Notas iniciais
Eu gostaria de agradecer a cada um que chegou até aqui! Gostaria de agradecer a todos pelo o apoio, carinho e dedicação, essa história foi feita do fundo do meu coração, com o intuito de ser algo simples e focado em nosso casal, Fleurir - Florescer - mostrou o crescimento do nosso casal, e que mesmo com dificuldades, estiveram sempre juntos! Queria dizer que eu me esforcei, para trazer algo bom e apreciável, que nesse momento eu estou emocionada por ter chegado ao fim com mais uma história e que estou me sentindo realizada! Quando um enredo se começa, eu me sinto na obrigação de terminá-lo, e isso é o mínimo que eu posso fazer. Peço desculpas se em algum momento o enredo deixou a desejar, ou se não superei as suas expectativas, contudo eu ainda estou aprendendo e me desenvolvimento, me empenhando em sempre trazer algo melhor para cada um de vocês. Agradeço a cada favorito, cada comentário, e a cada visualização que a história teve, sem vocês, nada disso aqui seria possível e eu só tenho a agradecer por ter leitores tão amorosos! Com todo meu amor, meu imenso obrigada por mais um fim dessa jornada, espero que continuem comigo em Ikisaki, me deixarão muito feliz. E quero agradecer a cada novo favorito que venha ter após esse último capítulo, agradeço de todo meu coração, assim como novos comentários, serão sempre bem vindos e respondidos. É isso.

Fleurir — Capítulo 20

Florescer

"Todo coração é jardim, permita-se florescer".

— Edna Frigato

As crianças se despediram dela também e Sesshoumaru apenas meneou a cabeça, montamos em Arurun e com Sesshoumaru ao nosso lado voltamos para a nossa casa.

XXX

— Kagome? — A voz de Sesshoumaru chegou até mim. Eu levantei os olhos do pergaminho ao qual estava lendo, olhando para a porta do escritório — Ainda está trabalhando?

— Estou apenas analisando os termos — comentei enquanto apertava a ponte do nariz, aquilo era uma loucura, e muitas coisas sem cabimento, escravizar humanos... — Não estou muito confiante em relação a essa aliança com o norte.

— Podemos rever isso pela manhã, já está tarde — Sesshoumaru entrou no escritório e parou ao lado da mesa, o cheiro de banho recém tomado chegou a mim. Ele sempre me seria convidativo no fim, sempre — Esse Sesshoumaru quer um tempo com a fêmea dele…

— Certo, posso deixar para amanhã — comentei enquanto me levantava e passava a mão pelo peito dele, através da abertura da yukata. Os âmbares me fitaram daquela forma quase fechados, eu amava aquela forma que ele me olhava — As crianças já dormiram?

— Sim — respondeu-me enquanto envolvia minha cintura, aproximando nossos corpos. O cheiro do desejo dele me atiçando.

— Vamos para o quarto... — disse enquanto andava em direção a porta, segurando a mão dele. O castelo já estava tranquilo, os criados dormindo e apenas os soldados de ronda estavam à vista. Entramos no quarto e eu tranquei a porta, eu consegui arranjar uma pro quarto — Aqui ficaremos mais a vontade — comecei a desamarrar a yukata dele — Não que isso nos impeça.

Sesshoumaru deu um leve sorriso torto e acariciou meu rosto. Meus lábios foram tomados num beijo cheio de luxúria e nos amamos até quando nos sentimos esgotados. Fazia dias que Sesshoumaru não dormia, então quando ele o fez tão tranquilamente, o deixei descansando. Tomei um rápido banho e vesti uma yukata mais leve, voltando para o escritório. Eu não estava me sentindo muito bem quanto a aquela aliança.

Proteção total em caso de ataque, abriga-los caso algo aconteça-os e o que me era o cúmulo do acordo, casamento arranjado entre nossos filhos e os dele. Como eu poderia propor algo assim, quando em meu tempo ficamos e fazemos o que queremos? Privar a vontade alheia dessa forma, inconcebível! Abri a janela, estava noite ainda, mas a brisa da noite aliviaria meus pensamentos, abri o pergaminho novamente e lia com alguma dificuldade ainda, aquele dialeto já era morto em meu tempo. Abri um segundo pergaminho em branco e ia anotando o que eu achava que precisava ser mudado ou melhorado.

Eu não queria união do Oeste com o Norte, eu queria com o Leste, onde estavam Kouga e Satori. Porém, em termos não burocráticos, já havia uma união entre nós... Comecei a listar o que eu achava que poderia ser melhorado e como poderia ser melhorado, ressaltando a não pretensão em um casamento arranjado. Como eu poderia fazer algo assim com eles? Rin já estava com Kohaku, estavam praticamente casados e Shippou já estava apaixonado por Kiara, uma youkai kitsune como ele... Nunca tiraria a alegria de meus filhos dessa forma.

Se Sesshoumaru assim desejasse, eu apenas ressaltaria o não ao casamento, de resto faça como bem quiser. Escrevi conforme Satori me ensinou, uma vez que os youkais machos desse tempo eram muito machistas e não aceitavam pitaco de mulher, porém Satori estava me mostrando como me impor e claro, que minha palavra tinha o mesmo peso que a de Sesshoumaru. Assinei o pergaminho, Kagome Taisho… Há quanto tempo eu não era mais Higurashi?

— Sabia que ia encontrá-la aqui! — a voz de Shippou chegou a mim, eu olhei para a porta e vi o rapaz que me fitava divertido. — Ainda analisando a aliança? Se não o quer, mamãe, diga ao papai e ele não o fará.

— Shipp, o problema é que não confio neles, algo me diz que isso é uma armadilha para que eles se infiltrem em nossas terras — eu o estiquei o pergaminho e mostrei a parte em que estava escrito 'abrigar-nos caso algo aconteça ao nosso reino' — Isso é muito suspeito, como posso saber se ao autorizar esse tipo de coisa não vai acontecer nada ao castelo deles?

Shippou começou a entender minha linha de raciocínio e puxou uma almofada para ao lado da minha mesa, analisando o pergaminho. Enquanto ele lia fiquei a observar suas feições, quando minha pequena Kitsune se tornou esse homem a minha frente? Os traços infantis já não existiam mais, agora eram de um adolescente, era mais alto do que eu e agora um dos comandantes em nosso exército. O tempo voa.

— Olhando dessa forma, isso é mesmo suspeito, pra que eles precisam de abrigo? E não está especificado se é apenas a família dele, ou todos no castelo… — ele continuou a passar os olhos pelo pergaminho — Casamento arranjado? Ele é louco? Não aceite isso, mãe.

— Não vou Shippou, aqui já está a minha resposta a isso e ainda bem que você pensa como eu — disse acariciando os fios laranja agora curtos — Você acha que ele está visando quem com esse casamento arranjado? — eu o olhei sabiamente e a compreensão chegou a sua face — Ele não visa nossos filhos adotados…

— E sim os legítimos — Shippou passou a mão nos fios os bagunçando mais. A porta do escritório fora novamente aberta e por ela Sesshoumaru entrou. Ele parecia mais descansado por hora, mas estava de mau-humor.

— Discutindo sobre o acordo? — ele fechou a porta e se aproximou de nós — Você não dormiu, certo? — eu assenti a ele, de que adianta mentir se a nossa ligação diria o contrário? — Diga o que lhe incomoda.

Estendi o pergaminho com minha resposta a ele. Ali tinha tudo o que me incomodava e o que eu não queria. Sesshoumaru leu tranquilamente o que eu havia escrito e eu torcia para que não houvessem erros, mas se tivesse, sabia que ele corrigiria. Ele pegou o pincel e começou a corrigir, merda de dialeto morto.

— Desculpe os erros… — eu disse me sentindo envergonhada — Eu ainda não aprendi esse dialeto direito, uma vez que escrevo com outro mais avançado…

— Esse Sesshoumaru não se importa, muitas fêmeas nem sabem escrever nada — os âmbares me fitaram brevemente e voltaram ao o que faziam — Quer você mesma escrever a resposta? — eu assenti — Então refaça, esse Sesshoumaru está de acordo com o que escreveu.

— Pai, algo que a mãe comentou faz sentido também — Shippou atraiu a atenção de Sesshoumaru para ele — Além de que ela não está com um bom pressentimento quanto a isso e já aprendemos que quando ela fica assim coisa boa não é — Sesshoumaru se sentou também e olhou para Shippou como se o mandasse continuar — mamãe acha que isso é uma armadilha.

— Porque acha isso?

— Como posso saber se ao permitir o 'abrigo' a eles algo não vai acontecer ao castelo deles? — comentei mostrando a mesma parte que havia mostrado a Shippou antes — E aqui não diz se é só a família dele ou a todos... Pense nisso querido.

— Você pensa como um homem — Sesshoumaru comentou e eu revirei os olhos — Mas tem razão, reescreva e assinamos os dois, não quero aliança com o norte.

— Bom, podemos tomar café agora? — Shippou perguntou se levantando — Era pra isso que eu estava te procurando.

— Só vou passar isso a limpo, podem ir na frente — os dois saíram do escritório e eu continuei a passar a limpo. — Penso como um homem… — resmunguei enquanto continuava a copiar o texto antigo — Eu apenas conheço uma coisa chamada história… Ora essa, cavalo de Tróia agora?

Acabei rindo sozinha com meu pensamento. Era engraçado, porém altamente provável que acontecesse algo assim e eu não permitiria. Terminei de copiar o que eu tinha escrito e com um floreio assinei meu nome. Deixei o pergaminho em cima da mesa, afinal Sesshoumaru reforçaria o que estava escrito ao assinar também. Ajeitei minha yukata e segui a cozinha, enquanto caminhava alguns criados me cumprimentavam como sempre, eu sempre os respondia.

Minha vida estava muito boa, as coisas encaixadas e meus poderes super controlados, eu usava meu veneno com mais frequência, porém às vezes era necessária uma purificação. Via Takeo com certa frequência, ajudava-me quando necessário. Eu era muito respeitada e claro, todos conheciam a peculiaridade da senhora do oeste, uma youkai que também era sacerdotisa.

— Achei que teríamos que te buscar, mamãe.

— Estávamos quase saindo... — observei as duas crianças que estavam emburradas, sentadas à mesa. Sesshoumaru apenas desviou o olhar, quase como um revirar. Nossos filhos gêmeos, Kenichi e Yuri.

— Estava trabalhando, eu nem demorei tanto assim… — comentei com eles enquanto me sentava também, já havia se passado dez anos desde o nascimento deles...

— Shippou está querendo ir ver a tia Sango, podemos ir também? — Kenichi perguntou levemente empolgado e eu lhe dirigi um sorriso.

— Podemos ir sim.

— Você vai também Rin? — Yuri perguntou para a mulher ao lado dela, ela dirigiu um sorriso sem graça e assentiu.

— Então comam e vão se arrumar, daqui a pouco estamos de saída — eu disse os olhando que assentiram.

Sesshoumaru me olhou e tivemos aquela troca de olhares que demonstravam toda nossa cumplicidade. Eu continuava loucamente apaixonada por ele, como se ainda fosse a primeira vez, cada beijo, cada toque, faziam aquela chama queimar em meu peito e eu dava total vazão a ela. Eu estava feliz com minha posição no mundo youkai e mais, me sentia completa com meus filhos. Sesshoumaru me dava total liberdade para agir como eu queria, comandar da forma que eu quisesse e eu apreciava isso.

Sabia que naquele tempo fêmeas era totalmente apagadas, mulheres num contexto geral eram diminuídas e não tinham direitos e sim deveres. Sesshoumaru era diferente, ele queria uma companheira em todos os aspectos e uma guerreira se precisasse, e ele sabia que comigo ele tinha tudo isso, afinal eu nunca fugi de uma luta. Estava sempre treinando, sempre aprendo coisas novas e era tão boa com a espada quanto com meu arco.

Meus filhos também evoluíram com o passar dos anos, os valores que eles adquiriram nunca se perderiam e eu me sentia orgulhosa ao olhar cada um deles e ver o potencial de cada um. Rin era nossa menina, mesmo que Sesshoumaru ainda sinta ciúmes dela de vez em quando, Kohaku havia pedido corajosamente a mão dela em casamento para o pai e mesmo que ele não tenha colocado mais que um sim para fora, eu sabia que ele estava mexido por sua garotinha estar quase casada. A casa deles já estava quase terminada e era apenas isso que faltava para a cerimônia.

Shippou havia se esforçado para aprender tudo o que pudesse sobre o clã Daí-Youkai e agir conforme os desejos e vontades deles. Eu sabia o quão complicado era a forma deles de pensar e no fundo agradecia que Shippou não houvesse perdido aquela bondade dele. Kiara era a namorada dele, mesmo que houvesse pouco tempo que estivessem juntos se amavam verdadeiramente e eu me orgulhava disso, ver o homem que meu filho se tornou. A youkai morava num vilarejo aos arredores do castelo e sempre que podia Shippou ia se encontrar com ela. Era muito respeitado.

Já os gêmeos eram um pedacinho do meu amor e de Sesshoumaru, afinal através desse amor demos vida a eles. Kenichi era um pouco mais alto que Yuri, ambos tinham os cabelos brancos, porém Yuri tinha mechas pretas, ela tinha tinha heterocromia, um olho azul e o outro dourado. De resto, as características Daí-Youkai bem evidentes em seus corpos, não negavam sua linhagem. Eram muito amáveis e eu apreciava isso, os deixavam mais 'humanos'.

— Kagome? — a voz de Sesshoumaru chegou até mim, assim como seu toque em meu pescoço, eu arrepiei levemente. Com a marcação e minha condição, havíamos sido capazes de desenvolver uma comunicação única através de nossas marcas, até mesmo mostrar o que o outro pensava, por isso ele soube instantaneamente o que passava em minha cabeça.

— Eu acabei entrando numa nostalgia… — comentei com ele, enquanto me virava em direção a ele — Gratidão pela vida que levo hoje… — dirigi um sorriso a ele e os âmbares me fitavam intensos — Deixei a resposta em cima da mesa.

— Já irei encaminhá-la — ele me respondeu acariciando meu rosto, aquele calor começando em meu peito, a mão dele seguiu em direção ao meu cabelo — Gostava deles longos…

Eu havia cortado o cabelo na altura dos ombros, queria mudar um pouco, e eu tinha gostado. — Vou deixar crescer de novo — segurei a mão dele e a coloquei entre as minhas, a aproximando de meu rosto — Não pretendo demorar muito no vilarejo.

Sesshoumaru apenas assentiu e selou nossos lábios. Céus, como eu o amo. Afastamo-nos, afinal ainda estávamos na cozinha e eu fui me trocar para ir ao vilarejo. Olhei-me no pequeno espelho que havia no quarto, eu fitei a mulher que me olhava de volta. Os olhos azuis com dourado, a pele mais pálida porém com leves sardas, os cabelos negros com mechas brancas, agora curtos na altura do pescoço, as duas riscas arroxeadas e a meia lua na testa, eu me sentia bonita e muito amada. Não parecia que eu já estava com 32 anos, ainda aparentava ser uma adolescente, assim como Sesshoumaru.

Vesti um kimono preto com detalhes florais num tom de rosa, e um obi branco, eu estava com saudades de todos. Vovó Kaede havia falecido há pouco mais de cinco anos, porém ela havia conhecido meus filhos e os apreciava tanto quanto a mim. Eu sofri meu luto por sua morte e Sesshoumaru me apoiou todo o tempo. Ela era a minha família no fim, fiz questão de seguir ritos sacerdotais e Takeo me ajudou nessa tarefa, foi uma linda cerimônia.

Escutei a porta abrir e as duas crianças passaram por ela. Estavam devidamente arrumadas e mostravam o quão empolgadas estavam. Kenichi e Yuri quase não saiam do castelo, Sesshoumaru era muito firme nessa questão, afinal ele tinha tantos inimigos e ele prezava pela segurança dos filhos. Sorri para eles e segui na direção da saída do castelo, Rin e Shippou nos aguardavam lá. A mulher estava usando um kimono muito bonito, ela encontraria com o noivo no fim. Arurun se aproximou de Rin e das crianças, os três montaram nele.

— Vamos então — Shippou comentou enquanto começava a voar, uma das várias técnicas que ele havia aprendido com Sesshoumaru. O imitamos e logo chegaríamos.

— Como será que estão os tios? — Yuri perguntou curiosa — faz tempo que não os vemos…

— Estão bem — Shippou respondeu mais a frente — eu venho vê-los regularmente.

— Eu queria conhecer a família da mamãe no futuro — Kenichi comentou me olhando.

— Quem sabe um dia…

O vilarejo já estava em nosso campo de visão, ele havia mudado um pouco novamente, estava prosperando finalmente. Os aldeões mais antigos me cumprimentavam, os mais novos pareciam assustados e até mesmo desconfortáveis. Continuamos a caminhar e logo Inu-Yasha vinha nos receber, como sempre.

— Olá! — disse quando parou a nossa frente — Dessa vez conseguiram vir todos…

— Diz como se não viéssemos de tempos em tempos — comentei lhe dirigindo um sorriso — como vão as coisas?

— Vão bem — ele se virou e passou a caminhar — venham.

Passamos a seguir o hanyou, ele estava bem mais maduro porém possuía a mesma feição de quando nos conhecemos… Youkais e suas peculiaridades… Um pouco mais a frente, um garotinho vinha seguindo em nossa direção, a face rosada e os cabelos brancos grudando na testa, Hiei tinha os traços youkais de Inu-Yasha, porém não tão fortes por ele já ser um hanyou, porém possuía as orelhas que nem o pai.

— Tia! — ele saldou quando estava perto o bastante, os olhos negros se voltaram para Kenichi e Yuri — Meus primos podem vir brincar comigo no campinho?

— Se eles assim quiserem — disse olhando para as duas crianças que me olhavam ansiosas e assentindo um sim — Apenas tomem cuidado — gritei quando eles corriam para o campo, talvez fosse de lá que ele tenha vindo.

— Eles se dão bem não? — Shippou comentou enquanto observava as crianças correndo e eu assenti. Eu sempre prezei pela paz e criei nossos filhos próximos, diferente dos irmãos.

— Natsumi está nos aguardando — Inu-Yasha chamou nossa atenção novamente e passamos a seguir pra cabana deles, a cabana que um dia fora de Kaede.

Não nos demoramos muito na casa deles, afinal Natsumi estava se recuperando do parto recente do terceiro filho deles, que no caso era uma menina. Hiei era o mais velho com nove anos, Morata era o segundo com cinco anos e a pequena Lotus com dias de vida. Todos eram meio youkai, com as feições bem divididas de ambos, porém Hiei parecia mais com o pai e Morata com a mãe…

— Deixaremos você descansar por hora — disse enquanto me levantava, a pequena dormia no colo da mãe — Estamos indo a casa de Sango, até logo.

— Até — ambos responderam e nós três saímos da cabana.

Rin logo avistou Kohaku e seguiu na direção dele e Shippou veio comigo para a cabana, Sango estava nos aguardando.

— Quanto tempo! — a exterminadora me deu um abraço de urso e eu a envolvi com meus braços — Você demora tempo demais para me ver.

— Você conhece o caminho de minha casa — eu disse me afastando dela e a olhando de forma séria, porém acabamos rindo — Não pretendia demorar tanto dessa vez…

— Burocracia? — ela perguntou e eu assenti — ser uma senhora não é fácil, não é mesmo?

— Muito difícil, Sango — eu disse enquanto entravam os na cabana — É tratado disso, acordo daquilo, nossa! — eu lancei as mãos pra cima em rendição — A mais nova é o lorde do norte que quer um casamento arranjado.

— Com a Rin? — Sango perguntou alarmada, ela gostava da menina como cunhada.

— Com os legítimos — Shippou respondeu enquanto comia um pedaço do pão que estava ali, os olhos castanhos se arregalaram em surpresa.

— Claro que eu não aceitei algo assim — eu disse enquanto sentia o cheiro de Miroku se aproximando — Seja bem vindo — o cumprimentei quando ele entrou.

Passamos um dia agradável, coloquei eles a par do que acontecia no castelo, e reinterei sobre o não acordo, eles por sua vez contaram como andava as coisas com as crianças e com o vilarejo, havia rumores de que um senhor feudal estava de olho nas terras e que via o grande potencial do vilarejo, eu torcia para que tudo desse certo. Perto do final da tarde, as crianças voltaram para a cabana, as gêmeas já quase adolescentes, o filho caçula deles e os meus gêmeos.

— Vejo que brincaram bastante — Miroku comentou enquanto olhava o estado do filho — Vão se banhar, e depois venham jantar.

— Sim, papai!

— Nós também já vamos — eu disse me levantando e arrancando um muxoxo de meus filhos — Ainda temos coisas a resolver.

— Podemos voltar mais vezes? — Yuri perguntou interessada e Kenichi assentiu.

— Veremos o que posso fazer.

— Venha mesmo Kagome — Sango atraiu minha atenção para ela — Sabe que sinto sua falta.

— Eu sei… — eu disse lhe dirigindo um sorriso — Eu sinto a sua também.

— Chega de drama — Shippou disse revirando os olhos e arrancando risos de nós duas — tchau vocês dois e se cuidem, não exitem em nos pedir ajuda.

— Tão responsável — Miroku brincou com ele, fazendo com que suas bochechas tingissem de vermelho.

— Vou chamar a Rin — ele saiu emburrado.

Despedimo-nos e logo estávamos a caminho do oeste, eu sentia falta de Sesshoumaru e sentia falta de meu espaço, talvez eu estivesse ficando anti social, mesmo que nesse tempo essa palavra ainda não exista. Depois de dar a janta para as crianças e pedir para as criadas cuidarem deles, segui a procura de Sesshoumaru, entretanto não precisei ir muito longe, afinal ele estava em nosso jardim, como da primeira vez que o vi, sentado embaixo da árvore, apenas com a hakama e o cabelo trançado. Aproximei-me dele, os olhos fechados e a expressão de relaxado, sentei-me ao lado dele.

— Como foram as coisas?

— Tudo bem — os âmbares se voltaram para mim — E como foi a visita?

— Tudo bem — respondi a mesma coisa que ele. Ficamos nos observando alguns instantes e eu sentia aquela confusão de emoções dentro de mim, ah, como nós amávamos.

Era possível um amor assim? Que apenas se retribui de forma mútua e contínua e que cresce mais e mais? Porque eu acreditava que era sim possível e eu vivia isso todos os dias, cada dia eu amava mais Sesshoumaru, a cada dia eu me apaixonava por algo novo e a cada dia eu sentia o quanto era amada. Sua mão afagou meu rosto, nossas testas se tocando, ah, eu o amava como se fosse a primeira vez.

Quando seus lábios tomaram os meus eu me perdi neles, me entreguei a ele como sempre fazia, de corpo e alma. E eu sabia que ele fazia da mesma forma, porque era assim que éramos, florescia a cada dia um ramo novo em nossa árvore de amor e ela era tão grande que às vezes explodia ao nosso redor, trazendo aquelas sensações de amor e êxtase.

— Eu te amo — eu disse quando ele se retirou de mim e eu acariciei seu rosto — Até a eternidade.

— Eu te amo — ele respondeu me dando um selinho. E eu sabia que ele amava.

Nós entregamos novamente a aquele calor e por ele eu me queimaria todas as vezes.

—-

O som dos saltos contra o piso de linóleo atraia a atenção das pessoas ao redor, porém nada importava para ela, tinha pressa de chegar, estar com ela nesse momento tão especial, não fora para isso que havia se esforçado tanto?!

O longo corredor parecia grande demais para ela, porém continuava a seguir, faltava apenas mais dois quartos, porém quando abriu a porta o choro chegou até ela. Havia nascido.

Observou as pessoas e seu coração começou a bater em solavancos, os dois estavam ali, olhando o pequeno bebê em seu colo, o homem usava roupas esportivas e os olhos azuis estavam banhados em lágrimas, já a mulher olhava a criança com um fascínio encantador, era uma cena linda de se ver. Fechou a porta atraindo assim a atenção de ambos.

— Doutora Taisho! — a voz da senhora Higurashi chegou até ela, parecia música aos seus ouvidos — Querido, essa é a doutora Kaguya Taisho, ela que fez o acompanhamento da nossa bebê.

— Muito obrigado, doutora! — ele disse estendendo a mão que a mulher prontamente apertou.

— Já escolheram o nome? — a médica perguntou enquanto observava a mulher com carinho, porém ela não olhava para si e sim para a filha nos braços.

— Kagome — ela disse olhando para a criança e ela sentiu seu coração se aquecer e as lágrimas envolver-lhe — Minha pequena luz.

— Lindo nome — a mulher disse com um pouco de dificuldade, precisava sair dali. Despediu-se de ambos e saiu da sala, antes de fechar a porta teve um último vislumbre de seus pais, como sentia falta deles.

Caminhou apenas alguns passos no corredor quando o viu ali parado, claramente lhe aguardando. Ele sempre seria sua força e seu alicerce no fim, porque ela era totalmente e inegavelmente apaixonada por aquele homem que lhe olhava com ternura. Ela se aproximou dele, gostava da aparência atual dele, os cabelos curtos e pintados de preto, vestido num terno elegante.

— Parabéns querida — ele disse me estendendo o buquê de rosas vermelhas — Vamos para casa.

— Obrigada — ela respondeu pegando o buquê.

Ele sempre a surpreenderia no fim e ela torcia para que aquela Kagome chegasse onde eles estavam hoje. E que o destino deles estivessem sempre entrelaçados.

FIM.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!