First Day of Spring

14 Novo Sentimento


Notas iniciais
Olá leitoras maravilhosas! Desculpe por ficar tanto tempo sem postar nada. Andei viajando umonte essa semana, fiquei doente, cansada e preguiçosa. Sinto muito! Obrigada por ainda lerem minha fanfiction e estarem aqui comigo. Espero que esteja tudo bem com vocês. Para as Shippers de Fay + Jack, acho que vocês vão gostar desse capítulo. Hehehehe. Espero ansiosa pelos comentários de vocês!

“Ah, o prazer da água quente no corpo num dia frio. Não há nada melhor.” Pensou Fay durante o banho. Mas talvez... Não. Com certeza haveriam coisas melhores, e ela sabia disso. O próprio frio em pessoa estava em seu quarto e ela desistiria de qualquer banho quente sem pensar duas vezes para passar mais alguns momentos com aquele frio. Por mais gelada que fosse a brisa que vinha dele, a sensação que chegava nela era quente. Aquecia o coração, as bochechas, e ainda deixava um arrepio pelo corpo. Era mágico. Ela queria poder reviver cada um desses momentos que passava com Jack, e ainda assim não seria suficiente.

Cortando rapidamente aqueles pensamentos, Nessa entra sem mais nem menos pela porta do banheiro.

– Meu Deus tia! Que susto! Bata na porta!

– Vai querer pizza? – perguntou Vanessa com o celular na mão e fones de ouvido ao redor de seu rosto.

– Pode ser... – Fay respondeu de olhos fechados enquanto enxaguava o shampoo de seus cabelos. – Pra mim qualquer sabor está bom, ok?

– Ok. – Vanessa continuou a conversa com o atendente a pizzaria, enquanto fechava a porta do banheiro. Antes que pudesse fechar completamente, Nessa entrou novamente e recolheu as roupas jogadas em cima da pia, o lugar onde Fay sempre deixava as roupas que se tornavam sujas. Todavia, dessa vez, não era só a roupa suja que estava em cima da pia, mas também sua troca de roupa, pois naquela noite em especial, Fay não poderia trocar-se em seu quarto.

– Tia! Tia, espere! – gritou a jovem desesperada de baixo do chuveiro.

A tia ainda conversava no telefone,e não foi capaz de ouvir uma única palavra da sobrinha.

– Ah mas que droga! – reclamou a menina, fechando as mãos em punhos.

Jack estava no quarto de Fay, tentando passar o tempo folheando as anotações de sua amiga durante a aula. Não pôde evitar soltar um risinho quando leu seu nome escrito no canto de uma das páginas. Havia um desenho também, muito mal feito, do que Jack acreditou ser ele mesmo. Fay podia ter muitas qualidades, mas boa desenhista não era uma delas. Abafou uma risada com a palma da mão pois ouviu o som da porta se abrindo. Quando se abriu completamente, deparou-se com uma Fay de toalha de cabelos molhados.

“Algo está errado.” Foi o que o garoto pensou. A cascata de cabelos ondulados e negros nas costas da menina estavam pingando, assim como as mechas que contornavam seu rosto. Suas bochechas estavam coradas pelo calor do banho, e seus cílios, também molhados, agora pareciam ainda maiores. Seus ombros estavam nus, assim como tudo da metade da coxa para baixo. Ela era tão alva e rosada ao mesmo tempo... Parecia uma boneca de porcelana, ainda mais com aqueles lábios, de cor entre o rosa e o vermelho. E então uma gota que escorria da franja até o queixo pingou sobre sua pele branca e continuou a escorrer para um lugar que a toalha impedia de ver.

Jack engoliu em seco. Não sabia que sentimento era aquele ou o que estava acontecendo, mas sentia seu corpo, e seu rosto principalmente, tão quentes, que pareciam expelir todo o frio que contido neles.

– F-Fr-Friiio... – Fay batia os dentes e a cor rosada saía de suas bochechas ao dar 3 passos em direção ao quarto. Já era difícil trocar-se depois do banho no inverno, mesmo com o aquecedor em seu quarto ligado. Agora com o senhor ar-condicionado ambulante ali, era impossível não tremer de frio.

– Ah... Ah! – Jack respondeu abobado, confuso e envergonhado com tudo o que estava sentindo. Ele apenas evitava olhar na direção da garota a todo custo. – Desculpe. Eu... Eu vou sair. –Jack andou apressado em direção a porta e a fechou o mais rápido que pôde. Ao estar do lado de fora do quarto, soltou um suspiro de alívio. Levou uma das mãos ao peito, só para confirmar que estava quase tendo um ataque cardíaco, se é que isso era possível para alguém que já estava supostamente morto.

Jack agachou-se e sentou-se no chão com as costas encostadas na porta. A cena de segundos atrás não parava de revirar sua mente e envergonhá-lo. Mas outro sentimento também brotava dentro dele. Sentia que queria estar mais perto dela. Ao vê-la naquele estado, tão linda, tão perfeita... Sua vontade era correr e tomá-la em seus braços. Mas por quê? Teria ele sentido tal coisa enquanto era vivo? Ele não conseguia se lembrar. Mesmo assim, por mais estranho que fosse tudo aquilo, ao mesmo tempo era bom, era familiar e ele queria mais. Muito mais.

– Jack? – Fay abriu a porta, assustando o garoto perdido em pensamentos, que caiu para trás com a perda de seu apoio nas costas.

Deitado com metade do corpo dentro do quarto, Jack vislumbrava a imagem da garota de pé ao seu lado, com um sorriso direcionado a ele. Ela usava calças de moletom marrom e uma blusa de capuz azul. Seus cabelos estavam enrolados na toalha branca sobre sua cabeça. Toda aquela perfeição parecia ter se escondido em algum lugar distante, porém Jack sabia que estava ali, estava bem atrás do sorriso e dos olhos mais profundos que o pacífico.

– Tcharam! Hoje eu me vesti igual a você! – cantarolou Fay, dando voltinhas em com o um dos trajes mais velhos que tinha.

– Claro. Dá pra ver. – Jack analisou a roupa da cabeça aos pés, e não conseguiu dizer se era a dele ou a dela a roupa mais surrada. Mas a calça dela com certeza era bem diferente. Aquelas roupas grandes e grossas faziam Fay tornar-se ainda menor, como uma criança que veste roupas de adulto.

– Bem... – começou Fay, desenrolando a toalha do cabelo, que desmanchou-se em suas costas – Quer fazer alguma coisa?

Ah, ele queria. O que ele mais queria agora ela abraçá-la e acariciar aquelas bochechas avermelhadas, sentindo o calor dela tentar derreter o gelo em sua pele.

“Mas que droga de pensamento é esse?” – Jack perguntou a si mesmo, desviando o olhar da jovem e passando as mãos pelo rosto, como se quisesse acordar de um sonho.

– Já sei! – gritou Fay, sem nem mesmo deixar o garoto responder. – Você sabe jogar cartas?

Já era a terceira vez seguida que Fay perdia o jogo que supostamente a havia feito ganhar o apelido de ”rainha das cartas” dentro da própria casa. Não fazia sentido nenhum o garoto ser tão bom naquilo sem nunca ter ao menos jogado. Devia ter descoberto um novo talento.

– Jack Frost, como você faz isso? – bufou Fay, jogando as cartas perdidas em sua mão sobre a cama. – Você está roubando?

Jack apenas riu e revelou os quatro ases dentro de seu jogo de cartas.

– Eu já havia assistido a muitos jogos, mas realmente essa é a primeira vez que eu jogo. Aliás, agora é a terceira. Pode-se dizer que eu já tinha uma certa familiaridade com o baralho, de tanto ver esses jogos por aí.

– Mas que coisa! Então por que não me disse antes? – Fay empurrou Jack, fazendo-o cair de costas na cama.

Jack revidou, pondo-se de joelhos novamente e segurando nos ombros da garota para fazê-la cair para trás. Ele sabia o que aconteceria. No fundo ele sabia que ficaria a menos de 5 centímetros de distância do rubor que se espalhava pela bochecha dela. Mesmo assim, quando ele quase caiu em cima dela, apenas apoiando-se sobre os braços esticados e os joelhos dobrados, não pôde evitar de se surpreender e envergonhar-se. Mas que droga estava acontecendo com ele?

– Fay! A pizza chegou!

Os dois ouviram a voz de Therry vinda do andar de baixo, e imediatamente desfizeram a posição em que se encontravam.

– Então... Eu vou comer e já volto. Não saia daí! – Fay agora estava de pé, ajeitando os cabelos bagunçados enquanto atravessava a porta do quarto.

Jack ouviu os passos apressados de Fay descendo as escadas e desmontou-se sobre a cama, mais uma vez colocando as mãos sobre o rosto. Seus pensamentos estavam saindo fora do controle. Ele tinha ideia do que estava havendo, mas não poderia. Como poderia? Um guardião não poderia apaixonar-se. Ele nunca nem mesmo havia sentido aquele sentimento e tê-lo depois de 320 anos de imortalidade soava no mínimo cômico. Aquele relacionamento estava indo de mal a pior. Por que raios ele tinha aceitado aquele acordo estúpido? Amigos? Jack Frost não poderia usufruir tal benefício, e pensar o contrário era estupidez. Ele sabia que era absurdo. Então por que? Simplesmente porque aqueles grandes e lindos olhos azuis o hipnotizavam. Tanto que agora não queria mais viver longe do comando deles. A única opção restante era aguentar. Segurar aquele sentimento mesmo que isso o sufocasse. Não poderia decepcioná-la e deixá-la sozinha, muito menos virar a vida da menina de cabeça para baixo. Foi a única conclusão que ele encontrou.

– Mas... Talvez... Ainda não seja tarde. Talvez eu ainda não tenha me apaixonado completamente – Sussurrou Jack para o ursinho de pelúcia em suas mãos. Depois de tanto passar a mão por seus cabelos brancos, eles estavam tão bagunçados que parecia um maluco, ainda mais falando com um ursinho de pelúcia. Jack deparou-se com sua imagem no espelho do quarto e logo em seguida ajeitou sua postura.

– Definitivamente ainda é possível reverter isso. Vai ficar tudo bem. – Ele fechou os olhos e respirou fundo, passando a brincar de montar um castelo com o baralho de cartas.

– Jack! Você ainda está aí não é? – sussurrou Fay enquanto entrava e fechava a porta atrás dela.

O quarto estava vazio, e a porta da sacada estava aberta. O vento soprava, fazendo as cortinas balançarem, assim como todas as vezes que ele ia embora. Seu coração sentiu uma pontada. Dessa vez ela não iria perdoá-lo. Não iria... Mas como não? Ele era tudo o que ela ansiava agora. Como poderia negar a ele um perdão que fosse? Estaria fadada a conviver com a ansiedade de vê-lo sumir para sempre. Talvez fosse um preço justo a pagar. Fay sentou-se na cama com toda força, sentindo a raiva e a tristeza marejarem seus olhos.

– Buuuu! – gritou Jack, surgindo de baixo da cama e fazendo o coração de Fay praticamente saltar pela boca e um gritinho abafado escapar de seus lábios.

– Jack Frost seu idiota! – Fay mais uma vez dava socos nos ombros do rapaz, que respondia com gemidos de dor.

Quando ela finalmente parou, Jack notou o brilho das lágrimas que ela não deixou derramar. Mais uma vez seu coração encheu-se de remorso. Ele queria poder abraçá-la e dizer que queria estar com ela para sempre. Mas as únicas palavras que saíram de sua boca foram:

– Me desculpe.

– Tudo bem. Eu que sou idiota em ficar caindo nessas suas brincadeiras. – Fay já estava sorridente e sua voz voltara a ser doce. – Posso lhe ensinar outro jogo! Dessa vez eu ganho!

O relógio já marcava meia noite quando Fay finalmente ganhou de Jack Frost em um jogo de cartas.

– Yes! Yes! Yeeees! – Fay dava pulinhos de alegria em sua cama enquanto dançava com os braços. – Você não me deixou ganhar não é? Odeio quando fazem isso. – Fay parou de pular por um momento e encarou os olhos de cristal de Jack seriamente.

– Não, não. Eu juro. – Jack respondeu pondo as mãos para o alto, como um inocente faz na frente da polícia. Fay voltou a sorrir e pular de imediato, assim como o sorriso que brotou no rosto do garoto.

– Fay! Está muito tarde! Pare de dançar e vá dormir! – Gritou Therry apenas batendo na porta do quarto, cansada demais até mesmo para abrir a porta.

– Droga! Já é meia noite! – sussurrou Fay olhando para o relógio em sua cômoda. Ela sentou-se em sua cama, e encarou o edredom enquanto calculava a solução daquele problema.

Jack também não queria se despedir, mas sabia que era necessário. Ela tinha obrigações como pessoa viva na Terra.

– Jack... – Fay segurou as pontas da manga do moletom azul do jovem. – Que tal... se você dormir aqui hoje? – Ela sabia que por algum motivo aquela não soava a mais correta das idéias, mas festa do pijama era uma prática comum por aí, e não poderia haver problema com Jack. Eles eram apenas amigos. Seria quase impossível Jack vê-la de outra forma. Afinal, ele era um guardião. O compromisso dele estava em levar alegria para os outros, assim como estava fazendo com ela naquele momento. Ele era puro, lindo, e poder estar com ele era o que bastava. Mas hoje, ela não queria lembrar que ele fazia parte de um mundo distante. Depois de ficar longe dele por tanto tempo, ela precisava tê-lo por perto.

– O que? – Foi tudo o que Jack conseguiu dizer. Seus olhos estavam arregalados, e ele sentia seu plano escapando por seus dedos.

– Por favor. Depois dessa sua gracinha de hoje a noite, e de todas as outras... Quero garantir que você não vai sumir por aí. – Ela suplicou num tom de brincadeira, mas no fundo era sério.

Dizer não para ela era impossível. Levantando a bandeira branca, Jack suspirou, sabendo que estava se afundando cada vez mais.

– Ta bom. Por que não? – Ele disse dando de ombros, naquele seu jeito brincalhão de sempre.

– Obrigada! – Ela juntou as duas mãos e bateu uma na outra uma única vez. – Então, acho que tenho um colchão em algum lugar por aí...

– Só que acontece que eu não durmo. – Ele interrompeu Fay e brincou com seu cajado, encostado na parede, puxando-o para si mesmo.

– Não dorme? Como assim?

– Imagine se nós guardiões tivéssemos necessidades dessas. Grande parte de nós trabalha o dia inteiro. O mundo gira. Enquanto é dia em certos lugares é noite em outros e assim por diante. Para nós, sono é algo que surge apenas quando há um excesso de esforço, ou é claro, se você for encantado por Sandman.

– Sério? Nossa eu nunca imaginei isso. – A voz de Fay estava pensativa.

– Enfim. Pode dormir. E eu fico por aqui, se você quiser.

– Nossa... Mas deve ser chato pra você. Então, fique até eu dormir, e volte antes de eu acordar. Tudo bem?

– Tudo. – Jack respondeu entre risos.

– Na verdade, vou separar uns livros pra você. Acho que você vai gostar. Se quiser, também tem papel pra desenhar ou escrever... Também tenho um 3DS... Você já ouviu falar de Pokemon? – Fay já estava de pé, escolhendo alguns livros da estante sobre a escrivaninha, quando Jack soltou uma gargalhada.

– O que foi? Você é minha visita. Não acho isso nem um pouco engraçado. – Fay pegou tudo o que tinha de interessante para passar o tempo e colocou sobre sua escrivaninha. – Eu deixaria você ver tv também, mas é perigoso que minhas tias acordem. E elas levariam um susto de ver a tv ligada sozinha. Você também pode conversar com as flores. Eu sempre faço isso. Elas são ótimas ouvintes!

– Ahh... Ok. Obrigado. — Jack sentia-se feliz por ser tratado como uma visita. Era estranho e desnecessário, mas era bom sentir esse tipo de coisa nova. Assim como todas os outros novos sentimentos que Fay havia lhe apresentado.

– Eu vou apagar a luz, só por hora, porque eu gosto de dormir com a luz que vem da noite. Dos postes, das casas, da lua... – Fay apagara a luz e agora engatinhava sobre a cama até encontrar seu travesseiro, e meter-se entre as cobertas. – Mas assim que eu dormir, pode ascender a luz do abajur da escrivaninha. Meu sono é tão pesado que eu nem vou notar. Além disso, é uma luz confortável e aconchegante, pelo menos é o que eu acho.

Jack achava engraçado o jeito que ela tagarelava tanto mesmo com as luzes apagadas e estando pronta para dormir. Na verdade, talvez tudo o que ela fazia era engraçado. Pelo menos pra ele, tudo dela era capaz de tirar um sorriso de seus lábios.

– Jack... Não é por nada, mas você parado aí de pé no escuro é meio estranho. – A voz da menina ecoou pelo quarto. – Por que você não senta do meu lado? Só até eu dormir.

Jack suspirou com o pedido, e tentou seguir a voz da jovem pelo escuro. Sorte que a luz da rua iluminava o quarto o suficiente para ainda ser capaz de distinguir a cama em meio a escuridão. Ele sentou-se no lugar que deveria ser do outro travesseiro, mas este Jack colocou atrás de suas costas. Do seu lado, encolhida, estava Fay, que mesmo no escuro, Jack podia vê-la tremendo.

– Ta vendo? Você está aí tremendo de frio. Isso não foi uma boa ideia. – Jack já estava tirando suas costas do apoio da parede, mas as mãos de Fay no escuro o seguraram pela blusa.

– Não. – Fay levantou-se, e se colocou sentada assim como ele. – Eu não tenho medo do frio. Posso viver com ele. Além disso... – Ela levou uma das mãos até o rosto dele. – Eu acho você quente. – Mas ela não estava sentindo a temperatura da pele dele. Estava olhando dentro dos olhos dele, e para todo o calor que ele a fazia espalhar pelo corpo.

Fay deu graças a Deus pela falta de luz. Se conseguisse enxergar o rosto dele com todos os detalhes, provavelmente já teria tido um treco. Tudo o que o que podia ver era o brilho dos olhos dele no escuro, e sentir o calor emanando de suas bochechas mais uma vez.

Jack também agradeceu ao homem na lua pelo escuro. Talvez se visse o rosto dela, sabe-se lá que pensamentos cruzariam a mente dele. O único impulso que ele sentiu, e que não foi capaz de segurar, foi o de também colocar sua mão sobre o rosto dela. Sentiu o ombro dela arquear-se e as mãos dela aos poucos se afastarem de sua pele. Imaginando que fosse mais uma vez pelo frio, recuou logo em seguida.

– Obrigado – Murmurou Jack apenas. Encostando-se no travesseiro, segurou tudo o que estava preso dentro dele.

Ainda com coração acelerado, Fay quis se bater pela sua reação exagerada. Quando sentiu ele tocá-la de volta, seu coração deu um pulo, e batia tão forte e rápido que Fay simplesmente travou todas as suas ações. Morrendo de vergonha, mais uma vez ela enfiou-se nas cobertas, anotando mentalmente que devia passar a por mais uma coberta sobre sua cama.

– De nada. – Fay respondeu baixinho, ainda com vergonha demais para virar o corpo na mesma direção que ele. – É bom ter você aqui. – Disse ela por fim, usando sua última gota de coragem.

Os segundos que foram passando pesaram nos olhos da menina, que lutavam para se manterem abertos. “Droga de sono mais pesado que pedra!” Ela pensou, piscando pela última vez e fechando os olhos. Tentou dizer Boa Noite, mas tudo o que saiu dela foram gemidos. Minutos sentado ali, Jack percebeu que o sono havia tomado conta da jovem.

Aos pouquinhos, um rio de areia dourada atravessou a janela, e dançou pelo quarto, rodopiando sobre a cabeça de Fay e por fim fazendo um desenho de floco de neve, até desmanchar-se.

– Bem na hora, Sandy. – Jack sussurrou, olhando pela porta de vidro. Mantendo-se sentado no mesmo lugar na cama, Jack viu a areia mágica ir embora dali e apenas deixar os bons sonhos dentro da mente de Fay.

As nuvens que cobriam o céu foram dando espaço para a Lua, que mesmo cheia, tornava-se praticamente invisível naqueles dias de tanta neve. O brilho da lua que saiu, incidia exatamente sobre a cama de Fay, sobre seu rosto e seu cabelo, permitindo que Jack deslumbrasse a imagem da jovem dormindo.

– Por que você está fazendo isso? – Jack falava com o homem na lua, e continuava a conversa sem esperar por resposta, como sempre fazia.

– É algum desafio que eu tenho que vencer? Eu não sei o que fazer. E você não está ajudando em nada também. – Enquanto ele falava, pousava seus olhos sobre Fay entre as cobertas. Esticou a mão até que pudesse alcançar os cabelos da jovem e acariciá-los, e o fez. E de novo, e de novo.

– Só... Espero que eu não a machuque. E que eu esteja fazendo a coisa certa.

Notas finais
Vou demorar menos para postar os capítulos seguintes ok? Ok. Sinceramente, não sei quantas coisas que eu disse que faria nessas notas e não fiz. Quantas foram? Será que foram muitas? (preguiça de ir checar) Bem, desde que vocês não me odeiem, pra mim ainda está tudo bem. Vejo vocês de novo em breve! Aé! Feliz Carnaval, para quem ainda está curtindo (pelo menos no meu caso que curto só o fato de poder não fazer nada). Beijinhos!