Fireworks
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Notas iniciais
— Eu sei que amanhã começam as férias de verão, mas lembrem-se de que ainda estão no ensino médio, então sejam responsáveis e não se esqueçam dos deveres de casa. Dito isso, estão dispensáveis. — disse o professor, dispensando os alunos e se retirando da sala.
— FINALMENTE FÉRIAS! — Connie e Sasha gritaram em coro.
— O que vocês acham de irmos todos juntos assistir aos fogos de artifício? — sugeriu Eren.
— Isso seria maravilhoso. — respondeu Historia. — E todas as meninas irão de yukata.
Um alvoroço tomou conta da sala, e vários grupinhos foram se formando para comentar sobre a brilhante ideia de Eren. Enquanto conversava com Ymir, Sasha e Connie, Historia reparou que uma certa amiga estava tentando sair de fininho e não hesitou em correr para impedi-la.
— Annie! Aonde você está indo? A turma vai ficar aqui pra resolver os detalhes.
— Desculpe, mas eu não vou. — respondeu indiferente.
— Como assim? Por que você não vai?
— Eu não sou a pessoa mais sociável da turma, dito isso, tenho certeza que vai ser bem melhor se eu não for, fora que eu não fico bem de yukata.
— Você não acredita no que acabou de dizer, acredita?
Historia estava certa. Annie não acreditava no que havia dito, aquilo era apenas uma desculpa esfarrapada. Sua principal razão para não ir era um certo loiro, que, com apenas um olhar, derrubava todas as muralhas que havia construído para si mesma. Annie estava apaixonada por Armin, mas sabia que o loiro amava a Historia, por isso, decidiu que gastaria seu verão tentando esquecê-lo. E se ela fosse, não só seria impossível de esquecê-lo, como também sofreria vendo os dois juntos.
— E você ficará linda de yukata. E vou provar que não sou a única que acha isso. — Ela olhou ao redor. — Armin. Pode vir aqui rapidinho?
“Historia, não acredito nisso. De todos os meninos da turma, por que logo ele? Por favor, diz que você tá ocupado. Diz que tá ocupado.”
— Claro. — “Droga, Armin.” — O que houve?
— Annie está dizendo que não vai porque ela acha que não combina com yukata. O que você acha?
— Eu acho que você ficaria linda de yukata. — Ele sorriu timidamente.
O coração de Annie disparou. Por um momento, achou que morreria de tanta felicidade. Era por isso que não queria ver a cara do loiro durante as férias, porque ele tinha o poder de mexer com ela como ninguém nunca antes havia conseguido.
— Falando nisso, eu vou passar na sua casa para irmos juntos. É perigoso para você ir sozinha.
— Não precisa. — Ela abraçou o braço de Annie. — Eu vou com ela.
— Não tem chances de eu deixar duas garotas irem sozinhas. Annie pode ser forte, mas ainda é uma garota. — Annie sentiu seu rosto queimar e, para escondê-lo, ficou encarando o chão. — Vou passar lá às cinco horas. — O loiro sorriu e correu em direção aos seus melhores amigos, Eren e Mikasa.
Armin já havia proporcionado vários momentos felizes para Annie, mas ela precisava esquecê-lo. Foi então que teve a brilhante ideia de ajudar o rapaz a se declarar para Historia, pois acreditava que se o fizesse seria mais fácil desistir.
…
Armin estava bem ansioso e nervoso, afinal, o dia que havia escolhido para se declarar enfim chegou. Tinha passado a última semana praticando o que diria e se preparando para o caso de ela não corresponder.
Pediu ajuda à Mikasa na escolha da roupa. Desejava que, especialmente naquele dia, ela o visse como homem.
A ansiedade do loiro era tanta que antes mesmo do horário, ele já estava na casa de Historia. Armin respirou fundo, na tentativa de se acalmar, tocou a campainha.
— Oi, Armin. — disse Historia ao abrir a porta.
— Você está linda.
— Já podemos ir. — Ela saiu e fechou a porta.
— A Annie não está com você?
— Berthold esteve aqui para buscá-la mais cedo.
Armin fez de tudo para esconder sua tristeza e frustração. E porque, de todas as pessoas, tinha que ser logo Berthold? Mas Armin não iria desistir tão facilmente nem criaria situações em sua mente. Iria simplesmente perguntar a Annie se havia alho entre eles, caso não houvesse, iria se declarar como havia planejado.
Chegando ao local de encontro, tratou de procurar Annie, e quando a encontrou, ficou estatíco, encarando sua amada. Annie vestia uma yukata branca com flores azuis que subiam até parte das mangas e da barra, o obi era azul claro. Seu cabelo estava solto, com exceção de uma pequena parte lateral, oposta a franja, que havia prendido e usado flores azuis claras para enfeitar. A maquiagem não estava forte e não era nada extravagante: sombra branca, delineado preto, rímel e batom rosa claro.
Encantado com tamanha beleza, o loiro a adimirou por alguns instantes, até que seus olhos se encontraram, o tirando do transe. Não demorou muito, pois Annie logo desviou o olhar.
— Ann... — Armin não teve tempo de terminar sua fala, pois a loira saiu junto a Berthold, dizendo que estava com sede.
E assim foi a noite dos dois: Armin correndo atrás de Annie e sendo atrapalhado ou a própria Annie o ignorava e saia com Berthold, e Historia o animava a tentar novamente. Armin nunca foi do tipo que se deixava levar pela raiva, sempre procurava se acalmar e/ou deixar pra lá. Mas, naquela noite, sua raiva, misturada a frustração e ciúmes, atingiram seu limite.
— Pessoal! Já está quase na hora dos fogos de artifício. Vamos indo para os nossos lugares. — Anunciou Eren.
A cabeça do loiro já não estava em funcionamento total. Suas emoções eram o que o controlavam naquele momento. Ele correu ao encontro de Annie, segurou sua mão e continuou a correr.
Annie poderia muito bem soltar a mão dele e voltar para onde seus amigos estavam, mas quando se tratava de Armin, todas suas forças desapareciam.
Ele a levou para um lugar onde apenas ele conhecia o caminho, então sabia que não haveriam interrupções. Chegando lá, o loiro se posicionou de frente pra ela e, ainda segurando sua mão, disse as palavras que tanto ansiava.
— Eu te amo, Annie. — Estava tão corado que pôde sentir até mesmo suas orelhas queimarem.
O semblante de Annie congelou e lágrimas rolaram de seus olhos. Armin lembrou-se que a fez correr com getas e viu seus pés sangrarem.
— Waaaaah! Me perdoe, Annie. Eu te fiz correr com esses sapatos.
Ele a carregou como uma princesa e a colocou em um velho banco de madeira que havia ali. Pegou um pequeno kit de primeiros socorros e tratou das feridas da loira.
— Historia sempre se machuca quando saímos, por isso carrego esse pequeno kit comigo. — Sorriu sem jeito.
A racionalidade começou a voltar ao loiro. Envergonhado, sentou-se no chão, abraçou as pernas e escondeu o rosto, que estava tomado por um vermelho intenso. Por um instante, pensou em desistir, dizer que tudo não passava de uma brincadeira, mas já havia ido longe demais. Não conseguia mais conter seus sentimentos.
— Você deve estar assustada com o que fiz, mas eu estava com ciúmes, de você com o Berthold, e frustrado por não conseguir um tempo a sós para me declarar à você.
Armin levantou um pouco a cabeça, o possibilitando a olhar Annie, que encarava o curativo em seu pé numa tentativa de tentar entender se tudo era realidade ou mais um de seus sonhos, estava ainda mais confusa.
— Mas você não gosta da Historia?
— Sim. Eu a amo, mas é…
— ENTÃO POR QUE VOCÊ DIZ QUE ME AMA QUANDO, NA VERDADE, AMA OUTRA? SÓ PORQUE SOMOS PARECIDAS? EU NÃO PASSO DE UMA MERA SUBSTITUTA PARA VOCÊ.
Irritado, Armin agarrou o pulso de Annie e a puxou com força, fazendo com que ela caísse sobre ele. O loiro, com o braço esquerdo, segurou a fina cintura da moça, com a mão direita, trouxe o rosto dela ao encontro do seu e selou seus lábios nos dela com um beijo, há muito esperado por ambos, numa tentativa de transmitir seus sentimentos. Apesar de estar irritado, o beijo dado pelo loiro foi gentil e apaixonado.
Se separaram quando o ar lhes faltou. Annie deitou sobre o peito do rapaz para esconder o quão vermelha estava. Ele, também corado, a abraçou fortemente.
— Consegue ouvir essas batidas? Você acha que meu coração bateria assim por uma "mera substituta”? Sou um cara tão frívolo assim?
— Me perdoe. É que eu pensei que você e a Historia se gostassem, então decidi abrir mão de você. — Armin começou a rir. — VOCÊ ESTÁ RINDO DE MIM?
— Desculpa. Mas você entendeu tudo errado. Eu e Historia somos primos, e como somos vizinhos também, fomos criados juntos. Ela é como uma irmã pra mim. Nada além disso.
Armin sentou-se com Annie também sentada em seu colo. Ela estava tão envergonhada que não podia olhar no rosto do loiro.
— Olhe nos meus olhos. — Ele, gentilmente, segurou o rosto dela com uma das mãos e o levantou, fazendo com que seus olhos se encontrassem. — Annie Leonhardt, eu te amo. Quer ser minha namorada?
— Sim.
Seus lábios estavam bem próximos quando os fogos de artifício os interromperam, iluminando o céu estrelado. Eles se olharam, encostaram suas testas e riram. Armin carregou Annie como uma princesa e a colocou sentada no banco, logo em seguida, sentou-se ao seu lado, entrelaçando seus dedos nos dela. Ficaram ali assistindo os fogos iluminarem o céu com diferentes cores.
Annie estava vivendo um sonho, mas ainda faltava algo. Ela ainda não havia dito ao loiro que o amava e sabia que não conseguiria dizer isso olhando-o nos olhos. Então aproveitou que ele estava entretido com os fogos, se aproximou de seu ouvido e sussurrou:
— Eu te amo, Armin Arlert.
Ela só não contava com a reação do rapaz, que virou imediatamente para ela, extremamente vermelho. Annie achou aquilo tão fofo que não resistiu em beijá-lo.
— Com isso estamos quites.
Notas finais
Até a próxima ♥
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