Flamel
10 Sacrifício Negado
Notas iniciais
– Foram os jandarianos ? – Perguntei.
– Pode ir Ryan, ficarei bem. – Disse Therese sorrindo.
– Vamos logo! – Amohi me apressava, provavelmente era algo de extrema urgencia.
– Como chegaremos lá se é tão urgente ?
– Vamos naquilo. – Amohi apontava para uma Harley Davidson preta.
– Como você conseguiu isso ?
– Minha Harley 1200 Custom ? É uma longa história, vamos logo. – Disse Amohi enquanto me dava um capacete e colocava o seu.
No caminho ele me contou sobre uma história que ele e Mary vieram para a terra e tinham o dinheiro contado pra viver aqui, mas desde que ele viu essa moto em uma concessionaria, ele não conseguiu tirar os olhos dela e gastou todas as economias que eles tinham pra sobreviver e comprou esse veículo.
Depois quando eu perguntei como eles sobrevivem na terra, ele apenas disse que faz diversos bicos e trabalha a noite em uma lanchonete. Pelo que ele me disse, a vida dele melhorou muito depois que eles vieram "morar" comigo, pois agora ele não precisa mais pagar aluguel nem nada. Só assim que Mary parou de pegar no pé dele e culpa-lo por não terem um lugar fixo para morar
Rapidamente nós chegamos na minha rua. No inicio dela, haviam duas pessoas encapuzadas que bloqueavam nossa passagem. Droga, isso está ficando muito estranho, será que a Mary está sendo prisioneira ? Provavelmente não, ela é forte demais para isso, mas se parar pra pensar, são muitos jandarianos para ela sozinha.
– Parece que por aqui não conseguiremos passar, você conhece outra forma de chegar até sua casa ? – Disse Amohi em tom sério e com uma cara extremamente preocupada.
– Pelos esgotos talvez, se não me engano há um bueiro perto da minha casa, podemos tentar por lá.
– Arriscado demais, talvez esteja na hora de tentar um ataque suicida, mas sutil. – Amohi sorria.
– Espere, o que... – Minhas palavras foram interrompidas pelo estrondoso som vindo da moto em que eu estou montado.
Com grande velocidade, nós atropelamos meia dúzia de guardas jandarianos. Todos os que conseguiam ficar de pé eram atingidor pela flamel de Amohi. Nós avançamos muita coisa em pouco tempo, e de alguma forma, nós conseguimos quebrar metade do muro que envolve minha casa e destruir metade do jardim. Onde está a parte sutil do plano ? Só quero saber quem limpará essa bagunça.
– Finalmente conseguimos passar por eles. Eu vou na frente abrindo o caminho, fique atrás de mim para que não nos ataquem de surpresa.
– Ok, duas perguntas, quem limpará a bagunça que você ? fez e onde ela está ? – Indaguei.
– Com relação a bagunça, nós daremos um jeito. Eles provavelmente no seu quarto. Eles ligarão um rastreador para saber quem é você. Como eu disse anteriormente, o serviço de inteligencia deles é bem ruim, então eles não sabem quem é você. Talvez podemos usar aquela carta na manga... – Amohi coçava o queixo e segurava sua flamel com mais firmeza.
– Carta na manga ? O que você quer dizer com isso ? – Perguntei sem entender o sentido de suas palavras.
– Não temos tempo para isso, vamos logo ou será tarde demais.
Nós entramos pelas portas dos fundos, que estranhamente estava sem ninguém para vigiar. A cozinha estava vazia, mas dela, nós conseguíamos notar a presença de três jandarianos e suas flamels prontos para a batalha na sala. Eu não estranhei isso, pois fizemos muito alarde e logo chegariam mais tropas para "defender o castelo".
– Droga... Não poderemos evitar confronto. Ryan, preciso que você me ajude a dar cabo daqueles três e dos mais que virão, ok ?
– Relaxa, tentarei não perder o controle.
– Então vamos... – Amohi levantou-se e gritou. – Ei, seus idiotas, me disseram que vocês não sabem usar as flamels é verdade ?
Enquanto os dois iam na direção de Amohi, eu aproveitei a distração deles e me esgueirei até a escada que fica bem ao lado de onde eles estavam, e sorrateiramente cravei a Eligor na perna do soldado que estava mais recuado, supostamente protegendo a retaguarda dos outros. Depois que eles me notaram, eu girei meu corpo tirando minha flamel do joelho do jandariano e bati com pomo dela no queixo do mesmo, nocauteando-o.
– Interessante movimento Ryan, minha vez de fazer algo legal. – Disse Amohi correndo de encontro a um dos soldados.
Logo vejo o meu guarda-costas fazendo uma acrobacia no ar e caindo atrás do inimigo, mas diferente do que eu achei, ele decapitou o soldado enquanto estava girando no ar, mas a cabeça só caiu do corpo quando ele "pousou" em uma pose. Que engraçado, essa cena se encaixaria perfeitamente em uma versão sangrenta de Power Rangers. No que eu estou pensando ? Tenho um inimigo bem na minha frente e pelo que posso perceber, ele ganha de mim no quesito força.
– Podem parar. Nós já temos o que queríamos, não é ? – Disse um homem que descia as escadas com Mary inconsciente e amordaçada em seu colo.
Esse homem era pardo, seus cabelos castanhos e grandes que vinham até seus ombros. Em seu olhar castanho escuro, havia um misto de frieza e aspereza. No seu rosto, ele tinha várias cicatrizes, mas uma em particular me assustava, ela passava da testa até a bochecha, mas felizmente ou não, seu olho estava intacto. Ele vestia uma armadura prateada e bem sinuosa. Todos os músculos que ele tinha, estavam todos bem demonstrados pela camada de metal que cobria seu corpo, igual a uma armadura romana, mas ela o cobria completamente até as mãos. Todos os entalhes de sua proteção, pareciam chamas douradas que circundavam todos os cantos da armadura, dando assim, um ar elitizado ao seu usuário.
– Vocês me ouviram, chega dessa palhaçada. A não ser que vocês queiram ser mortos aqui mesmo. Como sabem, me chamam de Gorah Suicith, e não é atoa, não ligo se por acidente, eu acabar matando todos os meus soldados. – Essas palavras foram completadas por uma risada incontrolável e digna de um psicopata.
– Solte a Mary, senão eu vou... eu vou... – Minha voz simplesmente não saia, provavelmente por estar com muito medo da imponência desse homem.
– Que bonitinho, então é esse tipo de pessoa que a resistência manda para a linha de frente. Você parece mais um franguinho assustado, mas fique tranquilo, não mataremos a escolhida, não por enquanto. E vocês dois, saibam que falharam em protege-la, logo vocês também terão mais cedo ou mais tarde, o mesmo destino que ela. – Disse o homem dando um leve beijo na testa de Mary.
– O que você quer dizer com isso ? Vocês não estavam atrás de m... – Fui interrompido pela mão de Amohi batendo no meu ombro.
– Reconhecemos nossa falha e nossa inferioridade, nós não tentaremos resgata-la. Só não queremos morrer aqui. – Disse Amohi com um olhar totalmente perdido e sombrio, mas só quem o conhece, saberia perceber isso.
– Entendo, sorte de vocês que eu estou de bom humor, espero vê-los nunca mais, talvez quando eu decidir mata-los em Jandar. Adeus. – Disse o homem que desapareceu com Mary e todos os seus soldados.
– Amohi o que aconteceu aqui ? Porque você me interrompeu ? E porque eles levaram a Mary, sendo que eles estavam atrás de mim ? – Perguntei inutilmente, pois eu sei que Amohi está pensando em várias outras coisas.
– Ryan, ele mesmo disse que é conhecido como Gorah Suicith, que em Jandariano significa Mão Suicida, isso quer dizer que ele é o famoso Gastin que assassinou vários de seus subordinados apenas por diversão. A armadura dele é a de um capitão, então só Mary conseguiria mata-lo. Desde o inicio nós estávamos em desvantagem. E não se engane, você lembra que eles não sabem quem é o escolhido, não é ? Ela se aproveitou dessas falta de informação e impregnou o DNA dela em todos os cantos da casa, para que assim, eles pensem que ela é a escolhida e você é somente um aprendiz da resistência. – Amohi estava com um olhar triste, provavelmente, tal atitude era contra tudo o que ele acreditava, mas ele sequer demonstrava isso.
– Espere um momento, ela fez isso para que a levem em meu lugar ? – Perguntei mesmo sabendo a resposta.
– S-sim... Fui contra desde o inicio, mas ela é muito teimosa e cabeça dura. Desde que eu soube, eu fui convencido por ela que essa era a melhor forma de eu leva-lo para Jandar com segurança. – A voz de Amohi denotava um ar de tristeza profunda. – A decisão dela foi tomada e nós só podemos seguir o plano para que tudo isso não tenha sido em vão.
– Em vão ? Em vão ?! Tudo em que eu acredito irá por água a baixo se deixarmos nossos amigos para trás. Amohi, não vejo sentido em toda essa guerra e muito menos em todo esse sacrifício de Mary pela minha pessoa, mas eu não vou deixar uma amiga para trás só para curar a ambição de alguém.
– De alguém ?! Não fale como se você conhecesse o assunto. – Os olhos de Amohi estavam em chamas e a cada palavra, ele segurava sua flamel com mais força. – Todo um planeta está esperando seu retorno. Você não entende, toda uma raça está pondo toda sua fé em você, não me venha com esse sermão idiota.
– Como você quer que eu seja a esperança de toda uma raça, se eu não posso nem salvar uma amiga ? Qual o sentido de liderar algo se eu não puser meu coração nisso ? Me responda Amohi ! Quero saber se você a odeia ao ponto de deixa-la a mercê daqueles idiotas, me responda agora !
Ele permanecia em um silencio absoluto. Eu sabia que essa era uma pergunta sem resposta. Um eco percorreu toda a casa, até o momento que vi uma lágrima escorrer dos olhos do homem que estava na minha frente. E depois dela, vieram várias outras, até o ponto que aquele ser com estatura elevadíssima desabou em lágrimas.Provavelmente, ele não esperava que isso iria acontecer e ele teve de se sentar na escada, pois suas pernas não o obedeciam mais. Sentei ao seu lado e apenas fiquei ali parado esperando ele terminar de lavar sua alma e se recompor.
– Eu não queria que ela fosse, eu... eu não queria perde-la. Eu a amo tanto, mas tudo que ela tem na cabeça é essa missão idiota. – Disse Amohi com uma voz tristonha e chorosa.
– Você já tentou falar sobre seus sentimentos para ela ? – Indaguei.
– Sim, mas ela disse que não me vê desse jeito e ela ama um outro alguém.
– Entendo, saiba que esse não é o fim do mundo, viva sua vida e nunca mude com ela, nunca mesmo. Não podemos desperdiçar amizades preciosas por um pequeno egoísmo do nosso coração. – Fiz uma leve pausa. – Vamos Amohi, com essas suas ultimas palavras você me mostrou que compartilha do mesmo sentimento que eu. Nós vamos resgatar Mary e todos iremos para Jandar juntos, ok ? – Disse enquanto levantava e sacudia a poeira e estendia a mão para Amohi.
– Você compreende que quando ela nos ver, nos matará, certo ? – Depois de dizer essas palavras, Amohi voltava a ser o sorridente de sempre.
– Sim, mas pensamos nisso depois. Temos de dormir, pois amanhã será um dia cheio. – Dei um sorriso de retribuição enquanto subia lentamente as escadas para o meu quarto.
– Ryan, uma ultima coisa. Obrigado por não me deixar ir contra o que eu acredito. – Amohi estendia a mão para dar um aperto na minha.
– Que isso cara, somos amigos e pode contar comigo. – Dei um tapa na mão aberta de Amohi e ele ficou com uma cara de "não entendi". – Boa noite e trate de descansar.
Notas finais
Welldone, Cya.
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