Flor de Lótus
6 Primeiras Informações
Notas iniciais
Depois dos momentos de perseguição da madrugada anterior Dayla só queria saber de dormir. Suas mãos tremiam, seu coração disparado não deixava-a pensar direito e o rapaz que dirigia sem parar não mais falava com ela. Era tudo tão estranho e o pior era não saber por onde começar. Isabela tinha sido assassinada, isso era um fato. Logan não era apenas um estudante de ensino médio, isso também era algo indiscutível. A ruiva chegou até a pensar em Amanda e no fato dela ter delegado o trabalho de ir chamar Isabela a ela, será que era uma armadilha? Não. Não podia ser. Ela estava mais paranoica do que pensava.
Depois de várias horas na estrada enfim Logan parou no acostamento perto de um posto de gasolina e desligou o carro, porém não fez mais nada. Os dois ficaram parados ali por quase cinco minutos antes que Logan soltasse um enorme suspiro e se enfiasse no banco de trás.
_ O que está fazendo?
_Estou cansado. — Sem dizer mais nada ele jogou as mochilas no chão do carro e se deitou.
_ Você está brincando não é? Vai dormir agora? Aqui?
_ Vou, Dayla, vou sim. Dirigi a noite inteira, preciso dormir. Não sou de ferro.
_ Mas o que eu faço?
_ Sei lá, vai passear por aí ou dorme também. Não me importa.
Ele virou-se para o lado do encosto e respirou fundo deixando Dayla sem saber o que fazer. Não sentia sono algum, mas também não se sentia segura para sair por aí sozinha. Pela raiva que sentira de seu companheiro de fuga ela saiu do carro, mas antes tirou a chave da ignição e trancou as portas, deixando uma parte da janela aberta para que Logan não morresse sufocado lá dentro. Não queria que o carro fosse roubado apesar de tudo.
Quando saiu deu uma boa olhada no local onde eles estavam: tratava-se de uma estrada por onde não passavam muitos carros, haviam campos do lado esquerdo dela e algumas casas pequenas e um posto de gasolina do lado direito. Parecia um vilarejo ou algo do tipo, e a única placa visível dizia “Austin – 138 milhas”. Então eles estavam indo para Austin, ótimo. Ela foi até o posto de gasolina para ver se conseguia comprar algo para comer e ao entrar na pequena loja de conveniências havia apenas três pessoas lá dentro. Ela foi direto para a parte onde ficavam as batatas fritas e escolheu u pacote médio, depois foi para a geladeira e pegou um refrigerante de lata. Ao se virar para ir pro caixa todos na loja estavam olhando a menina.
_ Hmm… Bom dia? — Ela tentou disfarçar o quanto estava incomodada com todos os olhares, mas ao contrário do que ela pensou que aconteceria eles apenas continuaram encarando-a.
_ Você não dormiu hoje não é menina? — A pessoa que falava era uma senhora grisalha que parecia a imagem perfeita de uma beata. Com seu longo vestido preto e uma sandália de couro discreta ela podia facilmente estar em uma missa de domingo em vez de estar em um posto de gasolina.
_ Não, na verdade não dormi essa noite.
_ Sim… Você e aquele rapaz do carro… Imagino.
Ser sincera não tinha sido tão bom já que a mulher estava obviamente julgando-a naquele momento. Dayla não falou nada, apenas pegou mais um pacote de batatas e um biscoito doce e foi para o caixa. A senhora era obviamente quem mais a estava reprovando naquele momento, pois os outros dois homens já tinham voltado às compras enquanto a senhora continuava olhando-a e balançando a cabeça. Depois de pagar pelas pequenas compras e embalá-las Dayla agradeceu ao menino do caixa e se virou para sair.
_ Sabe menina ser jovem é muito bom, mas é preciso ter cuidado para não desagradar ao nosso Senhor. Ele não está gostando nada do que você está fazendo. Ainda dá tempo de se arrepender.
Sem dizer nada Dayla saiu daquela loja. Será que o senhor não gostava que as pessoas comecem batatas fritas com refrigerante?
(…)
_ Central, Ruth falando.
_ Oi Ruth, minha linda, o que está vestindo?
_ O que você quer Paul? — A voz da moça do outro lado do telefone mudou na mesma hora, demonstrando a impaciência que sentia sempre que aquele traste telefonava. Era uma falta de sorte mesmo que quase sempre fosse ela a atender aquele homem.
_ Nada de mais, só quero acesso aos dados de localização de um carro, só isso. Placa 258 TKM Virginia.
_ Espere. — Paul ouviu o som da mulher digitando por algum tempo e logo ela retornou – O carro está parado na 35E próximo a Hillsboro, estou mandando as coordenadas para você agora.
_ Obrigada Ruth. Mas agora… O que está vestindo?
(…)
Logan dormiu até quase três da tarde, o que deixou Dayla profundamente aborrecida pois não tinha nada o que fazer. Quando enfim o rapaz acordou ele parecia estar de melhor humor, mas ainda estava sério como quase sempre. Por algum tempo Dayla desejou poder ler a mente dele e descobrir o que ele estava escondendo, mas tinha medo do que poderia encontrar.
_ Bom dia ruiva.
_ Boa tarde, você quer dizer. Perdemos o dia quase inteiro.
_ Não importa. Você dormiu? Está com fome?
_ Não… Comprei algumas coisas para comer. Aliás deixei fritas e biscoitos pra você.
_ Uhum. Vamos indo então.
Logan foi para o banco do motorista e Dayla entregou as chaves para ele, então o rapaz deu partida no carro. O sono estava grande, mas ela não queria bagunçar com seus horários. Se dormisse de tarde passaria a noite acordada e não queria isso. Quando o posto de gasolina foi deixado para trás Logan tirou uma pequena pasta que estava escondida em baixo do banco e a abriu, pegou de lá um celular e entregou para Dayla.
_ Caso nos separemos use isso para mandar mensagens para mim, mas nunca me ligue. Meu número está gravado aí.
_ Logan… Você… Você sabe quem matou a Isabela, não sabe?
_ Sei.
_ Me conte.
Ele relutou um pouco, não sabia se seria bom contar a ela tudo de uma vez. Depois de organizar os pensamentos finalmente começou a falar.
_ A Flor de Lótus é uma empresa de aluguéis, as pessoas contratam seus serviços para se livrarem de pessoas que os incomodam. Ao menos era assim no começo, apenas assassinos de aluguel normais. Depois a empresa se especializou em assassinatos de ricos, geralmente para acabar com um irmão que tem direito a metade da herança ou com o filho que gasta demais, ou um sócio que rouba. Coisas assim.
_ Então… Alguém contratou a Flor de Lótus para matar a Isabela?
_ Sim… Não sei direito o que aconteceu, os relatórios não citavam aquela garota.
Dayla ficou pensativa um instante, depois olhou bem para o rapaz. Sua pele era clara, mas era perceptível o leve bronzeado de sol. Mesmo sem entender o motivo ela se sentiu estranhamente impelida a tocá-lo, mas preferiu não fazer.
_ Como você sabe o que os relatórios dizem?
_ Essa é outra informação que não tenho autorização para lhe dar. — Logan sabia onde aquilo ia levar. Ele nunca discutia os detalhes sobre seu trabalho com seus clientes; nunca.
_ Você trabalha para eles… — O tom de voz dela era mais de compreensão do que de pergunta, mas a careta que Logan fez deixou-a com dúvidas quanto aos seus esclarecimentos.
_ Não! Meu Deus não, jamais. Sou exatamente o contrário de um assassino.
Ela pensou naquilo por algum tempo. O contrário de um assassino, isso significava o que exatamente? O silêncio se arrastava enquanto ela tentava juntar as peças e compreender o que era aquele rapaz sentado ao seu lado. Foi quando ela de fato reparou no celular que ganhou. Era um modelo antigo, preto com uma listra vermelha na parte de trás, e quando ela acendeu o visor havia um logotipo com o desenho de uma tulipa roxa e inscrições em branco que Dayla não conseguiu no plano de fundo.
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