Flamel
7 Confiança
Notas iniciais
Boa leitura.
– Ryan, pode me explicar o que está acontecendo ? – Exclamou Therese que por sinal não tinha ido para casa, ela continuava com o uniforme do Fatores.
– Eu que te pergunto, você fica me rondando no colégio e fica vigiando minha casa ? Você está com os Jandarianos ?
– Jandarianos ? Eles são uma banda de rock ? – Logo após dizer essas palavras, Therese gritou de dor quando Mary apertou seus braços, iniciando assim um tipo de tortura.
– Diga-nos a verdade, você está com eles ou não ? – Indagou Mary, que ia apertando mais e mais o braço de Therese.
– Eu não sei do que vocês estão falando, só quero ir embora, nunca mais acharei que o Ryan é um imortal.
– Solte-a Mary, ela está dizendo a verdade. Pode confiar em mim.
– Você ouviu sua gorila ruiva, solte-me. – Disse Therese enquanto Mary ia pouco a pouco soltando aquele braço que já ficara levemente roxo.
– Mary, deixe-nos a sós. – Disse fitando aquela menina cujo os cabelos rubros estavam sendo iluminados pela luz do luar que entrava pela janela da sala.
– Fique com isso, por precaução. – Disse Mary enquanto apontava para a flamel que estava no teto da minha sala.
– Acho que não precisarei. – Disse enquanto ela estava subindo as escadas me ignorando completamente.
– Então ela te transformou em um imortal mesmo não é ? – Começou Therese.
– Na verdade é algo mais complicado do que isso. Sinto que devo te contar o que houve comigo durante esse ano, sei que você não iria parar de investigar até que Mary te matasse ou você descobrisse tudo. – Pela expressão que Therese fazia, ela estava com um frio bem no fundo da espinha e até um medo de morrer.
– Você ainda é o Ryan que eu conheço, não é ? Tudo em você está diferente.
– Sente-se, diga-me o que você tem em mente, enquanto isso farei um chá para nós. – Disse enquanto ia para cozinha fazer o que havia prometido.
– Segundo meus livros, você virou um ser sobrenatural, sendo um vampiro, lobisomem ou um imortal. – Therese fez uma pausa e começou a me observar, até alguns segundos depois em que ela começou a falar novamente. – O que eu tenho certeza é que, desde que aquela mulher chegou, você não é mais o mesmo todos estão preocupados com você.
– Não sou nenhuma das coisas que você falou aí, na verdade, não sei ao certo o que sou. Mary está me ajudando a descobrir o que houve comigo desde que ela me deu um soro que curou minha feridas.
– Soro da imortalidade. – Disse Therese com o fogo de seus olhos totalmente restaurado.
– Acho que não, pois eu li aquele seu livro e além de eu estar no meu auge do porte físico, essa transformação me trouxe algumas habilidades que eu não compreendo. – Parei um pouco, logo percebi que ela estava admirando a flamel.
– Aquela peça que seu irmão te enviou não é realmente dele, né ? – Disse Therese apontando para aquela lança enorme que estava no teto de minha sala.
– Não, aquilo é uma arma que a Mary está me ensinando a utilizar para que eu me defenda dos jandarianos que estão aqui na cidade. Pelo jeito eles querem minha morte, pois já foram três ataques e nesse ultimo aquela lança reagiu a meu espírito e matou alguns deles de uma vez.
– Você sabia que essa história poderia virar um livro ? – Aqueles olhos estavam inflamando uma chama que brilhava e contrastava com aqueles cabelos castanhos que ela possuía.
–Só se você escreve-lo, te deixarei atualizada sobre tudo que eu souber dessa trama, afinal, sei que você irá descobrir de um jeito ou de outro, mas me prometa uma coisa, não conte a ninguém, quanto menos pessoas estiverem envolvidas, menos pessoas que eu gosto estarão em risco, ok ?
– Sem problema Rei Ryan. – Disse ela dando uma piscadela sinalizando cumplicidade.
– Eu rei ? Como assim ?
– Meu sexto sentido está me dizendo algo assim.
– Se você acha... – Sou interrompido por Mary que está descendo as escadas com Amohi.
– Quem é ele ? Ele me é familiar. – Disse Therese com um tom investigativo.
– O nome dele é Amohi e ele será seu segurança pessoal, já que Ryan decidiu te envolver nisso, não tenho escolhas. – Disse Mary sem perder seu tom gélido de sempre.
– Vejo que está na hora de eu ir, mas ainda continuarei de olho em vocês, afinal, essa história ainda terá muito o que falar. – Disse Therese que já se encontrava ao lado da porta e daquela figura alta e sempre encapuzada.
– Amohi, tome conta dela, ela é importante pra mim.
– Pode deixar, farei meu melhor. – Disse Amohi se despedindo e caminhando com Therese até sumir algumas esquinas depois.
– Ryan, você pôs uma pessoa em perigo e ainda por cima, falou de seu segredo para ela. Isso é decepcionante. – Mary estava quase possessa de raiva.
– Mary, ao contrário de você, eu tenho sentimentos e não gosto de guardar segredos dos meus amigos, sei que eles estarão em perigo, mas isso é provisório, afinal estamos treinando para que nós possamos resolver todos os nossos problemas e você poderá no fim se livrar de mim que sou um fardo para sua vida. – Rebati com um tom que demostrava uma raiva tão destruidora quanto um furacão.
Mary apenas me fitou com um olhar inicialmente de raiva, mas que depois foi se tornando um de tristeza e logo a seguir, consegui ver uma lágrima que começou a escorrer em seu rosto antes que ela desaparecesse novamente.
Droga, peguei pesado demais.
– Mary, eu sei que você está aqui, afinal, você não pode sair do perímetro da minha casa. Olha, me desculpa, eu não quis dizer aquelas coisas. Eu só estou estressado com toda a pressão que foi o dia de hoje. – Esperei alguma reação de algum cômodo da casa, mas foi inútil.
Vou deitar, amanhã terei treinamento e algo me diz que não será muito confortável para minha pessoa. Mary vai querer arrancar meu couro. Vou para o banheiro que fica na parte de baixo da casa e tomo um tão merecido banho e pus-me a tentar dormir, o que não foi tão difícil, Mary acabou comigo hoje.
...
Acordo no meio a madrugada em uma posição de lado que só me dava a visão de minha cômoda, deixando a área de janela como meu ponto cego. "Não lembro de ter aberto a janela" pensei comigo mesmo, logo percebo a presença de alguém do meu lado na cama. Um frio gelado percorre minha espinha e começo a virar lentamente para ver de quem se trata.
– Não vire, não conseguirei dizer essas coisas se você estiver me olhando. – Disse a voz que automaticamente identifiquei como a da menina de cabelos rubros.
– Mary... Me desculp... – Começo a falar e logo sou interrompido.
– Não fale. Somente ouça. – Sua voz estava trêmula demais para ela estar bem. – Ryan, eu vim para esse lugar sem saber dos costumes e do jeito humano de ser. Como dizem por aqui, Caí de paraquedas. Me desculpe por mais cedo, se eu quiser te proteger, eu tenho de confiar mais em você. Percebo que nunca entraremos em total sintonia, mas quero que confie em mim também, você é meu primeiro amigo e não quero mais brigar com você assim.
– Mary... Eu... – Sou interrompido novamente por um abraço que induzia um calor aconchegante e de uma maciez inexplicável.
– Ryan, boa noite. – Disse Mary afagando seu rosto em minha nuca e desaparecendo logo em seguida.
...
Acordo realmente disposto a esquecer a briga que tive ontem com Mary, afinal, entendo o que ela está vivendo nesse lugar totalmente diferente do que ela está acostumada, tentarei ser mais paciente com ela, mas acho uma batalha já perdida, toda vez que vejo aqueles cabelos vermelhos dançando ao vento e emanando todo o calor que existe no sol, já perco todas as forças que tenho para brigar com ela.
Vou ao banheiro fazer meus hábitos matinais e logo em seguida ponho a primeira roupa que apareceu em minha frente. Quando fui perceber, eu estava com uma camisa havaiana com cores bem quentes, um bermudão e chinelos. Eu me dirijo a sala, lá sou abordado por Mary. Ela vestia uma blusa azul marinho, que contrastava com seus cabelos vermelhos que se encontravam presos em um rabo de cavalo e um short jeans preto.
– Bom dia Ryan, pronto para o treinamento ? – Perguntou Mary com as sobrancelhas arqueadas, provavelmente esperando um fio de animação por minha parte.
– Sim, mas me conte antes o que faremos. Não quero apanhar como no outro dia. – Disse rindo e coçando a nuca.
– Faremos do seu jeito, mas só porque estou de bom humor. Aprenderemos a meditar para utilizar o Tyfah oon Kruxim. Essa aula será inteiramente usando nossas flamels.
– Tyfah... Interessante, vamos começar então.
Pego em minha lança e pelo contrário do que eu achei, não consegui perceber nenhum rastro daquela energia que falou comigo na ultima vez que a empunhei.
– O nome de sua flamel é Eligor. – Disse Mary fazendo uma pausa e ficando assombrosamente silenciosa. – Ela é chamada assim, pois há uma lenda que a ronda desde que ela foi criada. Ela é a flamel mestre de outras cinquenta e alguns rumores dizem que ela foi empunhada pelo próprio Onir, nem eu consigo utiliza-la, eu só a trouxe comigo porque era a única flamel que estava sobrando.
– Onir ? E você não consegue empunha-la ? – Indaguei surpreso.
– Sim, mas isso não é aula para hoje, você está preparado ? – Mary já sentava em forma de lótus na frente de sua flamel que estava cravada no chão.
– Claro. – Logo sentei e repeti a posição que ela se encontrava.
– Agora que estamos nessa posição, tente se concentrar na energia que você sentiu naquele dia em que empunhou a Eligor. Toda aquela massa densa de vontade e toda a escuridão que ela portava.
Logo que me lembrei e me concentrei em todas as sensações que eu senti, sinto a flamel e ficar quente e começar a responder a minha energia. Logo entramos em sintonia, mas não consigo ouvir aquela voz.
– Pronto, agora só precisamos focar no golpe, lembre-se as palavras são Tyfah oon Kruxim e você tem de dize-las como se seu pulmão estivesse em chamas e sua vida dependesse disso.
Empunhei a Eligor e me concentrei.
– Tyfah onn Kruxim! – Tudo que vi foi somente um leve deslocamento de ar em direção a Mary.
– Isso é um bom começo, mas terei de apressar os resultados do meu jeito. – Logo que ela disse isso, Mary me atacava para matar.
– Mary, o que você está fazendo ?!
A ruiva não dizia nada e tudo que eu fazia era me defender. Seus ataques aumentavam de velocidade cada vez mais, até que em um de meus vacilos, ela consegue me ferir profundamente no ombro direito.
– Mary, pare, por favor! – Exclamei.
– Revide se quiser viver.
– Não, eu não posso ferir uma amiga.
– Você fará a morte de seus pais serem em vão ? Parece que você não merece viver afinal.
– O que você disse ?!
Dessa vez, meus cabelos novamente ficaram brancos e percebi meu estopim para ativar esse "modo de cabelos brancos", minha raiva era importante, sei que ela pode esquivar, então...
– Tyfah onn Kruxim! – A flamel dançava em minha mão e o som era o da minha voz, quando eu consegui focalizar minha energia para o golpe, Mary veio em um ataque aéreo e eu soltei uma espécie de furacão em escala menor, que fez a ruiva rodopiar no ar e cair.
– Isso Ryan, você conseguiu utilizar do seu espírito nesse ataque. Toda vez que você utilizar esse golpe, lembre-se da sensação de desconforto que eu te passei. – Mary cambaleava levemente. – Me desculpe, mas esse era o único jeito de te fazer você se soltar.
– Eu sei, percebi logo que você começou, mas Mary, como você sabe isso sobre meus pais ? – Indaguei, não havia contado isso para ninguém.
– É uma longa históri... – Mary caiu desmaiada no chão e num piscar de olhos, Amohi a pegou no colo.
– Amohi, ela vai ficar bem ?
– Sim, não foi nada demais, ela as vezes força um pouco a barra e seu golpe foi realmente forte, mas precisa de aperfeiçoamento. Pode ficar tranquilo que eu cuidarei dela. – Logo que ele disse isso, o sempre encapuzado sumiu.
Estou na cozinha preparando o jantar, mas não sei se Mary jantará comigo, pois ela não deu sinal algum de vida depois do treino de hoje Farei comida extra, afinal ela supostamente está morando aqui em casa, ela seria bem agressiva se eu não fizesse nada.
Pego uma porção do lanche que fiz, ligo a minha playlist no rádio de casa e sento no sofá da sala, quando chega Mary com uns papéis preenchidos com uns caracteres que eu nunca havia visto antes. Ela senta ao meu lado e começa a folhear-los.
– Mary, o que é isso ? – Indago com certo receio pelo seu ar misterioso de sempre.
– Planos do inimigo. – Disse ela olhando outra folha.
– E como você … – Começo. – Não precisa me contar, mas você está bem ?
– Sim, consegui isso com um mensageiro deles. Presa fácil. – Disse ela sorrindo. – Nesses escritos estão os planos dos próximos três dias. – Ela me olha nos olhos com uma cara de tristeza. – Eles planejam algo grandioso, mas não tenho os detalhes aqui. Pelo menos temos três dias para te deixar em forma.
– Pare de fazer mistérios. Você está me assustando.
– Ah, descobri sobre o fato de você ficar com o cabelo branco e reagir dessa forma com a Eligor.
– E o qual o motivo ?
Mary apenas me olhava fixamente e não proferiu nenhuma palavra.
Notas finais
Welldone, Cya ;]
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