Flagellum Dei

2 Learning with the anger


Chegando a aldeia, Átila falou com seu tio Ruga que os romanos estavam chegando, em peso.

— É um bom sinal. Mandei uma mensagem sobre nossos homens capturados há 5 meses. Vamos tentar recuperar nossas tropas.

Átila sabia do histórico de traições da parte dos romanos. Não confiava. Mas como ainda não era responsável por sua tribo, não poderia fazer nada. Sem contar que agora eles recebiam uma grande quantia de ouro por parte dos bizantinos.

Minutos depois, o mensageiro se apresentou. O Imperador queria falar com Ruga.

— Quanto tempo, Imperador! Veio pagar pessoalmente o que continua me devendo? Desdenhou Ruga

O Imperador fez um gesto de graciosidade, talvez para esconder sua expressão de repulsa. Detestava os hunos, detestava Ruga, detestava as lembranças que aquele homem velho e gordo lhe trazia. Cidades saqueadas e queimadas, milhares de homens mortos, a honra bizantina jogada no lixo. ''E, o pior: Toneladas de ouro para comprar a falsa paz desse bárbaro sem escrúpulos!'' Pensava o Imperador Teodósio II enquanto era conduzido por Ruga até a entrada de sua casa.

— O que temos a tratar é sério. Não lhe pagarei mais ouro. Na verdade, acho que é você que terá de me pagar, caro Ruga. — O Imperador forçou um sorriso

Bleda ouvia atentamente, até que empunhou a espada.

Dois soldados bizantinos avançaram em direção a Bleda.

Bleda! Não tem educação? Devemos ouvir o Imperador. Tenha paciência, rapaz! — Ruga o repreendeu e os romanos recuaram

— Vejo que você tem homens dispostos por aqui, Ruga. Seu povo é valente, eu os admiro. Talvez você devesse saber que eu não posso continuar te pagando todo o meu ouro e ainda liberar suas tropas. Homens fazem ouro, e não o contrário — O Imperador aceitou um pouco de vinho que a mulher de Ruga lhe ofereceu

— Então está disposto a libertar meus homens? Parece uma boa proposta, desde que não arme outra emboscada para capturá-los novamente. — Ruga disse com expressão séria

O Imperador se levantou aparentemente irritado.

— Você está levantando acusações sérias, Ruga. Seus homens não foram vítimas de uma emboscada, mas sim da ganância que lhes foi incutida. Suas tropas destruíram vilas inteiras. As pessoas chegaram a Constantinopla com mais rapidez que qualquer homem montado num sangue-puro chegaria. Movidos pelo terror. Pelo terror que você e suas tropas causaram em minhas terras. Eles deveriam pagar com a vida, você sabe disso. Mas de nada adiantaria acabar com uma tropa se o chefe e rei ainda vive!

Nesse momento, Ruga se levantou e encarou o Imperador. O ódio entre os dois era perceptível a qualquer um. Especialmente a Átila, que interferiu, perguntando se a negociação ainda era viável.

Teodósio II se recompôs e pediu um papel para um de seus homens. Era um tratado.

— Com esse tratado, seus homens ficam livres como pássaros, meu ouro não entra mais em nossas conversas e a paz entre romanos e hunos volta a ser realidade. — Explicou

— Você os trouxe? — Perguntou Ruga

Estavam na vila, um amarrado ao outro, alguns feridos superficialmente e outros sem membros como braços e pernas.

Teodósio II os mostrou como se fizesse algo grandioso.

— O que você acha que dá para fazer com homens nesse estado? — Se irritou Ruga

— Estava apenas respondendo sua pergunta. Eles estão aqui, o tratado também. Agora só preciso da sua colaboração para que hunos e romanos possam viver sem mais guerras e vidas perdidas.

— Eu destruí o aglomerado que você chama ''suas terras'' por muito tempo, e assim como você feriu meus homens, eu vi milhares de soldados bizantinos agonizando em minhas terras. O máximo que fiz por eles foi cuspir na cara deles quando pediram água. — Ruga riu — É melhor que continue pagando meu ouro como sempre, se não quiser minha presença de volta.

Teodósio II deixou o tratado numa pedra da pequena vila. Chamou seus homens e foi embora.

Ruga os acompanhou com os olhos até sumirem.

Átila sabia que outra guerra viria. E, com ela, suas responsabilidades e danos.