Fireflies

1 Capítulo Único


Kiku atravessava o pequeno espaço verde da escola, a procura de seu colega de trabalho. Havia visto-o sair da sala antes de si e desaparecer nos corredores por entre os outros alunos, com o burburinho que sempre tinha após o horário letivo não conseguiu chamar sua atenção.

Correu os olhos pelas paredes de fora da escola, esperando vê-lo encostado ao longo delas mas não estava. Foi até a porta dos fundos e olhou na escada, também não estava. Levou o olhar para algumas árvores que existiam ali e logo o achou. Mesmo naquela hora em que o dia começava a escurecer, o céu tornava-se azul e restava somente uma pequena faixa alaranjada no horisonte que não era suficiente para iluminar o local, conseguiu enxergar os cabelos claros e rebeldes perto de uma das árvores. Aproximou-se e a silhueta do dono dos fios loiros tornou-se mais nítida até conseguir enxergá-lo por completo.

Abriu a boca para chamá-lo mas se deteu antes que pudesse soltar qualquer som. Com o corpo recostado no tronco da árvore, as pernas cruzadas, mãos sobre o colo e uma delas a segurar um MP3 Player, com os fones nos ouvidos a música tocava sozinha enquanto ele dormia.
O japonês abaixou-se mais até ficar na altura do outro, observando seu semblante adormecido. Aquele que possuía quase sempre uma expressão forte, determinada, as vezes meio irritada agora estava adoravelmente tranquila.

Demorou alguns minutos ao lado do outro, inclinou-se para olhar que música ele estava ouvindo (Anarchy In The U.K., da banda Sex Pistols. Conhecia aquela música e ficou a imaginar como ele conseguia dormir enquanto escutava aquela música).

O céu terminou de escurecer e com isso despertou e então parou de admirar o outro. Imaginou que deveria acordá-lo. Ajoelhou-se ao lado dele e delicadamente retirou um dos fones, chamando-o: — Arthur, acorda.

Percebeu que as sombrancelhas do outro se franziram mas o cenho relaxou em seguida. O inglês não acordou.

- A-Arthur! — Chamou um pouco mais alto, ainda tentando ser educado.

Obteve uma resposta melhor do que a anterior mas ele ainda não havia acordado. Arthur resmungou e mexeu os ombros. Desistiu de chamá-lo. Segurou um dos ombro deles e o sacudiu de leve, só então conseguindo despertá-lo.


O inglês se desencostou da árvore, largando o MP3 sobre o colo e levou as mãos aos olhos, coçando-os sonolentamente. Resmungou enquanto espantava o sono antes de virar-se para o japonês. O encarou por alguns segundos até lembrar do motivo de ele estar lhe procurando, que também o livrou de um soco por ter acordado-o.

Bocejou antes de falar: — … É sobre o trabalho, certo? Podemos fazer amanhã?

- Podemos. — Ainda tinham mais dois dias para terminá-lo e não faltava muito. Até que o outro havia cooperado com a pesquisa, mesmo na maior parte do tempo sendo um pouco negligente com os estudos.

- Queria ficar mais um pouco. — Tirou o outro fone do ouvido e enrolou o fio no aparelho de música, guardando-o no bolso em seguida.

Ele nem precisou perguntar para Arthur saber o que estava perguntando. Mesmo no escuro conseguiu ver as sombrancelhas do japonês se erguerem, questionando-o. Juntou as mais as pernas e apoiou as mãos nos joelhos. Seria estranho alguém que obviamente não gostava de estudar querer ficar na escola, onde tinha certa má fama, ms tinha algo lá que gostava bastante e fazia-o ficar sempre um pouco mais depois de as aulas acabarem.

- Quando fica noite aqui tem alguns vaga-lumes. Eu gosto deles. — Respondeu remexendo u pouco nos cabelos, o canto dos lábios curvando-se levemente em um sorriso discreto. Antes que o outro pudesse falar qualquer coisa, continuou: — Pode ficar, se qusier ou puder. — Desfez o sorriso e soltou em um tom que pareceu um pouco rude, fingindo não se importar se Kiku iria ficar ou não ou se pensava que aquilo era besteira.

Sorriu interiormente ao ver o oriental sorrir e concordar com a cabeça. O menor encostou-se também ao tronco da árvore, mantendo uma distância educada do outro mas o suficiente perto para ser um momento confortável e não parecer que estava tentando ficar longe dele. As vezes a personalidade meio rebelde e agressiva do inglês lhe intimidava um pouco mas isso não lhe fazia querer se afastar dele.

Por alguns minutos eles ficaram em silêncio observando o escuro. O barulho dos carros interrompiam algumas vezes e seus faróis podiam ser vistos por entre as árvores, mas ambos estavam atentos procurando os vaga-lumes.

Algum tempo depois alguns pontinhos iluminados começaram a surgir pela escuridão, fazendo o sorriso do japonês alargar-se. Arthur estava acostumado com aquela cena (não que ela já havia se tornado chata ou comum) e desviou o olhar dos pequenos insetos brilhantes para o companheiro.

No rosto do asiático estava um adorável sorriso e os olhos percorriam a paisagem, procurando olhar para os vagalumes. Arthur voltou a sorrir e observou a cena também.

Dentro de mais alguns minutos mais vaga-lumes surgiram e agora vagavam por entre as árvores, em distâncias diferentes da platéia que eram os dois estudantes, clareando o escuro do começo da noite.

Alguns se aproximaram mais e iluminaram as faces dos adolescentes. Kiku sorriu mais ao poder contemplá-los mais de perto. Seguindo os insetos com o olhar acabou virando-se na direção do inglês e sua atenção dirigiu-se para ele.

A luz que os vagalumes emitiam iluminava o rosto de Arthur e refletiam em suas orbes, destacando o verde de suas íris. Em sua opinião a cena era admirável e até digna de uma foto, pensou o japonês com sua “mania” de tirar fotos.
Kiku voltou-se para os vagalumes soltando um leve riso nasal, descartando a idéia de tirar uma foto do inglês pois não sabia se ele ia gostar disso, estranhar ou se irritar caso pedisse permissão para fotografá-lo.

Deixou seus pensamentos vagarem enquanto observava a cena e então uma música surgiu em sua mente. Sem percebeu começou a cantarolar a melodia.

Ao ouvir o menor sua atenção foi para ele. Por alguns segundos prestou atenção no que ele estava cantando para identificar que música era.

- Fireflies, do Owl City? — Questionou Arthur.

- Ah — O japonês despertou de seus devaneios com a música -, sim.

- Gosta dele?

- … Conheço algumas músicas.

- Legal.

A conversa não durou muito mas não ficou um silêncio desconfortável após o fim da mesma, agora os dois cantavam baixo em sintonia. Não havia mais ninguém na escola e não haviam muitas pessoas passando pela rua, mas o tom em que cantavam parecia perfeito ao ver de ambos.
Os vaga-lumes agora pareciam quase dançar ao som das vozes de ambos.

Quando terminaram a música Kiku suspirou, continuando a sorrir. Arthur procurou o MP3 no bolso e nele olhou as horas.

- Vai fazer algo agora?

- Já está tarde, né? Acho melhor irmos para casa.

Arthur concordou com a cabeça e imaginou se seus pais se irritariam por estar mais atrasado que o normal. Estalou os dedos e se levantou. Estendeu a mão e ajudou o asiático a se levantar.

- Amanhã podemos fazer o trabalho. Depois posso te mostrar mais algumas músicas do Owl City.

- E os vaga-lumes?

- Estão aqui sempre. Depois de amanhã, se quiser, podemos ficar aqui…

Com a cabeça o japonês assentiu e ambos sorriram. Puderam ver um ao outro sorrir e a luz dos vaga-lumes refletindo nos olhos de ambos.

Notas finais
... Reviews? q
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