Flores Murchas e Queimadas
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Apesar da distância, Ivryt foi a primeira a chegar.
Encontrou Japhde ainda agarrado ao caderno, chorando e chorando num lamento inconsolável. Estava encolhido sobre a cama de folhas no interior da toca, empurrando-se para o canto como se pudesse se esconder com as sombras e fugir daquele mundo.
Não tinha coragem de abrir o caderno, porque sabia que os desenhos não eram reais. Sabia que não passavam de rabiscos mal feitos — de uma tentativa tola de manter as memórias que ele, um dia, não poderia impedir de sarpar.
Japhde temia o que veria ali. Pois quando pensava naquelas pessoas, enxergava apenas os corpos flutuando na água, antes que fossem devorados pelos peixes. Se abrisse o caderno, temia não ver nada além dos rostos mortos engolidos pelo mar.
Ivryt tocou-lhe a testa, e Japhde pôde senti-la ao seu redor. Com todo o amor, o calor e a dor que também carregava.
Japhde.
Eu sinto tanto a falta deles.
Eu sei.
Se eu tivesse feito alguma coisa, se eu não fosse tão fraco...
Japhde, me escute.
Ele não precisava abrir os olhos para enxergá-la.
Não foi sua culpa. Você nunca foi fraco, meu menino. Você salvou todos nós. Não foi sua culpa.
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