a pele estivesse sendo arrancada do rosto, até que estourasse por completo.
Mas não podia continuar ali. Tinha um dever a cumprir.
Por isso equilibrou-se como pôde e correu em direção ao incêndio.
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