Flor De Apolo
8 O outro lado
Notas iniciais
- Um capítulo a cada três dias.
O outro lado
Herdeiro do Submundo. Capítulo Oito.
O trincar de minha espada ao tocar o chão me desperta. A garota correu em minha direção e me abraçou. Seu abraço é muito familiar, mas não é o mesmo. Estava abraçando uma morta?
– Dave – Sua voz era fraca, lagrimas percorriam sua face ao mesmo tempo percorriam a minha. Medo ou amor, dois sentimentos que percorriam lado a lado nesse momento. – Desculpa.
Soltei-me de seu corpo e encarei seu rosto. Estava em perfeita condição, sua pele ainda era a mesma, seus cabelos estavam mais ressaltados, ela estava mais viva.
– Não precisa se desculpar. – Queria abraça-la, beija-la, fugir dessa caverna. O corpo frio de Polifemo ainda estava caído a alguns passos de onde estávamos. A mesma flecha que á alguns dias perfurara minha barriga estava fincada em seu olho. Limpei as lagrimas em seus olhos. Zeus, como ela é linda. – Marie, mesmo esse não sendo o local certo de se perguntar, como você... Sobreviveu?
Ela me encarou por um tempo, devia estar pensando se me contava a verdade ou me falasse uma mentira qualquer. Não faria diferença. Eu iria acreditar.
– Acho que você precisa saber... – Ela tirou de seu bolso um pequeno frasco com liquido negro borbulhante, e me entregou – Beba. Até a última gota. – Abri a pequena tampa e joguei-a para o lado, bebi o liquido que no começo estava aquecendo o meu corpo e logo após foi enfraquecendo-o e então cai em um provável pesadelo.
Acordei em um pequeno campo, ele era cercado por cercas de madeiras e havia poucas árvores. Sinto um tocar em meu ombro, olho para o lado, era apenas Marie.
– Onde estamos? — ela colocou seu polegar em mina boca, um gesto para fazer silêncio.
Uma pequena flor brotou no campo, e ao passar os segundos ela foi aumentando até ficar do tamanho suficiente para guardar um armário. Ela se abriu e uma garota ruiva saiu cambaleando, era Marie. Duas cadeiras apareceram a alguns passos de onde Marie estava. Sentada em uma delas, estava Ártemis.
Meu sangue estava quente, havia deixado minha espada na caverna antes de desmaiar, Marie estava sem seu arco e flecha. Isso era o que eu pensava. Ártemis, a Deusa que destruiu a minha provável chance de ser feliz ao lado de Marie, estava a alguns passos dos meus, poderia feri-la, já que mata-la seria impossível. Tento afastar esse pensamento, não posso deixar a raiva dominar meu corpo, não depois da pequena controversa de minha personalidade durante a luta contra Polifemo.
Seguro a mão de Marie, preciso ter certeza que ela não vai fugir de mim.
– Perséfone me avisou que você iria vir. – Ela olhava com desprezo para Marie – Você sabe que é tão suja quanto a qualquer traidor dos Deuses, não sabe¿ — Marie ressentiu com a cabeça, não estava entendendo...
– Sim, senhora – Marie mordia seu lábio inferior ao falar com a Deusa.
– Você sabe que não é digna de respirar o mesmo ar que qualquer pessoa, até mesmo se essa pessoa for... Dave. – Marie ressentiu mais uma vez com a cabeça, ela ainda pressionava seus lábios com uma única mordida, uma ferida estava começando a se abrir. – Mas vou lhe dar uma chance, espero que não me decepcione. Dave está em busca de um pequeno objeto dos Deus, flor de Apolo, se não me engano. Uma missão na qual Perséfone ofereceu você como recompensa. – Ártemis sabia fazer qualquer pessoa, semideus ou mortal, se corroer de culpa. – Ele vira em busca de minha ajuda, e eu só ajudarei se ele vencer uma de minhas novas caçadoras, e ai que você entra.
– Eu não sou uma de suas imundas caçadoras – Ela corta-a rispidamente.
Ártemis ficou calada por um tempo, contemplando o silêncio que estava no local e depois retornou a falar.
– Como disse, você entrara agora. Lutara com Dave e ganhara. Lutar contra um semideus é fácil, levando em conta que você já matou mais de cinco mortais. – Minha boca fica seca, Marie é uma assassina. Solto sua mão, tentei andar ao lado, mas meus pés estavam presos no chão. Preciso fugir. – Claro que eu sei que você não vai matar Dave, no entanto, vou providenciar isso. – Ártemis estralou os dedos e um pequeno nevoeiro esverdeado envolve o campo, os olhos de Marie estavam em um tom esverdeado e logo depois voltou ao normal. Ela estava enfeitiçada.
O sonho começou a borrar e aparecemos em outra miragem.
Agora estávamos há duas horas antes de minha luta com Marie. Ela estava sentada encostada em uma pedra, chorando. Segurava seu arco, com uma única flecha em sua rajada.
– Não vou matar Dave. – sua voz era fraca – Não vou matar Dave. – Ela se levantou e foi em uma das barracas das caçadoras, e pegou uma faca, ela tinha seu olhar fixo em um pequeno travesseiro jogado no quanto da barraca. Marie levantou a faca e cortou o travesseiro, pegando-o sua plumagem e colocando por dentro de sua roupa.
O sonho se desfocou novamente e aos poucos fomos à outra miragem.
Estávamos em um campo aberto, os pássaros cantavam e o havia um leve som da água se debatendo contra as rochas. Estávamos de volta ao local em que matei Marie. Ela apareceu do meu lado segurando minha mão, queria solta-la, não sei do que ela é capaz. Marie me levou entre um caminho de árvores e mato, ela se agachou atrás de uma rocha e fez um gesto para fazer o mesmo que ela. Ficamos um tempo atrás da rocha, não entendia o proposito daquilo, até Marie aparece correndo de Dave, não conseguia entender. Como pude fazer isso?. Marie gritava enquanto Dave fazia um corte em sua barriga, logo depois, Marie estava jogada no chão, morta. Dave se ajoelhou em sua frente, seus joelhos encostavam-se a uma pequena possa de sangue, seu corpo tremia, ele não sabia o que tinha feito. Ele se levantou e foi embora, para sua provável morte.
Marie encostou sua mão em meu ombro, olhando a possível morte de seu clone. Até que Marie se levanta, estava ferida. Sangue saia de sua barriga, e ela andava aos tropeços, ela tirou sua blusa, ficando completamente nua. Meu rosto fica completamente quente ao ver essa cena, seus seios estavam sendo tampados por apenas plumagem de um travesseiro velho, seu cabelo ruivo estava no mesmo tom no qual eu vi pela primeira vez, seu corpo era branco, a impressão que brilhava ao estar ao Sol não tinha mudado. Ela havia limpado o sangue com uma pequena tigela de água, seu corpo não havia nenhuma ferida profunda, assim então ressaltava sua pele e seus seios.
Marie me deu um soco no ombro ao ver que olhava diretamente para o seu corpo completamente nu, a imagem foi se borrando e eu fui perdendo meus movimentos até que acordei na caverna novamente.
Minha mãe antes de se matar, me disse que o amor às vezes decepcionava, outras vezes agradava, mas em muitas das ocasiões magoavam. Ela disse que esse sentimento, é um sentimento abalador, em que nenhuma pessoa deve sofrer. Agora tenho certeza que amo Marie.
Acordamos no meio da caverna, o frio havia passado e o corpo do grande ciclope havia se dissolvido em pó. Alice provavelmente estava em algum quanto da caverna desmaiada, mas, não queria resgata-la, ela poderia contar a Marie...
Marie se levantou e estendeu a mão me ajudando a levantar, queria perguntar quem ela havia matado. Como ela havia me achado, mas provavelmente, não teria nenhuma das respostas. Levanto-me com sua ajuda e a encaro, ela se aproxima de meu corpo, e eu aproximo de seu corpo, queria transformar nossos corpos em um só, queria estar sempre ao lado de Marie. Seguro sua cintura e a dou um beijo, ela apertava minhas costas enquanto colocava uma de minhas mãos por baixo de sua camisa enquanto a outra segurava sua cintura. Ela não tentou impedir. Começou a desbotoar minhas calças, poderia ter ocorrido tudo aqui, mas um pensamento me veio à cabeça, Alice.
– Marie, – disse mordendo seus lábios. – Precisamos achar minha parceira de missão, ela provavelmente pode estar a ponto da morte.
Ela parou de me beijar e se se afastou. Ela cruzou os braços e começou a olhar pelo feixe de luz que entrava na caverna, ela se virou para mim novamente.
– Alice? — Ela disse flexionando uma de suas sobrancelhas, mesmo irritada ela era bonita.
– Sim...
– Dave, precisamos falar sobre ela.
Notas finais
- Um capítulo a cada três dias.
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