P.O.V. Ford

Quinta noite. Tenso...

Catherine se juntou a nós. Essa é ótima, uma robozinha hiperativa. Até de mais, para o meu gosto. Fisicamente ela até parece um pouco com Annie, mas a programação delas é completamente diferente.

—Deixe-me ver se entendi-nosso querido e lerdo Arthur falou-Cada um de vocês possui uma programação que foi feita quando foram criados. E ela não pode ser alterada?

—Nossa aparência física pode ser alterada facilmente. Nossas habilidades...isso dá um trabalhinho maior. Mas nossa programação? Somos de um jeito e isso não muda. Pelo menos não se tratando de mim e Annie, que somos mais antigos-Teddy respondeu.

—E o que seria essa programação exatamente?

—Veja bem, quando eu e Teddy fomos criados eles estavam iniciando uma experiência que faria robôs sentirem emoções e necessidades humanas, mas não todas elas, pois os sistemas da época não eram avançados o suficiente para armazenar e entender informações tão complexas. Eu, por exemplo, sinto algumas coisas básicas como alegria e tristeza e algumas coisas um pouco mais complexas, como o medo. Mas amar, isso é algo bem mais complexo, então não sou programada para sentir isso. Teddy, por outro lado, foi programado para amar, já que isso poderia ser armazenado no banco de dados se as emoções um pouco mais complexas como o medo não fossem usadas-Annie explicou.

—Por Annie não sentir o amor, criaram a Catherine para acompanhá-la contando histórias. Cat já é mais recente e seu sistema possui configurações diferentes. Annie e Cat são uma ótima dupla, já que o que uma não tem a outra tem. Por isso que a Cat é mais...animadinha. Os romances, como deve esperar, vêm dela, apesar de que ela não gosta daqueles muito melosos-Teddy concluiu.

—Não entendi nada-falou Arthur.

—Mas é claro que não...-murmurei.

—Gente, foco!-Jeanine pediu-Cat, você fica comigo e Annie fica com Ford.

—Annie e Ford, juízo-disse Teddy.

Eu poderia jurar que vi ela corar.

—Cala a boca antes que eu a arranque e jogue na privada-ela devolveu.

—Por que está tão certa dessa sua teoria de animatrônicos possuídos?-perguntei à Jeanine.

—Porque faz sentido! Diziam que os animatrônicos eram possuídos pelos espíritos das cinco crianças desaparecidas. As pessoas achavam que um funcionário as matara e seus espíritos possuíram os animatrônicos para buscarem vingança. Há um boato de que o assassino foi cercado pelos espíritos das crianças e, desesperado, ele se escondeu dentro da fantasia de Spring Bonnie. As molas foram acionadas e o mataram. Desde então ele possui Spring Bonnie. Era até uma atração da Fazbear's Fright, como já sabe. Mas...se nada muito grande sobrevivera ao incêndio, não vejo outra explicação além de que o espírito do assassino fugiu de lá ainda possuindo a fantasia.

—Descobriremos isso hoje.

Annie e eu fomos para a ventilação. O plano estava pronto, só esperávamos o momento certo.

Depois de um tempo, ouvi um barulho vindo da porta da sala. Foi chegando mais perto.

—Gente...-ouvi a voz desesperada de Arthur.

Quase que eu pulei dali e estraguei o plano, mas Annie me segurou.

—Espere mais um pouco. Spring Bonnie precisa de uma distância certa para atacar, Jeanine me explicou. Seu namorado não está em risco-ela disse.

—Ele não é meu namorado.

—Sei...

—Shhh!

Esperamos mais alguns segundos e vi Spring Bonnie. Estava exatamente como me lembro. Saltei para fora da ventilação, caindo bem atrás dela e sem emitir algum som alto o suficiente para chamar sua atenção. Sentia os olhares curiosos dos outros da sala em mim, mas me foquei na missão. Um movimento errado e eu estaria, na melhor das hipóteses, morto.

Fiz um pequeno teste. Joguei uma bolinha de algodão no chão, bem onde Spring Bonnie pisaria. Como eu temia, ela sentiu que pisara nele. Droga, ela percebe até os toques mais suaves.

Mudei a estratégia.

Peguei um soco inglês e soquei com tudo a parte de trás da cabeça do animatrônico.

Spring Bonnie cambaleou, meio atordoada. Isso me deu tempo suficiente para arrancar a portinha que dá para o painel no pescoço do animatrônico. Ah, lá estava o que eu procurava.

Ainda bem, eu estava certo!

Ok, posso respirar agora.

Arranquei o chip e Spring Bonnie caiu no chão, desativada. Todos saíram de seus esconderijos.

—Como sabia?-Jeanine perguntou.

—Tirei um desses do pescoço de Jake.

—Então...alguém está controlando os robôs?

—Exato.

—E esse chip pode nos mostrar quem é-disse Catherine-Se o vigia fica até as 6.00, Spring Bonnie só poderia tentar matá-lo até esse horário. Depois disso, quem controla ela provavelmente a faria voltar.

—Onde quer chegar?-Jamie perguntou.

—Faltando um minuto para as seis, coloque o chip em mim-ela me disse.

Entendi o plano dela. Receberia a ordem de voltar, seguiríamos ela e descobriríamos quem controlava Spring Bonnie.

Ouvi um barulho atrás de mim, seguido de um grito. Virei-me e dei de cara com Spring Bonnie, de pé e com os olhos brilhando. Seguia em direção a Arthur, que estava tremendo de medo.

Pulei em cima da coelha amarela, derrubando-a. Com uma força que não sei de onde veio, arranquei sua cabeça. Seus olhos piscaram até apagarem. Soltei o ar que prendia e larguei a cabeça de coelho no chão.

—Como...-Teddy estava para perguntar, mas o interrompi.

—Parece que sua teoria não estava de toda errada, Jeanine.

Ela arregalou os olhos e estremeceu. Percebi uma coisa engraçada. Jamie e ela estava de mãos dadas. Sorri maliciosamente. Ambos coraram e se afastaram.

Fui até Arthur. Ele caíra no chão enquanto recuava. Estendi minha mão, ele segurou-a e o ajudei a se levantar. Sua mão estava fria, seu rosto pálido e ele ainda tremia.

—Eu nunca mais vou querer ver um coelho na minha vida.

Eu ri e o abracei.

—Tente não chegar mais tão próximo de morrer. Não que eu me importe.

Então o soltei. Viu? A cor voltou para o rosto dele rapidinho. Ri novamente e me deparei com os sorrisos maliciosos dos outros.

—Sabe...eu estava querendo perguntar o porquê de Annie se parecer tanto com Jeanine-sorri.

—Não é o que está pensando-respondeu Jamie corando.

—Claro que não.

—Foco!-Jeanine pediu-Um minuto para as seis, Ford.

Ih, é, quase esqueci.

Coloquei o chip no pescoço de Catherine. Enquanto isso, Jamie mexia nos três robôs e mudava a opção que os fazia ficarem em modo livre só até as seis.

Finalmente o minuto passou. A robozinha se virou e saiu andando, parecendo hipnotizada.

Seguimos ela e, para a nossa surpresa, não fomos tão longe.

—Essa é a minha casa!-exclamou Jamie.

—Jamie...-Annie se virou para ele-Quando seu pai volta de viagem?

—Ele chegou meia noite, por quê?

Troquei olhares com Annie. Não acredito...

—Vocês não acham...-Jeanine começou.

—Só há um jeito de descobrir-falei.

Catherine entrara pela garagem. Seguimos ela e, como suspeitávamos, lá estava John, o pai de Jamie.

—Pai?!-ele perguntou.

O homem nos encarava, em choque.

Acho que não era para descobrirmos.

Oops.

Desculpa, fofo.

—Então era você!-Jeanine foi até ele, tomando o celular de sua mão.

Pude ver na tela escrito: retornar ao local de início.

Jeanine jogou o objeto no chão e quebrou-o. Catherine voltou ao normal. Tirei o chip de seu pescoço, pois ela reclamava que aquilo a estava incomodando.

—Ora sua...-ele disse em um tom ameaçador e tentou atacar Jeanine.

Jamie se colocou entre os dois e empurrou o pai.

—Awww!-murmurei.

—Péssima hora para isso, Ford. Péssima hora-Arthur falou.

—POR QUE FEZ ISSO COM OS ROBÔS?!-Jamie gritou.

—São criaturas perigosas, filhos. Essa garota-apontou para Annie-Atacou uma criança. E você ainda queria deixar esse monstro solto na confeitaria.

—DO QUE ME CHAMOU?!-Annie tentou partir para cima dele e Teddy teve que segurá-la.

—Tirei Spring Bonnie dos restos da Fazbear's Fright antes que alguém a achasse. Eu queria usá-la na minha confeitaria, mas não tinha como trazê-la às condições originais. Aquilo era uma armadilha de molas. E ainda tinha aquele esqueleto sinistro lá dentro. Mas achei uma nova aplicação para ela quando você reabriu a Teddy's. Com aquele chip, eu a controlava. Fiz Spring Bonnie matar os vigias e fui colocando os chips nos outros robôs um a um para pensarem que o que aconteceu com a franquia Fazbear estava acontecendo de novo. Mas os boatos não se espalharam.

—Quer saber? Vou ligar para a polícia-disse Arthur, pegando o celular.

John tentou avançar nele, mas fiquei entre os dois.

Parece que meu olhar de "tente alguma coisa se quiser que eu arranque suas mãos e te faça engolí-las" é melhor do que eu pensava.

O homem recuou, mas ainda havia um sorriso presunçoso em seu rosto.

—Não podem provar nada-falou.

—Ah, eu acho podemos sim-disse Annie, sorrindo cruelmente, enquanto tirava um gravador do bolso.

Eu adoro essa garota.

Só então percebi que Arthur já ligara para a polícia. Ele disse que havia dois policiais há uns dez metros da casa de Jamie. Eles realmente não demoraram muito para chegar.

Ouviram a gravação, analisaram a situação e prenderam John.

Estava feito.

Os robôs voltaram para a confeitaria e nós, humanos, ficamos caminhando pela rua vazia.

—Somos uma boa equipe-Jeanine sorriu.

Empurrei-a "sem querer", fazendo-a cair em cima de Jamie, que me encarou corado e confuso. Pisquei para ele. Eu quase pude ouví-lo pensar: filho da puta.

Mas ele agarrou a oportunidade.

Aham.

Jamie beijou Jeanine.

Arthur e eu continuamos andando, deixando o casal sozinho.

—Ela tem razão. Poderiamos fazer mais investigações. Quem sabe investigar os mistérios da Fazbear? Quer dizer...eu soube que foi divulgado que um urso amarelo deu a mordida de 87. Mas eu conheço a história da franquia e, em 87, esse urso, o Fredbear, estava fora de uso. E também...

Eu ri.

—Calma, cara.

Ele me encarou, erguendo as sobrancelhas. Eu o segurei pelos ombros e falei.

—Não cabe à nós resolver esses mistérios.

E então, eu o beijei.