Fire

1 As joias da Princesa


Eu já estava cansada de lutar. Era uma contra o exército real e já não havia saída para isto. Subitamente, criei uma rajada de fogo, derrubando todos os cavaleiros. Como se aquilo me consumisse, me senti cansada e procurei algum alimento na minha mochila.

O exército que andara quilômetros atrás de mim desde o castelo não tinha nenhum sinal de cansaço, como se não bastasse o fato de que eu teria de enfrentar aquilo. Me senti tonta. O mundo começou a girar, e eu sabia que cairia inconsciente em breve.

Acordei com uma sensação horrível, como sempre. Mas como se meu mau humor não fosse a pior coisa que poderia acontecer nesse provável final de tarde, eu estava presa. Sim, eu estava entre grades no porão do castelo.

Os acontecimentos da noite anterior vieram na minha mente. Eu roubara as joias de Lire, a princesa de meu reino. Provavelmente o cavalo que me conduzia já tinha sido abatido.

Meu estômago produzia um grunhido desagradável. Tudo o que eu tinha (as joias, minha mochila e os suprimentos) deviam estar guardados com segurança máxima.

Eu estava manchada de sangue da cabeça aos pés. Pelo visto, eu teria de ficar sem tomar um banho revitalizante por no mínimo um mês. Mas aquilo já era algo normal para mim. Eu poderia juntar os dedos de todos os três bilhões de habitantes da Terra. Aquilo não contaria metade de meus crimes.

Alguém bate a porta. Finalmente! Eu precisava falar com alguém, mesmo que esse alguém seja apenas um dos empregados da família Real que por sinal eu considero repugnante.

Prendo meus cabelos ruivos com um elástico que estava jogado no chão da cela e abro. Sem dizer uma palavra, recebo algo que não pode ser sequer chamado de jantar. Até onde eu sabia, aquele seria o único alimento que eu receberia dentro de três semanas; portanto, tudo que pude fazer foi racionar a comida.

Depois de comer, pensei um pouco na figura que me entregou o jantar. Já tinha a visto antes, não sei se no dia que roubei as joias de Lire. Mas a menina tinha piscado para mim com um ar melancólico. Sim, foi nesse dia. Acho que ela tentou me encobrir até que eu fugisse. Infelizmente, isso só durou dois dias... Mas me sinto realmente feliz. Uma empregada me ajudando a roubar os pertences de seus patrões.

Observando a janela, percebo que algumas coisas poderiam ser utilizadas como ferramentas ali. Quebrando a madeira com o menor barulho possível, eu passo a noite em claro pensando em como usar aquilo para destruir as grades.

Depois de horas pensando, finalmente percebo que a melhor alternativa estava na minha frente.

Eu podia expandir a janela.

Notas finais
Tá uma droga, eu sei; mas eu senti vontade de por isso aqui.