Fix Me
75 Praia
Respirei fundo e senti aquele ar morno encher meus pulmões e a brisa passar em meu rosto. O som das ondas se quebrando me relaxava e por pouco eu não dormi na cadeira de praia, já com o pé enterrado na areia.
— Depois de três horas de viagem, finalmente consigo relaxar.
Falei enquanto Lauren e Alex sentavam na areia com as crianças. Eram dez horas mas a praia já estava um pouco cheia, cheia de adolescentes mimados e quase pelados liberando hormônios para todo lado. Mesmo vendo que somos mães, os caras ainda associavam para nós e sorriam querendo algo. Eu revirava os olhos atrás do óculos de sol enquanto passeava a mãos na grande barriga.
— O pai de vocês é mesmo ocupado!
Reclamei baixo, mas as duas me ouviram e riram.
— Que carência é essa, Alice?
Alex perguntou rindo e Lauren completou.
— Verdade, não faz nem um dia que você não o vê.
Fiquei brincando com minha aliança e o solitário enquanto encarava o chão.
— Mas já estou com saudade.
— Awn! Que fofinha!
As duas falaram e rimos juntas, antes de algumas garotas de biquínis curtos se aproximarem desfilando para todos da praia.
— Olá, tias. Tudo bem?
— Tias?
Lauren já começou a não gostar delas enquanto eu prendia o riso.
— Só queríamos saber se não dava para mudar um pouco de lugar? Sei que são novas aqui na praia do Éden e não sabem que este é nosso lugar de costume.
Todos olharam Alex que se remexia e olhavam em toda a areia.
— Não vejo o nome de vocês escrito em lugar algum.
Tapei a boca surpresa. A loira de biquíni vermelho sorriu irônica e se inclinou para falar melhor conosco.
— Vocês estão no nosso lugar, aqui é um lugar perfeito para...
Ela parou e tentou pensar numa desculpa, mas completei.
— Para os garotos olharem vocês quase peladas?
— Não era isso que eu...
— Qual é, você mal saiu das fraldas e não sabem com quem estão falando. Percebi na hora que chegaram aqui com esses restos de tecido quase saindo de seus coros que vocês querem atenção. Sei porque um monte de caras gatos passaram por aqui em menos de uma hora.
— Parece que a barriguda sabe falar. — A loira falou e suas amigas riram. — Sei que vocês estão carentes por causa... — apontou para as crianças. — deles. Mas não descontam suas carências em nós. Apenas queremos nos divertir. E já que vocês não podem mais fazer isso, porque atrapalhar nossas vidas?
Me inclinei um pouco para frente e tirei os óculos para encará-la melhor.
— Sou muito bem resolvida e não preciso da atenção de hormônios masculinos para ficar satisfeita.
— Aposto que o pai é um nerd riquinho carente de atenção e casou com você por causa do bebê.
Ela fez bico enquanto todos olhavam para mim, esperando uma reação. Mas as amigas roubaram a atenção da loira para mostrar para ela quatro deuses gregos vindo em nossa direção com apenas bermuda e gotas de água nos cabelos úmidos e peitos desprotegidos. Um ruivo, um loiro escuro e dois morenos.
— Meu... Deus.
Uma garota falou antes de eles se aproximarem e sorrirem para as garotas.
— Olá meninas.
O loiro escuro com olhos azuis como o céu pela manhã falou e elas sorriram bobas enquanto estufava os peitos para chamar mais atenção.
— Meninas, — falei me levantando e se aproximando do loiro. — Este é o nerd carente que você falou. Loirinha. Como pode ver, ele é bem carente.
— O que posso fazer? -falou e me pegou pela cintura me aproximando de seu corpo molhado. — não consigo viver sem te ver um dia.
As meninas ficaram de boca aberta surpresas e olharam para os outros. Nick pegou Fillmore e Evan pegou Lorena. Já Mark, — mesmo velho, um gato! — se aproximou de mim e me separou de Thomas.
— Menos melação na minha frente, por favor.
— E você, quem seria?
A morena, amiga da loira, perguntou com esperança, até se assustar com a resposta de Mark, que deu com um sorriso sexy.
— O pai dela.
— Desculpe, meninas, mas agora o lugar tem que ser ampliado. Poderiam dar licença?
Falei balançando a mão, como se estivesse expulsando elas. As garotas saíram revoltadas batendo os pés e parecem que voltaram para casa. Eu, Lauren e Alex começaram a rir e os meninos não entenderam muito.
— nerd carente?
Thomas olhou para mim com a sobrancelha elevada e um sorriso sedutor no rosto. Dei de ombros e sorri de volta.
Ficamos manhã toda e o começo da tarde na praia antes de voltar para o apartamento de Evan e Lauren para todos tomarem banho e pedirem pizza e um filme se ação enquanto Mark voltava para casa, para ficar com minha mãe.
Mandei mensagem para ele sem entender.
"porque ela não apareceu?"
" Ela ficou com enxaqueca de tanto álcool da festa. Ficou triste por você ir embora e bebeu com Amélia. As duas estão bem, porém de cama enchendo a cara de água agora. Não se preocupe, ela vai ficar bem. Me diverti muito com você, minha princesa. Espero que aconteça mais dias assim. Te amo"
"Bom descanso, papai. Também te amo"
Sorri e voltei a prestar a atenção no filme enquanto apoiava a cabeça no ombro de Thomas.
Dormimos bem, todos no meio da sala, rapidamente, como se os olhos não aguentasse ficar mais abertos e perdemos o meio do filme.
***
Acordei num lugar frio e vazio. Paredes cinzas e sem graças, a cama em que eu dormia era dura e havia apenas um fino tecido que me "protegia" do frio. Tirei-o e encontrei uma corrente prendendo meu tornozelo direito e logo tentei controlar os batimentos que estavam acelerando. Eu me recusava a ficar com medo.
— Tem alguém aí?
Gritei sem esperança, até ouvir alguém gemer.
— Alice?
— Thomas?
Perguntei um pouco mais calma. Mas ouvi correntes e sua respiração aumentar.
— Alice, me tire daqui. Eu juro que não fiz nada.
— Thomas, se acalme. Não fui eu desta vez. Também estou presa. — Ele ficou quieto por um tempo, o que me assustou. — Tommy?
— Estou bem. — agora sua voz ficou grossa e cheia de raiva. — Onde você está?
— Eu não sei, esta escuro e gelado aqui, também estou presa numa corrente e roupa fina.
— Você está bem?
— Um pouco tonta, mas já está passando.
— Tente descansar, vou ver o que posso fazer.
— Thomas? Alice?
Ouvimos uma voz fina e preocupada.
— Lauren?
— Alice? Lauren?
— Alex?
— Estão todos aqui?
— o que houve?
Evan e Nicolas também estavam presos, porém perto, no mesmo estado que eu e Thomas.
— Pessoal, me escutem. Parece que fomos envenenados e raptados... de novo.
Thomas falou revoltado.
— Como fizeram isso?
Lauren perguntou revoltada e Nicolas logo respondeu.
— A pizza! Aposto que alguém estava de olho em nós.
— E cadê nossos Filhos? !
Alex perguntou com voz de choro. Mas antes de alguém falar algo, sentimos o chão tremer e a parede descer, mostrando todos um ao lado do outro, formando um círculo, presos em corrente e roupas finas e cinzas. Havia apenas um luz no nosso meio, apresentando o grande quarto sem janelas e portas.
— Tommy.
Olhei para ele feliz e fui ao seu encontro, mas as correntes não deixaram eu tocar em sua mão. Olhei para ele triste até ouvir barulho de salto familiar, que congelou minha espinha e fez minha pele arrepiar.
Olhamos para frente e encontramos um salto se aproximando e ficando debaixo da luz, com um sorriso de cobra e cabelos longos negros.
— Ca-Cameron?!
Perguntei assustada mas Thomas negou sem tirar os olhos dela.
— Não. Esta é Gabrielle. Antiga dama de sangue, mais conhecida agora como Dragon.
— Então você descobriu.
Sua voz era igual a de Cameron, porém, mais Velha e rouca.
— O que você quer?!
— Que vocês se matem.
Falou com um sorriso alegre e sangue nos olhos, como uma verdadeira maluca.
— E o que te garante que iremos fazer isso?
Thomas perguntou com um sorriso debochado e logo sumiu quando ouvimos choros de bebês.
— Se quiser eu calo a boca deles rapidinho.
Gabrielle falou e Lauren tapou a boca e começou a chorar.
— Vocês têm trinta minutos. Se divirtam.
Ela simplesmente nos deixou com a pequena luz e fechou uma porta discreta na qual dava para ver agora, abafando os choros que continuavam.
— LORENA!
— FILL!
— MAMÃE ESTA AQUI, MEU AMOR.
Lauren e Alex gritavam desesperadas enquanto choravam e tentavam acalmar as crianças, que só choravam mais e mais como elas.
— Ela é idiota? Como podemos matar um ao outro sem...
Antes de eu acabar a frase, a porta se abriu novamente e dois ghosts jogaram duas armas na frente de Lauren e Alex e foram embora. Ficamos olhando a reação delas que, pegaram as armas e ficaram olhando para o olho de cada um antes de jogarem para seus amados.
— Nick, sei que sua mira sempre acerta o alvo.
Alex falou e ele não entendeu assustado.
— O que você quer que eu faça com isso?!
Ela esticou a algema e apontou séria.
— Quero que acerte!
Ele soltou a respiração e a encarou sério.
— Na próxima, fala de uma vez. Você me assustou!
— Não vamos deixar a parte divertida, de torturar Gabrielle, só para vocês, sinto muito.
Lauren falou debochando e com um sorriso.
Nick abriu a arma e encontrou apenas três balas, assim como Evan. Os dois apontaram primeiro para as correntes de suas amadas que logo se rompeu libertando-as, em seguida para mim e Thomas e depois para o deles. Agora, soltos, fomos para a porta, encarando-a e procurando algum jeito se abri-la.
— Não temos mais balas para rompê-la.
Nick falou.
— Nem faca para tirar os pregos.
— Evan completou.
— Ou grampo para destrancá-la. — Todos olharam para Lauren. — Que foi? Eu já Fiz isso e funciona, OK?
Me aproximei e simplesmente virei a maçaneta e abri a porta. Quando virei, todos estavam surpresos.
— Eu juro que não sabia disso, apenas arrisquei no simples.
Abri a porta e encontramos as crianças gemendo de frio, sem nada além da fralda em seus pequenos corpos. As duas pegaram e colocaram-nas debaixo do pano fino que as protegiam.
— Vou matar aquela vaca!
Lauren falou brava enquanto passava a mão em cima do pano, para esquentar as costas de Lorena.
— Entre na fila. — Viramos e encontramos Gabrielle sentada numa cadeira do outro lado de um vidro. — Disseram para mim que vocês não morriam fácil, agora acredito. Mas não vou deixar barato. Vocês não olharão mais a luz do sol e só sairão daqui, dentro de um caixão. — uma outra porta abriu,antes de Gabrielle se levantar e sair de nosso campo de visão.
Saímos e nos encontramos em um corredor com várias portas cinzas e aquilo estava começando a me assustar e sem perceber, eu já estava apertando a mão de Thomas.
— Alice?
— Eu... lembro daqui.
Ele se assustou e olhou novamente para o corredor, se assustando.
— Aqui é...
— É onde ela nos envenenou quando pequenos.
Completou Evan sério. Olhei para ele, que estava com o braço no ombro de Lauren enquanto encarava o imenso corredor, onde no fundo, havia a sala de cirurgia, onde haviam colocado o líquido misterioso em nós quando crianças.
— Evan, você...?
— Sim, Alice. — ele me encarou com um olhar triste. — eu também já estive aqui.
Lauren abaixou a cabeça e fechou os olhos por um momento. Ela sabia.
— E agora?
Alex perguntou. Puxei Thomas até o final do corredor e o levei para a sala, onde entramos e encontramos a mesa de cirurgia com várias agulha e líquidos em volta. Passeamos e vimos os detalhes. Aquilo começou a me assustar e as crianças começaram a mexer dentro de mim, me incomodando mais. Thomas se aproximou colocando a mão em minhas costas e outra na barriga, me acalmando. Ele se aproximou e me abraçou, sussurrando bem baixinho, apenas para mim.
— Câmeras.
Olhei em volta e não encontrei nenhuma. Encarei ele sem entender, mas percebi sua cara séria e confiei em seu aviso. Gabrielle quer que um de nós mate o outro. Quando deduzi isso, coloquei minha mão trêmula em cima da sua e tentei controlar a respiração.
— Alice, fique calma. Vamos dar um jeito nisso.
Me inclinei um pouco, me apoiando na mesa e tentando controlar a respiração enquanto concordava com a cabeça.
O pessoal nos encontrou e olhou em volta também. Os meninos trocaram olhares com Thomas. Eles também perceberam as câmeras mas, onde?
Saímos de lá e olhamos em todas as portas, todas vazias com colchões e panos finos em um lugar vazio e frio.
— Como ela quer que vivemos aqui?!
Falei revoltada mas Thomas respirou fundo.
— Ela não quer.
A primeira porta, ao lado de onde estávamos antes, encontramos uma grande sala com mesas longas e vazias. Era como um refeitório velho e abandonado.
— Ela quer que matemos um ao outro ou que morremos de fome?!?!
Lauren perguntou sem paciência.
— E o que iremos fazer?
Perguntei olhando em volta e Nicolas respirou fundo perto de mim.
— Thomas, aqui está bom?
— Não, vamos para a cozinha.
Olhei em volta e acho que perdi algo, pois não entendi nada do que eles disseram, mas os garotos nos levaram até a grande geladeira vazia e fechou a porta, relaxando os ombros.
— Acho que agora podemos falar livremente.
Evan falou e eu os encarei.
— O que está acontecendo?
— Gabrielle está nos vigiando. Nick, quantos você contou?
Thomas perguntou enquanto me abraçava por trás.
— Quarenta.
— Quarenta o que?!
Já estava ficando sem paciência.
— Câmeras, meu amor. Gabrielle está querendo que façamos algo, mas ainda não sei o que.
Alex se mexeu mostrando que teve alguma ideia.
— Alex?
Perguntei e ela sorriu.
— Alice, você não vai gostar nada do que falarei.
***
Saímos da geladeira e eu fui com Thomas para a sala do fundo do corredor novamente. Pegamos alguns líquidos tóxicos e fizemos algumas misturas. Eu apenas ajudava Thomas que, com cuidado, misturava a medida certa nas seringas com muita atenção. Ao acabar, respirou fundo e se aproximou de mim, me beijando.
— Tommy... tem que ter outro jeito.
Falei com voz de choro e ele sorriu fraco.
— Mesmo não estando ao seu lado, eu sempre te amarei. Irei te proteger de perto ou de longe. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
Eu o abracei forte e depois piquei uma das seringas em seus braços e fomos para o quarto. Ele deitou cansado e olhou para mim.
— Eu te amo, Minnie.
Ele fechou os olhos e não se mexeu mais. Eu chorava como criança, escondendo o rosto em seu peito.
— Me perdoe.
Ele não me respondia mais. Quando me acalmei um pouco, Nicolas apareceu na porta para me levar ao outro quarto.
— Escolhemos você para cuidar de Lorena e Fillmore. Sabemos que você será uma boa mãe para eles.
Nicolas me abraçou antes de entrarmos no outro quarto.
— Nick... eu estou com medo. Não quero ficar sozinha.
Ele riu em meu ombro e apertou o Abraços.
— tudo bem, gatinha. Um dia você olhará para trás e verá que isto te fará forte no final das contas. Sabemos que você consegue.
Ele se afastou e limpou meu olhos.
No quarto ao lado de onde estava Thomas, coloquei o líquido em Nicolas e Alex e em seguida, em outro quarto, Evan e Lauren. Peguei as crianças, umas cobertas finas e entrei na geladeira, chorando sozinhas com duas crianças dormindo em meu colo.
Eu matei meus amigos para sobreviver.
Deitei com as crianças e adormeci com lágrimas geladas no rosto.
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