Notas iniciais
eii seus lindos. Desculpem a demora, parece que vou demorar um pouco para postar por causa das aulas, mas nunca desistirei de voces, então não desistam de mim, please. Boa leitura Kiss

Acordei com a maior dor de cabeça.

" Será que tudo foi um sonho?"

Pensei enquanto encarava o relógio.

5:30

Ainda é cedo e eu não queria sair da cama, mas o sono não voltava então levantei e sai do quarto com a intenção de ir a cozinha, mas me surpreendi ao ver um corpo deitado no sofá da sala.

Mark Wayne.

Sim, meu pai estava aqui e estava dormindo no sofá. Não é falta de quarto disponível, mas acho que ele devia estar muito cansado.

Agachei e fiquei olhando seu rosto calmo que tinha poucas rugas, mas muitas olheiras por causa do trabalho. Toquei em seus cabelos lisos e grisalhos e o acariciei. Era uma sensação boa pensar que aquele homem elegante era meu pai, ignorar o fato de não termos muita intimidade de pai e filha. Mas quando o vejo dormir, imagino ele como o melhor pai do mundo, pois ainda tenho a esperança de ver esse lado dele novamente. Olhei para seu pescoço e não vi nenhuma gravata, logo retirei a mão de seus finos fios com medo de ele acordar de mal humor. Levantei e virei para a cozinha até sentir sua mão fria me pegar pelo pulso fazendo-me dar um pequeno pulo.

Ele suspirou e abriu os olhos virando aquele globos claros para mim.

— Porque está acordada tão cedo?

— Não consigo dormir. Vou tomar chá. O senhor quer?

Ele sentou-se e suspirou mais uma vez.

— Sim, de folha verde com abacaxi, por favor.

Assenti e logo fui a cozinha preparar a bebida quente.

Ao deixar a água no fogo, virei para encarar Mark que estava sentado na cadeira e apoiado na bancada. Sentei a sua frente e o encarei séria.

— O que aconteceu ontem?

— Quando?

Ele não mudou sua expressão.

— Quando eu estava com meu amigo e fomos atacados por um atirador. E a última coisa que me lembro é de você me carregando até aqui. O que houve? E é melhor não mentir para mim!

Ele suspirou, levantou-se até o fogão e apagou o fogo, pegando a água e colocando em sua xícara, voltando novamente ao seu lugar.

— O seu " amigo" – fez aspas com os dedos. — é um membro de uma família de mafiosos. Uma das mais perigosas do país. O atirador trabalha para meu chefe, um cara de muitos contatos que só quer acabar com eles e trazer a paz de volta. Quando soube que você estava junto, corri o mais rápido que pude para te proteger.

Ele esticou a mão e colocou em cima da minha, mas logo me afastei.

— É mentira.

Ele se surpreendeu.

— Porque você acha isso?

— Porque conheço ele a mais tempo do que imagina. Ele não é assim. E mesmo se ele fosse dessa família, ele é diferente.

— O que te garante que ele não está mentindo para você?

— A minha confiança. Ele conseguiu conquistá-la melhor do que você. Levantei e tentei sair da cozinha, mas Mark me segurou no braço.

— Alice, antes de ser seu pai, sou seu protetor e você minha responsabilidade. Então estou mandando você ficar longe dele.

— Não se preocupe. — olhei diretamente para seus olhos. — Você nunca foi meu pai.

Ele logo ficou em choque e me soltou. Rapidamente sai de lá para meu quarto, trancando a porta.

Peguei meu celular e encontrei uma mensagem.

" Assim que ler isso, me encontre naquela cafeteria. Estarei esperando.

T. C. "

Logo me arrumei e, com todo cuidado para ninguém ouvir, tentei sair do apartamento. Lucas ainda estava dormindo e Mark estava no celular com minha mãe. Parecia que eles estavam discutindo, de novo. Ignorei e segui meu caminho até a porta, peguei a chave do carro de Lucas, destranquei a porta saindo sem ninguém perceber.

Fui até a garagem, encontrei a SUV preta num canto e a destranquei, entrando e dirigindo para o estranho encontro onde eu poderia tirar minhas dúvidas.

***

Após meia hora dirigindo, finalmente encontrei o que procurava, a lanchonete no meio da estrada. Mas ela estava escura e parecia fechada. Estacionei próximo a porta e olhei em volta procurando alguma alma viva. Mas a única coisa que me chamou a atenção foi o ranger da porta de entrada.

Sai do carro, trancando o mesmo e entrando na escura lanchonete.

— Olá? -Arrisquei. — Tem alguém aí?

Olhei em volta mas não enxerguei nada até virar para a mesa onde eu e... Thomas sentava sempre, lá havia uma pequena luz amarela.

— Estou aqui, Alice.

Reconheci a voz e me aproximei. Vi Thomas sentado com uma pasta em sua frente. Ele estava sério.

— Sente-se, por favor.

— Porque?

Falei séria e desconfiada.

— Você quer saber a verdade, não é?

Abaixei a guarda e sentei.

— Preciso saber em quem confiar, e para isso preciso saber as duas versões da história.

— Duas? — Ele olhou para baixo e deu uma pequena risada. — Você falou com seu pai, não foi?

Assenti, então ele esticou para mim uma pasta.

— O que tem aqui dentro?

— A verdade. — Quando eu ia abrir, ele me impediu olhando no fundo de meus olhos e com uma expressão de medo. — Mas depois de saber sua vida irá mudar muito.

— Então é melhor me explicar. Comece com quando éramos crianças e o porquê de eu não me lembrar de nada. Você sabe?

— Então agora você começou a desconfiar.

Ele voltou a olhar para baixo.

— Sim. Percebi que meus sonhos não eram apenas sonhos na qual ficamos com medo até chegar a luz do sol e esquecermos depois. Meus sonhos parecem como lembranças de algo que meu corpo não queria lembrar.

— É verdade. Eles tentaram limpar nossas mentes.

— Eles?

— Sim. — Ele suspirou e olhou para mim. — O governo.

— O que?!

— Alice, estou te avisando, é muito perigoso. Quanto mais você saber, mais perigo você corre.

Bati as mãos na mesa e levantei furiosa.

— Se você não quer me contar, eu procuro alguém que me conte! Por que sou a única a ficar sem saber nada?!

— Porque você é o maior segredo do governo.

— Do que você está falando?!

— Estou falando que sua família não é candidata a ganhar o prêmio de melhor do ano.

Ele relaxou na cadeira e cruzou os braços, ainda sério para mim.

— Parece que me enganei sobre você. Você não é confiável!

Ao virar para a saída ouvi o som da cadeira sendo arrastada e Thomas pegou em meu braço.

— Espere. — Mais um suspiro. — Eu fui infantil. Desculpe. É que não sei como me comportar no meio de uma crise como essa.

Ele coçou a cabeça. Me soltei dele e cruzei os braços.

— Você ainda está enrolando.

— Vem, senta. Temos muito o que conversar.

Eu não sabia que no dia seguinte minha vida iria mudar tanto.

Notas finais
E então? Comentem, pois alguns segredos nunca somem. Kiss