Five nights at Freddy's - Mais do que 5 noites
1 Desemprego, memórias e primeiro amigo.
Notas iniciais
Mike — Michael — Schmidt, 21 anos de idade, solteiro e desempregado.
Esse sou eu e minha situação atual. Há, pelo menos, duas semanas que não tenho um emprego, fui recentemente demitido do meu segundo e faz esse mesmo tempo estou em busca do meu terceiro. Estava cansado e recostado sobre o único móvel sentável da minha casa, uma velha poltrona de couro que pertencia antes ao meu pai. Eu não trabalho, certo, mas isso não significa que fique parado o dia todo sem fazer nada, as vezes eu fazia bicos pra meu pai e outras passava o dia inteiro em busca de um emprego fixo, hoje foi o último. Havia andado praticamente por todo o sul da cidade a procura por placas de "precisa-se ...", "procuramos ...", "Vagas para ...", qualquer coisa em que alguém aceitasse um jovem sem muita experiencia em praticamente nada, fora faxina. Sim, trabalhei de faxineiro, foi meu segundo emprego.
Argh.
Passei a mão pelo meu cabelo, a vontade de desistir não era pouca, olhei para a televisão antiga de fundo grande a frente, onde estava o maldito controle...? Enfiado mais uma vez entre as fendas da poltrona. Liguei a Televisão e coloquei em um canal qualquer enquanto desdobrava o jornal.
Passava algo no telejornal aquela noite sobre o desaparecimento de um cara há 90 dias e... ACHEI! O jornal de hoje, eu só pude compra-lo agora na volta para casa e pude ver claramente um anúncio na sessão de emprego; "Precisa-se de guarda noturno, vagas livres, aceitamos qualquer um (xx) xxxx-xxxx". Era muito estranho ter exatamente o que eu precisava bem a frente. O nome do estabelecimento era... Freddy's Fazbear Pizzaria... não pode ser. Esse lugar. Se passaram mais de 10 anos desde minha última visita, lembro de ter inventado várias coisas sobre aquele lugar, só pode ter sido isso. Tudo que aconteceu na minha infância naquele lugar foi absurdamente irreal e provavelmente porque eu era solitário...
– — — — — — — — — FLASH BACK — — — — — — — — -
Ah alguns anos atrás eu era um garoto introvertido, acho que até hoje sou um pouco. Quando tinha 7 anos meu pai me levava constantemente para essa pizzaria por ter os preços mais em conta, eu não gostava muito de lá, principalmente do tal Freddy. Nunca fui com a cara daquele urso. Um dia porém, fui forçado a brincar com as outras crianças, era tudo muito entediante e a banda Fazbear tocava para o aniversario de alguém enquanto coloríamos. Aquele urso me assustava demais e nunca ousei ficar de costas para ele quando ia lá. Principalmente, nunca ia ao banheiro, para ir eu teria de passar pelo palco próximo ao corredor que dava pro caminho. Só que aparentemente o universo não liga para essas coisas, então deu um jeito de fazer um garoto bobão tropeçar em alguns papeis e derrubar seu prato de bolo em mim. Não teve jeito, minha mãe disse que de forma alguma eu fiaria assim e me mandou ir sozinho ao banheiro para se limpar porque eu já era grande o suficiente, ela nunca foi muito super protetora comigo mesmo. Suspirei. Quem quer que tivesse visto a cena deveria ter me achado um maluco, por mais que eu tenha tentado disfarçar, passei colado a parede sempre olhando atentamente aos movimentos de todos os animatronics cuidadosamente, passo após passo, no momento que iria me virar para fora da visão do palco eu podia jurar que vi, não o Freddy mas sim, Bonnie me olhar de lado rapidamente com um sorriso, não assustador, mas como se ele achasse graça de algo (não que um bicho robótico sorrindo para você fosse uma coisa maravilhosa). Eu quase tropecei e escorreguei rapidamente até o banheiro, mas tarde tentaria me convencer sozinho de que havia sido apenas minha imaginação.
A maior parte do tempo qual passei no banheiro foi pensando se devia ou não trancar a porta, parecia maluquice, mas eu sentia que tranca-la não ajudaria muito. Então o resto do tempo foi lavando meu cabelo e a camisa, demorei ainda mais por causa das pausas para observar ao redor, quando finalmente tirei o último vestígio de bolo fui até a porta, contei de um a cinco e abri. Tinha decidido que ia sair correndo de lá rapidamente. Foi quando ouvi um som baixo e meio diferente de tudo no salão principal, uma música baixa passava por dentre as frestas de uma porta esquecida aberta entre o inicio e o fim do corredor. A música parecia cantarolada, sem palavras, uma melodia triste e muito parecida com canções de filmes e desenhos piratas. O problema era que o som vinha de uma salinha totalmente escura e com formas absurdamente assustadoras e... ei! Não sou um medroso, eu era uma criança, num lugar assustador e depois de Bonnie e tudo mais eu estava pronto para meu plano inicial, correr. Porém, algo me fez pensar melhor, acho que era a curiosidade e esse foi sempre um dos principais problemas.
Quando passei para dentro do quarto fiquei no modo paranoia ligado, tudo tinha a forma de algo que queria levar a minha alma e até devo ter visto um Freddy dourado e gigante atrás de umas caixas, devia ter sido imaginação pois quando olhei novamente havia sumido e pude respirar mais uma vez.
Segui o som da canção e acabei parando em frente á um palco com rodinhas, tinha placas de: "Sorry, out of order" (não faço a minima ideia do que signifique), atrás uma cortina enorme, purpura e cheia de estrelas cobria tudo. A música vinha de dentro, mas quando tropecei em algumas caixas ela parou abruptamente e pude ouvir um som mais baixo ainda de algo rangendo, depois mais nada. A essa altura minha curiosidade era maior que qualquer medo meu, então subi no espaço vago do palco cuidadosamente para que as rodinhas não se mexessem muito, estendi meu braço tremulo para uma das abas da cortina e sem pensar abri uma fenda suficientemente grande para dar uma espiada dentro. Lembro que fiquei muito surpreso, havia ali um outro animatronic e reparado isso minhas mãos começaram a suar, mas ele parecia desligado, então de onde poderia ter vindo a melodia? Olhei mais uma vez para ele, estava bem acabadinho e devorado pelas traças, suas pernas pareciam bem danificadas e em algumas partes o pelo artificial parecia cair, ele parecia vestido como um pirata, havia um tapa olho e até mesmo um gancho, muito assustador por sinal, que era meio avermelhado escuro em algumas partes, deduzi então ser ferrugem. Também tinha sua boca que ficava dependurada, parecia quebrada nessa posição. Ele tinha uma bela cor vermelho amarronzado, e imaginei pelo formato que devia ser uma raposa, e estava sozinha lá, no escuro. Não sei porque, mas apesar de me assustar um pouco eu fiquei muito triste por ela.
– Por que será que fica aqui sozinho hein? — perguntei me sentando de frente para ele, apesar do medo eu sabia como era ficar só e por isso não quis deixa-lo ainda. — Por que não está com os outros? O urso te assusta também?
No final nem lembrei que eu havia ido lá por causa de um som que havia ouvido, nem que não tinha achado o lugar do qual poderia ter surgido, porém fiquei muito tempo lá conversando com ele, fazendo perguntas e as vezes fingindo que me respondia. Tive muita vontade de toca-lo, mas não passou da vontade, achei melhor não o fazer. Então me lembrei que tinha de ir.
– Ah... já passou muito tempo — olhava para meu relógio de plastico no pulso, lembro que era bem vagabundinho, desses que são feitos para crianças — mamãe deve estar querendo me matar...
Quando murmurei a parte do "me matar" eu acho ter percebido uma reação da raposa, uma das suas orelhas e talvez seus olhos se mexeram, mas tinha duvidas pois foi muito rápido. Comecei a descer do palco.
– Sinto muito, eu tenho que ir agora — no fim, acho que não tinha mais medo. — Pena que não sei seu nome...
Olhei mais uma vez para ela, a raposa digo, eu já não estava mais lá em cima e deixei as cortinas abertas para que não ficasse tão triste ali dentro, pois era assim que parecia quando dei aquela ultima olhada, uma aparência mais triste desde o momento em que eu havia chegado. Quando dei as costas para ela ouvi um rangido, foi muito agonizante e meio assustador, então olhei para trás, a raposa fez um movimento letárgico e levantando o gancho, com uma voz meio falha e estática falou: "O-olá marujoss, me chamo Foxy e sou seu capitão! Yaarr!!". Logo depois voltou a mesma posição.
Eu travei, sim, olhei estupefato para ele, várias sensações passaram pela minha cabeça e a única coisa que falei finalmente foi "minha nossa". Mas eu havia entendido o recado.
– Prazer Foxy, me chamo Mike — falei sorrindo de orelha a orelha, olhei aflito para o relógio e novamente pra ele — Eu volto, volto mais uma vez para te ver, okay?
E sai correndo pela porta, parando para dar uma acenada. Quando passei pelo palco esqueci completamente de Freddy e os outros, quando voltei para perto dos meus pais eles aparentemente não perceberam que eu havia sumido, talvez pensassem que eu estava brincando, mas quando pedi para voltar no outro dia meu pai pareceu muito feliz. Mas não mais que eu que estava muito ansioso pela próxima visita!
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