First Day of Spring

11 Invisível - Parte 1


Notas iniciais
Olá a todos! Sim, estou postando um capítulo um dia depois de postar o anterior!! Wow! Queria dar isso de presente para todas vocês que tem me enviado tantos comentários fofos e cheios de elogios. Vocês merecem isso e muito mais. Se eu pudesse, acabava a história em um dia logo de uma vez para não ter de fazê-las esperar pelo próximo capítulo. Enfim, só relembrando que este capítulo é um flashback, uma lembrança! E ficou bem grandinho né? Em comparação aos outros pelo menos~~ Hehe

Era setembro, e após as longas férias de verão as aulas voltavam para todos os estudantes de Green Heaven, como sempre. Mas Fay estava com as pernas bambas na porta de sua casa, respirando como se estivesse no fim de uma maratona.

– Está tudo bem Fay. Você vai fazer umontão de amigos logo. – encorajou Nessa, sentada no sofá da sala com uma xícara de café nos lábios.

– Ande logo se não você vai se atrasar! – disse Therry dando um empurrãozinho em Fay que agora estava do lado de fora. – Se tiver algum problema é só ligar!

E a porta bateu na cara da menina. Ela saiu resmungando da falta de paciência e compreensão de suas tias. Mas elas estavam certas. Quanto mais cedo ela saísse por aquela porta e enfrentasse o seu medo, mais cedo iria superá-lo.

Por estar com medo de chegar atrasada, Fay chegou 40 minutos antes da hora da aula. Ela atravessou o pátio vazio e cumprimentou os funcionários que encontrava pelo caminho. Seu coração estava a mil quando se deparou com a sala que seria a sua. Fay acendeu as luzes e observou a disposição dos lugares, da lousa e das luzes. Fazia tanto tempo desde que estivera naquele ambiente. Apesar do medo, poder conviver com outras pessoas de sua idade a deixava contente.

Escolheu a última carteira da última fileira para ser seu lugar. Ela não queria correr o risco de ser chamada pelos professores para responder alguma pergunta. Mesmo que ela tenha passado os últimos 5 anos estudando sozinha no hospital e fazendo provas para adquirir diplomas e passar de ano, ela tinha certeza de que eram provas mais fáceis em comparação ao que os outros estudantes deviam aprender. Além disso, o último lugar na última fileira tinha uma bela visão do céu e do pátio. Ela poderia observar quando estivesse entediada. As janelas de vidro eram enormes, provavelmente nem precisariam acender as luzes durante as aulas, pensou a garota.

Sentada em seu lugar distraída, ela deu um pulo quando ouviu a porta abrir-se novamente. Um rapaz de cabelos castanhos e bagunçados entrou pela porta. Sua pele estava bronzeada pelo sol do verão e seus cabelos lisos desciam até a altura de seu queixo. Por um instante ele trocou olhares com uma Fay aterrorizada e virou-se para escolher um lugar. Fay não tirou os olhos do estranho em nenhum momento, observando ele sentar-se na última cadeira da primeira fileira. “Talvez ele goste de se encostar na parede?” Fay analisou, pensando nas vantagens de cada lugar naquela sala. Mas passou as mãos suadas pelas duas bochechas para trazer sua mente de volta para realidade. Em que momento ela deveria falar com ele? Sobre o que ela deveria falar? Do que ela poderia falar? Ela mordia os lábios enquanto tentava formular uma frase, uma pergunta, um som que fosse. Sons de passos eram ouvidos do corredor, levando Fay a um estágio de quase pânico.

Um grupo de meninas entrou pela porta aos risos. Repararam de leve nas duas figuras nos fundos da sala, mas não desviaram-se do assunto que parecia ser sobre alguma festa. Colocaram suas bolsas nas carteiras que ficavam bem no centro da sala e saíram pela porta, enquanto cada vez mais estranhos e estranhas chegavam.

Naquela altura, Fay já havia desistido. Seria melhor ficar em silêncio em seu lugar até que alguém viesse falar com ela. Não correria o risco de falar besteira.

O sinal bateu e a sala encheu-se com cada uma daquelas figuras que Fay observou atentamente da cabeça aos pés enquanto sentavam-se em seus lugares.

Em sua frente, havia uma garota de cabelos castanhos claros e longos presos em um rabo de cavalo. Já no lugar ao seu lado, uma loira com as pontas dos cabelos nos ombros e olhos castanhos. As duas pareciam ser simpáticas, foi o que Fay pensou.

Fay estava ansiosa para que alguém tentasse falar com ela, mas a primeira aula de geografia transcorreu de forma que ninguém dirigiu uma palavra a ela. Fay começou a se perguntar se ela parecia estranha de alguma forma? Seus cabelos estavam soltos e penteados, e não havia nada de errado com uma calça jeans e a camisa de alça, certo? Ela não era a única usando essas peças.

O sinal do intervalo bateu e Fay estava começando a sentir que não era hoje que faria amigos. De repente, a loira ao seu lado, que estava fazendo as unhas até então, virou-se na direção de Fay.

– Você é a Faith certo? – ela perguntou, desviando o olhar entre as unhas e Fay.

– Sou sim! – Fay respondeu quase de imediato, surpresa com a repentina fala da garota.

Com certeza esta vizinha de carteira havia prestado atenção na chamada, porque não havia outra forma dela saber seu nome. E é claro, Fay também havia prestado muita atenção na chamada.

– E você é Leah não é?

– Isso! – respondeu a garota, agora sorridente. – Você é nova aqui né? A maiorias das pessoas aqui se conhecem, como você pode perceber. Não tem tantas escolas aqui em Green Heaven. Por um acaso você se mudou pra cá recentemente?

Fay não tinha vergonha nenhuma de dizer que havia passado praticamente metade da vida num hospital, apesar de geralmente preferir não fazer alardes. Mesmo assim, ser sincera era importante na hora de fazer amizades e ela sabia disso.

– Na verdade não. É que eu fiquei bastante tempo no hospital. Eu fiquei fora da escola por um tempo.

– Nossa! Coitadinha! Você teve algo grave?

Leah agora estava interessada na conversa, apoiando o queixo sobre as mãos.

– Não, não. Eu tenho imunidade baixa. Antigamente achavam que era coisa de criança, mas como eu cresci e não melhorei a coisa ficou mais séria. É como se o simples fato de pegar uma gripe pudesse ser algo grave. Entende?

– Oh! Entendo. Mas você está melhor agora?

– Sim. Antes das férias o médico disse que meu quadro estava praticamente estabilizado. Mas eu ainda tomo remédios para garantir que meu sistema imunológico trabalhe bem.

– Que bom então! – exclamou Leah parecendo genuinamente feliz. – Então seja bem vinda de volta ao inferno! Sorte sua que só está tendo que passar por isso por um ano.

Fay riu do comentário de boas vindas de Leah. Estava feliz por sentar do lado de alguém tão bem humorada.

Convenientemente encerrando a conversa, o sinal tocou novamente e aos poucos, os alunos foram voltando para dentro da sala.

As próximas aulas se seguiram para o pesar de Fay, que quanto mais assistia mais percebia que realmente não sabia de nada. A aula de matemática parecia que estava sendo dita em grego. Durante as aula de história, ela ouvia atentamente cada detalhe enquanto alguns dormiam. Isso a espantava. Seria possível que tudo aquilo fosse tão fácil para os outros?

O intervalo apagou momentaneamente as preocupações da jovem, que esperou poder conversar com Leah novamente. Infelizmente, assim que o sinal tocou, Leah deixou a sala com as garotas risonhas que se sentavam no meio da sala. Fay ficou decepcionada, mas compreendia. Afinal, Leah deveria ter suas próprias amizades.

No fim do dia, quando todos pegavam suas mochilas e iam para casa, Fay notou que Leah se encontrava mais uma vez com suas amigas para ir embora, e imaginou-se fazendo parte daquele grupo. Não sabia ao certo se o pensamento a deixava feliz ou não. Parecia que tal feito a traria mais insegurança do que felicidade, era o que ela sentia. Enquanto trilhava o caminho de volta, notou o rapaz bronzeado de cabelos castanhos passar por ela com passos longos e rápidos, passando pelas mesmas quadras que ela passaria. Se não estivesse enganada sobre suas lembranças da chamada, o garoto se chamava Caleb Olsen. Pelo visto morava perto de sua casa, talvez ela também conseguisse fazer amizade com ele. Enquanto mais uma vez criava coragem para reproduzir algum cumprimento, o rapaz atravessou a rua e virou uma esquina que não fazia parte do percurso de Fay. Assim, ela decidira que o faria no dia seguinte.

Ao entrar pela porta de sua classe, um pouco mais tarde do que no dia anterior, Fay podia jurar que os olhares das amigas de Leah vinham em sua direção. Se perguntou se Leah teria falado dela para as amigas? Contentava-se com a idéia de poder falar com mais colegas, mas ainda assim, a forma como olhavam para ela e logo em seguida cochichavam era perturbadora.

Quando as aulas de literatura se encerraram e os ruídos das vozes de todos os estudantes preencheu o silêncio da escola, Fay ia tentar puxar assunto com Leah, mas a figura das três jovens surgiu na frente de sua carteira.

– Olá! — disse a mais alta das três. Ela tinha cabelos longos, ruivos e cacheados. Seus olhos eram azuis cor de piscina, bem mais claros que os de Fay. Era definitivamente uma beldade. – Eu sou Alyssa. Estas são Rachel e Ashley.

Alyssa indicou com a cabeça as outras duas moças. Uma tinha cabelos castanhos, repleto de mechas avermelhadas, olhos pretos e brilhantes. A outra parecia uma cigana: pele escura, cabelos pretos e cacheados, olhos claros, entre um tom de verde e amarelo. As três eram tão bonitas de perto que a própria Fay sentiu-se atraída e envergonhada com a beleza delas, assim como muitos homens também se sentiam.

– Muito prazer. Eu sou Faith. Mas pode me chamar de Fay. – disse a garota, lenta e pausadamente.

– É verdade que você viveu a vida toda num hospital? – Perguntou Rachel, curiosa assim como as outras.

– Mais ou menos. Não foi a vida toda...

Fay estava se sentindo desconfortável com a indelicadeza das meninas para tratarem o assunto. Não queria dar informações que gerassem mais cochichos em suas costas.

– Então você estudou a vida inteira num hospital? Está sendo difícil de acompanhar?

– Estudei sim, e eu estou bem, não precisa se preocupar.

Por um momento Fay se sentiu feliz pela preocupação. No outro, teve medo de que tivessem pena dela. Ela detestava pena. Fay tinha suas preocupações como qualquer outro ser humano, mas não ponto de ser digna de pena. Pensar isso seria um insulto aos esforços de seus pais que a colocaram no mundo e de suas tias que fizeram tanto por ela. Lógico que já desejou que as coisas fossem diferentes, mas sabia que o mesmo se passava na cabeça de todo mundo que tivesse um obstáculo na vida. Cada um tinha de enfrentar seus próprios problemas, e Fay enfrentava os dela como qualquer um. Infelizmente eram poucos os que compreendiam esse pensamento. A pena era algo tão comum entre as pessoas que não valia a pena tentar tirar esse costume delas. Por todos esses motivos, Fay escapou com aquela pequena mentirinha, mesmo que não a agradasse mentir.

– Sabe o que é? Talvez você não se lembre de mim, mas estudamos juntas na sexta série. – disse Alyssa num tom suave, colocando os cabelos atrás da orelha. – Lembro de você desmaiando em um dos primeiros dias de aula. Você ficou famosa na época. Mas você nunca mais voltou pra escola não é?

De acordo com o que Alyssa foi falando, Fay relembrou-se mais ou menos de uma garotinha ruiva de olhos azul piscina emperequetada de acessórios cor de rosa na mesma sala que ela. Não se lembrava do nome, e a imagem do rosto da menina nem era tão clara, mas só podia ser.

– Lembro-me de que suas tias vieram para te buscar. – Ela continuou, dando risada. – Minha mãe já me contou sobre elas. São realmente doidas não é? Coitada de você.

Alyssa terminou não com tom de deboche, mas com aquele tão odiado tom de pena em sua voz. E o pior, havia ofendido as tias de Fay, que não eram nem um pouco insensatas, muito pelo contrário. Eram as mulheres mais incríveis que Fay já conhecera. Não era a primeira vez que ouvia falarem delas assim, mas a lembrança daquele preconceito ridículo do povo daquela cidade minúscula e cheia de ignorantes deixava seus nervos a flor da pele. Tudo porque eram três jovens mulheres adultas morando sozinhas. Nenhuma havia se casado. Fay evitava tocar no assunto, mas sabia que parte da culpa pertencia a ela. A outra parte, talvez da sua avó estérica de equilíbrio mental um tanto quanto delicado. Eram tantos problemas que Alyssa nem fazia idéia e mesmo assim ela usava aquele tom de como quem soubesse de tudo. A paciência de Fay estava sendo testada e tudo o que ela fez foi permanecer-se em silêncio, assentindo com a cabeça.

– Se tiver algum problema, precisar de alguma coisa, é só falar com agente Fay – completou Ashley, pondo as mão no ombro de Fay, sentindo-se solidária. – Estamos com você.

– Obrigada – respondeu Fay com meio sorriso.

Assim que elas foram embora, olhou na direção de Leah. Os olhos castanhos da garota encontraram os seus e logo desviaram-se, fingindo que não tinha percebido o olhar sério de cor azul profundo que a afundava a loira em culpa.

Notas finais
Hoje eu estava devorando um livro novo que comprei. Não conseguia parar de ler. Li mais ou menos umas 200 páginas hoje. Cada vez que pensava em parar, era vencida pela curiosidade, que parecia que ia me matar se não lesse o próximo capítulo. Daí eu me lembrei de vocês. Realmente, vocês são fortes por conseguirem esperar eu postar os capítulos ein? Eu sabia que era sofrido, mas relembrei hoje na pele! Vocês estão de parabéns! Vou tratar de escrever mais logo! Beijos!