Flor De Apolo
3 Jogado ao vento
Notas iniciais
Um capítulo a cada três dias -
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Jogado ao Vento
Herdeiro do Submundo. Capitulo três
Entrei em transe, meu corpo estava fraco e minha cabeça estava leve, não tinha como isso ser real. Eu vi Marie sendo congelada, eu vi Marie morrendo. O vento ficou mais forte e meus pensamentos começaram a voltar, meu corpo estava reagindo novamente. Meu sangue estava fervendo. Estava sedento por sangue.
– Prontos? — Perguntou Ártemis com um sorriso de satisfação no rosto. Ela conseguiu me abalar.
– Pronto.
– Pronta.
Olho direto para o rosto de Marie e começo a me lembrar de todos os dias que ficamos juntos, seu cabelo ruivo estava forte, como se tivesse pegando fogo. Sua pele era branca como a de um morto, ela não sabia quem era.
– Comecem – Disse a Deusa.
Demorou um tempo para perceber em que ela estava falando, mas quando vi Marie vindo para cima de mim com uma flecha, sai correndo.
O campo era largo, as flores tinha um perfume forte, eram provavelmente geneticamente modificadas. As árvores eram grandes, poderia subir nelas e esperar até a luta acabar, mas se fosse assim ela nunca ia acabar.
Olho para trás e procuro Marie, não encontro nenhum sinal de sua presença no local. Se eu quiser ganhar, teria que leva-la ao lago. Sinto o ar raspar em minhas bochechas e logo a frente uma flecha fincada na árvore.
– Fugindo? Covarde. – A voz de Marie estava metálica, não era sua voz, me sentia angustiado ao ouvi-la falar assim.
Essa era minha única chance de atrai-la ao lago, saio correndo e ouço o som de cinco flechas raspando por meus ouvidos. Corro mais rápido ainda até me deparar com um penhasco. Seus paços estavam cada vez mais rápidos que os meus. Olhei para o abismo e não conseguia ver o seu fim, a nevoa estava espalhada, porém minha única opção era pular.
Marie estava cada vez mais perto. Seus passos começaram a ecoar, ela estava carregando uma de suas flechas, mas seu arco tinha ficado para trás. Estava correndo em minha direção, não podia ficar parado. Peguei um pedaço de madeira que estava jogado no chão e fui correndo em sua direção, ataquei-a primeiro e depois esquivei ao lado, senti um corte em minha bochecha e senti o sangue nos cantos de meus lábios, contra ataquei acertando o pedaço de madeira em uma de suas costelas e ela caiu de bruços no chão, antes que eu pudesse fazer algo ela já estava de pé.
Estava ficando cada vez mais difícil, seus ataques eram rápidos, mas sua defesa nem tanto. Ataquei novamente, quando o galho estava a acerta sua cabeça, ela agarrou-lhe e o jogou no chão e por fim enfiou sua flecha em minha barriga. O sangue quente escorria por minha camisa branca, a dor estava insuportável, me arrastei até a beirada do abismo e Marie veio andando lentamente ao meu lado.
– Vamos, levante! – Ela gritava ao mesmo tempo me chutando – Covarde.
Suas palavras ecoavam em minha mente, tudo estava muito confuso nesse momento, essa não é a Marie. Quando cheguei à beirada do abismo, percebi que tinha que agir rápido, ao levanta, percebo que a flecha não tinha feito um corte tão profundo. Marie avança para cima de mim e eu a abraço, e juntos, pulamos para a morte.
Não sabia se o chão estava próximo, só conseguia ver nevoa. Marie não tinha se mexido e nem falado nada, seu corpo estava frio, ela estava somente me abraçando, ouvia apenas alguns múrmuros saindo de sua boca, ela me abraçava cada vez mais forte. Soltei seu corpo do meu e assim então fui caindo mais rápido e mais rápido. Até que então, meu corpo atingiu o lago. O impacto reforçou o corte em minha barriga, o sangue estava cada vez mais preto, meu corpo está fraco, minhas pernas doloridas juntamente com minhas mãos. Um barulho começa a surgir de meu bolço, e assim então o quadrado começou a se dissolver. A espada rasgou a lateral de minha calça, ela era feita de ferro do rio estinge, ao longo da espada tinha figuras gravadas, terremotos, tsunamis e entre outros desastres causados por meu pai. Pego-a e sinto uma força crescendo em meu peito, uma agonia constante, porque Poseidon decidiu me ajudar?.
Fui ao alcance da superfície e não estava encontrando o corpo de Marie.
– ME AJUDA – Era a voz da Marie, a sua verdadeira voz.
Corri em direção à sua voz, mas não achei nada. Ao olhar na beirada do lago encontro Marie tentando subir, mas não conseguia, ela estava se afogando. Fui a seu encontro e agarrei seu corpo e o puxei a grama. Ela começou a rir.
– Você é enganado tão fácil – Sua voz tinha mudado novamente.
Ela tirou uma flecha de seu bolço, a flecha estava quebrada ao meio e com sangue na ponta.
– Você sabe como eu vim parar aqui? Como eu sobrevivi? — estava assustado, não podia ataca-la, minha espada tinha ficado do outro lado do rio – Claro que não. Depois que eu fui ‘’morta’’, Perséfone me levou ao coração congelado, ela me explico os benefícios de ser uma caçadora, ela me falou que eu teria que lutar com você, me avisou os perigos que eu corria, mas eu não sou nenhuma boba em recusar vida eterna, eu mudei a visão de Ártemis, ela agora é outra pessoa. Não faça cara de choro, eu ainda gosto de você – Marie tinha um olhar de psicopata, ela chegou perto de meu rosto e me deu um beijo – Porém, prefiro a vida eterna. Desculpa – E por fim ela deu um sorrisinho e correu em minha direção com sua flecha.
Levantei-me e corri na direção da espada... Não consegui me mover rápido, o ferimento continuava aberto e agora sentia um profundo vazio em meu peito, Marie estava fazendo isso porque ela queria. Como ela pôde. Não podia deixar ela me ver nesse estado.
Raiva era o único sentimento nesse momento. Corri mais rápido em direção à espada, quando a alcancei fui direto a procura de Marie, ela não tinha ido muito longe, estava dentro da floresta logo após o rio. O vento estava cada vez mais forte, como se alguém não quisesse que eu chegasse perto da floresta, meu coração estava batendo cada vez mais rápido, a adrenalina estava subindo por minhas veias, essa missão toda não tem sentido, Marie está do lado errado porque quer.
Ao chegar à floresta encontro Marie sorrindo, ela estava louca. Corro ao ataque, acerto sua barriga, antes de qualquer outra atitude, ataco novamente acertando seu pescoço – não estava satisfeito, preciso esfaqueá-la. Quando fui dar meu ultimo ataque, percebo oque estou fazendo. Marie estava jogada no chão, sangrando e respirando, como uma simples mortal, isso oque ela era.
– Dave... Salve-me. – E essas foram suas ultimas palavras.
Soltei a espada no chão e ao mesmo tempo me joguei, eu acabei de matar Marie, a menina na qual eu queria me casar, em que eu tinha planos para um futuro. A raiva que sentia se transformo em remorso, lagrimas começam a escorrer por minha face. Como pude ter sido tão egoísta...
Levanto-me depois de horas, fecho os olhos de Marie e a olho pela ultima vez, Estava decidido, vou concluir essa missão. Pego minha espada e vou andando lentamente, quando percebo cai em mais uma alucinação.
Estava de volta ao coração congelado, dessa vez estava no outro lado da caverna, em suas paredes havia pinturas e escritas gregas.
– Dave? — Perséfone estava a minha procura.
Ando até o centro no qual agora encontro uma flor menor do que a da primeira vez. Minha vontade era correr e perfurar a flor até ela não passar de uma simples pétala.
– Perséfone, que ótima hora para conversa, depois de ter mutilado o corpo de minha possível namorada.
– Ela não era sua namorada.
– O que ela é ou não é, não interessa, para oque você chamou? — Não podia conter, a raiva subia meu corpo, ela não pode me destruir, não enquanto for considerado o herdeiro.
– Calado, eu tenho o direito de lhe chamar quantas vezes eu quiser. Você, semideus estupido, pensa que pode mandar em uma Deusa¿ Estou cansada de suas reclamações e comentários fora de serie. Você vai aprender a me respeitar, queira ou não.
– CALADO? VOCÊ TEM A CORAGEM DE ME MANDAR FICAR CALADO, EU ACABEI DE MUTILAR UMA GAROTA, EU A AMAVA, E VOCÊ SÓ FICOU SENTADA NESSE SEU TRONO ESTUPIDO, EU TE ODEIO.
– Olha como você se dirige a mim. Eu fiz isso para seu próprio bem...
– E desde quando você liga para mim? Você é a que mais me odeia.
– Tente intender... Essa garota só iria estragar os planos, ela é só uma mortal, você tinha que entender que ela não é a pessoa certa.
– E quem seria a pessoa certa?
– Você vai conhecer. Ártemis vai te ajudar a chegar ao monte quando voltar ao acampamento das caçadoras, qualquer coisa chame Apolo.
Antes que pudesse argumentar ela me fez voltar ao acampamento.
Estava a dois quilômetros do acampamento. Vou em direção à luz da fogueira e encontro o grupo de caçadoras armadas, esperando ordens de Ártemis.
– Ora, ora, olha quem tem a audácia de dar as caras aqui. Como ousa retornar, ladrão. – A Deusa apareceu logo atrás de sua tropa de caçadoras
– Como assim...?
– Como assim? Você ainda tem a coragem te perguntar. Eu enfeiticei a Marie para ser a melhor lutadora, era impossível ela perder. Você não é um semideus, provavelmente um traidor do próprio sangue. – Ela se virou para as caçadoras – Ataquem.
Notas finais
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