Notas iniciais
Yay, mais um capítulo. Agora eu realmente ainda não escrevi nada depois desse. Será que eu deveria escrever bastante pra postar depois ou postar assim que eu escrever? Hm... dúvidas, dúvidas...

Fay tirou sua mala do porta-malas do carro e espreguiçou-se. O chão estava coberto da neve que ainda caía naquela tarde. Passou pela pequena cerca que limitava o jardim, atravessou-o e subiu as escadas de madeira para bater na porta da frente. Alguns momentos depois ouvia-se os passos fortes e apressados de Sophie descendo as escadas da casa.

– Fay! – exclamou a tia estabanada e sem fôlego assim que abriu a porta – Chegaram cedo, não? – disse Sophie enquanto tirava seus longos cabelos loiros e molhados da frente de seus olhos verdes esmeralda. A moça usava um suéter verde e rosa, calça jeans e meias de natal. Mesmo com o sorriso sem graça, estava muito feliz em ver sua sobrinha depois de tanto tempo.

– Hmmm, na verdade estamos até um pouco atrasadas... – Começou a menina, logo interrompida por Wanda que vinha com sua mala, elegante como sempre. Usava um casaco fino e preto, preso por um cinto e couro igualmente preto. Meias de lã eram vistas até canelas juntamente com as botas, ambas pretas também. Seus cabelos negros estavam presos em um coque, e um comprido cachecol roxo destacava-se em meio ao pesado ar que a mais velha das irmãs Moore trazia consigo. Ou pelo menos foi o que pensou Fay.

– Alguém não conseguiu terminar de se arrumar na hora... – Reclamou Wanda, que dirigia os olhares para Fay.

Não era surpresa. Sempre que havia viagens ou eventos Fay não era capaz de realizar suas tarefas a tempo. Além de ser extremamente distraída, o pensamento de ter de por todas as suas roupas novamente nas gavetas quando voltasse não lhe agradava nada. Posteriorando cada vez mais suas obrigações. Fay iria começar a protestar contra as palavras de Wanda mas foi novamente interceptada, dessa vez pelas outras duas tias.

– Aqui estamos denovo Sophie! Quanto tempo – Exclamou Nessa aos risos enquanto abraçava a loira.

Nessa estava usando um enorme casaco de neve azul escuro, com muitas outras blusas por baixo. Parecia até que iria explodir a qualquer momento. Therry usava seu casaco marrom preferido, que ia ate os joelhos, juntamente com calças jeans e um cachecol num tom de marrom mais escuro. Seus cabelos castanho avermelhados estavam presos em uma trança que já terminava pouco depois dos ombros. Por mais irritada que fosse a moça, era provavelmente a mais bonita das três irmãs Moore, pensava Fay toda vez que as via juntas fora de casa.

– Nossa irmã estaria muito feliz por você. Lembro o quanto Catherine gostava de você – disse Theresa com um leve sorriso mas um olhar um tanto quanto melancólico. Sophie correspondeu com o mesmo semblante, abraçando Therry com força.

Todas se comprimentaram e se abraçaram, entre risos e conversas. Ao entrarem, repararam no jovem acanhado de pé ao lado do sofá, que comprimentou-as com um aperto de mão.

– Este é Louis, meu noivo – apresentou Sophie, pondo as mãos nos ombros do rapaz. – Ele é meio acanhado, mas logo se acostuma com vocês. Não é, amor? – terminou a loira, beijando as bochechas de Louis, que agora estava vermelho como um pimentão.

Fay, assim como suas tias, pôs-se a rir, feliz pelo belo casal que havia se formado. Elas sabiam que Sophie passou muito tempo sozinha e infeliz devido à morte do irmão Jamie, por isso estavam muito felizes de ver o rumo que a vida da jovem havia tomado.

Após organizar suas coisas no quarto que havia sido deixado para ela, Fay olhou pela mesma janela que seu pai costumava olhar quando criança. Ficou ali de pé observando a neve que caía por alguns instantes, quando de repente, a janela abriu com toda força, batendo nas paredes do quarto. Uma brisa forte e gelada entrou em seguida, fazendo Fay por seus braços na frente do rosto para proteger os olhos. Segundos depois, viu o vulto de alguém sentado na árvore do jardim mas a sombra desapareceu logo em seguida.

"Estou ficando louca agora?" pensou a menina. Mas sendo curiosa como era, precisava ver o que poderia ser aquilo, e se ainda estaria lá fora. Imediatamente pôs seu moletom e suas botas, completando com o cachecol em volta do pescoço. Desceu as escadas o mais rápido que suas pernas permitiam sem que caísse, abriu a porta da frente e gritou:

– Estou indo ver meus pais agora! – e bateu a porta, sem ouvir o que qualquer uma de suas tias tivesse a dizer.

Olhou ao redor da casa, virou a cabeça para todas as direções, mas não havia sinal de vida alguma por ali.

– Deve ter ido embora... – suspirou Fay, chutando a neve do jardim para longe.

Como já havia dito que iria ver seus pais, foi isso o que Fay decidiu fazer. Passou pela pequena portinha do jardim e a fechou. Ao virar-se novamente para seguir seu caminho, um par de olhos azuis a observava de perto. Os olhos da menina arregalaram-se ao ver o menino que até a pouco não podia ser visto em lugar nenhum perto de sua casa. Assustada, deu alguns passos para trás, e viu um rapaz, aparentemente com a mesma idade que a sua, cabelos brancos como a neve, mas ao mesmo tempo prateados como a lua. Seu rosto era quase tão pálido quanto seus cabelos, e não se podia negar que era um rosto bonito. Muito bonito. Usava um moletom azul, uma calça um tanto quanto surrada pelo uso e segurava algo que parecia ser um cajado comprido de madeira. O que mais espantou a menina foi os pés descalços do rapaz. Como poderia alguém andar descalço sobre esta neve?

– Pr-Precisa de alguma coisa? – perguntou Fay de sombrancelhas franzidas para aquela figura tão peculiar na frente de sua casa, ou melhor, na casa de sua tia.

O menino olhou para os lados, como se quisesse ter certeza de que era a ele que Fay estava dirigindo a palavra. Ao ver que não havia mais ninguém ali, ele disse:

– Está falando comigo?

– Sim, estou. Precisa de alguma coisa? – perguntou a menina novamente, agora com uma das sombrancelhas arqueadas.

Fay estava preocupada. Seria ele doente ou surdo? Definitivamente ele não era uma pessoa normal. Talvez estivesse perdido.

– Bem... Na verdade sim – disse o menino – Estou procurando um amigo. Seu nome é Jamie Bennett. Ele morava aqui. Saberia me dizer aonde ele está? – completou o rapaz com uma das mãos atrás da cabeça.

Naquele instante, os mais diversos pensamentos cruzaram a mente de Fay. Como um rapaz tão jovem poderia ter sido amigo de seu pai? E se realmente eram amigos, como poderia ele não saber sobre sua morte? No entanto, para saber sobre o endereço em que estavam, alguma conexão com seu pai o garoto devia de ter. Isso significava que, se os dois realmente se conheceram, seria Fay a responsável por entregar àquele rapaz uma mensagem tão delicada? Ela não queria magoar alguém que mal conhecera.

– E-Eu não sei como te dizer isso... – gaguejou Fay com os olhos preocupados encarando a neve sob seus pés – É uma história longa e complicada... – Continuou ela, agora encarando os olhos azuis e confusos do desconhecido à sua frente. – Eu estava indo vê-lo agora, por que não vem comigo? – Disse Fay por fim, mordendo os lábios.

– É mesmo? Muito obrigado – respondeu o rapaz com um sorriso, apoiando seu cajado de madeira sobre o ombro direito.

Fay passou a andar à frente do desconhecido, que a seguiu com a esperança de rever seu antigo amigo.

Notas finais
Obrigada por ler!