Flora e a Fera de Vento

1 Flora e a Fera de Vento


Notas iniciais
Existem feras de carne e osso, outras de aço; Friedrich encontra meio às secas desta terra maculada uma fera diferente das outras. Prepare-se, leitor.

Friedrich cavalgava sobre pálidos outeiros de areia das regiões de Fern Ridge. Lapidava a passos lentos um férvido sendeiro de seixos lá pelas quatro da tarde. Levava consigo um cantil d'água cálida e uma jarra de biscoitos, esperando ser suficiente para sobreviver até o dia seguinte.
A noite fria chega ligeira. Friedrich se recolhe numa gruta, acomodado entre rochas firmes e uma manta de lã. Seu cavalo adormece após apreciar um pouco de grama seca, e compartilha com seu dono o calor de uma fogueira.
A madrugada pairava silenciosa, até Friedrich ouvir o que pareciam ser gritos. Posto de pé sobre o sopé do morro de onde saltava a gruta, percebera uma movimentação estranha meio à neblina espessa que o circundava.
A poucos quilômetros dali sentia-se a existência da civilização. Se via conjuntos de casebres e palacetes que estranhamente Friedrich não havia notado durante o dia. Soavam cada vez mais alto daquele ponto estalos de pólvora e zombarias.
Passa pela sua cabeça o desejo de averiguar o que estava acontecendo. Em vista do perigo iminente, sacara sua arma e acendera o lampião, se aproximando dos sons vagarosamente. Conforme se aproximava, intensificavam os escarcéus. Seus pés afundavam na areia fina daquele solo infértil e pouco firme.
Arrependido, decide voltar à gruta e esquecer o que estava acontecendo; assim que olhara para trás, vislumbrara um tufão faminto que espargia pelos ares tudo o que lhe aproximava. Já não podia mais enxergar seu ponto de partida.
Atabalhoadamente, Friedrich se lançara numa corrida incessante a fim de ganhar a cidade; mas entre trancos e tropeços o vento o engolira, e a partir daí já não vira mais nada.
Recuperado do susto, acorda meio a palhetes e cestas velhas. Está com o corpo coberto de terra, lançado entre dois cercados de madeira. A lua cheia clareia o enorme céu, e o vento gelado ecoava o sussurro das corujas e as nuvens negras no horizonte.
Se levanta e se ajeita; avança até a rua. Estava na cidade que há pouco rugia gritos aos montes mas que agora compartilhava o silêncio. Se ouvia breves respirações, surgidas pelas fenestras abertas. Das envelhecidas edificações saltavam sedas brancas das aranhas que também residiam o local.
Procurava então por alguém que pudesse lhe dizer o que estava acontecendo, porém ninguém parecia existir. Nos fins das esquinas reinava um esquisito breu que unido à neblina fechava suas vistas, sedentas por luz. Assovia agudo para alertar seu alazão, que não responde.
Nada se ouvia, até soar de repente um estilhaçar de vidro, que quebrara a sinfonia dos coachares e lhe informara a existência de humanos. Seguindo o som, o rapaz perdido nota ao fim da rua uma taverna, de onde emanava a única luz acesa. Por mais fraca que fosse, era forte o bastante para se cristalizar no vapor da névoa e cegar os olhos de Friedrich, que seguiu caminho até lá.
Adentrando o local, respira fundo. Um lampião ilumina o balcão, enquanto duas velas quase apagadas preenchem a escuridão sobre uma mesa e um piano. Um senhor se vira detrás do balcão com cara emburrada enquanto enxugava um copo. Haviam apenas quatro mesas, e uma delas ocupadas por um sujeito de sobretudo. A fumaça que saia de seu cinzeiro cobria toda a densa atmosfera, unida a um fétido cheiro de álcool.
— Como vai, forasteiro? — Diz o dono da taverna.
— Não muito bem, eu diria. Fui engolido por uma tempestade de areia e acordei aqui. Onde estou? — Respondera Friedrich.
— Ah, essas tempestades são bem comuns nessa região. Ano passado mesmo, houve uma que devastou Red Hill, uma cidade próxima daqui. Não sei se você se lembra. — Retrucou o taverneiro.
— Oh sim.. Mas Red Hill não foi destruída em 1828 ? — Respondeu Friedrich, com certa desconfiança.
— Sim! Ano passado, ora! — responde o taverneiro, um pouco exaltado.
O mesmo se vira e vai pra cozinha sem falar mais nada. Friedrich ficara desconfiado com o fato de que o ano em vigência era o de 1864, claramente distante do ano creditado pelo taverneiro. Voltando da cozinha instantes depois, o senhor responde a primeira pergunta de Friedrich, e diz o nome da cidade; Flora.
— Estranho... nunca ouvi falar dessa cidade..! E olha que passo por aqui quase todo dia indo do trabalho pra casa. Desde que Gareth Coy e seus parceiros dizimaram os vilarejos da região, pensei que não havia mais nenhum! — Continuou apressado o rapaz perdido. — Escuta, quero sair daqui, você pode me ajudar?
— Eu posso te ajudar se você me ajudar, jovem. Está interessado? — responde o taverneiro.
— Vá em frente... — responde Friedrich, levemente decepcionado.
— Tem um sujeitinho que trabalha no correio da cidade. Ele me deve uma boa grana. Mas a polícia local não me deixa chegar perto dele pra cobrar, pois já tivemos uma boa briga há uns tempos. Se você for lá e me pegar o dinheiro, eu te ajudo, forasteiro. Senão, ou beba algo, ou suma daqui!

Friedrich lhe dá um olhar de aprovação. Ajeita o chapéu na cabeça e vai direto para a rua procurar o tal correio. A brisa fria gela as mãos do jovem ferreiro, que desce pelas ruas da cidadezinha. O correio está logo ali.
Ao lado dele, pereciam velhas taperas sobre o olhar fatal do tempo; e junto delas uma linha de trem. Interessa-lhe muito a ele saber até onde o trem de Flora viaja. Então caminha lentamente em direção ao local onde parecia haver uma estação. Rangia meio ao gelar daquelas brisas uma trava de janela que se posicionava sobre seu prédio.
O galpão era escuro de cedro e desbotado. Logo a frente Friedrich percebe alguns dólares caídos num vão do assoalho. Os recolhe e deixa junto aos seus. Adentra o local, que suspira mofo em seu vazio. No fundo o aquecedor parece não estar funcionando. Do relógio na parede surge um irritante ''tic-tac''. Quando chega até o balcão, entreolha através do vidro empoeirado e se espanta quando um sujeito de volumosa barba lhe aparece com um olhar fechado. O homem folheia um pequeno caderno de anotações. Não demonstra muita satisfação.
— O que posso fazer por você, homem? — Pergunta o atendente.
— Quando o próximo trem sai? — responde Friedrich, com uma nova pergunta.
— Hum, pelas duas e quarenta e cinco da madrugada.
— Escute, quero um bilhete. Muito me agrada partir desta cidade.. Estou preocupado com meu cavalo, não sei onde ele possa estar.

Friedrich da uma olhada no relógio irritante e vê que beira a meia-noite.
— Já é quase meia-noite, dê-me um bilhete, por favor. — Diz o rapaz.
— Certo senhor, dez dólares. — Responde o barbudo.

Com os dez dólares nas mãos, o jovem paga o atendente, que lhe entrega o tal bilhete. Um papel amarelado com impressão quase apagada.
— Então, o trem parte duas e quarenta e cinco da madrugada... em um mês. — Diz o atendente, com certa ironia.
— Em um mês? — Responde Friedrich, irritado.
— Sim, em um mês. Se quiser, pode checar a tabela de horários ali na parede. O trem passa apenas uma vez por mês, e por incrível que pareça, ele passou hoje. — Explica.
— Oh.. está bem. Pelo jeito não conseguirei sair daqui tão cedo.
O atendente percebe que o forasteiro em questão ficara desanimado. Recolhe as cortinas atrás do vidro do balcão e some. Da porta de entrada da estação Friedrich consegue ver entre a neblina a placa indicando o correio.
Revisa a carga de sua pistola. Mira para a lua clara e branca que invade o céu com sua luz, e que parece estar abraçada com as nuvens. Devidas as circunstâncias, o que lhe resta é cobrar o tal homem que deve ao taverneiro.
Descendo os degraus do palanque na qual o casebre da estação foi construído, Friedrich pisa em falso e racha uma pequena tábua de madeira. Entre os pedaços, encontra uma pequena caixa de fósforos. A fecha entre os dedos e guarda no bolso. No instante seguinte alcança o destino preterido. Detrás de um balcão levantou aturdido o funcionário do local, atrapalhado entre montantes de cartas e papéis.

— Você está aqui para recolher o telegrama? — Perguntara o carteiro.
— Que telegrama? — Respondera o surpreendido rapaz.
— O senhor é... Friedrich Houston?
— Ah... sim!
— Está aqui lhe esperando a três semanas!

Friedrich confuso recolhera o envelope, que apenas indicava o destinatário em questão. Embora reinasse em sua consciência suposta desconfiança, recordara-se de seu objetivo, e tratou de o cumprir.

— Hã... Senhor? — Murmurou.
— Sim? — Responde o atarefado carteiro.
— O taverneiro me disse que você deve a ele.
— Ora, pois não devo nada a ninguém! — Exclama, em tal assomo de tensão.

O modo pelo qual o sujeito rejeitara o dito de Friedrich o zangara; abraçara com as mãos a pistola e com ímpeto cruzara sua mira frente ao carteiro, que espavoriu-se e imóvel apenas esperara o veredito.

— Sim...? — Pergunta amedrontado.
— Vim coletar o dinheiro.
— Tudo bem, não se zangue... vou lhe entregar.
— Ótimo. Foi bom negociar contigo.

Feito o prometido, pouco tempo passara até Friedrich surgir novamente frente à taverna, a fim de entregar ao atendente a quantia que lhe apetecia. Não bastava a escuridão e o frio; ainda cingiam pelos cantos vultos misteriosos que lhe causavam aflição e temerosidade.
O taverneiro agora varria o chão, juntando no canto punhados de vidro e restos de cigarro.

— Você foi até o correio, forasteiro? — Disse ele.
— Sim, e aqui está o seu dinheiro.
— Ah, como eu esperava receber isto de volta... Tome essa chave e adentre um quarto de portas vermelhas no hotel ao lado. Lá você encontrará alguém que irá lhe ajudar.
— Quem seria esse alguém? — Perguntara o desconfiado Friedrich.
— Deixe dessas perguntas e siga seu caminho, oras!
— Tudo bem, agradeço pelas chaves, de todo modo.

O hotel era a edificação em melhor estado. Não era tão empoeirada e suas estalagens eram bem acomodadas. Porém, não havia nenhum funcionário naquele instante; Friedrich debalde tocara incessantemente a campainha de atendimento.
No andar de cima estava a tal porta mencionada pelo taverneiro. Ouvia leves suspiros saírem de dentro daquele quarto; então decidira adentrar. Uma moça debruçada sobre uma escrivaninha chorava a soluçar, tamanha era sua tristeza, que nem se incomodara com a presença de Friedrich.

— O que houve? — Perguntou o rapaz.
— Alguém comprou o último bilhete para o próximo trem... não basta eu ter perdido o dessa madrugada...preciso ir embora antes que algo de pior aconteça!
— E o que aconteceria?
— Oh, nem queira saber...

A moça misteriosa envolvida em seus prantos comovera tanto Friedrich, que seu espírito de nobreza o fez bondoso a ponto de doar àquela pobre criatura uma de suas esperanças de partida.

— Você está me dando esse bilhete? — Pergunta ela, pasma.
— Sim, eu o comprei, você pode ficar com ele.
— Obrigado! não sei como agradecer... — Disse ela, emocionada.
— O taverneiro disse que você poderia me ajudar a sair daqui.
— Bem, eu venho tentando deixar essa cidade há muito tempo... Talvez seja por termos esse objetivo em comum..!
— E você tem algum plano, com exceção da passagem?
— Olha... sei que existe um carrinho desses de mineração trancado num depósito ao lado da estação de trem! Mas eu nunca consegui abrir as portas enormes daquele lugar.
— Precisamos das chaves, então... Sabe onde elas estariam?
— A polícia mantém aquilo trancado até amanhecer. Talvez na delegacia...
— Ótimo. Eu acho que pude enxergar entre os casebres a tal delegacia, vale a pena tentar alguma coisa! — Bradou heróico Friedrich, motivado a sair daquela cidade.
— Sim! Se você vai lidar com as chaves, eu vou tratar de unir provisões para a viagem. Estarei esperando junto ao depósito. — Combinara assim a moça, confiante. — Qual é seu nome, rapaz?
— Friedrich... Friedrich Houston. E o seu?
— Mary... Mary Wistle.
— Muito prazer.

Agora motivados pela possibilidade de saída, ambos partiram às suas missões. Mary seguira pelas ruas e Friedrich para a delegacia.
Furtivamente, o jovem recolhera-se atrás de tapumes e barris tombados, tendo em vista o posto policial. Se aproximara do local, avistando pela porta de entrada um escritório onde um oficial roncava, embebido num sono profundo. Ao lado, uma cela abrigava um prisioneiro solitário, que partilhava as mesmas condições do policial.
Evitando qualquer ruído e movimento brusco, Friedrich vasculhara as gavetas e aberturas das cômodas, não encontrando as chaves. Até notar que o prisioneiro não estava num sono tão profundo assim...

— Ei, me ajuda... Me tira daqui! — Murmurou o prisioneiro.
— Fique quieto! Estou tentando achar as chaves do depósito ao lado da estação, você sabe onde elas estão?
— Oh, sim! Eu trabalho lá... me prenderam aqui por eu trocar tiros com um sujeito estranho que queria assaltar o próprio.
— Onde estão então?
— Nos bolsos do oficial...

Com a delicadeza de uma mariposa, o rapaz conseguira arranjar entre os dedos o molho de chaves, com pavor de despertar o policial, que segurava um fuzil. No mesmo conjunto estava a chave da cela; liberto o prisioneiro, ambos partiram da delegacia rumo ao depósito.
No meio do caminho passaram frente à taverna; posto de pé frente a ela estava o tal sujeito que ocupava uma das quatro mesas do local. Segurava um revólver, e não parecia feliz.

— Onde vocês pensam que vão? — Disse o tal sujeito de sobretudo.
— É ele! Ele ia assaltar o depósito! — Acusa o prisioneiro.
— E pelo visto você o libertou... — Destacou o criminoso, diretamente a Friedrich.
— Não temos tempo a perder... — Disse o último, sacando sua pistola.

Nesse instante os dois saltaram sobre coberturas e dispararam rajadas um sobre o outro incessantemente. Chumbos ferventes atravessavam as paredes e colunas de madeira, que antigas como eram desmontavam-se sobre os pacatos moradores. O prisioneiro sumiu entre os becos escuros em busca de um esconderijo.
O tiroteio cessou quando ouviu-se a cavalaria; dois policiais surgiram ao fundo a fim de exterminar as ameaças que incomodavam a ordem da cidade. Antes que pudessem averiguar, Friedrich já sumira entre os casebres como o prisioneiro; já o criminoso que há pouco bebia na taverna, desprovido de munição, fora acusado pelo taverneiro, e levado às pressas para a prisão.
Friedrich encontra o fugitivo acomodado dentro de um barril. A partida de ambos era essencial.

— Vamos, pois estão nos procurando.
— Ai... vamos...

Apressados chegaram ao depósito, onde Mary já os esperava com uma trouxa de provisões.

— O que houve? Ouvi disparos!
— Um encrenqueiro quis nos atrapalhar. Temos que nos apressar. — Destaca Friedrich.

Atrapalhado pela aflição, o rapaz demorara quase um minuto para abrir todos os cadeados. Depósito aberto, bastava agora retirar o carrinho de cima do feno e posicioná-lo sobre os trilhos. Feito isso, já estavam prontos para partir.
Mary destacou que havia unido alimento para alguns dias e cobertores para as noites de frio que se seguiriam. Estavam munidos e em boas condições; mas se assustaram com a decisão do prisioneiro.

— Não posso partir. Vão vocês; devo ficar em Flora. — Disse ele.
— Deixe disso, você corre perigo! — Disse Mary, tentando convencê-lo a partir.
— Estou preso aqui. Eternamente. Ah, vocês têm um fósforo?
— Ah... aqui está..! — Disse Friedrich, entregando-lhe um dos fósforos da cartela que encontrara caída na estação.

Dito isso, o prisioneiro virou as costas e desaparecera na escuridão da noite. Mary e Friedrich então, aliviados e bufantes de alegria, colocaram o carrinho em movimento. Suas rodas enferrujadas, embora envelhecidas, funcionavam bem o bastante. Durante o percurso inicial, distraídos pela comoção, ambos se abraçavam e se destinavam a contar um ao outro suas histórias. Até acontecer o inimaginável.
Um vento feroz começava a envolvê-los; a areia se misturava entre as fúrias daquela noite e manchava a visão de ambos, que notaram a luz do dia chegar rapidamente pelas suas pálpebras. Aqueles zéfiros mortais logo desapareceram do contorno do carrinho, que se achava lançado sobre a areia do deserto. Ao longe, o tufão caminhava em direção ao norte, e um sol escaldante descia sobre suas cabeças.

— O q-que houve? O que foi isso? — Questiona Friedrich, apavorado.
— Estávamos em Flora. Aquela cidade reside no olho daquela fera de areia. — Responde Mary, aparentemente conhecedora do assunto.
— Então... estão todos mortos?
— Sim. Nenhum deles sabem disso, creio eu. Você não sabe o quão feliz eu estou de sair de lá!
— Que pesadelo! Não creio, não creio...
— Acalme-se, Friedrich. Já estamos livres! E devo-lhe muito!

Perplexo e apavorado durante dias, Friedrich fora consolado pela jovem, que já havia sido engolida pelo tufão há meses. Fruto das mentes incautas e curiosas, os boatos que vagavam da fera de vento atravessariam gerações, mas poucos iriam enfrentar aquele tipo de morte em sua real condição.
Sobrevividos e maltrapilhos, pouco aproveitaram as provisões que Mary havia guardado. Ambos encontraram o cavalo de Friedrich trancafiado entre um rochedo alto e resistente, próximo a Fern Ridge. Utilizaram os fósforos para queimar qualquer lembrança daquele lugar.
Porém, faltava a Friedrich um item que lhe despertava curiosidade; o telegrama.

— Estava esperando sua chegada. O destino de todos é Flora. Você pode sair dela; mas ela nunca sairá de você. — Lera em voz alta.

Tementes do mal que os incomodavam, ambos prometeram um ao outro nunca mais tocar no assunto; e considerar o ocorrido como algo bom. De fato, pois valera a pena partilhar os horrores daquele lugar, já que no fim das contas, já livres das ameaças que há pouco os atingiam, puderam viver em paz e completar o fim da jornada com um beijo sincero, entre duas almas que se aventurariam a partir de agora por tempestades e desertos completamente diferentes.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!