Five nights at Freddy's - Mais do que 5 noites
5 O dia seguinte e seus deveres, você está pronto?
Notas iniciais
Acordei com um cheiro de pizza impregnado no ar. Alguém também me balançava e eu apenas, de olhos fechados, perguntava-me se algum dia teria uma boa noite de sono. Pelo menos até me lembrar desta noite. Me afastei o máximo que pude do que fosse ao meu lado me balançando, depois me joguei para o lado me arrastando para parede me espremendo ali e forçando meus olhos enquanto procurava algo para me proteger.
– Ow, ow, ow — alguém falou do outro lado — Calma... calma... — meus olhos se acostumaram com a claridade e finalmente pude enxergar o outro lado, uma garota bem alta, ruiva e cara exageradamente infantil segurava um prato apontado para mim — Novato, pizza. Pizza, novato.
Estava me apresentando à fatia de pizza? Ah, mas... o cheiro até que estava ótimo para alguém sem comer por... quantas horas mesmo? Olhei o relógio, eram 9h00? Fiz os cálculos, retirando minha barrinha de cereal problemática, já estava sem comer fazem 12 horas. Meu estomago roncou, exageradamente alto por acaso.
– P-prazer... — foi o que pude dizer naquele momento constrangedor.
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Entrei em sua sala sem pensar duas vezes, bati a porta atrás de mim e fiquei parado encarando seu nariz enfiado num punhado de papeis enquanto seus óculos escorregavam. Apenas ergueu seu olhar pouco surpreso para mim, parecia já estar preparado para isso, e esperou. Eu fiz o mesmo por alguns segundos, no começo não sabia quais palavras usar. Então, parecendo perceber, ele falou primeiro.
– Não deveria bater a porta tão fort-
– Há, certo! — passei as mãos enquanto esfregava as têmporas, o interrompi antes que perdesse tudo que queria por para fora — Você sabia não é? Sobre essas coisas? Qual o problema de vocês, fazendo isso, toda essa loucura de contratar gente para trabalhar a noite — ri de um forma estranha até para mim — afinal nem precisam de um segurança noturno mesmo, não é?
Disparei. Joguei rapidamente qualquer coisa que saia da minha boca e colocava para fora. Eu realmente estava estressado, os dias não foram muito gentis desde o momento que fui demitido do último emprego, e no momento que acreditava finalmente ter uma sorte, duvidosa, mas sorte, o meu pesadelo (ou pesadelos) de anos atrás surgem por aí, perambulando no primeiro "dia" do meu novo trabalho. Perfeito se fosse só isso, mas eles tinham que querer me tornar um deles também, maravilha!
Guibbe não falou nada, e eu fiz o mesmo. Apenas baixou os olhos mais uma vez nos seus papeis e carimbou um deles, logo depois guardando-o numa das gavetas. Fiquei observando enquanto batia levemente um dos pés no chão, não sou do tipo impaciente, mas estava morrendo de sono também. Foi na vigésima quarta batida que Guibbe abaixou seus óculos, liberou um barulho irritado dos dentes e levantou os olhos para mim, foi quando percebi que ele já devia ter repetido essa cena diversas vezes. E mais uma vez, comigo.
– Michael, você não pode simplesmente invadir minha sala de repente, fazendo acusações malucas e falando coisas sem o menor sentido — arrastou a cadeira para me encarando em um olhar que o superior encara o seu 'aprendiz' quando esse faz uma besteira (por experiencia própria já conhecia), mas de alguma forma tinha algo mais escondido por trás daquilo. — Seu turno acabou já faz três horas, então me aparece aqui com loucuras, do que está falando afinal, garoto?
Garoto, garoto, garoto! Estava de saco cheio ser chamado de garoto, eu tenho 21 anos sabia? Argh. Também estava começando a ficar irritado com coisas que realmente nem ligo, mas depois da noite qual tive imagino quem não ficaria.
Guibbe ia brincar de ator? Via claramente a palhaçada nisso tudo. Não sou só eu, deve ter havido vários, certo? E o cara do telefonema, aquela gravação não parecia muito atual, não sei como deduzi isso mas apenas sabia.
– Senhor, não pode mentir para mim, sei muito bem o que vi! — balancei a cabeça inconformado, olhei seu rosto e notei, um resquício de algo, talvez conivência? Fechei os olhos e respirei fundo tentando me acalmar, quando os abri reparei que num canto de sua sala havia uma mesinha de madeira, logo abaixo tinha também um grosso aparelho de fita cassete... Quem diabos ainda usa isso? Espere! As câmeras... gravações, isso! Ninguém pode negar aos seus próprios olhos, a não ser que queira ser cego a isso — Tenho provas gravadas das coisas que vi, acabei de sair da sala de segurança e garanto que ainda estão lá. Então Guibbe, se não acredita, posso simplesmente te mostrar. — desafiei.
Meu chefe apenas me observou como se eu fosse um incomodo pedaço de pedra no sapato, vi em sua expressão ele ponderar sobre o que ia me dizer, foi rápido. Depois se levantou me encarando com o que poderia ser raiva e um pouco do que chamam "saco cheio", não precisava ser um leitor de mentes para dizer que Guibbe já estava 'por aqui' disso.
– Mike, se acha esperto, mas pode me dizer, quem aceitou esse emprego foi você mesmo. — andou próximo a mim e falou em tom baixo e ameaçador — Fale algo e ganhe belo de um processo bem grande por causa dos papeis, você deveria ler melhor o que assina, mas não importa muito se no final acabar preso, não na cadeia, mas sim numa bela sala branca, cheia de almofadas e drogas para te deixar feliz ou dopado. Você decide.
Uau. Sério, era isso, bem na minha cara, ele mostrou sua verdadeira face, porém eu sabia que tinha muito mais por vir ainda. Processo? Eu só aceitei esse emprego por estar na pior. Hospício? Isso tudo já parecia loucura o bastante.
Se bem que falou uma coisa certa, fui eu mesmo que aceitei o emprego, mesmo depois de todas as dicas aqui e ali, eu vim. Sabia que aconteceria alguma coisa, só não imaginei que seria assim...
Puxei uma cadeira próxima e me sentei, estava cansado demais, já tinha sonhado sobre isso, pensado sobre isso e agora estava discutindo sobre isso. Maravilha!
Virei meu rosto para cima e meus olhos se incomodaram um pouco com a luz amarela e forte, encarei Guibbe. Sabia que não ia ser tão simples.
– E sobre demissão? — perguntei simplesmente
O secretario apenas me respondeu curto e grosso, desconfiado talvez e indiferente por provavelmente já ter recebido perguntas como essa.
– Depois de cinco noites, se não deverá pagar uma multa por danificações ao processo de contratação da empresa, devido aos papeis que assinou se responsabilizando. — ele acenou para um dos papeis que deixou sobre a mesa — se quiser ver agora, mas deveria realmente ler as coisas antes de assinar.
Abaixei a cabeça para os papeis e soltei um resmungo, me repreendendo internamente, eu já devo ter escutado isso antes, mas nem me importa nesse momento, nem com os papeis também, tinha uma copia em casa e poderia ler mais tarde.
Fiz mais algumas perguntas como: "Por que cinco noites?" e "Existe mesmo isso de multa por danificação ao processo de contratação?". Ele apenas me respondeu que não fazia ideia do motivo das 5 noites e quem lida com os contratos não era ele apesar de tudo, quanto a ultima questão ele apenas respondeu com outra: "Quer descobrir?".
Estava cansado daquela coisa toda, como resposta apenas me levantei sem olhar para mais nada além da porta e dei adeus para qualquer coisa ali sem me importar. Antes de sair da pizzaria eu vi aquela ruiva outra vez, me olhava da mesa 7, preocupada, enquanto abraçava uma bandeja que tinha o uso provável de servir os pratos. Acenei um tchau para ela e fui embora. Queria que fosse a última vez, mas pelo jeito era improvável.
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Cheguei em casa umas 12h e qualquer coisa, peguei o ônibus errado e acabei por parar em uma rua que nem conhecia, ao menos peguei uma informação certa para um outro ponto, juntei algumas moedas que sobraram no bolso e consegui pagar uma passagem, aparentemente, toda minha sorte tinha acabado com as moedas, se era sorte mesmo.
A primeira coisa que fiz foi ir para meu quarto, a segunda foi tirar o sapato e a terceira foi fechar os olhos para cair num sono profundo, mas não profundo o suficiente para evitar sonhos.
Vi um fundo escuro, na verdade tudo ao meu redor era, apenas dois buracos de luz ao longe me davam um pouco visão, me aproximei e de certa forma quanto mais me aproximava menor eles se tornavam e mais altos ficavam conforme se chegava mais perto, até o momento em que eles ficaram da altura de meus olhos. Estranho foi quando percebi quão assustadoramente o espaço escuro ao redor se espremia contra mim agora, me rodeando e fazendo-me sentir uma claustrofobia terrível, como se eu houvesse entrado por mim mesmo num local apertado sem perceber. Não poderia voltar, ao que parecia, minha única opção era a de olhar por aqueles buracos, meio rachados nas bordas. Engolindo em seco, pus meus olhos bem encachados nas fendas e... me senti completamente envolvido em algo, quase como uma roupa... uma fantasia? Depois de não conseguir ver nada além de uma porta bem familiar de madeira com uma janelinha de vidro eu já não me sentia tão eu mesmo, nem podia mais me mover. Num momento não foi nada demais, era envolvente, logo depois começou a ficar exageradamente abafado. Aquela coisa me envolvendo então começou a queimar e algo por dentro dela parecia brotar, de fora para dentro, em meu corpo, perfurando e estraçalhando qualquer coisa ali dentro. Não conseguia mais aguentar tamanha dor, até minha própria respiração doía. Apesar de tudo isso, não consegui me mexer, encarava ainda a porta na minha frente com tanta lucidez que julgava ser impossível graças a dor, fiquei assim ao que pareciam anos, muitas pessoas entraram por aquela porta e saíram, o ambiente mudou, juro que vi um garoto parecido comigo várias vezes.
Outras coisas continuaram a mudar, só que, em toda essa passagem de tempo, todas as vezes quando escurecia, aparentemente eu apagava, quando abria os olhos para a claridade eu sentia uma ânsia de vômito horrível, sentia algo grudado a minha boca, sentia um sabor metálico e um cheiro de ferrugem, tinha um terrível sentimento de culpa que não podia explicar, também uma tristeza incontrolável. Como permaneci lúcido não sei, mas quando me vi saindo por aquela porta naquele dia, quando me vi dando um aceno para aquela pessoa...
Foi aí que pisquei, a dor se foi, o pesar, a queimação, a porta, a... loucura?
Acordei no meu quarto olhando para o teto, sentia meus olhos ardendo, o que diabos? Eu estava chorando? Tch. Afastei as lagrimas enquanto pensava também no por que de eu estar tão cansado mesmo depois de ter acabado de acordar.
Fiquei alguns minutos mais na cama pensando sobre o que faria, ainda iria aquela pizzaria? Não poderia fugir e não sabia bem porque não, além disso, nem pensar que eu teria condições para pagar uma multa, que não duvido ser bem alta, quando mal tenho um macarrão instantâneo para jantar, o que na verdade era de fato meu jantar, graças que minha mãe não me visitava mais, iria se espantar com a condição dos armários. Meu estomago roncou, hora de comer a última coisa dos armários.
10 minutos depois estava comendo um bom prato de macarrão com meu ultimo queijo e um suco de caixinha, depois de ter ido embora da casa dos meus pais eu basicamente vivia assim, não que eles soubessem, não gosto muito de comentar sobre essas coisas. As condições deles também não eram maravilhosas e por isso preferi ir embora de casa quando pude, mas sempre passando para dar um ajudinha aqui e ali, meu pai sempre perguntou se eu queria trabalhar com ele, sei que era mais para me ajudar só que... não podia aceitar. Claro, eu sempre fiz bicos para meu pai, nunca pedi nada e mesmo assim ele me insistia em aceitar um dinheiro, ah, queria tanto orgulhar o velhote, por isso sempre economizava um pouco para poder pagar estudos e ver se podia arranjar algo melhor, deixando até a prioridade da comida de lado, em breve eu tenho certeza que poderia conseguir algo com o que eu tinha juntado e precisava do Fazbear... apesar de tudo, mesmo que não fosse apenas por isso...? Enfim, terminei de comer e fui procurar outros empregos no jornal, em breve eu teria de sair daquela pizzaria, tenho certeza que minha mente não aguentaria mais de 5 noites nem ferrando.
Suspirei, meu relógio apitou mostrando que já era hora de me preparar para o que quer que seja hoje a noite.
Eram 11h17 quando olhei em meu relógio, esfreguei as mãos no meu rosto e dei batidas leves, tentando enfrentar a realidade que me esperava ao abrir de uma porta. Ouvi rangidos do outro lado e suei frio; "maldição, coragem Mike, droga!" era o que passava na minha cabeça, mas infelizmente não no resto do meu corpo que tremia dos pés a cabeça. Estendendo a mão para a maçaneta quase tive um ataque quando ela se moveu sozinha para mim, me afastei o máximo antes que a porta se abrisse completamente, logo então soltei o ar que estava segurando quando vi Guibbe. Parecia tão surpreso quanto eu parecia assustado.
– Oh, Michael? — Ele realmente parecia extremamente surpreso me vendo ali, me perguntava porque. Ele hesitou alguns segundos antes de continuar. — Está atrasado.
– Sim estou, se me der licença — Pretendia passar sem falar mais nada, não estava com muita vontade de olhar na sua cara, faria isso se não tivesse bloqueado a passagem.
– Ei, o que você está fazendo aqui ainda? — Tive de levantar meus olhos para encarar sua cara de modo que ele era mais alto do que eu, na verdade muitos eram. Ele olhava para de mim aparentemente desacreditado. — Se você tem uma chance é agora, deveria ir.
Esse cara... esse cara só pode ter sérios problemas na cabeça, mas eu li parte do meu contrato, depois das 11h eu poderia ignorar ordens de qualquer superior, principalmente se estiver tentando me atrapalhar de meus deveres no trabalho, imaginava bem por quais motivos devem existir essa clausula, decidi segui-la devidamente apenas retirando seu braço da frente e fechando a porta atrás de mim, de forma alguma eu estava afim de descobrir o motivo do meu novo gerente querer me enxotar na segunda noite depois da discussão que tivemos, ainda mais agora que eu tinha perdido bastante do meu tempo, então até a 6h da manhã ele não poderia fazer nada, era apenas eu e aquelas coisas lá dentro.
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