Fix Me

56 Celeiro


Notas iniciais
Uma pitada de ação, drama e suspense para vocês, meus fantasminhas ^^

Acordei com uma dor entre as pernas. Parece que isso é o que chamam de resultado de uma noite selvagem. Ri baixo com aquilo e encarei Thomas que estava tranquilo na minha frente com a mão em minha cintura. Quando levantei um pouco a mão para passar em seus cabelos úmidos, senti ele me apertar e então abriu aquele lindos olhos azuis.

— Te acordei?

— Assim que começou a rir.

Sorri.

— Desculpe, não resisti.

— Qual o motivo da graça?

Falou com a sobrancelha levantada.

— Você, ontem.

— Você achou aquilo engraçado?

— Achei engraçado pensar que tivemos uma noite selvagem ontem.

Voltei a rir e ele sorriu.

— Pensando nisso já de manhã, menina?

— O que eu posso fazer? Só de estar com você já fico molhada.

Falei provocando-o.

— Eu causo isso nas mulheres.

Falou se exibindo.

— Como é que é?!

Ele riu e apertou o Abraço.

— Brincadeira, Minnie.

— Acho bom mesmo.

Após falar isso, minha barriga mostra vida e começa a reclamar.

— Parece que não terá um terceiro round tão cedo.

— Pensando nisso já de manhã, menino?!

— O que posso fazer, você causa isso em mim.

Sussurrou perto do meu rosto como se estivesse contando um segredo. Ri e sai da cama indo para o chuveiro me limpar. Tomei meu banho enquanto pensava que as coisa finalmente estavam indo bem. Espero que continue assim.

P. O. V Thomas

Assim que Alice sai da cama, aproveito para descansar mais um pouco. Desde pequeno eu sou desconfiado e acordo com qualquer movimento ou mínimo barulho. Ao fechar os olhos, ouvi a voz de Dragon na minha cabeça.

" Pela sua obediência, vou deixá-la sobreviver. Mas, por ter matado alguns de meus soldados, ter me desafiado e se achar espertinho, além de ser filho de um mafioso, farei você e sua pequena Alice sofrerem muito. Sabe como? Você irá machucá-la e afastá-la sozinho enquanto eu não mexo um músculo."

Abri os olhos enquanto suspirava preocupado. Ele ainda está por aí e vai fazer de tudo até conseguir o que quer. Tentei afastar isso da cabeça e levantei indo para o chuveiro com Alice, que estava cantarolando uma música. Entrei e a abracei de costas fazendo-a pular.

— Assustei?

— Surpreendeu.

Sorri. Alice consegue fazer eu esquecer meus problemas e me sentir uma pessoa normal.

Tomamos banho sem muita vontade de ter segundas intenções, por causa da bendita fome de ambos. Nos arrumamos e percebemos que acordamos um pouco tarde, pois Oshio e suas amigas já estavam fazendo o almoço. Entramos e cumprimentamos todas.

— Shi, tem algo do café da manhã ainda?

— Bom dia, senpai. Temos sim. Mas estranhei você acordar tão tarde. O que houve? Esta doente?

Ela se aproximou de mim e colocou a mão em minha testa. Olhei para Alice que estava prendendo o riso.

— Não, apenas fiquei com preguiça de sair do quarto hoje. Ontem ficamos acordados cuidando um pouco da Lorena.

— Quem?

— A bebê da Lauren.

Respondeu Alice feliz. Oshio logo pulou.

— Minha nossa, já nasceu?!

— Ontem a noite. Você não ouviu os gritos?

Perguntei estranhando.

— Essa aí dorme que nem pedra. Pode passar um furacão que ela não se mexe.

Falou Mei enquanto colocava as xícaras na mesa. Sentei com Alice e comemos enquanto falávamos para as meninas o que houve ontem. Bom, eu falei, pois a Minnie só comia.

— Ei, calma, senão vai engasgar.

Falei sorrindo.

— Desculpe, é a fome.

Falou sorrindo e engolindo o pão. Depois do café, as meninas arrumaram a cozinha e foram visitar o recém chegado.

— Tommy, o Dany pediu para eu te avisar que ele queria falar com você hoje de manhã. E agora ele deve estar lá no celeiro.

Meus músculos ficaram contraídos. Eu não queria ir lá, mas não iria demonstrar para ela.

— Sério? Então vamos.

Puxei seu pulso mas ela parou.

— Ele quer só você, amor.

— Ah, mas você pode me levar até lá, não é?

Fingi não me importar e brinquei com ela. Mas Alice ficou séria.

— Você tem medo de ir lá ainda, não é?

— Não.

Tentei, juro que disfarcei o máximo que conseguia. Mas parece que ela sabia que eu estava mentindo.

— Thomas Durann Cavallieri, não minta para mim.

Me assustei com ela falando meu nome inteiro e ficando muito séria. Suspirei.

— Está bem. Não quero ir lá. Feliz?

Ela logo sorriu.

— Melhorou. Agora posso ir.

Saiu na minha frente e foi para a varanda. Passei a mão no cabelo e respirei fundo.

— Um dia essa mulher me mata.

Falei para mim, sorri e a segui.

Ao parar na frente do celeiro, minhas pernas não me obedeciam mais. Eu simplesmente travei. Alice parou na minha frente e virou para me encarar. Colocou as duas mãos em meu rosto e me puxou para um beijo intenso e ao mesmo tempo tranquilizador.

— Se acalme, vou estar ao seu lado sempre. Eu prometo.

Sorri e entramos, mas estranhei o lugar, não estava como eu lembrava. O celeiro estava claro e arrumado. O andar de cima dava para ver que tinha uma cama de casal, sofá, armário com livros e um violão pendurado.

— O que houve aqui?

— Eu arrumei.

Uma voz grossa respondeu atrás de nós fazendo Alice pular e gritar de susto. Eu já sabia que havia alguém atrás e encontrei Dany com sua cara fechada, como sempre, ele estava com um macacão jeans sujo de graxa e sem camisa mostrando seus anos de exercícios e idade.

— Dany!

Alice pulou para seu pescoço e o abraçou.

— Oi, tampinha.

Ele logo sorriu e parecia outra pessoa.

— Você está bem? Como vai a Kristen? Já falou com ela? Já chamou ela para sair de novo? Será que ela aceitou? Se vocês se casarem, deixa eu ser madrinha?

— Ei, menina. Você não cansa mesmo, não é?

Ele falou e riu. Eu abri a boca indignado. Ninguém, eu disse NINGUÉM fez Dany rir desde que o conheço. E é raro ele sorri, até parece outra pessoa!

— Espera aí! O que houve? Desde quando são tão amigos?! E que papo é esse de você chamar a Kristen para sair?!

— Desde que te salvamos. Aí eu ajudei ele a cuidar de você e quando ele descobriu que eu te soltava, me deu uma bronca bem feia a ponto de eu chorar. Depois ele se sentiu mal e fez bolo de chocolate para mim e ficamos amigos. E a Kristen, bom... Desde as olimpíadas foi quando eu descobri, onde ele ficou treinando com ela até eu a conhecer.

— Eu não resumiria mais que isso.

Falou sem tirar os olhos dela. Eu ainda estava com a boca aberta até Alice chegar e fechar.

— Surpreso, amor?

— Não consigo nem disfarçar desta vez. É muito estranho ver Dany rindo. Dá medo.

Fiz careta e os dois riram.

— Ei, Dany. Posso ficar e ouvir a conversa?

— Claro, mas já vou dizendo que não é nada bom.

Nos assustamos e entre olhamos.

— O que foi?

Voltei com minha postura de sério. Dany nos guiou até a parte de cima. No meio das escadas, que eram feitas de madeira, dava para ver a porta que levava ao porão. Respirei fundo e apertei um pouco mais o corrimão. Ao chegar na parte de cima nos sentamos no sofá e Dany na cama, cruzando as mãos na sua frente e encarando um pouco o chão até olhar para nós.

— Vou direito ao assunto: Lá fora está difícil. Muitos mafiosos e soldados morreram e todas as provas que encontramos apontam para Dragon. — Senti a mão de Alice pousar sobre a minha e apertar um pouco. Ela estava com medo. E eu já comecei a ficar bravo só de ouvir esse nome. — Seus pais me conhecem desde nossa mocidade, ou vocês acharam que eu era mesmo um cozinheiro na lanchonete Chocolate & Baunilha? — Ele sorriu um pouco.

— Porque está contando isso?

Perguntei ríspido e ele suspirou triste.

— Os pais de vocês admiram meu trabalho e querem que eu ajude.

— NÃO!

Gritei enquanto me levantava assustando ambos. Logo imaginei a risada de Dragon enquanto machucava Dany. Eu não deixaria isso acontecer nunca! Ele é meu amigo!

— Sua opinião não vem ao caso agora. Não estou pedindo permissão, apenas avisando.

— Eu disse NÃO!

Falei fechando os punhos e dando um passo para frente.

— Thomas, infelizmente eles precisam de mim. Já pensei por muito tempo e essa é minha decisão.

Falou com o rosto de lado por causa do soco.

— E quanto a Kristen?

Alice se declarou e Dany sorriu fraco.

— Ela também foi convocada.

Alice se assustou e virou o rosto para tentar não demonstrar sua tristeza.

— Há quanto tempo?

— O que?

Respirei fundo.

— Há quanto tempo você está pensando. Quando foi que eles falaram com vocês?!

— Cinco dias atrás.

Me assustei.

— SABIA QUE ELES NÃO VIERAM AQUI SÓ PELO CASAMENTO! SABIA QUE HAVIA MAIS ALGUMA COISA!

Falei bravo e me aproximando aos poucos de Dany que não abaixou a cabeça.

— Eles amam vocês. Não pense assim de seu pai, Thomas. Ele apenas quer seu bem.

— Foi ele, não foi? Foi ele que te convocou.

Dany abaixou a cabeça, considerei como uma resposta.

— PORQUE NÃO NEGA?! FIQUE AQUI COMIGO! VOCÊ PROMETEU QUE IRIA ME PROTEGER!

Há essa altura eu já estava com o cara de quase dois metros de altura pendurado pela gola nas minhas mãos. Dany olhou para mim e se assustou.

— Thomas, se acalme!

— Tommy?

Eu não conseguia prestar atenção mais em suas vozes. A única coisa que queria era bater em Dany até ele mudar de ideia. E foi o que fiz. Comecei a socá-lo pelo rosto até ele cair. Subi em cima dele e não parei.

— Você. .. não... pode!

— Thomas, PARA!

Alice tentou me impedir, mas eu a empurrei para longe sem olhar para ela, fazendo-a quebrar algo. Dany olhou assustado e finalmente reagiu. Pegou meus dois pulsos com uma de suas enormes mãos e me jogou para o lado, dando apenas um soco em meu rosto me deixando desnorteado. Olhei para frente e pisquei algumas vezes para fixar a visão. Dany estava indo até Alice que estava deitada e encolhida. Meu amigo tapou minha visão, pegando Alice no colo e descendo rápido saindo do celeiro. Após perceber o que fiz levantei e me aproximei do objeto quebrado que estava no chão. Um porta retrato meu com Dany e Alice quando pequenos na frente da lanchonete Chocolate & Baunilha. Na ponta do objeto estava com algo vermelho, sangue. Minha mão começou a tremer e corri para o quarto onde foi reservado para enfermaria da mansão. Sabia que ele havia levado-a para lá. Enquanto corria eu ouvia a voz de Dragon na minha cabeça.

" Você irá machucá-la e afastá-la sozinho enquanto eu não mexo um músculo."

As lágrimas não estavam mais em meu controle e a última coisa que queria era concordar com o que meu inimigo dizia. Eu estava me destruindo e levando juntos as pessoas que amo.

" Droga, o que foi que eu fiz?!"

Notas finais
Ui, então? O que vocês acham que houve? Quero comentários!