Fire Meet Gasoline
1 Burn me
Notas iniciais
Quando chegamos em casa, ele mal abriu a porta para entrarmos e já foi em direção a cozinha sem nem esperar que eu o acompanhasse. Ele realmente estava com ciúmes.
— Sério, Castle? – falei fechando a porta atrás de mim, mas ele não respondeu. – Vamos, babe, fale comigo. – disse me sentando nos bancos do balcão.
— O que você quer que eu diga, Kate? – disse ele depois de virar, em um gole, o copo d’água que tinha pegado.
— O porquê de você estar assim.. com raiva.. de mim, pelo o que parece. – tentei encarar seus olhos.
— Não adianta.. simplesmente não adianta. – falou virando e colocando o copo na pia permanecendo de costas para mim
— Do que você está falando, Castle? – tentei entender
— Não importa o que eu faça ou quanto tempo nós estejamos juntos.. os homens sempre irão cobiçar você.
— Então é isso? – não contive o pequeno sorriso. Confirmado, ele estava com ciúmes.
— O que acha, Kate? Eu esperei por você por 4 anos, lutei dia após dia pra conquistar você, te pedi em casamento, perdi 2 meses com você e mesmo com uma aliança gritando no seu dedo, os homens ainda olham pra você com desejo. E o pior, na minha frente!
— Isso é por conta do Danny Valentine ter me elogiado?
— Elogiado?! Ele praticamente se atirou em cima de você! Na cara de pau, comigo do lado! – ele estava com raiva, seu tom de voz entregava.
— Não acredito que depois de tudo que nós vivemos, você vá ligar para isso. – desci do banco e caminhei em direção ao sofá – Ele só foi gentil.
— O quê? – ele finalmente girou o corpo e se apoiou na bancada olhando para mim – Gentil? Ele estava a centímetros do seu rosto, encarando seus olhos, e quase beijando você. Aliás, se eu não o tivesse afastado, talvez ele tivesse beijado mesmo.
Agora ele passou dos limites.
— Como? Eu acho que não ouvi direito – deixei os saltos ao lado do sofá e me levantei – Você acha mesmo que ele iria tão longe ou que eu permitiria isso? Com você do lado?
— Não sei. Você estava toda animadinha com ele ali na sua frente, sorrindo sem graça, enrolando uma mecha do cabelo no dedo, e deixando ele se aproximar...
— Você é inacreditável quando está com ciúme – tentei brincar mas ele ainda mantia o olhar congelante de quando a raiva o envolvia.
— Não seria a primeira vez, certo? – ele rodeou a bancada e veio até mim.
Fiquei um momento em choque, ele estava mesmo brigando comigo por causa do Danny?
— Repete, Castle. – agora eu que estava com raiva, muita.
— Você acha que eu esqueci daquele Eric Vaughn, dois anos atrás? Aquele inglês, metido a rico e galanteador que deu em cima de você no nosso primeiro ano de namoro? Que levou você para um hotel, comprou champagne e BEIJOU VOCÊ?!
— Espera um momento. Em primeiro lugar, aquilo com o Vaughn não significou nada para mim e você sabe muito bem disso. Em segundo lugar, naquela época você e eu ainda estávamos no começo do namoro e eu estava um pouco confusa sobre o rumo do nosso relacionamento, agora eu sou – mostrei a aliança bem perto de seu rosto – C-A-S-A-D-A com você.
— Exatamente. C-A-S-A-D-A comigo. Nosso casamento esteve em todos as mídias depois que assumimos, usamos as alianças e saímos juntos nos meus eventos, e mesmo assim ainda olham pra você com cobiça.
— E o que você quer? Que eu use uma burca que cubra meu corpo? Que eu me esconda do mundo? Que eu fique feia? – tentei fazer minha expressão mais irônica para mostrar o quão aquilo era ridículo.
— Talvez eles devessem pelo menos me respeitar. Kate, eu estava do seu lado!
— MAS NÃO FOI MINHA CULPA! Você está expondo a situação como se eu tivesse provocado aquilo!
— De certa forma foi, não? – ele deu um passo à frente com os olhos escurecidos. Dei um passo para trás um pouco abalada.
— Não acredito que você está me acusando assim. Estamos casados e você continua sem confiar em mim. Precisa apenas um homem aparecer por UM DIA no meu trabalho, para você esquecer dos SETE ANOS QUE NOS CONHECEMOS.
Não agüentava mais e fui em direção ao nosso quarto, senti que ele veio atrás e antes de sair do escritório o ouvi dizer
— Kate .. eu não quis dizer isso..
— Sério? Pois como um bom escritor, conseguiu pôr direitinho as palavras no lugar e me magoar profundamente – tentei sair mas Rick segurou meu braço.
— Agora espera aí. O cara quase beija você na minha frente, me fazendo quase perder o controle e você que está magoada? Eu me sinto insultado!
— Insultado?! Meu Deus.. Castle, foi só uma cantada. Quantas vezes você já presenciou homens jogando-as para mim? Inúmeras vezes. E isso não influencia em nada.
— Como não? Kate, independente do tempo que passe, você continua atraindo olhares desejosos e eu não consigo me acostumar com isso.
— Do que diabos você está falando?
— Eu tenho medo, caramba.
— Medo?
— Medo. Medo de, a qualquer momento alguém melhor e mais bonito do que eu chegar e tirar você de mim. Olha para mim? Você realmente acha que eu ainda consigo competir com esses garotões ou com qualquer outro homem que queira você? Você é perfeita, e parece que cada dia fica mais linda, mais atraente. E eu percebo, em momentos como esse, que talvez ... talvez eu não seja o bastante pra você. – disse ele por fim
— O bastante? ... Castle, sete anos. Quatro nos conhecendo e nos apaixonando, um ano namorando, quase um ano noivos e agora estamos casados. Você lembra do nosso primeiro ano trabalhando juntos? Quando me perguntou sobre casamento? Tirando aquele maldito incidente com o Rogan e nosso “casamento”, você ainda deve lembrar, “I'm more of a 'one and done' type”. Você realmente pensou que eu daria atenção para a cantada dele?
— Você ficou bem animada...
— Eu estava levando na brincadeira. Como sempre levei. Eu nunca dei espaço para esses caras, você bem sabe.
— A questão não é você dar o espaço, a questão é que eles QUEREM VOCÊ!
— COMO ELES PODEM TER ALGO QUE NÃO É DELES? – disse já ficando estressada
— E PORQUE ELES NÃO TERIAM? – ele falou ainda mais alto do que o tom que estávamos usando e dando um passo até mim.
Como estava sem os meus saltos, nossa diferença de altura me deixou em desvantagem. Durante aquela discussão eu me lembrei de anos atrás, quando brigávamos como se fossemos dois selvagens quase atacando um ao outro com as palavras e com os olhos. Fazia tempo que isso não acontecia, e de repente eu senti a mesma fúria de antes e tive que gritar o mais alto que pude.
— PORQUE EU SOU SUA, DROGA! – falei quase em cima de seu rosto.
Nem deu tempo de encará-lo e tentar demonstrar minha raiva. Ele me empurrou contra a estante de livros do escritório e devorou meus lábios com os seus. Não tive como não lembrar de nossa primeira noite juntos, da nossa briga, e dos momentos maravilhosos que tivemos depois daquele dia.
Rapidamente os pensamentos voaram da minha mente quando ele me puxou com mais força contra seu quadril aprofundando o beijo. Conseguia sentir o calor subir pelo meu corpo me fazendo queimar de desejo.
— Repete, Kate... – ele pediu descendo os beijos para o meu pescoço e com uma das mãos na minha nuca
— Eu odeio .. – tentei falar mas ele sugou o região mais sensível do meu pescoço e isso me deixou sem forças nas pernas e gemi – quando você ... faz .. oh Deus .. isso
— Não foi isso que pedi! – ele ergueu minhas duas pernas em volta de sua cintura, me pressionando ainda mais contra a estante, fazendo eu sentir seu desejo latente por mim. Não fazíamos essas loucuras a tempos e, Deus, ele continuava o mesmo gostoso de sempre
— Repete, Kate, antes que eu faça você se derramar aqui mesmo – falou com os lábios bem próximo ao meu seio esquerdo e com uma mão na minha cintura e outra por dentro da minha calcinha.
— Eu sou sua... droga, Rick, eu sou sua. – não consegui manter os olhos apertos quando ele me estimulou mais rápido
— Só minha? – ele introduziu dois dedos
— Ooh, sim ... sim .. só sua, babe, só sua. – ele nos guiou até a cama me dando a chance de tirar aquela roupa dele que estava atrapalhando e muito o andamento das coisas.
— Eu sinto tanta raiva – disse quando joguei sua camisa longe – quando eles olham você, o seu corpo, – tirou minha calça – quando eles desejam você – apertou minhas coxas com força me fazendo arquear em sua direção. O puxei pelo cós da boxer até sentir seu peso em cima de mim
— Mas é só você que o tem, Rick – ele beijava meu pescoço de novo. Puxei seus cabelos e falei em seu ouvido, antes de morder o lóbulo da sua orelha – Só você.
Rick não esperou mais, me livrou da lingerie e de sua última peça, fez o caminho mais desejado por mim quando estávamos a sós. Desceu pelos meus seios dando a atenção tão ansiada e seguiu caminho, chegando a centímetros de onde eu mais o queria, mordeu e sugou a parte interna da minha coxa.
— Não me faça implorar, Rick – falei num sussurro quase inaudível
— Tão minha ...
E então ele fez. Se deliciou em minha intimidade me fazendo perder os sentidos. Rick era muito bom, mas quando estava com ciúme era muito melhor.
Parei de pensar no segundo que o ápice me atingiu, o puxei pelos ombros até seus lábios estarem ao meu alcance. O beijei como se fosse meu escape dos espasmos que ainda sentia, transpassei minhas pernas em sua cintura o empurrando para dentro de mim com os tornozelos cruzados em suas costas, ele gemeu.
— Te sentir assim ainda vai me matar, Kate – falou entre nosso beijo tentando abafar meu gemido alto
— Se você não for mais rápido agora, eu matarei você.. ooh – mordi deu ombro quando ele aumentou a velocidade e segurou na minha perna direita.
Já perdi as contas de quantas vezes fizemos isso, unimos nossos corpos como um só, mas as sensações sempre são inéditas, ele sempre dá um jeito de me levar ao máximo todas as vezes.
Ele estava quente, minha mão em suas costas sentia isso, e eu não devia estar diferente. Mesmo depois de casados ainda somos como fogo e gasolina quando fazemos amor. Tive a prova da chama tomando conta de mim quando ele intensificou os movimentos e gememos juntos atingindo o auge, suas costas ficaríam marcadas por um bom tempo.
— Meu Deus... – falei tentando respirar normalmente – estive muito perto de um ataque cardíaco agora.
— Nem ouse em me deixar aqui sozinho depois dessa – rimos e ele saiu de dentro de mim, me fazendo sentir a falta do contato, e deitou de bruços ao meu lado. Dei um tapa em suas costas suadas e marcadas – Ai! – se virou para mim.
— Nunca mais.. – segurei seu queixo e beijei seus lábios – Me acuse desse jeito sem fundamento. – o beijei e puxei seu lábio inferior com um pouquinho a mais de força
— Bom, se nossa reconciliação for sempre assim, pensarei sobre o caso – me levantei e subi em cima dele com uma perna de cada lado distribuindo tapas em seus fortes e maravilhosos braços.
— Apenas pense nisso, Richard Castle, que o que tivemos agora mesmo será uma mera lembrança para você por um bom tempo. – ele sentou na cama comigo ainda em seu colo e rodeou minha cintura.
— Você não faria.. greve.. faria?
— Experimenta então – seu olhar de apreensão me fez beijá-lo outra vez, era inevitável – Idiota.
— Olha o respeito, Sra. Castle – ele brincou sabendo que já estávamos bem.
— Amo isso, ter seu sobrenome. – passeei minha mão por seus cabelos.
— O sobrenome e o dono dele – me olhou intensamente – Desculpa, babe.
— Vou pensar no seu caso.
— Não faz diferença, sou seu de qualquer maneira. – definitivamente estávamos bem.
— Eu te amo, Rick. — fixei seus olhos nos meus — Só... se lembre disso.
— Nem em meus piores pesadelos eu poderia esquecer.
— Bom mesmo... Porque... – me inclinei para frente e fui o descendo até encostar suas costas no colchão – Você não vai dormir por algumas horas... – comecei a encostar nossos corpos em um sobe e desce excitante
— Nunca gostei de dormir muito mesmo – me girou na cama e ficou por cima, estávamos prontos outra vez.
Sempre estaríamos.
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