Fix Me
46 Enganos
Notas iniciais
Thomas pegou em meu pulso e me puxou por toda a casa.
— Ei, está me machucando, para!
Ele me ignorou totalmente. Charlie ficou pasmo e não saiu do lugar, me deixando ir com Thomas.
Estávamos indo para fora, em direção à floresta.
— Thomas, o que você está fazendo?!
Falei brava.
— Me solta, agora!
— Não.
Falou com voz grossa que me assustou e me calou na hora. Mesmo de costa para mim, nunca o vi assim, só quando.... Aquilo estava me assustando.
— Thomas. ME SOLTA, DROGA!
Logo ele me soltou e virou para mim sério. Como na primeira vez que o vi.
— Você quer me explicar o porquê você fez isso?!
Falei brava.
— Porque eu não quero que você fique com Charlie!
— Como assim? Eu estava apenas conversando com ele.
— No armário?! Abraçados?!
Abri a boca e fechei umas duas vezes, sem graça.
— Você sabe o porquê de eu estar ao lado dele sempre.
Ele abaixou os ombros e seu olhar parecia triste.
— Então é verdade.
Falou num sussurrou.
— Bom, parece que todos já estão sabendo, não é?
Falei sorrindo sobre o Relacionamento não tão secreto de Charlie e Pietro, mas Thomas não parecia feliz pela novidade.
— E- e você a-aceitou de boa?
— Claro! Melhor coisa que fiz na vida!
Ele se assustou, colocou a mão no bolso, abaixou a cabeça e passou por mim sem falar mais nada.
— Thomas?
— Não Estou muito bem, vou dormir um pouco.
— Ei, — fiquei na sua frente e peguei em seu rosto com as duas mãos. — não é só isso.
Ele deu um pequeno sorriso e pegou em meus pulsos delicadamente e tirou de seu rosto.
— Vai passar com o tempo, o importante é você estar feliz.
Percebi que seus olhos estavam brilhando, ele estava querendo chorar.
— Tommy...
Falei quase num sussurro. Ele apenas se afastou e andou de volta para a mansão.
O que deu nele?! Virou bipolar?!
P.O.V Thomas
Após ver Alice e Charlie se abraçando dentro do armário debaixo da escada, eu perdi a cabeça.
Depois que a puxei até a floresta, sem saber o porque de levá-la para lá, e então eu explodi.
— Você quer me explicar o porquê você fez isso?!
— Porque eu não quero que você fique com Charlie!
"Será que ela ainda não percebeu o que eu sinto?!"
— Como assim? Eu estava apenas conversando com ele.
— No armário?! Abraçados?!
"É sério que ela falou isso na maior normalidade?!"
— Você sabe o porquê de eu estar ao lado dele sempre.
"Será que tudo que ouvi sobre deles era verdade?"
— Então é verdade.
Não consegui ter voz, com medo da resposta.
— Bom, parece que todos já estão sabendo, não é?
Aquilo me atingiu mais forte do que imaginava e eu perdi o chão. Era tudo verdade.
— E- e você a-aceitou de boa?
"Não responda! Não responda!"
— Claro! Melhor coisa que fiz na vida!
Acabou para mim. Eu não sabia mais o que estava sentindo. Alice está mesmo noiva de Charlie?! E ela gostou? E-eu achava que tínhamos algo de especial. Algo a mais que só amizade. Mas eu estava enganado.
Eu precisava sair dali. Precisava colocar os pensamentos em ordem.
Dei uma desculpa qualquer e tentei ir o mais rápido possível para o quarto sem ninguém perceber.
Ao entrar no quarto, subi na parte escondida do telhado que eu encontrei alguns dias atrás e limpei, deixando um lugar tranquilo. Fechei a pequena porta que havia no chão e encostei na parede e escorreguei até o chão enquanto chorava silenciosamente. Odeio me sentir assim.
****
Após adormecer encolhido, acordei com barulho de alguém gritando meu nome. Era a Alice. Mas eu não estava com vontade de vê-la Mas sei que ela não iria desistir de me encontrar. Ela é assim, teimosa.
Esfreguei meu rosto e desci encontrando-a rodeando o quarto a minha procura.
— Tommy! — Sorriu de um jeito que mexia comigo. Agora só dói. — Melhorou?
Ela se aproximou preocupada.
— Um pouco. O que foi que você começou a gritar tanto?!
Tentei disfarçar minha tristeza.
— Tenho uma surpresa. Mas só vou te contar um pouco mais tarde. Agora vá tomar banho e se arrume bem bonitão! Hoje vai ser um dia totalmente diferente e maravilhoso!
Falou batendo palmas. Eu não acredito que ela não está vendo meu rosto vermelho e meu incomodo! Lógico que estou vermelho e inchado e ela pode ter imaginado que foi por causa do incidente no vôlei, mas, qual é, ela não percebeu mesmo?!
— E tem mais! Charlie me ajudou, então ele merece créditos, ok?
Ela falou e piscou para mim. Aquilo me irritou totalmente e eu não aguentei.
— Alice, eu não aguento mais ver você assim! Não quero saber de nada do idiota do Charlie ou seu perfeito relacionamento com ele.
Ela falava bem baixinho. Seu sorriso sumiu e seu brilho nos olhos viraram medo.
— Mas Tommy, vai ser legal.
— Estou pouco me fodendo por isso! Não me importo com vocês e sua felicidade está me irritando. ME DEIXA EM PAZ!
Falei mais alto do que deveria. Alice já estava chorando e era nítidos a tremedeira de suas pernas.
Ela soluçou e tapou a boca com as duas mão pegando um pouco de coragem e saindo do quarto correndo.
Suspirei ainda alterado e fui tomar banho para ver se eu me acalmava e desinchava o local machucado.
Após o banho eu fiquei um pouco deitado na cama e ouço risos vindo do lado de fora, que me atrapalham e não me deixaram dormir. Incomodado, coloquei uma blusa e desci indo para a cozinha.
Percebo que a cozinha estava muito movimentada e passo direto indo para fora caminhar um pouco.
Quando eu estava já me acalmando, encontro Charlie na casa de vidro, na parte de dentro. Ele estava rindo com alguém, mas as plantas tampavam a pessoa. Me aproximei e percebi que era Pietro, um cara que encontrei aqui alguns dias que treinava comigo e Nicolas. Eles estavam tomando vinho e estavam bem próximos, muito próximos a ponto de...
Não!
Charlie estava beijando Pietro?!
Minha raiva logo voltou e entrei com tudo naquela casa de vidro assustando ambos. Peguei Charlie pela gola e dei um soco em seu rosto.
— Thomas, qual é o seu problema?!
Pietro perguntou enquanto ajudava Charlie a se levantar.
— Qual o meu problema?! Esse cara está noivo da minha melhor amiga e beija você?!
Eu olho indignado.
— Noivo?!
Ambos falaram juntos e surpresos.
— Espera, primeiro, o que você está fazendo aqui?! Não era para você estar na festa?! E que papo é esse de noivo. Não sou noivo de ninguém!
— Como assim?! Oshio falou que você estava quase noivo de Alice!
— É porque ela acha que somos namorados! Ela é lerda, não percebeu?!
Charlie falou indignado e com os braços para cima.
— Então você. ..
— Eu sou gay! E Alice me ajudou com a timidez para ter coragem de falar com Pietro!
— E porque ela não me contou isso antes.
— Ela achava que você já sabia e isso foi um choque para você.
Coloquei a mão na cabeça.
— Thomas. O que você está fazendo aqui?! Cade Alice?
Pietro falou enquanto limpava a boca de Charlie com um pano úmido.
— C... Como assim?
— É aniversário dela hoje, seu idiota!
Charlie ficou bravo e vermelho.
— É. .. aniversário ... dela?
Logo lembrei do que ela havia me dito antes.
" Tenho uma surpresa. Mas só vou te contar um pouco mais tarde. Agora vá tomar banho e se arrume bem bonitão! Hoje vai ser um dia totalmente diferente e maravilhoso!"
Logo Evan chegou transpirando e sorrindo.
— Ei, meninos, alguém viu a velha?
Ele percebeu que estávamos sérios e logo encarou Charlie com o lábio sangrando.
— O que houve?
— Merda! O que foi que eu fiz?!
— Thomas. .. — Pietro se aproximou preocupado. — Cade a Alice?!
— Eu não sei.
— Espera, Alice sumiu?!
Evan logo percebeu o que houve.
— Vamos procurar ela, em vinte minutos nos encontramos na varanda, caso não tenha encontrado ela, iremos avisar todos e cancelar a festa.
Charlie falou sério. Nunca o vi assim antes. Dava medo.
Corri para fora e fui para o quarto procurando em todos os cantos.
" Lógico que ela não estaria aqui, seu idiota!"
Pensei e logo corri para para a floresta.
— Alice!
Gritei desesperado. E se ela fugiu e se machucou ou ficou perdida, ou pior!
Imagens dela sorrindo e outras com como olhar de medo vinha na minha cabeça. Medo de mim.
Gritei seu nome enquanto corria até a cachoeira. Encontrei sua jaqueta boiando perto da queda d'água.
Desesperado pulei e nadei procurando por ela, ignorando a dor no meu nariz que protestava com a água gelada.
Mergulhei e encontrei uma pequena caverna debaixo da cachoeira. Estava tudo escuro, mas em meio do barulho das águas, ouvia-se um choro.
— Alice?!
Perguntei desesperado.
O choro logo parou e forcei as vistas para tentar ver algo. Uma silhueta de alguém encolhido perto de uma rocha estava no canto da caverna.
Me aproximei e encontrei Alice. Me agachei e tentei tocar em seu rosto, mas ela se encolheu mais ainda com a posição fetal. Eu não conseguia ver, mas sabia que ela estava com um olhar de desespero e medo para mim.
— Me perdoe. — Falei com a cabeça baixa. Dava para ouvir apenas seus soluços. — Eu sou um idiota, por favor, me perdoe. Você foi primeira e única melhor amiga. E eu não havia percebido na amiga que você é e o que estava fazendo até agora por mim. Charlie me explicou tudo e eu me arrependo muito pelo que fiz. Você não merecia isso.
Seus soluços diminuíram e ela se acalmou um pouco.
Olhei para ela (ou tentei olhar) e aproximei minha mão novamente em seu rosto. Ela estava com o rosto quente, porém seu corpo tremia. Eu a abracei e ela voltou a chorar até se acalmar. Estava frio e estávamos molhados, além do fato de que daqui a pouco todos estariam preocupados.
— Alice, precisamos ir antes que os meninos avisem todos de seu sumiço.
Ela assentiu e mergulhamos de novo para fora da caverna.
Ao sair, Alice perdeu as forças e caiu ajoelhada na minha frente enquanto tremia mais ainda. Aquilo me preocupou. Coloquei a mão em sua testa e ela estava queimando de febre. Peguei ela no colo e percebi que ela queria dormir.
— Ei, fala comigo. Não feche os olhos!
Ela suspirou, encostou a cabeça em meus ombros e desmaiou.
Corri desesperado e encontrei os meninos reunidos na varanda. Logo eles foram ao meu encontro.
— O que houve?!
Charlie perguntou desesperado.
— Ela está quente, acabou de sair de uma cachoeira e desmaiou.
— Leve até até casa de vidro!
Entramos e deitei ela numa mesa de madeira. Charlie tocou nela analisando-a. Aquilo poderia ter me deixado incomodado, se eu não soubesse que ele era gay e que Alice não estava bem.
Após algum tempo cuidado de Alice, Charlie pediu para eu levá-la para o quarto e deixasse ela descansar por um tempo. Ainda era cedo para a festa, então fiquei com ela. Encostei no lado da cama, onde Alice estava deitada e fechei os olhos por um tempo enquanto suspirava. De novo.
Sonhei que estava deitada na grama, olhei para o lado e Alice estava lá, dormindo como um anjo, ela estava com um vestido branco rendado e com a barriga um pouco inchada, como se estivesse grávida. Me sentia feliz e tranquilo. Mas então ela começou a sentir dores na barriga e o sol sumiu, no céu havia apenas nuvens escuras. Voltei a olhar para Alice e ela estava coberta de sangue e Cameron apareceu atrás dela com um bebê e uma faca. Riu e saiu andando. Eu não conseguia me mexer ou gritar por ajuda. Apenas via Alice com os olhos fechados, morta enquanto Cameron levava meu filho. Lucas estava mais distante com um olhar triste e seguiu Cameron, que parecia não ter visto ele.
Acordei assustado e transpirando. Havia lágrimas em meu rosto. Passei a mão e limpei a cara enquanto controlava a respiração. Senti uma mão quente em minha cabeça. Virei e encontrei Alice com os olhos um pouco abertos.
— Oi.
Sussurrei.
Ela gemeu e se encolheu nas cobertas.
— Você precisa tomar banho, sabia? Para passar a febre.
Ela negou com a cabeça. Suspirei e peguei-a no colo levando até o chuveiro frio. Ela pulou no meu colo e gritou.
— Frio!
— Eu sei.
Falei neutro. Ela saiu do meu colo e se levantou rápido, perdendo o equilibro. Peguei-a pela cintura e com a outra mão me apoiei no azulejo azul claro para não cair. Nossos rostos estavam bem próximos e eu sentia sua respiração.
— Me desculpe.
Ela assentiu e me abraçou pelo pescoço. Ficamos assim por um tempo até ela se afastar um pouco. Peguei em seu rosto e a beijei sem se preocupar com mais nada no mundo além daquele momento, daqueles lábios.
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