"Enfrente seus medos enquanto está acordado para eles não te perturbarem durante o sono."

QUASE TODAS AS PESSOAS da casa dormiam quando surgiram as primeiras rajadas do sol, não era o caso de Alvo Potter. O menino se levantou ansioso pelo dia que havia esperado por tantos anos com as histórias emocionantes de seu pai e algumas aventuras poucas aventuras que seu irmão mais velho lhe contava, afinal Tiago não queria que o mais novo soubesse de seus esconderijos, para não usar quando estivesse por lá. Agora, ele iria finalmente embarcar pela primeira vez no trem de Hogwarts.

Ele sentiria saudades de sua família, mas Tiago estaria lá e grande parte de seus primos, então imaginou que Hogwarts seria como se fosse sua casa. Ao olhar pela janela, imaginou como seria a vista para o lago na Torre da Grifinória, mas e se ele acabasse indo para a Corvinal? Seus pais sempre diziam que ele era inteligente. E pensou se também era possível ver o lago da torre da Corvinal. Afinal, pensou, a Corvinal também não seria ruim, certo? A menos que ele fosse o único a ir para essa casa. E se fosse para uma casa que não gostasse, será que poderia mudar no ano seguinte?

Alvo respirou fundo e saiu da janela, antes que entrasse em pânico e foi se arrumar. O garoto tomou um longo banho para esfriar a cabeça e deitou em sua cama encarando o teto de seu quarto, mas seus questionamentos eram infinitos. Será que a cama de Hogwarts era confortável? E se seus companheiros de quarto não falassem com ele? O chuveiro de Hogwarts era bom para tomar banho? O que aconteceria se por engano alguém explodisse a sua cama? Afinal, seu pai tinha um colega que explodia tudo não é mesmo?

Uma batida na porta tirou Alvo de seus milhões de pensamentos.

— Entra. — Alvo disse sem se mexer e colocou o travesseiro em cima da cabeça.

— Bom dia filho. Acho que hoje é um dia muito especial não? — Harry disse rindo com a visão do filho coberto e foi andando até se sentar do seu lado na cama.

— É sim. — Alvo disse pensativo e tirou o travesseiro do rosto para se sentar. — Se eu não gostar, eu vou posso voltar?

— Por que está me perguntando isso filho? — Harry perguntou confuso. — Você estava todo animado ontem.

— Eu sei! — Alvo se levantou da cama e começou a andar para um lado pro outro. — Mas aí tem o chuveiro, e a explosão e tem essa droga de janela, e... E se eu não puder ver o lago?

— Hmm... Que? — Harry perguntou confuso e Alvo respirou fundo antes de se jogar novamente na cama.

— Pai, se eu não gostar dos meus companheiros de quarto... Posso ir para outro? — perguntou o filho deitado.

— Creio que sim, se tiver um bom motivo, já ouvi falar sobre um caso desses. — Harry respondeu tranquilizando o filho.

— Mais uma pergunta. — disse Alvo. — O chuveiro é bom?

— Não é ruim, mas se você se tornar monitor, poderá usar o banheiro dos monitores que é maravilhoso a partir do quinto ano. — Harry respondeu e Alvo se levantou depressa.

— Então quer dizer que vou ter que esperar, com sorte, por CINCO ANOS pra tomar um bom banho? — Alvo disse exasperado e Harry riu. — Eu desisto, não quero mais.

— Vai desistir só por causa do banho? — Harry perguntou.

— Não é só o banho pai. — Alvo falou indo pra janela. — Nossos tios eram pessoas ruins, faz sentido você ter gostado de Hogwarts, porque o Tio Ron é legal e tem a mamãe, mas aqui em casa vocês já são legais e se o legal de lá não for bom o suficiente pro legal vocês.

— Ok, acho que estou começando a entender onde quer chegar. — Harry disse e foi até a janela e se sentou ao lado do filho. — Hogwarts acima de tudo é uma escola. Cheia de regras, com aulas chatas, alguns professores que pegam no seu pé, você vai ter que atuar alguns alunos que não gosta e...

— Não está ajudando. — interrompeu Alvo.

— O que importa é que você vai aprender a usar magia, controla-la e mesmo que talvez demore um pouco, ou que na casa que você esteja não tenha vista pro lago, mas tenho certeza que você vai encontrar o seu lugar. — Harry disse e o filho o abraçou agradecendo, agora já bem mais tranquilo com a viagem. — Além disso, acho que está na hora de te entregar seu presente não?

— Presente? — Alvo falou se animando. — Que presente?

— Já que está indo para Hogwarts, merece receber alguma coisa. — Harry riu e com um aceno na varinha, mostrou a nova coruja do filho. — Gostou?

— Cla... Claro pai! — Alvo respondeu abraçando o pai. Agora não precisaria mais pedir ao Tiago. Ele observou a coruja branca, e notou que na ponta as penas ficavam pretas, parecido com um sorvete de flocos.

— De nada filho, agora vamos descer para o café da manhã? — Harry falou sorrindo por seu filho finalmente estar feliz.

— Vamos sim.

Eles desceram e o garoto ficou impressionado ao ver seu irmão arrumado sentado na mesa, com certeza aquilo não era uma coisa muito fácil de acontecer, na verdade, era quase impossível. Mesmo nos dias em que ia para Hogwarts, Tiago gostava de dormir o máximo que conseguia, porque dizia que a primeira noite na Grifinória era sempre atarefada, o que quer que isso quisesse dizer.

— Levantou cedo. — Alvo disse para Tiago que olhou para o pai.

— Melhor evitar do que remediar querido irmão. — Tiago disse e Harry riu enquanto se aproximava da mesa, considerando que seria mesmo melhor não contar para sua esposa sobre o episódio com a água.

Alvo já se sentia novamente ansioso com a viagem. Antes de sair Tiago disse que faltava alguma coisa para pegar em seu quarto e queria a ajuda de Alvo para procurar. Chegando lá Tiago fechou a porta e começou seu discurso.

— Sabe Alvo, não precisa se preocupar. A chegada em Hogwarts é normal, as sereias e as lulas gigantes do lago deixam você passar tranquilamente... Isso é claro, se você não olhar para baixo, sabe... Os olhos das sereias são penetrantes e te hipnotizam, mas nada que um belo Sonserino como você não possa evitar. — Alvo tentou interromper, mas Tiago continuou falando. — Ah, e é claro que você vai para a Sonserina, eu e o Chapéu Seletor sabemos bem o que se passa por dentro dessa sua cabeça. Será um pazer te derrotar na Copa das Casa. Bom maninho, nossa conversa acabou e não se preocupe, o Mapa do Maroto está comigo.

O garoto já não estava mais preocupado, e sabia que seu irmão tinha dito aquilo só para assustar. E mesmo assim, não esperava que o mais velho lhe falasse aquilo.

— Você não vem? — Tiago disse indiferente indo em direção á porta.

— Vo... Vou. — Alvo falou recuperando a voz e disse antes de passar na frente do irmão. — Não se precupe maninho, vou ter o prazer de te vencer, na Corvinal, afinal, todos sabem que sou o mais inteligente.

Alvo saiu bravo do quarto, ele queria estar na mesma casa que o irmão e a maioria de seus primos. Não queria realmente ir para a Corvinal, mas e se Tiago estivesse certo e ele fosse para a Sonserina? Não! Ele tinha que ir para a Grifinória. Mas se por acaso o Chapéu Seletor errasse? O que ele faria? Ele tinha conversado com seu pai sobre mudar de quarto, mas será que era possível mudar de casa também? Seu pai se decepcionaria? E a Rose? Será que ele e ela iriam perder a amizade que sempre tiveram apenas por não estarem na mesma casa?

— Está tudo bem? — Harry perguntou notando a preocupação do filho.

— Não. — assumiu.

— Não se preocupe filho, vai dar tudo certo. — Harry assegurou e Alvo sorriu pensando no que o pai havia lhe dito pela manhã.

Depois de entrar no carro, ele estava perdido em seus pensamentos e só percebeu que chegado à estação quando o Tiago começou a reclamar ao seu lado para que ele saísse logo do carro. Ele estava acostumado com a estação de King’s Cross, mas pela primeira vez os Potter estavam levando dois carrinhos. As duas grandes gaiolas sacudiam em cima dos carrinhos cheios que os pais empurravam e as corujas piavam indignadas. Lílian acompanhava chorosa os irmãos, agarrada à mão do pai.

— Não vai demorar muito, e você também irá — disse Harry.

— Dois anos. — fungou Lílian. — Quero ir agora!

As pessoas olhavam curiosamente para as corujas enquanto a família se dirigia para a barreira entre as plataformas nove e dez. Tiago estava atrás discutindo com Alvo e Harry se virou para finalizar a discussão assim que ouviu Alvo gritar.

— Não vou! Não serei da Sonserina!

— Tiago, dá um tempo! — reclamou Gina.

— Eu só disse que ele poderia ser! — Tiago falou e sorriu para seu irmão mais novo. – Não tem nada de errado nisso. Ele pode ser da Sonse...

O mais velho ia finalizar a frase, mas ao ver o olhar furioso de sua mão ficou quieto e continuou a andar até que os cinco Potter se aproximassem da barreira. Sorrindo maroto para seu irmão, por sobre o ombro, Tiago pegou o carrinho das mãos da mãe e se pôs a correr. Segundos depois, ele havia desaparecido.

— Vocês vão me escrever, certo? — Alvo perguntou para seus pais, aproveitando a ausência de seu irmão.

— Todo dia, se quiser. — disse Gina.

— Não todo dia. — Alvo pediu rapidamente. – Tiago disse que a maioria só recebe uma carta por mês da família.

— No ano passado escrevíamos para ele três vezes por semana. — confessou Gina.

— E não queira acreditar em tudo o que ele diz sobre Hogwarts. — complementou Harry. – Ele gosta de umas travessuras, o seu irmão.

Lado a lado, eles empurraram o segundo carrinho, ganhando impulso e, quando chegaram à barreira, Alvo fechou os olhos, esperando por uma colisão que não veio. Ao invés disso, a família emergiu na plataforma nove e meia que estava coberta pelo vapor lançado pela locomotiva vermelha do Expresso de Hogwarts. Figuras indistintas se moviam através da névoa, na qual Tiago já havia desaparecido.

— Onde eles estão? — quis saber Alvo, ansioso, observando as pessoas entre a fumaça enquanto eles cruzavam à plataforma.

— Nós vamos achá-los. — disse Gina, tranquilizando-o.

Mas o vapor era denso, tornando difícil distinguir o rosto de alguém. Separada de seus donos, as vozes pareciam anormalmente altas, Harry pensou ter ouvido Percy discursar sobre a Regulamentação de Vassouras e ficou agradecido por ter uma desculpa para não ter que parar e cumprimentá-lo...

— Eu acho que são eles ali, Al. — disse Gina de repente.

Um grupo de quatro pessoas saiu da neblina, próximos ao último vagão. Seus rostos só se tornaram nítidos quando Harry, Gina, Alvo e Lílian se aproximaram deles.

— Olá. — disse Alvo, imensamente aliviado.

Rose, que já estava usando os trajes novos de Hogwarts, sorriu para o garoto.

— Então, estacionou bem? — Rony perguntou a Harry. – Eu estacionei. Hermione não acreditou que eu pudesse passar no exame de direção dos Trouxas, não é? Ela achava que eu teria que confundir o examinador.

— Não, não achei. — disse Hermione. — Depositei minha fé em você!

— De fato, eu o Confundi um pouco. — Rony sussurrou para Harry, enquanto ambos colocavam o malão e a coruja de Alvo no trem. – Eu só me esqueci de usar o espelho retrovisor, mas na real, eu posso usar um feitiço Supersensorial para isso.

De volta à plataforma, eles encontraram Lílian e Hugo, o irmão mais novo de Rose, tendo uma conversa animada sobre em qual Casa ficariam quando finalmente fossem para Hogwarts.

— Eu o deserdo se você não for da Grifinória, — disse Rony — mas nada de pressão!

— Rony!

Lílian e Hugo riram, mas Alvo e Rose permaneceram sérios.

— Ele não quis dizer isso! — disseram Gina e Hermione, mas Rony não estava mais prestando atenção. Olhando para Harry ele indicava com a cabeça um local a alguns metros dali. A névoa parecia ter diminuído um pouco, tornando possível ver três pessoas paradas, aliviadas pela neblina que se movia.

— Olha quem é.

Draco Malfoy estava em pé, com sua mulher e filho, um casaco abotoado até o pescoço. Seu cabelo estava com uma entrada, te tal modo que acentuava seu queixo fino. O filho lembrava tanto Draco assim como Alvo lembrava Harry. Draco percebeu que Hermione, Harry, Rony e Gina olhavam para ele, acenou brevemente, e deu as costas ao grupo.

— Então aquele é pequeno Scorpius. — disse Rony entre os dentes. — Arrase-o em todos os testes, Rosie. Graças a Deus que você tem o cérebro de sua mãe.

— Pelo amor de Deus, Rony. — disse Hermione, um pouco nervosa, um pouco sorridente. — Não coloque eles um contra o outro antes mesmo de as aulas começarem!

— Você está certa, desculpe. — disse Rony, mas incapaz de se segurar, completou. – Mas não fique muito amiga dele Rose, vovô Weasley nunca a perdoaria se você se casasse com um puro sangue!

— Ei!

Tiago havia retornado. Tinha se livrado do carrinho, do malão e da coruja.

— Teddy está lá atrás agarrando a Victorie. — disse girando os olhos. — Mas como não suporto ver aqueles dois eu apareci lá para avisar que eu estava vendo tudo o que eles faziam e disse para o Teddy que ele segurasse a mão dele em cima da cintura de Victorie ou não teria mais uma mão quando chegasse a Hogwarts.

Eles riram da crise de ciúmes do Tiago. Deveria ter interferido antes de ficarem noivos, pensou Alvo.

— Você é tão parecido com o Rony. — disse Gina. — Deixe eles aproveitar, afinal a família de Victorie mora na França, enquanto ela não vier para Londres eles aproveitam aqui não?

— Por que não a convidamos para morar conosco e acabamos logo com isso?

— Boa! — disse Tiago, entusiasmado. – Eu não me importo em dividir o quarto com o Al... Victorie poderia ficar com o meu!

— Não. — disse Harry firmemente. — Você só irá dividir um quanto com o Al quando eu decidir demolir a casa.

Ele olhou para o relógio gasto que antes pertencera a Fabiano Prewett.

— Já são quase onze, é bom subirem a bordo.

— Não se esqueça de dar um abraço em Neville. — Gina pediu ao filho mais velho enquanto o abraçava.

— Mãe! Eu não posso dar um abraço a um professor!

— Mas você conhece o Neville... — falou a riuva e Tiago girou os olhos.

— Fora de escola sim, mas lá, ele é o Professor Longbottom, né? Eu não posso entrar na aula de Herbologia e lhe oferecer carinho.

Balançando a cabeça para as bobagens da mãe, ele aliviou seu aborrecimento dando um chute no irmão.

— Te vejo mais tarde, Al. E cuidado com os testrálios!

— Pensei que eles fossem invisíveis. Você me disse que eles eram invisíveis!

Mas Tiago simplesmente sorriu e deixou que a mãe o beijasse, deu um abraço rápido no pai e entrou no trem. Ele acenou e depois atravessou o corredor, em busca de seus amigos.

— Não se preocupe com os testrálios. — assegurou Harry – Eles são bem dóceis, não precisa ter medo deles. Além disso, você não vai para a escola em carruagens esse ano, você vai de barco.

Gina deu um beijo de despedida em Alvo.

— Vejo vocês no Natal.

— Até mais, Al. — sussurrou Harry enquanto seu filho o abraçava. – Não se esqueça de que Hagrid o convidou você para tomar chá na sexta. Não se meta com o Pirraça. Não duele com ninguém até você ter aprendido como, e não deixe o Tiago te incomodar.

— Mas se eu for para a Sonserina?

Sussurrou somente para o pai e Harry agachou-se, seu rosto um pouco abaixo ao rosto de Alvo. O único entre os seus três filhos que herdou os olhos de sua mãe.

— Alvo Severo. — disse Harry tão baixo que somente eles e Gina puderam ouvir, embora ela fingisse, discretamente, que acenava para Rose, que já havia embarcado. – Você tem o nome de dois diretores de Hogwarts. Um deles era da Sonserina e provavelmente o homem mais corajoso que já conheci.

— Mas e se...

— A Casa de Sonserina ganhará um excelente aluno, não é? Isso não é importante para nós, Al. Mas se é importante para você, você pode escolher a Grifinória ao invés da Sonserina. O Chapéu Seletor considera a sua escolha.

— Sério?

— Ele considerou a minha. — assumiu Harry.

Ele nunca havia contado isso a nenhum de seus filhos, e ele foi capaz de ver a surpresa no rosto de Alvo quando o fez. Mas como as portas estavam se fechando pelos vagões e os pais davam os últimos beijos de despedida, Alvo correu para seu vagão e Gina fechou a porta atrás dele. Os estudantes estavam debruçados na janela, acenando para seus pais. Um grande número de rostos, dentro ou fora do trem, parecia estar voltado para Harry.

— O que eles estão olhando? — quis saber Alvo, enquanto ele e Rose olhavam em volta, para os outros estudantes.

— Não se preocupe. — disse Rony — É que eu sou muito famoso.

Alvo, Rose, Hugo e Lílian riram. O trem começou a se mover e Harry se pôs a andar ao seu lado, vendo o rosto do filho, cheio de excitação. Harry continuou sorrindo e acenando, mesmo que não fosse realmente uma despedida, vendo seu filho se distanciar dele...

O último vestígio da fumaça sumiu no ar do outono. O trem fez a curva. Harry ainda tinha a mão erguida, se despedindo.

Próximo Capítulo:

Scorpius olhava chocado a cena que se desenrolava a sua frente. Traidores. Isso que seus amigos eram. Se já estivesse aprendido algum feitiço, teria usado para acabar com a graça de todos eles. Talvez, pensando melhor, ainda bem que não sabia.

— Aconteceu alguma coisa Scorp? — Mathews perguntou ao ver o olhar furioso que Scorpius lançava para ele.

— Como você trás essa menina aqui para dentro depois de ela ter falado TUDO AQUILO de mim! — Scorpius gritou irritado se levantando.

Notas finais
N/A: Oii, não aguentei a vontade de esperar para postar esse capitulo, vou postar o próximo na quinta. Melissa obrigada pelo comentário, me deixou realmente feliz, obrigadinha *-* Espero que estejam gostando, deixem comentários. Beijiinhos