Fix Me

6 Tropeços do Destino


Notas iniciais
É treta...

Respirei fundo, busquei coragem e bati na porta de James; esperei uma resposta...

— Pode entrar.

Abri a porta e o encontrei no sofá, segurando um livro. Ele estava surpreso em me ver, só não sei se isso é bom.

— Oi...

— Oi...

Um silêncio de alguns segundos passou pelo ar, antes de alguém quebrá-lo.

— Desculpe. ..

— Não é o que. ..

Falamos ao mesmo tempo. Ele deu uma pequena risada enquanto fechava o livro.

— Pode falar primeiro.

— James, hoje de manhã, eu...

— Não preciso saber o que você faz ou deixa de fazer. Foi minha culpa entrar sem esperar resposta. ..

— Agora você sabe o que eu sinto! — Começamos a rir. — Mas aquilo não é nada do que você está pensando.

— Quando um cara como eu, vê uma garota de sutiã e outro cara agachado na sua frente. .. pensamos muitas coisas. ..

Senti meu meu rosto ficar vermelho. Ele sorriu de lado e foi tentar sentar na cadeira de rodas. Tentei ajudá-lo, enquanto tentava explicar o que houve.

— Ele me ajudou a se arrumar porque eu não consigo fazer sozinha, desde... Bom, você me entendeu.

— Sei que não é da minha conta, mas ele não é enfermeiro, é?

— Não. Ele é meu amante.

Ele se assustou e quase caiu de volta no sofá. Comecei a rir, quando tentei ajudá-lo a levantar. Peguei ele pela cintura e senti seu rosto a centímetros do meu. Logo o soltei e o deixei cair no sofá.

— O que foi?

— A quanto tempo você está aqui?

— A mais ou menos três meses, porque?

— Você já não devia pelo menos estar tentando andar? — Ele ficou sério. Percebi que falei besteira. — Desculpe.

Parei de falar e segurei novamente sua cintura, mas ele me afastou aos poucos e tentou levantar. Percebi que ele era mais alto do que eu, só não consegui identificar o quanto. Dei um passo para trás e o vi tentando se equilibrar enquanto ficava de pé, com muito esforço, até ele tentar dar o primeiro passo e cair. Rapidamente o segurei, mas ele era muito pesado então caímos juntos, de joelhos.

— Agora você sabe o porque. — Ele sussurrou em meu ouvido, fazendo-me arrepiar. — Eu já tentei várias vezes, mas minhas pernas doem cada vez que eu tento me levantar. É como se ele não aguentasse mais o meu corpo.

— Não era mais fácil apenas falar do que sofrer?

— Eu precisava te provar, para você acreditar em mim.

— Porque você acha que eu não acreditaria em suas palavras?

— Se minha própria namorada não acredita, o que me faz pensar que uma estranha como você acreditaria?

— Pelo simples fato de eu não ser sua namorada e também não ser " estranha"!

Ele se afastou um pouco e o vi surpreso, depois ele deu um pequeno sorriso e me abraçou.

— Obrigado.

Senti seu calor em meu corpo, que fez meu coração sair um pouco do ritmo. — Bobo... — Com muito esforço, consegui levar James para a cadeira de rodas e logo sentei no sofá para respirar. — Querido você é pesado, hein!

Ele mostrou os músculos e fez careta.

— Pura gostosura!

Eu ri.

— Vamos andar um pouco?

— "Andar" — ele fez aspas com os dedos. — Você quis dizer.

Dei um pequeno sorriso e assenti.

Andamos até a grande janela, onde mostrava a chuva sendo levada pelo vento. Sentei numa das cadeiras e observei a paisagem enquanto brisava, até ele limpar a garganta e me chamando a atenção.

— Então... — Ele se ajeitou na cadeira. — Seu amante tem nome?

Eu havia me esquecido de explicar para ele sobre hoje mais cedo e comecei a rir.

— Lucas, e ele é meu irmão.

Ele ficou de boca aberta.

— Vocês...

— Não, Bobo! Aquilo era brincadeira!

Ele soltou a respiração de alívio enquanto eu ria da sua cara.

— Não tem graça! Eu jurava que...

Tampei a boca dele com a mão esquerda.

— Não fala besteira. Ele acabou de arranjar a primeira namorada, se alguma enfermeira ouvir você, e isso cair nos ouvidos dos meus pais... ou até dela, a coisa vai ficar feia... para todo mundo!

— Porque você acha que as enfermeiras... — Ele parou de falar e percebi que ele entendeu o recado. — Foi mal. Então você tem um irmão?

"Ele está mais para pai do que irmão, mas é melhor não contar".

— Sim, ele é dois anos mais velho do que eu.

— Que legal, então ele deve ter a minha idade!

— Quantos anos você tem?

— Dezenove. E você?

— Dezoito. — Ele ficou surpreso. — O que foi?

— Achava que você era mais nova.

Falou dando "aquele sorriso meigo" que me deixa... sem reação.

Ficamos conversando até dar a hora do almoço, e durante esse tempo percebi que as enfermeiras ficaram nos encarando surpresas. Após o almoço, fui em direção ao quarto dele, pois combinamos de jogar baralho, mas quando passei na frente do elevador, ele se abriu me chamando a atenção. Deparei com um casal se pegando, mas quando identifiquei a mulher, não consegui me mover.

— Cameron?!

— Merda!

Foi a única palavra que ela falou antes da porta se fechar novamente. Eu ia voltar para meu quarto, quando ouvi James me chamar. Olhei para ele e entrei em seu quarto sem pronunciar nada.

— Você está bem? Quer que eu chame uma enfermeira?

Balancei a cabeça negando e logo sentei no sofá em câmera lenta. James se aproximou e colocou sua mão em meu rosto me fazendo olhar para ele.

— Você está pálida! O que houve?

— Eu. .. — " conto ou não conto?!" Essa dúvida ficou se repetindo na minha cabeça durante segundos eternos. — Eu vi a bunda de um velho.

— O que?!

" É sério que essa foi a melhor desculpa que eu pude dizer?!"

Ele riu.

— Era um paciente? — Eu assenti. — Não precisa ficar assim. — Ele colocou a mão na minha cabeça e começou a esfregar devagar. — Foi apenas um acidente.

Eu comecei a encarar seu rosto, e lembrei da primeira vez que o vi. "Será que ele ficaria bravo comigo se eu contasse a verdade?"

— James, eu preciso te contar uma coisa...

Quando abri a boca para confessar, a porta se abriu com tudo, nos fazendo dar um pequeno pulo de onde estávamos.

— Amor!

James se afastou de mim e virou surpreso em ver a...

— Cameron? — Ele olhou por cima do ombro dela, e reconheceu o cara que eu avistei no elevador. Ele era ruivo e tinha olhos verdes, além de ter braços largos e fortes como o de James. — Nick! A quanto tempo!

— Fala, velho! E... — Ele mirou em mim. — Oi, gata.

Ele se direcionou para mim com um olhar malicioso.

— Saí fora, Nick! Ela é minha... — ele olhou para mim pensativo e depois deu um sorriso. — amiga.

Senti minhas bochechas queimarem um pouco, mas logo voltei ao normal quando senti um olhar cortante vindo de Cameron.

— Eu... eu tenho que ir. Te vejo mais tarde, James. E foi um... prazer te conhecer, Nick.

— O prazer foi meu, gata. Te vejo em breve. — falou Nick enquanto piscava para mim e mordia o lábio.

Ao passar pela porta, eu desejei muito correr para meu quarto. Quando abri a porta, senti duas mãos me empurrarem para dentro e ouvi a porta sendo trancada. Me equilibrei rapidamente antes de cair e virei, dando de cara com Cameron.

— Qual é o seu problema comigo, garota?!

— O meu problema é que você ainda está aqui! Eu avisei que se chegasse perto dele, você iria se arrepender!

— Não é porque uma vaca começa a falar, que irei acreditar nela!

— Ora, sua...

Ela foi para cima de mim, mas me desviei me abaixando e indo direto para a porta ignorando a dor que voltou.

— Droga, cadê a...

— Chave? — olhei para trás e vi aquela idiota balançando a chave e a jogando para debaixo da cama.

— Vai ter que passar por cima de mim, se quiser sair daqui viva!

" Ótimo, era só o que me faltava! Enfermeiras da UTI, preparem uma cama para mim!"

Esperei Cameron dar o primeiro passo para eu tentar desviar e ir para o outro lado da cama. Me abaixei com o máximo de cuidado para não abrir a ferida de novo, e consegui alcançar a chave.

— Isso!

— Ainda não acabei com você!

Senti minhas pernas sendo puxadas, e virei para encará-la. Chutei sua cara, fazendo-a cair para trás, corri para a porta e tentei colocar a chave na maçaneta, mas minhas mãos estavam tremendo.

— Porque agora?!

— Ah, sua piranha! Você quebrou meu nariz!

Virei e apenas deu tempo de fechar os olhos, antes dela me dar um soco no queixo, e obrigando a colocar as duas mãos na boca. Mas o pior foi a joelhada na barriga, senti todos os pontos se romperem antes de eu chegar ao chão toda encolhida. Respirei fundo e prendi a respiração; me levantei e fiz o mesmo com ela que logo caiu e começou a gritar por socorro. Abri a porta e deparei com James e Nick no corredor de um lado e as enfermeiras correndo do outro. Não sabia para quem pedir ajuda, então tentei ao máximo sair daquele quarto, me apoiei na parede, fiquei caindo aos poucos quando senti uma mão me puxando para seu colo. Forcei a visão e encontrei-me no colo de James.

— Ann, o que houve?

— Tropecei.

Sussurrei e ri num tom de ironia antes de soltar a respiração, que me fez senti mais dor até perder a consciência. .. de novo!

Notas finais
Gostaram? Não sei escrever cena de briga, então... comentem!