Flores Murchas e Queimadas
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Japhde tinha lido em algum lugar que dragões mordiscavam os chifres ou as orelhas uns dos outros como sinal de afeto. Só entendeu o gesto quando fez parte dele.
Assustou-se, paralisado, quando Zahse se aproximou de seu rosto, parecendo prestes a beijá-lo. Mas o espanto se transformou em surpresa, e a mudez deu lugar a gargalhadas quando sentiu cócegas.
Japhde se afastou instintivamente, rindo e se encolhendo e sentindo o coração bater mais rápido que as asas de uma libélula. Zahse não se importou com a reação, e os dois continuaram com sua caminhada até que anoitecesse.
Foi assim a primeira vez, e em todas as próximas vezes. Japhde se sentia igualmente, agradavelmente surpreso — sempre. Era uma sensação com a qual não saberia se acostumar.
Zahse não pedia nada em troca, e ele não oferecia. Até que certa vez, enquanto apreciavam a companhia um do outro em silêncio confortável à beira do rio, Japhde se deixou tomar pelo impulso. Afastou o longo cabelo plúmbeo do rosto de Zahse e, delicado como o toque de uma flor, depositou um beijo em sua têmpora.
Foi a vez de Zahse encará-lo surpreso, e a de Japhde de não se importar com a resposta.
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