Fix You

1 Fix You


Notas iniciais
Dedico a Emanuella, e a vicHargitay, que betaram a fic, obrigada meninas ♥

Era definitivo. Ele havia me abandonado, repentinamente, assim como começamos com tudo aquilo.

Ele jogou doze anos de parceria, no lixo. Ninguém imaginou a dor que eu senti.

Não que eu esperasse, que Munch ou Fin sofressem, mas Cragen devia mostrar apenas um pouco de compaixão, pelo o que aconteceu comigo. Eu não era uma "filha"? É o que os pais normalmente fazem, não é?

Devo admitir, não gostei muito da nova detetive, que — acho eu — veio para substituir Elliot, e ser minha parceira.

Depois do caso, senti que deveria vê-lo, e contar tudo o que eu sentia, mas me parecia inútil, tentar ter qualquer tipo de contato, já que eu ficaria até mais tarde na delegacia.

Cheguei com Fin, e ele logo ofereceu carona para Amanda, ou seja lá qual for o nome dela. Munch reclamou, e perguntou se eu queria carona.

- Não, vou atualizar minha mente. — brinquei. Ele sorriu, e retrucou:

- Que bom, porque não estou de carro. — e depois foi embora.

O cenário da delegacia vazia nunca me assustou, quando Elliot estava comigo, mas desta vez eu estava sozinha no andar, retirando os seguranças, que estavam na parte dos elevadores. Eles não faziam muito barulho, e de vez em quando, iam até a sala de minha unidade, para checar se estava tudo bem.

Sempre estava.

Já passava da meia-noite, e eu acendi as luzes. Não podia me concentrar somente com a luz proporcionada pela luminária fajuta que o governo nos dava. Os seguranças — sim, no plural — vieram certificar-se que eu estava bem.

Só pelas luzes acenderem eles acharam que havia algum maníaco-psicótico lá, pronto para machucar-me, ou coisa pior.

Gente doida!

Ao assegurarem-se de que eu estava bem, voltaram aos postos, deixando-me sozinha novamente. A brisa da madrugada gélida me dava arrepios, admito, e eu não queria mais nada, senão Elliot ali, fazendo piadinhas de humor-negro ali. Eu podia estar delirando, mas quase o vi andando com uma caneca de café nas mãos. Tremi, e balancei a cabeça, tentando concentrar-me no relatório, mas as palavras fugiam-me à mente.

Santo pai!

Nunca, que um relatório foi tão difícil de se fazer. Ouvi alguns passos, e achei que fosse um dos seguranças, chamado Callaway, que vinha me protegendo desde o caso em que eu fora acusada.

- Senhorita Benson, este aqui é para você. — disse Callaway. Assenti, e levantei-me, para pegar o embrulho enorme.

Agradeci, e andei com ele até minha mesa. Ele parecia ter quase o tamanho da minha cabeça, se não maior!

Procurei um estilete, no pote de canetas e lápis, e encontrei um, meio enferrujado, mas mesmo assim, peguei-o.

Encostei a lâmina na fita que fechava o caixote, e corri o objeto pela fita, abrindo a caixa.

Sentei-me, ao ver tais objetos dentro da caixa enorme. Era demais para a minha cabeça!

Havia um pequeno distintivo, com um post-it amarelo. Eu reconhecia a letra dele.

"Semper Fi

El"

Meu estômago embrulhou, e eu parecia estar sendo estrangulada. O momento era nada mais que perfeito, e dramático. Ele não havia esquecido de mim, afinal.

Ouvi passos mais largos, mas sabia que era mais um dos seguranças, fazendo sua ronda noturna.

Segurei o distintivo em minhas mãos, e mexi o post-it com os dedos. Quase descolou.

Minhas lágrimas já corriam, e eu não tentava escondê-las.

Mexi mais uma vez, na caixa, e achei um cordão da marinha. Havia uma águia, num círculo negro. Não consegui distinguir se era preto, ou azul. As asas do animal saíam do círculo, o que era importante, na marinha.

Só podia ter vindo de Elliot.

Os passos vinham se aproximando, e eu sequei as lágrimas.
Era outro policial, que tinha de fazer seus relatórios também. Nos cumprimentamos, e eu tirei as coisas da caixa, colocando-as na bolsa, de qualquer forma, e saí na maior rapidez possível.

=========================

Não me sentia capaz de dirigir, então, deixei o carro na delegacia, e fui de táxi.

A noite estava fria, e o motorista deixou as janelas abertas, apesar de meus vários pedidos, para que ele as fechasse. Coloquei as mãos dentro da bolsa, e encontrei o distintivo em miniatura, com a letra dele. O cordão não estava com um nó, e eu fiquei com eles nas mãos.

O percurso não demorou, talvez, por ser cinco e meia da matina. O motorista foi gentil, e deixou a corrida em branco, por mais que eu tentasse negar.

Saí do carro meio assustada, pelo modo que ele falou, mas mesmo assim, caminhei até o prédio. Uma silhueta encontrava-se nas escadarias.

Suspirei.

Não sabia — e nem mesmo queria — se era ele. Afinal, por que ele estaria na minha porta, às cinco da manhã, depois de ter ido embora, sem dizer ao menos, um adeus?

Minhas lágrimas começaram a brotar em meus olhos novamente, e eu quis que elas corressem assim para bem longe, para que ele nunca saiba que um dia chorei por ele, mas parecia-me inútil. Vários jovens saíam do prédio pedindo-lhe licença, para que os deixasse ir para as escolas. Ele estava com o olhar perdido. Não sabia se era ele, exatamente, mas esperava que não fosse. Os jovens saíram xingando-o, e ao passarem por mim, cumprimentaram-me. Resolvi ir até a portaria, já que eu teria que estar na delegacia até as nove.

Eu tinha tudo o que eu queria, mas não o que precisava, ao todo. E, quem eu amei, por nada. Foi tudo uma desilusão amorosa. Eu não esperava que ele voltasse, nem que fosse só por um "adeus" direito.

Ao chegar na escadaria, ele se levantou num pulo, como se soubesse que era eu.

E eu vi quem ele, realmente era.

Elliot.

- Liv, sinto muito, eu queria entregar-lhe pessoalmente, e...

- Poupe-me de seu papo ridículo! — quase gritei. Ele se fez de desentendido, e antes que pudesse continuar, eu prossegui: — Eu sempre achei que não haviam segredos, ou inveja entre nós dois. Sempre achei que estaríamos juntos, pelo o que fosse melhor, ou pior, mas veja só! Pessoas se enganam!

Minha voz estava com um tom amargurado, que me assustou. Ele mantinha-se calado, meio estressado, e quebrado, mas queria ouvir as palavras que estavam por vir.

- Pessoas se enganam, e, sabe... Eu nunca acreditei que os melhores amigos, poderiam deixar-te no meio do nada, desiludidos, e sozinhos. Eu contava com você para tudo, e olhe só! Você me deixou sozinha.

Ele interveio:

- Não! Eu não deixei-te sozinha!

- Sim, deixou! Acha que estar com Fin e Munch é a mesma coisa?! Elliot, não me venha com essa! Munch é um amigo e tanto, posso dizer que Fin é meu irmão, mas não comparo nenhum deles, ao que você foi pra mim! — retruquei. Receio que minhas palavras machucaram-lhe um pouco, mas eram as mais puras, e sinceras do mundo.

Elliot coçou a cabeça, e olhou para os objetos em minhas mãos. Em todas as nossas brigas, nós gesticulávamos, mas nesta, eu não queria quebrar os objetos. De agora em diante, eles significariam muito para mim.

- Você os quer? — perguntou ele. Assenti. — Posso?

Eu suspirei, e entreguei-lhe o cordão, cujo ele abriu, e foi para trás de mim. Senti meu corpo enrijecer, ao sentir os dedos dele roçarem meu pescoço. O cordão passou pelos meus olhos, repousando pouco abaixo de meus seios, pelo tamanho comprido, meio exagerado. Elliot suspirou, e sua respiração ofegante bateu em meus cabelos. Fechei os olhos, enquanto ele fechava o cordão.

Quando senti o cordão fechando, virei-me de frente para ele, fitando-o com intensidade.

- Não pense que sou fácil, por me entregar assim. — pedi. Ele suspirou, e perguntou:

- Entregar? O quê?!

Não dei nem tempo dele processar aquilo tudo. Era como uma montanha russa. Aproximei nossos lábios, e ele me puxou para mais perto, lentamente, como se tivesse medo de aquele momento não ser verdade. Para ser honesta, eu também tinha medo.

Separamo-nos um pouco arquejantes. Não me surpreendia, ele ter medo de ser só um sonho. De repente, começou a chover, e ele me levou até seu carro. Ele abriu a porta da frente para mim, e eu entrei, sem ao menos pestanejar. Ele contornou o carro, e entrou, mais rápido que eu. A chuva apertou, e ele suspirou.

- Desculpe. — pedi. Ele se virou para mim confuso.

- Pelo o quê? Pelo beijo?

- Sim, e pelo o que eu falei antes. Sinto-me detestável! — arquejei. Ele riu. — Do que está rindo?!

- De sua insegurança! Liv, eu amo você, e nada pode ser mais satisfatório do que ter você ao meu lado.

E eu sorri, com aquelas palavras. Tão suaves, tão verdadeiras. Depois, enrubesci, ao lembrar de todas as palavras grosseiras que havia dito a ele antes. Sentia-me detestável, e imunda. Como ele podia gostar de mim?

- Tem certeza? Não tenho um dos melhores temperamentos. — gaguejei. Ele assentiu, e puxou-me pela nuca.

Nossos lábios se encontraram novamente, mais ansiosos, porém, mais tímidos.

Quando fechei os olhos, toquei o pequeno pingente, grudado ao cordão, em meu pescoço, e segurei, com a outra mão, o pescoço de Elliot.

Acho que amanhã atrasarei-me para o trabalho. Mas, é por uma boa razão.

Notas finais
Reviews, lindezas (:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!