Flamel

18 Rompimento


Notas iniciais
Yo, vocês ainda estão aí? Cada vez tenho menos tempo pra escrever e mais coisas para colocar no papel. Acho que isso é bom, né? Enfim, fique com um capítulo bombástico que eu gostei bastante de ter escrito. Welldone, Enjoy!

Mary me conduz por aqueles corredores frios sem dizer palavra alguma. Voltamos para aquele palanque no meio do salão. Estranho que agora só tem uma pessoa encapuzada e debruçada numa mesa que fica próxima do lugar onde estamos. Muito estranho.

— Pronto? – Indagou Mary.

— Pronto para o que?

— Isso é um sim, pode nos teletransportar.

Um clarão percorreu meu corpo e paramos em baixo de uma árvore no meio de um campo de flores. Várias cores e vários aromas preencheram meus olhos e meu nariz. Senti uma leve brisa percorrer meu corpo, tão suave como um gesto de carinho e ternura.

— Meus pais costumavam me trazer aqui. – Disse Mary apoiando-se levemente no tronco da árvore.

— É muito bonito e aconchegante. Pelo que vejo, você vem aqui pra pensar.

— Sim. As vezes eu sou tão fácil de ler, né? – Disse Mary enquanto esboçava um leve sorriso.

— Esses momentos são raros. Você ainda é uma incógnita pra mim. Sinto como se não soubesse nada de você, como se cada vez que estamos mais juntos, estamos mais longe um do outro. – Disse olhando em seus olhos.

— Não fique aborrecido, a minha vida me fez ser assim. Sou muito fechada, mas em alguns momentos e com a pessoa certa, eu me torno uma pessoa cristalina. – Mary me fitava com tanta intensidade.

— Você tá usando esse lugar pra se expressar melhor, mas algo me diz que eu não vou sair daqui muito feliz.

— Viu? Não estou acostumada a esse tipo de coisa. Prefiro meu lado misterioso. Vou direto ao ponto. Te trouxe aqui pra te dizer que não podemos fazer mais esses joguinhos. Vi como você ficou quando teve de fazer aquela demonstração com Galter. Conheço ele desde pequena, ele se sente incomodado por você ter passado tanto tempo comigo na terra. Ciumes, por assim dizer. Quando meus pais morreram, a família dele me adotou como se eu fosse a filha deles. Sabe o que é isso? Tenho um débito enorme e por isso eu não posso deixar que você atrapalhe tudo que construí com ele. – Mary não me fitava nos olhos, ela não queria que meu olhar encontrasse com o dela.

— No final das contas, eu era só mais uma missão pra você. Todos aqueles olhares, aquelas vezes que eu acordava e você estava do meu lado na cama, tudo aquilo era pra me seduzir e me fazer vir com você, não é? O quanto você gosta de brincar com os sentimentos das outras pessoas? Cara, como isso dói. Fui um idiota mesmo. – Disse enquanto uma dor inimaginável lacerava meu peito.

Procurei por uns instantes o olhar dela, precisava confirmar se era verdade, se aquelas palavras não eram da boca pra fora. Tudo que obtive foi um olhar que penetrou minha alma como uma lança confirmando meus medos e meus receios. Tudo que eu sentia por Mary, foi planejado para fazer a missão dela mais fácil.

— Agora você já pode ir, ainda vou ficar aqui um pouco mais de tempo, seria estranho as pessoas nos verem chegando juntos. – Disse Mary apontando para um círculo desenhado no chão feito pelo nosso teletransporte

— Entendi.

A luz novamente percorre meu corpo, mas momentos antes de me teletransportar, Mary olha para trás e me fita. Seus olhos… Eles eram de alguém que estaria prestes a chorar com todas as suas forças. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, percebo que ela quer ficar sozinha e deixo o teletransporte agir.

Pra minha surpresa, não voltei ao palanque, mas sim ao meu quarto. Eu estava sozinho e precisava ficar assim, pelo menos isso estava dando certo no meu dia. Refletir sobre o ponto de vista de Mary era mais do que necessário para essa dor diminuir. Sei que ela escolheu muito bem suas palavras. Ela queria que os meus sentimentos sumissem para que ela possa ser a noiva fiel que sempre foi. Aqueles olhos não saem da minha mente. Nunca a vi assim. Ela sempre foi forte e durona demais pra transparecer qualquer coisa.

Se é o que ela deseja, assim o farei. Vou me focar o máximo na minha missão de “salvador”, ou seja lá o que for que eles querem que eu seja. Vou conversar com Amohi para me treinar e logo ir para o campo de batalha, quanto menos tempo gastar aqui, mais rápido estarei em casa com meus amigos novamente. Como será que eles estão agora? Já terminaram o ensino médio e alguns podem estar na faculdade e outros sem fazer nada.

Logo de manhã, saio pela porta do meu quarto e logo me deparo com Amohi com um olhar investigador.

— Bom dia, Ryan! Conseguiu dormir bem? Julgando pela sua cara, aquela conversa com a Mary foi realmente terrível.

— Nem tanto, só estou mais decidido a treinar duro e ajudá-los na guerra. – Disse de uma forma um pouco ríspida.

— Entendi. Mary me incumbiu de ser seu treinador na especialidade de resistência. Está pronto?

— S-sim!

Andamos novamente por aqueles corredores e mesmo depois de passar do salão que lutei com Galter, continuamos andando até chegar a um portão imenso. Ouvi palavras como “Abram o portão, o rei vai passar.” de um dos guardas. A fortaleza era envolta por muralhas enormes e de rocha sólida. O único lugar que não era coberto pelo muro, era a parte de trás, lá estava uma montanha que fazia uma espécie de defesa perfeita.

— Imponente, né? – Disse Amohi enquanto acenava com a cabeça.

— Sim, estou impressionado. Me bateu uma dúvida, como vocês conseguiram conquistar esse lugar?

— Acredite, só foi necessário um de nós para acabar com tudo isso aqui e você já a conhece. Mary se infiltrou entre os guardas a noite e logo pelo amanhecer, já tinha se livrado de todos os 200 soldados que aqui estavam. A velocidade que ela mostrou naquele dia não é nem metade do que ela pode fazer. Muitas de suas vítimas não sabem o que as atingiram. Não é a toa que ela é temida por todos.

— Entendi. Vamos começar o treinamento? – Indaguei.

— Espera, essa era minha fala! Que droga. Bom, vamos ao básico. O que vai fazer a diferença na quantidade de dano que você vai resistir está na sua força de vontade e na sua autoconfiança. Vou traduzir melhor. Você tem de ter segurança de que é capaz de resistir aquele golpe. Lembra de quando quebrou a pilastra e ela caiu em você? Você só não se feriu gravemente porque uma parte de você tinha certeza de que não se feriria, entendeu? Uma última coisa, sempre que seu oponente souber que você usa a especialidade de resistência, ele vai tentar te fazer desacreditar, mexer com sua confiança, não deixe isso acontecer. – Amohi deixou um tom de tensão no ar que logo foi desfeito. – Vamos? Ative sua especialidade que eu vou começar seu treinamento.

— Ok. Manter meu foco e não deixar mexerem com minha cabeça.

— Você aprende rápido.

E assim várias horas foram passando e Amohi me golpeava de várias formas com socos e chutes. Minha autoconfiança foi testada. Logo descobri que não tenho muito dela em mim. Talvez isso seja um reflexo da vida que tive antes de encontrar meus amigos.

Logo almoçamos e já era de tarde quando Amohi veio ao meu encontro novamente.

— Desculpe a demora, fui buscar sua professora na especialidade de velocidade. Deixe-me apresentá-lo a Ilumi. – Disse Amohi enquanto coçava a cabeça.

Quando meus olhos se deparam com os dela, tenho uma sensação de paz e tranquilidade. Ela tem por volta de 1,70 m e cabelo loiro e liso até o meio das costas. Seus olhos eram grandes e marcantes. A cor violeta de seu olhar, hipnotizava.

— Prazer em conhecê-lo, Majestade. – Disse Ilumi enquanto abria um sorriso.

— Pode me chamar de Ryan, não sou acostumado com esse tipo de coisa. – Devolvi o sorriso e apertei a mão dela.

— Pode ir Amohi, eu assumo daqui. – Disse Ilumi com um daqueles olhares que eu pensei que só a Mary era capaz de fazer.

— Vê se pega leve, ele nunca usou as especialidades de verdade. Ryan, me encontre depois pra falar como foi. Boa sorte, ela é um pouco perfeccionista.

— Sem problemas, vou me esforçar. – Disse enquanto eu soltava mais um daqueles sorrisos vazios.

— Bom, vamos lá. Como deve ter notado, sou um pouco diferente dos Jandarianos por aqui. Sou da divisão de inteligência igual Mary e Amohi. Meu DNA foi modificado várias vezes para que eu me infiltrasse nos planetas onde minhas missões estavam. Essa última modificação foi para que eu ficasse parecida com uma terráquea para que você não me estranhasse muito. – Disse Ilumi enquanto andava na direção a uma espécie de pista de atletismo que estavam perto de nós.

— Obrigado por terem tanto zelo comigo, obrigado mesmo.. – Disse de forma um pouco vazia. O nome de Mary ainda me incomodava. – Mas isso não te afeta de alguma forma?

— Eu que agradeço, minha pele estava horrível na última missão. – Ilumi me olhou e deu uma risada tão doce e gentil que toda aquela tensão saiu dos meus ombros. – Fique tranquilo só algumas características físicas são integradas a minha. Quanto ao seu treinamento, nos sairemos bem, ok? Pode deixar que não citarei o nome daquela pessoa de novo. Todos no regimento estão falando sobre como ela está ácida ultimamente.

— Entendo.

Percebendo a rispidez do meu tom de voz, Ilumi se vira e fica de frente pra mim. A brisa balança seu cabelo levemente. Algo me diz que ela está jogando seu charme, uma vez que Mary está fora da jogada.

— Me desculpe, vamos ao treinamento? Vou fazer uma pergunta básica. Porque você quer ser rápido? – Perguntou enquanto arrumava sua franja que foi levemente bagunçada pelo vento.

— Porque eu quero salvar as outras pessoas. Acho que talvez esse seja o motivo.

— É uma boa resposta, mas precisa ser algo mais íntimo. Pense no que você quer proteger, pense nos seus amigos, na sua família, esse tipo de coisa. Vou te dar um exemplo, quando eu penso no sacrifício dos meus pais para me salvar, me sinto muito mais rápida do que normalmente sou, entende? – A voz de Ilumi ficou um pouco instável quando ela falou sobre seus pais.

Ela é como eu? Meus pais também se sacrificaram para me salvar. Ela passou por quase a mesma coisa que eu, talvez eu tenha encontrado alguém que vai ser uma grande amiga. Estou bastante feliz por tê-la conhecido. Alguém que possa entender o que eu passei.

— Ryan, você está aí? – Disse Ilumi enquanto acenava para chamar minha atenção.

— Me desculpe, me distraí por um segundo.

— Não tem problema, ative sua especialidade e vamos treinar, certo? Quero que use seus pensamentos para te dar um empurrão. Primeiro, vamos testar a precisão dos seus movimentos, aquele dia no salão principal foi um pouco desastroso. – Ilumi apontava para a pista que estava perto de nós.

Respiro fundo e deixo a energia percorrer meu corpo. A imagem de meus amigos percorre minha mente. Cada vez mais sou preenchido pela vontade de protegê-los. Assim que me sinto preparado, faço o trajeto.

Minha velocidade é assustadora, é ainda maior do que aquele dia no salão. Tomo muito cuidado para não cair. Percorro o trajeto sem nenhum problema e logo paro ao lado de Ilumi.

— Muito bom Majestade, percebi que você tomou cuidado e isso te fez perder velocidade. Vou te mostrar como isso é realmente feito, ok?

— Ok.

Logo Ilumi virou um borrão na frente dos meus olhos. Eu quase não a via. Como alguém podia ser tão rápido? Percebi que ela estava tão rápida e eu estava tão concentrado observando-a, que a neve que antes caia, estava quase estacionada ao nosso redor.

— E aí? O que achou? – Disse ela enquanto apoiava sua mão em meu ombro.

— Isso foi lindo. O jeito que seu cabelo contrastava com a neve e sua velocidade de relâmpago. Você é muito forte. – Meus olhos fitavam os dela intensamente.

— Que isso, foi nada demais. – Disse Ilumi enquanto ruborizava e desviava o olhar. – Seu treinamento terminou por aqui. Pense a respeito do que eu te disse, encontre o que te fazer querer ser mais rápido e mais forte. A força da sua especialização, vem da sua mente.

— Entendi, obrigado por ser paciente comigo. Pode ir na frente, vou me encontrar com Amohi.

— Tudo bem Majes… Ryan! Vou me acostumar com isso um dia. – Disse Ilumi enquanto acenava e sua silhueta sumia da minha vista.

Ilumi é uma pessoa muito interessante, mas algo me diz que eu devo manter um certo zelo sobre o quanto ela sabe de mim. Ter a infância e a adolescência que tive só dificultou minha relação com as pessoas. Tenho de pensar sobre os sentimentos que me fazer querer ser mais forte e ser mais rápido. Já vi que vou me atrapalhar com isso. Tenho bastante problema pra enfrentar meus sentimentos. Como suspeitava, Mary também ficou sentida com o nosso “rompimento”.

Enquanto vago em meus pensamentos, um sentimento de insegurança invade meu ser. Vejo uma correria e logo ouço uma explosão vindo da outra parte da muralha. Corro para lá e me deparo com um buraco no muro que nos protegia.

— Então quer dizer que é aqui que vocês estão se escondendo? – Disse um homem encapuzado com uma flamel na forma de duas espadas.

Observei e vi vários homens e mulheres, 10 dentro da muralha e o resto do lado de fora.

— Ryan, você tá a fim de mostrar um pouco de força pros seus súditos? – Disse Amohi enquanto seu corpo era preenchido pela energia de sua flamel.

— Não se esqueça de mim, vamos acabar com eles. – Disse Ilumi.

— Estou muito mais confiante com vocês dois ao meu lado.

Notas finais
Como a Mary foi capaz de dizer aquelas coisas? Seria Ilumi uma forma de fazer o Ryan esquecer a Mary? Acompanhe nos próximos capítulos. Espero que tenha ficado coerente a decisão que a Mary tomou. Você faria o mesmo no lugar dela? Mande Reviews. Welldone, Cya.