Fireproof
3 Capítulo II
Saíram os dois da pequena cabana em que moravam e se dirigiram à floresta. A cabana não ficava muito longe desta, os pais de Caius já vieram para o condado sabendo qual seria o principal ganha pão da família, então não se importaram de fazê-la afastada do centro do condado de Taryndell.
Ao chegarem ao local de lenha, Caius percebeu que talvez aquilo não tivesse sido uma boa idéia. Todos os homens que ali se encontravam tinham o dobro do seu tamanho. O pai ao ver a cara do filho não pôde deixar de rir.
— Do que esta rindo? — perguntou o garoto.
— Dessa sua cara de espanto. — o pai fez uma cara de deboche e agitou as mãos ao lado da cabeça — Sabe, eu até diria que você pode voltar, mas uma vez aqui só saímos depois do pôr do sol.
— Eu nunca disse que queria ir embora. — respondeu o garoto.
— Ótimo. — disse o pai — E você não precisa necessariamente cortar lenha, pode começar carregando-a.
Caius abriu a boca para protestar, mas só de pensar na força que teria que fazer para cortar um tronco inteiro desistiu, simplesmente balançou a cabeça em concordância.
— Tudo bem.
— Venha vamos conhecer o pessoal. — encerrou o pai.
Caminharam até um trio de homens que se sentavam em troncos caídos de árvores. Caius tentou ver se reconhecia alguém, mas nunca havia sido apresentado formalmente a nenhum dos amigos do pai, o máximo que chegou foi a ver o rosto de alguns deles no Festival de Sccamendre.
— Olá! — cumprimento o pai ao se aproximarem do grupo.
— Lyco! Pensei que não viria hoje. — disse um dos homens, este possuía uma incrível pele escura.
— E por que não viria?
— Bom você sempre é um dos primeiro a chegar. — respondeu um homem de cabelos encaracolados loiros. Caius se lembrava do rosto deste por causa do festival, não era um rosto fácil de esquecer.
— Tive um motivo especial para isso. Hoje é o aniversário deste garoto aqui. — o pai deu dois tapinhas de leve nas costas de Caius.
Os três homens se viraram para ele como se só tivessem notado sua presença naquele instante.
— Este é Caius. — apresentou o pai. — Este é Rootch.
O pai apontou para o homem de pele escura.
— Este é Zemn. — o pai apontou para o homem de cabelos negros que havia se mantido calado até o momento. — E este é Matt.
O pai apontou para o loiro bonito, este lhe lançou um sorriso.
— Lembro de você, mas acho que era pequeno demais pra se lembrar de mim. — disse Matt.
Lembrava de ter ido algumas vezes a casa do homem e brincado com o filho dele, mas isso a muito tempo atrás.
— Mas então, quanto anos está fazendo? — perguntou Rootch.
— Dezesseis.
— E de presente seu pai lhe dá um dia inteiro de lenha pra cortar, que grande pai. — brincou Matt.
— Na verdade foi escolha minha. — explicou Caius após darem risadas.
— Bom por ser novato aqui você precisa primeiro aprender, é claro, as trilhas da floresta. — disse o homem de cabelos negros, falando pela primeira vez.
— Na verdade eu já ia fazer isso... — começa Lyco.
— Na verdade... — corta Matt. — porque não deixa o meu filho fazer isso. Precisamos conversar.
O sorriso do pai se desfez, e uma careta tomou o lugar.
— Tudo bem. — respondeu ele.
— Gus! — gritou o loiro. — Venha cá. Você deve se lembrar dele, costumavam brincar juntos.
Do outro das árvores surgiu um garoto alto e forte, loiro como o pai, segurava um machado que sustentava no ombro. Caius não pôde deixar de notar, era um dos garotos mais lindo que já vira.
— O que foi pai? — perguntou ele se aproximando.
— Quero que mostre o lugar ao garoto, mostre-o onde cortar onde não cortar, mostre o limite da área de corte, mas não vá tão longe. — explicou o pai do garoto.
O loiro colocou os olhos verdes sobre Caius.
— Sim senhor. — respondeu ele, fez um sinal com a cabeça indicando que Caius o seguisse. — Vamos?
Caius concordou com a cabeça e foi para junto de Gus. Porém por mais que Cius quisesse se meter na mata com o loiro, também queria ficar e escutar a conversa. O olhar do pai sobre os amigos assim que tocaram no assunto fez com que Caius imaginasse se o assunto não seria o tal “trabalho especial”.
Caius olhou por sobre o ombro para tentar ouvir a conversa.
— Mais algum sinal...? — pôde ouvir o pai perguntar.
— Mas então... — Caius se virou para o loiro que falava com ele. — Quantos anos você tem?
— Dezesseis. — respondeu o menor.
Gus seguia na frente sem olhar pra trás, o que não impedia nem um pouco que Caius focalizar em todo o... Material, que se encontrava em sua frente.
— E você? Perguntou Caius após alguns passos.
— Dezenove. — respondeu o loiro se virando e lançando um sorriso para Caius.
Caius sorriu de volta. Há muito tempo sabia que se sentia diferente por parte de outros garotos, e após vários anos de auto-aceitação conseguiu superar, e agora aquilo não era nada mais do que uma característica de sua personalidade.
Andaram por entre algumas árvores e subiram algumas inclinações, Gus apontava algumas vezes, dizia onde fazer isso, onde fazer aquilo, tudo como o pai havia dito. Após uma hora de caminhada pararam pra descansar, Gus em um toco de árvore, Caius no tronco caído.
Durante toda a caminhada sua mente vagava sobre coisas impróprias que gostaria de fazer com o loiro, mas naquele momento em que sentaram e Gus parou de falar, a mente de Caius vagou novamente para o pai.
— Você sabe sobre o que ficaram conversando? — perguntou finalmente.
— Não sei. — disse com o loiro, que estava com o rosto virado para o sol e os olhos fechados. — Talvez estejam comparando o preço de bordéis.
Agora seu rosto mirava Caius, um sorriso malicioso estampava sua face.
Caius sabia que o pai frequentava bordéis, sua mãe havia morrido e o pai tinha necessidades isso era óbvio, mas duvidava que era esse o tópico da conversa.
— Você já esteve em algum? — perguntou Gus, antes que Cius pudesse retrucar.
— Em algum o quê?
— Bordel.
— Não. — negou simplesmente.
— Visitei o meu primeiro aos dezesseis.
Caius não pôde deixar de sorrir ao imaginar o loiro dentro de um bordel.
— Mas você já beijou alguém? — perguntou o loiro, o sorriso malicioso ainda permanecia em sua boca.
Caius pensou bem antes de responder, pois na verdade não havia beijado ainda, o máximo que chegara foi com uma garota no festival de Sccamendre, ela era bonita e era mais velha se esfregava nele e passava a mão em seu cabelo, mas por ser jovem Caius só percebeu a intenção da garota após deixar o festival. Poderia mentir e dizer que havia sido ali o primeiro beijo.
— Não. — decidiu se por contar a verdade.
O sorriso do loiro se tornou ainda mais perverso, como se sentisse excitado na presença de alguém inexperiente.
— Você deveria tentar é muito bom...
Cauis não respondeu, simplesmente ficou a imaginar o que aquilo significava. Gus olhou então para o céu.
— É melhor irmos, temos muito que fazer. — disse se levantando.
Caius ia se levantar quando Gus lhe estendeu a mão, Caius a pegou e foi impulsionado pra cima. Por um segundo pôde contemplar de perto os lindos olhos verdes.
Partiram então para a campina onde se encontravam os pais, o a mente de Caius novamente ficou o caminho in inteiro focada no loiro. Podia não ter descoberto o segredo do pai, mas tinha certeza que as buscas ficariam bem mais interessantes.
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