Já se passou uma semana desde que voltei a morar com Lucas na Itália. Cancelamos a reunião e adiamos para uma data não definida ainda. Fiz algumas provas da faculdade para adiantar meus estudos e, com a influência da minha mãe, consegui ficar na sala dos veteranos de contabilidade do último ano. Era difícil sem Lauren e Evan, porém, consegui conversar com Gabriel Torres e Henrique Torres, senhores de 40 anos nas costas, gêmeos, porém, um loiro e o outro moreno. Eles eram engraçados, enquanto Gabriel era alegre e safado, Henrique era mais reservado e não gostava que os outros o encarava, como uma fobia. Mesmo sendo tão diferentes, ainda tinham o mesmo desejo, ajudar a mãe na empresa espalhada pelo mundo, já que o irmão mais velho fugiu para seguir os passos do pai. Ambos eram casados, mas apenas Gabriel tinha filhas, quatro para ser mais exato!
— Todas entrando na fase dos infernos!
— Fase dos infernos?
Perguntei.
— Onde você tem que ser o príncipe delas 27 horas ao dia! — Lógico que era uma piada, e foi engraçada com sua careta. — Não tem graça! Aquelas meninas são um terror! Um hora choram falando que odeiam garotos e na outra gritam histericamente por uma olhada de nano segundos desses parasitas!
— Não se esqueça que você também era um desses parasitas na nossa adolescência, irmão.
Rick — como gosto de chamar — falou sem tirar os olhos de um livro. Me aproximei e olhei a capa. — "Como perder a timidez em um mês" — Olhei para Gabriel e começamos a rir.
— Não tem graça! Lara mandou eu ler esse livro de novo para ver se funciona no dia da nossa formatura.
— Esse livro deu certo alguma vez?
Perguntei, mas Gabriel riu de um jeito falso.
— Uma vez, e agora ele usa essa algema dourada no dedo, chamado aliança!
— Você também tem um, seu idiota!
Ele riu mais ainda nos contagiando. Então o professor chegou e voltamos a prestar atenção na aula.
Lucas sempre me leva e busca na faculdade e o tempo está se passando rápido e o primeiro semestre finalmente acabou. Hoje era o último dia de aula, vista de provas. Saímos mais cedo e mandei uma mensagem para meu irmão, avisando que iria a pé, já que ainda estava cedo e eu não almocei ainda.
— Minha amada, nos conhecemos a quase seis meses, gostaria de sair comigo?
Gabriel se ajoelhou na minha frente e pegou em minha mão. Rick apenas revirou os olhos e eu tentava prender a risada até ouvir alguém limpar a garganta atrás de mim. Ao virar, encontrei uma mulher de calça jeans, blusa folgada, salto, maquiagem e cabelos negros e curtos.
— Sa-sa-Sabrina? !
Gabriel gritou com medo.
— É só eu te liberar por poucas horas que você já faz a festa, Gabriel Torres?
Ela se aproximou e eu virei para vê-la melhor, até ela encarar minha barriga.
— E ainda por cima com uma gorda?!
— Eu?!
Perguntei inocente.
— Amorzinho, eu estava brincando... na verdade, não estava não.
Ele se levantou e ficou sério.
— O QUE? ! ESTA QUERENDO MORRER, VELHO?!
— Deixe-me explicar. Essa é Alice Wayne, nossa colega de sala. Foi transferida aqui no começo do ano e nos ajudou em momentos que parecia o fim do mundo! Eu convidei ela para comer lá no seu restaurante, querida.
Ela levantou a sobrancelha e hesitou um pouco.
— Está bem. Você vai agora?
— Sim. Quer carona?
— Não, eu só vim para te ver, mas já que você vai ao meu trabalho, te seguirei com meu carro. E você! — Ela apontou para mim. — Vai comigo.
— Eu O QUE?!
Nos fim das contas eu estava no banco do passageiro do fox azul ciano com Sabrina enquanto os gêmeos iam com um outro carro.
— Não fique brava com seu marido, ele só estava brincado. Não tenho interesse em homens tão velhos.
— Primeiro, ele não é tão velho assim! Sou dois anos mais velha que ele, ok? Segundo: eu confio no meu marido, ele provou a muito tempo que só terá seis mulheres em sua vida.
— Seis?!
— A mãe , eu e as nossas quadrigêmeas.
— Qu. .. qu. .. Quadrigêmeas?!
Ela riu com minha reação.
— E eu reclamando de um pesado!
— De quanto tempo você está?
— sete meses.
Falei acariciando meu bebê.
— Já sabe o nome?
— Pra falar a verdade não sei nem o sexo.
Falei rindo fraco.
— O que?! Porque?!
— Eu... Não sei. Não consegui ver. Ainda não tive coragem.
— Então você fez o teste, mas não abriu o papel com o resultado?!
— Não. É que, na hora eu pedi para o médico não dizer. Ele apenas riu um pouco e sorriu depois. Ele parecia ser um senhor bem fofo.
Falei sorrindo ao lembrar.
— E o pai? Ele não quer saber?
— E-ele... decidiu se afastar pelo nosso bem.
Falei sem muitos detalhes.
— Me... me desculpe ser tão indelicada.
Falou séria ainda olhando o trânsito.
— Tudo bem. Você não sabia.
Depois disso aatmosfera no carro ficou um pouco tensa.
— Então. .. Alice... Você gosta de comida japonesa?
Olhei para ela surpresa.
— Você trabalha num restaurante japonês?! Deve ser o melhor emprego! Comer alimentos asiáticos todo dia, além de emagrecer, eles são deliciosos!
Me empolguei e começamos a conversar sobre diversas coisas até parar em um lindo restaurante com detalhes pretos e vermelhos. Entramos, comemos e conversamos até a tarde. Estava tudo bem até alguém me ligar.
Desconhecido. Hesitei um pouco mas atendi ainda rindo da piada de Gabriel.
— Alô?
Ninguém respondeu?
— Lu, é você? Está tudo bem?
Mudo.
Logo senti um frio passar em meu peito e arrepio na minha nuca. Virei para a janela que dava de cara com a rua, mas não encontrei ninguém. Desliguei o celular e olhei o horário.
17:50
— Meu Senhor!
— O que foi, Alice?
Henrique perguntou preocupado.
— Meu irmão vai me matar. Fiquei muito tempo aqui. Quanto deu, Sabrina?
— Não se preocupe. Hoje foi por nota da casa.
— Mas eu...
— O Biel e Rick fazem isso sempre. Pode ir.
Eu abracei ela e me despedi do pessoal.
— Eu a levo.
Rick se ofereceu e saímos de lá.
— Entramos no carro e o encarei séria.
— Corre! Minha vida depende disso.
Ele riu de um jeito fofo, um jeito que lembrou meu pai.
— Calma, menina. Não queremos ariscar a vida do pequeno. Não é?
— Ah... É.
Olhei para baixo e passei a mão na barriga.
— Desculpe, Amor. Você sabe que sua mãe é sem noção.
Rimos e seguimos nosso caminho ouvindo música. Chegamos rápido no prédio e eu me despedi, correndo para o elevador. A porta se abriu e havia três pessoas lá dentro, mas já no segundo andar se foram duas, deixando apenas eu e um cara com roupa de playboy e boné. Ele só olhava para baixo, então me afastei um pouco. Meu andar chegou e ambos saímos. Apertei um pouco o passo e coloquei a chave na porta, mas logo ouvi Lucas gritar.
— É MENTIRA!
Abri a porta com tudo e encontrei Lucas com uma faca apontada para...
— Rodrigo?!
Me assustei. Ele se aproximou e me abraçou.
— Oi, Alice. Há quanto tempo. E sua barriga cresceu.
— Obrigada e. .. espera... Você sabia?!
Ele riu fraco.
— Você não achou mesmo que em eu acreditaria para sempre que você estava com virose por um mês, não é?
Deixei a boca aberta até Lucas se aproximar e me encarar sério.
— Alice, me explique isso!
Ele apontou para Rodrigo.
— Lu, este é Rodrigo Salvatore. Seu pai, também conhecido como Dragon.
— Dragon?! Tipo, o cara que sequestrou todos os herdeiros e torturou você e Thomas até cansar?!
Ele abriu os braços irado.
Suspirei junto com Rodrigo.
— É mais ou menos assim. Vem, vamos te explicar tudo.
Fechei a porta e comecei a fazer café enquanto Lucas ficava sentado do lado de dentro da cozinha (perto de mim) e encarava Rodrigo, que estava sentado na frente do meu irmão.
Deixei a água esquentar para começar logo essa conversa.
— Lucas, Rodrigo pode até ter infernizado a vida de vários herdeiros, raptando-os. No começo, na nossa infância, ele fez isso para te procurar e revoltado, começou a mostrar para os outros chefes de família o que é perder um filho. Quando ele me sequestrou e depois me soltou, ficou de olho em mim, e em um dia desses viu você comigo e te reconheceu na hora e não parou de nos seguir. Mas ele achou que foi o Mark que havia pego você e te sequestrado. Tanto que, ele apareceu uma vez na sua frente e você não o reconheceu.
— Aquilo foi o fim do mundo para mim. Eu havia te encontrado, porém você se assustou e correu ao encontro de Alice e sumiu.
Rodrigo me cortou e finalizou.
— É muita informação para um dia.
Falou enquanto esfregava as têmporas. Eu peguei o café, agora pronto e ofereci em xícaras de porcelana que ganhei de Amélia. Fiquei ao lado de Lucas e conversamos mais um pouco, desta vez, de um jeito devagar e tranquilo para não abusar da memória de Lucas.
A noite chegou e Rodrigo já estava indo embora. Se despediu do filho, que depois foi tomar banho e abriu a porta virando para me encarar.
— Sei que não posso ficar com ele e voltar a ser uma família, sei que meu Jason se foi, mas por favor, cuide de meu filho. Eu ainda o amo.
Ele olhou com brilho nos olhos e então sorri e pousei minha mão em seu rosto.
— É mais fácil ele cuidar de mim, mas pode confiar que nunca o deixarei.
— Obrigado.
Demos um aperto de mão formal, um " boa noite" e logo fechei a porta indo para meu quarto em busca de um banho.
Vinte minutos depois eu estava limpa e relaxada, fui para o quarto de Lucas e bati na porta.
— Entre.
Abri e encontrei meu irmãozinho colocando a blusa e escondendo esse corpo de deus grego.
— Oi. Tudo bem?
Ele suspirou e sentou na cama. Andei e sentei ao seu lado.
— Sim. Apenas decepcionado por não ser seu irmão de sangue.
— Também me senti assim. Mas isso não muda o fato de você ser meu irmão, de qualquer maneira!
Sorri e, para tirar essa tensão, decidi assistir um filme de terror com direito a pipoca com manteiga. Lucas aceitou na hora e assim começou minhas férias da faculdade.
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